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19 de set de 2012

3° Entreato - Trote o que?


Trote o que?


Lá estava eu adentrando um novo universo sem saber o queesperar dele...

O primeiro dia de aula chegou sem que houvesse se dissipadoa visão de ambiente escolar que eu trazia dos ensinos médio e fundamental.Aquela rotina desleixada onde os alunos (eu era um deles) faziam pouco caso dosconteúdos apresentados pelos professores que pouco se importavam com o desejodo aluno por aprender ou não (sério! Pelo menos os meus!).

Digo isso porque eu adorava ir à escola, de verdade! Adoravaencontrar os amigos, conversar, brincar, mas eu detestava estar em sala de aulae ter que fazer leituras, exercícios e provas a respeito de assuntos que não meimportavam. Claro que na época eu não entendia que na verdade eu fazia parte deum sistema de ensino que não se preocupava com meu aprendizado e sim com osnúmeros. Eu apenas tinha que ser mais uma aluna a passar, mais uma aluna aconcluir as metas e eu não gostava de estudar porque aquilo não fazia sentidopara mim, todas aquelas coisas que os professores empurram goela a baixo todosos dias em salas apertadas com mais de quarenta alunos desinteressados e umcalor desgraçado.

Não, não! Não creio que seja culpa dos professores, okay,talvez eles tenham sua parcela de “culpa”, mas não posso culpa-los por nãotermos uma cultura de aprendizado que nos ensine a querer aprender, a percebero quanto é prazeroso aprender... Hoje eu sei!

Maaaaaaas, voltando ao assunto (desculpa, meus pensamentossão mais rápidos que meus dedos), eu cheguei para o primeiro dia nauniversidade como se fosse uma escola para a qual não precisamos usar farda –pra você ver a visão simplista (medonha) que eu tinha da universidade.

Claro que ao chegar lá fui percebendo que as coisas eramdiferentes do que eu pensava, mas menino, ‘num’ vou mentir pra vocês não, noprimeiro dia a gente não está nem aí pra o que realmente é a universidade,porque estamos preocupados demais com todo aquele alvoroço, toda aquelaexcitação, por conhecer pessoas novas que vão dividir os próximos anos comvocê, por ver tudo o que se passa em cada minuto ao seu redor, ver os veteranosdesfilando com seus “estilos universitários” tão aparentemente bonitos,inteligentes e interessantes e, com o maior temor dos calouros, o trote!

Não conheci ninguém da minha turma até entrar na sala deaula...

- Minha primeira aula... Minhas mãos estavam geladas, afe!Olhei para todos ali, tão diferentes em suas formas e estilos, todo mundo tãofeliz e sorridente. A maioria já tinha começado a conversar e fazer amizade,mas confesso que eu estava tímida... A professora nos pediu que fizéssemos umcírculo para dar início as apresentações, onde cada um falaria um pouco sobresi e sobre sua experiência com o teatro, além do motivo de ter escolhido ocurso. Putz! Todo mundo tinha anos de experiência, trabalhos, viagens... Eu iaouvindo e ficando mais tímida... Já trabalharam com diretores famosos... Eu meencolhia e sentia o sangue se esvaindo do rosto enquanto minha vez seaproximava...  Já participaram de autos,propagandas... O clima estava descontraído, mas eu estava tensa, não queria queme achassem tão burra quanto eu me sentia naquele momento, mas eis que antes dechegar a minha vez alguém confessa nunca ter feito teatro, e mais alguém dizque não tem nenhuma experiência... Menos mal, ufa! Eu tinha alguma experiência,mas não me considerava uma atriz (até porque a falta de autoconfiança meconsumia desde sempre) e por isso temi não ser bem aceita.

Que medo bobo! – percebi depois. Pois logo, logo a turmainteira ia se conhecendo e à medida que isso acontecia, ficávamos (todos) maisinteressantes, mais parecidos, mais próximos. Até o fim do dia a turma todaandava reunida e falando sem parar, com tanta alegria e descontração que eupensei que esses seriam os melhores anos da minha vida!

Mas é claro que achar que os quatro anos e meio de cursoseriam nesse clima de primeiro dia foi uma doce ilusão que não demorou pra sedesfazer... Porém isso foi com o passar do tempo e prefiro não misturar ascoisas agora. Ainda estou revivendo o clima maravilhoso do começo.

Eis que logo depois do intervalo chega o tão temido eesperado momento de encontro com nossos veteranos. Todos nós especulávamossobre o que seria o ‘famoso’ trote.Alguns preferiram ir embora e fugir do possível trote, alguns apertavam asmãos, outros pouco se importavam e assim fomos conduzidos ao corredor ondenossos veteranos nos pediram para formarmos uma fila. Claro que não seria tãofácil assim, a fila tinha que ser em elefantinho, que consiste basicamente emvocê passar uma das mãos por baixo de suas próprias pernas e segurar, com aoutra mão, a mão de seu amigo que vem por baixo da perna dele (entenderam? Não?Então passem no vestibular, por favor, por que eu não sei explicar melhor queisso...), e assim tivemos que caminhar através dos corredores e, para melhorar,subir escadas. Não foi tão ruim. Até muito simples para quem pensava que seriacompletamente sujo de tinta e jogado nas ruas para pedir dinheiro. O fato é queo trote não é uma realidade dos cursos de artes e por isso fomos poupados dealguns momentos de vergonha.

Hein? Acreditaram?

Boa parte é verdade, sério! Mas não a de sermos poupados davergonha, claro... Mas tivemos opção (o que foi muito legal) de participar ounão do trote, que por sugestão de nossos veteranos seria uma intervenção urbanaque teríamos que pensar e realizar até o fim da semana afim de conseguirmos odinheiro para a calourada, a coisa mais esperada de todos os novosuniversitários (e dos antigos também, na maioria dos casos).

A turma se animou com a ideia da intervenção e logo quesaímos da sala começamos a pensar, discutir, ‘vomitar’ milhares de ideias de oque e como fazer a tal intervenção e eis que em cerca de meia hora decidimos oque fazer! “Vamos tomar banho no meio da cidade!” – uma ideia que qualquer pessoanormal acharia estranha e que, claro, todos nós adoramos!

Dois dias depois estávamos nós no centro da cidade combaldes, sabonetes, escovas de dentes, pentes e apenas toalhas cobrindo nossoscorpos e, literalmente, tomando banho no meio da cidade!

Todas as pessoas paravam para olhar, sorriam, conversavam,interagiam e claro, ao verem nossa placa de intervenção, colaboravam com nossatão esperada calourada. Foi maravilhoso!

Muito melhor do que nos sujarem de tinta. Não! Nós queríamoso contrário! Mostrar que a limpeza rendia mais! (Risos) se rendeu mais ou menoseu não sei, mas rendeu bem! Cumprimos nossas metas e ainda agitamos um pouco arotina de quem passa todos os dias por aquelas ruas.


Continua...

Por: Stephane Vasconcelos
Em: 19/09/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

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