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11 de dez de 2012

53º Mundo Cão – Entre R$ 2,58 e R$ 3,09 há pouco o que se explicar...


Há pouco mais de 01 ano e meio, Natal atravessava um de seus períodos mais controversos, no que diz respeito à união popular em prol de uma causa confluente com o bem comum à sua população. Sim! Não se trata do #ForaMicarla, que levou estudantes e trabalhadores para a Câmara Municipal, a fim de pressionar os vereadores a abrirem inquérito investigativo sobre a gestão da ex-prefeita Micarla de Sousa, mas do #GasolinaMaisBarataJá, que, por sua vez, mais tarde, transformou-se no #CombustívelMaisBaratoJá e no #CombustívelBaratoSempre.

Não é preciso detalhar que ambos os movimentos sugiram nas redes sociais, com foco na rede de microblogs Twitter (por causa do uso do símbolo “#” na formação das referidas palavras-chave), mas, é importante, sim, distinguir o caráter e as origens de ambos os movimentos. O primeiro, o #CombustívelMaisBaratoJá, originou-se da indignação da própria sociedade natalense, que, no momento em questão, deparou-se com surtos inflacionários os quais catapultaram o preço da gasolina do patamar dos R$ 2,58 para R$ 3,09 em pouco mais de 01 mês (aumentos estes gradativos, iniciados aos preços de R$ 2,62, R$ 2,69, R$ 2,72, R$ 2,78, R$ 2,85, R$ 2,92 e R$ 3,09); o segundo, o #CombustívelBaratoSempre, surgiu da união de alguns empresários locais do ramo de revenda de combustíveis a fim de justificar os referidos aumentos e, curiosamente, logo após o incidente que envolveu o criador da hash tag “#CombustívelMaisBaratoJá” e um dos idealizadores do saudoso projeto Via Certa Natal (o qual tem por objetivo maior orientar motoristas e cidadãos usuários do transporte público natalense quanto à mobilidade urbana, trânsito, picos de engarrafamento, acidentes e outros eventos que possam vir a atrapalhar o seu percurso dentro da cidade), em que o mesmo o fora vitima de agressão corporal por causa da criação da mesma hash tag e por participar da mobilização on line.

Em nada estes movimentos têm a ver com política e com gestão pública (diretamente falando). Na verdade, eles dizem respeito à política de preços praticada pela maioria das redes de postos de revenda de combustíveis automotores da capital potiguar, cuja média local encontra-se acima da média nacional e incompatível com a média praticada em estados vizinhos, como a Paraíba e o Ceará. Para falar a verdade, as médias praticadas nos preços da gasolina, do álcool, diesel e gás natural veicular sequer são compatíveis com a renda média local, com os salários aqui pagos à classe média e com a renda média que circula na cidade.

Natal é uma cidade muito pobre para impor R$ 2,78 no litro da gasolina comum e R$ 2,85 na gasolina aditivada. Estes são os preços praticados atualmente na maioria das redes, em que, pouco antes do aumento, há pouco mais de 03 dias, repassavam-nas ao consumidor às bagatelas de R$ 2,69 e R$ 2,75, respectivamente (ou seja, ainda fora da realidade econômica local).

Para que se possa ter uma ideia da tamanha falta de lógica orçamentária, por parte do varejo de combustíveis natalense, na cidade mais rica do país, São Paulo, o litro da gasolina é comercializado atualmente dentro da variação R$ 2,54 e R$ 2,47; em São Luiz do Maranhão, a gasolina aditivada (mais cara do que a comum) é revendida pelo preço de R$ 2,60... O mais interessante a ser observado é que ambas as capitais (São Paulo e São Luiz) são mais ricas e têm maior renda média em circulação do que Natal, assim como são mais industrializadas e melhor equipadas com aparelhamento industrial e econômico. Ou seja, têm maior demanda por combustível (o que, economicamente falando, influencia diretamente na inflação dos preços) e mais veículos circulando, em termos absolutos.

Natal é uma cidade com pouco mais de 800 mil habitantes; o Rio Grande do Norte é o maior produtor de petróleo em terra e segundo maior em produção marítima do Brasil e, ainda assim, tem os preços mais altos no varejo de combustíveis brasileiro. O que está acontecendo em Natal?

Poderíamos até cair no discurso de que o RN não é um estado refinador de petróleo bruto e ofertante do produto final refinado parar as bombas, tal qual poderiam colocar que o mesmo RN é o estado da federação com o mais alto ICMS cobrado pela gestão direta estadual, todavia, desde abril de 2011, momento em que estouraram os movimentos sociais em prol da redução dos preços dos combustíveis e do questionamento das margens de lucro praticadas pelos empresários do ramo, ou antes disto, ambos os eventos já eram realidade local. Os empresários locais, donos de postos de gasolina, pagavam 29% de ICMS ao governo do estado, assim como comprava petróleo refinado dos grandes centros de refino distantes de Natal... Em outras palavras, em termos de gestão de custos e gastos tributários, o desembolso desta classe permaneceu constante; quanto ao reajuste a ser concebido pela Petrobras sobre os preços dos combustíveis comercializados no país, é conveniente colocar que isto ainda está em discussão e, ainda assim, quando de sua decisão (o que ainda não o fora tomada), será necessária a espera de meses até que o referido reajuste atinja o bolso dos empresários e, consequentemente, o preço nas bombas.

De qualquer forma, o aumento atual nos preços dos combustíveis em Natal em nada mais além tem ligação, senão, com o aumento no percentual do lucro dos empresários locais sobre o litro comercializado. Sim! Isto por aqui é realidade há mais de década. Por aqui, é comum a prática do cartel entre redes de revenda, altas margens de lucro e baixíssimo nível de falência em empreendimentos do ramo. Em março de 2011, o litro da gasolina era comercializado pelo preço de R$ 2,58, o álcool era vendido por menos de R$ 2,00 e o metro cúbico de gás natural ao preço de R$ 1,70 / R$ 1,79. Atualmente, em pouco mais de 01 ano e meio, respectivamente, somos ‘obrigados’ a pagar R$ 2,78, R$ 2,25 e R$1,90 / R$ 2,05...

Observemos que no estado da Paraíba, o GNV é comercializado por até R$ 1,46 / m³ (isto, considerando que a própria Paraíba não produz, sequer, uma gota de petróleo) e que em cidades próximas a Natal, como Parnamirim (a qual se encontra em sua Região Metropolitana) a gasolina comum é repassada ao consumidor final por R$ 2,57; a propósito, um dos propósitos do movimento #CombustívelMaisBaratoJá era a abertura do mercado de revenda de combustíveis para que supermercados e outras redes pudessem adentrar no ramo, diversificando mais o poder de oferta na economia quanto à revenda de combustíveis e, por que não, geração de mais empregos. Isto, por sua vez, sempre o fora vetado pela Câmara Municipal, justificando maior proteção aos usuários e clientes. De qualquer forma, tecnicamente, isto em pouco se fundamenta... E os referidos aumentos, que têm assolado a cidade por mais de 10 anos, em pouco têm impactado na geração de empregos, na melhoria dos serviços e na inovação destes empreendimentos.

É possível encontrar o mesmo litro de gasolina pelo preço de R$ 2,59, em um posto do Supermercado Carrefour, na Zona Norte de Natal. Em meio a tanta inconveniência, R$ 2,59 aproxima-se dos R$ 2,57 encontrados no centro de Parnamirim. Ou seja, em se tratando de custo, demanda e volume de venda e produção é provável que o Custo Unitário e os custos variáveis dos postos de Parnamirim e do Supermercado Carrefour sejam, pelo menos, os mesmos das grandes redes as quais operam em Natal e, ainda assim, praticam preços até R$ 0,21 mais baratos por litro vendido.

A verdade é que geraríamos mais empregos e melhoraríamos a qualidade dos serviços de revenda de combustíveis em Natal se supermercados, shopping centers e outras redes de varejo pudessem comercializar gasolina, álcool e diesel, ao invés de básicos alimentícios e usuais. Aumentaríamos a concorrência, melhoraríamos a qualidade de nossos serviços e seríamos contemplados com mais inovações, no sentido de oferecer novos produtos e promoções. A propósito, pagaríamos menos pelo litro ou m³ de combustível em nossos carros e, por que não, pagaríamos menos pela passagem de ônibus. Sim! Pois os gastos com combustíveis estão inclusos na formação dos preços das passagens do transporte público!

E aí, o que os cabeças do #CombustívelBaratoSempre têm a dizer sobre isto?

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 11/12/2012

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 52º Mundo Cão – Muito prazer, a consequência!
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