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31 de mar de 2012

13º Ensaio Cultural - Todo dia é dia da mentira!


Boa tarde, caros leitores. No 1º de Abril, tenho um tema bem apropriado para tratarmos hoje: mentiras! Não mentiras comuns ou mentiras de Primeiro de Abril, mas precisamente aquelas que jamais seriam seguidas de um "Te peguei! Primeiro de Abril!". Falo das "mentirinhas inofensivas", que em inglês têm até nome específico: chamam-se "white lies".

Quantas vezes não as ouvimos cotidianamente? "Estou chegando em cinco minutos", "Claro que eu não me importo!", "Não tem problema", "Adoraria, mas não posso", "Quanta gentileza a sua! Não precisava!", "Mais tarde eu volto para comprar", são apenas alguns exemplos. Claramente, a mentira está tão presente em nossas vidas que o Primeiro de Abril é apenas um dia em que nós reconhecemos publicamente algumas delas e nos divertimos c0m isso.

Mas, por que mentimos tanto? Bom, é fato que muitas pessoas sentem-se tão facilmente ofendidas que não há eufemismo que dê a polidez necessária a algumas situações. Então, o que fazer? Usar fórmulas de falsidade que tenham por objetivo o "bem comum", ou seja, mentiras que preservam a boa imagem do emissor e fazem com que o receptor não tenha uma reação indesejada. Podemos dizer que isso é uma hipocrisia saudável.

É fácil perceber que "cinco minutos" soa mais agradável que "quinze minutos". Dizer "estou chegando em cinco minutos" busca aliviar a impaciência de quem nos espera, não informar que estamos chegando em cinco minutos. A decepção por não estar a outra pessoa lá em cinco minutos é pequena e a impaciência só vem nos atacar uns dez minutos depois, quando a pessoa que esperamos já chegou.

Já imaginou como seria se, ao recebermos um presente que não gostamos, nós o dispensássemos em vez de dizer "Quanta gentileza a sua! Não precisava!"? Seria uma grande ofensa a quem o comprou com muita boa vontade, pois não há uma forma gentil de dizer "Não gostei do presente que você me deu, mesmo que tenha usado seu tempo e boa vontade para escolhê-lo" sem mentir. Mesmo "não era bem o que eu esperava, mas agradeço a intenção" soa pesado e é capaz de estragar uma festa. Então, dizer "Quanta gentileza a sua! Não precisava!" é a fórmula perfeita para não dizer que gostou nem que desgostou, porém não deixa de ser uma mentira por omissão.

É da nossa língua e da nossa cultura a mentira "do bem". Já tive a oportunidade de falar sobre o assunto com estrangeiros que estiveram no Brasil e eles me disseram que nós aqui somos pessoas muito agradáveis e simpáticas porque somos "white liars" incorrigíveis! Disse-me uma vez um americano que quando ele mal sabia falar português, conhecendo somente umas poucas frases e falando com sotaque bem carregado, diziam-lhe: "como você fala bem português!". Ele sabia que aquilo não era verdade e mesmo assim era repetido por vários brasileiros. Ficava em dúvida se eram os critérios deles para classificar "bom português" que eram pouco exigentes ou se os brasileiros estavam tirando um sarro com a cara dele. Nenhuma das alternativas era a verdadeira, como ele pôde observar com o tempo. A verdade é que diziam aquilo porque queriam agradá-lo. Com outras experiências, logo percebeu que nós somos de fato bons mentirosos - não do tipo que inventa mentiras maldosas ou depreciativas, mas mentirinhas inofensivas que têm lá a sua utilidade.

Como vêem, em quantidade de mentiras que diremos, este é um dia como qualquer outro. Todos contaremos muitas mentiras hoje, sendo a maior parte delas mentiras cotidianas, não as de Primeiro de Abril. Advirto, no entanto, para nunca dizerem "Primeiro de Abril!" depois de contarem mentiras sociais. Isso pode abalar uma amizade.

Autor: André Marinho
Criação: 01/04/2012
Objetivo: www.ligadosfm.com

Reboot #2: Carta Potiguar

Bom dia, boa tarde e boa noite, queridos mochileiros das galáxias. Hoje, nessa coluna que recebe o nickname de Reboot, iremos falar de um dos sites mais polêmicos que já nasceram por estas bandas e tentar entender se criaturas fofinhas tem mais direitos do que criaturas humanas...

No começo era o verbo: alunos de Ciências Sociais discutindo pelos corredores da UFRN como os jornais e blogs do Rio Grande do Norte eram totalmente partidários, não existindo uma mídia de oposição política e imparcial eficiente por estas bandas. Então o verbo se tornou ação, criando um blog simples, com um visual não tão atraente assim e artigos feitos em sua maioria por aqueles estudantes que tiveram a idéia inicial.

E assim nascia, em 2010, o Carta Potiguar. Seu idealizador inicial, Daniel Menezes, já tinha a idéia de criar o blog desde 2009, mas como dizia Raulzito: "Sonho sonhado só é apenas um sonho...". Então, com a ajuda de sua patota, os caríssimos David Rêgo e Thiago Leite, o site foi oficialmente fundado em abril de 2010.

Depois de abrir uma Samanaú Prata pra comemorar, já que espumante é coisa de burguês, é que o trabalho árduo começou. Eu venho acompanhando o site há muito tempo e já até postei um texto lá sobre as leis anti-pirataria SOPA e PIPA. Lembro do começo do blog, numa época obscura, entre um layout feio e outro, em que a Carta era só uma lista de títulos dos artigos. Nada atraente, horrorível mesmo.

Mas hoje o site está uma lindeza que só vendo. Cresceu e se tornou um dos sites de maior influência de opinião do RN. Eles tem espaço em todas as redes sociais mais importantes - o que significa, para mim, Facebook e Twitter -, além de um canal do youtube que eu estou esperando pra ver um vlog ativo, um programa de comentários ou até um clipe com a galera dançando Cordel do Fogo Encantado, enquanto discutem a filosofia pós-Nietszscheana de nossos tempos.

Na Carta, qualquer assunto pode virar tema de discussão. Um exemplo claro disso foi a recente polêmica envolvendo um artigo publicado por Daniel Menezes:  Morte aos gatos! Poxa, eu nem precisei ler o artigo dele para concordar, pois é óbvio que os gatos são criaturas malignas. Todo mundo que passa o dia no 9gag sabe disso.

Entretanto, algumas pessoas discordaram veementemente do artigo, incluindo o ambientalista e vegan Robson Fernando de Souza, que publicou no seu blog um artigo em repúdio ao post "Morte aos gatos"Rapidamente a discussão esquentou entre Daniel e Robson nos comentários, mas o interessante disso tudo foi Daniel ter decidido postar o artigo de Robson na Carta tão prontamente a luta verbal se estabeleceu. "Não acredito no que você fala, vegetariano escroto, mas defendo o seu direito de dizê-lo e parar de encher o meu saco", seria mais ou menos o que Voltaire diria nos dias de hoje depois de uns copinhos de Samanaú.

A Carta Potiguar é provavelmente o exemplo mais claro e próximo de para o quê a internet realmente serve: um local de livre troca de informações  e experiências. Se você deseja que eles postem um artigo seu sobre algum protesto de cunho político-social ou sua experiência alucinante de quase-morte ao comer um ovo-cozido no centro de Natal, só precisa mandar um e-mail para: cartapotiguar@gmail.com. Rapidamente o sr. Menezes ou sua equipe de Woompa-Loompas revisores e editores irá ver se aprovam.

E por hoje é só pessoal. Críticas, sugestões ou citações de Batman nos comentários. Adeus e obrigado pelos peixes! ;)

Autor: Mozart Maia - Criação: 24/03/2012 - Objetivo: www.ligadosfm.com.br

30 de mar de 2012

18ª Resenha Crítica: Em Busca de Sentido

Antes de tudo confira o nosso novo blog: http://demonstre.com/





Boa tarde, caros leitores. Como estão?

Antes de qualquer outra coisa, gostaria de agradecer a minha amiga Stephany Campanelli por ter me presenteado com esse livro maravilhoso. A ela dedico esta resenha.

Resenharei hoje uma introdução à logoterapia e relato pessoal de um psicólogo que esteve em campos de concentração: Em Busca de Sentido, livro do psiquiatra austríaco Viktor E. Frankl.

O título se livro se divide em três partes: "Em busca de sentido" e "Conceitos fundamentais da logoterapia" e "A tese do otimismo trágico".

Na primeira parte, Viktor Frankl relata sua experiência nos campos de concentração da alemanha nazista. Viktor conta-nos desde a sua chegada a Auschwitz até sua libertação ao final da guerra. No campo de concentração é surpreendente que na atmosfera mórbida seja possível ver sorrisos e grandes esperanças, mesmo que muitas delas frustradas. O autor consegue passar muito bem ao leitor os seus sentimentos, de tal forma que podemos senti-lo.

Desde o ingresso ao campo de concentração até a liberdade, questões existenciais tomam conta dos prisioneiros: "Por que eu? Que sentido tem meu sofrimento? Quando será que estarei livre?". O mais impressionante, no entanto, não são as perguntas feitas, mas os mais variados sentimentos que surgem desse absurdo. Alimentando-se de sopa rala e dormindo amontoados, surge a irritabilidade e o desejo de solidão. Muitos conseguem vencer a situação com o humor; outros com os sonhos de liberdade; há também quem rememore a vida antes da prisão para escapar do sofrimento; e, por que não, há arte no campo de concentração (poemas, teatros improvisados...). Mas felicidade mesmo é ser poupado das câmaras de gás, para o qual era necessário se manter com aparência jovem e mostrar-se capaz de continuar a trabalhar.

A sua experiência, diz Frankl, fez com que ele compreendesse o ser humano em seu estado mais puro. No campo de concentração, viu prisioneiros de grande bondade, quando privilegiados pela SS com postos de capatazes, se tornarem mais cruéis que os capatazes da SS, mesmo sabendo que os outros prisioneiros eram, acima de tudo, seus companheiros de sofrimento. De forma sintética, Frankl nos diz que há apenas duas raças humanas: as das pessoas direitas e das pessoas torpes, mas nenhuma delas é uma raça pura, possuindo características da outra. "O que é, então um ser humano? É o ser que sempre decide o que ele é. É o ser que inventou as câmaras de gás; mas também é aquele que entrou nas câmaras de gás, ereto, com uma oração nos lábios".

Na segunda parte do livro, o autor usa suas experiências para lançar as bases da logoterapia, sistema teórico da psicologia que busca o tratamento do paciente num processo que lhe traga uma plenitude existencial. Ele fala sobre a vontade de sentido no ser humano, o sentido da vida, o sentido do sofrimento. Rompe com a visão freudiana que as neuroses têm como fontes somente frustrações sexuais; dizendo que também, e principalmente, em vazios existenciais surge a neurose. Viktor Frankl tem por objetivo tornar a psiquiatria, e a psicologia também, mais humanista. Para tanto, compreende as necessidades mais básicas do ser humano, que vão muito além daquilo que lhes afeta imediatamente.

Na parte final, "A tese do otimismo trágico", Viktor E. Frankl conclui sua obra falando sobre a "tríade trágica" (dor, culpa e morte) e explica porque, mesmo diante dela, não se deve renunciar à vontade de viver.
A leitura de Em Busca de Sentido certamente transformará profundamente o seu modo de ver a vida, em especial os momentos de sofrimento. É um dos livros mais emocionalmente poderosos que se pode ler; para alguns, pode ser até o início da cura dos problemas que os afetam diariamente. Cura ou não, sua leitura é indispensável a qualquer um que se considere humanista, pois ele capta a natureza humana de forma louvável.

Em Busca de Sentido pode ser adquirido por R$ 38,30 na Livraria Cultura (R$ 30,64 para os participantes do programa +cultura) ou na Livraria Saraiva.

Autor: André Marinho
Criação: 31/03/2012
Objetivo: www.ligadosfm.com

3ª Criticando Cinema: O amor é filme e Lisbela e o Prisioneiro também.

Olá pessoal, antes de começar a coluna de hoje eu gostaria de esclarecer uns fatos ocorridos na ultima coluna. O primeiro foi o alerta de uma leitora do blog referente ao texto da coluna ser ligeiramente parecido com um texto encontrado em outro Blog, bem referente a isso eu olhei o texto e de fato constatei a semelhança entre os textos, mas também contatei que o texto era uma copia de um texto publicado no então instinto blog “Cinema & eu” (nome que eu queria ter usado para essa coluna) que eu tinha em parceria com o Miqueas (amigo de infância) em meados de 2004 até outubro de 2006, o fato é que eu possuo os textos originais incluindo anotações feitas por mim e o meu amigo e munido dessas provas entrei com uma denuncia no Blogger para retirar do blog o referido texto, pois tal copia ofende a mim e a memoria de meu amigo. Referente a isso peço desculpas a vocês pelo transtorno, outra coisa que aconteceu foi um descuido meu, pois deixei a minha conta do blogguer aberta no local onde eu faço o meu curso de web no qual fui alvo de uma brincadeira de mau gosto, que resultou em uns textos apagados em meu blog em outro blog na qual eu escrevo chamado “Blog do Consumidor” e aqui (Ultima coluna Criticando cinema) e a proposito gostaria de agradecer a Mônica do Blog “Mulher de Fases” que me ajudou a recuperar a senha da minha conta, então mais uma vez eu peço desculpas a vocês e espero resolver o problema com o texto o mais breve possível.

 Mas, vamos ao que interessa que é a coluna, bem hoje eu vou falar do primeiro longa-metragem feito direto para o cinema do diretor Guel Arraes seus filmes anteriores, O Auto da Compadecida e Caramuru - A Invenção do Brasil, eram adaptações de minisséries exibidas na tv. Então o filme de hoje é Lisbela e o Prisioneiro um filme que pra mim foi importante pois em novembro de 2003 ele foi exibido lá em Fernando de Noronha. Então vamos a coluna. 

Sinopse: Lisbela é uma jovem sonhadora que ama cinema. Leléu é um galanteador de primeira que cruza com nossa jovem protagonista em uma de suas aventuras e acaba se apaixonando por ela. Porém, há dois problemas que os impedem de ficar juntos: Lisbela está noiva e há um assassino profissional atrás de Leléu, depois que este se envolveu com sua esposa. 

Enredo: O filme é uma comédia romântica que conta a história divertida do malandro, aventureiro e conquistador Leléu, e da mocinha sonhadora Lisbela que adora ver filmes americanos e sonha com os heróis do cinema. Lisbela está noiva e de casamento marcado, quando Leléu chega à cidade. O casal se encanta e passa a viver uma história cheia de personagens tirados do cenário nordestino. Lisbela e Leléu vão sofrer pressões da família, do meio social e também com as suas próprias dúvidas e hesitações. Mas, em uma reviravolta final, cheia de bravura e humor, eles seguem seus destinos. Como a própria Lisbela diz, a graça não é saber o que acontece. É saber como acontece e quando. E aí... Só vendo o filme. 

Resenha: No ano de 2003 acontecia em Noronha o projeto “Arte na Ilha” onde teve oficinas de teatro, música e artesanato, e foi junto com esse projeto que “Lisbela e o Prisioneiro” entrou em minha vida por que a oficina de teatro foi feita com parte do elenco do filme Tadeu Melo e Virginia Cavendish, mas em fim foi “Lisbela” que trouxe o mundo do Cinema para Noronha e coincidentemente o filme se trata de cinema, pois a personagem principal vive esse mundo de sonhos que ele nos proporciona e o legal é que a história se passa aqui no Nordeste mas, os dramas, aflições e sonhos da personagem principal são universais. Até por que, quem nunca quis viver um amor que aparece nos filmes? E quem nunca quis ter um beijo imenso para se afogar de paixão? "Lisbela" é isso, é o nosso desejo de viver um filme, e o desejo em ser o personagem principal de nossas histórias. 

Naquela noite em que o filme foi exibido eu pude ver o brilho nos olhos de quem assistia, era como se o mundo estivesse parado enquanto “Lisbela” passava no telão, e a trilha sonora? A trilha do filme é perfeita com nomes que vão desde Zé Ramalho, Los Hermanos e Caetano Veloso. Mas o maior mérito da pelicula foram os seus personagens tão bem construídos e com um humor tão sutil e simples aos olhos de quem assiste e as atuações primorosas de Selton Melo e Debora Falabela, e outro grande mérito que reside aqui é a capacidade incrível que ele tem de contar histórias, de divertir e ensinar a partir da observação do cotidiano que é apresentado no filme. 

Então se você carrega a essência de sonho que o cinema nos proporciona “Lisbela e o Prisioneiro” é o filme no qual você vai se identificar se divertir e dar boas gargalhadas e com certeza esse foi um gol de placa no cinema Brasileiro. E pra terminar eu gostaria de deixar um texto que é dito pela Lisbela em um certo momento no filme. 

"O amor me chamou pra outro lado e eu fui atrás dele. Eu pensei que se eu não fosse a minha vida inteira ia ser assim. Uma vida de tristeza, vida de quem quis de corpo e alma e mesmo assim não fez. Daí eu fui. Eu fui e vou, toda vez que o amor me chamar, vocês entendem? Como um cachorrinho, mas coroada como uma Rainha."

- Lisbela e o prisioneiro

 Por: Anderson Ricardo
Em: 30/03/2012
Objetivo: www. LigadosFM.com

28 de mar de 2012

11ª Fotografia da Semana - Um All Star Qualquer!

Essa foto foi tirada em junho de 2011, no Sophie's Gardens, em Gales. É a representação do que foi, das viagens malucas, bicicletadas, piqueniques ao ar livres e acampamentos em Stonehenge, Bristol e estradas desertas! Bons tempos!

This picture has been taken in june of 2011, in Shopie's Garden, Wales. It is the mirror of a great trip, bicicles travels, picnics in open area and camps around Stonehenge, Bristol and dead roads. Good times!

27 de mar de 2012

16º Mundo Cão - O Insubstituível


Humor muito além do que se vê e que se pensa a respeito do humor, comédias sem apelos, apego ao óbvio, inocência transvestida de safadeza e personagens que não passam de meros e típicos brasileiros de todos os dias, todos os bares, todas as esquinas. O Brasil não esteve de luto nos últimos três ou quatro dias; estará por um bom tempo, muito tempo.

O pai da comédia brasileira, por assim dizer, nos deixou na ultima sexta-feira, deixando não apenas saudades e lembranças de um passado de muita graça e senso de primeira linha. Mas um vácuo, que dará muito trabalho para ser preenchido.

Não estou menosprezando as revelações dos últimos anos ou os protagonistas contemporâneos da comédia e do humor brasileiro. Tem deles que sabem tocar muito bem o coração das pessoas, sim! Porém, bem diferente daquele cearense de baixa estatura, oriundo de uma família promissora de sua cidade a qual migrara para o Sudeste do país em virtude de dificuldades financeiras, parece que as estrelas de hoje em dia têm pouco a falar, com um certo apelo à baixaria – como se sexo, palavrões e excesso de “infantilismo” fizesse a graça na cabeça das pessoas tal qual o Pantaleão, Nazareno ou Coroné da era da TV analógica – ou coisa do tipo.

Poucos se preocupam em retratar uma realidade cômica de um preguiçoso arrodeado de serviçais ou de um cidadão malandro – o extremo estereótipo que se vê do brasileiro nos quatro cantos do Brasil –, mas ameaças à integridade sexual da mulher do outro, excesso de palavrões, 'xavões', apelos a uma série de barbáries em horário nobre para maiores de 18 anos e menor nenhum assistir ou algo do gênero, isto sim, são as bolas da vez do humor dos últimos dias!

Exibem uma gostosona semi-nua, cantada por vários homens de gravata, de sunga ou esporte fino - como se o biquíni no corpo dela ou as curvas ali presente tivessem alguma graça - e isto traz audiência, todavia, onde está a graça nisto tudo (mais uma vez)?

Falam que o Chico Anysio 'morreu de desgosto', como colocou um colunista de uma revista de circulação nacional... Desgosto, por ter sido esquecido pelos amigos, por aqueles para os quais dedicou apoio, pela grande cúpula responsável por despejar putaria e baixaria na cabeça do povo, como se isto fosse produto de comédia.

A maior graça da comédia está no artista cômico e esnobe, que despreza a presença do diretor e é a grande estrela cobiçada pelos maiores estúdios de gravação da estória, ou no professor mal pago que cuida de um turma homogênea de alunos, do mais inteligente à matuta, do Baltazar ao ‘Armando Volta’ (genial, este nome!), algo fora do normal, cabível ao entendimento de quem tem conhecimento de contexto e dos fatos daquele período ali. Daquele momento histórico, politico, econômico... É humor para gente inteligente ou que ‘torna pessoas inteligentes’!

E não estes que diminuem a cabeça dos telespectadores. Estes, sim, possivelmente deram o maior nó no coração do homem. Não merecem aplausos, porque parecem nunca ter passado pela Escolinha do Professor Raimundo... A maior escola do humor e da comédia brasileira chama-se Chico Anysio.

Mais de 200 personagens, mais de mil histórias, mais de meia década de trajetória, um humorista desta linha sabe fazer graça melhor do que qualquer jornalista, ator ou escritor de linha. Ele reúne estas três atribuições e as soma às de humorista e comediante melhor do que ninguém! É um verdadeiro cientista da arte de fazer pessoas rirem e saírem de suas rotinas.

Confesso que, quando ligo a minha TV nas noites de sábado ou nas tardes de domingo, sinto-me longe das minhas preocupações por poucos minutos... Apenas. Só. E, depois, tudo volta! Algumas horas do meu ultimo final de semana, as quais dediquei para ver alguns vídeos de programas e quadros do Chico Anysio, d’Os Trapalhões ou do Chaves, no You Tube, fizeram toda a diferença! Justo quando acreditei que a comédia e o humor, os quais cresci assistindo e faziam-me rir, não passavam de meras obras do passado que, hoje em dia, já não surtiam mais o mesmo efeito...

Momentos como este, apreciar obras como estas, protagonistas como estes são insubstituíveis. Como já dizia o cearense que deu rosto às caras e bocas do brasileiro típico dos quatro cantos, “No humor, todos nós somos insubstituíveis”. E o são, mesmo.

Porque a verdadeira graça eterniza-se no primeiro sorriso estampado no rosto de qualquer data.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 27/03/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

25 de mar de 2012

12º Ensaio Cultural - Educando indivíduos

Saudações, leitores! Como estão este domingo? Venho falar hoje sobre como a didática voltada ao "amplo conhecimento" - que essencialmente só serve ao vestibular e, se muito, à vida profissional - tão presente hoje, é um tanto insatisfatória. Não quero dizer que seja inútil, porque cumpre bem o papel ao qual se propõe. No entanto, falha em um aspecto essencial da educação, que é o da formação do indivíduo, não como alguém cumprindo uma função, mas como um ser pensante e agente colocado no mundo, capaz de criar conhecimento e interpretá-lo, não somente de utilizá-lo. A pergunta "educar para quê?" para mim é menos relevante que "educar para quem?". À segunda pergunta eu não tenho dúvidas quanto à resposta: devemos educar para o discente!

É um tanto irônico que hoje, com uma taxa de analfabetismo muito inferior à do passado e uma educação superior tão democratizada, leia-se tão pouco bom conteúdo e haja uma taxa de gente perdida da vida como nunca se viu antes na história desse país (hoje a taxa está a 85%, diz o Instituto Brasileiro de Estatísticas Arbitrárias). Mesmo que se leia tanto hoje, é raro que se crie juízo independente às modas acadêmicas. Minha pergunta acima de tudo é: onde está a educação voltada ao ser humano, não à sua utilidade social?

Sou incapaz de responder a essa pergunta e estou certo que é mesmo algo difícil de se saber, por isso sinto que isso tem uma raiz forte que está tão profundamente enterrada que não podemos enxergar aonde vai. No entando, o tronco da árvore da ignorância está bem visível: o ensino superior nas ciências humanas, lamentavelmente, hoje é um instrumento de pura formação profissional - quando não pior, de formação ideológica! - e não de produção de conhecimento, como costumava ser. "Pensamento crítico" é um objetivo que gritam aos quatro cantos, e onde está ele de fato? Pelo que constatei por experiência própria, o tal do pensamento crítico é um conjunto de fórmulas feitas sem qualquer fundamento na realidade. Seu fundamento, ao contrário, está em categorias tão somente discursivas. Assim sendo, como podem os professores, que eles próprios passaram por esse ensino superior tão insatisfatório, conseguir formar um ser humano com capacidade de interpretar os fenômenos da realidade, eu realmente não sei. Sei que algum professor pode ele mesmo ir além, pois eu mesmo conheci professores que puderam superar esses limites e que merecem a minha admiração, mas, via de regra, não é o que acontece sempre.

"Como poderíamos mudar isso, André?", você me pergunta. Eu não tenho uma resposta definitiva, no entanto vejo uma retomada de conceitos clássicos da educação como uma opção válida. Não entendam isso como retomada às palmatórias ou à classe de aula quadrada e autoritária com um professor escrevendo ao quadro. Ratifico que isso não tem nada de clássico, sendo uma invenção bem recente. Entendam por clássico é tudo aquilo que se atém acima de tudo à essência das coisas, não ao espírito de uma época. Um livro, por exemplo, torna-se clássico não por ser autêntico representante da seu tempo; ao contrário: ele é representante, acima de tudo, do que transcende o seu tempo. Não ignoro que mesmo os clássicos representem também sua época, pois isso é inevitável (haja vista que o meio influencia as pessoas) mas eles permanecem na história, ao contrário dos demais, por ir além. Percebendo-se essa concepção de "clássico", fica mais fácil de entender que uma educação que transcendesse as necessidades do seu tempo, indo mais a fundo no indivíduo, seria interessante.

Uma opção que considero é a proposta do filósofo americano Mortimer J. Adler, que concebeu a chamada Educação Liberal, que visa a educação pelas artes liberais, que não buscam de forma alguma servirem de instrumento ou produzirem algo. A função das artes liberais é, ao contrário, a edificação do aluno enquanto um indivíduo pensante, não um indivíduo como um pertencente a um sistema. Na Universidade medieval, as artes liberais se dividiam entre o trivium (gramática, lógica e retórica) e o quadrivium (aritmética, geometria, música e astronomia. Foi nesta concepção que se inspirou Adler, embora não tenha tido qualquer intenção de substitutir totalmente nosso sistema educacional por outro. Em vez disso, a ideia é adicionar ao ensino tradicional características desse ideal. Os grandes livros do Ocidente, por exemplo, deveriam ser realmente lidos, em vez de discutidos com uma ótica do nosso tempo. O que se teria seria exatamente o contrário do que se tem hoje: em vez de lançarmos um olhar d0 nosso século sobre o passado, poderíamos usar um olhar atemporal como uma forma de compreender o mundo no qual vivemos.

Em universidades de alguns outros países (como Estados Unidos, Reino Unido, Hong Kong, países da UE, etc.) orienta-se as formações nas ciências humanas por este conceito de artes liberais, dando aos graduados em o diploma de Bacharel em Artes (Artium Baccarauleus) com uma formação principal e outra secundária. Dessa forma, você não se torna, de jeito nenhum, um simples técnico da literatura ou técnico da filosofia. Ao contrário: você adquire uma cultura geral com sentido em si, não na sua potencial utilidade. Você se torna, de fato, um indivíduo com conhecimento amplo das grandes ideias produzidas na nossa história, não de erudição ostentadora para filosofia de boteco.

Com professores formados por um sistema assim, tenho certeza que encontraremos uma educação básica de qualidade, pois os próprios professores foram formados sabendo contextualizar de forma satisfatória os conteúdos que irão ensinar, podendo inclusive refletir criticamente sobre eles e dispor dos conhecimentos necessários para que os seus alunos façam o mesmo. Assim, estendem-se os conceitos importantes da Educação Liberal ao ensino básico, o que é um grande avanço. É um avanço porque preparará consciências realmente críticas, não críticas através das fórmulas de hoje.

Decerto, não podemos pegar um sistema pronto e implantar no Brasil por cima de um já existente. Isso seria um ato insensato que por um longo período geraria um grande abismo didático. Por outro lado, abrir-se a esse modelo e permitir que suas características sejam absorvidas pelo nosso é um grande avanço. Não é uma solução definitiva, porém digo que é melhor que nosso sistema de hoje. Precisamos de algo além de técnicos ou vestibulandos preparados, pois de nada adianta a pura técnica quando lidamos com seres humanos. Lembrai-vos do Admirável Mundo Novo...

Ver também:

Artes Liberais (artigo da Wikipédia)

Center for the Study of the Great Ideas (organização fundada por Mortimer J. Adler)

Educação Liberal (dois textos de Lucas Mafaldo sobre Educação Liberal)

Autor: André L. R. Marinho
Criação: 25/03/2012
Objetivo: www.ligadosfm.com

24 de mar de 2012

Reboot #1: Anões em Chamas




Bom dia, boa tarde e boa noite, caros sonhadores da Matrix. Meu nome de escravo é Mozart Maia e essa é minha estreia na nova coluna de tecnologia do Ligados FM. Eu sou péssimo em apresentações, mas como vovó já me alertava: "A primeira impressão é a que fica, Mozart", então vamos lá. Eu tento aparentar ser um cara esperto, mas não sei se realmente consigo. Nos meus dias ruins, ao me olhar digitando você terá a impressão de ver um macaco martelando um teclado furiosamente. À sociedade protetora de teclados só posso dizer que ele é ergonomicamente feito para macacos furiosos. Meus gostos incluem comédia pastelão, nonsense, literatura sci-fi e fantasia, filmes de terror, jogos (puzzles em geral), tentar achar o começo do 9gag e longas caminhadas ao pôr-do-sol na praia.

Apresentações à parte, nessa coluna que recebe o nome de ReBoot, vamos dar algumas dicas de sites interessantes para serem favoritados e guardados carinhosamente ao lado daquela pastinha com o nome "XXX". Eu pretendia falar hoje sobre um site daqui das redondezas, mas, como as coisas andam meio lentas e páginas não estão sendo upadas, vamos falar de algo mais famoso...

O primeiro site do qual falarei, o Anões em Chamas, surgiu em fevereiro de 2010 com a proposta de, com as modestas palavras dos criadores: "preencher um buraco na produção de conteúdo da internet brasileira". E ficou óbvio que eles não estavam errados. Em um sem fim de "blogs de humor" que só fazem republicar tirinhas com desenhos toscos, os anões botam a casa abaixo com os filmes-curtas que produzem.

Eles são webcelebridades e se existissem cartas Super Trunfo de blogueiros famosos eles estariam entre os Classe A, pois além dos próprios vídeos hilários, eles sempre postam vídeos interessantes/bizarros da internet, curtas estrangeiros belíssimos e as coisas humorísticas mais diversas, como a série de imagens "Bilhete de faxineira", que satiriza situações da vida real com singelas e ingênuas intervenções das empregadas imaginárias de figuras públicas famosas, como, por exemplo, o senador mineiro Aécio Neves.

Para vocês, que estão começando/pretendem começar a ver os vídeos dos anões, eu recomendo ver a série que os tornou famosos: a ingênua e idiotizada "Amanda". Mas não esqueça de antes ligar o botãozinho do sarcasmo, porque na boa véi, não aguento discurso de feminista birrenta.

Já o vídeo "Pornô da Vida Real" é excelente por colocar à mostra todos os estereótipos desses filmes que eu jamais vi, como bom cristão temente ao fogo do inferno que sou, mas um amigo meu que viu disse que são realmente muito toscos. Quem quiser um humor mais engajado, pode tentar o "Humor Preto" e alguns outros vídeos parecidos que são ótimas conversas irreais de bar. E finalmente, para quem gosta de CSI, a franquia parodiesca dos anões que se passa em Nova Iguaçu já arrebatou milhões de fãs pelo mundo afora, especialmente interiores paulistanos.

Mas não é apenas de curta-metragens que vivem os desfavorecidos verticalmente em combustão espontânea. A Fondo Filmes, fundada originalmente pelo roteirista Ian SBF e pelo comediante de stand-up Fábio Porchat, já tem alguns trabalhos diferentes rodando por aí, como a série da Multishow "Será que faz sentido?", com aquele rapaz que adora reclamar de tudo, o tal do Felipe Neto. Além disso, já gravaram dois filmes, um deles o primeiro longa-metragem brasileiro a ser lançado exclusivamente pela internet: "Teste de Elenco", com Tata Werneck, do Quinta Categoria, no papel de atriz em teste e Porchat no papel de diretor sádico. Esse filme trata de uma experiência surreal e as múltiplas facetas que um ator e o diretor assumem no processo de um teste de elenco. Não sei se enquadra em comédia como os outros, pois na minha concepção a experiência se tratou mais de uma tortura psicológica, mas é bem bom demais da conta e merece ser visto! (Isso na minha humilde opinião fecal).

Para a galera que espera sempre uma nota depois de uma avaliação eu dou 134,45 conchinhas de praia. Acho que é uma nota adequada para um site tão bizarro quanto o Anões em Chamas. Bem, espero que vocês tenham gostado da dica. Sugestões, críticas e citações de Douglas Adams nos comentários, por favor. Próxima semana eu pretendo falar de algo mais próximo da galera do Ligados e vocês não perdem por esperar. Até mais!

Autor: Mozart Maia - Criação: 24/03/2012 - Objetivo: www.ligadosfm.com.br

17ª Resenha Crítica - O Livro do Cemitério




Olá, leitores! Como estão? O livro a ser resenhado hoje é O Livro do Cemitério, de Neil Gaiman (autor de Sandman, Coraline, Deuses Americanos, entre outros), inspirado pelo Livro da Selva e situado em um cemitério. O livro é vencedor de quatro prêmios literários e foi indicado a mais outros dois. De fato, é uma obra muito apreciada pela crítica (e também pelo público) e por isso não poderia deixar de ser citada aqui no Ligados.

O livro conta a história de Ninguém Owens, que ainda bebê conseguiu fugir engatinhando de casa até o cemitério após ter perdido a sua família. Foi adotado por um casal de fantasmas, que lhe batizaram por Ninguém, sendo justificado esse nome pelo fato de ele "não parecer ninguém, senão ele mesmo". O curador do Cemitério, Silas, que é descrito como não pertencente ao mundo dos vivo nem ao dos mortos, decide ser guardião da criança, dando-lhe roupas, alimentos e o que mais fosse necessário.

Por ordem de Silas, o pequeno é proibido de sair do cemitério, afinal estará arriscando sua vida ao pôr-se à vista daquele que assassinou sua família, o homem Jack. Então, ele cresce como uma criança normal, exceto pelo fato de ele ter pais fantasmas e ter o cemitério como sua vizinhança. Aprende com Silas, com o Sr. Pennyworth e com seus pais algumas habilidades sobrenaturais que os ajudam bastante em sua vida no cemitério, dentre as quais caminhar por sonhos e desaparecer.

Em sua estranha comunidade de mortos, Ninguém conhece fascinantes figuras, como Caius Pompeius, um fantasma que viveu sob o Império Romano e é um dos mais velhos entre os fantasmas. Uma amiga (viva) que o jovem Ninguém faz em suas andanças é a Scarlett, menina de sua idade que visitava o cemitério com seus pais - que pensam que ele é um amigo imaginário, pois não há quem se chame Ninguém.

O jovem é curioso sobre a morte de sua família, e trabalha intensivamente em busca de respostas. O que ele não calcula, por sua falta de experiência de vida, é que essa busca poderá ser muito perigosa para ele e também para sua amiga Scarlett...

Com toda a maestria do Neil Gaiman em escrever histórias de fantasia, o Livro do Cemitério é uma obra-prima. Mistério, terror, fantasia, drama... Todos esses elementos se combinam em uma única história que pode ser lida por todas as idades sem que se perca a apreciação. Aquela estética sombria e ao mesmo tempo cômica e alegre, típica do autor, é garantia de uma boa apreciação por qualquer público. A não ser que você tenha medo até de fantasmas bonzinhos que adotam crianças órfãs. Coisa que, aliás, não assusta nem mesmo as crianças que leem o livro.

O livro pode ser adquirido na Livraria Cultura por R$ 39,50.

Autor: André L. R. Marinho
Criação: 24/03/2012
Objetivo: www.ligadosfm.com

23 de mar de 2012

1ª Entrevista Literária - Thiago Vilard

Saudações, leitores! Para estrearmos a nossa Coluna "Ligados Entrevista Literária", convidamos o romancista, dramaturgo e roteirista Thiago Vilard. Aos 29 anos de idade, é o autor dos livros "O Falso Profeta" (Editora Lua de Marfim) e "Por dinheiro, pela vida" (Editora Multifoco). Nascido no Rio de Janeiro, cidade onde reside, embora dividido com Belo Horizonte por causa de projetos, Vilard nos fala abertamente sobre o início de sua carreira literária até as suas pretensões futuras.

O autor Thiago Vilard

Ligados: Desde quando começou a escrever?

Thiago Vilard: Posso dizer que desde os meus oito anos de idade, que foi quando eu escrevi a minha primeira peça para a escola. A peça chamava-se "O Que Fizemos de Nossas Vidas", e era a história de quatro amigos que se reencontravam anos depois de separados e falavam sobre suas experiências e sobre o que tinha acontecido a cada um deles. Porém, essa peça só teve uma montagem grande em 1996, com direção de Luciana Victor, que, aliás, tinha sido minha professora de Artes Cênicas.

Ligados: Em que se baseia seu estilo literário?

Thiago Vilard: Baseia-se nas Relações Humanas, com estilo romanesco e folhetinesco. Minha escrita tem forte influência de Jorge Amado e de Sidney Sheldon.

Ligados: Quando surgiu o interesse pelo conteúdo abordado nas obras?

Thiago Vilard: "O Falso Profeta" surgiu quando me veio à mente que a história de um forasteiro que chegava a uma cidade dominada por um grupo de moradores, era muito interessante; me fazia ter vontade de escrever, de contar aquela trama. O "Por dinheiro, pela vida" surgiu de uma compilação de histórias que eu imaginava a cada vez que ia ao centro do Rio de Janeiro; reuni todos aqueles personagens que eu imaginava, com tramas paralelas, etc., montei na cabeça uma empresa que ficava no prédio do BNDES, uma disputa entre família envolvendo aquela empresa, e comecei a escrever, partindo da vilã da história.

Ligados: Quantos e quais livros já lançou?

Thiago Vilard: Já lancei dois. Um aqui no Brasil (Por dinheiro, pela vida), e o outro em Portugal (O Falso Profeta).

Ligados: Fale um pouco sobre as obras e/ou textos que já escreveu.

Thiago Vilard: Eu sou romancista, dramaturgo e roteirista de TV. Tenho uma paixão imensa pela escrita e pela Língua Portuguesa. Lembro do meu entusiasmo e alegria quando ganhei minha primeira máquina de escrever elétrica, uma Petit Eletronic, ainda criança. Minha prima havia comprado para mim em Paris. Eu passei a pegar o jornal O Globo, do qual minha mãe era assinante, lia as matérias e depois as reescrevia com as minhas palavras na máquina elétrica. Pena que a tinta da máquina durou pouco e mais tarde tive que comprar uma Olivetti 82, de maletinha. Guardo as duas máquinas até hoje, como se fossem relíquias. (risos) Depois comecei a me dedicar aos textos dramáticos, à criação ficcional. No teatro, já escrevi algumas peças, algumas encenadas, outras inéditas. Eu falo do teatro porque foi onde descobri verdadeiramente o meu fascínio por contar histórias. Depois vieram os dois romances. "O Falso Profeta" e o "Por dinheiro, pela vida". "O Falso Profeta", a princípio, eu havia escrito num caderno escolar. Possuo o original no caderno até hoje, parecendo um pergaminho. (risos) Anos depois, me dediquei também a aprender e escrever roteiros de TV e cinema.

Ligados: O seu romance "O Falso Profeta" foi publicado exclusivamente em Portugal. Por que optou por não publicá-lo no Brasil, e como você enxerga o mercado literário europeu?

Thiago Vilard: Na verdade a publicação de "O Falso Profeta" em Portugal aconteceu muito por um acaso. Eu fiquei sabendo que a editora de lá (Lua de Marfim) estava a procura de novos autores de Língua Portuguesa. Daí enviei o original, esperei a análise editorial por alguns meses, até que eles me sinalizaram com o “ok” para a publicação. Só sinto não ter podido comparecer ao lançamento, que se deu numa charmosa livraria de Lisboa. O meu livro é vendido em diversas cidades da Europa, mas vejo o mercado literário europeu com certa reserva. A Europa está em crise, e as pessoas tendem a deixar os livros em segundo plano, a depender da condição financeira. Isso afeta diretamente editores, autores, leitores e até mesmo o mercado publicitário. Ainda no caso de "O Falso Profeta", houve uma feliz coincidência: o livro é de época e optei por usar uma linguagem mais rebuscada, com pronomes e conjugações verbais típicas de Português de Portugal. Mas foi coincidência mesmo. Eu jamais poderia imaginar que um dia o meu livro fosse parar em terras lusitanas.

Ligados: Qual o reconhecimento do público em geral, sobre seus livros?

Thiago Vilard: Até agora tenho notado que o público se interessa pelos meus livros depois de ler as sinopses, isso é muito bom, porque é assim que acontece no dia-a-dia. Se você encontra um amigo na rua, por exemplo, e quer contar uma história para ele, você precisa convencê-lo de que tem uma boa história pra contar. Isso você faz nos primeiros segundos de conversa; a depender, o amigo vai parar para ouvir a sua história ou não. É mais ou menos isso que as sinopses dos romances tentam fazer. Tentam convencer o leitor de que você tem uma boa história para contar. Os meus livros têm feito isso com o público. E os que leram até agora, me falam muito bem deles. Gostaram realmente.

Ligados: Já recebeu críticas? Se sim, elas o ajudaram a crescer como autor?

Thiago Vilard: Digo que a única crítica que recebi foi de uma amiga muito querida, que leu o "Por dinheiro, pela vida" e não gostou que não houve punição para alguns personagens; e também porque matei a personagem que ela mais gostava. (risos) “Crítica oficial” ainda não recebi nenhuma. E para falar a verdade, se a gente for se ligar muito nas críticas, a gente não escreve nada. Nem sai de casa. (risos)

Ligados: Quais as suas pretensões para o futuro?

Thiago Vilard: Continuar a escrever os meus romances, me dedicar ao meu grupo de teatro em Belo Horizonte, escrever minhas peças como dramaturgo, e também fazer algum trabalho para a TV. Mas o que fiz até agora já me deixou bastante satisfeito. Do futuro, Deus se encarrega, amém.

Ligados: Possui algum projeto em andamento?

Thiago Vilard: Sim. Estou escrevendo o meu terceiro romance, já tenho 60 páginas escritas e ainda muita história pela frente. Vou entregá-la para o meu editor aqui no Brasil até o fim deste ano, assim espero. Depois devo escrever outro romance para ser publicado em Portugal. Fora isso, estou com uma peça para inscrição na Rouanet, depois para a captação, com excelentes atores, atrizes e diretor confirmados no projeto. O grupo de teatro do qual sou responsável em Belo Horizonte também vai estrear uma peça este ano, com dramaturgia escrita por mim. Também filmaremos um roteiro de um curta de minha autoria. E outros projetos mais secretos... (risos)

Ligados: Qual a dica que você deixa para quem está começando?

Thiago Vilard: Insistir e não deixar de acreditar que tudo é possível quando se tem fé e determinação. Acho que quando somos fiéis aos nossos sonhos, automaticamente eles são fiéis a nós também, e acabam por tornar-se realidade.

Perguntas Rápidas:
Um Autor (a): Jorge Amado.
Um Ator (Atriz): Marly Bueno.
Um Site: JB FM
Uma Música: That’s Whate Friends Are For, da Diva Dionne Warwick.
Um Filme: Um Sonho de Liberdade, do genial Frank Darabont.

Links com o seu material:
Facebook: Thiago Vilard
Como adquirir suas obras nas lojas virtuais: Pelos sites da Editora Multifoco, Livraria Cultura, Livraria Leitura

Ligados: Agradeço pela simpatia e presteza nas respostas. Um grande abraço e sucesso. Você deseja encerrar com mais algum comentário? 

Thiago Vilard: Quero agradecer a você e a todos os parceiros do Blog pela oportunidade inestimável de estar aqui, concedendo esta entrevista. Obrigado.


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 23/03/2012 - Objetivo: www.ligadosfm.com

22 de mar de 2012

12ª Batalha de Bandas - Matupira VS Clara e a Noite

Baterias, saxofones, Violões, Baixos, Guitarras, vozes e letras alucinantes. É desta forma que acontece mais uma Batalha de Bandas, do programa Ligados, na 87,7 FM. São os grupos Matupira e Clara e a Noite que vão encenar essa roda de capoeira em um tom samba, rock, ragge e blues que vão alucinar e enaltecer mais ainda nossos amados ouvintes e seus fãns!! 

E a votação começa agora mesmo: 18:00 desta quinta feira (22/03/2012) e vai sexta feira, dia 23/03/2012, ás 13h e 55 min. Escute as bandas, decida a sua predileta e vote na enquete aqui do blog. A mais votada vai tocar na rádio 87,7 FM a semana inteira!! E para quem não tem um rádio, ouça online no nosso link da rádio: http://www.ligadosfm.com/p/877-fm-ao-vivo.html

Matupira: E do lado direito do Ring, abençoado por Iemanja, Poseidon e centenas de surfistas e surfistinhas chamamos Matupira com Beto Matupira na voz, Maikon na bateria e Caixinha de Leite no baixo para fazer a festa no Ligados. Juntos, possuem mais de 3 horas de composições originais nos mais diversos estilos que garantem muitas meias luas no ring do Ligados. 

Conheça um pouco mais da banda Matupira: 

Clara e a Noite: E do outro lado eles aparecem com toda a carga do blues e rock clássicos, falando sobre homens lunares, noite e cotidiano eles aparecem na noite e iluminam tudo com a voz de Clara Pinheiro e talento de Pablo Jorge, Diego Akuangaçu, Fábio Rocha e Micael. São rock, jazz, noite e clara que entram no ringe dispostos a fazer os ouvintes delirar e cair de amores. 

Conheça um pouco mais da banda Clara e a Noite:  

Autor: Felipo Bellini Souza Criação: 22/03/2012 Objetivo: www.ligadosfm.com

21 de mar de 2012

6ª Mensagem Direta - Reunindo Exércitos


Feliz dia 21/03/2012 para todos vocês que acompanham o Ligados e também para vocês que caíram aqui de paraquedas. Essa mensagem se dedica ao fechamento de 3 meses de ligados, nossas idas e vindas e as revoluções que prometem para o próximo ciclo.

Para começar, gostaria de agradecer a toda equipe do Ligados, que fazem com que ele aconteça enquanto programa de rádio (87,7 – Sextas – 13h e 17h), blog e outras ferramentas. São graças a vocês - Uitamar Jr., Ladynha, André Marinho, Andesson Decatelo, Raniery Medeiros, Anderson Ricardo e Dymmas Nascimento – que o programa acontece e que sempre manteve e mantém uma excelente recepção do público de ouvintes e leitores da marca.

Neste meio tempo de três meses tivemos muitas surpresas, como a criação do Ligados em Música, onde entrevistamos bandas do RN em uma extensão do programa Ligados, a marca de 1000 visitas diárias no blog, a aceitação e replicação do programa por várias rádios parceiras no interior do Estado, promoções megalomaníacas e a triste saída do Raniery Medeiros do time de colunistas do Ligados.

Momentos tristes e felizes que entraram e marcaram a trajetória do grupo e que continuaram movimentando oceanos com as novidades que estão chagando!

O Ligados está crescendo, e com ele a equipe que o integra. E este post é para anunciar justamente quem vai agregar conteúdo no nosso blog predileto! Já para essa última semana de Março e 1ª de Abril, convido a arena do Ligados três novos nomes de peso que irão inovar!

Eles são Mozart Maia, Thiago Jefersson e Douglas Calheiro e vão abrir os horizontes do ligados para tecnologia, história e literatura, montando o que o ligados faz de melhor, destacar o que há de melhor na cultura do estado e Brasil, em textos interessantes e que dão algo em troca aos leitores.

Mas, porque eles e o que eles vão fazer no Ligados?

Mozart Maia – Técnico em Informática, programador e futuro jornalista, ele está armado até os dentes de conhecimentos internalticos e promete garimpar para os ligados de plantão os melhores sites do RN e Mundo, resenhando o conteúdo e funções destes para que tenhamos um panorama do que vamos usufruir. O convoquei pela habilidade com a caneta, texto fácil e despojado e objetividade que ele transparece. Então, que venha a coluna Reboot!


Douglas Cavalheiro – Filosofo e pseudo historiador, ele é um destes Nerds de carteirinha que se torna tão fanático por um projeto que não só veste a camisa, mas tieta, vende e critica minuciosamente o trabalho por todos os lados, sempre de uma forma positivista de ser. Sendo assim, escolhi ele pelos em projetos jornalísticos e acadêmicos que participa, do conteúdo de sua coluna por ser indicado por ninguém mais, ninguém menos que André Marinho. Ele assume então a coluna “História Mal-Contada” onde acidifica a história, destacando os eventos cabulosos que estão nas entranhas do nosso presente e passado.

Face: http://www.facebook.com/profile.php?id=100001958970155

Thiago Jefferson – Autor, romancista e temerário nas linhas de combate dos autores independentes, Thiago assume uma das colunas mais pensadas e ambicionadas para o Ligados. Ele vai comandar a coluna “Ligados Entrevista” na linha de literatura, revelando novos autores e criando um canal direto de comunicação entre eles e o público. Escolhi ele pelo ramo, boa vontade, prosa simples e criativa e como introduz novos elementos aos seus textos, criando novas formas e criaturas.

Blog: http://www.thiago-jefferson.blogspot.com.br/
Face: http://www.facebook.com/profile.php?id=100001933699549
Twitter: https://twitter.com/thii_jefferson

Então é isso! Espero que vocês gostem destas primeiras três mudanças no ligados! Fiquem atentos, pois ainda na próxima semana começaremos dois novos serviços no Ligados FM, onde vamos montar um catálogo de bandas do RN, abrir o programa do Ligados para patrocínios, apoios e anunciantes e explicar como sua banda vai poder participar da Batalha de Bandas do programa Ligados e da entrevista do Ligados em Música.

Abraço a todos, muitas conchinhas de Iemanjá e trevos neste fim de mês de São Patrício, padroeiro de Gales e da Irlanda!

Obs: Lembrando que, o Raniery é um grande amigo e guerreiro, que deixou a roda de capoeira do Ligados por motivos pessoais, mas que sempre terá seu espaço aqui dentro para suas futuras revoluções!

Autor: Felipo Bellini – Criação:21/03/2012 – Objetivo: www.ligadosfm.com

20 de mar de 2012

15º Mundo Cão - DEPA – Denuncismo Economicamente e Politicamente Ativo


Se não fosse pela audácia de ter que se pendurar nas costas do funcionalismo público, talvez, o RN seria um fiasco de estado, em termos de economia e distribuição de renda. A propósito, concurso público não é o melhor meio de se fazer distribuição de renda ou de se gerar emprego, mesmo que as coisas, por aqui, não se dêem desta forma aos nossos olhos...

Com uma das piores taxas de geração de emprego do país, Natal apresentou queda de 6% nos índices que medem a capacidade de se gerar emprego do ultimo ano. Ou seja, 6% mais de nossa PEA – População Economicamente Ativa – encontra-se desempregada e colabora com o já consolidado quadro o qual qualifica Natal como uma das piores capitais para se procurar emprego no país.

Quem não conhece alguém que fez ou faz faculdade nesta cidade, graduado ou pós-graduado, que acredita em um próspero futuro e que nem precisou largar tudo, trabalho, carreira ou futuro promissor em uma grande corporação, por sequer fazer parte de uma, para estudar para concurso? Muitos de nós, diga-se de passagem...

Estamos em uma unidade pouco desenvolvida, pobre, para ser mais preciso, com poucos esforços no sentido de proporcionar melhores condições de geração de emprego e renda, com poucos incentivos e com uma das maiores incidências tributárias do país. O ICMS daqui é 25% sobre a atividade produtiva, mais que o dobro dos vizinhos paraibanos. E ainda empurram goela adentro o discurso de que o aumento do peso do Estado é crucial para a geração de empregos, seja através de concursos públicos, seja através da abertura de novos cargos comissionados.

Independente de ambos os caminhos, isto só tende a aumentar a necessidade de expansão da arrecadação fiscal, para que se possa manter vigorosa a atividade pública para a qual se tenha optado. Falo de aumento de impostos, de encarecimento dos preços das mercadorias e serviços por causa da alta incidência tributária sobre a formação dos preços destes e, acima de tudo, de dificultalização da atividade empreendedora – e, consequentemente, da geração de empregos, renda e da manutenção de um ambiente sadio e promissor para se trabalhar e fazer deste estado um lugar melhor para se viver.

A propósito, são justamente os empreendedores e funcionários da iniciativa privada que sustentam as folhas de pagamento e as verbas direcionadas ao serviço público gerando o mínimo de ônus para os cofres dos governos! Por que, então, tamanha falta de atenção a este lado da sociedade potiguar?

As turmas de cursinhos preparatórios para concursos públicos estão lotadas não somente por causa das facilidades propostas no serviço público brasileiro, mas por estarmos em um ambiente em que se amargam empregos de baixos salários, atividades de baixa remuneração e administração pública empurrada com a própria barriga, com a mínima preocupação com o micro, pequeno e empreendedor individual e com a máxima oneração dos recursos arrecadados com uma folha de pagamento ineficiente e sem muitos anseios desenvolvimentistas de longo prazo. É de governo que estou falando...

Isto data, ainda, da primeira metade da década passada, em que as ordens de pagamento de pessoal do governo do estado atingiram patamares recordes em toda sua história. Até o Ministério Público da União (isto, por “incapacidade” de atuação do Ministério Público Estadual) caiu de porrada sobre a administração municipal, impondo prazos e normas com respeito às obras de saneamento básico em Natal – fato esquecido em virtude do apagão administrativo sofrido nos últimos 4 anos e do excesso de buracos, talvez, nas avenidas – e, até agora, quase tudo deixou de ser feito...

Não há dúvidas de que o maior erro cometido pelo povo potiguar (ou norte-riograndense, como queira) foi ter eleito boa parte desses administradores públicos que ocupam e têm ocupado as cadeiras parlamentares da política local das ultimas décadas. Sobretudo, dos últimos anos!

Sem querer retirar o de ninguém da reta, porém, com tantos recursos obtidos e investimentos incididos sobre a nossa atividade econômica – e aí tem-se uma lista infindável de atividades, dentre elas a turística, a da fruticultura irrigada, eventos, imobiliária, da construção civil, distribuição, extração mineral, pesca, carcinicultura e até industrial –, provavelmente, as ultimas administrações são as que não merecem, sequer, o mínimo comentário, menos ainda positivo, a respeito. Para não dar o cabimento.

Duas de nossas maiores e mais importantes firmas de produção industrial – de geração de emprego e investimentos – cogitaram interromper suas atividades produtivas no RN por inviabilidade orçamentaria, haja visto que a penúltima gestão estadual ameaçou eliminar os incentivos fiscais a elas dados. Seriam mais de 15 mil desempregados, como consequência desta medida, todavia, por ‘meia sorte’, apenas pouco mais de 7 mil destes trabalhadores foram atingidos, em virtude de uma delas ter decidido reinstalar sua unidade produtiva no estado da Paraíba.

Como consequência deste fato, alimentou-se o clima de esperança de uma cidade melhor para funcionário públicos viver para a coisa de lá 7 mil pessoas – se tivermos a sorte de uma parcela destas não terem enveredado para o crime ou para alguma atividade ilícita –, isto, em meio a uma concorrência feroz e verosímil por uma cadeira no estrelato do serviço público local. Eu temo a nossa mão-de-obra concurseira!

Pois, nada tem sido feito para mudar esta realidade. E, para poucos, tem se dado a devida atenção, sobretudo, àqueles que desejam radicarem-se por aqui sem ter que, necessariamente, conseguir inserir-se em algum órgão da atividade pública. Para falar a verdade, Natal e o RN são sim uma capital e um estado de funcionários públicos e isto não é muito bom, não.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 20/03/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

10ª Fotografia da Semana - Drogas Nas Terras da Rainha

Essa é uma triste realidade dos países ricos e desenvolvidos, onde as pastilhas de LSD são distribuídas a rodo nas festas e as lindas galerias onde se vendem marcas finas como Cabana, Carolina e Calvin são redutos para o uso do pó branco. Para quem acha que as drogas são um problema único dos países subdesenvolvidos, basta a informação de que ela é disseminada em qualquer local da Europa, com a única diferença de que aqui elas são marca da segregação e pobreza e lá ela se incrusta em qualquer convenção social e eles tem condição de pagar. Vergonha!

Foto de 10/05/2011 em Cardiff - País de Gales

Autor: Felipo Bellini - Objetivo: www.ligadosfm.com - Criação: 20/03/2012

18 de mar de 2012

11º Ensaio Cultural - Questionamentos aos Anonymous

Boa tarde, leitores. Como estão neste domingo? Hoje falarei sobre os Anonymous, que me dão um sentimento otimista, por um lado, e pessimista por outro. Explicarei os motivos.

Tenho uma máscara do V de Vingança em casa, acompanho os movimentos dos Anonymous, mas de forma alguma estou diretamente envolvido com eles. Na verdade, comprei a máscara porque gosto do filme e do simbolismo por trás do Guy Fawkes. Reconheço a legitimidade do grupo, mas sou relativamente cético quanto as suas operações e aos seus ideais.

Admito que muitas das ações dos Anonymous foram louváveis, em especial aquelas sobre liberdade na internet. Os resultados foram sentidos e pode-se dizer que eles salvaram o dia tal como as Meninas Superpoderosas. A SOPA e a PIPA foram derrotadas com os supergolpes do grupo de justiceiros. Porém, muitos grupos se auto-identificam como Anonymous e agem em favor de interesses que não condizem com os da população. Afinal, se auto-intitulando de tal forma, chegam a nos iludir que estão fazendo algo pelo bem, quando pode não ser esta a verdade. Em vários pontos, vi os Anonymous antecipando na população americana o apoio a alguma ação do governo Obama e isso me deixou bem desconfiado. Podem dizer que estou imaginando coisas, mas o caráter descentralizado e, como diz o próprio nome do grupo, anônimo, qualquer um pode agir em nome deles, até mesmo grupos ligados ao governo.

No Brasil, vejo que eles são bem fracos até agora. Os protestos que até então aconteceram parecem não trazer resultado prático algum, ou, se algum, pouco efetivo. Sua luta é a mesma que a de todo cidadão, mas seus métodos são duvidosos. Um grupo auto-intitulado Anonymous derrubou no Brasil sistemas de bancos e o único resultado possível foi atrapalhar a vida do cidadão que necessitava do acesso. O que eu me pergunto é: qual foi o objetivo deles com isso? O objetivo foi alcançado? Se o que queriam era alertar à população sobre qualquer coisa seria bem mais interessante invadir o um site de notícias bem movimentado e deixar lá alguma mensagem de alerta. Se era reforçar a segurança dos bancos, talvez tenha dado algum efeito.

Creditado a eles em Natal, houve ataques aos websites do Shopping Midway Mall ou da Câmara Municipal. Lá, a mensagem: "Não estamos aqui para amedrontar ninguém, apenas para provar que todos falhamos, até mesmo uma empresa que recebe milhares de reais do governo para administrar sites. Abra seus olhos para corrupção. Ainda há tempo." Ora, falar que há corrupção é chutar cachorro morto e dizer "abra os olhos à corrupção" chega a ser banal, pois ouvimos isso todos os dias até dos próprios corruptos simplesmente para limpar sua barra. Todos sabem que há corrupção no Brasil, mas denunciar casos de corrupção ignorados pela mídia seria muito mais proveitoso e valeria muito mais o gasto de tempo e energia. A intenção foi ótima, mas não foi muito informativo.

Enfim, não tenho nada contra os Anonymous em si, afinal eles não são uma unidade hierarquizada com interesses uniformes. Até simpatizo por eles e acredito que eles, mais que qualquer outro grupo ativista, tem o poder de fazer alguma mudança. Por outro lado, não dou credibilidade a qualquer um que assim se auto-intitule - pois atrás da máscara pode estar qualquer um - nem concordo com todos os métodos empregados. Desconfio também com a natureza de suas reivindicações. Sempre me pergunto, quando qualquer grupo age na política, qual seria o seu objetivo e sua justificativa. Na falta da explicitação destes, eu mantenho a dúvida. Estou com os Anon em muitas coisas, mas peço a que mantenham metas, métodos e razão pois sem isso as ações podem ser improfícuas. Aos demais, olhos abertos!

Autor: André Marinho
Criação: 18/03/2012

15 de mar de 2012

16ª Resenha Crítica - Admirável Mundo Novo




Olá, fiéis leitores! Vocês que acompanham minhas colunas certamente sabem que me preocupo com o estado das coisas na nossa cultura e como isso pode se refletir no futuro. Preocupa-me muito mais porque antes de eu nascer já estavam em discussão no livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, todas as características de uma cultura decadente como a da contemporaneidade. O livro é uma distopia, isto é, uma anti-utopia. Para saber mais sobre as utopias e distopias, releiam meu 5º Ensaio Cultural - Utopias e Distopias.

Os seis primeiros capítulos são uma introdução ao Estado Mundial, principal cenário da obra. Neles vemos estudantes serem apresentadas aos bastidores da sua sociedade enquanto esta é comparada ao velho mundo. Elas veem bebês em úteros artificiais, única forma de gestação possível, pois a família, bem como seus conceitos seus derivados, se tornaram estranhos, afinal todas as crianças são criadas pelo governo, não por estruturas familiares. Nascem em laboratório, são criadas em úteros artificiais e alimentadas com sangue artificial. São educadas por processos pavlovianos, recebendo reforços negativos para cada coisa indesejável, como livros ou flores - considerados inúteis, haja vista que afastam as pessoas de seu grande dever.

Numa fase posterior da educação, as crianças são forçadas a praticarem jogos eróticos umas com as outras, nunca passando muito tempo com um mesmo parceiro de brincadeira. Isso é um condicionamento prévio à promiscuidade, já que no Estado Mundial o sexo se dissocia totalmente da sua função reprodutiva e é recreação obrigatória. É certo que esse comportamento não supre as necessidades humanas, mas qualquer desconforto ou infelicidade se supera pelo uso de "soma", uma droga alucinógena e antidepressiva que é consumida indiscriminadamente.

A monogamia, tal como o romantismo, é totalmente reprovável socialmente. Estar por quatro meses se encontrando com uma única pessoa é um absurdo! Estar sem a companhia de outra pessoa a qualquer momento é igualmente impensável, tal qual em Anthem. A maior diferença entre Anthem e Admirável Mundo Novo neste aspecto é que no último há um condicionamento para esta tendência, enquanto em Anthem esta é mantida pela autoridade de um governo.

Neste mundo, inserem-se o psicólogo Bernard Marx (da casta Alfa) e a tecnicista de vacinação Lenina Crowne (da casta Beta). Ambos são desajustados. Bernard é um pessimista de estatura inferior à média da sua casta, tem crenças incompatíveis com a do seu mundo e sonha com uma sociedade em que ele passa se ajustar, embora por ela não lute ativamente.

Lenina não é suficientemente promíscua para a sua sociedade. Ela se relaciona exclusivamente com um único homem por vários meses, o que é um grande choque. Em um diálogo dela com uma outra personagem, ela revela que vai encontrar-se novamente com Henry Foster. Novamente! Ora, já se havia passado quatro meses que ela estava exclusivamente com Foster! Lenina não via necessidade de ninguém mais, porém as autoridades se opunham fortemente a tudo que fosse intenso ou prolongado.

Um terceiro desajustado, o mais fascinante dos protagonistas, surge posteriormente: John, o selvagem, nascido em uma reserva de selvagens, fora do Estado Mundial. De onde ele veio ainda praticava-se coisas "ultrapassadas", como o casamento, o nascimento natural, as tradições religiosas e a vida familiar. Por ser um estrangeiro, faz frequentes comparações entre o Estado Mundial e a Reserva dos Selvagens. John considera valores como a liberdade individual e a dignidade humana muito mais importantes que a felicidade ilusória do mundo civilizado. Isso nos faz pensar sobre muitos dos nossos próprios indígenas hoje, que quando vão para a cidade encontram apenas situações degradantes, quando o que buscavam era qualidade de vida.

O Selvagem faz frequentes citações do dramaturgo inglês, incluindo a famosa fala de Miranda em A Tempestade que dá nome ao título de Aldous Huxley ("Ó, maravilha! Quantas criaturas belas há aqui! Como é maravilhosa a humanidade! Ó, admirável mundo novo que contém tais pessoas!"). As citações do Selvagem são de extrema importância para a compreensão profunda da obra e os entusiastas de Shakespeare terão uma experiência fantástica em decifrá-las.

O livro, escrito no início do século XX, é um diagnóstico inigualável da contemporaneidade e do futuro próximo. O próprio Huxley assustou-se com a rapidez com que o Admirável Mundo Novo tornava-se realidade. Eu não vejo dúvidas que vivemos no mundo que ele previu. Estar sozinho em qualquer sentido possível é motivo para chacota, o que explica por que o "Forever Alone" é engraçado. A exaltação do "ser solteiro" como sinônimo de "ser livre", por poder ter vários parceiros sexuais sem dar satisfação a nenhum deles, está também por todos os lados: em músicas, nas redes sociais e nos discursos dos neomoralistas que consideram "não curtir a vida" o maior pecado. Por conseguinte, apegar-se a alguém é um mal: pula-se fora de um relacionamento com a mesma facilidade que se engaja nele. No nosso mundo, toma-se também "soma" diariamente para passar a tristeza ou o vazio interior, seja por receita médica (legítima ou falsa), por hábitos socialmente aceitos ou por atos "subversivos".

Não podemos, no entanto, culpar as pessoas por estas atitudes, pois é o espírito da nossa época que está doente. Eu próprio, confesso, já fui iludido que era desejável o Admirável Mundo Novo. O que nos resta enquanto seres dotados da razão - que é um poder - é resistir a esse espírito, exatamente como Bernard, Lenina e John. É por isso que Admirável Mundo Novo, mesmo escrito em 1931, é um livro tão relevante: suas discussões são de uma grande atualidade e fazem-nos refletir sobre os efeitos da tecnologia sem ética, da inversão de valores e do caráter aprisionador de uma moralidade libertina. Eu entraria em mais detalhes nesse assunto, mas isso alongaria minha resenha além dos limites que eu tolero. Deixemos isso para outro momento, na minha coluna Ensaio Cultural.

Admirável Mundo Novo, na excelente edição da Editora Globo, pode ser adquirido na Livraria Cultura por R$17,90 (R$14,32 para os participantes do programa +cultura).

Recomendo também a leitura de Regresso ao Admirável Mundo Novo, ensaio do autor sobre como seu livro Admirável Mundo Novo estava rapidamente se tornando realidade, a venda também na Cultura, por R$ 35,00.

Autor: André Marinho
Criação: 17/03/2012
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