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31 de jan de 2012

8º Mundo Cão - Ônibus Para Quê, Se Tenho o Meu Carro?

Ônibus Para Quê, Se Tenho o Meu Carro?

Por que andar de ônibus ou de bicicleta? Será que vale à pena estar responsável com o meio ambiente e com o fluxo urbano de nossas cidades, colaborar com a redução do efeito estufa, com a emissão de CO2 na atmosfera, de tornar o nosso ar mais saudável e higiênico, de preservar nossas florestas, rios e matas, com a consequente redução no consumo de combustíveis fósseis, pneus, derivados do petróleo e de outros materiais os quais estão inseridos diretamente na fabricação de carros e motocicletas?

Acredito que sim! Porém, esta guerra contra a nossa autodestruição não é de responsabilidade única e exclusivamente de cidadãos e consumidores comuns da classe média (ou seja, nós). A cadeia produtiva, da qual fazemos parte, poderia também abraçar esta ideia. Estado, empresários e até ambientalistas!

Certa vez, e não faz tanto tempo assim, a prefeitura do Natal promoveu o Dia Mundial Sem Carro, fez uma campanha meia boca, solicitou esforços dos veículos locais de comunicação e, no dia em questão, alugou uma vã para levar todos os secretários, prefeito e ex-prefeito para a sede da prefeitura, para trabalhar. Eles, sim, fizeram a parte deles e o mesmo veículo alugado dispunha de ar condicionado...

Mas, será que em algum momento quiseram eles saber o que cidadãos comuns os quais precisam do transporte coletivo ou que não dispõem de outra alternativa para ir ao seu trabalho pensam a respeito disto? E quanto aos que sentem na pele todos os dias?

Acho bonito ver cartazes e postagens sobre a importância de se ter um trânsito mais calmo e menos movimentado por carros particulares circulando por aí feito mosquito; feio, todavia, é o que tem de politicamente correto por aí criticando quem dirige ou o que opta pela segurança de seu carro. Será que existe diferença entre uma parada com o mínimo de segurança e o máximo de exposição e a mordomia de ser pego em casa por uma vã alugada? E quanto a um transporte coletivo e outro sem ar condicionado, um sujeito a assaltos e outro vigiado por segurança particular, um que trilha percurso alternativo e outro que segue o mesmo caminho de todos os dias, sujeito ao trânsito caótico da cidade?

Além do mais, vivemos em um país onde as políticas voltadas para o bem-estar dos cidadãos pouco funcionam, há poucos esforços ou investimentos para tal. Pensemos se, pelo menos, nossa malha viária pública tem capacidade mínima para atender a toda demanda oriunda de proprietários e usuários de veículos particulares, somada aos já usuários do transporte público de todos os dias. O caos nas ruas e avenidas poder-se-ia ser amenizados, porém, o pobre trabalhador da classe média é quem pagaria o preço disto, suando feito esponja no interior de ônibus e metrôs... (Isto é o mínimo que pode acontecer, o “pelo menos” de todo um “revestréz”...)

Até porque, a opção pelo veículo particular, antes de mais nada no Brasil, não se deve à necessidade do luxo ou da usura. Mas à necessidade de estar pontualmente no seu local de trabalho, de estar bem trajado, como exige a chefia, proporcionar segurança para os filhos (porque nem para prender quadrilhas de assalto a ônibus nossa polícia o é capaz) e poder usufruir do direito a não ter que se sujeitar ao sol quente ou às longas esperas de todos os dias nas paradas, até que o ônibus que leva até o destino proposto dê as caras.

Ou será que essas campanhas estão por aí a insinuar o quão burro é um proprietário de carro ou moto a ponto de estes não enxergarem o caos urbano que vêm causando com a sua demanda excessiva pelas amostras expostas nas concessionárias? Será que o dono de um carro não vê que lhes sairia mais barato pagar pela passagem de um transporte coletivo a colocar combustível no tanque do seu veículo?

É claro que ele sabe disto, sim. Entretanto, tal qual os governos, que têm pena de investir em malhas públicas coletivas de qualidade ou de cumprir com o seu papel institucional a fim de cobrar das empresas de ônibus e metrô um mínimo de estrutura salutar, um gentil trabalhador da classe média tem todo o direito de gastar mais em prol do seu bem-estar. Não adianta falar sobre consciência ambiental, se nem quem deveria abraçar definitivamente esta causa faz a sua parte.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 31/01/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 7º Mundo Cão: Com Tão Pouco, Tanta Cultura...

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