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31 de mai de 2012

Reboot #7: Pinterest

Bom dia, boa tarde e boa noite, meus caros Watsons. Nessa coluna misteriosa e inexorável que recebe o nome de Reboot, vamos falar de uma rede social definida em uma palavra: simplicidade.









Não é o twitter, não. Eu posso ser idiota, mas não idiota a ponto de pensar que algum de vocês, ratos de internet, não conhecem o twitter. Já o Pinterest é carne nova no pedaço e é bem provável que vocês não conheçam uma das redes sociais que mais cresceram de 2011 para 2012, com exceção daquele hipster chato que sempre dirá: "Ah, eu já usava o Pinterest antes de ser legal. Aliás, antes mesmo de ser inventado, eu já tinha criado uma coisa parecida..."

Mas o que diabos é um Pinterest? É de comer? De certa forma sim, já que é um banquete para os olhos(risos). Criado em março de 2010 e popularizado em 2011, foi eleito pela revista Time como um dos 50 melhores sites de 2011. É, como eu disse, uma rede social, uma forma de compartilhar informações e experiências que te interessam. E isso da forma mais simplificada possível: você viu uma imagem em um blog? Upload e pine ela, para que seus amigos vejam. Você viu uma fan art da Sakura Card Captors e quer que as pessoas saibam o tamanho do seu amor por esse mangá? Pine!

A lógica é muito simples, mas é totalmente absorvente. Imageboards - esses sites voltados para publicação e comentários de imagens - não são uma novidade. Vide o incrível, antiquíssimo e semi-pornográfico 4chan. A novidade é você marcar suas fotos com sua área de interesse, compartilhar, encontrar outras imagens parecidas sobre o mesmo assunto, ou seja, transformar isso em uma rede social! Outro diferencial do Pinterest é o formato em timeline progressiva que é tão adotado atualmente: quanto mais você desce o scroll mais imagens aparecem. E assim seu tempo de vida escorre, as horas passam e você ainda está vendo imagens engraçadas de PhotoBomb.

O trunfo final do Pinterest é aquilo que está tornando redes sociais como o facebook e twitter tão integradas ao nosso dia-a-dia na internet, e facilitando nossa vida ao usá-las. Os desenvolvedores do site o tornaram facil de acessar e de incluir em outros sites ou aplicativos. Muitos blogs e sites de design, fotografia e arte já incluem um plugin para que você possa pinar as fotos postadas, facilitando a divulgação dos autores e a aproximação destes sites com os seus fãs. Por outro lado, vemos uma torrente de apps para Android bizarros que apostam suas fichas na nova rede social. Coisas do além-túmulo, como aplicativos que mostram fotos de gatos fofinhos e outro que mostra imagens de carros e mulheres sensuais.

O Pinterest tem tudo para se tornar algo realmente popular, mas suas limitações são bastante óbvias. Há de se pensar se vale a pena investir totalmente na simplicidade ou alternar para uma plataforma com diversas mídias, como o Tumblr vem fazendo. E por hoje é só pessoal. Críticas, sugestões ou citações de mim mesmo nos comentários. Compartilhem-me! :p

Autor: Mozart Maia - Criação: 31/05/2012 - Objetivo: www.ligadosfm.com.br

30 de mai de 2012

39º Miniconto - Contato


Contato

Paradoxo...
O momento em que duas realidades se encontram.
Um momento, duas vidas paralelas que acabam por se cruzar, uma que destoa e morre invisível, outra que vê o obvio e caminha sem saber que os horizontes não passam de uma aquarela borrada que esconde o turvo da vida.  Momentos em desatino, uma estranheza de olhares, o negro pálido que vê o nutrido, o branco que percebe algo mais que um safári, uma troca de olhares, de sentimentos, que passam pelas mãos...
Então, um turbilhão de ideias... Pensamentos abalam estruturas... Quem era aquele? Seria semelhante? Quantos anos? Quantos lhe restavam? Existem pessoas tão altas? Tão fortes? Talvez... Ele já havia visto outros assim, perambulando por ai... Anjos? Brancos? Ilusão? Fome... Sede...

Autor: Felipo Bellini Souza Criação: 26/05/2012 Objetivo: Projeto - Caminhos do Presente

29 de mai de 2012

25º Mundo Cão - As Invenções que Ficam: A Melhor Contrapartida!

Nem todas os problemas do insucesso de uma causa estão no produto final que concebemos na forma de nossas criações. Em muitas ocasiões, elas são verdadeiras obras primas, que atendem aos anseios de um determinado público; a questão está em como o criador de tal obra lida com a mesma e leva ao seu destino. Assim como a manipula, o modo como a torna público, para que público leva e, sobretudo, como a trabalha para ser ainda melhor aos olhos de quem vê.

O papo hoje é de Administrador para público. É que estive verificando nestes últimos dias casos de sucesso e de fracassos em torno da criação de produtos, de obras de arte e até de promoção pessoal. Artistas, atores, músicos, escritores, compositores, criadores, inventores, gestores, todos, têm algo em comum: o estado da arte! Ou a coisa de criar condições, conquistar público, avançar, crescer, atingir metas, objetivos ou abocanhar resultados.

Nada é descartável ou apenas isto. Sempre é possível encontrar usabilidade naquilo que se acredita ser obsoleto. Na indústria de veículos, por exemplo, apesar das inovações, as melhores matrizes do mercado são aquelas com lá seus 30 anos de lançamento. É o caso da FIAT, da Wolks, que baseiam a produção de seus veículos mais vendidos na mecânica de matrizes de carros lançadas ainda no início da década de 1980, aproveitados, por sua vez, de uma linha ainda mais antiga, para aquela época. É o caso do Uno (pai de edições, como Palio e Punto, nos dias de hoje) e Gol (a base da pirâmide das charmosas edições do Polo e Golf), isto, sem falar nas Peruas, Pick Ups e até Sedãs!

A propósito, ninguém há de discutir que estes dois são os carros mais vendidos do país, mais baratos e fáceis de manter. O mesmo não o é diferente na indústria da informática. Os melhores processadores da atualidade são, na verdade, réplicas “melhor utilizadas” de processadores antes já consolidados. Os tops de linha da Intel, Core i3, i5 e i7 são, na verdade, Cores 2 Duo ou Quadcores turbinados com processadores gráficos melhores do que os disponibilizados anos antes do lançamento daqueles... A propósito, há milagres acontecendo com Dual Cores e até uma experiência, já antiga, da Info, a qual mostra a capacidade do Pentium 4 atingir mais de 5Ghz de frequência em um processador de um só núcleo (através de Overclock).

O mundo dos games... Ah, o mundo dos games! A minha área favorita em termos de comparação e referência. Quem não lembra da disputa histórica entre SEGA e Nintendo na década de 1990, que tomava conta de todas as prateleiras de games e videogames com os recursos avançadíssimos da época em processadores de 16 BIT? Quem tem a memória boa, lembrará de que o Mega Drive, da SEGA, apesar de obsoleto 02 anos frente ao seu rival, o Super Nintendo, conseguiu disputar no mercado em pé de igualdade, fazendo uso das mesmas tecnologias e quebrando paradigmas, os quais sempre repensavam seu conceito em relação a gráficos, som e interatividade.

A Nintendo, a melhor sucedida franquia de games da história, sabe como ninguém fazer uso inteligente das tecnologias e de seus produtos, ainda que a opinião pública os qualifique como obsoletos. Durante quase 05 anos, ela liderou o mercado da ultima geração com seus processadores mega ultrapassados, muito atrás, em termos de processamento, de seus rivais e com poucas distinções, se comparado aos produtos da geração anterior. E o que ela fez?

Simples: inovou na jogabilidade, aproveitou melhor os recursos ainda disponíveis da 6ª geração de videogames e fez uso do baixo custo da tecnologia não somente para aumentar lucros, mas, para tornar seu produto mais competitivo em uma época em que as TVs de CRT (o antigo tubo de imagem) ainda predominavam nos lares dos mais hardcore dos gamers – já que somente em telas de LCD e alta definição é que se pode distinguir com significado as imagens entre um Nintendo Wii e um Xbox 360.

O resto está no fato de a Nintendo ter fechado no positivo no fim das duas gerações anteriores, mesmo não sendo líder de mercado, ter aberto seu capital na Nasdaq e ter sabido como ninguém diversificar seu mercado, conseguindo atender do vovô à mamãe e ao mais hardcore entendedor de RPGs e games de plataforma. Quando as oportunidades melhor abriram-se para Sony e Microsoft, com o barateamento das tecnologias avançadas nos últimos 02 anos, a mesma Nintendo se viu em melhores condições aproveitar com eficiência o momento das TVs de LED com mega imagem de definição e baixo preço final ao consumidor. Resta à ela lançar o sucessor daquele Game Cube 1.5, que perdura há 11 anos no mercado, e dar mais um de seus shows.

Sabe, com estes e mais outros exemplos, na minha vida pessoal e, sobretudo, profissional, tenho aprendido uma coisa, talvez, das mais importantes: o Mundo não é daqueles com as melhores condições e os melhores atributos os quais lhes permitem inventar coisas novas, mas, dos que sabem fazer o melhor uso possível de suas invenções!

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 29/05/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 24º Mundo Cão - Lar, 'Home Officer' Lar!

27 de mai de 2012

23ª Resenha Crítica - Guia Politicamente Incorreto da Filosofia

Antes de tudo confira o nosso novo blog: http://demonstre.com/






Olá, leitores! Aproveitei uma brecha de tempo livre para escrever a resenha que há muito tempo tenho tido vontade de fazer. O livro resenhado hoje é O Guia Politicamente Incorreto da Filosofia, de Luiz Felipe Pondé, filósofo brasileiro conhecido como "o pecador irônico" e autor de vários livros, entre os quais Contra um mundo melhor: Ensaios do Afeto, Do pensamento no deserto: Ensaio de Filosofia e Conhecimento na desgraça: Ensaio da Epistemologia Pascaliana. 

O livro é formado por diversos ensaios nos quais Pondé denuncia o politicamente correto como uma mentira moral. Para esboçar sua crítica, o autor vai se fundamentar na história e na tradição literária e filosófica ocidental. Com toda esse cacife intelectual, fala de vários assuntos do cotidiano como religião, sexualidade, hipocrisia, feminismo, educação, política, moral, entre outros, e tem opiniões ultrajantes para quem se escandaliza com tão pouco (nossa sociedade como um todo se encaixa nisso sem muito esforço). O politicamente correto é mostrado por Pondé como um culto à mediocridade, da covardia, da auto-degradação e, principalmente, da mentira e da hipocrisia. Se você acha que todo o mundo é lindo e maravilhoso e que todos devem viver em paz, cada um com sua vida sem a possibilidade de ser criticado, ao ler esse livro, das duas uma: ou você se tomará por irritação e blasfemará furiosamente ou se considerará um grande hipócrita.

As teses mais específicas são ainda mais provocadoras e muito bem fundamentadas. O autor disseca a humanidade sem o menor pudor e deixa as entranhas podres à mostra para que as pessoas se horrorizem e percebam a verdade inconveniente (que não é aquela do Al Gore, que melhor mereceria o nome de "muitas mentiras bem convenientes"). "Pessoas sem culpa são monstros morais", "qualquer homem que não tem medo de sua mulher sabe que toda mulher é sempre insatisfeita", "a sensibilidade democráticas sofre quando se aponta a relação entre culto da igualdade e da mediocridade", "uma das maiores besteiras em educação é dizer que todos os alunos são iguais em capacidade de produzir e receber conhecimento", "o povo é sempre opressor, Rousseau e Marx são dois mentirosos" são apenas algumas das afirmações provocantes do livro. Meu trecho favorito é um em que ele pergunta ao leitor se já fez mal a alguém que não merecia. Em seguida diz que se a resposta foi "não", é uma mentira. 

Foi uma grande satisfação ver teses opiniões tão chocantes serem defendidas com tanta autoridade. O livro mistura sacadas geniais do próprio Pondé a alusões a filósofos renomados, como Ayn Rand, Edmund Burke, Aristóteles, Nietzsche, Tocqueville, Platão, entre outros. É um ítem indispensável na biblioteca de leitores de filosofia e, claro, dos filósofos de boteco, que podem encontrar ótimos argumentos para utilizar na próxima discussão, caso não estejam embriagados demais para lembrar.

Só há dois aspectos que deixaram a desejar. Poderia chamá-los de "minhas duas decepções com o Guia Politicamente Incorreto da Filosofia". O primeiro é a inadequação da obra à série de guias politicamente incorretos. O livro não é de forma alguma uma visão politicamente incorreta sobre a filosofia, mas uma visão filosófica contra o politicamente correto. Nada de errado em basear-se em filósofos Ayn Rand, Edmund Burke, Charles Darwin, Maquiavel, entre outros, para tecer suas críticas em forma de ensaio. O erro está em chamar um "Guia Filósofico do Politicamente Incorreto" de "Guia Politicamente Incorreto da Filosofia". Este erro que poderia enganar o leitor, no entanto, está muito bem explicado na contracapa: "este não é um livro de história da filosofia, mas sim um ensaio de filosofia do cotidiano". Espero que um dia ainda saia um Guia Politicamente Incorreto da História da Filosofia, que preencha a lacuna que aquele deixou.

Em segundo lugar, as duas obras anteriores da série tinham um rigor acadêmico muito maior que esta. Nos Guias Politicamente Incorretos da História, é possível verificar as fontes depois da leitura e aprofundar-se. No lançamento mais recente, isso não acontece. Muitos filósofos são citados nos ensaios, mas nenhuma obra específica desses autores é recomendada. Na verdade, nem sequer há referências bibliográficas. Tratando-se de ensaios, não há nenhuma obrigatoriedade de citar fontes, claro. Só creio que seria algo a mais muito bem vindo.

O Guia Politicamente Incorreto da Filosofia pode ser comprado em qualquer livraria pelo preço médio de R$ 29,90. Para manter a tradição da coluna Resenha Crítica, recomendo o Submarino como loja virtual. Clique aqui para ir à página do produto.

Autor: André Marinho

Criação: 27/05/2012

Objetivo: www.ligadosfm.com

25 de mai de 2012

7ª Criticando Cinema: Uma história imortal de um jeito que jamais foi imaginada.

Olá pessoal, o Criticando Cinema de hoje vai falar da animação que encerrou a era de ouro de animações da Disney com chave de ouro, eu estou falando de Tarzan filme dirigido por Chris Buck e Kevin Lima.

Sinopse: O filme conta a história de um bebê que nasceu na selva e foi adotado por uma família de gorilas. Por mais que tenha sido considerado um “Ameaça” pelo líder, foi aceito pelos gorilas e criado como um semelhante. Com seus amigos, a macaca Terk e o elefante Tantor, ele aprendeu a balançar por entre as árvores e a sobreviver no reino animal. Mas, com a chegada dos humanos seus dois mundos colidem-se. E Tarzan deverá escolher entre uma vida civilizada, com sua amada Jane, ou vida selvagem que sempre amou.

Enredo: Um casal se perde no mar com seu filho recém-nascido e vão parar em algum ponto da costa africana. Lá conseguem improvisar um abrigo e acham meios de sobreviver. Um dia a família é atacada por um leopardo e o casal é morto. Abandonado à própria sorte, o bebê é adotado por Kala, uma gorila que tinha acabado de perder o filhote, e lhe dá o nome de Tarzan. Ao crescer, Tarzan conhece Jane, uma jovem pesquisadora inglesa que vai em expedição à África junto com seu pai para estudar o comportamento dos gorilas. Assim, Tarzan finalmente conhece pessoas semelhantes a ele e descobre um pouco mais sobre o mundo ao qual um dia pertenceu.

Resenha: Eu poderia ter escolhido qualquer outro clássico da Disney, mas Tarzan foi à primeira animação da casa que eu assisti no cinema e por isso ele tem um significado importante pra mim. Bem, pra quem não conhece a história foi adaptada do livro "Tarzan dos Macacos" (Tarzan of the Apes) de Edgar Rice Burroughs também autor da série “Jonh Carter de Marte”. Tarzan foi à primeira animação da Disney a usar um programa chamado Deep Canvas que utiliza a pintura tradicional dando um efeito 3D no plano de fundo. Isso deu uma nova cara à África de Tarzan, trazendo mais beleza e realismo ao filme.

Uma das coisas que mais me cativaram na animação é a forma como é mostrado o amor entre a gorila Kala e Tarzan, o fato de serem diferentes não afeta em nada essa relação tão especial. Gosto do filme por inúmeras razões, mas essa é uma das principais. Como fã de animações em todos os aspectos, não posso deixar de ressaltar a excelência do filme com relação aos gráficos e ao estudo sobre a anatomia dos macacos e do próprio Tarzan, e sem dúvida essa animação é um dos trabalhos mais incríveis feitos pela Disney! Outra coisa que me chamou atenção no filme foi à morte trágica do vilão, pois foi feita de um modo para o público entender à morte do personagem, mas sem mostrá-la de fato.

Na versão Brasileira da animação o Tarzan tem a voz do ator Eduardo Moscovis e a trilha sonora foi interpretada por Ed Motta que não deixou nada a desejar a versão original feita por Phil Collins. A animação também levou o Oscar de melhor canção original (You'll Be in My Heart) e foi indicado ao Oscar de melhor trilha sonora. E pra fechar a coluna de hoje eu deixo clipe da música "You'll Be in My Heart" com Phil Collins, então até o proximo Criticando Cinema.




Por: Anderson Ricardo
Em: 25/05/2012
Objetivo: LigadosFM 

22 de mai de 2012

24º Mundo Cão - Lar, 'Home Officer' Lar!

Trabalhar em casa, para alguns, é o sonho de todos os pedidos, daqueles que se guardam para fazer ao primeiro gênio da lâmpada que aparecer... Pensa ERRADO quem pensa assim! Trabalhar em casa exige muito mais responsabilidade e disciplina do que sair dela 01 hora ou antes para conseguir chegar pontualmente no local de trabalho, enfrentando congestionamentos, formigueiros humanos e a adrenalina do sol do meio dia.

Destes meus dois últimos anos de experiência de vida trabalhando em casa, aprendi que a nossa casa é verdadeiramente o melhor lugar para descansarmos, distrairmos, ver um filme e passar algumas horas junto da família. Casa não é lugar de trabalho; é para esquecê-lo, nem que seja por algumas poucas horas.

A rotina de acordar, tomar cafe, lavar a louça, cozinhar e sentar na mesa para trabalhar, de frente para a TV (por hora desligada) ou para o som, que, cedinho da manhã, toca as principais notícias da programação local, tem lá seus encantos. Às vezes, um cafezinho, um chá ou uma porção de frutas, porém, nenhum bate-papo on line substitui o velho calor humano das repartições.

De vez em quando, algum amigo (também por hora) desocupado, bate a sua porta virtual para trocar alguma ideia, tirar alguma dúvida, tratar de algo profissional ou simplesmente desabafar algum incômodo da vida. Todavia, por ter passado por estas e outras foi que entendi o verdadeiro sentido de marcar algum encontro casual em um bar ou restaurante do meio do caminho entre o local de trabalho e a nossa própria casa. Viver o gostinho dos feriados ou dos sábados matinais em casa não têm preço (já que quem trabalha em casa não tem feriado...)!

A vida tem mais sentido quando o sol invade o para-brisa do nosso carro; ou quando ouvimos a nossa seleção favorita de canções, reservada em um dispositivo exclusivo para as horas fora de casa! Seja em um pen drive sempre conectado na porta USB do nosso som automotivo, seja no celular, MP3 ou no videogame portátil! Em casa, tem-se acesso à tudo, do mundo do nosso quarto ao sofá da sala, porém, desejar que o trabalho divida o nosso lar com as nossas horas de descanso é perigoso, não se sabe o quanto...

Pude verificar nos últimos meses os mesmos anseios pessoais e queixas de pessoas as quais dividem o mesmo paradoxo prático do sonho do trabalho em casa comigo. Compartilhamos da mesma opinião e usufruímos do mesmo cansaço! Vivemos isto.

Veja bem, não há nada melhor do que sentar no próprio sofá, depois daquela ducha quente e daquele jantarzinho que não abrimos mão por nada, e assistir à nossa série predileta, entrar na Internet e buscar o conteúdo de que mais gostamos ou apagar todas as luzes da casa e deixar o som ligado naquela seleção bem "By Night" para relaxar. Trabalhar em casa, por hora, é abrir mão de tudo isto...

É que o home office exige de nós tanta responsabilidade, que acabamos adquirindo a autoconfiança exacerbada a ponto de entender tudo o que deveria ser feito agora mesmo poderá ser realizado em um momento 'mais oportuno'. A coisa de tudo ir ficando para depois torna-se cada vez mais evidente na vida de um home officer e, aquelas horas as quais deveriam ser de lazer e luxo caseiro, tornam-se uma extensão do trabalho diário. E, em seguida, vem a bola de neve...

Confesso que tudo está sob controle hoje, exatamente! Experimentei o gostinho de acordar cedo, bem disposto, e sair para trabalhar; experimentei a bonança de fazer das primeiras horas da manhã as primeiras horas do nosso dia-a-dia de trabalho e tornar o intervalo entre 08hs e 18hs a reserva ideal para a atividade produtiva. Aprendi que, ainda que, em virtude de algumas obrigações, tenha que fazer d'algumas horas da noite de dois dias por semana momentos reservados para mais trabalho, o melhor de tudo é estar em sintonia com nós mesmos, com nossos anseios de descanso e, acima de tudo, com as pessoas que amamos.

Sim! Não faz sentido estarmos em desacordo constante com o nosso meio social. Precisamos acompanhá-lo. Porque nem todas as vezes fazemos o que queremos em nosso trabalho. E nada neste mundo paga a nossa liberdade de fazermos o que quisermos e como quisermos nos momentos em que o mundo capitalista nos reservou para tal.

Veja bem, decidir trabalhar em casa é por em xeque tudo isto. Pois, não fomos acostumados a esta nova forma de nos relacionarmos com o mundo dual do trabalho e do descanso. É que as coisas não podem se misturarem!

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 21/05/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

21 de mai de 2012

17º Ensaio Cultural - Uma Defesa da Literatura Fantástica

Olá, caros leitores. Tudo bem? Atrasei novamente minha coluna devido a algumas coisas que precisei terminar neste final de semana. Tempos futuros serão melhores para minhas elas (pelo menos assim eu espero!) e para o meu tempo. Hoje farei uma defesa da literatura fantástica, maravilhosa e irrealista contra os seus críticos obcecados por realidade. Não pretendo fazer aqui uma crítica da literatura realista, pela qual tenho grande admiração. Milhares de vezes eu ouvi discursos como "não gostei daquele filme porque não é realista" ou "esse livro é ruim porque na vida real as coisas não são desse jeito". Respeito muito a perfeição pela qual conhecem o mundo aqueles que afirmam tais coisas. Apenas gostaria de relembrar que o grau de realismo não mede de forma alguma a qualidade de uma obra literária. 

É impossível levarmos ao extremo, sem que entremos em contradições, a afirmação de que a boa literatura é aquela que representa a realidade. Isso porque mesmo a literatura realista, imitativa como qualquer outra, é ficção. A realidade é imparcial e cheia de detalhes que não podemos representar em sua totalidade se a colocarmos em palavras. Se a literatura realista é melhor por ser semelhante realidade, então nenhuma literatura vale a pena ser lida - afinal, a realidade está ao nosso redor. Platão tinha tal visão, pois dizia que a ficção falha como imitação da realidade sensível, que por sua vez não nos mostra a realidade essencial (o mundo das ideias). Eu reconheço a veracidade do que diz Platão, mas penso-a em sentido contrário ao que os banidores de poetas fariam. Seguindo Aristóteles, reitero que a ficção é superior à historiografia por não falar dos fatos como aconteceram, mas de coisas que poderiam ter acontecido.

Vamos agora analisar uma outro proposição, de que a literatura realista é melhor por ser uma forma de melhor compreender a realidade. Bom, as ciências que tentam nos fazem compreender a realidade. O ficcionista do realismo, ao se dar o papel de um cientista ou jornalista, escolhe um objeto a ser representado. Essa escolha, por si só, representa um julgamento de valor e é frequentemente a razão pela qual o realismo é indissociável da crítica social e da sátira, afinal evidencia alguns aspectos da realidade acima de outros porque nos quer o autor chamar a atenção. Os melhores realistas, portanto, não são aqueles que são mais fiéis à realidade; são os tiram dela o essencial para a sua construção artística. Isso eles fazem com perfeição e para isso tiro o meu chapéu. Mas não é muito mais viva e real a descrição de Tolkien das suas florestas da Terra-Média que uma descrição de floresta por um realista? "Mas, ora, aquela floresta não existe e cada leitor a imagina de uma forma diferente. Árvores que andam e falam não existem!", podem me responder. Estas questões são completamente irrelevantes. O que acontece na literatura é aquilo que precisa acontecer, não o que seria óbvio que acontecesse em nosso mundo.

Afirmam os apologistas da realidade que não podemos tornar a literatura uma arte das possibilidades, pois ela nos distancia do mundo real. Afirmar que relevante somente é a literatura que representa o real nos levaria a concluir que se fantasmas não existem, não há sentido em assistir Hamlet. Se não há dragões, também não preciso ler nenhuma história que os apresente. Até mesmo jamais poderia ler Os Irmãos Karamázov, uma grande joia da literatura mundial, pois a família em questão jamais existiu. Isso já mostra que a ficção não tem intenção alguma representar a realidade tal como ela é, isentando-se de julgamento. Se assim fosse, a literatura não seria literatura - seria mais uma pseudociência. A verdade que nos quer comunicar a literatura é subliminar, discreta, percebida não na frieza das palavras, mas no que há de mais quente nelas. Assim sendo, por que não abusar da fantasia e falar de coisas que não existem? Como diria G.K. Chesterton conforme citado por Neil Gaiman, "contos de fadas são mais que verdadeiros, não porque dizem que dragões existem, mas porque nos dizem que eles podem ser derrotados." É óbvio para quem vive no mundo da fantasia - mesmo que não digam isso explicitamente - que dragões são mais do que simplesmente dragões. Eles são dragões, obviamente, mas também são símbolos de muitas outras coisas.

Diante do exposto acima, temos muitas razões pela qual os romances ditos realistas jamais serão tão fortes em valores como a fantasia e dificilmente um livro que represente a realidade pura e simples nos marque tanto quanto O Senhor dos Anéis ou o seu sucessor em nossos tempos. Aprendemos com ele não que existem reis tão dignos de veneração como Aragorn. Em verdade, temos um modelo de rei que gostaríamos de ser e que gostaríamos de conhecer na realidade, pelos seus feitos heroicos e pelos valores que consegue encarnar mesmo em um mundo em guerra e atacado por criaturas horrendas como os orcs. Heróis como Aragorn são a personificação do que há de melhor na humanidade e de como se pode ser grandioso se assim desejar, mesmo na pior das condições. Os anti-heróis, ao contrário, são fracos num mundo sem grandes acontecimentos. Isso faz com que várias pessoas se identifiquem com eles, pois o homem moderno é um anti-herói por excelência. Novamente nas palavras de G.K. Chesterton, "O conto de fadas discute o que o homem sensato fará num mundo de loucura. O romance realista sóbrio de hoje discute o que um completo lunático fará num mundo sem graça". Eu vou mais além, o lunático que mergulhar no romance realista sóbrio sairá dele mais lunático.

A citação acima me faz pensar em algo que vejo tomar mentes de pessoas com grande frequência: a possibilidade de um apocalipse zumbi. As chances de um acontecer de verdade são remotas e todos, mesmo os fãs de histórias de zumbis, sabem bem disso. Todos os zumbis - considerando que eles já estão mortos - apodreceriam sob o sol em poucos dias e logo nos veríamos livres da desgraça. Mas, no mundo fantástico as coisas não são assim, pois as leis que regem aquela realidade são, propositalmente, outras. Os zumbis são não pedaços de carne que apodrecem no sol, mas uma praga que toma cidades, estados, países e, não raras vezes, o mundo inteiro. Com a humanidade em crise, vê-se a necessidade da união pela sobrevivência. Na discussão sobre tal sobrevivência, os Zumbis são uma questão periférica; não é sobre os zumbis que os fãs do gênero costumam falar. Eles falam muito mais sobre as armas que usariam, quem seriam seus companheiros, onde se esconderiam, como conseguiriam se alimentar, etc. O mundo em que existem zumbis, como podemos observar, é um mundo de loucura em que tudo que você precisa é ser sensato. Afinal, zumbis são apenas zumbis ou são algo mais?

Espero ter feito uma boa defesa. Agora é hora de ver o meu Game of Thrones para exercitar mais o lado fantasioso do meu cérebro. (Se você me disser - ou pensar em me dizer - que não existe "lado fantasioso do cérebro", peço para ler novamente o meu ensaio.) Até mais e uma boa semana para vocês.

Autor: André Rodrigues
Criação: 21/05/2012
Objetivo: www.ligadosfm.com

18 de mai de 2012

5ª Entrevista Literária - Marcos Monjardim

Marcos Monjardim nasceu em 1979 na cidade de Brasília-DF, mas atualmente reside em Natal-RN. Formado em Psicologia pela UFRN, trabalha como Servidor Público, e ainda encontra inspiração para se dedicar a produção literária nas horas vagas. Publicou em Maio de 2011 o seu romance de estréia “Peregrino”, lançado pela editora carioca Multifoco.

O autor Marcos Monjardim

Ligados: Quando e como surgiu o interesse em escrever? 

Marcos Monjardim: Comecei a escrever ainda no segundo grau. Foram as primeiras redações... eu gostava delas. Depois comecei a escrever por vontade própria, pelo simples prazer. Ria sozinho imaginando as cenas. Mas, era apenas escrever por escrever. Levaria anos até que eu tivesse a ousadia de me imaginar escrevendo um livro.

Ligados: O seu estilo literário se baseia no fantástico, e existe sempre ação e aventura em suas tramas. O que o fez tomar gosto por esse tipo de literatura? 

Marcos Monjardim: O primeiro livro que li completo foi “Vinte mil léguas submarinas”, de Júlio Verne. Isso foi por volta de 1990. Mas, foi através das obras de Marion Zimmer Bradley que começou minha paixão pela leitura. Em especial, “A dama do Falcão”. No livro ela descrevia com maestria a protagonista controlar a mente de um falcão e todas as sensações de compartilhar com a ave o momento da caça. Acho que foi aí que fui fisgado por esse mundo. 

Ligados: Poderia nos falar um pouco sobre “Peregrino”? 

Marcos Monjardim: Peregrino é um épico medieval ambientado em um mundo ficcional. A história gira em torno da contenda de dois personagens que saem de sua terra natal em uma jornada que poderá mudar todo o mundo conhecido. Um caminha com a fé de que os deuses guiam suas ações, o outro que tem que lutar por aquilo que o destino lhe predestinou. Acho que podemos dizer que a trama gira em torno de uma pergunta: o que está disposto a fazer por aquilo que acredita?

Ligados: Thiers, o protagonista do livro, é uma homenagem a um falecido amigo de infância. Qual a sensação de imortalizar a memória de uma pessoa tão especial em sua vida através da escrita? 

Marcos Monjardim: É justamente esse o motivo que torna o livro tão especial para mim. Esse amigo morreu quando eu ainda tinha sete anos. Não pude ir ao seu enterro, mas, no colégio foi plantada uma mangueira em sua homenagem. Todos os dias enquanto estudei no colégio, durante o intervalo, eu ia visitar a árvore. Os anos se passaram, me mudei para Natal e me disseram que um raio havia matado a mangueira. Enquanto escrevia Peregrino, ouvindo Biquíni Cavadão, lembrei que essa era a banda que Thiers mais gostava e que havia sido ele a falar dela para mim pela primeira vez. Lembrei-me da árvore que havia morrido... Resolvi, então, fazer a minha homenagem, como você diz, imortalizando-a. Descobri, após o lançamento de Peregrino, que a mangueira continua viva e frondosa na entrada do colégio. Achei até uma foto na internet. 

Ligados: Como tem sido o reconhecimento do público a respeito da sua obra? 

Marcos Monjardim: As críticas que fazem, giram em torno, principalmente, dos erros que a editora não revisou, apesar de ter dito que o faria. Há também algumas passagens que gostariam que fossem mais detalhadas. Essas questões já foram resolvidas para a segunda edição que deverá ter mais páginas que a edição lançada pela Multifoco. Mas, graças a Deus, até hoje não recebi nenhum retorno de pessoa que não tenha gostado do livro. Já tiveram pessoas que acharam a história surpreendente e que não conseguiram imaginar o final, que tiveram vontade de matar Enoque, que adoraram o Jonas e que se emocionaram com a história de Thiers. E, o mais surpreendente, uma pessoa disse ter tido vontade de provar sakiah. Fiquei imaginando como Rowling deve ter se sentido ao receber questionamento dos seus leitores sobre a cerveja amanteigada. É através desse retorno que a gente consegue mensurar como a história que a gente escreveu consegue tocar o outro. E aquela história imaginada, que eu sonhava sozinho, vai se tornando pouco a pouco um sonho coletivo. 
...Isso não tem preço!

Ligados: Você realizou um Book Tour do livro “Peregrino”, que consiste no envio de um exemplar para alguns blogueiros literários interessados em ler e resenhar a obra, que é repassada para os demais logo em seguida. Apesar de ser um bom negócio para a divulgação, o Book Tour atingiu suas expectativas? 

Marcos Monjardim: No começo fiquei frustrado, pois houve menos pessoas inscritas do que eu esperava. Mas, o carinho com que a obra foi recebida pelas integrantes supriu toda e qualquer expectativa e me deixou muito satisfeito. Todas foram unânimes em lamentar os erros que a editora deixou passar, e a maioria disse não ter atrapalhado a leitura. Em geral avaliaram bem o livro e aguardam a segunda edição e a continuação. 

Ligados: Ainda na literatura, você participou de um concurso de contos organizado pelo escritor Raphael Draccon, autor da trilogia Dragões de Éter, e teve dois textos entre os cinco melhores. Conte-nos como se sentiu ao receber a notícia da seleção. 

Marcos Monjardim: Fiquei muito satisfeito. Ainda mais quando se está iniciando. Eu ainda não tinha lançado Peregrino e estava inseguro. Por mais que você acredite no que escreve, é sempre angustiante não saber como vão receber o seu texto. Saber que os dois textos que eu escrevi conseguiram ficar entre os finalistas me deixou entusiasmado. O melhor de tudo foi poder conversar com o Draccon. Ele é um escritor e uma pessoa formidável. Ajudou muito a mim os seus conselhos. 

Ligados: Possui algum projeto no momento? 

Marcos Monjardim: Terminei a revisão da segunda edição de Peregrino e do meu segundo livro: Os Filhos da Intenção (Eu chamava antes de “O Presente das Águas: Os Filhos da Intenção”, mas, por sugestão de amigos, resolvi mudar). Enquanto que Peregrino é um romance ambientado em um mundo fictício, Os Filhos da Intenção tem sua trama no mundo atual e, ao contrário de Peregrino, há magia envolvida. Para mim, os personagens são muito mais complexos. O novo livro fala de um rapaz que acorda em uma praia sem se lembrar de nada e, aos poucos, vai descobrindo quem é, e que os Elementais da Água, chamados no livro de Aquadines, presentearam-no com o “dom elemental”. Ele passa não só a ter poderes, mas percebe-se envolvido em uma guerra invisível e de grandes proporções, que põe em risco não só a sua vida e de toda humanidade, mas também a sua existência. Já enviei o livro para registro na Biblioteca Nacional e quando recebê-lo, poderei enviar à (às) editora(s). No momento estou trabalhando algumas ideias para começar a escrever a continuação de Peregrino.

Ligados: Qual a dica que você deixa para quem está começando? 

Marcos Monjardim: Procure a opinião sincera sobre o seu texto. Não busque o que quer ouvir, mas o que precisa ouvir. Esteja aberto a críticas, mas saiba fazer um balanço do que realmente pode aproveitar para o seu crescimento e para a melhoria do seu texto. Sempre registre sua obra na Biblioteca Nacional antes de enviá-la para avaliação e, na hora de procurar uma editora, pesquise bem. Há muita editora picareta, tem editora que não trabalha com a linha editorial que o seu livro se destina, e, principalmente, tem editora que pode até publicá-lo seja de forma independente ou não, mas que não tem um bom sistema de distribuição e marketing. Resultado: O autor vai ter que suar muito para que o livro chegue ao leitor. Graças a Deus, existe a internet e os blogs literários para ajudar na divulgação. 

Perguntas rápidas: 
Autor(a): George R. R. Martin;
Ator(Atriz): Morgan Freeman;
Site: Sedentário & Hiperativo;
Banda: Paralamas do Sucesso;
Música: You Got a Friend;
Filme: My Life.

Links na internet: 

Ligados: Deseja encerrar com mais algum comentário? 

Marcos Monjardim: Obrigado pelo espaço. E para o leitor que ainda não leu Peregrino e deseja fazê-lo, ainda restam alguns exemplares nas livrarias Nobel (em frente ao Hospital Walfredo Gurgel) e Siciliano (Saraiva – no Shopping Midway Mall), ambas em Natal-RN. São os últimos exemplares dessa edição. A nova edição só deverá acontecer no segundo semestre do ano que vem ou em 2014. Então, aproveitem. 
Grande Abraço!


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 18/05/2012 - Objetivo: www.ligadosfm.com

15 de mai de 2012

23º Mundo Cão - O Interesse Público Carece de Inovações

Já está mais do que na hora do movimento trabalhista brasileiro repensar suas estratégias de revindicação por melhores condições de trabalho, salários e prestação de serviços à população. Greve, nos dias de hoje, parece mais um movimento anarco-fascista com tendências ao partidarismo político. No fim das contas, sai perdendo aqueles que mais necessitam dos serviços essenciais.

Saúde, educação, segurança, transportes... É anormal um ano em que não se registre uma eventualidade do tipo. No Brasil, todos os anos, basicamente, estas quatro esferas do interesse social paralisam, ocasionando o caos na vida do cidadão, o maior prejudicado e o que mais tem sofrido com descasos os quais vão da depredação na qualidade do serviço prestado às próprias paralisações.

O que está acontecendo? O que se pratica no movimento trabalhista brasileiro até os dias de hoje não se difere muito do que se viu há 30, 40, 50 anos. O núcleo de todas as revindicações chama-se GREVE! E, os maiores interessados nas melhorias que vierem, a população, vê-se prejudicada e se coloca como vítima da situação. É necessário inovação, ainda que resistentes ou "cabeças fechadas" os líderes sindicais.

O que pensam os sindicatos? Desde ontem, o serviço de transporte público da cidade encontra-se paralisado em sua quase totalidade (com exceção de algumas linhas de transporte alternativo e ônibus intermunicipais). Hoje, a CBTU tomou suas rédias e o usuário caiu no sinistro...

E as classes trabalhadoras inseridas no contexto presente? Sem deslegitimizar o movimento, o TRT-RN exigiu do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário da capital a recolocação de pelos menos 70% de toda a linha nos horários de pico. A lei coloca que, em condições de greve, é obrigatória a circulação de, pelo menos, 30% de toda a frota. E a população não só não aguenta mais ter que conviver com esse monte de greves todos os anos, como retira o seu apoio da praça, crucial para o consumar da legitimidade da greve.

E quanto aos empresários? Pouco se vê ações as quais chamem a atenção, de fato, da classe empresarial. Daqueles que caem como alvo das reivindicações. Vestir uma camiseta vermelha e cuspir no passeio público feito um "contrário ao sistema" não é comportamento aceito pela opinião pública nos dias de hoje. Não vivemos sob uma ditadura e não estamos às vésperas da publicação d'O Capital, de Marx. Se querem chamar a atenção e tornar legítimo o movimento, que o façam acompanhando as mudanças naturais na forma humana de se viver!

Será que o movimento sindical e trabalhista de que falamos e cujo qual nos deparamos todos os dias repensa suas ideias ou acompanha o curso natural da evolução dos fatos? O mundo não é mais aquele de 20, 30 anos que se passaram. Assim como o céu e o ar que se respira, o meio em sociedade também tem seus buracos e sua paisagem coberta pelo cinza!

O que falta, na verdade, são medidas que tornem inteligentes, novamente, as paralisações, as reivindicações e o ganhos para todas as partes envolvidas!

Mexer com o bolso dos empresários sem atingir a integridade da pessoa física em cada cidadão tem lá seus mais encantos do que fazer justo o contrário. Cada ônibus que fica estacionado, parado, nas garagens contribui com a redução no consumo de combustível, óleo, desgaste de pneus, manutenção e outros. Porém, cada penalização por mantê-los nas garagens custa aos cofres do sindicato R$ 25.000,00 / dia. É necessário reivindicar sem descumprir a lei que garante ao cidadão o serviço prestado.

Ao invés de optarem pela mesmice a qual mais cansa a população do que a atrai como aliada nesta empreitada, uma pauta descumprida ou, sequer, colocada em discussão e o descordo da opinião pública com o movimento, mudar, sem mexer no interesse público e sem prejudicar um colega de classe social vale muito mais do que transformar um movimento, legítimo e de direito, em uma vitrine a qual parece vender férias, interesses particulares e obsolescência de ideias.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 15/05/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 22º Mundo Cão - O Espelho da Maldade

14 de mai de 2012

22ª Resenha Crítica - Freakonomics e Superfreakonomics




Olá, leitores. Estou um pouco atrasado para meu post - que deveria ter sido publicado ontem. Peço-lhes mil desculpas. Este final de semana foi corrido. Falarei brevemente hoje sobre a edição especial Freakonomics + Superfreakonomics (de autoria de Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner), uma famosa série de livros que nos apresenta, com uma linguagem simples e sem tecnicismos desnecessários, o olhar da microeconomia sobre temas inusitados.

O que professores e lutadores de sumô tem em comum? Qual é a relação entre a Ku Klux Klan e corretores de imóveis? Batizar seu filho como Winner é garantia de que ele será um vencedor no futuro? Por que homens-bomba devem ter seguro de vida? Por que prostitutas são como Papais Noéis de shopping? O que é mais perigoso de se ter em casa: uma arma ou uma piscina? Todas estas perguntas aparentemente sem sentido e sem resposta são respondidas no livro de forma bem satisfatória e bem humorada, sempre explorando diversos pontos de vista dentro do próprio campo de estudo da ciência econômica. Avançando na leitura, a visão que temos sobre esses assuntos vão se modificando. 

O livro traz importantes fatos e incita reflexões sobre trapaça, criminalidade, manipulação de informação, baleias, aquecimento global, entre outros assuntos. É um exercício de pensamento contra-intuitivo bem como uma introdução "light" à microeconomia. Ouvi de estudantes de Economia que o livro muito lhes ajudou na disciplina de microeconomia e eu acredito em seus depoimentos. Isso me leva a crer, portanto, que é uma ótima obra popular de introdução à microeconomia, com exemplos reais e de fácil leitura.

O que mais gostei foi a forma ousada de tratar certos assuntos, que muitos considerariam politicamente incorreto ou ofensivo, embora eu não o veja dessa forma. Na minha visão, o rigor científico prevaleceu, mesmo indo contra alguns sistemas de valores, mas de forma alguma servindo como de uma crítica direcionada. Afinal, o ponto de vista do livro é essencialmente econômico. Trata-se de incentivos e resultados, acima de tudo. Se há algo além disso, é muito pouco.

Em especial, me chamou a atenção o capítulo sobre os lutas de sumô e irregularidades em avaliações escolares. É uma surpresa para mim que seja tão previsível e detectável uma malandragem. O "jeitinho brasileiro" se encaixa bem nesse capítulo e bem merecia um dia ser alvo de investigação de Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner. A corrupção por estas bandas, igualmente.  

O que faltou em algumas partes foi uma explicitação clara de como algumas visões sobre determinados assuntos foram refutadas, ou sobre como se forma uma ou outra relação causal. Isso fez com que eu olhasse partes específicas do livro com um certo ceticismo, mas de forma alguma tirou da obra o seu mérito como um todo.

Nessa edição ampliada, inclui-se notas dos autores, bem como diversos apêndices que temperam e apimentam o que por si só é uma experiência saborosa. 

No Submarino, o livro está quase de graça: R$ 29,90! Clique aqui agora para comprar! Vai perder a chance? 

Autor: André Marinho | Criação: 14/05/2012 | Objetivo: www.ligadosfm.com

12 de mai de 2012

Reboot #6: Kongregate

Bom dia, boa tarde e boa noite, caros leitores fiéis e infiéis. Nesta coluna em 8-bits que recebe o nome de Reboot, nós vamos falar hoje de um dos maiores sites de jogos e desenvolvedores do mundo. Let's Play!







Em Neuromancer, livro de William Gibson sobre uma realidade futurista onde as pessoas se conectam a uma espécie de internet através de plugs conectados diretamente no cérebro dos usuários (Matrix, oi?), a principal forma de entretenimento das pessoas se tornam os jogos eletrônicos. Só que nesse universo futurista, as pessoas jogam em consoles que imitam quase à perfeição a realidade. Enquanto esse tempo não chega, nós nos contentamos com os Xboxs, Playstations e Nintendos que é o que tem para hoje. Para aqueles que falta poder aquisitivo ou vontade de gastar alguns salários em jogos, existe KONGREGATE.

Kongregate não é tão somente uma plataforma de jogos, é uma galeria de exposição do que há de mais conceitual nos jogos indepedentes de hoje. Apesar da limitação dos jogos serem feitos em Flash ou Unity - Unity é o mesmo programa usado para fazer vários jogos e apps do Facebook -, eles conseguem fazer alguns jogos realmente interessantes. E tem para todos os gostos...

Para aqueles que gostam de um jogo com mais ação, temos jogos de corrida, tiro e suspense. Para as pessoas que gostam de pensar, desenvolver uma forma de jogar, existem os jogos de estratégia, com um sem fim de jogos no estilo Tower Defense. Os Tower Defense se resumem a construir torres fixas para defender uma cidade, construção, entidade sobrenatural, etc. Onde você coloca as torres e que tipo de torres você decide melhorar é o que faz toda a diferença no jogo.

E finalmente, para aqueles que gostam de jogar jogos que ensinam e tem uma certa filosofia com ar de "moral da história", existem os puzzles. Quem já jogou Limbo ou Braid no Xbox, vai encontrar vários jogos à altura no Kongregate.

Além disso tudo, existem os jogos voltados para usuários que preferem uma experiência multiplayer (com vários jogadores ao mesmo tempo), que vai desde jogos que são uma imitação quase perfeita de Gunbound ou Worms, até MMORPGS em 8-bits que provavelmente são aquele primo burro e simpático do World of Warcraft.

Uma das coisas legais do Kongregate, é que ele tem um sistema de evolução, a partir dos Badges (Medalhas) que você ganha em cada jogo, seja completando algumas fases, realizando um desafio interno do jogo, realizando uma pontuação determinada, etc. Eu ainda estou no level 6, mas eu refiz minha conta quando finalmente entrei no Facebook, então perdi muitas Badges. Se você chegar em determinado level, os caras que publicam jogos no Kongregate pedem para você ser beta-tester, o que significa jogar um jogo maneiro antes de todo e talvez até ser pago por isso!

E por hoje é só pessoal. Cada descrição de um tipo de jogo, tem um link para esses games. Dêem uma sacada, mas não viciem. Ou não. Críticas, sugestões ou citações de Sherlock Holmes nos comentários.

Autor: Mozart Maia - Criação: 12/05/2012 - Objetivo: www.ligadosfm.com.br

11 de mai de 2012

6ª Criticando Cinema: Se apenas isso fosse verdade


Olá pessoal, sejam bem vindos para mais um Criticando Cinema e o filme de hoje é “E se fosse verdade” (Just Like Heaven) um filme dirigido por Mark Waters, e foi baseado no livro “If Only It Were True” (Se apenas isso fosse verdade) de Marc Levy. O filme é estrelado por Mark Ruffalo (Os Vingadores) e Reese Witherspoon (Legalmente Loira 1 e 2).

Sinopse: A história se passa em São Francisco, em julho de 1996. A jovem e bela Lauren, estudante de medicina, sofre um acidente de carro, entra em coma e vai parar no mesmo hospital onde trabalha. Apesar de seu estado, Lauren consegue, espiritualmente, voltar para o seu antigo apartamento. Lá, encontra Arthur, o arquiteto que é o novo morador do imóvel e a descobre no armário do banheiro ao ir tomar banho. Ele é a única pessoa que consegue vê-la, ouvi-la e senti-la.

Enredo: A história começa, com um acidente de carro que deixa a estudante em coma induzido por seis meses no hospital da cidade. Nesse período, o apartamento dela é alugado, por sua única irmã, pois as chances de sobrevivência eram mínimas. O arquiteto passa a morar no apartamento, e frequentemente passa a ver o espírito da estudante, mas o curioso, é que só ele consegue essa proeza. Por mas que ele tente de diversas maneiras tirar o espírito da moça do apartamento, contratando pessoas para fazer mandingas, dentre outras coisas, ele não consegue tirar ela.

Resenha: A primeira vez em que eu ouvi falar de “E se Fosse Verdade” foi quando ele estava em cartaz lá no cineminha do Projeto Tamar que tinha lá em Noronha. Falar da vida é sempre um assunto interessante, ainda, mas se estiver em questão à espiritualidade, o que deixa a história com mais emoção, mais reflexivo, e nos faz pensar em coisas simples do dia - a - dia, como por exemplo, a solidariedade, o querer bem e o amor, que na correria da vida, acabamos deixando de lado, mas o filme resgata esses sentimentos com grande proeza. 

Como eu disse antes o Filme é estrelado por Mark Ruffalo e Reese Witherspoon que estão ótimos em cena juntos e são personagens fortes, decididos e de vida própria; cada qual com suas características e o figurino usado é totalmente adequado para a história em questão, bem sutil e delicado muito bem escolhido pelas figurinistas, e sem falar que a trilha sonora tanto instrumental quanto a cantada são bem agradáveis, e dá a impressão de estarmos entrelaçados na história, e a fotografia nos da uma impressão de que tudo é irreal de uma forma tão sutil como se realmente aquilo fosse algo fora da verdade e impossível. 

Então se você procura um filme leve que te faça rir e se emocionar “E se Fosse Verdade” é uma grande pedida e vai fazer você querer ver, e rever essa linda comédia romântica sempre que precisar do real. E como sempre para finalizar deixo uma frase dita pela personagem principal, então até o próximo Criticando Cinema.


"Já que não se pode viver tudo, o importante é viver o essencial, e cada um de nós tem o seu essencial."
- Lauren 


Por: Anderson Ricardo
Em: 11/05/2012
Objetivo: LigadosFM 


8 de mai de 2012

22º Mundo Cão - O Espelho da Maldade

O grande corredor de notícias populares da nossa cidade torna público uma chocante medida: a prefeitura municipal, na figura institucional da Secretaria Municipal de Urbanismo, SEMURB, proibiu a apresentação e promoção de artistas (locais) nos bares e demais estabelecimentos do bairro de Ponta Negra. Por que?

Como se já não bastasse a ação da polícia em coibir o ganha pão de nossos artistas, não somente interrompendo o evento em realização ali naquela momento e no seu devido lugar, mas, ainda por cima, apreendendo os instrumentos (de trabalho) dos músicos presentes, a nossa prefeitura vem, por viés de sua gestão pública, consumar o que já era sabido de não se estranhar de uma administração municipal pouco comprometida com a própria cidade (quanto mais com a cultura dela...).

É como se Natal fosse um verdadeiro rodízio a céu aberto de opções dignas de lazer e entretenimento noturno e que, assim, sentiu-se a necessidade de selecionar para melhor controlar esse excesso; de disciplinar os procedimentos, as entradas e saídas de numerosos artistas e entidades dispostas a promover alternativa cultural para o natalense ou de defender o direito legítimo dos profissionais do ramo artístico; de promover cultura, valorizar a arte local ou viabilizar o trabalho destes últimos e seus produtores... Parece!

O interesse, contudo, está na proteção dos ouvidos daqueles que não ouvem. Pergunto-me se esta medida caiu por terra com fins eleitoreiros ou se corroborado na importunância noturna gerada pela falta de estrutura de isolamento acústico! Ao mesmo tempo, questiono a legitimidade em não interferir na barulheira daquele bar de cadeiras e mesas amarelas, de plástico, tocando forró, sertanejo ou música baiana de qualquer espécie nas alturas, ainda que arrodeado de residências! Já que aqui em Natal Reggae não é cultura...

O que muito tem se visto nesta capital de meu Deus é o fechamento de estabelecimentos que promovem artistas locais, que oferecem couvert artístico de gêneros nada populares, da MPB, Rock ou Bossa da terra, assim como pubs os quais seguem esta mesma linha. Teriam estes que promoverem ordenharias para, então, obter respaldo do poder público a fim de manterem-se intocáveis?

Sim! Porque Ponta Negra não é o local mais apropriado para ouvir e dançar ao som do Grafith ou dos Safadões do Ceará. Assim como daqueles concertos ultra populares, muito comuns em comícios e festas promovidas por políticos e ou jornalistas "do povo" recém ingressos na vida pública.

Ah! Os postos de combustíveis... Ainda há estes, cujos quais, por medida nada popular, porém, soberana da parte destes, proíbem, com relativo sucesso, o uso de som alto em suas pistas.

Dá para averiguar, daí, o que está no gosto do povo natalense! Falo justamente disto tudo o qual nunca cai como vítima da nossa polícia ou da Secretaria de Urbanismo. A baixaria e o Panis et Circensis é a maioria, que, por sua vez, comparece aos showmícios da vida e vai até as urnas fazer justo o que não deve.

Não falo de preferência musical, mas, de dar importância ao que se faz na atividade pública. Direito à cultura, à expressão e à diversidade são dádivas da democracia - a maioria defende o que é de direito de todos (sem exceções). Contudo, manter esta política de reciprocidade, entre povão e gestão pública, é caracteristicamente importante para que se preservem os interesses dos grupos os quais estão nem aí para o bem-estar público e cívico! Eventos de baixo teor cultural são a verdadeira arma que atira em direção do caminho que liga a cultura aos aculturados.

Cultura, sem sombra de dúvidas, também é educação! Veja só: temos, de um lado, uma maioria que concorda com os absurdos deflagrados até aqui; um público significativo de eleitores o qual oferece seus ouvidos e sua consciência, de graça, aos maiores interessados na burrice do povo. Do outro lado, uma administração descompromissada com o resto, que põe em prática o fechamento de estabelecimentos que oferecem de tudo em música e cultura, menos Aviões, Safadões, Periguetes e outros "ões" e "etes" da vida...

O resultado é o fechamento de teatros, a falta de incentivos aos grupos de teatro, de música e oficinas de cultura, depredação de escolas e descompromisso com os espaços construídos com o único intuito de servir-se útil à população (praças e anfiteatros, por sua vez, nada seguros). E quem cobra, senão, algumas dezenas de pessoas conscientes as quais não concordam com esse pão e circo todo? Muita coincidência, o Clowns de Shakespeare que o diga...

O incentivo é pouco, sobretudo, na presente ausência de uma lei que envergonha o espírito e a história da cidade e do cidadão natalense Djalma Maranhão. As leis de incentivo à cultura não provém festivais de cunho político ou eleitoreiro, nem devem. Porém, os recursos públicos sim. A proposta real é a de que as entidades artísticas adquiram sua autonomia e cada vez menos dependam das forças do Estado para sobreviverem. Só que quando isto acontece, o mesmo trata de agir de modo a colocá-las neste ciclo vicioso, de novo!

Isto é a Natal que deposita mais medo do que esperança: tão rica em gente boa disposta a levantar os pilares de nossa cultura (atores, músicos e grupos culturais) e tão pobre de valores oriundos da maioria do seu público...

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 08/05/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

6 de mai de 2012

16º Ensaio Cultural - Análise dos Arquétipos em Os Vingadores




Olá, leitores! Como vão? Já foram ver Os Vingadores no cinema? Eu fui ver esta semana e adorei o filme.  É tão bom que deveriam admitir que este é um ótimo filme mesmo os que não gostam de filmes de ação, de super-heróis ou até mesmo de filmes americanos, preferindo (perdoem-me os hipsters) chatíssimos filmes franceses. Vi em Os Vingadores mais do que os super heróis dos quadrinhos na tela do cinema ou a porradaria comendo solta. Mesmo com poucos diálogos, encontrei complexas relações humanas e interessantes personalidades. O Ensaio Cultural de hoje analisará os arquétipos heróicos presentes no filme, isto é, os tipos de heróis presentes e como eles se relacionam a aspectos universais da humanidade.

 Antes de tudo, devo avisar que direciono meu ensaio a quem viu Os Vingadores, porque tratarei de alguns detalhes da trama e dos personagens no meu ensaio. Os que não viram, no entanto, também estão livres, desde que não se importem em ler spoilers. Isto não será uma resenha, de forma alguma. O que pretendo é analisar de forma sucinta os heróis um a um, bem como o antagonista Loki, atentando à simbologia de cada um.

Quando penso no Incrível Hulk, imediatamente vem-me à mente o Dr. Jekyll e o Sr. Hyde como equivalentes ao Dr. Banner e sua forma mostruosa. O próprio Stan Lee admite forte inspiração na obra de Robert Louis Stevenson. Banner, quando humano, é o que tem menos atrito com os demais vingadores, por ser o mais calmo dentre eles. Evita entrar em discussões e dá sua opinião somente quando é absolutamente necessário. Por outro lado, quando ele se irrita, torna-se o incontrolável Hulk. Há uma luta entre superego e id, doutor e monstro, razão e instinto. Do racional cientista, Banner passa ao artista da destruição. O que mantém o Hulk nas rédeas é o controle sentimental do cientista. Apesar de controlar sua emoção, revela Banner antes de se transformar em uma cena do filme: "eu estou sempre zangado". Como se vê, não é a raiva que o transforma no Hulk, mas sua externalização, que lhe dá uma grande força. Com o controle desta raiva, o Hulk mostra-se um aliado de valor, enquanto quando sem controle é uma ameaça e torna-se o estopim do que premeditava a separação dos vingadores no filme. Por outro lado, com sua raiva sob controle, ele se mostra um aliado sem igual para o time. O controle sentimental bem típico dos racionais é, portanto, a chave de vitória do Bruce Banner; é também o que faz dele, enquanto Hulk, um esmagador seletivo. A raiva só escapa em alguns momentos, como quando ele decide socar o Thor - certamente por causa de todas as coisas irritantes que ele lhe disse desde o início.

O Thor em suas ações muito lembra o grego Aquiles, herói furioso e valente guerreiro. Sem dúvidas, um idealista, com o temperamento mais inflamado dos Vingadores. Nos mitos nórdicos, era retratado como um poderoso guerreiro, forte e habilidoso em combate e com um forte senso de honra interior. Seu martelo, inseparável de si, jamais utilizado por outro, é o seu próprio caráter inquebrável e a sua grande força, algo que podemos ver ainda no filme Thor, quando o deus do trovão perdendo o seu martelo no exílio e torna-se um humano. É como se o deus fosse em si dependente do martelo para ser quem é, mas por outro lado nenhum outro poderia ser ele, pois seu martelo era algo exclusivo de si. Quebrando sua palavra, perde a honra e consequentemente o martelo. No mito nórdico "o roubo do martelo de Thor", nós o vemos muito irritado e sem vontade de fazer qualquer coisa enquanto não encontra o seu martelo. Esse elemento mostra-se conservado no filme.

Apesar de sua grande força e de sua honra, o deus do trovão sempre foi retratado nos mitos como alguém estúpido, sempre tomando decisões insensatas e caindo nos truques de Loki. Em Os Vingadores, isso acontece o tempo todo... Nos filmes, também não podemos dizer que ele é muito inteligente. Honrado, forte, bom e justo, sim. Mas cérebro não é o forte dele. Sendo um idealista, o que mais lhe importa é agir com boa consciência, mesmo que isso não seja o mais prudente. Assim sendo, é impulsivo, o que torna especialmente complicado conciliá-lo com o Capitão América e com o Homem de Ferro, que mantém uma prudência que ele não possui. Esta impulsividade é mais forte no filme Thor, em que ele perde o direito trono e é banido de Asgard por irresponsavelmente atacar Jotunheim por acreditar ser a coisa certa a fazer. Em Os Vingadores, uma cena que também põe em evidência com esta característica é a sua primeira aparição, quando ele joga Loki do avião e o ataca em seguida. Essa ação imprudente leva-o a entrar em conflito com o Homem de Ferro e com o Capitão América logo que se encontra com eles. 

Tony Stark é um racional um pouco diferente do espiritualizado e introvertido Banner. O Homem de Ferro é um cientista original, cético e individualista, anti-herói por excelência. Seu código moral é pessoal e depende dos seus interesses e caprichos. A relação entre Stark é especialmente complicada com Thor e Capitão América, o guardião e o idealista, haja vista que o primeiro visa o bem da coletividade e o outro age de acordo com seus ideais, enquanto o ele é individualista ao extremo e age de acordo com o que vai ajudá-lo a atingir seus objetivos, acima de qualquer regra ou convenção. De todos os heróis, é um dos mais "fracos" quando está em sua verdadeira identidade. Ele depende dos frutos do seu trabalho para ser um super-herói. Sua engenhosidade, sua armadura e o Torre Stark são as grandes muralhas que protegem o homem que é Tony Stark. Enquanto isso, o Hulk tem a força em si, Thor com seu inseparável martelo também, o Capitão América foi criado como um soldado perfeito e a Viúva Negra e o Arqueiro são bons em soluções rápidas. A armadura do Homem de Ferro é o que faz dele um invencível herói capaz de feitos admiráveis. Em outras palavras, o dinheiro e sua genialidade são seus superpoderes. Sem as suas coisas, ele é capaz de produzir algo maravilhoso dado algum tempo, mas não de trazer soluções prontas e imediatas. "Homem grande com uma armadura. Sem isso, o que sobra?", já perguntou no filme o Capitão América. Ele tem razão até certo ponto. Apesar de ser materialista e egoísta como já foi mencionado, o Homem de Ferro mostra também um lado capaz de sacrifícios por outros, ao entrar no portal com o míssil que destruiria Nova York sem saber se sobreviveria para contar a história. Fica, porém,  uma dúvida: será que Tony Stark não queria apenas salvar a Torre Stark, trabalho de sua vida, que ficava também na cidade? 

Contrapondo-se ao materialista Homem de Ferro, temos o soldado perfeito: o Capitão América. Sem dúvidas ele pertence ao arquétipo do guardião. Ele já surge como o Capitão ao se submeter a um experimento que o transformaria no soldado perfeito, uma arma de guerra para ajudar a sua pátria. O patriotismo e o altruísmo do herói fazem dele um herói que põe o seu dever acima de tudo. Seu dever está de tal forma elevado que ele enquanto pessoa não tem uma personalidade tão marcante. Marcante mesmo é o seu senso de dever e seus valores morais - bem acima dos de todos os demais Vingadores. Ele é, de todas as formas, o soldado ideal, símbolo do poderio militar americano com os valores da sua nação - e por isso torna-se mais um símbolo do que uma pessoa. Não podemos deixar de mencionar o fato de o Capitão ser um Rip Van Winkle (tido também como um "herói americano") em outro contexto histórico. Se na história do Washington Irving o protagonista dormiu por 20 anos e acordou após a Revolução Americana, o Capitão América dormiu depois da II Guerra Mundial e acordou setenta anos depois, tendo perdido todo o furor da Guerra Fria e outros acontecimentos históricos marcantes. O que ele também perdeu foi a  decadência cultural e moral americana. Creio que foi absolutamente oportuno que ele, patriota e moralizado, tenha voltado 70 anos depois com os mesmo deveres e princípios que nortearam os fundadores do seu país. Não vi o filme do Primeiro Vingador para saber isso em mais detalhes, mas agradeceria se alguém me falasse o que o Capitão pensou especificamente sobre a situação cultural do seu país setenta anos depois.

Pode-se notar que o contraste entre Capitão América e Homem de Ferro é o mais forte de todo o filme. Um construiu sua fortuna para se tornar um herói por conta própria, enquanto o outro foi criado pelo governo para vencer uma guerra. Um é individualista por natureza, enquanto o outro é altruísta. Capitão América age de acordo com o que é certo e o que é seu dever, enquanto o Homem de Ferro age de acordo com a sua vontade. Um é sério e o outro é irônico. E não param por aí as oposições...

Para terminar a análise dos heróis, chegamos aos dois mais práticos dentre eles: a Viúva Negra e o Gavião Arqueiro. Para mim, eles são dois artistas. A maior diferença entre os dois é a distância do seu ataque. Ambos confiam basicamente nos seus sentidos e fazem o que sabem melhor com uma incrível precisão, fazendo do combate uma obra de arte. Isso é especialmente verdadeiro quando a Viúva Negra derrota três homens armados enquanto ainda amarrada numa cadeira e quando salta sobre o escudo do Capitão para alcançar o veículo voador de um dos invasores da Terra; o Gavião Arqueiro, por sua vez, mostra grande artimanha ao atirar uma flecha explosiva em Loki, que a segurou em vão, pensando se tratar de uma flecha comum. O combate, para estes dois, não é uma questão de estratégia, mas de arte; é agir de forma engenhosa na situação que está à sua frente. O elemento que diferencia os dois é que enquanto a Viúva Negra é sistemática e estrategista, dando conta de todo um número de variáveis, o Arqueiro age pontualmente. Eles vivem tanto no presente que o passado é visto somente como algo a ser superado, nunca como um ponto de partida. Desta forma, são ambos artistas, dionisíacos, porém solitários. O que faz deles um casal perfeito é que nenhum dos dois sente necessidade de desculpas ou de satisfação do outro, entendendo perfeitamente os seus erros. Um apoia totalmente o outro e agem em perfeita harmonia quando juntos.

Por fim chegamos ao vilão do filme: Loki. Na mitologia nórdica, ele é um enganador nato e dentre os deuses o maior semeador de discórdia. Nos filmes da Marvel, este conceito é mantido e ampliado, tornando-o um exemplo autêntico de Trickster. Loki conhecia as diferenças entre os vingadores e trabalhou para que estas os colocassem uns contra os outros. Seu plano, aliás, funcionou perfeitamente. Há um outro lado dele que vale salientar e acrescenta ao personagem dos mitos, que é o lado vingativo fortemente presente no personagem (contra seu pai Odin e contra seu irmão Thor). Desde o filme Thor, no qual conspira para tomar o trono de Asgard e colocar o mundo dos deuses contra seu irmão, ele é muito mais do que um criador de caos: é um orgulhoso ursupador, um princípe maquiavélico movido pela vaidade e pelo desejo de poder. Mostra-nos Jacob Buckhardt em A Cultura do Renascimento da Itália príncipes italianos com comportamento semelhante ao do Loki, em especial César Bórgia, tido por Maquiavel em O Príncipe como um modelo de estadista. Mais que adquirir poder, ele precisa demostrá-lo e impor-se, pois Loki é um grande artista da destruição, tal qual o Coringa do Batman (este muito mais bem sucedido que o asgardiano). Cada aparição do irmão adotivo de Thor visa antes de tudo um espetáculo: quando ele invade uma festa, muito bem vestido, para começar a sua dominação e ordena que todos se ajoelhem diante dele, temos uma incrível exibição da sua arte caótica e seu autoritarismo. Um outro momento em que ele deixa isso bem claro é ao ser inquirido por Thor sobre sua visão dos seres humanos, quando Loki diz que os vê como inferiores. Ele, no entanto, fracassa em seu projeto artístico e político. A autoridade e a honra dele mostram-se ilegítimas em poucos segundos por uma surra do Hulk, a quem o deus disse estar em um nível muito inferior ao dele. (Eu bati palmas nessa cena.) Com a derrota de Loki, seus planos só têm sucesso, a curto prazo, como desestabilizador da ordem, mas não como estabelecedor de uma nova ordem, porque a natureza enganadora do irmão do Thor é inegável, mas sua vocação para o poder é duvidosa até a última gota.

Enfim, podemos ver como Os Vingadores é rico em símbolos universais, o que contribui para sua grandeza e culminou com uma grande bilheteria nos cinemas em que estreou. O cultos aos heróis é algo que dificilmente se dissociará da humanidade. Estes, tão bem representados e tipificados no filme fazem de Os Vingadores um clássico que mesmo daqui a cinquenta anos poderá ser assistido sem prejuízo de apreciação.

Keirsey Temperament Website - Site em inglês no qual você pode ler mais sobre os quatro temperamentos e fazer o teste para descobrir em qual você se encaixa.

Avengers no Squidoo - Leia gratuitamente no Squidoo os quadrinhos dos Vingadores. (Em inglês.)


Autor: André Marinho
Criação: 06/05/2012
Objetivo: www.ligadosfm.com

5 de mai de 2012

Reboot #5.2 : Incredibox

Bom dia, boa tarde e boa noite, terríveis caminhantes mortos desse mundo destruído. Nessa coluna fora de tempo e padrão que recebe o macabro nome de Reboot, iremos falar hoje sobre dois sites que dividem os amantes da música em dois tipos: os pró-ativos e os relaxados. Na segunda parte desta saga, vamos falar dos pró-ativos...




Quem nunca baixou um programinha tipo o Virtual DJ para treinar suas pseudo-habilidades como Disco Joquei que atire a primeira pedra. Muitas pessoas já tentaram e muitos já falharam na tentativa de ser o  David Guetta Fatboy Slim dessa geração. Eu sou uma dessas pessoas que acham a profissão de colocar músicas para tocar e fazer um remix da nova música da Adele uma coisa foda. E obviamente não tenho talento nenhum para isso, mas não quer dizer que eu não brinque um pouco de vez em quando.


Dando uma olhada por aí, você vai encontrar todo tipo de material para quem deseja aprender a ser DJ. Tutoriais, mini-cursos e programas que facilitam sua vida na hora de fazer um remix, com efeitos prontos e customizáveis. E tem este programa aqui, o INCREDIBOX, que te dá efeitos, vocais e harmonias já prontas e na mão, só precisa clicar e arrastar. A brincadeira é bem simples e você vai pegar em cinco segundos: você escolhe um efeito, batida, melodia, refrão ou vocal para colocar na sua música, clica segurando e arrasta para o boneco estiloso. Assim você cria uma música naquele estilo misturando beat-box e harmonias, que a gente vê nos filmes com um grupo de caras negros no Bronx fazendo.


Se você passar o mouse em cima do boneco estiloso, vai perceber que tem três opções: uma caixa-de-som, um alto-falante e um xis. O xis é para excluir o boneco e seu som, os auto-falantes para escutar somente o som daquele boneco específico e as caixas-de-som são para desligar somente aquele som da música. O site ainda te dá opção de gravar, então eu gravei uma coisa rapidinho para mostrar a vocês: Minha música descolada e tosca .


Espero que vocês gostem tanto quanto eu gostei. Que tal fazer sua própria música e postar aqui ou lá na fanpage do Ligados? Mostrem seu incrível talento bruto para o mundo! Ah, e se você já usou e abusou do Incredibox, pode dar uma conferida numa versão alternativa dele. E por hoje é só, pessoal.


Autor: Mozart Maia - Criação: 03/05/2012 - Objetivo: www.ligadosfm.com.br