2ª Criticando Cinema: Amélie Poulain e a fabulosa mágica de transformar o cotidiano em poesia.

Depois que um filme Francês (O Artista) foi à sensação no Oscar esse ano, eu lembrei de outro filme que foi sensação em 2001 “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” e é sobre ele que eu vou falar hoje.

Sinopse: O filme conta a história de Amélie, uma menina que cresceu isolada das outras crianças. Isso porque seu pai achava que Amélie possuía uma anomalia no coração, já que este batia muito rápido durante os exames mensais que o pai fazia na menina. Na verdade, Amélie ficava nervosa com este raro contato físico com o pai. Por isso, e somente por isso, seu coração batia mais rápido que o normal. Seus pais, então, privaram a pequena de frequentar escola e ter contato com outras crianças. Com sua infância solitária e a morte prematura de sua mãe influenciaram fortemente o desenvolvimento de Amélie e a forma como ela se relacionava com as pessoas e com o mundo depois de adulta.

Enredo: O filme gira em torno de uma caixinha que Amélie encontra com brinquedos e figurinhas pertencentes ao antigo morador do apartamento onde ela mora. Amélie decide procurar e entregar o pertence ao seu dono. Ao notar que ele chora de alegria ao reaver o seus antigos objeto, a moça fica impressionada e remodela sua visão do mundo.A partir de então, Amélie se engaja na realização de pequenos gestos a fim de ajudar e tornar mais felizes as pessoas ao seu redor. Ela ganha aí um novo sentido para sua existência. Em uma destas pequenas grandes ações ela encontra um homem por quem se apaixona à primeira vista. E então seu destino muda para sempre.

Resenha: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain me fez um grande bem! Pois, na época eu estava bastante depressivo (Noronha faz isso mesmo), me sentindo com o ânimo no zero e ao assistir esse filme, nossa... Me animei demais! Ele é divertido, e tem uma fotografia linda, perpetuando o sabor francês que a obra possui e traz uma mensagem de vida incrível.

O filme se inicia de uma forma bem diferente e engraçada, do jeito que eu gosto... Começa dizendo assim: “3 de Setembro de 1973, às 18 horas 28 minutos e 32 segundos, uma mosca pousava na rua tal... Enquanto a toalha de mesa do restaurante tal balançava, no apartamento da avenida tal o Sr. Fulano riscava um nome de sua agenda... E no mesmo instante nascia Amélie Poulain”. Vocês podem ver esse inicio no vídeo abaixo:



Em vários pontos do filme, o mesmo jogo espaço-temporal é feito e eu achei isso genial!! Logo depois, o narrador descreve algumas características peculiares dos pais dela. No decorrer da história o narrador nos mostra um pouco do cotidiano da protagonista e descreve algumas pessoas pertencentes ao ciclo social da Amélie (Tem cada figura!! rs). A história é contada de forma a parecer que o destino da protagonista é possível e só está a sua espera. Isso, devido ao imenso valor que é dado aos pequenos detalhes, tornando momentos banais do cotidiano extremamente intensos. A cada cena se redescobre o segredo de Amélie Poulain: a beleza e poesia com que as coisas corriqueiras são tratadas.

A vida aqui, em cada mínimo detalhe, é inevitavelmente fabulosa. A própria narração tem sempre um tom de aventura fantástica, como se algo emocionante, não importa o quão pequeno seja, pudesse acontecer a qualquer momento.O filme se configura na fórmula de um conto, e talvez seja por isso, que a obra encanta e nos permite imaginar, e imaginar, assim como Amelie imagina. É muito bom descobrir que nos envolvemos tanto com o filme que chegamos a ponto de nos sentir próximos aos acontecimentos da trama. O filme tem a direção de Jean-Pierre Jeunet, e o enredo é uma junção de histórias que ele acumulou durante 25 anos.

A princípio, o título seria Amélie das Abesses, uma praça de Paris. O título verdadeiramente escolhido foi encontrado em um catálogo de filmes antigos, a partir de uma obra de Sacha Guitry intitulada “O Fabuloso Destino de Desirée”. Mas uma única recorrente e inevitável palavra já definem com perfeição essa deliciosa obra francesa: Fabulosa!

E agora com a sua licença vou transformar o meu cotidiano em poesia, no momento em que eu terminei de escrever esse texto:

“Estamos na madrugadade 27 de fevereiro de 2012. São exatamente 2:30 da manhã. Meu priminho Dalton dorme com um sorriso-desenho no quarto dele. As árvores da minha rua dançam ao som do delicado vento de um dia passado com chuva, no mesmo instante que em algum canto da cidade alguém come uma pizza, ao mesmo tempo em que descobre a relação dele-seu-dente-e-o-queijo, enquanto isso, algumas pessoas desfrutam a noite de sono lá na praia da conceição em Fernando de Noronha. A temperatura e a umidade é suficientemente agradáveis em relação à pressão atmosférica, e hoje será um dia lindo.”



Até o proximo Criticando Cinema...


Por: Anderson Ricardo da Silva
Em: 02/03/2012
Objetivo: www. LigadosFM.com



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