43º Mundo Cão - Muito Além do que Crê o Achismo Vão Popular

Desde as viagens que tenho feito ao interior a trabalho que tenho me surpreendido com uma infinidade de coisas, as quais têm rompido com certos preconceitos que sustentava até então, com alguns paradigmas quanto ao conceito de cidade e de dinâmica do trabalho. Eu pensei que as pessoas, por aqui, gostassem das mesmas coisas ou apreciassem aquilo que valorizamos lá na capital.

Não é bem assim. Só nos damos conta disto quando nos desatentamos ao detalhe de que é mais fácil encontrar uma locadora de filmes de DVD do que um ponto de acesso à Internet via Wi-fi ou uma lanchonete do McDonald’s, isto, em pleno século XXI. Os restaurantes param de atender após às 15hs e retornam apenas às 18hs.

Tal fato não se deve às questões ligadas ao desenvolvimento, à riqueza material ou à modernização. Sai atrás de um fast food e lembrei-me logo do McDonald’s. Acontece que a própria McDonald’s não é como a Coca-cola. Seus produtos não podem ser vendidos em qualquer restaurante ou pizzaria e não exige a aplicação prática de um conceito que constrói o que hoje conhecemos como “comida rapidamente servida e no ponto para ser consumida”.

A propósito, até um dia desses, não existia McDonald’s em boa parte das capitais do Nordeste brasileiro, quanto menos em uma cidade com pouco mais do que 40 mil habitantes. Esta é a dinâmica que cobra das relações estabelecidas entre compradores e vendedores o efeito “oferta v.s. demanda”. Quais os motivos que levam uma entidade mundialmente conhecida a se instalar em uma cidade de grande porte e não do interior, de pequeno porte?

Assim como a Coca-cola, grandes marcas como a rede de fast food americana de que falamos aqui buscam muito mais do que um vasto número de pessoas dispostas a comer fritura e beber líquidos ácidos. Uma rede como a McDonald’s busca respirar ares os quais lhes permitam romper conceitos culturais e interferir no comportamento das pessoas, ao ponto de aquelas campanhas publicitárias de que vemos na TV nos convencerem de que é mais racional e oportuno comer um sanduiche com um sachê de batatas-fritas e uma latinha de refrigerante do que um prato de feijão com arroz, carne assada, vinagrete e suco de limão.
Em 1997, as propagandas do Natal começou a ser contemplada com os comerciais de TV do McDonald’s. Foi justamente o ano em que foi aberta uma franquia da rede em Natal, todavia, muita gente já tinha conhecimento da marca, sem sequer ter sido necessário sair da cidade para conhece-la. Acontece que as pessoas que residem em Natal e os natalense tinham acesso à veículos de informação que falavam da marca McDonald’s de alguma forma, fosse por propaganda, fosse por alguma reportagem.

O “Q” da questão está nos costumes e nos paradigmas que os quais se estabelecem até ali. Até por que, como acabei de dizer, uma rede de fast foods como o McDonald’s não se expande sozinha! Ela necessita do interesse das pessoas de um determinado lugar em leva-la até lá e isto não acontece por acaso. O McDonald’s é uma grande rede franqueadora sediada nos Estados Unidos e com várias franquias espalhadas pelo planeta.

Uma entidade como a própria necessita das forças empreendedoras de alguém que percebeu a necessidade ou o desejo das pessoas de consumir um determinado produto, usufruir um determinado serviço ou de ter acesso a algo diferente de tudo o que existe ao seu redor. Eis a quebra de conceito! O desenvolvimento surge como um ato anti-herói de um grupo de pessoas dispostas a mudar os contextos cujos quais elas encontram-se inseridas, seja com o simples intuito de ganhar dinheiro e lucrar com isto, seja impulsionado por políticas de incentivo de alguém que compartilha desse desejo.

Não adianta julgar incapaz um grupo sem conhecer o seu contexto. No caso das cidades do interior do Brasil, do Nordeste, existem razões muito mais profundas do que o coronelismo, a política ou a violência. Estamos falando de cultura, de interesse, de ruptura com uma estrutura enraizada e com suas tradições. Há cidades grandes, no Brasil e no Mundo, que não possuem uma unidade sequer da rede de fast food McDonald’s.

Estamos falando do poder do contexto!

GLADWELL, Malcolm. O ponto da virada – como pequenas coisas podem fazer uma grande diferença (The tipping point). Tradução: Talita Macedo Rodrigues. Rio de Janeiro: Sextante, 2009.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 02/10/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 42º Mundo Cão - #ErrarÉoMano Natalense
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