18º Mundo Cão - O Preço é Justo!

Parece que a arte e a cultura não está para o potiguar tal qual se dispõe para brasileiros de outras origens, a começar pelo preço dos ingressos para shows e apresentações de artistas de todas as naturezas, até os de nossa conterraneidade – já que o direito ao acesso à cultura e ao patrimônio histórico, por aqui, é algo nada público.

A exemplo do ultimo show do Gilberto Gil, cujo ingresso custou a honraria de pouco mais de R$ 30,00 em solo pessoense, em Natal, um dia após, custava o dobro deste valor nas promoções do site Peixe Urbano, com lá 50% de desconto... Por quê? O que tem de mais pagar R$ 100,00, R$ 160,00, R$ 250,00 pela entrada de um concerto de ponta de um dos maiores artistas da história deste país?

Nada, desde que a média dos ganhos do trabalhador, no plano local, torne coerente o seu acesso a um evento desta natureza, o que não convém com a realidade natalense, com uma das piores médias salarias de todo o território nacional. Temos uma das mais caras medias de preço de entrada em eventos de natureza artística e cultural do país.

É como se Carnatal, shows e concertos nas nossas arenas e teatros e até eventos de perfil alternativo não o fossem concebidos para o natalense. Talvez, para um público mais exótico, de olhos claros, pele alva igual a neve, que teve pouco contato com sol forte e salgado, ou por alguém que não fale o português com nosso sotaque. É! A realidade local, até agora, não deu o seu norte a respeito do porquê ser tão caro sair de casa em Natal...

Lembro que há 08 anos paguei nada mais do que R$ 30,00 por um par de entradas para um dos dias do finado MADA; há 07 anos, não foi diferente e há 06, apesar da escassês emergente de opções de cultura e lazer por aqui, a realidade não o fora assim tão diferente.

Lembro que poucos eram os estabelecimentos que cobravam a taxa simbólica referente ao “Couvert Artístico”. Hoje, o preço o qual se paga não corresponde ao mínimo justo nos quesitos “Qualidade de Atendimento”, “Disponibilidade”, “Operacionalidade”, “Variedade”, e “Estrutura Apropriada”.

Pagamos hoje uma média que varia entre R$ 20,00 e R$ 30,00 (às vezes R$ 50,00), somente na aquisição de um ingresso que dá direito à entrada em um ‘pub’ médio daqui da capital, para ficarmos “até a hora que quisermos” – desde que o nosso desejo de permanência não passe das 02hs da manhã ou antes disto. Estamos em Natal e o que nos resta é ter que adquirir uma entrada pela mesma bagatela nos shows de forró e de música baiana...

Se pararmos para analisar, o que se paga em eventos de pequeno porte e de baixo custo na capital potiguar está exatamente de acordo com os de grande porte realizados em cidades vizinhas, a exemplo de Fortaleza e Recife (cidades bem maiores); os de abrangência ainda maior não vão tão longe assim: Rock in Rio, Lollapalooza, concertos do Roger Waiter, U2, Pearl Jam e até grandes apresentações de orquestras internacionais com turnê exclusiva nos cenários paulistano e carioca. Mas, por que, se estamos em Natal?

Minha intenção não é ser covarde o suficiente, a ponto de colocar João Pessoa como exemplo (até por que, nesta ultima, maravilhosa, por sinal, o clarão do brilho do seu festival de verão deu vertigem nos olhos de qualquer natalense, que amarga um ano inteiro de morbideza e escuridão noturna, recreativa e cultural), mas é difícil de acreditar que 160 kilômetros, tão curta esta distância em termos geográficos, mostra-se um verdadeiro abismo em termos de opção, acesso e diiversidade. Natal é a mais incompetente das 09 irmãs nordestinas, no que diz respeito ao acesso e à oferta de cultura acessível para o seu povo.

As justificativas são das mais diversas. Do custo de manutenção e aluguel das casas de espetáculo à pouca demanda, por parte da população, aos eventos promovidos na cidade (argumento o qual não se configura com a realidade, já que os shows realizados nos nossos mais variados espaços destinados a espetáculos têm atingido recordes de público com o esgotamento de todas as cadeiras), é como se de uma hora para outra Natal tornou-se uma verdadeira zona de perigo para a promoção de eventos. Ou uma mina de ouro... Isto, sem falar na pobreza absoluta no que diz respeito à promoção de espetáculos abertos ao público.

É, parece que domingo não é, mesmo, dia de natalense ir para praça nenhuma (nem aquela lá do pátio da Inter TV Cabugi), muito menos ser um Domingo Melhor em um bosque ocupado por várias mangueiras! Já que nos resumimos a algumas sextas-feiras ou sábados ocasionais...

Quem sou eu para questionar esses caprichos todos da realidade cultural natalense, senão, um próprio natalense?

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 10/04/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 17º Mundo Cão - A Arte de Ser do Contra
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