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11 de set de 2012

40º Mundo Cão - Um Liquida Liquidado...

Uma semana. Este foi o tempo que durou o momento o qual o comercio varejista natalense vende como sendo a obra-prima para estimular as vendas e o crescimento da economia local durante o ano contábil, o Liquida Natal. Impulsiona o consumo, viabiliza as transações estimuladas pelo mercado de crédito na compra e venda de produtos, um evento como o Liquida Natal agrega total valor em uma economia pouco desenvolvida e consolidada, como a do RN.

As peças, em promoções especiais, em meados da década passada, movimentavam a cidade por cerca de um mês, chegando a dobrar o faturamento das entidades que atuam no setor e preparar o cenário para os momentos de demandas mais vigentes, como o das “compras de fim de ano” e das “férias de verão”, este, impulsionado pelo setor turístico. O tempo era mais do que suficiente para alavancar o crescimento do comércio e da economia local, gerar empregos e aumentar o faturamento dos empresários do maior setor econômico e pagador de ICMS e ISS da capital potiguar.

Aconteceu que neste ano, o Liquida Natal durou não mais do que uma semana... Sem maiores julgamentos à CDL e aos representantes do setor comercial da cidade, fomentar um projeto que se consolidara como marco impulsionador e diferencial da economia local do modo como o fora tratado somente colabora com o amargo cenário de desemprego e de baixo crescimento econômico, tal qual nos mostram os míseros 2% de crescimento anual registrados no último período (2011). Esta é a Natal de muito lobby e pouco estímulo ao trabalho. A economia potiguar, e, sobretudo, natalense, necessitam de estímulos, os quais impulsionem seu crescimento e sua alavancagem econômica, capazes de lhes tirar deste cenário de paralisia produtiva, composto por baixos salários, pouca diversificação e inovação e pesada centralização da unidade produtiva nas mãos de poucos grupos empresariais, que se estabeleceram em uma contramão quase oligopolista (monopolista, no sentido teórico e conjugal do termo, segundo as teorias microeconômicas), impondo verdadeiros sítios mercadológicos, fechados, prejudiciais à saúde de qualquer teórico ou estudioso da área de Gestão de Pessoas ou de Gestão Organizacional e, que o diga, de profissionais da área.

Os níveis de empregabilidade da economia natalense são baixíssimos e os salários pagos para profissionais de formação superior ou competidos à assumir cargos estratégicos nas organizações são vergonhosos. É triste conviver com uma realidade onde colegas de profissão e de formação ganham o mesmo que um profissional que sequer concluiu o ensino médio! Alguma coisa está errada e não adianta atribuir tal falácia à ganância dos empresários locais pela maximização de seus lucros ou pela mesquinharia de dar ênfase aos seus amigos, familiares e parceiros, quando vivemos em uma realidade onde posto de combustível e empresa do transporte urbano rodoviário fazem toda a diferença na geração de receita para o governo e até na geração de empregos.

As nossas instituições da administração pública direta e as nossas agências de fomento são fraquíssimas. Limitam-se à promoções de eventos e, quando não, elaboram programas de pesquisa e consultoria empresarial fazendo uso de recursos públicos com o mínimo de compromisso com a geração de resultados, com a formação de uma massa empreendedora espessa e com a consolidação de um programa que estimule de verdade a concepção da inovação e da reinvenção empresarial em uma zona ainda pouco explorada, do ponto de vista econômico.

Veja só: em uma economia cuja demanda agregada, em mais de 70%, o é oriunda da mão-de-obra intrínseca do serviço público, por que um programa de estímulo às vendas, como o Liquida Natal, recolhe-se à sua insignificância não maior do que uma semana de realização? A economia composta por organismos privados (empresas e entidades fora do serviço público) necessita de estímulos e de incentivos e isto começa com a ponte que intersecta o público do privado: o mercado consumidor. Sim, os salários pagos pela esfera pública potiguar não deixam de ser salários e fontes de recursos que o são canalizados para o consumo dos produtos e serviços ofertados pelas empresas. Elas, as empresas, são as responsáveis pelos números referentes à geração de empregos e pelo crescimento real da economia. E não o serviço público.

Esta é a lei fundamental da macroeconomia, que necessita e pede atenção de nossos organismos governamentais e entidades de fomento. A CDL errou em promover o Liquida Natal em apenas uma semana. O empresariado local necessita de estímulos às suas vendas e, nossa mão-de-obra, de emprego e renda. Também, tem, este ultimo, que articular-se melhor, na conjuntura de sua classe, com o maior fim de enraizar na cultura econômica local e regional a realização de concessões e eventos tais quais este – o Liquida Natal. Pelo bem de si e não dos defensores do Bolsa Família!

Ou, do contrário, continuaremos recolhidos aos nossos insignificantes 2% de crescimento anual da nossa economia.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 11/09/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

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