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2 de abr de 2012

1ª História Mal Contada - A Lagosta de Guerra

Saudações amantes de história! Como têm passado? Bem... Eu tive uma experiência um tanto curiosa nesses últimos dias e gostaria de compartilhar com todos vocês. Então, sentem na cadeira. Sim, nessas mesmas do meu lado, tenho algo novo para lhes contar.
Certo dia, estava vivendo um existencial ócio no fim de tarde quando avistei, repentinamente, um ser um tanto curioso nas areias da praia. Tratava-se de um crustáceo, com um exoesqueleto bastante protuberante e ligeiramente avermelhado. Possuía em torno de cinco pares de pernas e nas pontas umas pequenas garras. Mas, elas não pareciam me ameaçar. Observei que tal ser possuía antenas, então, aproveitei para poder lançar alguma base de comunicação.
Mal pude saudar o então ser e já fui surpreendido com uma afirmativa:
- "Definitivamente, você nunca gostaria de ser como eu!".
Oras! Jamais tinha passado em minha mente ser como tal ser esquisito. Então ele continuou:
"-Calma, calma, eu sei que você nunca pensou isso. Era somente para constatar." Nesse momento, suas patas deitaram sobre a areia, somente ficando de pé as antenas. Fui para mais próximo de tal melancólico ser. Ao lado dele sentei, para melhor ouvir a história que ele tinha para contar.
- Já nadei por todos esses sete mares... Vi coisas abissais e das mais profundas. Meu drama começa já no meu crescimento, tenho que em várias etapas, romper com essa dura carapaça. Você tem um esqueleto próprio, não sabe o sofrimento que é para eu conseguir crescer, me livrando dessa carapaça..".
Enquanto o crustáceo falava, eu permanecia meio perplexo. Este era o primeiro animal existencialista e pessimista que conheci na minha vida....
-"Pare de pensar em outras coisas e preste atenção no que eu estou dizendo!" Advertiu o animal. Notei que nossa comunicação se dava por uma espécie de mentalização telepática.
- "Sim! é isso mesmo, por isso eu tenho antenas! - continuou o bicho. "Espero que agora me deixe prosseguir na história!" Fiz as minhas apologias e ele continuou.
- "Além dessa vida difícil... Seres da sua espécie, sim, você mesmo que esta me ouvindo, adoram se alimentar de mim. Sou um prato considerado de elite para sua espécie. Sou tão valioso que eu fui a causa de guerras...."
-Nossa! exclamei. Conte-me mais sobre isso.
"Era um país desimportante. Estava lá no fundo do mar, quando uns navios estavam quase me pescando. De repente, quando eu já estava preso nas redes, chegou outro navio. Ambos falavam idiomas diferentes, por isso demorou um tempo para que entendesse o que se passava. O barco que estava querendo me pescar era um francês, porém eu estava num território de uma terra chamada Brasil. Os franceses diziam que poderia me pescar, porque eu nadava em águas internacionais. Mas os marinheiros brasileiros diziam que não era minha característica nadar, mas dava pulinhos. Para isso, saltava da plataforma continental do país tupiniquim. Então, minha pesca teria sido uma afronta à soberania nacional do Brasil.
- Nossa que confusão você criou...
-Eu não criei confusão nenhuma, os humanos criaram. Não tenho culpa se eles não conseguem saber se nado ou pulo oras. Dai, mobilizaram tropas e ficaram em longas discussões sobre isso. Até mesmo o embaixador do Brasil na França na época disse que o Brasil não era um país sério. Acho que essa foi a maior verdade de toda essa confusão. E no fim, deram causa ganha para o Brasil. Durante a discussão deles, aproveitei para fugir, aos meus "pulinhos" como diria o almirante do Brasil. Bem... Desde então, com esse novo conceito a meu respeito, passei a andar assim... Ops! Perdão! "Pular" assim, meio existencialista com a vida. Como uma crise de identidade...
-Nossa, isso me parece fazer bastante tempo...
- Sim... Foi em 1961, durante o governo de um cara que foi retirado por militares. Uns chamavam ele de João Goulart, outros só por Jango...
- Nossa, você é bem velho...
-Sim, acho que estou bastante velho, ainda mais tendo sobrevivido a tudo isso,sendo a lagosta que girou sobre esse conflito me fez ter meus 15 minutos de fama. Hoje, não sei se pulo ou se nado... As vezes até ando.... Nunca consegui provar para mim mesmo isso. Acho que prefiro morrer nessa dúvida. Jamais gostaria de ter que, no fim da vida, assumir a postura de um canguru. Já estou velho e na hora de morrer. Mas, sabe o que é mais engraçado disso tudo?
- O quê?
- Os outrora inimigos agora estão amigos. O Brasil está comprando aviões de guerra da França. Ironia do destino, não acha? Quase se atacaram uns anos atrás, e agora, o inimigo compra armas do seu antigo agressor. Acho que agora os franceses entenderam que a coisa mais lucrativa não nada nem pula... Voa....
Enquanto dizia suas últimas palavras, a lagosta ia sendo levada pelas ondas do mar e entre as espumas das águas salgadas, parecia levantar um voo, não para os céus, mas para o fundo do mar...
Autor: Douglas Cavalheiro
criação: 02/04/2012
objetivo: www.ligadosfm.com
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