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18 de dez de 2012

54º Mundo Cão – Papo de Marketing de Pirâmide


As pessoas têm o costume de julgar esta nova modalidade de ganhar e multiplicar dinheiro no mundo moderno onde a opinião do público é cada vez mais preciosa. O Marketing de Rede ou Marketing Multinível, assim como julga o título (Marketing de Pirâmide), é uma modalidade de relacionamento B2P, ou empresa-cliente, cujo qual este ultimo consome os produtos de uma determinada marca na medida em que compartilha dos ganhos da empresa detentora dessa mesma marca a qual ela engaja-se como parceira. Para isto, basta que ele (o cliente) atraia novos potenciais consumidores a sua rede de clientes e os fidelize de imediato.

As palavras são bem simples e diretas, ora, estamos lidando com uma coluna e não com um ensaio científico! Mas, se observarmos o comportamento das pessoas dentro das pirâmides de grupos, como Herbalife e Telefonias VOIP espalhadas pelos 04 cantos do Brasil e do mundo, veremos que a fidelização se consolida quando uma determinada pessoa comum não somente adquire um produto da marca em questão, mas, associa-se a ela como “distribuidor”. A relação é bem simples e para cada nova pessoa que este novo membro conseguir vincular à rede, uma nova fonte de recurso origina-se na sua cadeia de ganhos. Parece surreal e prático, mas, a coisa é bem mais complexa do que se imagina...

Os custos de produção dessas entidades são baixíssimos, assim como o número de falências dessas entidades pouco se ouve falar. Da Amway, precussora na década de 1990, aqui no Brasil, à Telextreme, serviço de telefonia VOIP o qual opera há pouco mais de 10 anos no páis, todos foram vítimas de boatos a respeito de falências e de desistências de representantes. Na verdade, a desistência é um evento normal na atividade econômica, igual às falências, comum a todos os ramos da atividade econômica, porém, se os níveis de desistência fossem maior do que 50%, a ponto de comprometer o faturamento dessas entidades, provavelmente, nem a Herbalife estaria aí para contar alguma estória. A Herbalife foi a precursora deste modelo de multiplicação da renda empresarial no mundo e atua no mercado desde 1981.

Atualmente, o grande boom que circunda a gestão de marca das empresas é o advento das redes sociais. Se observarmos detalhadamente, as empresas estão quase que plenamente atentas ao que os consumidores têm a dizer sobre seus produtos e serviços e ao que compartilham em termos de promoções e dicas acerca do que há de melhor e de inseguro nas prateleiras. A diferença é que elas não remuneram consumidores satisfeitos e isto se deve a uma infinidade de motivos, dentre eles, a existência de uma cadeia já estabelecida de fornecedores, vendedores, marqueteiros e distribuidores – o que incorre em custos altíssimos, assim como torna desnecessária a distribuição de seus ganhos com mais agentes econômicos. No Marketing de Rede, a coisa é bem diferente.

Eles não contam com este poderosíssimo aparato da economia capitalista, logo, adotam estratégias diferentes de fazer o produto chegar até as mãos dos consumidores: transformando-os em clientes. Veja bem, isto não se trata de propaganda, mas de fruto da observação de alguém que quase entrou em uma dessas redes por duas vezes durante sua vida e optou por observar como funciona esta modalidade inovadora de mercado há mais de 06 anos.

Quando uma entidade, como a Aloe Vera, decide transformar seu leque de consumidores em parceiros, tem que, primeiramente, fidelizá-los e coloca-los em sua rota de consumo. Em seguida, de distribuição. E, logo após, de revenda e compra. Ou seja, o ciclo é capaz de manter-se constante, sem, necessariamente, ter que contar com uma rede logística de distribuição, de departamento para revenda e de comunicação para propaganda. Quem consome, cuida disto tudo fazendo uso da ferramenta mais estudada e discutida na Gestão de Marketing das ultimas duas décadas: o Marketing Boca-a-Boca.

O que há de errado ou diferente nisto? Absolutamente NADA!!! Quer dizer, quase nada, senão, na inovação de reduzir as políticas de custos que envolve toda uma cadeia produtiva a irrisórios quartos de percentual. Eliminando esta cadeia, ampliando a rede de clientes e “distribuidores” e realizando-os como membros parceiros e consumidores potenciais (o que mais de 90% das empresas que atuam no varejo objetivam em sua política de vendas), aos poucos se fazem possível ampliar a escala produtiva e, cada vez mais, reduzir custos. Ou seja, remunerar distribuidores e cabeças de chave com pouco mais de 02 salários mínimos nas Pirâmides multiníveis não necessariamente consumar-se-á em um fim trágico para toda a rede. Se ela conseguir manter cada uma de suas fontes distribuidoras / consumidoras ativos e ligados a este sistema, conseguirá, com sucesso, segurar sua estrutura de ganhos.

E a propósito, é pouco provável que alguém que se envolva, que injete recursos e aposte suas economias em um sistema deste saia por aí julgando ou falando mal da marca a qual adotara como parceiro. A tendência é a de que o Marketing Boca-a-Boca seja o mais positivo possível, assim como acionistas ordinários o fazem com as corporações as quais eles têm propriedade acionária!

O problema, todavia, deste sistema, ainda está na resistência das pessoas em investir e empreender seus recursos pessoais, sobretudo, em uma democracia com pouco mais de 24 anos e que atravessou duas recessões econômicas, uma moratória do pagamento da dívida externa, dezenas de surtos ‘estaguinflacionários’, cinco moedas, dezenas de planos econômicos fracassados e um confisco geral de contas pessoais. A propósito, até durante a história das organizações, se em Teoria Geral da Administração estudamos dezenas de teorias cujas quais levaram anos até serem aceitas e consolidadas – e levaram, cada uma, até meia década para ser adotada pelas entidades produtivas do meio econômico e por estudiosos da economia e da engenharia –, o Marketing de Rede, o qual surgiu no início da década de 1980 e que pouco tem sido objeto de estudo de teóricos e cientistas, também não usufruirá de aceitação assim tão imediatamente.

Os primeiros agentes econômicos a praticar as pirâmides organizacionais começaram a fazê-lo há pouco mais de 30 anos e, de lá para cá, muito têm inovado neste meio, sobretudo, no tipo de produto a ser comercializado. Ou seja, está em fase de amadurecimento e sua popularização, assim como tudo o que há de mais moderno em redes sociais, exigirá ainda alguns anos. Sim! Pois, o facebook não cobra de seus usuários uma quantia determinada para que eles mantenham suas contas ativas no site – Mister Colibri, sim. Contudo, inversamente, esta ultima remunera seus agentes, diferentemente da primeira...

Lembre-se: o modelo do Marketing de Rede somente será plenamente aceito pela sociedade como uma forma consistente de gerar ganhos e multiplicar renda, com menos receios e incógnitas, por assim dizer, quando o advento da falência tornar-se comum nesta novíssima modalidade de se fazer dinheiro. Isto, porque haverá entidades cada vez maiores e mais poderosas, capazes de exterminar concorrentes potenciais, como acontece no ramo dos supermercados e da revenda de veículos. Falo de entidades capazes, também, de convencer o público a apostar em suas políticas de ganhos e de inovar, na medida em que aumenta a sua produção, de pessoas dispostas a consumir seus produtos na base da pirâmide e da política de custos mínimos associada à crescente remuneração para quem está lá em cima na ponta da pirâmide.

Prahallad, mesmo, em seu ensaio “A riqueza na base da pirâmide”, fala, como ninguém, sobre a capacidade de se gerar ganhos para a ponta da pirâmide a partir da base. Aqui, no Marketing de rede, a base é a fidelizada a partir de estímulos e incentivos à manutenção de sua condição de demandante de uma oferta que só cresce.

Ainda tens dúvidas? Então, observe com minúcia ao seu redor e verás que não somente a quantidade de pessoas próximas envolvidas com algum tipo de relacionamento em rede tem crescido, mas, e sobretudo, que as organizações as quais se consolidaram na atividade econômica há anos estão adotando preceitos de relacionamento em rede com clientes e consumidores potenciais. No futuro, a briga mercadológica entre corporações não estará restrita ao crescimento no número das vendas de seus produtos finais, todavia sim, na busca incessante pela consolidação do alicerce das parcerias entre ela e quem está disposto a compra-los (“distribuidores”).

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 18/12/2012

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