1º Mundo Cão - O Problema do Time dos Outros Também é Meu!

Quero, antes deste primeiro registro da minha participação na Ligados FM, externar a satisfação e honra em estar fazendo parte deste espaço. Deste coletivo de ideias e de inteligência, de boa vontade e da melhor iniciativa. Acredito que isto tudo aqui não o fora construido por acaso. É impossível não reconhecer o tamanho valor deesta galera aqui, do Felipo & Cia. Tal qual diz o meu avô, as coisas têm valor quando são concebidas por pessoas de valor. É o caso daqui.

Aceitei o convite com muita felicidade e prazer, sobretudo, por estar compartilhando ideias e pensamentos com um grupo selecionado de pessoas de muito conteúdo e coisa boa para dar. Muita coisa boa (muito ainda por vir). É o caso da Ligados FM, um espaço formado por pessoas de pensamentos diferentes e que compartilham o mesmo propósito.

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Falando em futebol, recordo-me dos meus tios lendo jornais da coluna esportiva, em busca das tabelas e da situação de seus times no campeonato, das mobilizações nas tardes de domingo, dos estadios (ás vezes) lotados e das passeatas de pessoas no meio da cidade. Um fim de campeonato, em que muita gente pendura uma bandeira do seu orgulho na porta do seu carro e sai por aí fazendo zuada, buzinada, parando o trânsito e chamando a atenção das pessoas nas calçadas (as menininhas que fiquem para escanteio).

Isto é o futebol. É assim, até os dias de hoje. O time do coração da sua terra ou daquele lá de outro lugar distante, que, por algum motivo surreal, chamou a atenção dessas pessoas e, então, surgiu aquilo que os mais bairristas chamam de ‘misto’. Porém, o que é misto? P.S.: Roberto Toledo fala muito bem sobre essa coisa de misto de hoje em dia! Vale a pena ler! (http://www.google.com.br/search?aq=f&gcx=w&sourceid=chrome&ie=UTF-8&q=torcedores+mistos)

Misto é uma modalidade de torcedor que torce para mais de uma equipe esportiva (equipes estas, geralmente, de regiões ou cidades diferentes). Acusam-no, contudo, com o dedo bem no meio da cara, de todo tipo de crime: de traidor, de paraibaca (expressão muito comum entre os pernambucanos ao se referirem aos nordestinos que torcem para os times de outras regiões do país), até de acéfalo. P.S.: O que tem a ver a Paraíba com isto tudo?!

O que é acefalite? Será que esse juri do futebol regional sabe do que se trata acefalite? Futebol é entretenimento, é o que distrai as pessoas de uma semana intensa de trabalho puxado, do estresse do dia-a-dia, do trânsito caótico. As pessoas querem sorrir nos finais de semana e não se estressarem. Faz parte querermos assistir ao melhor espetáculo.

Só que confundem (muito bem, por sinal) isto com preconceito. “Preconceito”. Existe rincha, intolerância, xenofobia ou o que mais for entre povos de diferentes regiões e isto acontece no mundo inteiro. Nada tão justificável: Natal v.s. Mossoró, Brasília v.s. Goiânia, São Paulo v.s. Rio de Janeiro, Portugal v.s. Espanha, Inglaterra v.s. França, Roma v.s. Veneza, Tóquio v.s. Yokohama. Porém, nada tal qual Israel v.s. Palestina ou Irã v.s. Iraque. O mais engraçado é que isto se reflete muito bem no futebol...

Não tenho o dever de torcer pelos times da minha terra natal pelo simples fato de ter nascido na mesma. Isto não interfere nos meus sentimentos de apego ou de orgulho para com minha terra. Nem, muito menos, devo fechar a minha mão em favor de uma porrada que deveria dar na cara do torcedor do time adversário. Essa coisa anti-mistos no Nordeste preocupa (abram o olho)!

Certa vez, em uma partida entre o Sport Clube do Recife e o São Paulo, na cidade do Recife, torcedores nordestinos do segundo time foram vítimas de agressão cometida por alguns outros torcedores. Em uma comunidade de um site de uma rede social, dirigida ao “orgulho nordestino”, vários membros externaram seu ódio aos mistos e justificaram o acontecido como uma lição a estes torcedores que, pelo simples fato de não torcerem por um time da região, deveriam mesmo era apanhar.

Acho que é aí que está a acefalite. Não é guerra, política, protesto ou ordem contra a corrupção. Isto não se justifica. É apenas um jogo de futebol, de um campeonato, nacional, sim, mas que não deixa de ser um espetáculo tal qual um show de Rock ou de Forró. Ou, então, nordestino também deveria ser proibido de ouvir ou ir a shows de Rock, Reggae ou Trance (e é no nordeste que se encontra o maior cenário de Rock Alternativo do Brasil, justamente na terra do Axé, a Bahia). P.S.: Que irônico!

Acredito que, muito além das instituições de Direito, que existem para proteger o cidadão e sua liberdade cívica, isto passa por um processo educativo. Acredito que o ódio é fruto da pouca educação, da baixa importância a que se dá a ela. Mesmo porque, esses cidadãos raivosos e revoltados com as escolhas alheias são os que elegem os nossos governantes e que acabam se inserindo, por demérito, nas instituições que regem a nossa sociedade.

A consciência é fruto da educação. E é certo que sujar as próprias mãos ou boca com palavras e atos de agressão ao outro por uma mera escolha (pessoal, por sinal, que não deve satisfação a quem quer que seja) pega pior do que aceitar a condição de segundo lugar. Terceiro, quinto ou lanterna da tabela. Porque o primeiro, o lugar mais alto do pódio, sempre será nosso, independente da colocação do nosso glorioso time.

Deixem os outros torcerem para quem quiser e em paz!

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 13/12/2011
Objetivo: www.LigadosFM.com
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