4º Mundo Cão - Feliz 2012 aos Viajantes de Plantão!

Feliz 2012 aos Viajantes de Plantão!

Depois de uma certa indecisão, resolvi que o melhor era ir passar a virada de ano em um lugar bem diferente do que me acostumara nos ultimos anos. Ponta Negra era o centro das atenções de sempre, até que houvesse mudança de planos. Parti para o interior!

Uma cidadezinha no sertão do RN, chamada São Paulo do Potengi, terra de familiares da minha namorada, às margens de uma rodovia estadual e quase que totalmente isolada das fontes de comunicação do mundo atual (sinal das operadoras de telefonia, TV a cabo, Internet Banda Larga, TV digital, etc.). Com exceção das antenas parabólicas lá montadas, as condições favoráveis para se fechar assinatura com as revistas da Abil, Globo ou alguma edição de jornal impresso são bastante remotas.

Ora, pouco se ouve falar a respeito de autoridades que trafegam naquela região. Em um conjunto de sítios, uns consideravelmente distantes de outros, com paisagem rica em serras e caatinga e nada de “civilização” ou perímetro urbano por perto, o que essas autoridades têm a fazer naquele “fim de mundo”? A estrada estava gostosa de se dirigir, com algumas partes mal sinalizadas ou, simplesmente, sem sinalização, lombadas improvisadas e o perigo eminente de invasão de animais de pasto na rodovia. O resto, era resto e bastava apenas seguir em frente.

Não convém falar das companhias ou do quão bacana foi a festa e a celebração da data. As distrações ou o sentimento de se estar a fazer algo diferente do comum. Convem, contudo, lembrar da falta de acostamento nas estradas que levam até lá, tal qual a RN-120, esta com apenas duas vias, “uma que vai e outra que vem”, como dizem os populares, e uma sinalização central (única, por sinal) que proibe ultrapassagens em quase todo o seu percurso; uma rodovia com muitos sobes e desces, algumas curvas e muito matagal ao seu redor.

Não haviam placas que impusessem limites de velocidade, apesar de que todo bom motorista e conhecedor das leis de trânsito sabe que, em rodovia não urbana sem sinalização, o limite de velocidade em questão é de 110 Km/h. Ainda assim, mesmo com estas circunstâncias todas, as quais levam a crer que não é nem um pouco seguro se dirigir dentro deste limite, na ocasião de atingí-lo, onde estaria o erro deste motorista, do ponto de vista legal? Não sabia que o Estado levava em conta o bom senso de seus cidadãos na hora de pôr em prática suas normar de conduta...

Placas informativas, com mensagens que visassem consicentizar os viajantes de plantão, para quê? Cada pedaço de trecho estava tal qual um tapete, recapeada e com a sinalização central envivecidada, o que mostra que ali as autoridades estaduais chegaram com sucesso e checaram as condições até aqui tratadas. Mas, as instituições públicas esquecem que, mais do que um emaranhado de carne e osso, cidadão também pensa...

Incompetência é fazer com que a ocorrência de acidentes no local torne-se frequente para que alguma providencia seja tomada. O motorista deve ser informado dos limites de velocidade previstos pela engenharia de trânsito rodoviário e não apenas contar com a sua capacidade dedutiva ou perceptiva. Tem motorista sem experiência nas estradas, o que aumenta o risco de acidentes. O Estado tem que ter a consicência disto e não só, e somente só, montar nas costas da sua (in)capacidade de educar e conscientizar seus cidadãos com eficácia.

E, sobretudo, entender que a causa de acidentes nas estradas, ou mesmo nos centros urbanos, não está associada, somente, à irresponsabilidade de quem está no voltante. A má sinalização, a ausência de controle e a omissão na aplicação das leis de trânisto, em um país o qual Crime de trânsito ainda é utopia, colaboram com o Quoeficiente Emocional do motorista. É como se fosse um convite à irresponsabilidade.

Fazer o contrário do que se tem visto no ultimo reveillón é uma boa alternativa para poder transmitir os devotos de Feliz Ano Novo e de muita felicidade, saúde e sucesso aos vivos, que, por felicidade do Estado, não se tornaram vitimas da ausência de suas instituições, apesar da incerteza de quando, definitivamente, todos terão acesso ao sinal da TV Digital!

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 03/01/2012

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