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3 de mai de 2012

3ª História Mal-Contada: Uma Jornada Abissal

Olá queridos leitores, como vocês estão? Ei irei continuar minha história de onde parei, sem procrastinações, sente-se no primeiro banco que virem, também vale se for o chão.

-Claro que você pode vir! - Disse o Antonio Cary. Então, levantei- me das areias e comecei a segui-lo até o curioso e estranho meio de transporte subaquático.

Fechamos a escotilha e entramos em processo de submersão, Cary tomou as direções, girava roldanas, apertava botões na sua direita, e puxava alavancas que estavam em cima de sua cabeça. Fazia tudo numa habilidade veloz, como de alguém que sempre fez isso. Cada vez mais, íamos descendo e nos locomovíamos numa rápida velocidade para as profundezas. Em frente a as direções que Cary fazia seus comandos, um enorme painel de vidro transparente se apresentava em nossa frente. Numa cortina de escuridão penetrávamos e com as luzes rasgávamos o véu das escuras águas abissais. Cardumes de peixes apareciam de diversos tipos, animais estranhos que eu nunca tinha visto, além da antiga amiga lagosta.

- Por favor, aperte esse botão vermelho que está piscando! - ordenou Cary
-Esse na minha esquerda? - indiquei, tendo uma resposta um balançar de cabeça com muita má vontade e uma relativa raiva.

- Pronto, agora estamos no modo automático. Já dei as coordenadas. Contudo, deixarei você no meio do caminho... Espero que o comando da base nunca saiba que usei o submarino do batalhão para ficar dando carona a estranhos. - Virou Cary com a  face portando uma relativa preocupação.

- Tudo bem, em qualquer lugar que o senhor me deixar eu estarei bem acomodado...

-Ótimo! Vamos dar uma volta, enquanto não chegamos no nosso destino. - Apontou Cary para uma escada que levava para baixo e nos deixava mais próximo do grande vidro frontal que dava para que nós víssemos todo o mundo aquático.

- Olha, o que é aquilo ali? - apontei para um objeto desconhecido que não parecia peixe, mas nadava entre eles.

- Aquilo é um submarino amarelo, as vezes encontro eles navegando por aqui...

- Nossa, quem comanda aquele submarino?

- Um grupo de músicos que pilotam aquele submarino. Saem pelo mundo tocando suas canções. Poucos sabem, mas eles possuem um guru indiano chamado Maharishi Mahesh Yogi responsável por toda essa onda psicodélica que eles entraram, encabeçando as contraculturas da década de 60. Eles lançaram um álbum que inspirou um dos maiores psicopatas desse século...

-Nossa! Como isso aconteceu? - indaguei

- Quando os músicos do submarino amarelo lançaram o Álbum Branco em 1968, pouco depois de ter visitando seu guru indiano. Charles Manson, que tinha um grupo de seguidores conhecidos como integrantes da Família Manson, afirmou que os Beatles eram os quatro anjos do apocalipse e que nessas canções desses álbum havia mensagens subliminar sobre o apocalipse que haveria em poucos momentos. Manson acreditava ter descodificado a canção Helter Skelter afirmando que esta tratava-se de conflitos raciais que estavam acontecendo nos EUA nessa mesma época. Crescentes ondas de movimentos negros se organizando defendendo a supremacia negra e do outro lado movimentos em pró da supremacia branca. Manson profetizou que no mesmo ano Martin Luther King Jr. seria assassinado. Tal conjuntura de fatos, Manson ganhou o maior titulo de profeta. Então, começaram sem plano macabro...

- O que eles fizeram?

-Resolveram adiantar o cataclismo da guerra racial. Em 1969, planejaram entrar na casa de brancos matando, colocando a culpa dos crimes nos negros. Então, invadiram a casa de um famoso diretor de filmes da época: Roman Polanski. Na hora não se encontrava em casa, somente sua esposa grávida. Eles mataram ela e pintaram com seu sangue nas paredes o lema: Helter Skelter. O objetivo depois de se esconder numa fazenda que o grupo possuía na região da Califórnia em Spahn Ranch. Todos ficariam escondidos em poços esperando todo o apocalipse acontecer e sobreviver a grande guerra racial, para depois repovoar a terra.

-Nossa que cruel! E o que se passou depois?

-A maioria dos integrantes do crime eram mulheres. Prenderam todas. Manson já tinha passagem em outros crimes, mas nesse não estava presente. Foi condenado a morte, contudo, mudaram a penalidade para prisão perpétua. Engraçado, que na época mesmo ele disse que não morreria e ele encontra-se vivo até hoje e da prisão coordena as ações da Família Manson. Com o principal objetivo de espalhar a ideologia do ATWA, que vem significa Air, Tree Water and Animals. Traduzindo: Ar, Árvores, Água e Animais.

-No que se baseia essa ideologia do Manson?

-No total ódio a humanidade, eles odeiam tudo que o homem fez e construiu, colocam ele como o mal do mundo e todas as coisas como o ar, árvores, água e animais são destruídas porque o homem é ruim. O título da ideologia já virou nome de outras canções por outros músicos. A organização tem vínculos de informação na internet. Em 2009 chegaram até países tropicais como o Brasil. Dizem os organizadores que têm ligações diretos com o Manson na prisão.

- Que terrível! E, o que houve ao diretor?

- Ele disse que nunca mais foi o mesmo, que esse assassinato da mulher dele foi um divisor de águas na vida dele... Depois disso, ele foi acusado e confessou o crime de ter abusado menores de 13 anos de idade...

- Assustador... e o que aconteceu aos músicos do submarino amarelo?

-Desintegraram... metade morreu. Um de câncer e o outro que tinha dito ser mais famoso que Jesus Cristo terminou assassinado em 1980. Atualmente só um pilota esse submarino, sozinho, o outro está sumido pelo mundo, não sei por onde ele anda agora... Mas esse que pilota o submarino esta cantando pelos cantos ainda e ironicamente, pela direção que ele toma, parece que vai fazer um show pelas terras tropicais de povos tupiniquins.

-Que coisa, não sabia que um submarino amarelo que acabou de passar pelas nossas retinas tenha gerado tanta história...

-É, e agora sinto muito ter que afirmar mas sua linha termina aqui...

-Já?

-Sim, pegue a roupa minha de mergulho, vou dizer ao alto comando que pedir ela. Nade em direção ao sul, vai chegar no litoral...

-E tu vais para muito longe?

Cary já tinha começado a subir os primeiros degraus da escadaria para retomar aos pontos de comando da nave, quando virou com um sorriso meio fadigado, que se sentia pela velocidade de sua respiração de suas narinas:

- Vou encontrar um velho conhecido no maelstrom. Por isso, ainda estou longe, ainda vou navegar por mais vinte mil léguas submarinas...

Autor: Douglas Cavalheiro
Criação: 03/05/2012
Objetivo: www.ligadosfm.com
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