2ª Resenha Crítica: Acáci - Mundo 17

Olá, leitores! Antes de tudo, agradeço a Felipo Bellini pela oportunidade de estar aqui. Sou André Marinho e estou pela primeira vez postando no LigadosFM. Todos os sábados, eu postarei algo sobre literatura. Entre resenhas de livros, comentários e artigos, espero trazer mais deste tema às suas vidas.

Sem mais delongas, resenharei hoje o livro de ficção científica Acáci - Mundo 17, publicação independente de Gustavo Diógenes de Oliveira.

“Antes, muito antes da nossa existência, havia o zero. E o zero era o tudo e o nada, uma vez que existia somente a existência e a uniformidade.” Estas palavras marcam o primeiro parágrafo de Acáci,  sendo uma descrição cosmogônica que carrega em si uma mistura do científico com o mitológico, do objetivo com o alegórico, enunciando que a história de Acáci, planeta fictício que é cenário do livro, será contada desde antes da sua concepção, quando havia somente o zero, até o último momento.

A estrutura da obra é similar à de Vidas Secas, com contos que integram um todo e que tanto podem ser lidos individualmente sem perder o seu sentido. Da mesma forma, podem ser lidos em ordem, tornando-se uma grande narrativa com partes desconexas. A diferença fundamental entre as duas obras é que Mundo 17 não gira em torno de uma única família, mas de todo um planeta em seus diversos contextos tempo-espaciais diferentes, englobando diferentes lugares, pessoas e contextos históricos. Por este caráter descentralizador da trama, não se pode dar ao conjunto de contos da obra um tratamento uniforme. Se em um momento se fala da evolução de uma espécie, em outro a ênfase é nos conflitos morais e familiares (que em muito lembram Dostoiévski). No meio disso ainda há partes que tratam da organização de módulos de um supercomputador. Tudo isso se liga por um único elemento: o planeta Acáci.


Certamente não faltou por parte do autor a base científica para construir um planeta inteiro, da sua origem ao seu ocaso. Biologia, física quântica, psicologia e astronomia são apenas algumas das fontes de inspiração do autor para criação do cenário, que contém diversas espécies especialmente elaboradas, cada uma delas com mentes e fisiologias distintas, o que faz com que cada uma delas se comporte de forma distinta e justificada diante do mundo. Isso também não por mero acaso, mas com sentidos simbólicos decorrentes da influência da psicologia jungiana em Gustavo Diógenes.

O que mais me chamou a atenção foram as liberdades artísticas tomadas pelo autor, em destaque nos contos Eles Me Chamam de Corrompido e Último Sol. Poemas cubistas e uma narrativa realista se intercalam, dando lugar a uma narrativa caótica e, ao mesmo tempo, coerente dentro do seu contexto. Na primeira leitura que se faz dessa mistura, é impossível não ficar estupefato. Nas leituras seguintes, a surpresa diminui, mas o encantamento permanece.

Acáci - Mundo 17 é um daqueles livros que nos fazem observar um contexto distinto para que melhor compreendamos a nós mesmos e o mundo em que nos inserimos. Toda a civilização humana, com seus sentimentos, frustrações, desejos e aspirações, pode ser enxergada em Acáci. Talvez todo o nosso planeta possa ser enxergado lá de forma alegórica. Cabe ao leitor ter o prazer e a iniciativa de colocar-se nesse outro mundo.

Apesar do seu gênero e da sua aparente complexidade, o livro não é restrito a intelectuais ou fãs de ficção científica. É leitura fácil, leve e adequada a todas as faixas etárias. Serve para se sensibilizar, assim como é uma leitura para se pensar. Seja lá qual for a sua opção - sentir ou pensar - de ler Acáci você não se arrependerá.

O mais surpreendente, amigos leitores, é que tudo isso foi feito por um prematuro escritor de 17 anos, que recentemente terminou o Ensino Médio no Colégio Ciências Aplicadas e pretende ingressar no curso de Medicina da UFRN. Acáci - Mundo 17 é o seu primeiro e único livro publicado, mas Gustavo já tem planos de lançar outras obras, inclusive uma possível continuação do livro. Considerado pelo escritor Sanderson Negreiros um “pequeno gênio”, o jovem autor mostra que entrou no meio para ter uma carreira promissora. Afinal, cerca de 200 livros vendidos numa noite de lançamento é um início bastante próspero para a vida de um escritor, principalmente quando se trata de uma publicação independente.

Para mais informações sobre o livro, visitem sua página oficial: http://www.acaci17.com/


Autor: André Marinho Criação: 10/12/2011 Objetivo: www.ligadosfm.com
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