3ª Coluna Esportiva - Origem: Brasil! Destino: Europa!

                  Boa tarde, caros leitores!

Amanhã (03 de Janeiro de 2012) começará a 43ª edição da Copa São Paulo de Futebol Júnior. A “copinha”. O torneio vai reunir 96 equipes de todos os estados do Brasil. Meninos até 18 anos jogarão a competição que já revelou craques como: Falcão, Cerezo, Cafu, Casagrande, Dener, Raí, Rogério Ceni, entre outros. Uma boa opção para a torcida começar a identificar os possíveis “novos” craques das suas respectivas equipes.

Seria trágico se não fosse cômica a atual situação da Copinha. Antes os clubes revelavam e investiam na base como uma forma de possuir pratas da casa em seu elenco principal. Como não lembrar o Flamengo de 1991 que revelou Djalminha, Marcelinho Carioca, Paulo Nunes e Júnior Baiano de uma só vez? Jogadores que tinham o sonho de vestir a camisa do time de coração. De quem sabe, jogar ao lado do seu ídolo. Faz alguns anos que este cenário mudou e a intenção e motivação da Copinha não é apenas a de revelar novas promessas do nosso futebol.

Se você for atrás e fizer uma entrevista com estes meninos que disputarão a copinha, nove entre dez vão dizer que seu sonho é jogar na Europa e dar uma boa condição financeira às suas famílias. Ué, as coisas inverteram? Os jogadores (em sua maioria) não pensam mais em fazer história por seus clubes? Claro, existem exceções, não irei deturpar a situação e tão pouco generalizá-la. Mas o que antes era visto como amor ao clube, hoje não passa de uma vitrine para sair do seu País.

O que acontece é que cada vez mais cedo os meninos já possuem empresários, empresas que os gerenciam etc. Ou seja, desde cedo são jogadores fatiados. Possuem, por exemplo, 40% do seu passe, mais 10% dos empresários, 20% das empresas e o resto acaba ficando para o clube que o formou. Mas não se pode tapar o sol com a peneira. Sabemos que a situação do futebol brasileiro propicia este pensamento por parte dos jogadores e o oportunismo dos empresários que não se preocupam em cuidar do seu “empregado”, mas sim em vendê-lo o mais rápido possível e ganhar a sua bolada.

É lastimável quando meninos de 15 anos já possuem pré-contratos com clubes europeus. Mal formaram a sua base como pessoa e principalmente a base de atleta e dos seus fundamentos (do futebol) e já são vendidos para clubes de países muitas vezes sem nenhuma tradição no futebol. A copinha nos possibilita grandes gols, belas jogadas e boas promessas. Mas não adianta se iludir e pensar que aquela jóia ficará sob nossos olhares por muito tempo. Há muito interesse por trás disso. Sem  ter quem os aconselhe, são levados pela conversa de irem jogar em um grande centro, receber milhões, etc.

Muitos destes jovens, coitados, são de família pobre e só querem sair da situação deprimente pela qual passa o País (economicamente falando). Não possuem a mínima ideia do que está acontecendo. No final, são vendidos para clubes, por exemplo, do Chipre, Islândia, Holanda e acabam em grandes enrascadas. E, após um ou dois anos por lá, enxergam a real situação e acabam voltando desvalorizados para o Brasil. Seria tão bom acreditar que os clubes tomarão conta dos seus atletas e os mesmos não cairão mais em armadilhas. Mas não se enganem: muitos deles já colocam na cabeça que bom é jogar fora.

Tenho certeza que irei presenciar belas jogadas e grandes gols. No entanto, tenho dentro de mim que cada vez mais a Copinha não é mais uma amostra dos talentos e promessas que serão futuros ídolos em nossos clubes. São apenas pedaços de uma grande pizza que necessita ser vendida para gerar lucro aos milhares de empresários que não estão nem aí para onde os estão levando. Querem apenas engordar a sua conta bancária. É preciso uma intensificação por parte dos clubes e uma maior orientação.

Deixe apenas as nossas promessas jogarem. Vamos fazer, novamente, o futebol brasileiro ser visto como uma oportunidade de virar um ídolo como Zico, Marcos, Rogério Ceni. Os dois últimos, exceções nesse mundo de iguais. Vamos apenas intensificar a frase da música da banda O Rappa: “Eu quero ver gol, eu quero ver gol. Não precisa ser de placa, eu quero ver gol”.

Feliz Ano Novo, leitores!

Por: Raniery Maciel Vítor Medeiros  Em: 02/01/2012. Objetivo: www.LigadosFM.com
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