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31 de dez de 2011

5ª resenha crítica: Você Pensa o que Acha que Pensa?



Saudações, leitores! Feliz 2012 a todos! Que tal começar o ano com um pequeno check-up? Não me refiro a exames de rotina no médico ou à revisão anual do seu carro. O que pergunto é se você quer fazer um check-up filosófico. "Check-up filosófico, André? Isso existe?", você me pergunta. Ora, claro que sim. O livro "Você Pensa o que Acha que Pensa?", de Julian Baggini e Jeremy Stangroom é exatamente isso.

Nesse bem-humorado livro, você poderá checar a coerência e validade de suas ideias em doze testes. Quem sabe você descobre que pensa algo diferente do que você crê pensar? Além disso, o livro apresenta de forma cômica e descomplicada alguns conhecimentos básicos de filosofia aos leigos, de forma tão divertida que nem parece ser "aquelas loucuras", como chamam alguns as discussões filosóficas.

O primeiro capítulo é um pequeno teste que mostra se há em você as tensões mais básicas e comuns em pensamento, referentes ao relativismo moral, à proteção do meio ambiente, ao julgamento artístico, à fé etc.

O segundo e o terceiro capítulo são uma introdução à lógica e à estrutura argumentativa, que testam a sua capacidade de formular argumentos e de discriminar os válidos dos inválidos.

O quarto e o quinto tratam da crença em Deus, tratando o primeiro de algumas dificuldades técnicas de algumas concepções de Deus para os "engenheiros metafísicos" e o segundo da coerência dos conceitos de Deus no terreno da lógica, aplicando o clássico o teste do Deus no Campo de Batalha.

O sexto capítulo testará os seus tabus, colocando-os em cheque (ou não) em vários contextos diferentes. Mas, como tabus também são um tabu, quem fará tal teste?

O sétimo e o nono por mim recebem destaque e tratam da moral e da ética. O capítulo sete classificará a natureza da sua moral. O capítulo nove, "Você é oficialmente ético", contém um teste que pretende verificar se você pratica o que pensa ou se você é um "falso moralista" ou "falso imoralista". Capítulos especialmente recomendado às pessoas que vivem a compartilhar imagens moralizadoras no Facebook e às que têm como máxima "cada um vive como bem entender".

O oitavo para mim é o mais hilário de todos e diz respeito aos nossos julgamentos artísticos e os critérios pelos quais classificamos algo como obra-prima. Comentário pouco relevante: no último jantar do ano passado(2011), ouvi algo que automaticamente me lembrou este capítulo: "eu preferiria passar a eternidade ouvindo Chitãozinho e Xororó a passá-la ouvindo Caetano Veloso".

O décimo trata da sobrevivência tem um dos testes mais divertidos de todo o livro.
Em resumo, ele busca avaliar se o que você mais valoriza é a sobrevivência da alma, do corpo ou da mente e as implicações de cada uma destas preferências.
Por certas vezes, os testes são demasiado simplificadores dos problemas tratados, levando-nos a crer que somos contraditórios quando não o somos.

O capítulo onze se chama "Quão livre você é?" e contém um teste sobre a questão do livre-arbítrio e suas implicações morais (a culpa e o mérito).

O livro termina, enfim, com o "Teste filosófico definitivo". Não é um teste que exija de você as capacidades que adquiriu durante o livro, mas um Trivia sobre filósofos, suas vidas, suas obras e suas citações. A este poderá tranquilamente responder o estudioso de filosofia. E aqueles que nesta categoria não se enquadrarem, por que não pesquisar um pouco e adquirir mais conhecimento?

Num geral, achei o livro maravilhoso. É tanto uma boa introdução ao fazer filosófico como um verdadeiro check-up com um médico epistemologista(o médico que cuida do seu conhecimento). Você é uma mistura heterogênea de contradições ou uma grande massa uniforme coesa? Descubra com este livro! Recomendo-o principalmente a professores de filosofia, que poderiam, sem sombra de dúvida, trabalhar com alguns dos testes do livro em sala de aula para aproximar os alunos do conteúdo.

Mas, devo ressaltar: como nem tudo é perfeito, também preciso apontar alguns defeitos. Critico o fato de alguns problemas ficarem simplificados em alguns testes por falsas dicotomias ou por se partir nos resultados de pressupostos não enunciados nas perguntas, o que se mostra uma grande falha. Em especial, considero bem fraco o teste Deus no Campo de Batalha, que se propõe a examinar a coerência lógica da visão de Deus do leitor, e no entanto acaba indo além do campo da lógica e partindo para a visão pessoal de quem escreveu o teste. De qualquer forma, os testes não deixam de ter o seu valor, apesar de algumas falhas que pude encontrar.

O livro pode ser adquirido na Livraria Cultura, na Livraria Saraiva ou no Submarino por menos de vinte reais.

Autor: André Marinho          Criação: 01/01/2012        Objetivo: www.ligadosfm.com

30 de dez de 2011

5ª Tirinha - Solidão


Fiz essa no dia 20/11/2011, tinha pensado em fazer uma crônica, mas estava afim de desenhar! :D

Autor: Felipo Bellini Souza     Criação: 20/11/2011     Objetivo: www.felipobellini.com

28 de dez de 2011

2ª Promoção Cultural - Tem Esquilo no Cinema!

Ligados FM e Você vendo Alvin e os Esquilos 3 de Graça!!!

E vamos começar mais uma promoção do blog Ligados FM! Essa é para quem gosta de cinema! Você curte um cineminha? E esquilos? Se você gosta temos a promoção certa para você! Dessa vez não tem pergunta, não tem complicação, não tem criatividade, você tem apenas que clicar em curtir abaixo desse post e seguir a nossa página oficial no FACEBOOK! Se você for o campeão nós vamos ao seu encontro!

Atenção, serão cinco sortudos que vão ganhar um ingresso exclusivo do filme Alvin e os Esquilos 3, sendo eles divulgados no blog, no facebook e no programa de rádio Ligados FM, na rádio Nova, 87,7 FM do dia 06/01/2012.


Obs1 - Apenas pessoas que possam pegar os ingressos em mãos, na sede da Rádio Nova, no endereço: Rua Carmindo Quadros, 255 - Nova Parnamirim - Parnamirim/RN CEP: 59152-770 podem participar.
Obs2 - O sorteio vai acontecer no dia 06/01/2011 as 12 horas da tarde, vulgo meio dia.

Autor: Felipo Bellini Souza         Objetivo: Ligadosfm                Criação: 28/12/2011

1ª Sopa de Letrinhas - A humanidade e seus falos

A humanidade e seus falos

         Vamos supor um individuo de 23 anos de idade, estudante de alguma universidade pública, com emprego, carro próprio, casa própria e alguns planos para a vida. Tendo ele conquistado tanto para sua pouca idade, seria ele um Homem? O que nos faz classificar alguém como Homem? Seria sua habilidade para sobreviver? Suas aptidões e capacidades mentais? Ou uma família bem estruturada seria a resposta?

Eu sinceramente não sei a solução, mas tenho muitas criticas quanto a nossa percepção deturpada de ser Homem e estar homem.

Recentemente, tive contato com um conto do Richard Wright, traduzido para o português como “O homem que era quase um homem”, e publicado primeiramente no ano de 1961; que me levou a refletir sobre os símbolos e como dependemos deles para nos sentir seres mais completos frente à sociedade.

Neste texto, o protagonista de dezessete anos vive no campo e embora tenha seu próprio trabalho e dinheiro vive com sua mãe e família e sente a necessidade de possuir uma arma para se sentir um homem de fato.

Um exemplo do campo, principalmente quando lembramos da década em que este texto foi escrito e retrata. Uma marca de transição, onde o adolescente desaparece e o homem se define perante aos outros. Situação que se analisarmos mais intimamente se assemelha a outros rituais de passagem de nossa linha da vida.

É através de símbolos que provamos nosso sucesso em um aspecto social, pense na nossa breve infância, onde competimos com as outras crianças em comparações engraçadinhas de quem tem a melhor lancheira, ou um pouco mais adiante, quando na escola fundamental nos envergonhamos da lancheiras coloridas e comida caseira para nos render a cantina da escola. Pense ainda mais adiante, em nossos 13 a 16 anos, em que roupas de bandas e cortes de cabelos eram nossas ferramenta para ser ou não ser grandes na comunidade, tudo claramente mensurado por um termômetro chamado popularidade.

Estes são exemplos que se repetem em ‘jovens adultos’, adultos, quarentões, sessentões e depois, e depois... Conceitos ilusórios de que o Homem é um símbolo material, como um carro, um trabalho ou uma casa qualquer...

Entretanto, estas ilusões são quebradas na vida real assim como no texto de Richard Wright, que faz com que, no uso indevido de seu símbolo de poder, masculinidade, respeito e independência, o protagonista acabe por atirar acidentalmente em uma mula e sendo ridicularizado por seus companheiros.

Por isso, afirmo que não é o hábito que faz o monge, mas o monge que faz o hábito! E sugiro que, embora uma boa situação financeira ou de prestígio social sejam troféus de um homem bem sucedido, elas não substituem virtudes como honestidade, bondade, humildade, tolerância, que não apenas classificam o homem Homem, mas que definem seres humanos!

Autor: Felipo Bellini Souza     Criação: 28/12/2011   Objetivo: www.ligadosfm.com

27 de dez de 2011

3º Mundo Cão - Por que não, Natal?


Comemorou-se o natal no ultimo fim de semana e creio que ninguém há de duvidar disto. Festejos, comida, árvore, presentes, reencontros, troca de ideias, notícias, gastos, supervalores. O respeito a uma tradição, que perdura há séculos dentre ocidentais e cristãos. Data lá do império romano (falo dos festejos), quando, ainda no mês de dezembro, seus cidadãos confraternizavam, durante vários dias deste mês, a confraria e graça de alguns de seus deuses como forma de adoração e peregrinação. Era celebrada a harmonia entre as pessoas (e não interessa se se tratava da promoção do Panis et Circensis)!

E, aí, no decorrer da História, vieram o nascimento de Cristo, a canonização do Bispo Nicolau (São Nicolau) e todas aquelas histórinhas que já se sabe e que se está careca de ouvir.

Nada contra ou que vá de encontro com o que se prega nas igrejas cristãs ou que se acredita no ocidente. Não sou pagão ou coisa do tipo. O natal faz parte dos festejos de fim de ano, que têm como única e exclusiva finalidade unir pessoas e aflorar sentimentos os quais geralmente não o são possíveis de ser correspondidos no decorrer de lá 300 dias. De promover o consumo e a economia, também; entretanto, isto não vem ao caso.

Natal é calor humano, é cultura. E, continuando com o que se falava anteriormente, não se trata apenas de apego à tradição da reunião em família, refrigerante, suco, cachaça ou peru assado sobre a mesa. As pessoas saem nas ruas e usufruem de toda uma programação, pública, por sinal. Uma agenda à serviço do público, colocada por entidades de interesse, governos, empresas de eventos ou estabelecimentos locais. E há sempre quem saia ganhando com isto: a população. P.S.: Óbvio!

A maioria se organiza em prol de uma causa, cristãos ou não. Mas, não foi o que se viu este ano aqui na terra que leva o nome do natal. A promessa de um “Alto de Natal”, a ser realizado na praça cívica do campus da UFRN, Lagoa Nova, ‘furou’ com o povo e se transformou no tal “Presente de Natal”. Presente de Natal, por causa da aliança política entre a administração estadual e municipal... Muito aquém de um “Alto de Natal” dígno ao natalense. P.S.: O Presente de Natal é de iniciativa do Governo do estado do RN.

Muita gente reflete que Natal (a cidade) era para ser a capital brasileira do natal. A cidade com a maior árvore, com o maior número de atrativos e eventos de fim de ano, mais enfeitada, mais o que se pensar; cativar o interessa dos ‘de fora’ em vir aqui a passeio e ter motivos para voltar (e, se possível, comemorar o seu natal e o reveillón). Mas, não! Optou-se pela mediocridade... P.S.: Não. Aquilo que estão organizando lá na Praça Cívica do centro NÃO substitui estes atributos.

Natal (a cidade) tem definitivamente NADA de atrativo inteligente para fim de ano. Nem para o natalense, nem para quem vem para cá nesta época do ano. Em Goiânia, por exemplo, a prefeitura chegou a contemplar com incentivos no IPTU as residencias a se enfeitarem com decorações e arranjos, a fim de que a própria o fosse decorada fazendo uso do seu maior patrimônio – a população. Gramado, no Rio Grande do Sul, investiu pesado em enfeites luminosos, em uma gigantesca árvore superenfeitada, em máquinas de fazer neve e em corais que, em horários marcados, todos os dias, apesentariam-se em diversos locais da mesma. Isto é maravilhoso! É o que atrai os olhares do resto do mundo para elas (e o turismo, ao invés de causa, cai por terra como conseqüência).

Aqui, na capital potiguar, até a História se passa por equivocada! Do próprio nome aos idos de sua fundação e todo um conjunto de ‘regras’ por trás disto tudo justificam o seu batismo tal qual a conhecemos hoje. Falo de cultura e eventos históricos e isto tem que ser valorizado.

Não fomos Nova Amsterdã por acaso (que, também, foi o mesmo nome dado a Nova Iorque durante a ocupação Holandesa por lá)! A propósito, Nova Iorque foi a cidade que inventou e reinventou o natal tal qual o é nos dias de hoje. Gramado e Goiânia pouco têm a ver com o natal, do ponto de vista histórico. Contudo, fazem a sua parte.

Vez por outra, ouço nas rádios um jingle que ousa dizer que o natal desta capital é o maior do Brasil. Por que?

Mesmo que o natalense (e não natalino, tal qual se credita mundo afora...) não acorde para tal, que não aprecie este momento como de costume, apesar disto tudo ou mais, ele não merece a escuridão a que lhes fora dada de presente neste fim de ano.

Foi como se esta ausência, por parte de nossa iniciativa pública, atingisse diretamente o sentimento natalino das pessoas dentro de suas próprias casas. Dirigindo nos bairros residenciais daqui da capital, deu um aperto no coração vê-las tão desertas e escuras, como nunca havia visto, em mais de 20 anos de radicação. Justo na noite de natal... Parecia um dia comum como um outro qualquer. Uma noite de domingo, bem no horário do Fantástico, da Globo!

De certo, pelo menos eu acredito que uma cidade que se auto promove em algo, naturalmente, motiva seus cidadãos a fazê-lo, também. O Carnatal é a maior prova disto (não é preciso dizer mais nada, né?!). Por que não o natal?

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 27/12/2011
Objetivo: www.LigadosFM.com

3ª Coluna Esportiva - Papai Noel não faz milagres


Boa tarde, leitores!
Antes de tudo, vim aqui desejar um feliz natal a todos vocês. Que DEUS abençoe todo mundo.
Ainda no clima natalino e sem muitas notícias do meio esportivo, vim aqui para deixar a minha indignação com os dois grandes clubes de Natal (ABC/RN e América/RN). Assim como em grandes empresas, o futebol também precisa de organização e planejamento para alcançar resultados satisfatórios durante o ano. Sinto que o futebol Potiguar está entrando em um total amadorismo já faz alguns anos.
Clubes como ABC e América possuem uma torcida vibrante e apaixonada. No entanto, de que adianta tudo isso se todo o ano os mesmos só brigam para não cair de divisão no Campeonato Brasileiro? Para não ser totalmente injusto em minhas declarações, vou salientar que em 2010 o ABC, através de um ótimo planejamento e a manutenção de uma base conseguiu vencer um estadual e ser campeão brasileiro da Série C. Mas são momentos solitários na recente história do futebol Potiguar.
Mesmo com o acesso à série em 1996 e em 2006, o América amargou campanhas pífias e até mesmo ridículas posteriormente. Retrato disso é que o clube não vence um campeonato estadual desde 2003. Sem organização e planejamento que se encaixem na filosofia e no caixa que os clubes possuem, a tendência é a de que todo ano os torcedores das equipes passarão por muito sofrimento. Hoje contratam 10 jogadores com períodos curtos em seus contratos e, amanhã eles vão embora como se nunca tivessem passado por aqui.
Muitos podem falar que é um mal que assola o futebol nacional. Mas existe uma grande diferença, onde perpetua um abismo financeiro entre as regiões do País. Os diretores, conselheiros, sejam lá quem for não podem ter um pensamento tão retrógrado assim. Precisamos de um futebol mais incisivo e profissional. Precisamos das equipes com uma base para tentar alcançar objetivos mais altos. Precisamos ser notados. Mas não me refiro a subir em um ano e nos demais brigarmos incessantemente para não cairmos. Precisamos de cabeças novas e pensantes, que estejam atualizados quanto às informações no mundo do futebol.
Enquanto nossos clubes vivem “brigando” uns com os outros, outros times do Nordeste são mais reconhecidos e falados pela mídia. Não pela total organização, mas ao menos pelo pouco que fazem (Vide Sport, Ceará, Náutico, Bahia, Vitória, etc). É época de Natal, mas papai Noel não faz milagres. Pedi que ao menos meu time tivesse um bom 2012 e que os dirigentes se conscientizem quanto ao caminho que pode ser adotado. O caminho da organização e do planejamento para que não ocorram mais desastres e caídas de divisão. Saudades do tempo em que eu sabia escalar meu time do 1 ao 11.  Força, futebol Potiguar!

Por: Raniery Maciel Vítor Medeiros  Em: 26/12/2011 Objetivo: www.LigadosFM.com

25 de dez de 2011

Post Especial de Natal: 4ª Resenha Crítica e 2º Ensaio Cultural: Um Cântico de Natal e suas adaptações para o cinema



Saudações, leitores! Em clima natalino (o mesmo que atrasou minha postagem), falaremos de um clássico de Charles Dickes. O livro é Um Cântico de Natal (em inglês, A Christmas Carol).

A estrutura do livro é tal qual a de uma canção. É dividido em cinco capítulos, que o autor chama de estrofes.

A primeira estrofe fala sobre o espírito de Marley, velho sócio de Ebenezer Scrooge. A morte de Marley é a primeira coisa anunciada no livro e repetida várias vezes neste início. Marley morreu e Scrooge era o seu único amigo, seu único herdeiro e seu único sócio, mas a morte de Marley não abalou o velho Scrooge. A verdade é que nada abalava Scrooge. Tudo o que queria era manter o seu negócio e, por este motivo, assuntos mundanos não o interessavam e contato humano era um grande estorvo para si. O Natal, para ele, era uma grande tolice: a época em que pessoas já com dificuldades na vida abrem suas carteiras para tirar o pouco que têm para os outros.

Na véspera de Natal, Scrooge foi convidado por seu sobrinho para um almoço em família no dia seguinte, o qual ele recusou. Instituições de caridade também lhe pediram ajuda e ele recusou, dizendo que morrerem de fome no Natal até será bom, pois o excesso de população será reduzido. Já podemos ter uma visão bem precisa do caráter do protagonista. Mais tarde, em seu quarto, ele recebe uma visita inesperada: o fantasma do seu sócio Marley. Ele tem em si correntes e grilhões, que diz terem sido forjadas por ele mesmo durante sua vida. Ele está preso por livre vontade, ele diz, pois nunca em vida ele ousou ficar longe de seus negócios, de seu escritório. Nunca ousou ele estar próximo à humanidade e tê-la como o seu negócio. Adverte a Scrooge que seu destino será o mesmo se ele insistir na vida que mantém, assim como também revela que ainda há esperança para ele. A chance de redenção será garantida pela visita de três fantasmas.

Os três capítulos posteriores narram, cada um deles, a visita de um dos fantasmas. O primeiro é o Fantasma do Natal Passado (Ghost of Christmas Past), que mostra a Scrooge a sua juventude e tudo que colaborou para que ele se tornasse o homem que e é a razão pela qual ele odeia o Natal. O segundo é o Fantasma do Natal Presente (Ghost of Christmas Present), que revela a Scrooge várias diferentes cenas no Natal que está acontecendo, entre eles o pobre Natal do seu empregado Bob Cratchit, que tem um filho muito doente, o Pequeno Tim, que não pode fazer o seu tratamento devido ao baixo salário que Scrooge paga ao seu subordinado. O terceiro é o Fantasma do Natal Futuro (Ghost of Christmas Yet to Come), que mostra a Scrooge as consequências da sua mesquinhez para ele e para as outras pessoas, como o próprio Tim Cratchit, que tem um destino trágico.

No último capítulo ou estrofe, Scrooge acorda em sua cama ainda com a chance de mudar o seu destino. Se ele o faz ou não, vocês terão de ler o livro para descobrir!

O fato é que há muitas pessoas como o Scrooge. Todos nós temos esse lado um pouco egoísta, sempre ocupado demais para a família ou para os necessitados. O espírito natalino, no entanto, tem um poder transformador. Quando é Natal, somos mais caridosos e altruístas. A magia de Um Cântico de Natal não é a de nos mostrar este lado do feriado, mas também de ressaltar a importância da caridade e da da união familiar como um todo, que, em feriados como o Natal, momento em que não precisamos trabalhar, não custa nada.

Não sentimos diariamente o outro em sua dificuldade, tampouco pensamos normalmente que são as nossas boas ações que nos acompanharão, nos libertarão dos grilhões e correntes que construímos e nos tornarão queridos na vida e na morte, pois não temos um Fantasma do Natal Presente nem do Natal Futuro para nos mostrar isso na vida real. Contudo, ao ver estes fantasmas agir na ficção, os efeitos de sua possível existência todos entram na realidade. Sentimos em nós as consequências do futuro de quem pratica a ganância. Sentimos remorso por ignorarmos os nossos próximos, crendo que eles são para sempre, assim como Scrooge ignorou que precisava ajudar o Pequeno Tim.

O papel humanizador e sensibilizante da literatura, tão bem desenvolvido na obra de Dickens, é essencial e é uma das razões pelas quais Um Cântico de Natal tem relevância para ser lido e relido por gente de todas as idades, épocas e contextos merecendo um papel de destaque no cânone da literatura ocidental.

Além de ser moralmente elevado, carregando virtudes magníficas para todas as gerações que o conhecem e ser uma história que nos faz sentir, cito ainda outras razões pelas quais esse livro permanece entre os meus favoritos: a estrutura da obra é de grande originalidade; a sua simplicidade é marcante, não havendo espaço para prolixidade; a sua capacidade de sobreviver no imaginário popular é tão forte quanto a de Dom Quixote, sendo a primeira leitura de Um Cântico de Natal nunca de fato o primeiro contato com a obra. Afinal, quem nunca ouviu falar na história dos três fantasmas do Natal?

O livro foi adaptado para o cinema diversas vezes. Destacarei, dentre os mais de vários filmes baseados na obra, os cinco que eu conheço.

O primeiro é a O Conto de Natal do Mickey(Mickey's Christmas Carol), no qual cada personagem do livro é interpretado por um famoso personagem da Disney. A correspondência de personalidade de alguns deles cai como uma luva, como o Tio Patinhas(em inglês, Uncle Scrooge) no papel de Ebenezer Scrooge. Nada mais adequado.



O segundo é A Christmas Carol: The Musical de 2004, versão cinematográfica da peça musical baseada no livro. Um musical de um livro que é um "Cântico de Natal" no seu título e na sua estrutura é uma forma bastante válida e interessante de reinterpretar a obra. As canções são esplêndidas e interpretadas por um elenco de primeira, que inclui Kelsey Grammer(dublador do Sideshow Bob em os Simpsons e do Bola-de-Neve no filme de A Revolução dos Bichos) , Jennifer Love Hewitt, Geraldine Chaplin (filha de Charles Chaplin; Tonya Gromeko em Doutor Jivago). Confiram uma das músicas do filme, "God Bless Us Everyone".




O terceiro é o A Christmas Carol de 1984, estrelando George C. Scott. Considero-a melhor adaptação do filme para as telonas, devido à sua extrema fidelidade ao livro. Pode ser assistido na íntegra pelo YouTube, embora ainda sem legendas em português. Quem tiver condições de assisti-lo assim, faça! É um ótimo filme.




O quarto filme é o mais recente, chamada em português de Os Fantasmas de Scrooge, com Jim Carrey no papel principal. É a primeira representação em três dimensões do livro de Dickens e é divertíssima. Recomendo.




Por fim, apresento-lhes uma das primeiras tentativas de levar o Scrooge ao cinema, no A Christmas Carol de 1910, que é mudo tem somente 10 minutos de duração.



Espero que tenham gostado desta postagem! Um Feliz Natal para vocês e suas famílias! Próxima semana voltaremos com os filósofos de Rossellini!

Os que quiserem ler o livro podem baixá-lo aqui.

Autor: André Marinho          Criação: 25/12/2011        Objetivo: www.ligadosfm.com

24 de dez de 2011

4ª Tirinha - Em Um Piscar de Olhos


Sabe esses dias em que você acorda com um monte de planos, e em sua imaginação infantil se dá conta de que o dia passou e você não fez nada além de sonhar... pois é!

Autor: Felipo Bellini Souza     Criação: 13/11/2011    Objetivo: www.ligadosfm.com

22 de dez de 2011

3ª Batalha de Bandas - Montgomery vs Lunares


Está valendo a briga de guitarras e vocais dessa semana! Um confronto épico que vai fazer uma boa surra de chicote de arame farpado parecer algodão doce! Então, conheçam agora os gladiadores que se enfrentarão no dia 23/12/2011 às 13h na 87,7 FM, Rádio Nova. São eles: Montgomery vs Lunares!





Banda 1

Montgomery é antes de tudo poesia, melodia e guitarras, sejam elas limpas ou distorcidas. Formada por Gustavo Silva, Sergio D'avlis, Isaac Melo, Sérgio Siqueira e Eduardo Caldas ela traz, em composições originais, o rock inglês oitentista e um romantismo particular de ‘Beijos de Arame Farpado’ em 'Frente ao Sol’.



Banda 2

Lunares é antes de tudo dramática! Reflete o cotidiano em conflitos pessoais e existenciais em músicas como ‘Eu, Eles e Minha Casa’ e ‘O Feto’. Sendo formada por Rodrigo Lacaz @rodrigolacaz, Bruno Lima e Daniel Costa, a Lunares trás em sua história troféus como III Prêmio Rock Potiguar, o Prêmio Elino Julião do Voto Popular e o Prêmio Hangar de Melhor Música.


Fiquem de olho na votação! Colocaremos a enquete da batalha de bandas no dia 23/12/2011 ás 13:00  aqui no site/blog www.ligadosfm.com, aquela que tiver mais votos até as 13:55 do mesmo dia vai ganhar o confronto! Participem e revele-nos a campeã!

20 de dez de 2011

2° Mundo Cão - Eis o Estado da Arte!

Se os nossos sonhos precisassem de um simples estalar de dedos para serem realizados, talvez, não existiria a força de expressão chamada esforço, avante! As realizações acontecem por si mediante uma série de esforços e de conduta por parte de seu(s) realizador(es), e isto envolve bem mais do que meter a cara no mundo com a própria mão e a coragem.

Essa coisa de ser artista, de ser um astro da MPB, do Axé ou do Rock e de estar estampado nos cartazes promovidos pelo mainstream mundo afora está muito além do especializar-se na arte de expressar seus sentimentos, de dominar com segurança as escalas a serem digitadas no braço da guitarra ou de se pôr a falar ininterruptamente com o mínimo de gaguejado no palco. Isto tudo, aqui, não requer capacitação; trata-se de consequência de um preparo, sim, subjacente ao que menos importa (ou seja, na arte em si a ser posta ao público).

Um músico bem sucedido escreve, é poeta e estuda seu instrumento em casa, mas não se restringe a tão pouco. Arte não é para qualquer um. É necessário toda uma rotina de leitura de livros de poesia, autoajuda, histórias e contos (aos de protesto, um pouco de política). Mas, há artistas e artistas, que acreditam na sorte e na injustiça, que têm várias estantes de livros na sala e no quarto, que ouve o mundo mais do que tira conclusões acerca dele e que é melhor observador do que ninguém.

Se buscarmos a história de vida de todos esses caras, que crescemos ouvindo, e ainda os introduzimos no nosso MP3 Player ou no som do nosso carro, veremos que eles não foram colegiais comuns ou pessoas normais que nasceram para ser bancário, caixa de supermercado, assistente ou procurador da república. Cresceram ouvindo de seus pais a importância da preparação e do trabalho, tanto que se tornaram tão bem preparados a ponto de atingir o estrelato. Lembre-se, nada acontece por acaso!

Contudo, o que tem a ver as diferenças sociais com isto? Muita coisa? Talvez, o elo de ligação entre elas apresentarem interferência direta no comportamento do indivíduo, no que diz respeito ao modo como ele encara o mundo e as adversidades! Os bem sucedidos são insistentes (não no erro) e todo o tempo do mundo é pouco, haja visto que eles têm a experiência de ter começado a fazer o que fazem muito cedo. Eis a diferença (bem menos social do que parece).

O resultado está na qualidade de sua obra (produto, para os mais capitalistas), porque eles sabem da receita que toca o coração das pessoas. Eles sabem dialogar, como ninguém, sobre os erros e os caprichos de nossas vidas, e sabem seduzir tal qual o cântico das sereias. Cada nota e escala, cada entrada de solo ou o modo como o baixo o é incorporado na introdução da canção, faz a diferença, e eles sabem muito bem disto! Porque leem livros, ouvem as pessoas (mais do que elas ouvem eles) e dá ouvidos às suas canções várias vezes ao dia. A vida imita a arte e eles tentam imitar como podem os anseios das pessoas por aquilo que as toquem.

Este é o estado da arte! Agora, pergunte a si mesmo, enquanto artista, o que tens feito para incrementar o espírito do seu trabalho, senão, enganar-se de graça? Como colocava Rodrigo Sena, artista e compositor potiguar, “Saber perder o que fingiu conquistar é enganar-se de graça...”! Não existiu palavras mais verdadeiras do que estas e tenho certeza do puxão de orelha que ele deu em gente que tem o 'rei na barriga' e que acredita que o mundo conspira contra si mesmo. P.S.: Um pouco de humildade, por favor!

Parem, ouçam suas influências e as compare com suas obras. Não é obrigado que tudo o que fazes esteja a desejar ao que te influencia. Cazuza levou cinco dias para compor “Codinome Beja-Flor”, trancado em casa, lendo e relendo seus poemas e mastigando cada palavra do dicionário, em busca da combinação poética ideal. Era tão roqueiro quanto fã de Cartola e cada pedaço da sua obra toca cada pedaço de mal caminho que mastigamos e isto não se deve ao fato de seu pai ser diretor da Som Livre nos anos em que surgiu do nada o Barão Vermelho.

Se ele, em muito pouco, se diferenciasse da Plebe Rude (lá do cenário punk de Brasília), talvez não tivesse sobrevivido ao primeiro disco do Barão Vermelho e disto não passaria... É disto que estou falando! Diferenciamos o joio do trigo tal qual a quantidade de vezes que repetimos as músicas de um artista em nosso player. Se repetir-mo-las, é porque a coisa verdadeiramente nos tocou. Mas, e se as aplaudirmos, mesmo com tamanho fervor, e as retirarmos de nossas pastas de canções? P.S.: Veja bem, não falo apenas de mim, porém, de nós (um grupo de pessoas)!

É necessário atingir um grupo de pessoas muito além do convívio social. Das rodas de conversa, dos ouvidos amigos, das 'panelinhas'. O público, quando se interessa pelo trabalho do artista, vai muito além da obra ali produzida. Busca a história que está por trás daquelas palavras, de cada vibração sonora, do suor sobre o palco e dos milímetros de precisão coreografados. Ele quer dialogar ao seu modo, falar de suas intimidades e poder esclarecer certas coisas as quais não se faz possível em seu convívio social.

Arte é um refúgio social, um retiro para longe de tudo o que se vê no dia-a-dia. Longe da mesmice. E se sobressaem, nesta história toda, quem consegue levar o público aos mais longe possível da anestesia da rotina. Ou será que queremos falar o tempo inteiro do nosso trabalho, do trânsito caótico, das fofocas da vizinha ou do sofá cheio de poeira da sala?

Ouvir os mesmos três acordes que vão do Ré ao Sol e terminam no Fá? Acho que não. A lógica do sucesso v.s. fracasso vai muito além do mercado e da lei da oferta v.s. demanda.

A injustiça, o fracasso e a redescoberta são consequências, não causas. É necessário falar do temor dos fracassados ao próprio insucesso? Talvez! Porém, antes, é importante lembrar de quantos livros os nossos protegidos artísticos têm lido no ultimo ano, quantos filmes têm visto, quantos discos têm ouvido e de quantas horas esteve entre os conhecidos choramingando as injustiças que rodeiam o seu anonimato. Provavelmente, esta última ganharia em disparada...

E quanto à sua vida cultural? Eu falo da freqüência de assistir a uma peça de dança, interpretar uma encenação e de criticar novelas (e não me refiro às da TV).  

Tem músico por aí que escreve e que compõe com tamanha facilidade, que se expõe acreditando estar nos rumos certos da aceitação do público. É que para quem ainda não chegou 'lá', (ainda) sempre cabe mais um pouco!

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 20/12/2011
Objetivo: www.LigadosFM.com

19 de dez de 2011

2ª Coluna Esportiva - Esporte: forte formador de cidadão!

Esporte: forte formador de cidadão!

Boa tarde, caros leitores!
Vocês saberiam me dizer como formar um cidadão?
Estamos cansados de ver como plateia, na primeira fila, as nossas crianças tomando o caminho errado da vida. Adolescentes cada vez mais incorporados ao tráfico, envolvidos com a criminalidade, meninas perdendo a pureza para o lado obscuro da prostituição infantil. Muitos podem dizer que isso vem de dentro para fora de casa. Ou até mesmo que, por causa da pobreza, a solução é recorrer ao imundismo que se tornou o mundo. Crianças não são mais crianças. 
Cada vez mais cedo estamos vendo as crianças e adolescentes fazendo trabalho de adulto. Isso é justo? Não! Podemos fazer algo? Difícil! Mas é possível.
Em nosso País o Esporte é praticado assiduamente. As brincadeiras são feitas para que as crianças sejam realmente crianças. Vários são os projetos e ações sociais que tiram crianças (por um momento) das ruas e, através de uma bola, uma simples quadra, tornam aquele momento único e mágico. 
Semana passada, passando por um campinho aqui perto de casa, vi um Senhor dando aula para 14 crianças (eu contei). Pensei que era alguma aula de educação física. Fui até mais perto e vi que não havia fardas, tênis, roupas condizentes para a prática do esporte. Como grande curioso que sou, fui até lá e perguntei ao Senhor (Edmílson) o porquê das crianças estarem sem uniformes adequados. Ele olhou para mim e disse: alguma vez você já viu o potencial em alguma criança de rua que não seja roubar? Engoli aquilo no seco. O Senhor Edmílson, relatou após a brincadeira de futebol, que aquelas são crianças dos condomínios por perto que ele convidou para uma aula, grátis, apenas para saírem um instante das ruas. Ele convidou cada uma para apenas uma aula. Claro, com o consentimento dos pais de cada um. 
Na primeira aula 8 crianças compareceram. Ele pôde ver nos olhos de cada uma o desejo em ser criança, de aprender coisas novas. Foi através do esporte que o Sr. Edmílson teve essa brilhante ideia 10 anos atrás. Um ato totalmente voluntário que visa não apenas tirar crianças das ruas ou descobrir futuros potenciais atletas, mas, principalmente, ensinar os valores sociais e familiares para que cada um possa se tornar um cidadão de bem e honrado. Ao invés de notas, aplausos. No lugar da matrícula, um lanche. Na parte do erro, menos cobrança e mais incentivo. 
A partir da segunda aula, devido ao incentivo e boa conduta do “professor”, as crianças foram sendo atraídas para o pequeno campinho de areia e juntas, estavam ali apenas para jogar futebol, vôlei, queimada, bandeirinha, etc. Fiquei impressionado quando soube que uma delas, de apenas 14 anos, era usuário de maconha. Quando soube do “programa” do “professor”, passou a freqüentar todas as aulas, tirar boas notas na escola, ter maior concentração. Confesso que as lágrimas não caíram em meu rosto. Mas por dentro eu estava totalmente emocionado.
São apenas 14 crianças. Mas são 14 crianças aprendendo as lições e valores que uma criança deve aprender. Através do esporte elas passaram a sair das ruas e simplesmente começaram a praticar esporte. Há quem diga que o futebol são apenas 22 pessoas correndo atrás de uma bola. Há ainda quem seja insensato dizendo que o esporte incentiva e acirra ainda mais a enorme competição entre as pessoas. Será mesmo? Será que educar nossas crianças através de ações como essa do Sr. Edmílson, através do esporte, não seria uma força a mais para os cidadãos em formação? Claro, o número de crianças é irrisório perante os milhares que estão “jogados” por aí. O que vi naquele campinho não era nada parecido com competição. Ao contrário, vi respeito. Vi mais respeito ali do que em algumas atitudes nossas do dia-a-dia. 
Queria eu que atitudes como essa servissem de exemplo para que todos possam colocar em suas cabeças: Sim! Há solução. Buscar a educação através do esporte além de ser prazeroso é extremamente oportuno para a formação dos futuros médicos, advogados, engenheiros, turismólogos, etc. O esporte é mágico, é divertido, é motivador, é EDUCADOR. Praticar esporte é ser uma eterna criança. É a ação mais bonita e solidária que eu, Raniery Medeiros, já presenciei. Ação social não é apenas doar dinheiro para uma instituição, mas também, saber o que fazer para que esse dinheiro possa, diretamente, tornar uma criança um cidadão de bem... um ser humano bem educado e respeitador. O Esporte alimenta a perseverança. O esporte é MÁGICO. O esporte é SOLIDÁRIO. E acima de tudo, ele é formador de opinião, decisão e de cidadão. Que DEUS abençoe o Sr. Edmílson e outros afortunados que, assim como ele, enxergam nos olhos de uma criança (de rua), um futuro cidadão de bem.



Por: Raniery Maciel Vítor Medeiros  Em: 19/12/2011 Objetivo: www.LigadosFM.com

1º Ensaio Cultural: Os Filósofos de Rossellini (parte 1: Sócrates)

Hoje começarei a falar sobre os quatro filmes do diretor italiano Roberto Rossellini baseados na vida e na obra dos filósofos Sócrates, Santo Agostinho, Descartes e Pascal. A ideia era falar de todos os filmes em um post, até que eu percebi que ficou longa a minha exposição sobre Sócrates. Isso me levou a decidir que no próximo domingo falarei sobre todos os demais.

Estes filmes não são documentários e não são aulas de filosofia para leigos e tampouco são filmes exclusivos para entusiastas de filosofia, embora o fato de alguém o ser indubitavelmente fará com que aprecie melhor o filme. Aliás, mesmo que você não precise ser necessariamente um entusiasta, é necessário apreciar (ou no mínimo ter a paciência de aguentar) discussões de natureza filosófica, política e religiosa, entre outras, que estão por toda parte nas produções de Rossellini.

Os filósofos de Rossellini têm o seu lado humano tão explícito quanto sua genialidade. Vemos Sócrates em relação conflituosa com sua mulher; Descartes com seu hábito de trabalhar até bem tarde da noite, sempre acordando após o meio-dia; Pascal com sua frágil saúde; Santo Agostinho recebido com pedradas pelos radicais donatistas. Certamente, não são filmes somente sobre filosofia. São filmes sobre homens comuns que conseguiram pensar o que ninguém pensou antes. O primeiro destes homens é o Sócrates, que protagoniza o filme homônimo.

É impossível pensar em filosofia sem se lembrar de Sócrates. O seu pensamento é considerado o maior marco da filosofia antiga. Se antes de Sócrates predominava a filosofia naturalista, depois dele a metafísica ganhou um patamar de maior destaque. Perguntas como "o que é belo?", "em que consiste a justiça?", "o que é a alma?", hoje têm um campo de investigação que foi possível de se desenvolver a essa extensão porque um homem decidiu abrir os olhos dos atenienses da necessidade de definição de valores, superando o puro senso comum, que ele mostrou ser permeado de contradições em seus diálogos.

Sócrates nunca escreveu uma única obra filosófica. O lugar onde registrou a sua filosofia foram as próprias ruas atenienses. As principais fontes de informação sobre Sócrates são os seus discípulos Platão e Xenofonte. Historiadores, críticos literários e estudiosos de filosofia questionam até que ponto as ideias defendidas pelo Sócrates histórico são as mesmas que ele aparece defendendo nas obras dos autores supracitados. O que não se põe em dúvida é que ele não era um ateniense comum. Era questionador de forma que irritava a elite ateniense, ao ponto de ser considerado um "corruptor da juventude". Criou o método socrático, que consiste em um diálogo com um aluno para que ele resolva as contradições de seu pensamento, pensando por si mesmo, não pela sociedade.

O filme é baseado em toda a obra escrita sobre Sócrates, com vários de seus famosos diálogos apresentados de forma sucinta, porém essencial. O filósofo é apresentado a nós nos últimos momentos de sua vida. O Sócrates já velho, amadurecido filosoficamente, o que Platão nos apresenta em seus diálogos, é o que nos guiará durante o filme. Porém, não durante todo o filme.


Sócrates não está presente logo de início, como é bem do feitio de Rossellini atrasar a presença do protagonista, antes apresentando o cenário em que ele se encaixa. A primeira cena é o anúncio de um fim de guerra entre Atenas e Esparta. Por ordem de Lisandro de Esparta, os atenienses são obrigados a demolir os seus muros. A demolição dos muros nos abre, como uma janela, a visão para um plano geral do cenário ateniense, com a Acrópole acima de tudo. A seguir, vai um homem caminhando até chegar a uma casa de patrícios, onde está havendo um grande banquete no qual se discute a perda da guerra e estratégias que poderiam isso evitar. Logo depois surge uma cena de outra casa, na qual ainda não há qualquer sinal de Sócrates.

O filósofo surge em uma rua, derrubado no chão e sendo ajudado a se levantar. Não mostra qualquer sinal de irritação por ter sido atacado e já entra no mérito de falar sobre o pensamento ateniense a que se opõe. Diz que só há um bem, o conhecimento, e um só mal, a presunção de saber. Os atenienses, diz Sócrates, não têm ideias, mas opiniões sobre tudo. São demasiado orgulhosos para reconhecerem que mal conhecem as coisas. Ao ser inquirido sobre o que ele sabe a mais que os atenienses, Sócrates solta a sua famosa frase: "eu sei que nada sei".

Nessa atmosfera, permanece o filme até o final. A melhor descrição que consigo encontrar é: caminhada, diálogo, mais caminhada, diálogo, mulher de Sócrates briga com ele, diálogo, caminhada, diálogo, caminhada, diálogo, mulher de Sócrates briga com ele de novo, diálogo, sacrifício de galo, diálogo, caminhada, acusação, julgamento, diálogo, sentença, diálogo, bebe cicuta, fim. Dou destaque ao julgamento de Sócrates (adaptado de Apologia, ou Defesa de Sócrates) e aos últimos ensinamentos do filósofo em seu discurso final (adaptado de Fédon). Confiram abaixo um dos diálogos do filme.


Jean Sylvère encarna o personagem de forma que você tem certeza que aquele é Sócrates, não um ator a interpretá-lo. Você certamente não deixará de se divertir com a ousadia de Sócrates de pedir um prêmio a um tribunal que quer condená-lo. Também não lhe deixará inquieto a indiferença de Sócrates perante a morte. Ele literalmente morre pelas suas ideias, pois sabe muito bem que sua alma é imortal. Não tenho certeza quanto à imortalidade de todas às almas, mas a de Sócrates permanece viva no espírito da civilização ocidental e dificilmente irá perecer.

Para ver o filme completo no Google Videos, clique aqui.

Para adquiri-lo em DVD, clique aqui.

Autor: André Marinho          Criação: 18/12/2011        Objetivo: www.ligadosfm.com

18 de dez de 2011

3ª Tirinha - Doces ou Travessuras


Uma informação que alguns já sabem, é que sou fascinado por doces e afins, e embora tente manter uma dieta balanceada, já me deparei com a realidade da pré-diabetes uma vez, e juro que essa piadinha infame passou pela minha cabeça... rsrs

Autor: Felipo Bellini Souza Criação: 13/11/2011 Objetivo: www.felipobellini.com

17 de dez de 2011

3ª Resenha Crítica: Livro de Poemas de Jorge Fernandes

Antes de tudo conheça o nosso novo blog: http://demonstre.com/






Passava o olhar pelas minhas estantes, decidindo que livro escolher para hoje e escolhi um que comprei em 2008 para o vestibular, mas que da obrigação me trouxe o prazer, me encantando tão logo comecei a leitura. Refiro-me ao Livro de Poemas do poeta potiguar Jorge Fernandes.

Jorge Fernandes(1887-1953), que lançou seu primeiro e único livro aos quarenta anos, nunca concluiu os estudos que iniciou no Atheneu. Trabalhou por vários anos como caixeiro-viajante e frequentava os ambientes natalenses nos quais se desenvolviam as grandes discussões literárias da época, incluindo o famoso Café Majestic. Teve sua produção poética apreciada e elogiada por nomes como Câmara Cascudo, Mário de Andrade e Manuel Bandeira.

Disse Veríssimo de Melo sobre o poeta: "O que há de notável em Jorge Fernandes é que ele foi o primeiro, no Rio Grande do Norte, a cantar no verso livre, sem rima, desprezando a métrica e formas tradicionais. Numa época em que o soneto era a forma de alto requinte literário, Jorge surgia escandalizando a cidade com versos sem rima, quase pé-quebrado, como se dizia, provocando protestos e iras de toda a parte..."

O primeiro poema do livro é "Remanescente", que anuncia que estão mortos os velhos poetas, sendo o eu-lírico o remanescente deles. Este primeiro poema, na obra como um todo, tem função de introduzir a temática que estará nela sempre presente: a morte de um velho fazer poético e o nascimento de uma nova poesia, ou seja, a decadência dos modelos clássicos e a ascensão do modernismo.

Abaixo, o poema.

Sou como antigos poetas natalenses
Ao ver o luar por sobre as dunas...
Onde estão as falanges desses mortos?
E as cordas dos violões que eles vibraram?
— Passaram...
E a lua deles ainda resplandece
Por sobre a terra que os tragou
E a terra ficou
E eles passaram!
E as namoradas deles?

E as namoradas?
São espectros de sonhos...
Foram braços roliços que passaram!
Foram olhos fatais que se fecharam!

Ah! Eu sou a remanescença dos poetas
Que morreram cantando...
Que morreram lutando...
Talvez na guerra contra o Paraguay!


Depois, vem os quatro Poemas das Serras. Estando de acordo com o título, os quatro Poemas das Serras mostram a passagem serrana do sertão nordestino. Pode-se dizer que são poemas biográficos, que tratam da vida de Jorge Fernandes enquanto caixeiro-viajante. Sobre a paisagem natural das serras sertanejas, com animais e plantas típicos da região, destaca-se um carro (o "Forde").

Logo em seguida, vem os Poemas Parnasianos, que tratam do próprio modo de fazer dos poemas parnasianos. O poeta trata-os com muita ironia, ao escrever versos livres e enumerando os poemas ("Meu poema parnasiano número um", "Meu poema parnasiano número dois"). A série de poema é, segundo críticos, uma forma de o poeta dizer que os poemas parnasianos são todos feitos em série. Confirma-se essa figura da produção em série com o simbolismo das máquinas, fortemente presente nos poemas parnasianos número um e sem número.

Após as duas séries de poemas supracitadas, segue-se o resto do livro, com poemas individualizados, cada um encerrado em si, exceto por "Aviões", que é mais uma série de três. A maioria destes poemas revela imagens norte-riograndenses e nordestinas num geral. Tal qual já visto nos "Poemas das Serras", a paisagem natural e a paisagem urbana se intercalam, fazendo o contraste do moderno com o antigo. Aviões e relógios se misturam a mãos de trabalhadores e à paisagem natural nordestina, do sertão ao litoral. Sem diminuir a qualidade dos demais, dou destaque aos seguintes poemas: "Mão nordestina", "Briga do teju e a cobra", "Casaca de couro", "Té-téu", "Enchente", "Fogo de pasto", "Aviões", "Relógio" e "Rede".

A obra, como podemos ver, traz uma série de pares opostos: o moderno e o antigo, o parnasianismo e o modernismo, os antigos poetas e o remanescente. Todos eles têm uma relação bem próxima, que eu poderia resumir em uma frase: "deixemos as coisas do passado no passado, pois a modernidade vem a todo vapor".

É óbvia a conclusão que o Livro de Poemas, o qual aprecio em cada verso, é uma obra de grande valor para a literatura potiguar. Acima de tudo é a imagem da modernidade em um cenário que não é estranho a nós do RN ou de qualquer outro lugar do nordeste. De certa forma, também podemos dizer que este cenário não nos é totalmente familiar, pois a mesma modernidade poetizada pelo Jorge Fernandes avançou e transformou nossa realidade.

Se buscam mais informações sobre o autor ou sobre o livro, visitem o o Portal da Memória Literária Potiguar: http://www.mcc.ufrn.br/portaldamemoria/wordpress/?page_id=887

O Livro de Poemas de Jorge Fernandes pode ser adquirido na Potylivros, na Siciliano ou diretamente com a Editora da UFRN(EDUFRN).

Autor: André Marinho Criação: 17/12/2011 Objetivo: www.ligadosfm.com

16 de dez de 2011

5ª Crônica - Lei de Murphy


Lei de Murphy

Tic tac, tic tac, tic tac! O relógio não parava... Era como se o tempo passasse de pressa, mas o ponteiro não girasse. E naquela agonia, ele se roía, apertando os bolsos da calça e forçando a ponta do sapato contra o chão...
Então, depois de outros tic e tacs, e de uma halls finalizada, ele viu o que tanto esperava... Ela era linda e vestia-se com roupas casuais, mas bem transadas, em um jeitinho sem maiores pretensões em que tudo pode acontecer.
E se dependesse dele, mesmo que ela não tivesse intenções, ele as tinha, e como tinha. Havia esperado muitos outros tics e tacs, dias e oportunidades quebradas por aquele encontro único e oriundo de uma sorte imensamente trabalhada.
Mas o que é improvável e batalhado sempre acontece, e quando ela chegou mais perto, bem perto a ponto dos rostos se tocarem e o comprimento que nunca antes ocorrera se suceder, o cheiro de perfume lhe subiu às narinas, e sem condições de controlar, mesmo que mordesse a sua boca e sangrasse os lábios, a médida que o estratégico beijinho na face se desmanchava aquele barulho estridente e repulsivo soava como um projétil ao ouvido da dama.

Atchin!!
.
.
.

E claro que Murphy não iria usar de sua sutileza com o pobre homem...
...Eca! Catarro! Seu porco! Paff!

Autor: Felipo Bellini Souza      Criação: 28/11/2011     Objetivo: www.felipobellini.com 

15 de dez de 2011

2ª Batalha de Bandas - Meirinhos do Forró vs Forró Peba na Pimenta


Eita que dessa vez agente vai tirar o rastro do chão! Mais uma batalha está prestes a começar e nessa só quem faz a poeira subir tem vez! E Para o segundo confronto, que acontece no sai 16/12/2011, às 13h na 87,7 FM, Rádio Nova, vamos receber MEIRINHOS DO FORRÓ e FORRÓ PEBA NA PIMENTA para o confronto do dia!

Para o aquecimento vamos colocar aqui algumas informações dessas duas bandas!



Banda 1

Meirinhos do Forró é formada por três irmãos, Cláudio Freire, Ana Cláudia e Clauberto Freire, Meirinhos do Forró Traz romance e a pegada forte do forro ao longo de seus  nove anos de história. Eles fazem o autêntico forró brasileiro e se destacam como uma das melhores bandas de forró autêntico do nordeste, levando o forro do RN para todo o Brasil e Europa. 


Banda 2

Forró Peba na Pimenta é uma banda genuinamente potiguar, e tem seu nome baseado no maranhense, lá de Pedreiras, o querido João Batista do Vale. Além de composições próprias eles enaltecem seu trabalho homenageando compositores como Alcymar Monteiro, Dominguinhos e o rei Luiz Gonzaga. Sendo assim, a banda é não só uma oportunidade de entretenimento, mas uma exposição da cultura nordestina.


Fiquem de olho na votação! Colocaremos a enquete da batalha de bandas no dia 16/12/2011 ás 13:00  aqui no site/blog www.ligadosfm.com, aquela que tiver mais votos até as 13:55 do mesmo dia vai ganhar o confronto! Participem e revele a campeã!

14 de dez de 2011

1ª Coluna Esportiva - Barcelona: uma cultura e identidade de jogo.

Barcelona: uma cultura e identidade de jogo

Olá, meu nome é Raniery Medeiros. Antes de tudo, é com o enorme prazer e satisfação que agradeço a confiança e apoio do amigo Felipo Bellini que me deu a oportunidade de passar aos amantes dos esportes, um pouco mais sobre meu universo e a maneira como enxergo cada evento esportivo que assisto e debato com colegas, amigos, família, etc. É uma grande honra fazer parte, mesmo que indiretamente, da família ligados.com. Espero que não somente os amantes dos esportes, como também de outras áreas possam ler, criticar, elogiar, aprender, me fazer de aprendiz e tornar o blog um sucesso cada vez maior.
Foi com enorme alegria que recebi o convite e espero não desapontar a Ligados FM que, abre espaço para que possamos estar sempre debatendo e trocando ideias sobre inúmeros assuntos que tomam conta do nosso cotidiano.
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Quem nunca brigou de bobinho jogando futebol? O bobinho é aquele que fica dentro de um círculo tentando tomar a bola dos outros participantes. Como em um carrossel, as pessoas vão se mexendo de um lado para o outro até que o bobinho tome a bola ou peça, como falamos aqui em Natal, ARREGO. Este tipo de filosofia técnica, do bobinho, pôde ser vista (de forma mais atenta) pela primeira vez, em 1974. Durante a copa do Mundo, o técnico da Holanda, Rinus Michels, programou um sistema onde os jogadores não tinham posições definitivas. Havia inversões de jogadas e posições. O jogador que começava a partida pela direita, poderia muito bem terminá-la atuando na esquerda. Os adversários ficavam como verdadeiros “bobinhos” tentando encaixar a marcação. Uma pena a Holanda não ter sido campeã daquela copa. No entanto, Michels, deixou essa filosofia viva e passou o segredo para o seu pupilo Johan Cruyff.
Cruyff foi treinado por Michels na Seleção Holandesa, Ajax e Barcelona. Ao assumir o comando do Barcelona em 1988, Cruyff tinha como meta adotar o esquema que não rendeu o título à seleção Holandesa, mas encheu os olhos do mundo com o estilo de jogo elegante, rápido e deslumbrante. O Barcelona foi conquistando cada vez mais espaço no cenário mundial e, assim como seu maior rival, o Real Madrid, tornou-se um dos clubes mais vitoriosos do mundo. Mas ainda faltava algo para completar a cereja do bolo de um esquema tático tão envolvente e diversificado. Faltava torná-la no Barcelona uma filosofia de jogo. Um estilo próprio que, quando todos olhassem, saberiam qual clube estava jogando.
Em 2008, Josep Guardiola assumiu o comando do clube. Pep, como é carinhosamente chamado, foi treinado por Cruyff no Barcelona. Mentira! Não somente treinado, como também teve o Holandês como seu mentor e principal motivador e incentivador no aprendizado tático e técnico do jogo. Pep encontrou o clube que vinha de dois anos seguidos sendo derrotado pelo Real Madrid e algo precisava ser feito. A primeira coisa foi a de possuir mais jogadores vindos das canteras (categorias de base) em seu time. Ele não queria apenas criar um time, ele queria muitos mais do que isso. Queria fazer do time um exemplo para a sua cidade e criar, através do futebol, uma identidade para o povo Catalão. Nascido em uma das Províncias de Barcelona, logo adotou um esquema que modificaria totalmente a sua equipe. Montou um 4-3-3. Mas esse esquema não era nenhuma novidade. Claro que não! O que o diferenciava era a forma como os jogadores se portavam em campo. Com a liderança e ajuda do capitão Puyol, Pep pôde colocar dentro da cabeça dos jogadores que eles não jogavam apenas pelo clube, mas também por toda a nação Catalã. Uma filosofia de jogo! Com um time rápido, com troca de passes envolvente e versatilidade nas posições dentro de campo, logo em seu primeiro ano no clube, ele venceu todos, eu disse TODOS os campeonatos dos quais disputou. As equipes montavam uma marcação especial para um determinado jogador, em uma determinada área. Mas isso não era possível. A troca de posições era intensa. O passe era preciso demais e a finalização certeira. Começava a nascer o Carrossel Blaugrana (azul e grená cores do clube).
Com esse estilo inovador adotado por Pep, as equipes começaram a buscar antídotos para bater o Barcelona. Uns conseguiram de forma sofrida, como a Inter (Itália) em 2010. Outros não conseguiram nem ao menos entender o que se passava dentro de campo. O time agora tinha uma identidade. A maioria dos titulares eram nascidos na Catalunha ou em Províncias perto da mesma. A identidade com a torcida era notória. O Barcelona começava a incomodar pela paciência com a posse de bola. Para uns, um estilo chato de se ver, para a maioria, uma revolução. É como dizem os Argentinos: toque y me voy (toca e passa). Quando todos pensavam que nada mais poderia ser “inventado”, eis que surge a variação tática dentro do próprio campo. O time começava em seu habitual 4-3-3. Mas dependendo do adversário, Pep logo passava e pedia que seus jogadores invertessem de posições para um 3-4-3, 4-4-2, etc. É lindo assistir ao Barcelona jogar. Para quem é amante do futebol como eu, é de fazer dar boas gargalhadas dos bobinhos que se tornam os adversários quando o Barça possui a bola.
O maior exemplo disso ocorreu no último sábado (10/12/2011) durante o clássico contra o Real Madrid, jogo realizado em Madrid. O time começou no 4-3-3. Tomou um gol com 30 segundos. Muda tudo, agora é 3-4-3. Quando conseguiu empatar o jogo, mudou novamente, 4-4-2. A marcação do adversário simplesmente se perdia. Dos 11 titulares, 8 foram formados nas Canteras do clube. Pep não aperfeiçoou apenas um esquema que veio desde os tempos de Michels e passou pelo Cruyff. Ele tornou o clube, os jogadores, verdadeiras identidades da Catalunha. E o bobinho que antes era apenas uma brincadeira, agora ficou encarnado dentro de campo. Basta assistir aos jogos do Barcelona.
Se você é amante do futebol como um todo, eu espero que tenham gostado do texto. Mas, se não é, leiam com atenção. A essência do sucesso pode não estar apenas em inúmeros gastos. Ela pode estar apenas bem pertinho de você ou da sua empresa, enfim, do seu negócio.

Por: Raniery Maciel Vítor Medeiros
Em: 13/12/2011
Objetivo: www.LigadosFM.com

37º miniconto - Momentos Musicais


Momentos Musicais

Depois das Noticias populares, juventude revoltada e civicidade adulterada, já em uma tirada meia folk, roquesinho progressivo, uma Lily Allen ou samba de lual, as coisas foram acontecendo. E der repente eu já estava descalço no parque, meio marisa monte, perdido e tudo era você. A música no rádio, a apresentação do dia, a tristesa do anoitecer a alegria do acordar. E depois dessa batida colorida, cosumir você, só existia você, ao amanher, ao som do telefone, a cada frio na barriga e olhar no orizonte.

Mas no fim tudo passa, e o que vem der repente vai em um repente, uma corda no violão que parte, um adeus que arde. 

Autor: Felipo Bellini Souza    Criação: 28/11/2011    Objetivo: www.felipobellini.com

13 de dez de 2011

1º Mundo Cão - O Problema do Time dos Outros Também é Meu!

Quero, antes deste primeiro registro da minha participação na Ligados FM, externar a satisfação e honra em estar fazendo parte deste espaço. Deste coletivo de ideias e de inteligência, de boa vontade e da melhor iniciativa. Acredito que isto tudo aqui não o fora construido por acaso. É impossível não reconhecer o tamanho valor deesta galera aqui, do Felipo & Cia. Tal qual diz o meu avô, as coisas têm valor quando são concebidas por pessoas de valor. É o caso daqui.

Aceitei o convite com muita felicidade e prazer, sobretudo, por estar compartilhando ideias e pensamentos com um grupo selecionado de pessoas de muito conteúdo e coisa boa para dar. Muita coisa boa (muito ainda por vir). É o caso da Ligados FM, um espaço formado por pessoas de pensamentos diferentes e que compartilham o mesmo propósito.

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Falando em futebol, recordo-me dos meus tios lendo jornais da coluna esportiva, em busca das tabelas e da situação de seus times no campeonato, das mobilizações nas tardes de domingo, dos estadios (ás vezes) lotados e das passeatas de pessoas no meio da cidade. Um fim de campeonato, em que muita gente pendura uma bandeira do seu orgulho na porta do seu carro e sai por aí fazendo zuada, buzinada, parando o trânsito e chamando a atenção das pessoas nas calçadas (as menininhas que fiquem para escanteio).

Isto é o futebol. É assim, até os dias de hoje. O time do coração da sua terra ou daquele lá de outro lugar distante, que, por algum motivo surreal, chamou a atenção dessas pessoas e, então, surgiu aquilo que os mais bairristas chamam de ‘misto’. Porém, o que é misto? P.S.: Roberto Toledo fala muito bem sobre essa coisa de misto de hoje em dia! Vale a pena ler! (http://www.google.com.br/search?aq=f&gcx=w&sourceid=chrome&ie=UTF-8&q=torcedores+mistos)

Misto é uma modalidade de torcedor que torce para mais de uma equipe esportiva (equipes estas, geralmente, de regiões ou cidades diferentes). Acusam-no, contudo, com o dedo bem no meio da cara, de todo tipo de crime: de traidor, de paraibaca (expressão muito comum entre os pernambucanos ao se referirem aos nordestinos que torcem para os times de outras regiões do país), até de acéfalo. P.S.: O que tem a ver a Paraíba com isto tudo?!

O que é acefalite? Será que esse juri do futebol regional sabe do que se trata acefalite? Futebol é entretenimento, é o que distrai as pessoas de uma semana intensa de trabalho puxado, do estresse do dia-a-dia, do trânsito caótico. As pessoas querem sorrir nos finais de semana e não se estressarem. Faz parte querermos assistir ao melhor espetáculo.

Só que confundem (muito bem, por sinal) isto com preconceito. “Preconceito”. Existe rincha, intolerância, xenofobia ou o que mais for entre povos de diferentes regiões e isto acontece no mundo inteiro. Nada tão justificável: Natal v.s. Mossoró, Brasília v.s. Goiânia, São Paulo v.s. Rio de Janeiro, Portugal v.s. Espanha, Inglaterra v.s. França, Roma v.s. Veneza, Tóquio v.s. Yokohama. Porém, nada tal qual Israel v.s. Palestina ou Irã v.s. Iraque. O mais engraçado é que isto se reflete muito bem no futebol...

Não tenho o dever de torcer pelos times da minha terra natal pelo simples fato de ter nascido na mesma. Isto não interfere nos meus sentimentos de apego ou de orgulho para com minha terra. Nem, muito menos, devo fechar a minha mão em favor de uma porrada que deveria dar na cara do torcedor do time adversário. Essa coisa anti-mistos no Nordeste preocupa (abram o olho)!

Certa vez, em uma partida entre o Sport Clube do Recife e o São Paulo, na cidade do Recife, torcedores nordestinos do segundo time foram vítimas de agressão cometida por alguns outros torcedores. Em uma comunidade de um site de uma rede social, dirigida ao “orgulho nordestino”, vários membros externaram seu ódio aos mistos e justificaram o acontecido como uma lição a estes torcedores que, pelo simples fato de não torcerem por um time da região, deveriam mesmo era apanhar.

Acho que é aí que está a acefalite. Não é guerra, política, protesto ou ordem contra a corrupção. Isto não se justifica. É apenas um jogo de futebol, de um campeonato, nacional, sim, mas que não deixa de ser um espetáculo tal qual um show de Rock ou de Forró. Ou, então, nordestino também deveria ser proibido de ouvir ou ir a shows de Rock, Reggae ou Trance (e é no nordeste que se encontra o maior cenário de Rock Alternativo do Brasil, justamente na terra do Axé, a Bahia). P.S.: Que irônico!

Acredito que, muito além das instituições de Direito, que existem para proteger o cidadão e sua liberdade cívica, isto passa por um processo educativo. Acredito que o ódio é fruto da pouca educação, da baixa importância a que se dá a ela. Mesmo porque, esses cidadãos raivosos e revoltados com as escolhas alheias são os que elegem os nossos governantes e que acabam se inserindo, por demérito, nas instituições que regem a nossa sociedade.

A consciência é fruto da educação. E é certo que sujar as próprias mãos ou boca com palavras e atos de agressão ao outro por uma mera escolha (pessoal, por sinal, que não deve satisfação a quem quer que seja) pega pior do que aceitar a condição de segundo lugar. Terceiro, quinto ou lanterna da tabela. Porque o primeiro, o lugar mais alto do pódio, sempre será nosso, independente da colocação do nosso glorioso time.

Deixem os outros torcerem para quem quiser e em paz!

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 13/12/2011
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