5ª resenha crítica: Você Pensa o que Acha que Pensa?



Saudações, leitores! Feliz 2012 a todos! Que tal começar o ano com um pequeno check-up? Não me refiro a exames de rotina no médico ou à revisão anual do seu carro. O que pergunto é se você quer fazer um check-up filosófico. "Check-up filosófico, André? Isso existe?", você me pergunta. Ora, claro que sim. O livro "Você Pensa o que Acha que Pensa?", de Julian Baggini e Jeremy Stangroom é exatamente isso.

Nesse bem-humorado livro, você poderá checar a coerência e validade de suas ideias em doze testes. Quem sabe você descobre que pensa algo diferente do que você crê pensar? Além disso, o livro apresenta de forma cômica e descomplicada alguns conhecimentos básicos de filosofia aos leigos, de forma tão divertida que nem parece ser "aquelas loucuras", como chamam alguns as discussões filosóficas.

O primeiro capítulo é um pequeno teste que mostra se há em você as tensões mais básicas e comuns em pensamento, referentes ao relativismo moral, à proteção do meio ambiente, ao julgamento artístico, à fé etc.

O segundo e o terceiro capítulo são uma introdução à lógica e à estrutura argumentativa, que testam a sua capacidade de formular argumentos e de discriminar os válidos dos inválidos.

O quarto e o quinto tratam da crença em Deus, tratando o primeiro de algumas dificuldades técnicas de algumas concepções de Deus para os "engenheiros metafísicos" e o segundo da coerência dos conceitos de Deus no terreno da lógica, aplicando o clássico o teste do Deus no Campo de Batalha.

O sexto capítulo testará os seus tabus, colocando-os em cheque (ou não) em vários contextos diferentes. Mas, como tabus também são um tabu, quem fará tal teste?

O sétimo e o nono por mim recebem destaque e tratam da moral e da ética. O capítulo sete classificará a natureza da sua moral. O capítulo nove, "Você é oficialmente ético", contém um teste que pretende verificar se você pratica o que pensa ou se você é um "falso moralista" ou "falso imoralista". Capítulos especialmente recomendado às pessoas que vivem a compartilhar imagens moralizadoras no Facebook e às que têm como máxima "cada um vive como bem entender".

O oitavo para mim é o mais hilário de todos e diz respeito aos nossos julgamentos artísticos e os critérios pelos quais classificamos algo como obra-prima. Comentário pouco relevante: no último jantar do ano passado(2011), ouvi algo que automaticamente me lembrou este capítulo: "eu preferiria passar a eternidade ouvindo Chitãozinho e Xororó a passá-la ouvindo Caetano Veloso".

O décimo trata da sobrevivência tem um dos testes mais divertidos de todo o livro.
Em resumo, ele busca avaliar se o que você mais valoriza é a sobrevivência da alma, do corpo ou da mente e as implicações de cada uma destas preferências.
Por certas vezes, os testes são demasiado simplificadores dos problemas tratados, levando-nos a crer que somos contraditórios quando não o somos.

O capítulo onze se chama "Quão livre você é?" e contém um teste sobre a questão do livre-arbítrio e suas implicações morais (a culpa e o mérito).

O livro termina, enfim, com o "Teste filosófico definitivo". Não é um teste que exija de você as capacidades que adquiriu durante o livro, mas um Trivia sobre filósofos, suas vidas, suas obras e suas citações. A este poderá tranquilamente responder o estudioso de filosofia. E aqueles que nesta categoria não se enquadrarem, por que não pesquisar um pouco e adquirir mais conhecimento?

Num geral, achei o livro maravilhoso. É tanto uma boa introdução ao fazer filosófico como um verdadeiro check-up com um médico epistemologista(o médico que cuida do seu conhecimento). Você é uma mistura heterogênea de contradições ou uma grande massa uniforme coesa? Descubra com este livro! Recomendo-o principalmente a professores de filosofia, que poderiam, sem sombra de dúvida, trabalhar com alguns dos testes do livro em sala de aula para aproximar os alunos do conteúdo.

Mas, devo ressaltar: como nem tudo é perfeito, também preciso apontar alguns defeitos. Critico o fato de alguns problemas ficarem simplificados em alguns testes por falsas dicotomias ou por se partir nos resultados de pressupostos não enunciados nas perguntas, o que se mostra uma grande falha. Em especial, considero bem fraco o teste Deus no Campo de Batalha, que se propõe a examinar a coerência lógica da visão de Deus do leitor, e no entanto acaba indo além do campo da lógica e partindo para a visão pessoal de quem escreveu o teste. De qualquer forma, os testes não deixam de ter o seu valor, apesar de algumas falhas que pude encontrar.

O livro pode ser adquirido na Livraria Cultura, na Livraria Saraiva ou no Submarino por menos de vinte reais.

Autor: André Marinho          Criação: 01/01/2012        Objetivo: www.ligadosfm.com
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