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31 de jan de 2012

8º Mundo Cão - Ônibus Para Quê, Se Tenho o Meu Carro?

Ônibus Para Quê, Se Tenho o Meu Carro?

Por que andar de ônibus ou de bicicleta? Será que vale à pena estar responsável com o meio ambiente e com o fluxo urbano de nossas cidades, colaborar com a redução do efeito estufa, com a emissão de CO2 na atmosfera, de tornar o nosso ar mais saudável e higiênico, de preservar nossas florestas, rios e matas, com a consequente redução no consumo de combustíveis fósseis, pneus, derivados do petróleo e de outros materiais os quais estão inseridos diretamente na fabricação de carros e motocicletas?

Acredito que sim! Porém, esta guerra contra a nossa autodestruição não é de responsabilidade única e exclusivamente de cidadãos e consumidores comuns da classe média (ou seja, nós). A cadeia produtiva, da qual fazemos parte, poderia também abraçar esta ideia. Estado, empresários e até ambientalistas!

Certa vez, e não faz tanto tempo assim, a prefeitura do Natal promoveu o Dia Mundial Sem Carro, fez uma campanha meia boca, solicitou esforços dos veículos locais de comunicação e, no dia em questão, alugou uma vã para levar todos os secretários, prefeito e ex-prefeito para a sede da prefeitura, para trabalhar. Eles, sim, fizeram a parte deles e o mesmo veículo alugado dispunha de ar condicionado...

Mas, será que em algum momento quiseram eles saber o que cidadãos comuns os quais precisam do transporte coletivo ou que não dispõem de outra alternativa para ir ao seu trabalho pensam a respeito disto? E quanto aos que sentem na pele todos os dias?

Acho bonito ver cartazes e postagens sobre a importância de se ter um trânsito mais calmo e menos movimentado por carros particulares circulando por aí feito mosquito; feio, todavia, é o que tem de politicamente correto por aí criticando quem dirige ou o que opta pela segurança de seu carro. Será que existe diferença entre uma parada com o mínimo de segurança e o máximo de exposição e a mordomia de ser pego em casa por uma vã alugada? E quanto a um transporte coletivo e outro sem ar condicionado, um sujeito a assaltos e outro vigiado por segurança particular, um que trilha percurso alternativo e outro que segue o mesmo caminho de todos os dias, sujeito ao trânsito caótico da cidade?

Além do mais, vivemos em um país onde as políticas voltadas para o bem-estar dos cidadãos pouco funcionam, há poucos esforços ou investimentos para tal. Pensemos se, pelo menos, nossa malha viária pública tem capacidade mínima para atender a toda demanda oriunda de proprietários e usuários de veículos particulares, somada aos já usuários do transporte público de todos os dias. O caos nas ruas e avenidas poder-se-ia ser amenizados, porém, o pobre trabalhador da classe média é quem pagaria o preço disto, suando feito esponja no interior de ônibus e metrôs... (Isto é o mínimo que pode acontecer, o “pelo menos” de todo um “revestréz”...)

Até porque, a opção pelo veículo particular, antes de mais nada no Brasil, não se deve à necessidade do luxo ou da usura. Mas à necessidade de estar pontualmente no seu local de trabalho, de estar bem trajado, como exige a chefia, proporcionar segurança para os filhos (porque nem para prender quadrilhas de assalto a ônibus nossa polícia o é capaz) e poder usufruir do direito a não ter que se sujeitar ao sol quente ou às longas esperas de todos os dias nas paradas, até que o ônibus que leva até o destino proposto dê as caras.

Ou será que essas campanhas estão por aí a insinuar o quão burro é um proprietário de carro ou moto a ponto de estes não enxergarem o caos urbano que vêm causando com a sua demanda excessiva pelas amostras expostas nas concessionárias? Será que o dono de um carro não vê que lhes sairia mais barato pagar pela passagem de um transporte coletivo a colocar combustível no tanque do seu veículo?

É claro que ele sabe disto, sim. Entretanto, tal qual os governos, que têm pena de investir em malhas públicas coletivas de qualidade ou de cumprir com o seu papel institucional a fim de cobrar das empresas de ônibus e metrô um mínimo de estrutura salutar, um gentil trabalhador da classe média tem todo o direito de gastar mais em prol do seu bem-estar. Não adianta falar sobre consciência ambiental, se nem quem deveria abraçar definitivamente esta causa faz a sua parte.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 31/01/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 7º Mundo Cão: Com Tão Pouco, Tanta Cultura...

Obs: Este post está participando da promoção: Comentar Te Leva Ao Cinema, e será sorteando um par de ingressos do Filme: Os Descendentes entre os que comentarem este post!

30 de jan de 2012

7ª Coluna Esportiva - Dois Guerreiros, duas paixões e principalmente, DOIS CAMPEÕES.

Dois Guerreiros, duas paixões e principalmente, DOIS CAMPEÕES.

Qual o tempo máximo que você aguenta praticando seu esporte? Você suporta a dor e prossegue pela paixão ou no primeiro sentimento de cansaço entende que foi além do que imaginara?

Seja atleta de alto rendimento ou apenas um “atleta” de final de semana, o amor pelo esporte deve ser maior do que tudo. É sentir a adrenalina correndo em suas veias, é ter a exata noção do quão prazeroso é estar ali fazendo o esporte que gosta até chegar ao seu limite. 

Hoje (29/01/2012) acordei por volta das 6 da manhã para assistir (na tv) um dos esportes que eu amo: tênis! Em jogo estava o título do Australia Open. Dentro de quadra Djokovic duelava contra Rafael Nadal. Infelizmente meu ídolo, Federer, não chegou aonde eu esperava. Mas como admirador do esporte eu não deixaria de assistir ao jogo mesmo com o Federer fora da final.

Antes do início da partida eu coloquei em minha mente que seria um jogo duro, corrido e longo. Nadal e Djokovic são jogadores de pura raça, intensidade e não desistem tão facilmente de um ponto. Só não imaginei que isso iria acabar por se tornar em uma batalha épica.

Após a vitória do Nadal no 1º set eu pensei comigo mesmo: vou tomar meu café. Isso está cheirando a cinco sets. Sou pai de santo? Não! Apenas uma certa noção do que viria pela frente. Com pontos longos, vibrantes e mitológicos eu já não estava na mesma posição do começo do jogo (deitado). Iniciei meu ritual de senta e levanta. Isso só ocorre quando algo me chama muito a atenção.

Quanto mais o Nadal batia, Djokovic respondia na mesma moeda. Trocas intermináveis de bola, longos ralis e uma força supernatural partindo dos dois. Djokovic virou o jogo e fez 2 sets a 1. Nessa hora eu já estava totalmente pilhado. Não era nervosismo, mas sim “êxtase” por estar presenciando dois atletas jogando de forma franca, limpa, direta e com amor ao esporte.

Quando parecia que o Djokovic levaria o 4º set, Nadal tirou forças de onde ninguém possa imaginar e levou o jogo para o 5º e decisivo set (como antes eu previ). Nesse momento eu já estava em estado de agitação elevada. Poxa, acordei às 6 da manhã acreditando que não sentiria nenhuma empolgação e às 11 da manhã eu estava agitado e espantado com os que esses dois extraterrestres estavam protagonizando. 

O 5º set seria o último, com certeza. Mas até onde iriam esses dois atletas? O relógio apontava para mais de 5 horas de jogo e parecia que eles tinham acabado de aquecer. A expressão de dor e cansaço não era nítida, porém, foi aparecendo aos poucos. Mas quem disse que isso abala dois guerreiros que jogam pelo amor ao esporte?

Eu, sinceramente, sempre secava e odiava ambos. Mas sabia do potencial e da categoria dos dois. Não sou “clubista” ao ponto de não admitir. Mas DEUS, 5 horas e 30 minutos e os dois soltavam pancadas de um lado para o outro sem medo de ser feliz (ou infeliz). Eles lá em sua batalha física e mental e eu aqui em minha batalha existencial. Sim! Eu já não sabia mais se torcia por mais tempo de jogo ou se poderia acabar o jogo ali mesmo.

As expressões eram visivelmente de cansaço além do normal. Iria chegar o ponto em que algum deles teria de “desistir”. Mas isso não aconteceu. O jogo agora chegava às 5 horas e 50 minutos. Foi então que Djokovic tirou forças do “além” e quebrou o saque de Rafael Nadal. Djoker, como é carinhosamente chamado, agora iria sacar para vencer a GUERRA, o campeonato, a batalha épica de dois jogadores que passaram por cima da busca pelo dinheiro e correram atrás do título. Eis que Djokovic vence o jogo após 5 horas e 53 minutos. Eu também estava cansado.

Muitos podem dizer que eles fizeram isso pelo dinheiro ou pelo Status de ser o melhor do mundo. Não acredito! Quem assiste ao esporte e acompanhou o jogo assim como eu, sabe que quando o “cara” ama o que faz, ele passa a se doar por inteiro e corre atrás desse amor. Fizeram isso pelo público, por eles... pelo ESPORTE. Pra mim não existe um campeão. Existem sim, dois guerreiros que deram exemplo para muitos atletas que fazem corpo mole por aí. Deram exemplo de como não se deve desistir de algo que você sonha e batalha para conseguir, independente da sua profissão.


Hoje eu ainda sou torcedor do Federer. Mas aprendi a respeitar e admirar (ainda mais) essas duas lendas, esses dois guerreiros, esses dois DOIS CAMPEÕES. 

Obrigado, Djokovic!

Parabéns, Nadal!

Fonte da foto: http://blogs.diariodepernambuco.com.br/esportes/ - Por: Fred Figueroa

Obs: Mesmo que você não seja um admirador ou espectador de tênis, tome a demonstração de amor pelo o que faz para qualquer área que por ventura você trabalhe ou sonha em trabalhar. Faça, acima de tudo, com amor e dedicação. Para os amantes dos esportes, só digo uma coisa: foi mágico!

Por: Raniery Maciel Vítor Medeiros. Em: 30/01/2012. Objetivo: www.ligadosfm.com

Este texto pertence ao blog Ligados FM - Confira: http://www.ligadosfm.com/2012/01/6-coluna-esportiva-onde-esta-o-seu.html#ixzz1kxZaJcNG

Confira meu último trabalho: http://www.ligadosfm.com/2012/01/6-coluna-esportiva-onde-esta-o-seu.html#axzz1kxZA6QlJ

29 de jan de 2012

5º Ensaio Cultural: Utopias e Distopias

Saudações, leitores! Na resenha de ontem, eu lhes apresentei Anthem e defini o livro como uma distopia. Muitos de vocês devem ainda estar se perguntando o que seria uma distopia. A princípio, digo que seria uma anti-utopia, mas tenham calma, pois explicarei isso melhor desde o início. Desde a definição de utopia.

A palavra "utopia" apareceu pela primeira vez no livro Utopia, de Thomas More, em que se descreve uma ilha fictícia no Oceano Atlântico na qual existe a propriedade comum de bens e onde todos os cidadãos usam a sua força de trabalho o quanto podem. Vivem em casas iguais, todos trabalham e têm um número fixo de horas de trabalho por dia, mudam-se de casa periodicamente para não ficarem habituados a viver em um mesmo mesmo lugar e a educação é confiada a padres e estudiosos. Por ser a sociedade utopiana perfeita e improvável, a palavra "utopia" assumiu o significado de "lugar perfeito" ou "lugar improvável", e assim surgiu também o adjetivo "utópico", que se refere a algo belo em teoria, mas impraticável.

A verdadeira mensagem da Utopia de Thomas More é um pouco controversa. Alguns críticos dizem ser uma crítica à Europa do seu tempo, pois em diversas passagens há a presença do contraste entre Utopia e Europa. Como exemplo, podemos citar uma parte em que se fala que todos trabalham na Utopia, enquanto na Europa muitos vivem ociosos pela renda da terra, aposentam-se sem razão ou são religiosos vagabundos que se recusam a trabalhar. Outros estudiosos dizem que Thomas More buscava realmente um conceito de sociedade perfeita que fosse aplicável. Eu estou com os primeiros e penso em Utopia como uma sátira, a começar pelo seu nome, que em grego significa "não-lugar" ou "lugar que não existe". Outros lugares mencionados no livro têm significado de não-existência, como Achora ("não-lândia", em tradução livre) e Polyleritae ("muita bobagem", em tradução livre). Em inglês, Utopia se pronuncia da mesma forma que Eutopia, que significa "lugar bom" ou "lugar feliz". O próprio More dá margem a essa interpretação em um adendo ao seu livro, no qual ele diz que o nome que merece a ilha é eutopie, não utopie (em inglês moderno seria utopy e eutopy, mas eu mantenho a grafia em Middle English dos textos originais).

Se a Utopia de More é mesmo somente uma crítica da moral do povo europeu, não um projeto de mudança política, seu caráter é essencialmente moral, portanto, educador. A moral, entendida por Santo Agostinho como "a arte de conduzir a vida", não pode ser forçada por outrem, pois é uma arte e como a arte é aprendida pela acumulação dos conhecimentos de outros artistas e pela sua própria experiência. Portanto, a Utopia de Thomas More pode nos transformar apresentando-nos nossas falhas e como agem os que não a possuem, não apresentando-nos um sistema político perfeito.

Séculos se passaram e muitos quiseram repetir a experiência do livro Utopia: idealizar uma sociedade perfeita. Socialistas útopicos escreveram mil floreios de como deveria ser o mundo perfeito, chegando até mesmo a acreditar ser possível transformar toda a natureza humana e criar um novo homem. Mas, algumas pessoas nem precisaram pensar numa sociedade perfeita. Precisaram apenas pensar em políticas "perfeitas" que nunca antes tinham sido postas em prática. Os resultados foram desastrosos pelo excesso de otimismo.

John Stuart Mill, em um discurso em 1868 no parlamento britânico, criticava medidas do governo inglês sobre as terras da Irlanda e pela primeira vez se falou em distopia. Ele disse: "É, provavelmente, demasiado elogioso chamá-las [as políticas inglesas] utópicas; deveriam em vez disso ser chamadas dis-tópicas ou caco-tópicas. O que é comumente chamado utopia é demasiado bom para ser praticável; mas o que eles parecem defender é demasiado mau para ser praticável". Esta é uma forma adequada de ver algumas políticas inovadores que parecem muito boas e que dão grande entusiasmo (vulgo utopias): pensar nas suas piores consequências e nos seus erros fatais que podem desabar todo o sistema idealizado em que estão.

Diante de todo o exposto acima, a Utopia de Thomas More não é tão diferente da sociedade representada em Anthem. Mas se compararmos as duas no plano de bem e mal, pode-se dizer que Anthem (o mau lugar) é a distopia e Utopia (o bom lugar) é a utopia ("Oh, sério que Utopia é a utopia?"). E no que elas se diferenciam? Ora, o sistema político de Anthem tem uma falha grave que faz aquele contexto social ser lamentável, apesar da sua máscara utópica! Já em Utopia, temos uma perfeição tão grande que parece ser mentira. (E sabe por que parece ser mentira? É porque é mesmo! Aquilo nunca funcionaria!)

Quando perguntamos a alguém "como seria o mundo perfeito?" dificilmente nos passa a palavra utopia na cabeça, embora seja exatamente "qual é a sua utopia para o mundo?" que estejamos realmente perguntando. Mas, quantas vezes paramos para pensar se o mundo ideal é mesmo alcançável e não pode trazer, na verdade, o pior do mundos possíveis ao tentá-lo? Será que ao querer praticar uma utopia, não estamos realmente à beira de criar uma distopia? É isso que a literatura distópica busca: desmascarar utopias e mostrar terríveis falha que podem torná-las piores que a própria realidade em que vivemos.

Enfim, utopia pode ser considerada uma sociedade perfeita, ou um plano para alcançá-la. Há, no entanto, uma outra espécie de utopia na literatura, na qual eu enquadro a Utopia de Thomas More e A República de Platão: a utopia moral, cujo caráter é de formação. Já a distopia representa uma sociedade que esconde suas graves falhas sob uma máscara de utopia, ou seja, aparência de sociedade perfeita ou de um processo para alcançar a perfeição. Exemplos famosos de distopias na literatura são 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Ainda falarei sobre estes livros nas minhas resenhas. Esperem para ler!

Espero ter dado a vocês uma boa introdução ao tema das utopias e distopias. Pretendo voltar a falar do assunto, pois ele muito me interessa e eu sei que eu teria muito a compartilhar com vocês, fiéis leitores. Uma boa semana a todos! Vejam, no próximo domingo, o último post sobre a tetralogia dos filósofos de Rossellini. Lembrem-se de deixar comentários para participar da promoção "Comentar te leva ao cinema!".

Autor: André Marinho Criação: 29/01/2012 Objetivo: www.ligadosfm.com

28 de jan de 2012

9ª Resenha Crítica: Anthem


Saudações, leitores! Antes de tudo vou lembrar a vocês que aqueles que postarem comentários neste post estarão automaticamente participando da promoção "Comentar te leva ao cinema!".

O título a ser resenhado hoje é um dos meus livros favoritos. Trata-se de Anthem, da escritora e filósofa russo-americana Ayn Rand.

A narrativa do livro se desenvolve em um cenário distópico em que é proibido existir sozinho ou pensar em si mesmo. Isso se reflete primariamente na linguagem, não havendo sequer a palavra "eu", mas "nós". Quem dita as leis e as funções de cada um é o Conselho Mundial (World Council). Não deve haver questionamento do que esse conselho disser, pois nesse mundo não há vontade individual, apenas a necessidade coletiva de uma sociedade cujo lema é "Somos um em todos e todos em um. Não há indivíduos, apenas um grande NÓS. Uno, indivisível e eterno" ("We are one in all and all in one. There are no men but only the great WE. One, indivisible and forever"). Dessa forma, toda a dinâmica social depende do que os conselhos ditam e a verdade depende daquilo que os Acadêmicos decidem como verdade.

Num mundo assim, não seria possível dar a pessoas nomes que as individualizassem, então todos os nomes são conceitos seguidos de números. O protagonista, por exemplo, chama-se Igualdade (Equality) 7-2521. Igualdade 7-2521 sentia-se diferente dos seus irmãos por vários motivos, entre os quais sua estatura elevada e o que ele chama de "nossa maldição", que é a sua tendência individualista que o leva ao seu grande crime. Igualdade 7-2521 desejava ser um Acadêmico, mas o Conselho das Vocações decidiu que ele deveria ser um varredor de ruas. Mesmo insatisfeito diante da escolha do Conselho, ele apenas disse "que seja feita a vontade de nossos irmãos", como todos fazem. Mas, mesmo com a profissão indo contra o seu desejo, o pecado original de Igualdade 7-2521 não desapareceu. Ele ainda conseguiu cometer os crimes de se apaixonar e de estar sozinho.

O livro como um todo é uma romântica ode ao individualismo, representado como um caminho de liberdade, e uma crítica ao coletivismo, que é apresentado como uma forma de escravidão social quando se torna um princípio moral ou político, tal qual foi em diversos regimes totalitários como o fascismo, o nazismo e o socialismo. A autora do livro, no prefácio, vai mais além do que eu digo. Ela critica o coletivismo como princípio moral enfraquecedor do indivíduo e também vai contra o trabalho compulsório, que, se não é realizado em todos os países do mundo, é defendido por muitos. A defesa a esse tipo de trabalho vem da ideia que devemos trabalhar no que é útil para os outros, não para os nossos próprios objetivos ou para nosso lucro. Para Ayn Rand, há Conselhos de Vocação e um Conselho Mundial no nosso próprio mundo e eles nos escravizam mesmo que não percebamos.

Apesar de este livro ser pré-Objetivista, podemos ver claramente os princípios da filosofia randiana na obra. O Objetivismo, sistema filosófico criado pela autora do livro, tem característicos princípios metafísicos, epistemológicos, éticos e políticos, que sãorespectivamente: realidade objetiva, razão, interesse individual e capitalismo. A objetividade da realidade pode ser vista nas divergências entre o que dizem os Acadêmicos de Anthem, ou a estranha linguagem daquele mundo, e a realidade. A razão como parte da natureza humana e do seu meio de sobrevivência se encontra. Quanto ao interesse individual, creio já ter deixado bastante claro nos parágrafos anteriores. A ausência de capitalismo em Anthem é óbvia e é um problema, pois não há qualquer possibilidade de escolher o trabalho que se quer ou de ter qualquer ganho pessoal por meio dele. O trabalho em Anthem é uma obrigação social à qual todos devem se submeter sem visar coisa alguma a não ser evitar castigos corretivos.

O que mais me agradou no livro foi a sua peculiar estética. A linguagem nos deixa confusos, desconcertados, mas por uma razão necessária, e essa confusão se desfaz conforme vamos entendendo a razão por ela ser de tal forma. A primeira frase do livro, "é um pecado escrever isso", já nos mantém presos. O penúltimo capítulo do livro é meu favorito. É um magnífico relato da descoberta do "ego" e uma exaltação a ele que daria inveja a muitos poetas românticos.

Com sua mensagem exaltadora do poder individual, Ayn Rand ainda atrai leitores de todo o mundo e tem sido cada vez mais apreciada. 25 milhões de exemplares de suas obras já foram vendidos ao redor do mundo e alguns de seus livros já foram adaptados para o cinema (A Nascente e A Revolta de Atlas). Entre os influenciados pelas obras de Ayn Rand, podemos citar o fundador da Wikipedia Jimmy Wales, o economista Murray Rothbard, o músico Neil Peart (da banda Rush), o quadrinista Steve Ditko (criador dos personagens Mr. A e Questão) e o candidato a presidente dos EUA Ron Paul.

Fãs de ficção científica e distopias certamente apreciarão Anthem. Uma pena não haver este livro traduzido para o português. Aos que leem em inglês, no entanto, é leitura obrigatória. Ele pode ser comprado no Ayn Rand Institute, na Livraria Saraiva (versão digital, EPUB), no Submarino ou na Livraria Cultura.

Ver também:

Anthem (música da banda Rush, inspirada no livro)
Ayn Rand's Anthem - The Graphic Novel (adaptação de Anthem aos quadrinhos)
Atlas Shrugged (magnum opus de Ayn Rand)
Atlas Shrugged Part 1 (filme baseado no livro homônimo)
Ayn Rand Institute (organização sem fins lucrativos que divulga as obras e ideias de Ayn Rand)
Mr. A (personagem de Steve Ditko)

Autor: André Marinho Criação: 28/01/2012 Objetivo: www.ligadosfm.com

27 de jan de 2012

4ª Promoção Cultural - Comentar Te Leva Ao Cinema!

Comentar Te Leva Ao Cinema!

Mais uma promoção vem ai no blog Ligados FM! E de novo o Ligados e a FOX vai te levar para o cinema!!! Você já ouviu falar do filme Os Descendentes? Que conta com ninguém mais, ninguém menos que o charmoso George Clooney como protagonista? Pois ai está mais uma oportunidade para curtir esse filmaço.

De 27/01/2012 até 03/02/2012 todo o post do ligados vai estar sorteando um par de ingressos. Isso mesmo, a cada post você vai ter a chance de ganhar um par de ingressos do filmaço Os Descendentes, que já ganhou dois globos de ouro e abalou a capoeira no estrangeiro, chegando agora nos melhores cinemas do Brasil.

Mas o que você tem que fazer para estar participando da promoção? Comentar! Comente o post e coloque seu twitter, e-mail ou o que você preferir, se você for o sorteado da vez, os ingressos são seus e nós entraremos em contato para te entregar! 






Como participar da promoção:


1º Passo: Acompanhe o blog www.ligadosfm.com.
2º Passo: Leia os posts que aparecerem entre o dia 27/01/2012 á 03/02/2012.
3º Passo: Comente o post, seja pela caixa de comentários do Blogger ou pela do Facebook.
4º Passo: Se identifique no post, deixe seu e-mail, twitter, msn ou o que preferir.
5º Passo: Cruze os dedos e espere o contato, no dia 03/02/2012 revelaremos os sortudos neste post.


Confira o site do filme: http://www.osdescendentesfilme.com/

Obs1: Ouça a programação da Rádio Nova - 87,7 FM pois também estaremos sorteando ingressos para os ouvintes no ar.
Obs2: Qualquer pessoa que more em território nacional pode participar, enviaremos via correios os ingressos aos ganhadores.
Obs3: Este post já está valendo na promoção! Nos diga o que você achou desse caminho que o blog LigadosFM escolheu para te levar ao cinema e concorra a um par de ingressos!


Autor: Felipo Bellini   Criação: 27/01/2012  Objetivo: www.ligadosfm.com 

26 de jan de 2012

10ª Tirinha - Piada Infame


Essa vocês vão ter que clicar nela mesmo para poder ver! Desde já me desculpo aos que se sentirem ofendidos, mas piada é piada.

Autor: Felipo Bellini Souza     Objetivo: www.felipobellini.com  Criação: 16/11/2011

25 de jan de 2012

1ª Coluna Vestibular - Dieta de Estudos



Dieta de Estudos

Esse é o terceiro ano consecutivo que irei trabalhar com cursos pré-vestibulares e salas de concurso. Sei que, como nos anos anteriores, teremos nas mais variadas salas de aula uma leva impressionante de alunos bem intencionados e motivados para um ano de batalha onde o objetivo é a conquista de uma vaga em uma universidade, seja ela pública ou privada.

O fato é que muitos destes alunos já são oriundos de outros vestibulares e concursos, nos quais não tiveram sucesso. Outros advêm de escolas em geral, onde nunca desenvolveram uma rotina de estudos ou se preocuparam com uma dieta funcional de aprendizado e prática.

É sobre isso que iremos falar no nosso primeiro post do ano sobre o assunto.

Desenvolver uma rotina de estudos não se aplica unicamente ao vestibular, mas em um período tão particular se faz necessário reter uma atenção especial em como o aluno deve se comportar.

O primeiro passo é compreender a dinâmica de um cursinho preparatório em geral. Neles o objetivo é revisar e praticar o conteúdo anteriormente assimilado no currículo de ensino médio. O que significa que o aluno deve ter conhecimento prévio do assunto a ser abordado em sala de aula.

Para isso, devemos elaborar uma agenda. Onde o aluno deve colocar os horários das disciplinas e que assuntos os professores abordarão no decorrer das aulas seguintes.

Após ter um mapa do que vai acontecer na primeira e segunda semana de aula. O aluno deve entender que o processo de aprendizagem vai acontecer em três dinâmicas:

Primeiro o aluno deve ter contato, antecipadamente, com o que vai ser trabalhado em sala de aula. Nada aprofundado e nada cansativo, pois a função é apenas reter conteúdo para que o estudante não estranhe quando o professor apresentá-lo em sala.

Em geral, neste momento, deve-se dar uma média de 10 minutos de leitura para cada disciplina a ser abordada no dia posterior, o que pode ser substituído por uma vídeo-aula, podcast ou qualquer outra ferramenta sobre o assunto.

No segundo momento, o aluno deve prestar atenção, fazer anotações, questionar – de maneira educada a/na aula. Esse conjunto de ações é o processo de trabalhar e ilustrar o conteúdo que está sendo absorvido.

Por fim, a terceira dinâmica é a da revisão, que consiste em rever o material e fazer exercícios. Em média, o aluno deve destinar 50% do tempo que foi dado em sala de aula para essas disciplinas. Ou seja, se eu tive 1 hora e 30 minutos de aula de biologia, eu vou praticar durante 45 minutos.

Seguindo essas três dinâmicas e acompanhando uma agenda de estudos você vai ter, sem dúvidas, um rendimento acima do esperado. Entretanto, aqui vão algumas dicas sobre como desenvolver mais essa dieta de estudos:

Procure se divertir. Tenha prazer em estudar e descobrir novas informações.
  • Não resuma sua prática à resolução de questões de vestibulares, faça quizzes, questões de verdadeiro ou falso, resenhas criticando o assunto, resumos...
  • Pense antes de falar e escrever. Quais os lados negativos e positivos?
  • Critique o assunto. Se falarem mal da ditadura, explique os lados positivos; se enaltecem o sistema democrático, exponha as falhas.
  • Tenha o habito de competir. Faça simulados, se teste.
  • Não ignore nenhuma fonte de informação.
  • Nenhuma ferramenta é inútil. Se você gosta de vídeo aulas, áudio-livros, história em quadrinho, tirinhas... Vá em frente
 


Autor: Felipo Bellini      Criação: 25/01/2012        Objetivo: www.ligadosfm.com

Confira minha última coluna sobre vestibular, onde falei, em vídeo, sobre os principais erros que encontro nas redações dos alunos em geral: Principais Erros Que Encontro Em Redações!

24 de jan de 2012

7º Mundo Cão - Com Tão Pouco, Tanta Cultura...

Eu não estava errado. Até pensei que estivesse exagerando ou pensando alto demais quando me referia a Natal como um centro escasso de cultura e de opções de lazer para o público. Temos sempre as mesmas alternativas, tomamos as mesmas decisões e sempre fazemos a mesma coisa. Nossas mudanças estão mais do que saturadas, uma gordura transgênica que corrói as vias arteriais da capital, vias estas que levam aos pontos de lazer – geralmente, voltados para todos os públicos, desde que não se interesse por cultura potiguar.

Estou, neste exato momento, em São Luiz, capital do Maranhão, estado com o mais baixo IDH do país, da baixa inclusão digital, da pouca qualidade sanitária e da péssima distribuição de renda. Contudo, uma cidade com tamanho potencial, mesmo governada por uma oligarquia que se preserva no poder há mais de meia década (não diferente do RN), em que uma de suas ilhas, que compõe o impressionante arquipélago do litoral maranhense, é nada mais do que propriedade particular do Senador José Sarney e família (dizem as célebres línguas que a mesma o fora obtida por intermédio da lei do usucapião), com os seus mais de 1 milhão de habitantes, é um verdadeiro canteiro de obras que parece não ter fim. Sobretudo, no seu centro histórico e nos pontos estratégicos os quais se tornam destinos fáceis para quem busca opção de lazer, cultura e badalação noturna.

Não é uma cidade lá organizada, bem estruturada ou planejada. Porém, não é difícil de se encontrar cines ‘cults’ com as mais diversas obras da sétima arte as quais não ingressam nos cartazes dos maiores cinemas da cidade. Cines comerciais. Uma de suas sessões apresenta um filme do Almodóvar, com Antônio Bandeiras no elenco, ao preço de R$ 10,00 (inteira) ou R$ 5,00 (meia), e pode ser vista em um dos salões do Centro de Criatividade Odylo Costa Filho, instalado em um dos mais de 200 casarões antigos do Centro Histórico de São Luiz. Bem na rua de trás, existem vários museus de exposição da cultura e do fatos maranhenses, com telas pintadas a óleo com mais de 100 anos de história, esculturas e exposições fotográficas com personalidades da cultura negra maranhense, da Umbanda ao miserável que vive às margens da BR-316, imagens e curiosidades dos 21 anos de ditadura militar, além de biblioteca pública, tudo isto exposto no  Museu de Artes Visuais, ao preço único de R$ 2,00.

A noite, sobretudo das quintas-feiras aos sábados, este mesmo centro histórico se transforma em point de balada, com vários bares abertos ao som de Samba, Reggae, Rock e ritmos populares do próprio Maranhão, ao preço de alguns decibéis a mais estourando os ouvidos, uma infinidade de maranhenses e muitas mesas nas calçadas regadas a cervejas, caipirinhas, tira-gosto e o mínimo de violência de qualquer natureza.

Para natalense entender, é como uma imensa Casa da Ribeira distribuída no trecho que vai da Rua Chile à Praça Vermelha. A propósito, falamos de um centro histórico, que, mesmo abandonado pelo poder público, é apreciado pela população como um verdadeiro patrimônio cultural da humanidade. E o é.

Me pregunto: por que Natal, com pelo menos o dobro da infraestrutura ludovicense, melhor planejada, estrategicamente (bem) localizada e menos esburacada tem que ser diferente? Não faltam recursos, gente interessada na promoção cultural e até ofertas de propostas de alto nível, entretanto, o nosso centro histórico parece mais uma lombriga, quase morta com tamanha falta de cuidado e atenção das nossas autoridades, escasso de promoções e, consequentemente, de pessoas, e traduzido a becos escuros, abandonados, que servem mais para motel a céu aberto, banheiro público para carroceiro e pontos-alvos para assaltantes e traficantes, cheiradores de cola ou pessoas do gênero. Por que, Natal, se todas as sextas-feiras do ano, o Centro Histórico de São Luiz se transforma em um verdadeiro Circuito Cultural Ribeira?

O natalense tanto se gaba por viver onde muitos lá de fora passam férias, por residir em uma cidade que, de tão bela, é centro turístico, radiante e cheia de qualidade de vida... Mas, e a cultura, cadê? Não quero dizer que Natal não tenha cultura ou história... Tem sim. O que falta é boa vontade para explorá-la e leva-la ao seu público. O natalense precisa ter resgatado o seu valor agregado, tão desvalorizado por si mesmo.

Pois o turista não busca sol e mar, tranquilidade e poesia industrializada o tempo inteiro de suas férias. Ele quer saber da nossa história, das nossas origens e da nossa formação cultural – o que faz entender o nosso sotaque, a cor dos nossos olhos e o porquê de misturarmos ginga com tapioca justo em um lugar nota zero na preservação de comunidades indígenas remanescentes desde a colonização europeia. É da anfitrialidade que falo...

Natal do Rio Grande do Norte, com tanta infraestrutura e recursos, não tem a metade do que São Luiz do Maranhão dispõe ao seu povo e a quem quer ver (e neste meio estão os turistas): cultura, história e vida. Porque quem faz da própria casa patrimônio da humanidade não é a UNESCO ou o presidente dos EUA, mas os próprios donos desta casa.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 24/01/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 6º Mundo Cão - Boulevard Saint-Germain

6ª Coluna Esportiva - Onde está o seu critério, vossa senhoria?

                                          Onde está o seu critério, vossa senhoria?

Boa tarde, leitores!

O esporte é notabilizado pelas boas e belas jogadas, lances plásticos, confusões, ânimos acirrados, embates históricos, lances duvidosos, dentre outros. Mas não há nada que irrite tanto um atleta quanto os erros e a falta de critérios referente aos árbitros.

Como todo e qualquer ser humano, os árbitros são passíveis de diversos erros. Porém, o que se tem visto, principalmente no futebol, para não abordar os demais esportes, são erros e mais erros propiciados pelos critérios totalmente insensatos da arbitragem.

Podemos notar algum erro com mais clarividência quando assistimos aos noventa minutos de uma partida. Outro dia parei em frente ao bar aqui perto da minha casa e comecei a reparar no jogo Corithians x Mirassol pelo campeonato paulista 2012. Ainda no 1º tempo o Senhor Márcio Henrique de Gois expulsou o jogador do Mirassol porque o mesmo retardou a partida por não devolver a bola rapidamente ao time adversário. Certo tempo de jogo depois um atleta do Corinthians fez algo semelhante e nem advertido foi. Onde está o critério?

O que me deixa mais incomodado e embasbacado é que critérios como esses terminam por atrapalhar o andamento, ânimo e controle da partida. Claro, o árbitro não vai agradar aos dois times. Mas o seu papel inicial é o de apitar com coerência e com critérios semelhantes para as duas equipes.

O árbitro possui em suas mãos o “poder” de querer (ou não) deixar a partida mais equilibrada, emocionante e vibrante para ambos os lados. Quando eles (árbitros) começam a inverter decisões, o andamento e até mesmo o nível da partida cai e passa a ser notada como uma verdadeira batalha.

Antes de toda e qualquer competição os árbitros fazem testes físicos, visuais, técnicos, etc. Ou seja, possuem uma pré-temporada para não perderem o ritmo físico e, principalmente, o ritmo técnico para poder atuar de maneira satisfatória nas diversas partidas durante o ano.

Não estou fazendo o papel de “advogado” dos jogadores. Até porque muitos deles estragam o espetáculo, colocam os torcedores contra o árbitro e acirram ainda mais os ânimos. Mas não existe nada tão chato para os torcedores (sensatos) do que erros causados pela falta de critério dos árbitros.

Se o jogador de um time dá um carrinho e toma amarelo, o mesmo deve ser aplicado quando acontecer inversamente. Quando um jogador simula uma falta e toma advertência o mesmo deve ser aplicado ao jogador do outro time. Só que, algumas vezes ele acaba tomando amarelo e o critério acaba indo para o espaço.

O que nós, torcedores queremos dos árbitros nada mais é do que um apito criterioso para ambas as partes. Não queremos criar teorias conspiratórias para chegar ao ponto de falar em benefícios para o adversário (mas acontece).

Mesmo com todo o “protesto” ainda assim vai existir falta de critérios, marcações duvidosas e “benefícios” para outro alguém.

Então fica a minha pergunta: Onde está o seu critério, vossa senhoria?

Por: Raniery Maciel Vítor Medeiros. Em: 24/01/2012. Objetivo: www.ligadosfm.com

Este texto pertence ao blog Ligados FM - Confira: Confira: http://www.ligadosfm.com/#ixzz1izwjxrYM
Confira meu último trabalho: http://www.ligadosfm.com/2012/01/5-coluna-esportiva-roger-federer-o.html#axzz1kJF6lqq4

22 de jan de 2012

4º Ensaio Cultural: A Ilusão da Originalidade pela Rejeição da Tradição

Saudações, leitores! O post de hoje seria a parte final sobre os filósofos de Rossellini, mas como não tive acesso aos filmes para fins de revisão, deixo vocês com um post que estava programado para outro dia! Este tratará da "ilusão da originalidade pela rejeição da tradição". Acho que será algo interessante para vocês que estão acompanhando a série de ensaios culturais sobre Rossellini.

Pela minha geração, uma das coisas mais valorizadas é a tal da "originalidade", que nada mais é do que uma identidade distinta. É ser um "eu" diferente dos outros. É criar a diversidade. Isso para mim é muito engraçado. Essa obsessão por ser original, para mim, não chega a criar nada mais do que uma ilusão de originalidade. Na verdade, de "original" só podemos pegar a parte de "origem", para mostrar que isso é nada mais que chegar ao primitivo pela recusa do tradicional. Ser diferente pode ser bom e isso eu não nego, mas na maior parte das vezes não é e por isso não deve ser visto como um objetivo.

Vamos melhor explicar isso com exemplos reais. Conheço aspirantes a filósofos que se recusam a ler a tradição filosófica, simplesmente porque querem ter uma verdadeira originalidade no seu pensamento. O resultado, amigos, é surpreendente: eles conseguem, com muito esforço, chegar a conclusões que a nossa tradição filosófica já há muito tempo retificou e expandiu! Ou seja, ao recusar a tradição que ele sequer conhece, o aspirante a filósofo consegue de fato concluir sozinho coisas excepcionais. Coisas excepcionais que já foram pensadas antes pela mesma tradição que ele se recusou a conhecer.

Sócrates, do qual eu falei no meu primeiro ensaio cultural, recusava o modo de pensar do homem grego não porque ele se recusava a conhecê-lo, mas porque ele o conhecia muito bem. Era um homem experiente e muito sábio, que ainda assim dizia nada saber. E os socráticos Aristóteles e Platão, por muitos tidos como "pais" da filosofia ocidental, também não criaram todo aquele pensamento materializando-o como por mágica. Eles conheceram a fundo a tradição de pensamento grego e de outros povos para formarem seus sistemas filosóficos. O mesmo pode ser dito dos iluministas, que só puderam fazer sua contribuição inestimável ao pensamento ocidental graças à base construída pelos filósofos cristãos da mesma "idade das trevas" que eles tanto rejeitavam!

Pensem nisso quando estiverem vendo os filmes de Rossellini sobre os filósofos, lendo Logicomix ou simplesmente admirando a genialidade de um artista ou pensador: eles são geniais simplesmente porque fazem parte de uma tradição, não sendo inovadores sem método e sem o conhecimento dos antigos. Santo Agostinho rompe com muito do pensamento clássico, inclusive o de Sócrates, mas o conhece bem e é essencialmente herança dele. O mesmo pode ser dito de Descartes e Pascal, já na revolução científica, que tiveram de ter profundo conhecimento das ciências antigas para se tornarem inovadores como foram. Bertrand Russell, quando era somente um questionador das verdades matemáticas, em seu primeiro ano em Cambridge, ele era somente um questionador, não um pensador distinto, tendo ele sua genialidade aflorada somente depois de ter conhecido Leibniz e Boole.

T.S. Eliot já falava sobre esta relação entre tradição e talento individual em sua obra "Tradition and Individual Talent", em relação aos artistas. Para ele, nenhuma obra de arte se encontra no vácuo, mas em um contexto de várias obras de arte posteriores. Dessa forma, não deve ser tratada como uma criação individual pura. Eu sou um pouco mais radical que Eliot nesse entendimento: poderíamos estender essa relação a comportamentos individuais, conquistas científicas, políticas, etc. Vários fatos e métodos vão se acumulando. Os bons são mantidos e os maus são deixados para trás.

A tradição, portanto, não é algo uniforme. É uma acumulação de erros e acertos. Um único homem que se recuse a conhecer o que eram os tempos anteriores com o fim de se tornar único, no máximo chegará a velhas conclusões agora situadas na atualidade. Ou, no campo cultural, tornar-se-á um mero seguidor de modas sem a menor consciência disso. Como falei antes, isso de "original" só tem a parte da "origem".

Assim, é mister que todo aquele que pretenda ter um raciocínio crítico e saber o seu lugar no mundo conheça suas tradições e sua história. Aqueles que formaram nossa tradição não são pessoas ignorantes do passado, mas os responsáveis por estarmos aqui hoje e por termos tudo o que faz parte da nossa atualidade. São milhares de gerações que acumularam grande conhecimento que na atualidade se dissipou, pois o ensino que temos parte da mídia, das ideologias radicais e, sendo bem otimista, do (péssimo) sistema escolar que possuímos. Nenhum desses meios de educação nos ensina adequadamente a moral, que é a arte de viver. No máximo pode nos dar várias fórmulas de originalidade, que são abraçadas alegremente porque faz com que nos sintamos diferentes e, por isso, completos.

Isso tudo que eu disse significa que você deve ficar a repetir eternamente o que fizeram seus antecessores ou que você deva desvalorizar? Ora, claro que não! A nossa tradição também carrega seus erros. O que você não pode é simplesmente negar todas aquelas conquistas que levaram séculos para tomarem forma, pois este é o princípio pelo qual o mundo evolui. Porém, romper com a tradição nunca deve ser um objetivo. Se acontecer, deve uma consequência. Como dizia G.K. Chesterton, "tradição significa conceder votos à mais obscura de todas as classes: nossos ancestrais. É a democracia dos mortos. A tradição recusa submeter-se a essa arrogante oligarquia que meramente ocorre estar andando por aí".

Enfim, é sintoma de pura vaidade crer estar acima de um conjunto que mal conhece. Talvez seja uma necessidade profunda de atenção e aprovação... A verdade é que triunfa aquele que toma aprendizado da experiência de outros, além da própria e o que diferencia o pedante do sábio é reconhecer que diante de toda montanha de mortos, você é uma minúscula e estúpida formiga. Todos esses mortos teriam mesmo de ser todos muito estúpidos para serem, em conjunto, mais estúpidos que um único indivíduo que está vivo hoje em dia. Segundo Edmund Burke, "o indivíduo é tolo. A multidão, quando age deliberadamente, é tola. Mas a espécia é sábia e, se for dado tempo, ela sempre agirá corretamente". Igualmente a Burke, reconheço o caráter falho da natureza humana e a razoabilidade prática da humanidade no decorrer do tempo, embora dificilmente no momento.

Então, é à tradição que devemos dar a maior parte de nossa atenção, não a esses milhares de vanguardistas que estão andando por aí. Provavelmente, muitos antes deles pensaram de forma igual, e inclusive pensaram que estavam pensando algo novo. Em outras palavras, sempre prefira os conselhos da sua avó. Ela pelo menos não quer ser uma pessoa original pela qual você tenha eterna admiração e queira imitar. O que ela quer é sinceramente aconselhar você de forma sensata.

A originalidade não está em não ter influências ou em deliberadamente desconhecer o que outros fizeram. É aproveitar ao máximo essas influências e, junto a condições mais favoráveis, usá-las como ferramentas para construir algo notável. Afinal, negando a longa cadeia hereditária dos conhecimentos científicos, o modo mais original de fazer fogo é esfregar gravetos ou bater pedras. Eu tenho razões para acreditar que alguém que use estes métodos em nada está sendo inovador. E só está sendo original porque o faz como a humanidade fazia em suas origens.

Autor: André Marinho Criação: 22/01/2012 Objetivo: www.ligadosfm.com

21 de jan de 2012

3ª Promoção Cultural - Hard, A Way of Life!

3ª Promoção Cultural - Hard, A Way of Life!

Felipo Bellini, Uitamar Jr e toda a equipe do Ligados FM, em conjunto com a banda Sunset Boulevard, te dão a chance de ganhar o CD da banda Sunset Boulevard.


Para participar você precisa estar:
• Seguindo @LigadosFM e @bandasunsetblvd .
• Escrever a frase: “@LigadosFM Eu estou LIGADO e quero um CD da banda @bandasunsetblvd.”

Twitte a frase “@LigadosFM Eu estou LIGADO e quero um CD da banda @bandasunsetblvd.”: 

Essa promoção é válida até o dia 27/01/2012 às 13h e 30min
O ganhador será contatado e entregaremos o CD em mãos, no caso do mesmo residir em Natal RN, ou enviaremos o CD via correio, se o mesmo residir em outra cidade.

Autor: Ladynha Macedo / Ligados FM - Criação – 21 de Janeiro de 2012. - Objetivo: www.ligadosfm.com

20 de jan de 2012

8ª Resenha Crítica: Logicomix




Saudações, leitores! Hoje sairemos um pouco da literatura, um mundo de imaginação feito de palavras e vamos para um mundo mais prático: o da lógica e da matemática! Você deve estar pensando: "Que coisa chata! Vou fechar seu post agora mesmo! Odeio matemática, odeio lógica e tenho raiva de quem gosta!". Não discuto se vocês gostam disso ou não, caros leitores. Isso é até um pouco irrelevante. Se vocês gostarem de quadrinhos, não será problema algum. Hoje resenharemos Logicomix, HQ grega de Apostolos Doxiadis e Christos Papadimitriou, publicada no Brasil pela Martins Fontes. O romance gráfico é um tratado de lógica, um registro do próprio fazer de uma história em quadrinhos e uma biografia gráfica do filósofo Bertrand Russel!

A HQ começa com uma frame story sobre a sua prodição. O alter-ego do autor Apostolos apresenta ao interlocutor como surgiu Logicomix. Mostra-nos sua conversa com Christos, co-autor, ao lhe apresentar o projeto de história de quadrinhos sobre a busca pelos fundamentos da matemática. No decorrer do livro, eles reaparecerão em diversos momentos para explicar conceitos-chave da lógica, da matemática e da filosofia ao leitor, expondo o que vários pensadores dizem sobre um assunto. Em Logicomix, tautologias, paradoxos e silogismos estão ao alcance de todos, assim como a síntese do pensamento das escolas racionalistas e do Ciclo de Viena com seu positivismo lógico (sem deixar de lado a lógica clássica).

Apostolos Doxiadis nos situa historicamente na tensão pré-Segunda Guerra Mundial. A Grã-Bretanha declara guerra à Alemanha e os norte-americanos estão preocupados com um futuro envolvimento nos conflitos da Europa. Vários grupos fazem manifestações contra a entrada dos EUA na guerra no mesmo dia em que o filósofo e matemático Bertrand Russell vai a uma universidade americana dar uma palestra sobre "o papel da Lógica nas questões humanas". Os manifestantes, que estão ocupando a universidade, pedem ao ilustre pensador que junte-se a eles em vez de palestrar. Ele, por sua vez, os convida para assistir a sua palestra, que diz ser "um ótimo começo para uma conversa sobre guerras".

Russell inicia sua palestra dizendo que ela será "a mais curta da história" e diz que seu objetivo é fornecer aos ouvintes um bom método para decidir se os EUA devem entrar na guerra ou não. Um método racional. Para tanto, eles precisam entender o que é a razão, o que é a lógica e qual é a sua relevância nas questões humanas. Para tanto, apresenta a biografia de um grande entusiasta da lógica: ele próprio. Começa a palestra por contar sua a infância na casa dos avós. Seu avô era primeiro-ministro da Grã-Bretanha. Um homem importante, dono de uma invejável biblioteca em seu casarão. Através dele, o garoto começou a se interessar a provar o fruto do conhecimento, que sua avó, por outro lado, muito temia que ele experimentasse. Essa veio a ser reforçada pela estranha ausência dos pais na vida do jovem e pelos gemidos que o ele ouvia todas as noites no casarão de seus avós. Após a morte do seu avô, a sua educação foi confiada a tutores, que vieram a acentuar essa sua curiosidade. Matemática, para ele, funcionava como mágica. Ele conseguia alcançar resultados impressionantes ao utilizá-la e isso o fascinava profundamente.

Como estudante de Matemática em Cambridge, ele começa a questionar a natureza das verdades matemáticas, o que leva à filosofia. Nela, conhece as obras Leibniz e Boole, que enfim fazem com que ele se interesse pela lógica, a qual ele passa a estudar com afinco. O Russell professor, mentor de Wittgenstein, pacifista e pai de família é também parte de Logicomix. Seus casamentos, sua relação com a avó e suas amizades e atritos no mundo intelectual, os acertos e fracassos na carreira de Russell, bem como em sua vida pessoal, são bem demonstrados em Logicomix e tornam toda a trama muito interessante.

Ao fim da sua palestra, Russell nos surpreende com suas afirmações sobre a guerra e sobre como devemos tratar dela. Ele forneceu os instrumentos de avaliação ao mostrar sua história, mas, nenhuma resposta pronta à questão é dada! Cabe a cada um pensar sobre este problema, não somente pela ótica científica, mas por critérios de justiça e responsabilidade.

No livro também consta um glossário de pessoas e conceitos apresentados e uma bibliografia recomendada àqueles que pretendem se aprofundar no que a leitura já lhes provocou. Entre as recomendações, obras de Russell e Wittgenstein, personagens importantes no enredo de Logicomix.


O que eu posso criticar no título são algumas imprecisões históricas, resultantes de uma liberdade artística justificada. Elas se apresentam em encontros entre algumas personalidades, ou em estereotipação de alguns personagens (Georg Cantor, criador da Teoria dos Conjuntos, é mostrado como um velho rude e excêntrico, fanático religioso que abandona a matemática para estudar teologia e fazer jardinagem). Mas tudo é feito por uma boa razão. Na época representada por Logicomix, floresciam novas escolas de pensamentos e novos conceitos técnicos. Para melhor apresentar estes conhecimentos ao leitor, os autores chegaram a criar alguns encontros que nunca aconteceram. Ainda bem, no posfácio do livro eles esclarecem os fatos que inventaram para imprimir maior profundidade à HQ e torná-la mais interessante. Foram muito bons em fazer isso, mas certamente muitos vão continuar com as "falsas" imagens na cabeça. Isso pode ser um problema. É um problema que encontramos inclusive nas melhores reconstruções cinematográficas de biografias ou de momentos históricos. Acho que não dá para escapar totalmente disso.

Enfim, Logicomix é uma leitura tanto agradável quanto enriquecedora. Estudantes de qualquer área e curiosos de plantão, em especial interessados na história da filosofia, não podem deixar de ler esta jornada épica em busca da verdade. A matemática não é tão ruim assim, afinal! Talvez você até se convença a se tornar um matemático ou lógico. Por que não?

Logicomix pode ser adquirido nas livrarias Cultura e Saraiva por R$ 68. No site Submarino está com um precinho especial de R$ 49,90.

Ver também:

Site oficial de Logicomix

Autor: André Marinho Criação: 21/01/2012 Objetivo: www.ligadosfm.com

9ª Tirinha - No Analista


Embora goste dos meus amigos e me sinta lisonjeado quando os mesmo vem desabafar, a quantidade de vezes que isso acontece, em geral com o mesmo discurso as vezes me faz pensar que as pessoas gostam de sofrer por amor. Ai ai, amiguinhos amiguinhos, por favor, entendam que depois da primeira sempre vem a segunda!!!

Autor: Felipo Bellini Souza       Criação: 23/11/2011       Objetivo: www.felipobellini.com

Atenção! Quem comentar concorre a um ingresso de cinema do filme Alvin e os Esquilos, patrocinado pela Fox!

Confiram meu último post: 4° Conto - Tempos De Terror

19 de jan de 2012

6ª Batalha de Bandas - Relativa VS Yanks


Relativa VS Yanks

E ai vem mais uma batalha de bandas do programa Ligados FM! Apresentado toda a sexta feira, as 13h, por Felipo Bellini e Uitamar JR na 87,7FM, este programa visa divulgar a cultura potiguar, e falando mais especificadamente de música, a música potiguar, independente de estilo, língua, região, credo e o que for!

Hoje, a batalha vai ser entre Amazonas e Yanks, com batidas de metal, um baixo sofisticado em uma sofisticada apresentação do rock clássico! Conheçam um pouco das duas bandas e participe desta que vai ser a nossa 6ª edição da Batalha de Bandas!
  

Então, do lado direito do palco, pesando algumas toneladas de rock nas veias, nós temos Yanks!

Yanks é formada por dois homens - Yong Kim e Léo Ventura - no vocal e duas mulheres - Bibi Nobre e Juju Gonçalves - armadas de um baixo e uma bateria, Yanks é Incubus, Foofighters, King of Lions, Beatles, Adele, Lady Gaga e The Killers, é uma mistura de gêneros e letras intimistas que trazem uma nova pegada rock a noite potiguar!

www.twitter.com/BandaYanks
http://www.myspace.com/568586799
https://www.facebook.com/banda.yanks

E do lado esquerdo, com agudos e graves ressonantes, conheçam Relativa!

Relativa é cultura e crítica, onde dos vocais a cozinha do palco as mulheres comandam! Composta atualmente por Analice França (baixo e voz), Ananda Ilana (teclado e voz), Laís Azevedo (guitarra e voz) e Sílvia Patrícia (bateria) a banda traz músicas de um humor light e uma critica social instrutiva que reflete as influencias cosmopolitas de seus integrantes!

http://www.facebook.com/profile.php?id=1007470032&ref=tn_tnmn#!/RelativaBanda
http://www.flickr.com/photos/relativabanda/
http://www.youtube.com/user/NaliceF?blend=1&ob=video-mustangbase

Obs: A votação já começa agora, as 18h desta quinta feira - 19/01/2012 e vai até as 13h e 55min desta sexta feira dia 20/01/2012. Participem!!

Autor: Felipo Bellini Criação: 19/01/2012 Objetivo: www.ligadosfm.com

4° Conto - Tempos De Terror


TEMPOS DE TERROR

Cristina brincava sozinha na rua quando sua mãe gritou seu nome, no céu a lua estava branca indicando ser mais cedo do que de costume, mas ela sabia que estava na hora de despedir-se de seus jogos e recolher-se.
            Enquanto virava a esquina de casa, percebia as ruas mais desertas do que de costume; não havia a alegria comum daquele lugar, e o silêncio ainda deixava tudo mais sombrio.
            Entrou em casa sendo puxada por sua mãe. Recebia uma bronca sobre o seu vagaroso andar e sujeira de sua roupa, corpo e unhas.
Geralmente ela saia para banhar-se, mas dessa vez sua mãe mandou trocar-se e se ajoelhar para rezar.
            Não havia esperado o jantar, não havia mandado banhar-se... A casa estava tão quieta quanto à rua e seu pai, que sempre estivera lá antes do sol se pôr ainda não havia chegado.
Sob o rosto de sua mãe uma marca sombria e melancólica transpassava e naquele ambiente de suspense a menina orava, soltando sussurros enquanto se questionava sobre o jantar.
            Do lado de fora, homens pouco esperançosos observavam a mata que cercava o vilarejo, aguardando o improvável com suas armas de ferro frio na mão e seus corações doloridos sob as roupas.
            Foi assim até que o silêncio da noite que tanto os consumia em suspense foi quebrado pelo farfalhar das árvores, que expulsava os pássaros e os fazia tremer.
            Com seus terços as mulheres marcavam seus pulsos, chorando a cada tiro que escutavam, enquanto seus homens tentavam sem sucesso interromper o avanço da massa cinzenta que subia pela colina, saindo da grande mata em direção às suas crianças e mulheres.
            Eram criaturas oriundas diretamente do inferno! Mortos que andavam carregando seus próprios corpos, sem almas, sem mentes. Eram cadáveres ambulantes que tiravam a calma da noite com seus grunhidos macabros e assim subiam as colinas, levando aqueles mais corajosos que se jogavam contra a massa, desesperados pela salvação de famílias inocentes.
            Sob o réquiem, fiéis se reuniam na capela, trancando portas, orando repetidas preces. Ali, todos acreditavam que aquele era o juízo final. Não havia como sobreviver. Aquela praga havia consumido as grandes cidades e, assim como tombaram os grandes exércitos, a cidade sumiria sob o fedor da putrefação.
            Nas casas vizinhas, mães e crianças seguravam as portas de madeira, tentando desesperadamente segurar os corpos que tombavam pouco a pouco, levando com eles as casas.
            Cristina havia sido colocada dentro do armário, fechada pela sua mãe, que gritava maldições e pedia forças para continuar impedindo os monstros de invadirem o recinto.
            Do lado de fora, os poucos homens que haviam tentado lutar e sobrevivido fugiam para suas casas, tentando instintivamente salvar algum que fosse - de preferência, seus filhos...
E chegando à porta de suas casas, os que ainda não rastejavam junto aos zumbis os enfrentavam com machados, tentando afastá-los inutilmente.
            Assim ocorreu com Jonathan, que recuou até o outro extremo da cidade, na esperança de que os mortos ainda não tivessem alcançado sua família. Ele não se perdoaria se algo acontecesse à sua filha, à sua mulher.
            E tropeçando entre os mortos, ele passou pelos amigos infectados, pelo padre que atravessava a porta da sacristia abandonando seus fiéis, correndo enquanto via o fogo que acendia se alastrando pelos barracos humildes.
Aquele era o último ato; todos sumiriam em uma fogueira de vivos e mortos, sendo soprados em apenas cinzas, sem história, como havia ocorrido com Nova York, Paris, São Paulo, Luxemburgo, e tantas outras.
            Não, aquilo não poderia acontecer, não com sua menina, não com ele. Não seria justo...
            Em casa, Cristina ouvia a mãe gritar... Já não eram mais ameaças ou maldições - eram gritos de desespero, que se misturavam à fumaça que invadia as portas do armário. Gritos que faziam a menina chorar, gritos que se tornaram gemidos, que se tornavam únicos à medida que o calor subia.
            Então os gemidos começaram a se tornar pedidos de socorro quase mudos, e o coração da menina apertou. Embora a ordem de ficar tivesse sido dada, não conseguia mais ouvir a mãe gritar.
Desesperada, ela saiu do armário se esquivando das chamas que subiam pelas paredes, e quando seus grandes olhos encontraram os de sua mãe, lágrimas caíram...
            Sua mãe se contorcia, suas veias haviam se dilatado e poucos eram os trapos que cobriam seu corpo. Ela babava, sua pele era amarelada e doentia. Cristina queria abraçar sua mãe, queria dizer que ela não estava sofrendo, que a amava, que a queria e que tudo iria acabar bem.
Mas as coisas não aconteceram assim... Sob os olhos da pequena aldeã, as unhas de sua mãe tornaram-se pretas e a pele, já amarelada, tornava-se cinzenta na medida em que presas eram expostas em sua boca agora imunda e deformada e sua mãe sumia, deixando de amá-la para se tornar um bicho que a perseguiria.
            E os ventos sopravam do lado de fora. Um homem avançava perante os mortos vivos, abrindo caminho com uma enxada. Sua casa queimava, mas ele precisava salvar sua família...
E ao mesmo tempo uma mãe que sumia reapareceu implorando à sua filha, querida, amada, que a matasse enquanto havia tempo.
            Eram as poucas palavras conscientes dentre outras tantas impossíveis de se entender. Um pedido doloroso, mas necessário e que se concretizaria na medida que o facão sem sua mão cortasse pescoço de sua mãe da pessoa que ela mais amava na vida.
            Entre os espasmos de sua mãe Cristina falou que a amava e que se importava enquanto erguia a arma e fazendo o metal assobiar no ar ao mesmo tempo em que a parede caia espalhando chamas, queimando a pele viva e a carne morta...
Aquele homem que se jogava pelas paredes incendiadas procurava meio a fumaça sua filha, agora caída, desacordada. Ele a segurou em seus braços, suja de um sangue grosso, de um odor que se sobressaía à fumaça. Segurando-a, viu uma cabeça familiar dentre os escombros e duas lágrimas umedeceram seu rosto. Ele entendia o sacrifício de sua filha.
            Chorando, ele abriu passagem pelo fundo das casas, esgueirando-se pelos escombros, correndo por cima dos mortos empilhados. Percorreu a fumaça, carregando sobre seus ombros sua pequena, tão nova, até que chegou a estrada que saia da cidade.    Mas aquele lugar estava obstruído, era um exército de retardatários que caminhavam vagarosos na intenção de consumir o que pouco restava da cidade.
Fugindo da morte procurou outro caminho, e percorrendo a estrada se dirigiu ao poço da cidade, rezando para ter sido o primeiro a pensar nisso...
            O poço era profundo, encoberto por um grande muro de cimento que o contornava, inatingível para criaturas incapazes de escalar. Ele subiu, deixando a enxada para trás e colocou sua filha sobre o elevador manual que descia até onde poucos pegavam água. Era estreito demais para os dois. Ele amarrou a menina à corda para que ela não caísse no poço, e a desceu, pedindo a Deus que sua filha tivesse forças para subir depois, se ele não puder voltar.
            Então, Jonathan olhou para os destroços inflamados. Havia outros para salvar, havia outros que sobreviveriam, pois ele garantiria isso! Então, elevado por um sentimento temerário, pegou seu facão, pulou sobre o muro do poço e sumiu nas chamas.


Autor: Felipo Bellini        Criação: 01/09/2008         Objetivo: Criação independente - Mundo Drama - Revista Acólitos - Revista: Nova Noite - Revista Caverna - Revista: Rock Brasil - www.ligadosfm.com

Obs: Este é um conto muito antigo, que não repaginei nem nada para postar aqui. Então me perdoem os prováveis erros de português e estilística. Nele, escrito aos meus 17 anos, tinha a intenção de fazer uma estória de zumbis mais dramática, me falem o que vocês acham!

17 de jan de 2012

6º Mundo Cão - Boulevard Saint-Germain


A campanha da boa vizinhança de janeiro foi a viagem de Luiza para o Canadá. Anunciado por Gerardo Rabello, colunista social da imprensa renomada da Paraíba e pai da contemplada com a viagem, o influente jornalista e homem público de João Pessoa foi garoto propaganda de uma campanha publicitária promovida por uma incorporadora de imóveis e construção civil desta bela capital e aproveitou a oportunidade para fazer o anúncio público da viagem de sua filha.

É possível acreditar que tal anúncio fazia parte do roteiro, do script do comercial, já que se tratava de uma campanha voltada para a família, para a sociedade paraibana. Classe “B” ou “A”, o que não deixa de ser sociedade. Elite, para os mais familiarizados. Alguns até acharam meio inadequado para a ocasião, como algo que teve nada a ver com o contexto, com a questão de que não haveria brecha para tal na argumentação, o que de fato é possível verificar no vídeo da propaganda para um leigo em Publicidade e Propaganda (especialistas da área que o digam...). E, então, lançaram a brincadeira nas redes sociais.

“#LuizaEstaNoCanadá”: esta hash tag liderou os tend topics Brasil do Twitter por quase uma semana e a brincadeira virou sensação em boa parte das redes sociais, do Facebook ao Orkut (como se existisse uma dezena de redes sociais tão acessadas quanto estas duas...)! Acho que não há o que pensar duas ou três vezes mais. O povo paraibano não dá ponto sem nó e a principal de todas as intenções foi fazer birra (trollar, no dialeto eletrônico contemporâneo) com a menção, talvez até desnecessária, do Gerardo à sua filha, que está no Canadá.

Não é que haja mal algum em Luiza estar lá naquele país. O mal está (ou estaria) na segmentação a que se tentou fazer quanto ao público-alvo daquele comercial. Talvez. Afinal, morar em um arranha-céus de tamanho porte e em uma área nobre de João Pessoa não é para qualquer telespectador do show do Lenine na orla de Tambaú, do ultimo dia 13. Para o Lenine, acho que sim! A propósito, ele até brincou com a ausência da Luiza, que, porventura, estaria no Canadá, no seu referido show, o que não significa dizer que ele comprou um dos apartamentos do Boulevard Sanit-Germain ou que se indignou com as palavras de “orgulho” do Gerardo.

Mas, por que segmentar o anúncio justamente bem no meio do anúncio? Será que a intenção foi esta ou o Gerardo estaria tão orgulhoso de sua filha ao ponto de expô-la em um comercial publicitário? O anúncio, por si, se auto perfaz segmentado para um público-alvo, capaz de ir ao Canadá ou de mandar um filho para lá, afinal, Canadá não é destino fácil para um filho de proletário brasileiro. E por que fazer menção da Luiza no contexto?

Também, não haveria (houve ou há, tanto faz...) mal qualquer em um garoto propaganda fazer menção do feito de um de seus filhos, afinal, o orgulho nasce para todos em um país livre, como o Brasil. Mas, é que ainda não consigo ver adequação ao fato de a Luiza estar no Canadá com o contexto da propaganda do Boulevard Saint-Germain. Eu tento acreditar que a real intenção da Luiza ter entrado neste contexto foi a de intensificar o direcionamento do produto propagandeado ao público objetivado para o produto posto à venda. Talvez, para que não se fizesse necessário dar um fora em algum pobre trabalhador com perfil para casas de até 80 m2 do programa “Minha Casa, Minha Vida” ou coisas do tipo.

Não estou exagerando, mas é que o Capitalismo de Mercado também tem dessas coisas... Também não haveria problema em um pobre trabalhador sonhar com um daqueles apartamentos. E aí, retrocedemos à pergunta que nos remete a Luiza do comercial, que, na verdade, estava (está, sei lá...) no Canadá!

Arrogância do Gerardo? Talvez. Mas, assistir ao vídeo do comercial várias vezes e condenar, por ora, as palavras do renomado jornalista paraibano na chamada comercial, ver tantas e tantas pessoas do Facebook e do Orkut perguntando pela Luiza, quem é a Luiza, a preocupação com a volta dela, paqueradas e mensagens de amor para a filha do Gerardo, entre muitos outros, ter visto ate o Lenine trollar com a propaganda bem no meio do seu show e ter assistido a todo o furdunço da “#LuizaEstaNoCanadá” no Twitter não teve preço!

Pelo menos para quem mais não se interessou no Boulevard Saint-Germain. Todos saíram ganhando, sobretudo, o Grupo Conserpa/Enger, que, acredito eu, na minha modesta concepção de Administrador, atingiu um público maior do que o que se esperava com a campanha publicitária, que colocou aos olhos do Brasil, a Luiza no Canadá.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti

Em: 17/01/2012

Objetivo: www.LigadosFM.com

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 5º Mundo Cão - Cultura Popular Não é Alternativa

16 de jan de 2012

5º Coluna Esportiva: Roger federer - O elegante

Roger Federer - O elegante

Boa noite, leitores!

Começou o primeiro Grand Slam de tênis: aberto da Austrália. O torneio é disputado todos os anos na metade de Janeiro. Em 2012 vai de 16 a 29 do mês supracitado. É o início de uma longa temporada que vai nos indicar quem fez uma boa preparação para a longa temporada.

Como em todo Grand Slam, Roger Federer é um dos favoritos ao título. No seu caso, podendo conquistar seu quinto título (04,06,07 e 10) na Austrália. Torneio charmoso e que abre a temporada, o aberto da Austrália é pura emoção e recheada de zebras.

Os jogos serão transmitidos a noite e varando a madrugada. Para quem gosta de ficar acordado até tarde, vale a pena. Para aquelas pessoas que admiram o jogo bonito e técnico, eu dou uma sugestão: Roger Federer!

O Suiço esbanja classe e elegância. Seu jeito peculiar de jogar lhe rendeu 16 Grand Slam (recorde entre todos os tenistas de todos os tempos). Federer é conhecido pelo seu respeito ao adversário e principalmente pela forma elegante e precisa de bater na bolinha. Não é a toa que seus fãs e admiradores o chamam de King (Rei). 

Claro, existem outros jogadores que podem chamar a sua atenção. Mas para o amante dos esportes, assistir Roger Federer é como escutar uma sinfonia de Beethoven, um passe milimétrico do Zidane, uma falta bem batida pelo Zico, um drible fenomenal do Jordan, um saque do Giba, etc. 

Seu maior legado é o respeito integral aos seus adversários – dentro e fora de quadra. Por isso ele é querido e respeitado pela maioria dos tenistas. Federer é o típico desportista que joga por música e motivação. Seus golpes simétricos e cirúrgicos nos remetem a entender o quão o preciso pode ser. 

Quem ama o esporte e se deleita com exuberantes apresentações não vão se arrepender. Claro, ele é falho como todo e qualquer ser humano. Mas não é todo dia que aparece um jogador “anormal” como Roger Federer. Vale a pena, vale a passagem, vale o ingresso, vale os olhinhos fixos na televisão para apenas admirar um jogador com extremo talento.

Para os amantes do esporte e do jogo de outro tenista qualquer, fica a minha sugestão também. A minha palavra vai além da rivalidade. Ela se prolonga ao inenarrável momento em que você pode ver a história sendo feita.

Roger Federer, o Mito! Roger Federer, o elegante!

Por: Raniery Maciel Vítor Medeiros Em: 16/01/2012. Objetivo: www.LigadosFM.com

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