36º Mundo Cão - Ensaio Sobre Responsabilidade

Estabeleça prioridades. Uma vida sem norte, objetivos e metas não tem o mínimo sentido e isto é possível de ver no dia-a-dia de pessoas comuns às nossas rotinas, pessoas que encontramos casualmente nos corredores dos shoppings centers e que respondem sempre a mesma coisa logo que perguntamos como elas estão.

As pessoas sem prioridades não refletem sobre a vida e sobre o que querem para si; elas vivem um dia de cada vez, sem levar em conta os dias que virão pela frente, que um dia terão responsabilidades sobre si mesmas, que responderão pelos próprios atos e pagarão na mesma moeda os erros cometidos no passado. Falo aqui de pessoas sem compromisso com seu próximo, com seus sócios, seus grupos; tratam-se de cidadãos sem cortejo à cultura do contrato.

É isto o que queres para a sua vida ou são essas as pessoas que queres como sua companhia? Não é tarde para falar de Vigotsky e sua afirmação de que "o meio transforma o indivíduo"! O fato é que, de verdade, nossas companhias interferem diretamente no nosso comportamento, nas nossas escolhas, preferências e, sobretudo, no modo como encaramos a vida.

Cuidado! Temos o direito ao sono, à despertar tarde da manhã alguns dias por semana (por isto, o final de semana), ao merecido passeio das tardes de sábado ou à praia nas manhãs de domingo. Porém, responsabilidade e vida não se limitam à sombra e água fresca.

Para falar a verdade, a responsabilidade deve vir antes de uma rede armada na varanda! A primeira coisa que devemos nos ater é à importância de se acordar cedo durante a semana, pelo menos entre as segundas e sextas-feiras. Para isto, contudo, devemos tomar cuidado com o horário o qual nos deitamos, a nossa dieta noturna e quantas horas por noite de sono dormimos.

Cada hora que desperdiçamos dormindo a mais durante o dia é uma fração de tempo que se transforma em perda irreversível. Aliás, uma noite mal dormida de sono é paga com baixo rendimento no trabalho no dia seguinte, indisposição, imprecisão e desatenção, ou seja, exatamente a receita para que tudo continue a dar errado.

Mas, vem cá! Por que então há pessoas despreocupadas com isto, que aproveitam como querem a noite na balada e trabalham do mesmo jeito que nós no dia seguinte? É bom tomar cuidado e ser um pouco mais observador quanto a isto. Geralmente, as pessoas com este tipo de comportamento contribuem com a alta rotatividade nos postos de trabalho das empresas, exercem funções de baixo valor agregado e especializam-se menos, adotando um perfil reativo quanto ao seu crescimento profissional (e, consequentemente, pessoal).

Há pessoas que trabalham muito, especializam-se muito e dormem pouco, todavia, é bom ter atenção quanto ao emprego do seu sono! Elas deixam de dormir para atender às demandas do seu trabalho e de suas obrigações, ou seja, das suas demandas por crescimento e realização. Ou seja, elas "pegaram o ritmo da coisa", como dizem por aí, e mantiveram o seu foco no sucesso de suas atividades, muito diferentemente da ocasião de largarem tudo e irem para a balada.

Todo esforço é dolorido e não existe sucesso sem sacrifício e dedicação. Não falo aqui das idas ao Domingão do Faustão ou das possíveis tardes de autógrafos na praça do centro da cidade. Falo, sim, da independência, seja ela financeira ou moral (uma, consequência da outra), da capacidade de auto sustentar-se e de poder angariar qualquer que seja a aquisição de valor. Pode ser um carro novo, uma casa ou um pacote de viagens. O que interessa é que todo esforço rumo ao sucesso o é canalizado para a nossa realização pessoal (o mais importante disto tudo)!

Tornar-se uma referência no ramo que decidiu trabalhar, adquirir a confiança e o crédito das pessoas, da família ao superior imediato no trabalho, ser convidado para integrar-se a um grupo, compartilhar experiências ou vender sua força em prol do bem de algo ou de alguém são, sim, objetivos. As metas são números e datas e as formas são os caminhos que se deve percorrer.

Simples! "Diga-me quando, quanto queres e lhes direi como fazer"! Estes dias, estava lendo um livro que fala sobre Tipping Point (Ponto da Virada, bem diferente do vendido Turning Point ou Ponto da Reviravolta) e o modo como ele acontece na vida das pessoas, de grupos, empresas, governos, bandas de Rock, etc. O que ele (o livro) deixa mais claro quanto ao Tipping Point é que se trata de um objetivo lacunal, na verdade, um desejo de realização o qual necessita de metas para ser consumado, ao mesmo tempo em que exige a presença de vários eventos precedentes, interseptos, os quais colaboram diretamente com a sua realização.

O mais interessante é que o Tipping Point necessita inclusivamente da ação do seu maior interessado e que este tem que contar com a colaboração de agentes externos com capacidade de agir e influenciar. Colocando esta ideia no pensamento comum a respeito de pessoas, temos um objetivo que exige metas para tornar-se objetivo; e para que ele se torne verdade, necessitamos da compreensão daqueles que nos rodeiam, até de uma mão amiga, caso o for, e de um comportamento nada interventivo que venha a ocasionar em um resultado negativo.

Em outras palavras, lembra daquela conversa toda que os nossos pais tinham com a gente quando não concordavam com a companhia de um amiguinho da vizinhança ou da escola, do namorado ou da namorada nada adequados ao nosso perfil e dos programas de TV que assistíamos? Pois é, eles tinham razão!

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 14/08/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

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