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27 de mar de 2012

16º Mundo Cão - O Insubstituível


Humor muito além do que se vê e que se pensa a respeito do humor, comédias sem apelos, apego ao óbvio, inocência transvestida de safadeza e personagens que não passam de meros e típicos brasileiros de todos os dias, todos os bares, todas as esquinas. O Brasil não esteve de luto nos últimos três ou quatro dias; estará por um bom tempo, muito tempo.

O pai da comédia brasileira, por assim dizer, nos deixou na ultima sexta-feira, deixando não apenas saudades e lembranças de um passado de muita graça e senso de primeira linha. Mas um vácuo, que dará muito trabalho para ser preenchido.

Não estou menosprezando as revelações dos últimos anos ou os protagonistas contemporâneos da comédia e do humor brasileiro. Tem deles que sabem tocar muito bem o coração das pessoas, sim! Porém, bem diferente daquele cearense de baixa estatura, oriundo de uma família promissora de sua cidade a qual migrara para o Sudeste do país em virtude de dificuldades financeiras, parece que as estrelas de hoje em dia têm pouco a falar, com um certo apelo à baixaria – como se sexo, palavrões e excesso de “infantilismo” fizesse a graça na cabeça das pessoas tal qual o Pantaleão, Nazareno ou Coroné da era da TV analógica – ou coisa do tipo.

Poucos se preocupam em retratar uma realidade cômica de um preguiçoso arrodeado de serviçais ou de um cidadão malandro – o extremo estereótipo que se vê do brasileiro nos quatro cantos do Brasil –, mas ameaças à integridade sexual da mulher do outro, excesso de palavrões, 'xavões', apelos a uma série de barbáries em horário nobre para maiores de 18 anos e menor nenhum assistir ou algo do gênero, isto sim, são as bolas da vez do humor dos últimos dias!

Exibem uma gostosona semi-nua, cantada por vários homens de gravata, de sunga ou esporte fino - como se o biquíni no corpo dela ou as curvas ali presente tivessem alguma graça - e isto traz audiência, todavia, onde está a graça nisto tudo (mais uma vez)?

Falam que o Chico Anysio 'morreu de desgosto', como colocou um colunista de uma revista de circulação nacional... Desgosto, por ter sido esquecido pelos amigos, por aqueles para os quais dedicou apoio, pela grande cúpula responsável por despejar putaria e baixaria na cabeça do povo, como se isto fosse produto de comédia.

A maior graça da comédia está no artista cômico e esnobe, que despreza a presença do diretor e é a grande estrela cobiçada pelos maiores estúdios de gravação da estória, ou no professor mal pago que cuida de um turma homogênea de alunos, do mais inteligente à matuta, do Baltazar ao ‘Armando Volta’ (genial, este nome!), algo fora do normal, cabível ao entendimento de quem tem conhecimento de contexto e dos fatos daquele período ali. Daquele momento histórico, politico, econômico... É humor para gente inteligente ou que ‘torna pessoas inteligentes’!

E não estes que diminuem a cabeça dos telespectadores. Estes, sim, possivelmente deram o maior nó no coração do homem. Não merecem aplausos, porque parecem nunca ter passado pela Escolinha do Professor Raimundo... A maior escola do humor e da comédia brasileira chama-se Chico Anysio.

Mais de 200 personagens, mais de mil histórias, mais de meia década de trajetória, um humorista desta linha sabe fazer graça melhor do que qualquer jornalista, ator ou escritor de linha. Ele reúne estas três atribuições e as soma às de humorista e comediante melhor do que ninguém! É um verdadeiro cientista da arte de fazer pessoas rirem e saírem de suas rotinas.

Confesso que, quando ligo a minha TV nas noites de sábado ou nas tardes de domingo, sinto-me longe das minhas preocupações por poucos minutos... Apenas. Só. E, depois, tudo volta! Algumas horas do meu ultimo final de semana, as quais dediquei para ver alguns vídeos de programas e quadros do Chico Anysio, d’Os Trapalhões ou do Chaves, no You Tube, fizeram toda a diferença! Justo quando acreditei que a comédia e o humor, os quais cresci assistindo e faziam-me rir, não passavam de meras obras do passado que, hoje em dia, já não surtiam mais o mesmo efeito...

Momentos como este, apreciar obras como estas, protagonistas como estes são insubstituíveis. Como já dizia o cearense que deu rosto às caras e bocas do brasileiro típico dos quatro cantos, “No humor, todos nós somos insubstituíveis”. E o são, mesmo.

Porque a verdadeira graça eterniza-se no primeiro sorriso estampado no rosto de qualquer data.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 27/03/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

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