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12/07/2011

25º Miniconto - 1ª Geração

1ª Geração

Seu rosto sombrio e o velho corpo eram uma carapaça infiel de um herói. Marcado como um guerreiro, carregava cicatrizes que covardes nunca honrariam e em sua voz rouca ele empunhava a sabedoria dos lendários trovadores.
Suas mãos calejadas eram o reflexo da gloria de outra hora e os rabiscos de sua face a escritura de uma vida em que tudo era mais simples, onde crianças andavam soltas e homens não usavam de subterfúgios em fuga da realidade.
Ele, ou eles e elas, são guerreiros de outra era, fieis soldados do ontem e hoje, que são roubados de seus cargos de generais e pelo preconceito enviados a prisões de solidão, em asilos ou simples vidro, onde suas vozes não ecoam e suas almas vão sumindo...

Autor: Felipo Bellini Souza   Criação: 11/07/2011  Objetivo: felipobellini.blogspot.com

10/07/2011

24º Miniconto - Última Batalha

Última Batalha


De cima da ponte eles olhavam os corpos flutuando e em suas mentes aquele espetáculo sombrio lembrava o humor traiçoeiro de Loki. O púrpuro na água marcava os últimos dias de glória de sua nação e relembrava que simples estacas e cruzes não o salvariam da noite escura.
Assim, armados de tochas, enxadas e espadas eles honraram o seu luto e atravessaram o frio da penumbra para encontrar o destino final.

Zumbis!


Autor: Felipo Bellini Souza Criação: 10/07/2011 Objetivo: felipobellini.blogspot.com

Confira o áudio na voz de Bruno Resende Ramos - Escritor e Professor - @brunoescritor

Ouça:
Baixe:

09/07/2011

23º Miniconto - Agradecimento ao Especial

Agradecimento ao Especial!

Vestia as roupas mais engraçadas, jóias e pedras coloridas pelo corpo, maquiagens variadas lhe preenchiam e embora seus muitos perfumes: cheirava a sua loção semanal.
Embora muitas vezes fosse abusado, rompido por estranhos elementos dos mais variados tamanhos, os quais ao seu corpo não pertenciam, gostava do seu trabalho e todo mês era produzido em banho de gato que fazia o aroma verniz subir.
Assim é vida dele, que no dia a dia é nosso cofre, dispenca, armário e em casos absurdos até geladeira! Obrigado Roupeiro!

08/07/2011

22º miniconto - Adeus Meu Rei

Adeus Meu Rei

Mais uma vez ele se via como o centro das atenções, como sempre embalando multidões em sua personificação de rei. Mas ele conseguia um espetáculo único, eram milhares que se empolgavam sem que ele se quer meche-se, sem falar ou acenar. Na multidão muitos de seus melhores amigos, neutros e estáticos na presença de seu rei. Ao seu lado o que já fora o general mais jovem de sua guarda, que lhe defendeu contra ingleses e acenava ao carrasco e dizia adeus a multidão...

Autor: Felipo Bellini           Criação: 08/07/2011          Objetivo: felipobellini.blogspot.com

07/07/2011

21º Miniconto - Carma

Carma
Zapt, Zupt!
O chicote zumbiava no ar e o carrasco sorria...

“As coisas mudam, tudo se transforma e o que hoje te faz gritar amanhã te fará sorrir”. Aquelas eram as palavras de seu mentor, um homem robusto que lhe salvara da morte quando ainda era uma criança. Era nela que ele pensava toda vez que era açoitado por não limpar a casa ou agradar os clientes... É nela que ele pensa ao cortar as carnes do velho dono...

Autor: Felipo Bellini                Criação: 07/07/2011          Objetivo: felipobellini.blogspot.com

06/07/2011

20º Miniconto - Orgulho Masculino

Orgulho Masculino

Quando questionado sobre o relacionamento de sua filha virgem com um amigo da família 20 anos mais velho, que havia largado esposa e filhos pela garota, Rogério levou as mãos à cabeça e respondeu após refletir um pouco sobre seu futuro genro:

-- Não tinha muito que fazer, sou o único da turma com uma filha próxima a casa dos 20 e o Marcelo nunca gostou de críticas mesmo!

Autor: Felipo Bellini          Criação: 06/07/2011        Objetivo: Desafio de Edson Rossatto sobre minicontos de humor.

05/07/2011

19º Miniconto - Comida de Hospital

Comida de Hospital

O que enxergava não era uma mãe que segurava sua cria, mas uma criança de rua que segurava outra infância perdida e marcada por uma mão necrosada. O diagnóstico em sua mente era bem simples, amputar a agonia e salvar a pequena vida. Mas o retrato da miséria a sua frente tornava aquilo um tanto mais complexo. Se deparar com cenas assim sempre a obrigava a raciocinar estratégias de como explicar a paciente que sua filha seria tatuada não apenas pela miséria, mas pela falta de um membro...
Só que isso não durou muito, foi interrompida pela dureza da fome: “Pode amputar, eu sei que precisa amputar, o que não sei é se isso da direito à jantar no hospital...”

Autor: Felipo Bellini   Criação: 05/07/2011     Objetivo; felipobellini.blogspot.com

04/07/2011

18º Miniconto - Mamada no bar...

Mamada no bar...

Ela sentia o álcool descer por sua garganta, esquentando as veias e aquecendo a alma. De tudo na Argentina o que mais amava eram as margaritas, principalmente quando embaladas ao som de um bom bolero hermano. Naquela felicidade ela se mostrava para os ches em um equivoco portanhol:

- Vien, beber bien, también fiquem mamados!

E quanto mais ela falava, mais as pessoas ao redor ficavam sem graça e inconformada mais alto ela repetia para tira-lhes a inibição, até que a dona do bar, muito educada e direta, resolveu colocar um ponto final naquela depravação:

- Su descarada, si usted está caliente favor ir a un motel!

Autor: Felipo Bellini                  Criação: 04/07/2011                 Objetivo: Desafio de Edson Rossatto: minicontos de humor

03/07/2011

17º Miniconto - Amor entre Judeus e Árabes

Amor entre Judeus e Árabes

Táticas de negociação; era nisso que pensava ao ver o ortodoxo judeu competindo com o entusiasmado árabe para saber quem fazia melhor o trabalho. Mohamed lhe conquistava pela comida, festas coloridas, e sonhos que mutuamente criava em seus possíveis investidores. Bellink, pouco queria saber de conquista, preferia passar fome ao ceder o que tinha por menos do que em sua mente valia. Era tudo uma questão de lógica, um alimentava sonhos por dinheiro, o outro esperava uma frase singela como “vamos conversar” para arrecadar as calças que por direito já lhe serviam.
Assim são judeus e mulçumanos inimigos em muitos planos, mas amantes nos negócios...

Autor: Felipo Bellini             Criação: 03/07/2011                  Objetivo: Desafio miniconto de humor, proposto por Edson Rossatto

16º Miniconto: Rodas sobre Rodas

Rodas sobre Rodas

O silêncio acólito dos pobres a indignava... Era como se todos tivessem o direito de pisar os mais velhos e necessitados a seu bel prazer, pois havia a certeza de que eles não reclamariam seus direitos!
Com a decepção que trespassava seus olhos ela seguiu até ao jovem no terceiro assento do ônibus. “Será que ele não percebia as gestantes e idosos que o rodeavam? Será que não conseguia repara os riscos que os fazia correr? Não, ela tinha certeza que não, ele simplesmente os ignorava!”
Mas mesmo com toda a sua raiva, com os direitos que tinha e sabia que tinha, ela parou e voltou. Abraçando sua cria ela agradeceu a deus sua saúde.
Naquele ônibus havia rodas sobre rodas...

Autor: Felipo Bellini     Criação: 03/07/2011     Objetivo: felipobellini.blogspot.com

02/07/2011

15º Miniconto - Mantra Materno

Mantra Materno

Em minha mente eu escutava as palavras de minha mãe como uma prece. “Juntos somos mais fortes” dizia ela para todos na casa, e isso nos mantinha selados ao seio da família enquanto os degenerados exterminavam o restava.

Esperamos assim o dia do juízo final, armados de facas, pedaços de madeira e tochas resistimos aos que conseguiam penetrar nossa barreira de velhos móveis. Mas uma hora tudo pereceu, e paradoxalmente aquelas palavras se repetiam, e todos gritavam “Juntos somos mais fortes!” e juntos todos morriam...

Autor: Felipo Bellini          Criação: 02/07/2011           Objetivo: felipobellini.blogspot.com

01/07/2011

14º Miniconto: Paixão à Zap

Paixão à Zap

No caminho ele se prende aos obstáculos de um homem apaixonado, afinal, como ele poderia encontrar sua musa sem um buquê de rosas vermelhas e uma caixa de chocolates Ferrero Rocher? Saltitando como se corre, ele tenta preservar seu Pierre Cardin e investir na direção de sua amada. São momentos assim que ele queria que ela o visse, correndo, viril, com sua melhor roupa e os melhores presentes... só que mesmo assim o paradoxo da vida representou-se em um tapa, e tudo o que vagou no inconsciente foi a certeza de que paixonites passam rápido! 

Autor: Felipo Bellini                  Criação: 01/07/2011                 Objetivo: felipobellini.blogspot.com