26º Mundo Cão - Será que Inovar é Preciso, de Verdade? (EDIÇÃO ESPECIAL SOBRE A FEIRA INTERNACIONAL DE GAMES, "E3")

De olho na ultima E3, que começa hoje em Los Angeles, nos EUA, e nos rumores lançados pela grande mídia on line, acerca de novidades e dos resultados alcançados pela indústria de games nos últimos anos, a maior feira do mundo no ramo foi aberta com novidades extraordinárias que polarizaram as opiniões nas redes sociais e nos blogs que tratam do tema "GAMES", espalhados pela net. É como se eu já tivesse assistido a este filme em alguma Sessão da Tarde da vida, mas, parece que os erros do passado vêm à tona como soluções ousadas - e cairão em um elo perdido, a água dos burros n'água -, assim como as soluções ousadas mostraram-se pautadas nos erros do mesmo passado.

A SONY tenta dar vida longa ao quase morto PS Move; a Microsoft surpreende com o seu Smartglass, software o qual, instalado em Smartphones e Tablets de qualquer marca, proporciona conectividade entre eles e o Xbox 360! A SONY com o seu PS Vita, obriga o usuário a comprar o mesmo jogo duas vezes, uma versão para cada plataforma, para que o Vita transforme-se em um joystick touch screen para PS3 ou em uma extensão de hardware, o qual permita ao gamer dar continuidade à sua trajetória no jogo sem ter que estar dentro de casa e na frente da TV. Pode ser no ônibus, indo ao trabalho, no metrô ou em uma viagem, bastando, contudo, ter um PS3, um PS Vita e o mesmo game para ambas as plataformas! A Nintendo traz o Wii U, as inovações de sempre e a exclusividade Nintendo de que todo mundo conhece; a SONY não pensa, de novo, no custo de sua ousadia para o usuário final...

A já adiantada Nintendo, com o seu Wii U e o seu Joystick para lá de Tablet, mais uma vez, puxa o mercado com sua corda. Já a Microsoft, apesar de parecer não ter demandado grandes esforços, trouxe a novidade que torna interativa a relação entre um dispositivo móvel com Windows 8 instalado e o Xbox 360. E quanto à SONY?

Enquanto que as propostas da Microsoft e Nintendo mostram-se suficientemente capazes de peitarem-se entre si, só que menos onerosas para ambas e mais democráticas para o consumidor final, a conferência de abertura da SONY, ontem, pareceu ter esquecido do seu bem sucedido PDA (acessório com parecida proposta de integração na qual se vê entre PS3 e Vita), nos tempos do Tamagotchi, lá nos idos de 1997, e deixou de inovar, mais uma vez...

O mundo, hoje, gira bem mais em torno de tendências do que do próprio sol. Em termos de Hardware, não há o se que esperar da Nintendo: um lançamento mais modesto de uma plataforma capaz de competir em pé de quase igualdade com os gigantes da concorrência. Veja bem, o importante é proporcionar conectividade e inovações de ponta ao usuário e, nisto, a Nintendo esnoba. Uma rede social dedicada aos usuários de sua nova plataforma, uma nova maneira de jogar, copiada por Microsoft (Kinect, em partes...) e SONY (PS Move), como mencionei anteriormente, e uma plataforma (pode ter certeza) de facílima programação - fato muito comum em todos os outros hardwares lançados pela gigante japonesa tempos atrás, o que acelera o processo de construção dos games e reduz o custo de produção dos mesmos. Trajeto bem manjada, que a SONY decidiu pela burrada de seguir pelo caminho inverso...

Estratégia, sobrevivência, o óbvio! Eis o Mundo Cão: a SONY tornou-se líder montada, justamente, nos erros de sua principal concorrente, ainda na década de 1990. Enquanto que o seu PSOne avançava na corrida pela liderança, com baixo custo, economia de escala e hardware que ajudava às produtoras a lançarem uma grande quantidade de títulos aos usuários finais com o mínimo de tempo investido (pois, programar para o Playstation, além de menos custoso, era mais fácil e mais viável do que fazê-lo para plataformas de outras empresas), o segundo colocado desta disputa áurea exigia o dobro do tempo, o dobro dos gastos, além de deter apenas a metade do mercado 'Sonista'; nas prateleiras, o mesmo PSOne conseguia ser 50% mais barato. Poder de processamento não era o forte da SONY, tanto que o seu produto não era o mais sofisticado... E o pior é que continua não sendo...

O PS3 é um videogame de difícil programação, caro para o usuário final e custoso para a própria SONY, assim como para os desenvolvedores das franquias. Além de games graficamente inferiores, repletos de legs e com quebras de polígonos na tela (ou seja, o contrário do que se via quando a SONY, com um hardware inferior, frente à concorrência, consolidava-se como a nova promessa), o PS3 peca em interatividade; não se interage com o mundo on line que está do lado de fora dos muros da PS Network...

Ela (a SONY), agora, na E3, foi que veio tocar no assunto de oferecer aos seus usuários a possibilidade de contratar um serviço que lhes disponibilize atrativos surpreendentes, como a possibilidade de baixar  músicas, traillers de filmes e games exclusivos sem custos adicionais ou com exclusividade. Em outras palavras, orientação para o cliente. O Xbox 360 possibilita isto há anos, conectividade on line e exclusividades para assinantes.

Sabe, resta torcer para que a Playstation Mobile e a parceria com a gigante fabricante de celulares HTC dê certo e a SONY consiga o seu cantinho ao sol na empreitada mobile! Porque, segundo os rumores da grande mídia on line, uma das três grandes fabricantes de hardware da atualidade descontinuará sua participação no ramo e, dentre os motivos, estão a falta de perspectiva de mercado e a insustentabilidade financeira (bem parecido com o que aconteceu com a finada SEGA do ramo de hardwares). Sabe-se que não se trata da Nintendo, já que anunciou o lançamento do seu Wii U e promete mostrá-lo hoje na E3, nem da Microsoft, pois se mantém firme na briga pela liderança do mercado de plataformas.

Ainda há dúvidas de que esta praga já tem o seu destino certo, sobre aquela que, há 03 anos, amarga prejuízos que se acumulam em mais de 01 bilhão de dólares, que mais copia o sucesso da concorrência do que inova e que não proporciona nada além do mais do mesmo que todo mundo já sabe ou, se não sabe, desconfia? Inovação, coerência e originalidade são as qualidades que derrubam, na força, aquele que parece ser mais forte. O Mundo muda a cada instante em que alguém insiste em apertar na mesma tecla!

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 05/06/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

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