33º Mundo Cão - Quase tudo NÃO é por acaso

Por acaso, "deparei-me com um vazamento no meu banheiro; por acaso, o gás acabou; por acaso, a bateria do meu carro descarregou; por acaso, a pia da cozinha resolveu entupir; por acaso, cheguei atrasado e não consegui entregar o meu trabalho". Por acaso, as coisas não deixam de acontecer, acontecem em função da nossa participação e responsabilidade, direta ou indiretamente.

NADA acontece por acaso. Fatos o são construídos por pessoas e pelo modo como elas fazem o seu cotidiano. E, por bem ou por mal, elas, pelo menos, têm culpa no cartório. Diferentemente do acaso, um mero substantivo que tem servido de justificativa pobre para salvá-las de julgamentos, penalizações e até das consequências dos próprios atos.

Uma oportunidade que passa, uma gastrite ou a conta de luz cara do fim do mês não acometem a vida de um cidadão da noite para o dia, ceteris paribus. Ainda que obstante da obrigação caduca de ter que controlar isto tudo, pois o dia-a-dia é repleto de problemas e obrigações "maiores" do que a mera preocupação com o stand by da TV ou com os minutos a mais debaixo do chuveiro elétrico, a encanação de nossas casas necessita de revisão e manutenção, assim como a bateria de qualquer carro ou moto tem seu prazo de validade.

Não adianta colocar a culpa no 'acaso'. Tudo o que nos acomete, de alguma forma, é culpa nossa ou é fruto, resultado, daquilo que buscamos ou cativamos. Isto, em sua forma, ser e essência.

O que muito se vê por aí são pessoas se lamentando por algum acometido. Pelo desemprego, pelas notas baixas na faculdade, pela falta de oportunidade ou pelo insucesso. Tudo isto requer um esforço contrário, caso o desejo o seja de mudança em sua condição. O melhor desempregado é aquele que acorda cedo no outro dia e sai de casa para distribuir currículos nas empresas; o melhor estudante é aquele que estuda fazendo jus ao peso de sua responsabilidade como tal; o melhor dos que bem se sucedem na vida é aquele que trabalha!

Tem um dito chinês, mencionado por Malcolm Gladwell em seu livro "Outliers", que diz que "Quem levanta antes do amanhecer nunca deixa de enriquecer a família". Talvez, isto deixe de fazer sentido nas famílias ricas de fato, porém, em algum instante de sua consolidação e da formação de sua riqueza, alguém teve que por em prática estas palavras, descritas neste provérbio chinês.

Os fatos acontecem e não se fazem por acaso. Em se tratando de consequências de alguma causa duvidosa ou "fora do eixo", a melhor atitude que um ser humano pode tomar é, primeiramente, entender que a vida não pára nem pede descanso neste exato instante - do contrário, isto pode ser mais uma causa para consequências ainda mais desastrosas lá na frente. Chorar ou amargurar a derrota ou o insucesso é tão comum quanto de direito de qualquer humano que venha passar por isto; viver disto é retrocesso.

Eis o "q" da questão! Sucesso é muito mais do que trabalho. Tem que ter um 'árduo' antes dele e proatividade da parte de quem sofrerá por suas causas (e não consequências, pois quem trabalha usufrui de resultados); e alguém TEM que agir.

Viver de esperanças, de pensamentos positivos e de 'tomaras' somente leva ao destino de ter que crer em alguma coisa, depois da besteira feita (ou que deixara de ser concebida, muito provavelmente), como única saída para o desespero nas horas de sofrimento e remorso. Não adianta apegar-se à livros de autoajuda e à desgraças alheias, compartilhadas, como momento de reflexão ou de motivação para crer que tudo ficará bem, no fim das contas; compartilhar da própria fossa com o próximo faz parte, contudo, não pode se transformar em rotina.

Sucesso e fracasso, quando vindos, não o são obras puramente do acaso, todavia, da falta ou do excesso de ação, visão e responsabilidade.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 24/07/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

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