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28 de dez de 2012

21ª Entrevista Literária - Roniwalter Jatobá

Roniwalter Jatobá nasceu em 22 de julho de 1949 em Campanário, Minas Gerais. Aos dez anos foi morar em Campo Formoso, Bahia, onde concluiu, em 1964, o curso ginasial. Em 1970, foi para São Paulo. Trabalhou como operário na Karmann-Ghia, no ABC, enquanto morava ao lado da Nitroquímica, em São Miguel Paulista. Entrou para a Editora Abril no final de 1973, na área gráfica, e cinco anos depois, formou-se em jornalismo. Foi redator das publicações infantojuvenis desta editora e da Rio Gráfica (hoje Globo) e colaborou em Versus, Folha de S. Paulo, Movimento, Escrita, Ficção e outros. No final dos anos 70 viveu sete meses na Europa, num exílio voluntário. De volta ao Brasil foi redator do Nosso Século, editor de textos do Movimento e Retrato do Brasil (fascículos), editor executivo de Saúde, Boa Forma e de publicações especiais da revista Corpo a Corpo; criou e dirigiu ainda a revista Memória e editou livros históricos na Eletropaulo. Entre 1997 e 2003, atuou também como cronista semanal do jornal paulistano Diário Popular. 

Publicou, entre outros, os livros Sabor de química (contos, 1977, Prêmio Escrita de Literatura), Crônicas da vida operária (contos, 1978, finalista do Prêmio Casa das Américas, em Cuba), Viagem à montanha azul (infantil, 1982), O pavão misterioso e outras memórias (crônicas, 1999, finalista do Prêmio Jabuti), Paragens (novelas, 2004, finalista do Prêmio Jabuti), Trabalhadores do Brasil: histórias do povo brasileiro (contos, 1998, organizador). Pela editora Nova Alexandria, publicou Rios sedentos (2006), voltado para o público infantojuvenil, Contos Antológicos (2009), Cheiro de chocolate e outras histórias (2012) e, para a coleção “Jovens sem fronteiras”, O jovem Che Guevara (2004), O jovem JK (2005), O jovem Fidel Castro (2008), O jovem Luiz Gonzaga (2009) e O jovem Monteiro Lobato (2012). Publicou ainda dois livros pela Editora Positivo: Viagem ao outro lado do mundo (infantil, 2009) e Alguém para amar a vida inteira (novela juvenil, 2012). 

Seus contos foram ainda incluídos em diversas antologias brasileiras e estrangeiras, com traduções para o alemão, inglês, sueco e italiano. Em 1988, traduziu o livro de contos “A cavalaria vermelha”, de Isaac Babel, editado pela Oficina de Livros.

O autor Roniwalter Jatobá

Ligados: Como e quando aconteceu o seu primeiro contato com a literatura? À época, já imaginava que se tornaria um escritor? 

Roniwalter Jatobá: Acho que dois fatores importantes me fizeram arriscar na literatura: Muita leitura e vivência. Nasci em Campanário, Minas, em 1949. Meus pais eram baianos, estavam ali desde o final da Segunda Grande Guerra (1939-1945), quando buscaram o norte mineiro para tentar a sobrevivência. Eram tempos difíceis, época de desbravamento de uma inóspita região. Quando começou a chegar o progresso, por exemplo, o asfaltamento da Rio-Bahia, minha família voltou para o sertão baiano nas proximidades da cidade de Campo Formoso. E essa volta foi importante para mim. Vivendo na casa de um tio, entrei num colégio protestante para fazer o ginásio e, aí, a descoberta da literatura. Nesta pequena cidade, por sinal, havia um oásis cultural. Nunca me esqueço: os jovens, na grande maioria, brigavam para ver quem ia ler primeiro as novidades literárias que chegavam de Salvador. Havia ali um advogado e professor de geografia, Domingo Dantas, que colecionava livros autografados de autores brasileiros. Tinha todo mundo. Ele mandava buscar no Rio de Janeiro. Naquela época, e durante quatro anos, nos esbaldamos de ler Graciliano Ramos, José Lins do Rego e muita prosa americana. Em 1964, terminei o ginásio, mas meu pai não tinha condições de me enviar para Salvador para continuar os estudos. 

Com quinze anos, a minha perspectiva era trabalhar na roça ou ajudar meu pai, que possuía um velho caminhão. O trabalho era agradável e me sobrava muito tempo. Enquanto meu pai cuidava dos negócios nos pequenos lugarejos, eu lia. Foi aí que conheci quase todos os títulos da pequena biblioteca de Campo Formoso e travei conhecimento com os textos de Dostoievski, Gogol, Kafka e muitos outros. 

Depois de servir o Exército em Salvador, vim para São Paulo. Era início de 1970. Trabalhei de ajudante de almoxarifado na Karmann-Ghia, no ABC. Em 1973, saí e entrei na Abril, como apontador de produção na gráfica. A partir daí, auxiliado pela empresa, fiz supletivo colegial e, depois, pude me formar em jornalismo. Foi na escola que comecei a escrever os primeiros trabalhos. Eram contos e, em todos eles, o cenário era a periferia paulistana ou os dramas dos migrantes. Virei, então, escritor e jornalista. Enquanto trabalhava em Versus, Movimento e publicações da Abril, continuei a escrever. Aí, um dia, mandei um conto para a revista Ficção, no Rio, e outro para a Escrita, em São Paulo. Ganhei os dois prêmios e não parei mais. 

Ligados: Existe algum autor que te influencia na escrita? 

Roniwalter Jatobá: Os escritores acabam sempre influenciados pelas suas leituras. Gosto muito da prosa russa do século 19 e a literatura brasileira de meados do século 20, que inclui Graciliano Ramos e Guimarães Rosa. Busco, no entanto, a minha maneira de narrar. Escrevo devagar. Sigo sempre o conselho de Otto Maria Carpeaux, que dizia que o estilo é a escolha do que deve ficar na página escrita e o que deve ser omitido. É a escolha entre o que deve perecer e o que deve sobreviver. Na literatura é preciso muita paciência até encontrar o tom e o ritmo certos. 

Ligados: Dentre os seus mais de quinze livros, há algum pelo qual possui maior apreço, ou seria como escolher o melhor filho? 

Roniwalter Jatobá: Todos são importantes. Mas fico feliz quando acho que criei um bom livro para jovens. Há escassez de bons textos para o público jovem. Num limbo entre o leitor adulto e o infantil, os jovens sentem falta de bons textos, aqueles que deveriam mostrar como é viver num momento de formação da sua personalidade. Até acho que os bons escritores deveriam dedicar um pouco de seu tempo para escrever para jovens. Numa crônica na Folha de S. Paulo, o poeta Nelson Ascher comenta sobre uma das responsabilidades sociais do escritor, que é a de também formar novas gerações de leitores. 

Ligados: Me parece que este ano foi bastante produtivo em relação aos seus lançamentos. Você publicou os livros “Alguém para amar a vida inteira”, “Cheiro de chocolate e outras histórias” e “O jovem Monteiro Lobato”. De forma breve, poderia nos falar a respeito de cada um? Como ocorre o seu processo de criação literária que, espetacularmente, produz tanto texto em tão pouco período de tempo? 

Roniwalter Jatobá: O ano de 2012 foi realmente produtivo em relação a lançamentos. Mas, embora os três livros tenham sido editados ao mesmo tempo, em cada um deles houve um trabalho individual, cada um à sua maneira. “O jovem Monteiro Lobato”, que faz parte da coleção “Jovens sem fronteiras” da Editora Nova Alexandria, por exemplo, foi objeto de uma longa pesquisa que durou mais de um ano. Além de buscar informações em livros, revistas e jornais antigos, estive duas vezes na região de Taubaté, no interior paulista, para visitar os lugares percorridos pelo criador do Sítio do Pica-pau Amarelo, um pioneiro e mestre da literatura infantojuvenil no país. Já “Alguém para amar a vida inteira”, editado pela Editora Positivo, é um romance que escrevo e reescrevo há mais de cinco anos, e conta uma história de amor na periferia fabril de São Paulo. Quanto a “Cheiro de chocolate e outras histórias”, este é um livro que revela o meu sentimento de amor e ódio por São Paulo. Afinal, faz quarenta anos que vivo na metrópole e, por isso, os contos mostram a minha relação com a cidade. No primeiro texto, por exemplo, trato com delicadeza a história de antigos namorados que se reencontram na Avenida Paulista, e que recordam de momentos vividos em Paris e dos projetos que tinham juntos. Sobre este livro, o jornalista, escritor e crítico literário Renato Pompeu escreveu que “A literatura sempre avança em relação à mais requintada teoria literária. O principal teórico do realismo crítico, o húngaro György Lukács, julgava que não era possível fazer arte a partir do singular, por não ser universal. Somente a partir do singular-universal, ou seja, a partir do particular, é que seria possível fazer arte. Mas Roniwalter Jatobá, neste livro “Cheiro de chocolate e outras histórias”, prova o contrário. Ele chega a estesias melancólicas e encantadoras, a puros enlevos, a partir de uma feérica feira de singularidades; o conjunto se torna universal.” 

Ligados: Pela editora Nova Alexandria, você publicou cinco volumes de uma coleção chamada “Jovens sem Fronteiras”. As obras são biografias romanceadas de personagens relevantes (ainda que diversificados), seja na política ou nas artes, ou elas se restringem à adolescência dos homenageados, como os próprios títulos acusam? 

Roniwalter Jatobá: A coleção “Jovens sem fronteiras”, da qual fazem parte cinco dos livros que escrevi – O jovem Che Guevara, O jovem JK, O jovem Fidel Castro, O jovem Luiz Gonzaga e O jovem Monteiro Lobato – tem como objetivo contar a infância e a adolescência de pessoas interessantes da história num caldeirão em que se misturam experiências de vida, fatos e, para torná-lo de agradável leitura, uma pitada de ficção. Na verdade, esses livros relatam toda vida do biografado, mas com enfoque maior na infância e adolescência, mostrando como foi a formação dessas figuras e como elas se prepararam para chegar a um momento marcante da história. 

Ligados: Acredito que, antes de você, poucos escritores tenham retratado o proletariado brasileiro sob o enfoque ficcional. Como resultado, os textos possuem forte carga social com certo tom de confissão; um misto entre memória e invenção. Tamanho impacto poderia ter sido provocado caso a sua literatura não fosse fruto de sua vivência como migrante nordestino e operário metalúrgico? 

Roniwalter Jatobá: Sou um dos poucos autores que escrevem sobre o migrante nordestino. Também acho que poucos viveram a experiência operária. Ou seja, viver na periferia e trabalhar numa fábrica. Como já disse anteriormente, leitura e vivência me fizeram seguir por esse rumo na literatura. Por isso, um olhar que já esteve presente em nossa literatura de ficção, sobretudo a partir dos anos 30, e que tanto ajudou na formação de uma consciência nacional. 

Ligados: Nestes mais de trinta anos de atividades literárias, como você classifica o cenário artístico nacional da atualidade? 

Roniwalter Jatobá: Vamos indo. Há coisas boas. O bom do trabalho artístico é que ele precisa de maturação de décadas. Um sucesso momentâneo não quer dizer que certa obra ficará na história. Por isso, não devemos ficar à mercê da glória repentina. Trabalhar é preciso. 

Ligados: Existem projetos em andamento? 

Roniwalter Jatobá: Atualmente, escrevo um romance histórico, cuja história se passa em 1926, na Chapada Diamantina, Bahia, durante a grande saga da Coluna Prestes na região. 

Ligados: Poderia deixar uma dica para os novos escritores? 

Roniwalter Jatobá: Leiam. 

Ligados: Gostaria de encerrar com mais algum comentário? 

Roniwalter Jatobá: Já disse isso em algum lugar, mas não custa repetir. O ato de ler poesia e prosa é uma das ocupações mais estimulantes e enriquecedoras do espírito humano. Para o escritor Mario Vargas Llosa, a literatura é uma atividade insubstituível para a formação de cidadãos na sociedade moderna e democrática. “Por essa razão, ela deveria ser semeada nas famílias desde a infância e fazer parte de todos os programas educacionais”, diz o escritor peruano. “Nada nos protege melhor da estupidez do preconceito, do racismo, da xenofobia, do sectarismo religioso ou político e do nacionalismo excludente do que esta verdade que sempre surge na grande literatura: Todos são essencialmente iguais.” 


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 28/12/2012 - Objetivo: www.ligadosfm.com

25 de dez de 2012

55º Mundo Cão - No lugar da preguiça, a desmotivação (ESPECIAL DE FIM DE ANO!!!)

Especial de fim de ano, a Mundo Cão relança uma 'Sócio-coluna' de 'Entre o Cult, o Pop e o Mundo Cão'!

Boas festas, Feliz Natal e um 2013 repleto de sucesso e muitas realizações são os devotos de Mundo Cão e LigadosFM!

A preguiça anda de mãos dadas com a frustração; a frustração, por sua vez, bate um papo de leve com a falta de identidade, de reciprocidade. A falta de reciprocidade e identidade leva à preguiça (de novo), já que preguiça é o produto da feitoria irrelevante daquilo que não queremos fazer ou conceber. Em palavras simples, preguiça = frustração + desmotivação.

O sucesso está no sentimento de utilidade - o sentimento de utilidade e realização para consigo próprio. O ser humano tem preferências, gostos, opções. A preguiça é fruto do contrário de tudo isso. Logo, já podemos refletir que o sucesso vem da comunicação que se dá entre as intersecções existentes no círculo de tais (preferências, gostos e opções), o que leva pessoas a conhecerem aquilo que buscam. É a partir deste ponto que se identificam as origens as quais levam ao sentimento de satisfação.

Sucesso = motivação + satisfação.

Trabalhar não quer dizer trabalhar por trabalhar, assalariar-se ou coisa do tipo. É fazer o algo certo dentro daquilo que se pretende. Isto rompe com toda aquela tese mecanicista a qual crescemos assistindo e acreditando que depois dos 18 (anos de idade) faríamos a mesma coisa que os adultos da nossa época de infância. Trabalhar em repartições, nos supermercados, nos escritórios, montado num monte de papéis, com um chefe xarope do lado, metido a mandão e cheio de cobranças 'fazem parte'. Mas, olha, não é bem assim!

Se não é isso que se quer fazer, fazer para quê? É o mesmo que desmotivar-se de graça, ou a preço de alguns salários...

A busca pelo reconhecimento é a chave do contrário disto e é o que nos impulsiona a fazê-lo melhor e aprimorado. Melhoria contínua. Quanto à utilidade, se queres trabalhar, vá trabalhar; se não queres fazer o que te propõem, então, busque por trabalhos que se distanciem disto. Melhor, procure um grupo que esteja fora deste ciclo. Se não queres trabalhar, simplesmente não trabalhe. De alguma forma, uma dessas três atitudes se traduz em atos de empreendedorismo.

Empreendimento é o resultado de motivação, mais identificação, mais atitude, mais ação.

Só não se deixe interpretar por aquilo que os outros acham bonito e essencial para si, o que parece ser certinho, moderninho ou sabido. Pois a sabedoria está no nosso próprio poder de previsão acerca de nós mesmos, logo, sentimos o que devemos fazer. O próximo do correto é seguir esta espécie de intuição (a nossa intuição). Ou então, perderemos muita coisa, de tempo a dinheiro, oportunidades, fatos da vida e até a paciência. E daí vem o estresse... E a desmotivação.

E tudo volta para o zero.

Vem a preguiça. A frustração, a falta de ação... Até que se tome uma atitude que faça o Mundo deixar de ser absurdo para se tornar relativo. Ou favorável!

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 25/12/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 54º Mundo Cão - Papo de Marketing de Pirâmide

21 de dez de 2012

Papo de Gago #17: Papo de fim de ano...


Olá pessoal, o Papo de Gago de hoje é um papo de fim de ano, então junte-se a Anderson e escute as mensagens de fim de ano dos ouvintes do Papo de Gago.

Nesse podcast: Descubra como é um Papo de Gago só com o Anderson sem convidados. 

Link's comentados nos e-mais:




Deixe o seu comentário no post ou mande os seus xingamentos, elogios ou sugestões para: papodegago@ligadosfm.com 

Ouça podcast no player acima ou baixe o mp3 clicando aqui 

Por: Anderson Ricardo
Em: 21/12/2012
Objetivo:
LigadosFM  
 


 

18 de dez de 2012

54º Mundo Cão – Papo de Marketing de Pirâmide


As pessoas têm o costume de julgar esta nova modalidade de ganhar e multiplicar dinheiro no mundo moderno onde a opinião do público é cada vez mais preciosa. O Marketing de Rede ou Marketing Multinível, assim como julga o título (Marketing de Pirâmide), é uma modalidade de relacionamento B2P, ou empresa-cliente, cujo qual este ultimo consome os produtos de uma determinada marca na medida em que compartilha dos ganhos da empresa detentora dessa mesma marca a qual ela engaja-se como parceira. Para isto, basta que ele (o cliente) atraia novos potenciais consumidores a sua rede de clientes e os fidelize de imediato.

As palavras são bem simples e diretas, ora, estamos lidando com uma coluna e não com um ensaio científico! Mas, se observarmos o comportamento das pessoas dentro das pirâmides de grupos, como Herbalife e Telefonias VOIP espalhadas pelos 04 cantos do Brasil e do mundo, veremos que a fidelização se consolida quando uma determinada pessoa comum não somente adquire um produto da marca em questão, mas, associa-se a ela como “distribuidor”. A relação é bem simples e para cada nova pessoa que este novo membro conseguir vincular à rede, uma nova fonte de recurso origina-se na sua cadeia de ganhos. Parece surreal e prático, mas, a coisa é bem mais complexa do que se imagina...

Os custos de produção dessas entidades são baixíssimos, assim como o número de falências dessas entidades pouco se ouve falar. Da Amway, precussora na década de 1990, aqui no Brasil, à Telextreme, serviço de telefonia VOIP o qual opera há pouco mais de 10 anos no páis, todos foram vítimas de boatos a respeito de falências e de desistências de representantes. Na verdade, a desistência é um evento normal na atividade econômica, igual às falências, comum a todos os ramos da atividade econômica, porém, se os níveis de desistência fossem maior do que 50%, a ponto de comprometer o faturamento dessas entidades, provavelmente, nem a Herbalife estaria aí para contar alguma estória. A Herbalife foi a precursora deste modelo de multiplicação da renda empresarial no mundo e atua no mercado desde 1981.

Atualmente, o grande boom que circunda a gestão de marca das empresas é o advento das redes sociais. Se observarmos detalhadamente, as empresas estão quase que plenamente atentas ao que os consumidores têm a dizer sobre seus produtos e serviços e ao que compartilham em termos de promoções e dicas acerca do que há de melhor e de inseguro nas prateleiras. A diferença é que elas não remuneram consumidores satisfeitos e isto se deve a uma infinidade de motivos, dentre eles, a existência de uma cadeia já estabelecida de fornecedores, vendedores, marqueteiros e distribuidores – o que incorre em custos altíssimos, assim como torna desnecessária a distribuição de seus ganhos com mais agentes econômicos. No Marketing de Rede, a coisa é bem diferente.

Eles não contam com este poderosíssimo aparato da economia capitalista, logo, adotam estratégias diferentes de fazer o produto chegar até as mãos dos consumidores: transformando-os em clientes. Veja bem, isto não se trata de propaganda, mas de fruto da observação de alguém que quase entrou em uma dessas redes por duas vezes durante sua vida e optou por observar como funciona esta modalidade inovadora de mercado há mais de 06 anos.

Quando uma entidade, como a Aloe Vera, decide transformar seu leque de consumidores em parceiros, tem que, primeiramente, fidelizá-los e coloca-los em sua rota de consumo. Em seguida, de distribuição. E, logo após, de revenda e compra. Ou seja, o ciclo é capaz de manter-se constante, sem, necessariamente, ter que contar com uma rede logística de distribuição, de departamento para revenda e de comunicação para propaganda. Quem consome, cuida disto tudo fazendo uso da ferramenta mais estudada e discutida na Gestão de Marketing das ultimas duas décadas: o Marketing Boca-a-Boca.

O que há de errado ou diferente nisto? Absolutamente NADA!!! Quer dizer, quase nada, senão, na inovação de reduzir as políticas de custos que envolve toda uma cadeia produtiva a irrisórios quartos de percentual. Eliminando esta cadeia, ampliando a rede de clientes e “distribuidores” e realizando-os como membros parceiros e consumidores potenciais (o que mais de 90% das empresas que atuam no varejo objetivam em sua política de vendas), aos poucos se fazem possível ampliar a escala produtiva e, cada vez mais, reduzir custos. Ou seja, remunerar distribuidores e cabeças de chave com pouco mais de 02 salários mínimos nas Pirâmides multiníveis não necessariamente consumar-se-á em um fim trágico para toda a rede. Se ela conseguir manter cada uma de suas fontes distribuidoras / consumidoras ativos e ligados a este sistema, conseguirá, com sucesso, segurar sua estrutura de ganhos.

E a propósito, é pouco provável que alguém que se envolva, que injete recursos e aposte suas economias em um sistema deste saia por aí julgando ou falando mal da marca a qual adotara como parceiro. A tendência é a de que o Marketing Boca-a-Boca seja o mais positivo possível, assim como acionistas ordinários o fazem com as corporações as quais eles têm propriedade acionária!

O problema, todavia, deste sistema, ainda está na resistência das pessoas em investir e empreender seus recursos pessoais, sobretudo, em uma democracia com pouco mais de 24 anos e que atravessou duas recessões econômicas, uma moratória do pagamento da dívida externa, dezenas de surtos ‘estaguinflacionários’, cinco moedas, dezenas de planos econômicos fracassados e um confisco geral de contas pessoais. A propósito, até durante a história das organizações, se em Teoria Geral da Administração estudamos dezenas de teorias cujas quais levaram anos até serem aceitas e consolidadas – e levaram, cada uma, até meia década para ser adotada pelas entidades produtivas do meio econômico e por estudiosos da economia e da engenharia –, o Marketing de Rede, o qual surgiu no início da década de 1980 e que pouco tem sido objeto de estudo de teóricos e cientistas, também não usufruirá de aceitação assim tão imediatamente.

Os primeiros agentes econômicos a praticar as pirâmides organizacionais começaram a fazê-lo há pouco mais de 30 anos e, de lá para cá, muito têm inovado neste meio, sobretudo, no tipo de produto a ser comercializado. Ou seja, está em fase de amadurecimento e sua popularização, assim como tudo o que há de mais moderno em redes sociais, exigirá ainda alguns anos. Sim! Pois, o facebook não cobra de seus usuários uma quantia determinada para que eles mantenham suas contas ativas no site – Mister Colibri, sim. Contudo, inversamente, esta ultima remunera seus agentes, diferentemente da primeira...

Lembre-se: o modelo do Marketing de Rede somente será plenamente aceito pela sociedade como uma forma consistente de gerar ganhos e multiplicar renda, com menos receios e incógnitas, por assim dizer, quando o advento da falência tornar-se comum nesta novíssima modalidade de se fazer dinheiro. Isto, porque haverá entidades cada vez maiores e mais poderosas, capazes de exterminar concorrentes potenciais, como acontece no ramo dos supermercados e da revenda de veículos. Falo de entidades capazes, também, de convencer o público a apostar em suas políticas de ganhos e de inovar, na medida em que aumenta a sua produção, de pessoas dispostas a consumir seus produtos na base da pirâmide e da política de custos mínimos associada à crescente remuneração para quem está lá em cima na ponta da pirâmide.

Prahallad, mesmo, em seu ensaio “A riqueza na base da pirâmide”, fala, como ninguém, sobre a capacidade de se gerar ganhos para a ponta da pirâmide a partir da base. Aqui, no Marketing de rede, a base é a fidelizada a partir de estímulos e incentivos à manutenção de sua condição de demandante de uma oferta que só cresce.

Ainda tens dúvidas? Então, observe com minúcia ao seu redor e verás que não somente a quantidade de pessoas próximas envolvidas com algum tipo de relacionamento em rede tem crescido, mas, e sobretudo, que as organizações as quais se consolidaram na atividade econômica há anos estão adotando preceitos de relacionamento em rede com clientes e consumidores potenciais. No futuro, a briga mercadológica entre corporações não estará restrita ao crescimento no número das vendas de seus produtos finais, todavia sim, na busca incessante pela consolidação do alicerce das parcerias entre ela e quem está disposto a compra-los (“distribuidores”).

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 18/12/2012

14 de dez de 2012

20ª Entrevista Literária - Ronaldo Cagiano


Ronaldo Cagiano, nascido em Cataguases no ano de 1961, é advogado, escritor, ensaísta e crítico. Participa de algumas antologias brasileiras e estrangeiras, colabora em diversos jornais nacionais e do exterior, além de ter sido premiado em vários concursos literários. Publicou os livros "Palavra engajada" (poesia, Ed. Scortecci, SP, 1989); "Colheita amarga & outras angústias" (poesia, Ed. Scortecci, SP, 1990); "Exílio" (poesia, Ed. Scortecci, SP, 1990); "Palavracesa" (poesia, Ed. Cataguases, Brasília, 1994); "O prazer da leitura", em parceria com Jacinto Guerra (contos juvenis, Ed. Thesausus, Brasília, 1997); "Prismas – Literatura e outros temas" (crítica literária, Ed. Thesaurus, Brasília, 1997); "Canção dentro da noite" (poesia, Ed. Thesaurus, Brasília, 1999); "Espelho, espelho meu", em parceria com Joilson Portocalvo (infantojuvenil, Ed. Thesaurus, Brasília, 2000); "Dezembro indigesto" (contos, Brasília, 2001); "Concerto para arranha-céus" (contos, LGE, Brasília, 2004); "Dicionário de pequenas solidões" (contos, Língua Geral, Rio, 2006); "O sol nas feridas" (poesia, Dobra Ideias, SP, 2011) e "Moenda de silêncios", em parceria com Whisner Fraga (novela, Dobra Ideias, SP, 2012). Organizou as coletâneas "Antologia do conto brasiliense"  (Projecto Editorial, Brasília, 2001), "Poetas mineiros em Brasília" (Varanda Edições, Brasília, 2001) e "Todas as gerações - O conto brasiliense contemporâneo" (LGE Editora, Brasília, 2006).

O autor Ronaldo Cagiano

Ligados: Quando a literatura entrou em sua vida? Você tinha em mente desde cedo que queria publicar livros, ou o processo fluiu, digamos assim, de forma espontânea? 

Ronaldo Cagiano: Foi a vida, ávida, que entrou em minha literatura. Desde tenra idade não me vejo senão com um livro à mão ou na cabeceira da cama. Então, desde cedo, sendo primeiro leitor, descobri que queria escrever. 

Ligados: Além de escrever, quais outras atividades você exerce, atualmente? 

Ronaldo Cagiano: Sou formado em Direito, advoguei alguns anos, mas nunca gostei da profissão. Hoje o Direito interessa-me apenas como Filosofia e Doutrina e nada como prática advocatícia. A literatura é que me proporciona prazer. Porém, não vivo da literatura; tenho emprego, sou bancário há trinta e um anos e a sobrevivência exige que o quotidiano seja interditado pelo pragmatismo, então é necessário esse vínculo funcional para poder pagar as contas, ter um mínimo de conforto material e estabilidade financeira para poder viver sem sobressaltos e poder comprar livros, discos, ir ao cinema, viajar, enfim, sentir o prazer que o trabalho não dá. 

Ligados: As suas primeiras obras lançadas foram de poesia, embora sempre tenha existido certa tendência prosaica em sua expressão poética. O que te fez aventurar-se em outro gênero que, de certa forma, era novo para você? 

Ronaldo Cagiano: Comecei escrevendo e publicando poesia. Meus primeiros passos foram num hebdomadário municipal, o jornal “Cataguases”, onde meus primeiros textos apareceram. Minha poesia sempre carregou um fluxo prosaico e com isso fui percebendo que havia um influxo narrativo nos versos. A migração para o conto e para a ficção se deu naturalmente. Mas sou leitor assíduo de poesia e continuo a escrevê-las e publicá-las. Tanto que minha relação com a ficção se encaminha mais para uma prosa poética, talvez incorporando aquele sentimento de Baudelaire: “Seja poeta mesmo em prosa.” 

Ligados: Quantos e quais livros já publicou? 

Ronaldo Cagiano: Entre livros publicados e antologias organizadas são os seguintes: 

"Palavra engajada" (poesia, Ed. Scortecci, SP, 1989); "Colheita amarga & outras angústias" (poesia, Ed. Scortecci, SP, 1990); "Exílio" (poesia, Ed. Scortecci, SP, 1990); "Palavracesa" (poesia, Ed. Cataguases, Brasília, 1994); "O prazer da leitura", em parceria com Jacinto Guerra (contos juvenis, Ed. Thesausus, Brasília, 1997); "Prismas – Literatura e outros temas" (crítica literária, Ed. Thesaurus, Brasília, 1997); "Canção dentro da noite" (poesia, Ed. Thesaurus, Brasília, 1999); "Espelho, espelho meu", em parceria com Joilson Portocalvo (infantojuvenil, Ed. Thesaurus, Brasília, 2000); "Dezembro indigesto" (contos, Brasília, 2001); "Concerto para arranha-céus" (contos, LGE, Brasília, 2004); "Dicionário de pequenas solidões" (contos, Língua Geral, Rio, 2006); "O sol nas feridas" (poesia, Dobra Ideias, SP, 2011); "Moenda de silêncios", em parceria com Whisner Fraga (novela, Dobra Ideias, SP, 2012); "Antologia do conto brasiliense"  (Projecto Editorial, Brasília, 2001), "Poetas mineiros em Brasília" (Varanda Edições, Brasília, 2001) e "Todas as gerações - O conto brasiliense contemporâneo" (LGE Editora, Brasília, 2006).

Ligados: Como acontece o seu processo de criação literária? 

Ronaldo Cagiano: A poesia e a ficção nascem do acaso, em qualquer lugar, em qualquer tempo. Ela irrompe quando quer. Um poema, um conto ou uma novela podem emergir de circunstâncias bem distintas: de uma ideia pré-concebida ou de um insight, de algo que se assanha em nosso inconsciente ou se insinua a partir da realidade e dos pequenos acontecimentos quotidianos. Um simples olhar ou uma simples ocorrência fortuita podem deflagrar a criação literária. Não tenho disciplina, muito menos rotina imposta. No entanto, um texto pode surgir no trabalho, do sonho, de uma caminhada, de uma viagem, de um traslado de ônibus ou metrô, de uma conversa entreouvida num botequim, de uma cena flagrada ao acaso. Tudo pode ser matéria e circunstância que, ocorrendo no momento certo, podem ser apreendidas como leitmotiv. Assim como a memória, fonte inesgotável de motes literários. 

Ligados: Em seus textos em prosa são comuns os temas urbanos, a modernidade, a metrópole e a ruptura social. Por que o autor se utiliza destes cenários? 

Ronaldo Cagiano: Sempre vivi na cidade. Até os 18 anos, vivi em Cataguases, cidade industrial da zona da Mata Mineira, que tem uma ligação muito forte, por conta da proximidade, com Rio de Janeiro e Belo Horizonte e um pouco também com São Paulo. Mudei-me para Brasília, onde vivi 28 anos e há cinco estou em São Paulo. Minha experiência pessoal, afetiva, geográfica, histórica, social e psicológica é toda urbana e a maior parte da minha vida eu a passei em grandes centros. Por essa razão capto esse universo que me é particular. Jamais escreveria sobre o sertão, seja ele mineiro, do cerrado ou do Nordeste, porque não saberia reproduzir a sua riqueza, seus valores e idiossincrasias, porque não fui afetado por essas realidades. Então, falo do que vivi e de onde vivi e os centros urbanos me oferecem o material humano e sensorial para minha confecção literária. Então, são as questões ligadas a essa vivência que procuro captar no meu trabalho, principalmente um olhar sobre a solidão e insularidade do homem contemporâneo na sociedade premida por tantas exigências e demandas, que sofre as suas tragédias diárias e se avilta diante do caos que lhes é tão peculiar. 

Ligados: Ainda na literatura, você foi organizador de inúmeras coletâneas. Em sua opinião, qual a importância deste difusor cultural no cenário literário brasileiro? 

Ronaldo Cagiano: As antologias são importantes – e até necessárias – no sentido de mapear um território e registrar uma época dentro do panorama da literatura, no entanto elas não são definitivas, não há qualquer caráter compulsório e definidor de cânones, porque é a peneira do tempo, do leitor e da crítica que vão dizer o que permanecerá. As antologias refletem um universo num dado lugar e momento e aí há o vezo subjetivo, pois entra o juízo de valor do organizador. Por mais isento que se queira ser na organização de coletâneas literárias, há sempre o risco das injustiças e dos excessos, porque você acaba delimitando um determinado espaço criativo em função de seus gostos e suas escolhas. E como dizia Clarice Lispector, “Toda escolha implica num assassinato”. O que a define como o melhor da prosa; ou B como o melhor da poesia; ou Fulano faz o panorama da literatura negra, ou gay, ou feminina, no fundo acaba guetificando e reduzindo a literatura, porque outros olhares ou julgamento serão feitos, tantos forem os idealizadores. Portanto, precisamos relativizar esses trabalhos coletivos. Nem sempre uma antologia é totalmente fiel ao seu tempo e à geografia que pretende mensurar. 

Ligados: Certa vez Kafka (escritor que você já demonstrou ter grande admiração em seus livros) disse: “Tudo que não é literatura me aborrece”. Qual o significado desta frase para você? Aproveitando, que outros autores te influenciam? 

Ronaldo Cagiano: Essa frase é o que define a minha vida. Como detesto futebol, é nesse campo que atuo. Como não acredito em Deus, é ela meu evangelho. Literatura para mim é farol, chão, teto, pulmão, janela. Como já disse Northrop Frye, “A literatura continua sendo o único lugar onde se pode ser livre.” Lembro-me de uma frase do amigo e escritor Duílio Gomes, mineiro de Mariana, falecido há pouco mais de um ano, que serve também para situar minha relação com a escrita: “Escrever não é a coisa mais importante do mundo, mas deixar de fazê-lo, quando se tem vocação para tanto, pode ser a pior coisa do mundo.” Quanto a influências, eu prefiro falar nas que sofri com a experiência pessoal, o dia a dia, o passar a infância engraxando sapatos na barbearia, cujo convívio com pessoas e o acesso às leituras de jornais foram fundamentais na minha formação. Mas em relação a autores há aqueles que me acompanham sempre, cujas leituras renovam em mim o prazer de escrever: Graciliano Ramos, Anton Tchecov, Albert Camus, Kafka, Pessoa, Drummond, Bandeira, Vergílio Ferreira, Lobo Antunes, Faulkner, Thomas Mann, Proust, Campos de Carvalho, Clarice, Machado, Rosa. 

Ligados: Que dica você daria aos novos escritores? 

Ronaldo Cagiano: A leitura precede ao escritor. Ao talento e pré-disposição para escrever, o hábito de leitura se converte no maior aliado. È a leitura (e releitura, principalmente) que nos colocam na direção de uma escrita afinada e profunda. Não há como aprimorar seu processo criativo sem a constância da leitura. Inquieta-me perceber que há escritores que iniciam sua trajetória, começam publicando aqui e ali, mas não leram nada. Isso empobrece o trabalho individual e nivela por baixo as novas gerações. 

Ligados: Existem projetos em pauta ou títulos para serem publicados? Se sim, poderia nos falar um pouco sobre eles? 

Ronaldo Cagiano: Estou com dois livros novos, um deles de poesia, ainda inéditos. Recentemente, fui contemplado com a Bolsa do Governo do Estado de SP, destinada à conclusão de obras em andamento. Meu livro de contos “Eles não moram mais aqui” in progress foi escolhido. Escrevi um romance, “Diolindas”, em parceria com minha esposa, Eltânia André. E também sairá em 2012 em Coimbra meu livro de poesia “O sol nas feridas”, que foi publicado ano passado aqui e foi finalista do Prêmio Portugal Telecom. 

Ligados: Considerações finais. 

Ronaldo Cagiano: Deixo aqui minha reflexão, a partir de uma sentença de Fernando Pessoa: “A literatura, como toda arte, é a confissão de que a vida não basta.”


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 14/12/2012 - Objetivo: www.ligadosfm.com

11 de dez de 2012

53º Mundo Cão – Entre R$ 2,58 e R$ 3,09 há pouco o que se explicar...


Há pouco mais de 01 ano e meio, Natal atravessava um de seus períodos mais controversos, no que diz respeito à união popular em prol de uma causa confluente com o bem comum à sua população. Sim! Não se trata do #ForaMicarla, que levou estudantes e trabalhadores para a Câmara Municipal, a fim de pressionar os vereadores a abrirem inquérito investigativo sobre a gestão da ex-prefeita Micarla de Sousa, mas do #GasolinaMaisBarataJá, que, por sua vez, mais tarde, transformou-se no #CombustívelMaisBaratoJá e no #CombustívelBaratoSempre.

Não é preciso detalhar que ambos os movimentos sugiram nas redes sociais, com foco na rede de microblogs Twitter (por causa do uso do símbolo “#” na formação das referidas palavras-chave), mas, é importante, sim, distinguir o caráter e as origens de ambos os movimentos. O primeiro, o #CombustívelMaisBaratoJá, originou-se da indignação da própria sociedade natalense, que, no momento em questão, deparou-se com surtos inflacionários os quais catapultaram o preço da gasolina do patamar dos R$ 2,58 para R$ 3,09 em pouco mais de 01 mês (aumentos estes gradativos, iniciados aos preços de R$ 2,62, R$ 2,69, R$ 2,72, R$ 2,78, R$ 2,85, R$ 2,92 e R$ 3,09); o segundo, o #CombustívelBaratoSempre, surgiu da união de alguns empresários locais do ramo de revenda de combustíveis a fim de justificar os referidos aumentos e, curiosamente, logo após o incidente que envolveu o criador da hash tag “#CombustívelMaisBaratoJá” e um dos idealizadores do saudoso projeto Via Certa Natal (o qual tem por objetivo maior orientar motoristas e cidadãos usuários do transporte público natalense quanto à mobilidade urbana, trânsito, picos de engarrafamento, acidentes e outros eventos que possam vir a atrapalhar o seu percurso dentro da cidade), em que o mesmo o fora vitima de agressão corporal por causa da criação da mesma hash tag e por participar da mobilização on line.

Em nada estes movimentos têm a ver com política e com gestão pública (diretamente falando). Na verdade, eles dizem respeito à política de preços praticada pela maioria das redes de postos de revenda de combustíveis automotores da capital potiguar, cuja média local encontra-se acima da média nacional e incompatível com a média praticada em estados vizinhos, como a Paraíba e o Ceará. Para falar a verdade, as médias praticadas nos preços da gasolina, do álcool, diesel e gás natural veicular sequer são compatíveis com a renda média local, com os salários aqui pagos à classe média e com a renda média que circula na cidade.

Natal é uma cidade muito pobre para impor R$ 2,78 no litro da gasolina comum e R$ 2,85 na gasolina aditivada. Estes são os preços praticados atualmente na maioria das redes, em que, pouco antes do aumento, há pouco mais de 03 dias, repassavam-nas ao consumidor às bagatelas de R$ 2,69 e R$ 2,75, respectivamente (ou seja, ainda fora da realidade econômica local).

Para que se possa ter uma ideia da tamanha falta de lógica orçamentária, por parte do varejo de combustíveis natalense, na cidade mais rica do país, São Paulo, o litro da gasolina é comercializado atualmente dentro da variação R$ 2,54 e R$ 2,47; em São Luiz do Maranhão, a gasolina aditivada (mais cara do que a comum) é revendida pelo preço de R$ 2,60... O mais interessante a ser observado é que ambas as capitais (São Paulo e São Luiz) são mais ricas e têm maior renda média em circulação do que Natal, assim como são mais industrializadas e melhor equipadas com aparelhamento industrial e econômico. Ou seja, têm maior demanda por combustível (o que, economicamente falando, influencia diretamente na inflação dos preços) e mais veículos circulando, em termos absolutos.

Natal é uma cidade com pouco mais de 800 mil habitantes; o Rio Grande do Norte é o maior produtor de petróleo em terra e segundo maior em produção marítima do Brasil e, ainda assim, tem os preços mais altos no varejo de combustíveis brasileiro. O que está acontecendo em Natal?

Poderíamos até cair no discurso de que o RN não é um estado refinador de petróleo bruto e ofertante do produto final refinado parar as bombas, tal qual poderiam colocar que o mesmo RN é o estado da federação com o mais alto ICMS cobrado pela gestão direta estadual, todavia, desde abril de 2011, momento em que estouraram os movimentos sociais em prol da redução dos preços dos combustíveis e do questionamento das margens de lucro praticadas pelos empresários do ramo, ou antes disto, ambos os eventos já eram realidade local. Os empresários locais, donos de postos de gasolina, pagavam 29% de ICMS ao governo do estado, assim como comprava petróleo refinado dos grandes centros de refino distantes de Natal... Em outras palavras, em termos de gestão de custos e gastos tributários, o desembolso desta classe permaneceu constante; quanto ao reajuste a ser concebido pela Petrobras sobre os preços dos combustíveis comercializados no país, é conveniente colocar que isto ainda está em discussão e, ainda assim, quando de sua decisão (o que ainda não o fora tomada), será necessária a espera de meses até que o referido reajuste atinja o bolso dos empresários e, consequentemente, o preço nas bombas.

De qualquer forma, o aumento atual nos preços dos combustíveis em Natal em nada mais além tem ligação, senão, com o aumento no percentual do lucro dos empresários locais sobre o litro comercializado. Sim! Isto por aqui é realidade há mais de década. Por aqui, é comum a prática do cartel entre redes de revenda, altas margens de lucro e baixíssimo nível de falência em empreendimentos do ramo. Em março de 2011, o litro da gasolina era comercializado pelo preço de R$ 2,58, o álcool era vendido por menos de R$ 2,00 e o metro cúbico de gás natural ao preço de R$ 1,70 / R$ 1,79. Atualmente, em pouco mais de 01 ano e meio, respectivamente, somos ‘obrigados’ a pagar R$ 2,78, R$ 2,25 e R$1,90 / R$ 2,05...

Observemos que no estado da Paraíba, o GNV é comercializado por até R$ 1,46 / m³ (isto, considerando que a própria Paraíba não produz, sequer, uma gota de petróleo) e que em cidades próximas a Natal, como Parnamirim (a qual se encontra em sua Região Metropolitana) a gasolina comum é repassada ao consumidor final por R$ 2,57; a propósito, um dos propósitos do movimento #CombustívelMaisBaratoJá era a abertura do mercado de revenda de combustíveis para que supermercados e outras redes pudessem adentrar no ramo, diversificando mais o poder de oferta na economia quanto à revenda de combustíveis e, por que não, geração de mais empregos. Isto, por sua vez, sempre o fora vetado pela Câmara Municipal, justificando maior proteção aos usuários e clientes. De qualquer forma, tecnicamente, isto em pouco se fundamenta... E os referidos aumentos, que têm assolado a cidade por mais de 10 anos, em pouco têm impactado na geração de empregos, na melhoria dos serviços e na inovação destes empreendimentos.

É possível encontrar o mesmo litro de gasolina pelo preço de R$ 2,59, em um posto do Supermercado Carrefour, na Zona Norte de Natal. Em meio a tanta inconveniência, R$ 2,59 aproxima-se dos R$ 2,57 encontrados no centro de Parnamirim. Ou seja, em se tratando de custo, demanda e volume de venda e produção é provável que o Custo Unitário e os custos variáveis dos postos de Parnamirim e do Supermercado Carrefour sejam, pelo menos, os mesmos das grandes redes as quais operam em Natal e, ainda assim, praticam preços até R$ 0,21 mais baratos por litro vendido.

A verdade é que geraríamos mais empregos e melhoraríamos a qualidade dos serviços de revenda de combustíveis em Natal se supermercados, shopping centers e outras redes de varejo pudessem comercializar gasolina, álcool e diesel, ao invés de básicos alimentícios e usuais. Aumentaríamos a concorrência, melhoraríamos a qualidade de nossos serviços e seríamos contemplados com mais inovações, no sentido de oferecer novos produtos e promoções. A propósito, pagaríamos menos pelo litro ou m³ de combustível em nossos carros e, por que não, pagaríamos menos pela passagem de ônibus. Sim! Pois os gastos com combustíveis estão inclusos na formação dos preços das passagens do transporte público!

E aí, o que os cabeças do #CombustívelBaratoSempre têm a dizer sobre isto?

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 11/12/2012

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 52º Mundo Cão – Muito prazer, a consequência!

8 de dez de 2012

7º Filósofos - Parmênides de Eléia

Mais um vídeo da série filósofos. Um pouco atrasado, desta vez apresento o filósofo Parmênides de Eléia, aquele que dizia que tudo é uno, imutável, estático, e que a razão está acima dos sentidos.

Confiram, critiquem e me digam o que vocês acham plz!!!



Lembre-se de acessar:

Confira os links:
Texto do diálogo platônico, Parmênides: http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/parmenides.pdf
Vídeo-poema "Da Natureza" recitado: http://www.youtube.com/watch?v=_obyd0YmNZA
Artigo de Guilherme Cecílio sobre como Parmênides aparece no diálogo platônico, e sobre os outros personagens: http://seminarioppglm.files.wordpress.com/2011/02/guilherme-cecilio.pdf
Artigo "SOBRE SER, PENSAMENTO E DISCURSO NO POEMA DE PARMÊNIDES",  do doutor Marcio Soares:Link do PDF
Blog Investigação Filosófica, "Blog de divulgação de notícias e textos de filosofia.": http://investigacao-filosofica.blogspot.com.br/ - Muito bom!


7 de dez de 2012

Papo de Gago #16: Papo de Anime: We Are !!!


Olá pessoal, o Papo de Gago de hoje é um papo sobre o Anime One Piece do autor Eichiro Oda, então vamos entrar nesse mundo de piratas que estão em busca do One Piece.


ATENÇÃO: PARA PARTICIPAR DA PROMOÇÃO CLIQUE AQUI.

Nesse podcast: Descubra as aventuras de Monkey D. Rufy saiba o que vai ser o One Piece Day.

Link's comentados no programa:


Link's comentados nos e-mails: 


Deixe o seu comentário no post ou mande os seus xingamentos, elogios ou sugestões para: papodegago@ligadosfm.com




Ouça podcast no player acima ou baixe o mp3 clicando aqui 

Por: Anderson Ricardo
Em: 08/12/2012
Objetivo:
LigadosFM  
 

4 de dez de 2012

52º Mundo Cão – Muito prazer, a consequência!


É chato ser vítima da consequência. Mais chato ainda é sê-lo das suas próprias... Sim! As pessoas têm o costume de assumir responsabilidades, ao contrário do que se acredita e se diz nas palestras motivacionais e de autoajuda. O que elas não assumem, contudo, são as consequências de suas irresponsabilidades e, aí, vem uma série de justificativas, desculpas e até culpa recíproca por desacertos acontecidos não por descuidos terceiros.

Se observarmos, isto se trata de um mecanismo de autodefesa, que tem o maior propósito de manter o indivíduo que o pratica intacto e aceito no seu meio social. Erros não são toleráveis pela maioria das pessoas e dos grupos sociais (talvez por isto as campanhas indiretas nas empresas, que incitam seus funcionários a não terem medo de errar). Erros são incoerências, são falhas, dependendo do grau, fruto de despreparo e da inexperiência. Boa parte dos erros, cognitivamente falando, não é intencional, mas, natural de um procedimento cujo ator principal não é dotado das mínimas competências para acertar em suas medidas tomadas.

No ambiente empresarial, os erros são tolerados até um determinado grau (geralmente, funções e responsabilidades que não requerem tanta experiência tática ou domínio técnico). Na construção civil, por exemplo, um erro cometido por um engenheiro ou um mestre de obras assume o mesmo grau de importância e gera as mesmas consequências (a construção pode desabar ou representar um risco estrutural). Em um departamento de vendas, um erro cometido por um vendedor não gera o mesmo impacto sobre as vendas totais, pois o mesmo vendedor, em se tratando do fato de atender mal a um potencial cliente, pode acarretar no não cumprimento de vender pelo menos uma de suas mercadorias a um único vendedor. A decisão tomada pelo gerente de vendas, contudo, pode culminar na melhor qualificação de seus liderados ou nas poucas saídas das mercadorias nas prateleiras. De qualquer forma, uma medida tomada por um vendedor é um caso isolado, enquanto que a do mestre de obras pode interferir em toda a obra.

O mesmo acontece com a vida social (fora das empresas), ou seja, tudo dependerá do seu referencial. Dormir com a luz acesa acarreta em uma conta de luz mais cara no fim do mês, assim como exagerar nas brincadeiras sem graça com os amigos (provavelmente, essa pessoa será ‘vítima’ de um possível isolamento) ou ter o costume de perder ou não devolver objetos emprestados por outra pessoa. O que quero dizer com isto tudo é que as consequências não estão, nem o são, acessíveis ao nosso controle.

As consequências são frutos de uma determinada causa a qual justifica um acontecimento. Ou seja, controlamos a segunda variável, a causa, de forma que colocamos em prática aquele velho discurso popular e sem autoria de que “somos capazes de mudar o presente” e tornamos as consequências futuras positivas e a nosso favor. Em outras palavras, são plausíveis de observação e, aí, cai por terra o julgamento das pessoas.

Deixemos de lado agora as fórmulas quase matemáticas e passemos a averiguar o comportamento recíproco das pessoas. Por mais que elas exprimam o discurso o qual visa transmitir aceitação e tolerância ao erro, menos será a aceitação de um determinado indivíduo em seu grupo quanto maior for a frequência de seus erros. Mas, as pessoas objetivam aceitação social e influência sobre seus ‘seguidores’ e, errando, elas não atingiram este retrospecto de suas vidas sociais. Por isto, elas camuflam determinadas contradições que vos acometem.

Isto se trata de um mecanismo de defesa, o ego. Ao não assumirem o risco de sofrer as consequências em função de um determinado erro cometido, essas mesmas pessoas reduzem a frequência dos erros cometidos ao longo de sua vida, o que as tornam aceitáveis e com moral dentro do seu grupo. Quando uma pessoa desmente a acusação de que perdeu um bem o qual lhes fora emprestado ou transfere a culpa para outro indivíduo, ela assim está agindo com o fim de preservar a confiança adquirida junto aos demais colegas de convívio, haja visto que a mesma tem o interesse de novamente pedir algo emprestado para alguém. Ou seja, ao manipular os erros cometidos, nas suas diversas formas, o indivíduo que o faz tece-o com o maior intuito de preservar seu status social e sua aceitação como membro de um determinado grupo.

Isto é muito comum em empresas, na bolsa de valores e no varejo. Boa parte das empresas que fabricam e vendem eletrônicos adotam uma postura nada satisfatória ao consumidor quanto ao pós-venda, pois, quanto maior a demanda por reposição de peças ou garantias, menor será a sua aceitação no mercado. As classes mais altas, por exemplo, rejeitam marcas com vasto histórico de problemas, como a CCE, aqui no Brasil, e a FIAT nos EUA. A culpa de um problema relacionado ao mau funcionamento de um equipamento tenderá a sempre ser do consumidor, em vistas uso inadequado do equipamento, e não do fabricante, por um erro de fabricação.

A palavra-chave da consequência é “erro”. Erra mais quem merece menos a nossa confiança, tal qual merece mais a nossa confiança aqueles que errarem menos. A causa é apenas o objeto da ação e alguém tem que tomar alguma providência. Enquanto alguns agem, outros observam... Em outras palavras, agimos para ser aceitos por observadores, que preferiram observar ao colocar a sua confiança em jogo. Para eles, alguma vez, deve ter sido doloroso ter que caminhar até conseguir a confiança e a aceitação do seu grupo; agora, as dores e os riscos são transmitidos a terceiros.

De qualquer forma, as falácias e as benesses da vida em grupo assolam a todos que não optam pelo isolamento. E haverão de sempre ter que aceitar isto...

MARCUM, David; SMITH, Steven. O fator ego: como o ego pode ser seu maior aliado ou seu maior inimigo. Rio de Janeiro: Sextante, 2009.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 04/12/2012

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 51º Mundo Cão – A Marcha da Incoerência

29 de nov de 2012

19ª Entrevista Literária - Pipol

José Pires, ou Pipol, como é mais conhecido no meio artístico, além de poeta (autor do e-book “Brinquedos de Palavras”) é também editor-fundador do Cronópios, portal de literatura brasileira que publica textos de autores contemporâneos, além de entrevistas, críticas e podcasts. Paralelamente ao projeto inicial, há ainda a TV Cronópios e o Cronopinhos (que acaba de ganhar um projeto experimental em parceria com o mestre bonequeiro Jorge Miyashiro, chamado Cia. Cronopinhos de Teatro de Bonecos). O referido portal ganhará no próximo ano uma nova interface.

O autor Pipol

Ligados: O seu nome de batismo é José Pires, porém, é mais (ou somente) conhecido no meio literário como Pipol. De onde surgiu esse apelido, e quais as razões que o levaram a adotá-lo também como pseudônimo artístico? 

Pipol: O apelido ficou depois de outro apelido. O título que dei ao meu primeiro livro de poemas foi “Pipoca”, isso lá nos anos 80. Claro que, depois do livro, ganhei o apelido de Pipoca. Durante muitos anos, mesmo não gostando, os amigos me chamavam de Pipoca. Depois de um tempo, eles foram me arrumando um apelido do apelido que virou o tal Pipol. Aí eu já gostei mais, e resolvi adotar o apelido com a grafia “errada” - não é o “people” do inglês. 

Ligados: Qual “estopim” te levou a escrever poesias? 

Pipol: Eu me interessei por literatura e arte e poesia somente na época da faculdade, antes meu interesse sempre foi por ciência e o mundo científico. Meu caminho natural era me tornar um cientista. Mas durante a faculdade, depois das aulas, a gente frequentava muitos barezinhos de estudantes. Numa bela noite eu vi um pessoal chegando ao bar oferecendo uns livros de poemas que eles mesmos editavam e vendiam. Eu fiquei impactado com aquilo. Na hora me deu vontade de ser como eles, de ser amigo deles... O pior foi que eles me aceitaram... (risos) Fui acolhido por pessoas que eram como que de outro mundo para mim. 

Ligados: A difusão dos seus textos começou com a criação do extinto grupo de poetas “Pirataria Poética”, ou já havia rastros de outros movimentos culturais antes? Têm boas lembranças daquele tempo? 

Pipol: Tenho boas lembranças, sim, da época da nossa Pirataria Poética, lá de Bauru – SP. Tiveram outros grupos de poetas na cidade antes do nosso, claro. E devem existir outros hoje por lá. Trabalhar em grupo e criar junto com outros artistas é muito bom. Fazíamos um monte de maluquices e aprendemos um monte de coisas uns com os outros. Mas estávamos numa cidade do interior, na época não existia internet e quase nem telefone. Para mim foi fundamental ser um membro da Pirataria Poética. Até hoje eu tenho lá no escritório do Cronópios a capa original do nosso livro. 

Ligados: Como surgiu o Cronópios, e qual o objetivo do mesmo, além dos planos para o futuro? 

Pipol: Eu ouvi falar de internet pela primeira vez em 1990. Achei interessante tudo, mas na verdade eu não entendi a dimensão daquilo. Depois, em 1996, a internet começou a chegar forte aqui no Brasil. Em 1997 eu quis saber o que era isso e fui fazer um curso de html. Meu primeiro site, feito na unha, programando com código html direto, foi o meu livro de poemas chamado “Brinquedos de Palavras”. Acho que foi um dos primeiros e-books, isso foi no começo de 1997. Esse site-livro começou a ser visto e eu me animei. Tive alguns retornos bem legais. Depois de algum tempo já começaram a aparecer sites de tudo. Apareceram sites de literatura também. Eu mandei o link do meu “Brinquedos de Palavras” para vários destes sites buscando divulgação. Um dos editores de um destes sites acabou sendo meu sócio na montagem do Cronópios (que é um site que surgiu depois de outros sites de literatura). Agora estamos trabalhando muito no Novo Cronópios, que deve chegar em janeiro de 2013. Tudo muda de patamar com essa estreia. 

Ligados: A TV Cronópios veio paralela ao projeto inicial, ou surgiu de uma necessidade maior de atingir o público? 

Pipol: A TV Cronópios surgiu de minha paixão pelo cinema documentário e vontade de fazer projetos diferenciados usando a linguagem televisiva. Eu sempre fui ligado a imagens em movimento. Tive a oportunidade de trabalhar numa emissora de TV. Lá eu dirigi um programa para o público jovem chamado Zapteen. Para mim a TV só não estreou junto com o Cronópios porque na época não havia banda larga e nem as técnicas de edição e computadores mais potentes de hoje. 

Ligados: Há alguma chance do Cronópios chegar também às versões impressas? 

Pipol: Seria como trocar uma nave espacial por uma carroça. Essa é a diferença correta e correlata entre os dois meios. O que podemos fazer é lançar um livro comemorativo ou um álbum ou coisa parecida. Mas isso seria uma parte menor do nosso interesse. 

Ligados: Editar ou escrever te proporciona mais prazer? 

Pipol: Editar o Cronópios e tudo o que isso envolve não me deixa muito tempo para escrever. Escrevo nas sobras de tempo. Como nunca sobra tempo... Mas é um enorme sentimento de satisfação e de dever tocar um projeto de arte como o Cronópios. 

Ligados: Recentemente foi fundada a Companhia de Teatro de Bonecos do Cronopinhos, em parceria com o consagrado mestre bonequeiro Jorge Miyashiro. Poderia nos fornecer mais detalhes a respeito? 

Pipol: Queremos animar o nosso Cronopinhos. Quando o Novo Cronópios ficar pronto, vamos dar uma atenção especial para esse mundo dos que escrevem e editam para crianças. A ideia é aproveitar a experiência do Jorge Miyashiro com os vários trabalhos que ele já desenvolveu para o público infantil e criar a coisa a partir daí. A primeira ideia da nossa parceria foi criar a Cia. Cronopinhos de Teatro de Bonecos. Parece uma boa ideia. Vamos experimentar. 

Ligados: Você disse que não escreverá outro livro solo, apenas irá atualizar e aumentar constantemente o “Brinquedos de Palavras”. Como a obra se encontra hoje? 

Pipol: Como se diz no mundo da web, está em fase BETA. 

Ligados: Gostaria de encerrar com mais algum comentário? 

Pipol: Muito obrigado pela entrevista. O convite foi uma honra.


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 30/11/2012 - Objetivo: www.ligadosfm.com