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28/06/2011

13º Miniconto - A Espera do Carrasco

A Espera do Carrasco

Era uma sala escura e empoeirada, onde apenas uma linha do sol teimava em entrar. Sentado, eu puxava o ar aos meus pulmões, tentando sugar o pouco que me restava e alimentar minha alma para mais um segundo de dor.

Tristes erros de um espírito em decadência, que em poucos momentos receberia a visita do carrasco, munido com seu machado largo, para o libertar da dor...

Não sem antes me torturar um pouco mais, relembrando os pulsos doídos pelas correntes que me abraçavam e do estomago que se auto-digeria... 

Não sem antes lembrar-me, que aquelas dores eram poucas às que estavam por vir...

Autor: Felipo Bellini              Criação: 28/06/2011            Objetivo: felipobellini.blogspot.com

27/06/2011

12º Miniconto - Visitantes...

Visitantes...

Não adianta esperar,
                           são todos vultos do além, mortos que teimam em nos visitar!

Então, me pego ali parado, olhos vagos e compenetrados para a mata adentro... Tenho medo das sombras, dos que nelas se escondem e descansam para o despertar da última hora.
Observo quase sem vida, pois sei que no frio da brisa noturna eles virão e cobrarão suas noites no obscuro, reclamando a ilusão de felicidade que tivemos e relembrando a tenacidade do desespero.
Mas não corra, pois sei que onde estiver eles virão, do breu iram surgir e os acompanharemos para a noite eterna...

Autor: Felipo Bellini            Criação: 27/06/2011            Objetivo: felipobellini.blogspot.com

26/06/2011

11º Miniconto - Monstro no Espelho

Monstro no Espelho

Ele se vestia como um monstro, dormia como um monstro, amava como um monstro, mas era apenas um monstro. Suas garras eram de monstro, suas prezas eram de monstro, seus pelos eram de monstro, mas ele era apenas um monstro. Que, caminhando como monstro, andando como monstro, desajeitado como monstro, era perseguido como monstro e morto como monstro.
Nem todos escolhem ser monstro, há aqueles em pele de cordeiro que matam, e monstros que só querem andar por ai e são caçados por sua carapaça... Que monstro é você?

Autor: Felipo Bellini Souza       Criação: 26/06/2011       Objetivo: felipobellini.blogspot.com

25/06/2011

10º Miniconto - Alcoólatra Anônimo

Alcoólatra Anônimo

Apenas mais um drink, um consumo acelerado, antes cerveja agora vinho, depois absinto... São problemas em desatino, sem medo de perder o que se ganhou, uma desvalorização do produto, desistência dos filhos, da mulher e do emprego.
Estou perdido em um mar de festas, quero sair mais minha garganta não deixa, mas, eu sei que no fim é ela que vai me obrigar a isso. Aos pouco ela vai se fechar e inflamada pelo álcool me fazer perecer em uma esquina qualquer, em um buraco qualquer.
Só por favor, se me vir rastejando, mesmo que tenhas pena,  me deixa, não me separe da única chance que terei de não acordar doído no outro dia.




Autor: Felipo Bellini     Data: 25/06/2011       Motivo: felipobellini.blogspot.com

23/06/2011

9º Miniconto - Maternidade Zumbi

Maternidade Zumbi

Apesar da morte, ela não se rende... Caminha com o que resta de seu corpo meio ao cheiro putrefato, com o único objetivo de não sucumbir à escuridão.
Mesmo com seus reflexos entorpecidos ela pressente os vultos e o doce aroma da carne fresca a convida. São dois outros corpos menores que se movem pela velha mobília de madeira, e embora sua massa cinzenta não registre, aquele cheiro de óleo de peroba lhe é mais íntimo que qualquer coisa.
Novamente seus instintos lhe direcionam, e o corpo morto se inclina sobre a estante e destroça a porta pegando um dos pequenos pelo pescoço e abrindo a mandíbula para alimentar-se...

Naquela noite, apenas mais uma palavra soou como um gemido... Mamãe! 
E depois gritos e depois silêncio...

Autor: Felipo Bellini Souza              Data: 23/06/2011                Objetivo: felipobellini.blogspot.com

2º Música de rua em Cardiff - Reino Unido

Esse é mais um dos vários artistas de rua que frequentam Cardiff e todo o Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte). O nome do artista é Daniel, um simpático morador da cidade, que leva sua guitarra, caixa de som e microfone para fazer um som. Ele tem um repertório muito bacana, e em outra oportunidade mostro outras músicas dele.


22/06/2011

8º Miniconto - Penas Negras

Penas Negras

Noite travessa, em que os pequenos corvos brincam entre os muros largos de sua morada. Seus pais, negros corvos se embucham no altar dos corvos enquanto os corvos guerreiros tomam a noite com seus grasnares de pavor pela cobiça de seus senhores. E escondido de todos, o corvo bruxo, com seu grasnar mítico e obediente da própria morte escolhe o banquete do outro dia, ceifando as almas daqueles que o suor já não lhe serve mais.
Noite e Morte.
Mistério e Dor.
Medo e Fuga.
Segredo e Magia.
Grasnar dos Corvos.
Silêncio das Tumbas.

Cala-te pequeno homem, não se preocupe com seu ouro e luxo, sou apenas filho da dama da noite e não vou te tomar nada mais que seu ar, então escute meu grasnar e silencie.

Autor: Felipo Bellini                  Data: 16/05/2010                       Objetivo: Antologia: O Corvo da editora Literata

7º Miniconto: Lar da Agonia

Lar Da Agonia

Tento adormecer, mas imagens macabras não deixam minhas pesadas pálpebras caírem. Sou sensitivo, sinto o desespero dos vivos, dos mortos, almas em agonia.


Levanto de minha cama, vozes injustiçadas gritam, espíritos presos a grilhões pedem justiça, clamam piedade.
Os espelhos são portas, neles não enxergo o meu reflexo, vejo a dor daqueles que tiveram a vida interrompida.

Tudo perturba. Se não os que já se foram, os que ainda estão por ir, marcando meu corpo em escarificações de fome, sede, opressão e dor.


Então me entupo de morfina, despejado em um sofá sujo, olhando uma TV e rezando para que a overdose venha logo, saciando meu corpo aflito pela benção dos interrompidos. Esperando Morrer.


Autor: Felipo Bellini Souza               Criação: 11/12/2009           Objetivo - E-zine Terrorzine do Ademir Pascale

21/06/2011

6º Miniconto: Limbo

LIMBO

            Por mais que seja terrível a idéia do limbo, hoje me sinto apto a encarar essa peregrinação ao nada, sem medo do vazio, sem vergonha do excesso de coisa nenhuma e com total convicção de que lá, pior que aqui, não é.

Vejo pelos caminhos seguidos que o campo de espadas se fez em ciclos, que a batalha de minha vida pelo futuro ideal não existe e que todos os momentos de possível alegria que sacrifiquei foram fadados a uma ilusão.

Turvas ondas de martírio pelo futuro improvável, e hoje acabo sozinho, sem perceber uma semente minha que seja, nem alegrias, nem saudades, nem amigos ou se quer inimigos.

Daqui me vou, sabendo que serei uma poeira levada pelo ar, inexistente, sem lembranças ou conquistas, invisível para você ou para qualquer.
.
.
.
...em mim, inútil te espero, meu Limbo.

Autor: Felipo Bellini Souza           Criação: 10/05/2010            Objetivo: E-zine Terrorzine do Ademir Pascale


Confira o áudio na voz de Stephane Vasconcelos - Atriz e Universitária - @StephaneDamasco
Ouça:
Baixe:
http://www.divshare.com/download/16100844-ce4

20/06/2011

5º Miniconto: Insônia

                                                                 Insônia

Tic...      Tac..      Tic...      Tac..
São 02:13. Meus olhos estão cansados e meu corpo adormecido, todos a fim de se calar... Entretanto, minha mente os contraria!
Fecho os olhos, tento imaginar os sonhos, mas eles não vêm, tento imaginar pesadelos, mas eles me ignoram. Então, sem alternativa, me ponho tentar pensar: em nada! Mas minha mente me transgride, é como se gritasse todas as coisas do mundo, obrigando-me a fazer o que todos tememos. Confrontar-me...
E assim, nada me resta que mais uma pílula branca e som do relógio...
Tic...      Tac..      Tic...      Tac..      Tic...

Autor: Felipo Bellini          Criação: 20/06/2011                 Objetivo: Blog: felipobellini.blogspot.com

19/06/2011

4º Miniconto: Destinos Paralelos

DeStInOs PaRaLeLos

Não posso perder mais tempo, não suportaria mais um minuto sozinha, sem você ao meu lado, sem seus beijos e seu corpo. Por isso me arrumo. Uso a blusa verde que me deu junto à saia jeans de sempre, procuro o homem que perdi, que deixei escapar. Busco o beijo que sonhei o suor de nossos dias, preciso de você, tenho a necessidade de seu suor, de suas unhas encravadas em minhas costas de seu cheiro de camomila. Visto a sua pólo favorita, o jeans surrado de sempre e meu Nike. Não sei onde você está. Bato na porta de seu apartamento, dizem que você se mudou, me dizem que você foi embora ontem, usava malas. Como posso ter te perdido por tão pouco? Não te encontro em qualquer lugar, vomito palavras para os seus vizinhos, a boatos que te viram na estação, a boatos de que não vai mais voltar. Ele não atende, nem minhas ligações, ele fugiu de mim. Ela não me deixou seu numero, não me deu o celular, não posso acreditar que a perdi para sempre. Então vou embora, seja o caminho que percorri, se não gosta de mim a ponto de se mudar eu vou embora.

Adeus.

Autor: Felipo Bellini                        Dia: 19/06/2011                         Objetivo: Postar no Blog

18/06/2011

3º Miniconto: Fuga do Escuro

Fuga do Escuro

O ar se confunde em uma neblina densa com cheiro doce de orvalho. Pressinto das matas que circundam a dor da criatura, ela não desejou ser o que é, não desejou a escuridão, mas em seu corpo consumido, é apenas o que lhe resta, o silencio da maldição e a carne daqueles que rompem seu território.
Tremo sem esperanças, sei que estou condenado em um suspense onde nem os grilos gritam. Eu espero correndo o que posso, mas, agonizando na certeza de que ela esta na minha sombra, e que estou dando voltas a espera do fim.

Autor: Felipo Bellini             Criação: 11/07/2010               Objetivo: E-zine do Terror-Zine do Ademir Pascale

17/06/2011

2º Miniconto: Prisão de Vidro

Prisão de Vidro

Não me contive em meus erros, e insanamente, quando tive a chance de te tocar, não pude negar minha vontade. 
Seu corpo era assim todo meu, corpulento, dotado de vontade, com o gosto da sexualidade. Mas eu me perdi e você me aprisionou em paredes de vidro. Tirou meu direito de ir e vir, me consumiu com seus desejos e eu deixei, fiz tudo o que pediu, me abri, permiti que continuasse naquela intensidade doentia, e agora que me dei conta, não consigo te largar, é você, meu homem, meu monstro...

Autor: Felipo Bellini Souza         Criação: 14/06/2009           Objetivo: Pôster da Delegacia da Mulher 2010

16/06/2011

1º Miniconto: Sussurros no Escuro

 Sussurros no Escuro

-Eu não tinha 16 anos, mas pressentia quando ele se aproximava. ..

Ele vinha em passos curtos, era como se todo o ambiente se contaminasse. Lembro-me de seu hálito de vinho barato, suas mãos grandes e calejadas, e de seu cheiro de suor amargo. Enquanto ele me tocava eu desejava gritar, pedia, implorava em sussurros, mas nunca gritaria por socorro. E assim, quando tudo acabou, eu em minha visão turva e meu hálito enjoado, chorava derramada no liquido que escorria entre as minhas pernas.
Mamãe, como eu precisava de você...


Autor: Felipo Bellini Souza     Data de Criação: 11/05/2009    Objetivo: Banner da campanha da Delegacia da Mulher de 2010

12/06/2011

1º Música de rua em Cardiff - Reino Unido

Já havia postado esse vídeo anteriormente no blog: http://mesa-de-cha.blogspot.com/ , que divido com a Anna, Isa e Camila. Esse foi um dos vários videos que gravei dos artistas de rua de Cardiff, capital do País de Gales - RU. Era um dia frio, onde eu mal podia andar sem me tremer todo, e em uma travessa/galeria da cidade a voz desse homem tomou o ar e me fez ficar espantado.


Espero que quem ler este blog aprecie esse vídeo. Até

Felipo Bellini

Meu nome é Felipo Bellini Souza, sou estudante do curso de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, vulga UFRN, professor do PROCEM - RN e de outros cursos preparatório para o vestibular e de línguas no Rio Grande do Norte.

Vou usar esse espaço para falar de mim, do que eu ensino e do que eu vejo por ai. Enfim, este será um site de reflexões, sem ter uma linha corrente por obrigação ou se quer nexo.

Obrigado.