19ª Entrevista Literária - Pipol

José Pires, ou Pipol, como é mais conhecido no meio artístico, além de poeta (autor do e-book “Brinquedos de Palavras”) é também editor-fundador do Cronópios, portal de literatura brasileira que publica textos de autores contemporâneos, além de entrevistas, críticas e podcasts. Paralelamente ao projeto inicial, há ainda a TV Cronópios e o Cronopinhos (que acaba de ganhar um projeto experimental em parceria com o mestre bonequeiro Jorge Miyashiro, chamado Cia. Cronopinhos de Teatro de Bonecos). O referido portal ganhará no próximo ano uma nova interface.

O autor Pipol

Ligados: O seu nome de batismo é José Pires, porém, é mais (ou somente) conhecido no meio literário como Pipol. De onde surgiu esse apelido, e quais as razões que o levaram a adotá-lo também como pseudônimo artístico? 

Pipol: O apelido ficou depois de outro apelido. O título que dei ao meu primeiro livro de poemas foi “Pipoca”, isso lá nos anos 80. Claro que, depois do livro, ganhei o apelido de Pipoca. Durante muitos anos, mesmo não gostando, os amigos me chamavam de Pipoca. Depois de um tempo, eles foram me arrumando um apelido do apelido que virou o tal Pipol. Aí eu já gostei mais, e resolvi adotar o apelido com a grafia “errada” - não é o “people” do inglês. 

Ligados: Qual “estopim” te levou a escrever poesias? 

Pipol: Eu me interessei por literatura e arte e poesia somente na época da faculdade, antes meu interesse sempre foi por ciência e o mundo científico. Meu caminho natural era me tornar um cientista. Mas durante a faculdade, depois das aulas, a gente frequentava muitos barezinhos de estudantes. Numa bela noite eu vi um pessoal chegando ao bar oferecendo uns livros de poemas que eles mesmos editavam e vendiam. Eu fiquei impactado com aquilo. Na hora me deu vontade de ser como eles, de ser amigo deles... O pior foi que eles me aceitaram... (risos) Fui acolhido por pessoas que eram como que de outro mundo para mim. 

Ligados: A difusão dos seus textos começou com a criação do extinto grupo de poetas “Pirataria Poética”, ou já havia rastros de outros movimentos culturais antes? Têm boas lembranças daquele tempo? 

Pipol: Tenho boas lembranças, sim, da época da nossa Pirataria Poética, lá de Bauru – SP. Tiveram outros grupos de poetas na cidade antes do nosso, claro. E devem existir outros hoje por lá. Trabalhar em grupo e criar junto com outros artistas é muito bom. Fazíamos um monte de maluquices e aprendemos um monte de coisas uns com os outros. Mas estávamos numa cidade do interior, na época não existia internet e quase nem telefone. Para mim foi fundamental ser um membro da Pirataria Poética. Até hoje eu tenho lá no escritório do Cronópios a capa original do nosso livro. 

Ligados: Como surgiu o Cronópios, e qual o objetivo do mesmo, além dos planos para o futuro? 

Pipol: Eu ouvi falar de internet pela primeira vez em 1990. Achei interessante tudo, mas na verdade eu não entendi a dimensão daquilo. Depois, em 1996, a internet começou a chegar forte aqui no Brasil. Em 1997 eu quis saber o que era isso e fui fazer um curso de html. Meu primeiro site, feito na unha, programando com código html direto, foi o meu livro de poemas chamado “Brinquedos de Palavras”. Acho que foi um dos primeiros e-books, isso foi no começo de 1997. Esse site-livro começou a ser visto e eu me animei. Tive alguns retornos bem legais. Depois de algum tempo já começaram a aparecer sites de tudo. Apareceram sites de literatura também. Eu mandei o link do meu “Brinquedos de Palavras” para vários destes sites buscando divulgação. Um dos editores de um destes sites acabou sendo meu sócio na montagem do Cronópios (que é um site que surgiu depois de outros sites de literatura). Agora estamos trabalhando muito no Novo Cronópios, que deve chegar em janeiro de 2013. Tudo muda de patamar com essa estreia. 

Ligados: A TV Cronópios veio paralela ao projeto inicial, ou surgiu de uma necessidade maior de atingir o público? 

Pipol: A TV Cronópios surgiu de minha paixão pelo cinema documentário e vontade de fazer projetos diferenciados usando a linguagem televisiva. Eu sempre fui ligado a imagens em movimento. Tive a oportunidade de trabalhar numa emissora de TV. Lá eu dirigi um programa para o público jovem chamado Zapteen. Para mim a TV só não estreou junto com o Cronópios porque na época não havia banda larga e nem as técnicas de edição e computadores mais potentes de hoje. 

Ligados: Há alguma chance do Cronópios chegar também às versões impressas? 

Pipol: Seria como trocar uma nave espacial por uma carroça. Essa é a diferença correta e correlata entre os dois meios. O que podemos fazer é lançar um livro comemorativo ou um álbum ou coisa parecida. Mas isso seria uma parte menor do nosso interesse. 

Ligados: Editar ou escrever te proporciona mais prazer? 

Pipol: Editar o Cronópios e tudo o que isso envolve não me deixa muito tempo para escrever. Escrevo nas sobras de tempo. Como nunca sobra tempo... Mas é um enorme sentimento de satisfação e de dever tocar um projeto de arte como o Cronópios. 

Ligados: Recentemente foi fundada a Companhia de Teatro de Bonecos do Cronopinhos, em parceria com o consagrado mestre bonequeiro Jorge Miyashiro. Poderia nos fornecer mais detalhes a respeito? 

Pipol: Queremos animar o nosso Cronopinhos. Quando o Novo Cronópios ficar pronto, vamos dar uma atenção especial para esse mundo dos que escrevem e editam para crianças. A ideia é aproveitar a experiência do Jorge Miyashiro com os vários trabalhos que ele já desenvolveu para o público infantil e criar a coisa a partir daí. A primeira ideia da nossa parceria foi criar a Cia. Cronopinhos de Teatro de Bonecos. Parece uma boa ideia. Vamos experimentar. 

Ligados: Você disse que não escreverá outro livro solo, apenas irá atualizar e aumentar constantemente o “Brinquedos de Palavras”. Como a obra se encontra hoje? 

Pipol: Como se diz no mundo da web, está em fase BETA. 

Ligados: Gostaria de encerrar com mais algum comentário? 

Pipol: Muito obrigado pela entrevista. O convite foi uma honra.


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 30/11/2012 - Objetivo: www.ligadosfm.com
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