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29 de jun de 2012

9ª Criticando Cinema: Você só vive uma vez, portanto, por que não viver com estilo?

Olá pessoal. O Criticando Cinema de hoje vai falar de um filme que eu acho que a maioria de vocês já assistiram, ele se chama “Antes de Partir” (The Bucket List), um filme de comedia agradável dirigido por Rob Reiner, com Jack Nicholson e Morgan Freeman nos papeis principais. 

Sinopse: Carter Chambers (Morgan Freeman) é um homem casado, que há 46 anos trabalha como mecânico. Submetido a um tratamento experimental para combater o câncer e com isso é internado em um hospital. Logo passa a ter como companheiro de quarto Edward Cole (Jack Nicholson), um rico empresário que é dono do próprio hospital. 

 Enredo: O filme conta a história de dois pacientes portadores de câncer internados em um mesmo quarto, um bilionário estranho (Jack Nicholson) e um simplório mecânico (Morgan Freeman), quando recebem as más notícias. Cada um deles monta uma lista de coisas a serem feitas até o momento derradeiro, e juntos saem mundo afora para viver a maior aventura de suas vidas. Salto de pára-quedas? Perfeito. Pilotar um Mustang Shelby em alta velocidade? Feito. Admirar a grande pirâmide de Khufu? Feito. Descobrir a alegria em suas vidas antes que seja tarde demais? É o que vamos descobrir nessa inspirada saudação à vida, que prova que o melhor momento para se viver ainda é o agora. 

Resenha: Na trama temos um símbolo de esperança, amizade e respeito entre as pessoas, no exemplo do filme, dois velhos que são completamente diferentes, mas a vida colocou os dois juntos por uma fatalidade e a partir desse encontro, os dois viveram uma bonita, engraçada e comovente historia de amizade e dignidade. Parece até clichê, mas esse é o ingrediente que faz esse filme dar certo. Com tudo isso essas duas pessoas tão diferentes acabam fazendo uma amizade simples, conversando, jogando, falando sobre a vida e suas preocupações. Mas os mesmos acabam descobrindo que tem apenas alguns meses de vida e por conta disso, Edward Cole chama seu novo amigo Carter Champers para aproveitar os últimos meses de vida fazendo o que nunca fizeram na vida. Cole, aproveitando todo dinheiro que possuíra, levou seu amigo Carter para as maiores aventuras “antes de partir”. 

No filme temos uma fotografia impecável que ajuda em muito o clima de despedida que acompanhamos durante toda a trama, a direção de Rob Reiner não deixa a desejar e claro não podíamos deixar de falar do show que é em ver dois monstros da interpretação atuando juntos, pois tanto o Nicholson quanto o Freeman estão espetaculares em seu respectivos papeis. Então se você está atrás de um bom filme para o fim de semana que seja divertido e que no final das contas, nos mostre que a vida é uma só. E que temos aproveitar cada momento e ver que tanta responsabilidade em ter uma vida memorável e ser uma pessoa de bem não adianta nada se você não for você mesmo então“Antes de Partir” é uma ótima pedida para assistir junto com a família ou sozinho. Obrigado pela atenção pessoal e como é de costume deixo uma frase marcante do filme pra vocês, então até o proximo Criticando Cinema.

"Sabe amigo, você me faz querer ser uma pessoa melhor" 

- Edward Cole

Por: Anderson Ricardo
Em: 29/06/2012
Objetivo: LigadosFM 

8ª Entrevista Literária - MD Amado

M. D. Amado nasceu em Belo Horizonte no ano de 1969. É Analista de Sistemas e Editor. Iniciou-se na Literatura em 2004 e fundou a Editora Estronho anos mais tarde, com o objetivo de incentivar novos escritores a publicar obras sem modismos e com um rico diferencial literário. 

É autor do livro de contos “Aos Olhos da Morte”, e participou de várias antologias nacionais de Literatura Fantástica. É também responsável pelo site Estronho e Esquésito, fundado há dezesseis anos com o objetivo de publicar causos e outras curiosidades estranhas, além de disponibilizar espaço para divulgação de textos e livros de autores nacionais.

O autor e editor MD Amado

Ligados: Quando surgiu o seu fascínio pela escrita? 

MD Amado: Bem tardio, eu diria. Por volta de 2004. Embora eu já mantivesse o site Estronho e Esquésito, que divulga desde 1996 contos e textos de novos autores, eu mesmo só me arrisquei depois do incentivo de alguns autores nacionais que publicavam no site. 

Ligados: O seu foco principal sempre foi Literatura Fantástica. Quando e como você conheceu esse gênero? 

MD Amado: Conheci, ou melhor, tive ciência de que aquilo que eu gostava de ler era conhecido como Literatura Fantástica, com a criação do Estronho e o início da publicação de contos por lá. Mas posso dizer que comecei a conhecer melhor o gênero também em 2004. O interesse maior foi despertado por autores como Richard Diegues, Giulia Moon e outros nacionais, além de autores estrangeiros como Stephen King, Ray Bradbury, Allan Poe e Lovecraft. 

Ligados: Quantos e quais livros solos você já lançou? 

MD Amado: Somente um. “Aos olhos da morte”, que saiu pela Editora Literata, com o selo Estronho (ainda não existia a Editora Estronho). É um livro de contos que retratam a morte humanizada. Talvez seja relançado pela Estronho em uma versão de bolso, mas é projeto para 2013. E nos próximos meses vou publicar um livro infantil pelo Selo Fantas, além de estar escrevendo um juvenil. 

Ligados: Quais autores influenciam a produção literária de Amado? 

MD Amado: Não sei se posso dizer que tenho influências diretas. O autor que eu mais gosto de ler é Ken Follett, que é mais ligado à ficção histórica. Gosto de vários autores e tento aprender com cada um deles, mas ainda há muito que trilhar por esse caminho.

Ligados: Como tem sido o reconhecimento do público a respeito de suas obras? 

MD Amado: Quando saiu o “Aos Olhos da Morte”, eu tive um retorno muito positivo dos leitores. Atualmente ando sem tempo para escrever, devido aos trabalhos com a editora e outra empresa da qual faço parte. É mais fácil alguém me conhecer hoje como editor, do que como autor. Mas vez por outra, em alguns eventos, sou cobrado por alguns leitores que conhecem meus contos de outras antologias e da internet. 

Ligados: Em 1996 você criou o site Estronho e Esquésito, onde exibia causos, lendas e outras curiosidades sobre assombração. Em que momento e por qual motivo você resolveu intercalar a sua proposta inicial com a Literatura, criando a Editora Estronho? 

MD Amado: Final de 2010. Eu havia tido uma decepção muito grande com uma editora do Rio, que trata os autores como simples objeto comercial e não ligam a mínima para o seu projeto, como aliás, muitas outras editoras que estão por aí, o fazem. Procurei o Edu da Editora Literata e fechamos uma parceria que deu inicio ao Selo Estronho, junto com a Literata. Por ele saíram os livros “Aos Olhos da Morte” (já citado aqui, de minha autoria), “Na Próxima Lua Cheia” (de André Bozzetto Jr.), “À Sombra do Corvo” (uma antologia de poesias sombrias) e a série “Extraneus”, que contou com 3 volumes (“Medieval Sci-Fi”, “Quase Inocentes” e “Em Nome de Deus”). A partir daí, tomei gosto do trabalho de edição e resolvi colocar no papel um velho projeto, que era levar os novos autores que até então publicavam no site, para os livros. Eu e Celly Borges (do blog Mundo de Fantas) já trocávamos ideias sobre esse nosso meio literário e suas falhas e acertos. Quando resolvi montar a editora, eu a chamei para entrar comigo nessa “furada”, pois ela conhece muito de literatura, principalmente juvenil e infantil, que também era um dos focos iniciais da Editora. Com isso, criamos o Selo Fantas que cuida dessa parte. 

Ligados: O que lhe dar mais prazer: Editar ou Escrever? 

MD Amado: Acho que meio a meio. É muito bom receber críticas e elogios sobre aquilo que você escreve, mas também é muito bacana ver os autores satisfeitos. Realizar pequenos sonhos literários é muito gratificante. E o mais empolgante é saber que fazemos isso com muito trabalho, pouca grana, sem exploração de autores e ainda assim, dando certo. 

Ligados: Qual o diferencial da Editora Estronho em meio a um mercado editorial tão gigantesco e competitivo? 

MD Amado: Talvez justamente a não preocupação com esses fatos. Queremos publicar algo e publicamos. Algumas obras talvez não tenham um grande apelo comercial, o que acaba fazendo com elas sejam ignoradas por editoras tradicionais. Não acho isso errado. Afinal, editora é um negócio como outro qualquer e tem que ser lucrativo. Porém, a Estronho não é parte de um projeto que nasceu com esse objetivo. Não temos a editora como fonte de renda principal. Óbvio que queremos que ela cresça e se torne lucrativa, afinal, é muito trabalho e precisa ser recompensado. Mas isso vem com o tempo. Gostamos de fazer coisas diferentes ou dar um toque diferente a coisas já conhecidas. Nossas antologias costumam misturar temas opostos ou instigar os autores a enfrentar desafios de criarem em cima de roteiros e cenários pré-estabelecidos. Já me perguntaram em algumas palestras, por que a Estronho não tem antologias que não sejam temáticas. É justamente para forçar o autor a se exercitar. É muito mais fácil você escrever algo livremente. Nada contra, claro, mas para enfrentar o mercado o autor tem que estar preparado para tudo. E essas antologias roteirizadas ajudam a criar a diversidade da escrita em cada um, fugindo do comum. Há poucos dias, recebi um e-mail de um autor dizendo que gostaria muito de participar de nossas antologias, mas que ele não consegue enxergar como pode ser criativo sendo ‘travado’ por regras e um roteiro definido. Bom, é exatamente ai que está o desafio.

Ligados: A editora possui selos voltados para outros gêneros literários? 

MD Amado: Somente o Selo Fantas, voltado para infantil, juvenil. Publicamos outros gêneros, inclusive não-ficção, mas eles saem com a assinatura Estronho mesmo. Em julho lançaremos “Cantando um Blues”, um documentário sobre o gênero musical e sua influência sobre a música brasileira. Além dele vem por aí um catálogo de filmes B, um estudo sobre fãs de anime, o livro da Ana Cristina Rodrigues, que dá dicas importantíssimas aos novos autores e outros títulos que anunciaremos em breve. 

Ligados: Entre as antologias que organiza, você já descobriu escritores brilhantes, acreditando no crescimento profissional dos mesmos? 

MD Amado: Com certeza. Alguns deles já estão publicando livros solo conosco e também por outras editoras, o que é muito legal de se ver. Com medo de esquecer alguém, devido a correria que estou aqui, posso citar a portuguesa Valentina Silva Ferreira, Nikelen Witter, GhadArddhu, Natália Couto Azevedo, Chico Pascoal, A.Z. Cordenonsi, Alliah, Raphael Montes, Sheilla Liz, Paulo Fodra... ihh, a lista é maior, pode ter certeza. Sem falar em outros autores já conhecidos que também participam de nossas antologias. 

Ligados: Divulgar livros ainda é uma tarefa bastante complicada, embora a internet tenha ajudado bastante. De que forma você atua para que os leitores tomem conhecimento das obras e autores de sua editora? 

MD Amado: Nosso principal foco ainda é a venda online, com promoções e descontos maiores (em vez de pagar os 50% das livrarias, convertemos isso em frete grátis e descontos para o público) e os eventos literários. O contato direto com o público nesses eventos tem nos trazido não só um retorno maior por parte dos leitores, como também novos contatos com autores desconhecidos e que têm obras interessantes a serem publicadas. Aos poucos também estamos aumentando os pontos de venda físicos, visando principalmente livrarias pequenas e médias, que trabalham melhor esse contato com o leitor. As grandes livrarias também são importantes para nosso crescimento, porém elas não possuem esse trabalho de apresentar aos leitores, os novos autores e trabalhos de editoras pequenas. Existe uma grande procura dos nossos livros na Cultura, por exemplo, mas é mais por conta de leitores que vão até a loja em busca nossos títulos, do que propriamente um trabalho de venda direta.

Ligados: A popularização dos famosos E-books tem aumentado nos últimos anos, embora ainda de forma lenta. A Editora Estronho visa um mercado promissor nos livros digitais? 

MD Amado: Eu ainda estou no time dos editores que têm muitas dúvidas a respeito do mercado digital. Vamos lançar nossas obras em breve nessa mídia, mas provavelmente utilizando-a mais como divulgação, do que fonte de renda. A ideia é colocar preços baixos e alguns serão publicados sem proteção alguma, e/ou distribuídos gratuitamente. 

Ligados: Uma pergunta que não cala: É possível, hoje, se viver tão somente de Literatura no Brasil, ou isso ainda faz parte de um sonho utópico na vida de um escritor? 

MD Amado: Possível é. Temos aí alguns exemplos que o público conhece bem. Mas é muito, muito difícil. O autor que entra hoje nesse meio esperando que seu livro arrebente de vender assim, num estalar de dedos, vai ter uma enorme decepção. A realidade nos bastidores é bem diferente. É preciso batalhar muito junto com a editora, saber ouvir críticas (isso inclui saber dividir a crítica que merece ser ouvida e a que não representa nada, aquela que serve apenas de palco para seres frustrados) e não desistir mesmo depois de levar uma dúzia de nãos. 

Ligados: Está envolvido em outros projetos individuais no campo literário, ou tem usado o seu tempo focado na função de editor? 

MD Amado: A editora consome quase todo meu tempo que é destinado à literatura. Já tive que recusar alguns convites de editores parceiros para escrever em antologias e acabei perdendo o prazo de outras duas que ia tentar seleção. Ainda escrevo em uma ou outra antologia nossa, mas mesmo assim, já deixei de participar de algumas que eu estava muito afim, por não ter tempo de melhorar meu texto. Preferi não publicar para não prejudicar a qualidade da coletânea. Foi o caso da série VII Demônios. Queria muito ter conseguido escrever, mas não deu. 

Ligados: Por possuir uma vasta experiência, qual a dica que você deixa para os novos escritores? 

MD Amado: Vasta experiência não seria o mais correto a dizer. Como disse antes, entrei nessa em 2004 e venho tentando aprender com editoras parceiras e outros autores. E muitas vezes a gente aprende mais com as coisas erradas primeiro... sobre o que NÃO fazer. E me baseando nisso, posso dizer para quem quer começar ou está começando, que em primeiro lugar não deixe a ansiedade tomar conta do seu objetivo principal. Você deve ser perguntar: quero ser um autor de verdade, ou ser apenas o escritor famoso entre meus amigos e minha família? 
Tendo essa resposta, você vai procurar aquilo que é melhor para sua realização. Se não se importa tanto com a qualidade real de seus textos e acredita piamente na sua tia, mãe, namorado ou o ‘amigo’ escritor que elogiou seu texto falando que não entende porque ainda não foi publicado, então pode procurar uma editora qualquer, que publique toneladas de escritores em um livro só, que cobre horrores para que você seja publicado, ou que te obrigue a comprar trocentos exemplares. Faça a festa com a família e passe a criticar todas as editoras que disseram não ao seu conto ou original. 
Mas se você quer ser um autor de verdade, seja paciente. Saiba ouvir um não. Procure saber por que, mande seu texto para várias pessoas em que você possa confiar na sinceridade das opiniões, antes de mandar para a editora. Escreva e deixe o texto descansar por um tempo. Depois leia novamente e novamente e novamente. Seu texto pode sim, ser muito bom, mas não parta do princípio de que você é FODA e que vai revolucionar o meio literário. Pesquise muito para não cometer erros grotescos, como dizer que sua obra é superoriginal, e depois ser ridicularizado em blogs e redes sociais, porque era tão comum quanto outro qualquer. E se for optar mesmo por pagar para publicar, procure informações sobre a editora. Não acredite em promessas milagrosas. Converse com autores que tenham publicado na mesma casa, procure livros publicados e ateste a qualidade. 
Se quer ser profissional, aja como um.

Perguntas rápidas: 
Autor(a): Ken Follett;
Ator(Atriz): Wagner Moura;
Site: Estronho, claro rs. (www.estronho.com.br);
Banda: Ah, sou muito eclético... mas vá lá, Creedence Clearwater Revival;
Música: HaveYouEverSeen The Rain (Creedence);
Filme: Três Homens em Conflito (também conhecido como “O bom, o mau e o feio”).


Links dos seus produtos nas lojas online: 
Livraria Cultura: Aqui; 
Livraria Estronho: Aqui.

Ligados: Deseja encerrar com mais algum comentário? 

MD Amado: Apenas agradeço a oportunidade de divulgar a editora e nossos projetos e fiquem de olho em nosso site (www.editora.estronho.com.br) para acompanhar nossos eventos, lançamentos e promoções. 

Um grande abraço a todos. 


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 29/06/2012 - Objetivo: www.ligadosfm.com

26 de jun de 2012

29º Mundo Cão - Um Cidadão na Terra dos Extintos

O problema dos alagamentos nos grandes centros urbanos brasileiros não se deve aos fatos
decorrentes daquilo que julgam "Práticas ambientalmente incorretas", aquecimento global, ou coisas do tipo. Não adianta colocar a culpa na formação de massas de ar indevidas sobre o nosso território, nos fenômenos El Niño ou La Niña ou na natureza raivosa que nos penaliza com suas surras de vento e água em virtude do modo como tratamos seus recursos.

Existe algum centro urbano brasileiro que não sofre com alagamento em dias de chuva? Acredito que não... Melhor, eu tenho certeza! Dentre todas as cidades que conheço neste país, NENHUMA, exatamente NENHUMA, possui uma malha rodoviária com asfalto regular, vias plenamente pavimentadas com os 04 centímetros de camada asfáltica, como exige o CONFEA, com sarjetas regulares ou bocas de lobo desobstruídas. Nenhum gestor público se atem a isto, ainda que a própria população jogue lixo nas calçadas ou pelas janelas do seu carro.

Uma coisa não justifica a outra. Também, não deixa de justificar. O poder público, sequer, é proativo ao ponto de lançar uma campanha de conscientização quanto á necessidade de agir com cidadania e respeito às vias públicas; sequer, presta contas dos recursos aplicados nas obras essenciais á população, ao tráfego urbano; sequer, cobra das empresas que prestam serviços de orientação pública quanto ao transporte coletivo melhores condições de seus veículos e do próprio serviço prestado à população. E esta, a população, parece estar cagando e andando...

O problema é que ela mesma, a própria população, pisa no cocô envolvido com um rótulo de papel higiênico contendo seus direitos e deveres escritos. Hoje, Natal transformou-se em um verdadeiro pé d'água, um imenso igarapé urbano, na qual poucas eram as vias urbanas onde não haviam poças e concentrações de águas pluviais. Com exceção das ladeiras e dos pontos altos com quedas geográficas, o pior absurdo não é ter que se sujeitar ao trânsito caótico por causa das chuvas ou de um buraco escondido debaixo de uma poça d'água, mas isto se repetir há mais de duas gestões e nada ter sido feito.

Na verdade, as pessoas engolirem isto como normal, como parte da rotina na qual estranho é uma cidade bela com vias sem engarrafamentos, sem buracos ou sem alagamentos em um país esburacado, isto sim, é o que dói no juízo. No Brasil, esta realidade não existe... Talvez, em alguma cidade fronteiriça, porém, é fato que se faz ausente no meu conhecimento.

E não interessa se as massas de ar invadem nossas cidades carregadas de água por que poluímos ou tratamos mal o meio ambiente. Nossas cidades TÊM que estar preparadas para receber grandes volumes d'água, vindos eles do céu ou do inferno.

Hoje, eu não me impressiono com as notícias que tomam conta das páginas dos jornais e dos portais locais de notícia. Estou acostumado, calejado, anestesiado...

No ultimo sábado, noticiou-se a desistência da atual prefeita de Natal à reeleição, apesar de a mesma ter ganho um prêmio de Boas Práticas de Sustentabilidade na Rio+20... Na ultima semana, noticiou-se a aliança da antiga Wilma Maia como vice, na chapa de candidatura à prefeitura da capital potiguar, do ex-prefeito Carlos Eduardo... Sabe, de qualquer forma, não deixam de ser alvos da justiça, quanto á prestação de suas contas referentes às suas ultimas administrações, quanto à probidade de seus atos administrativos e até no que confere ao envolvimento com grupos suspeitos por atos de enriquecimento ilícito, formação de quadrilha ou coisas do tipo, que parecem não ser mais crime neste país.

É difícil de acreditar que as pessoas sentem saudades de um passado repleto das mesmas coisas as quais se vê nos dias de hoje. Um passado cheio de buracos, atos mal justificados e ruas e avenidas alagadas; trânsito caótico, cidades violentas e serviços básicos tão ruins quanto ter que esperar na fila de um banco ou por atendimento telefônico das operadoras de telefonia que atuam neste país.

Nada é tão diferente daquele todo que insiste em ser exatamente do mesmo modo como era no passado. Bem-vindo ao Brasil democrático!

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 26/06/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 28º Mundo Cão - Ser Professor e a Justiça em Sê-lo

22 de jun de 2012

Papo de Gago #4: Papo de Quadrinhos: O odiado ou amado Deadpool.


Olá pessoal, o Papo de Gago de hoje é um especial sobre personagens de quadrinhos, e o primeiro personagem que vai ser debatido é o polémico Deadpool. Então junte-se a Anderson e Gabriel e conheça esse anti-herói do universo Marvel.

Nesse podcast: Descubra como um descontrolado vai exterminar o universo Marvel, veja como um ator conseguiu destruir todos os personagens baseados em personagens de quadrinhos que ele pegou e entenda que no filme do Wolverine não é o Deadpool que aparece e sim o Baraka do Mortal Kombat.

Link's comentados no programa:

Deadpool mata o Universo Marvel:

Imagem 1

Imagem 2

Imagem 3

Imagem 4

Site para baixar as HQ's do Deadpool:

actionsecomics.net

Site para comprar HQ's do Deadpool:

ligahq.com.br

Perfil do Gabriel na Skynerd

Perfil do Gabriel no Facebook

Evento de Lançamento do livro O Filho de Netuno da série Os Heróis do Olimpo

Deixe o seu comentário no post ou mande os seus xingamentos, elogios ou sugestões para: papodegago@yahoo.com.br



Ouça podcast no player acima ou baixe o mp3 clicando aqui (clique com o botão direito do mouse e escolha a opção salvar destino como)!

Por: Anderson Ricardo
Em: 22/06/2012
Objetivo: LigadosFM 


19 de jun de 2012

28º Mundo Cão - Ser Professor e a Justiça em Sê-lo

Educação é algo a ser levado mais a sério do que acredita a vã e audaciosa sabedoria popular. Quando se reivindica por aí 10% do PIB somente para a educação, não o fazem justificado pelos baixos salários pagos pelas esferas pública - e, ainda pior, privada -, pela insalubridade decorrente de lidar com hostilidades e incertezas no ambiente de trabalho e pelo trabalho pós trabalho (levar trabalho para casa) em uma sociedade onde o trabalhador passa mais de 12 horas do seu dia dedicado às tarefas profissionais fora do lar.

Para quem não sabe, 08 horas diárias de trabalho, mais duas horas de intervalo entre turnos, mais duas horas gastas, por dia, com deslocamento, em média, nos centros urbanos, é o tempo rateado o qual um cidadão dedica para o seu trabalho. O professor, além de estar sujeito a passar por tudo isso, tem que planejar aula, corrigir tarefas e provas e até ir a reuniões e festinhas que sua escola promove nos sábados, feriados, dias santos e quando lhes der na teia.

Isto é o que o difere dos demais profissionais, apesar de suportar na mesma carne as injustiças imponentes em um sistema o qual valoriza multiplicadores e não multiplicandos. É interessante observar que o salário do professor não é insuficiente somente no Brasil ou nos países do hemisfério sul. Na Coreia do Sul, um professor ganha em média 06 mil dólares / mês, país cuja renda per capital passa dos 20 mil dólares (mensais). Nos EUA, essa realidade não se faz doravante distinta, tanto que os criadores d'Os Simpsons e o próprio Chris Rock fizeram questão de colocar o Diretor Skinner dentro da casa da própria mãe e a Srta. Morello nos arredores do Brooklin, bairro pobre da cidade de Nova Iorque, como forma de mostrar ao resto do mundo o modo como o povo americano trata os seus professores.

Sabe, o mundo anda muito gripado e não há de se ir muito longe para tomar conhecimento de causa a respeito. Ainda que a cultura da disciplina e do ofício habite os costumes de países desenvolvidos, tais quais os que citamos no parágrafo anterior, a formação do homem, do ser, do cidadão, que construirá uma nação, criará filhos e disciplinará rebanhos passa pelas mãos de várias pessoas. Os pais estão entre elas, porém, não há livro melhor e mais completo do que um professor - para tirar dúvidas, transmitir conhecimentos, compartilhar experiências e servir-se de exemplo.

Não há quem mereça melhor recompensa neste mundo capitalista - cheio de necessidades, que tanto diz sentir falta de pessoas qualificadas, sábias, que necessita decidir pelo certo, que não deve jogar lixo no chão ou pela varanda do apartamento e até respeitar as normas do trânsito - do que o profissional da educação. E o motivo é simples.

A responsabilidade de ensinar, de formatar a capacidade de milhões de pessoas aptas a formar opinião, desenvolver senso crítico e até transmitir os segredos de um ofício não é para qualquer engenheiro, médico ou bacharel. São quatro anos (geralmente mais) investidos em formação científica superior para trabalhar tanto quanto um profissional da saúde e ganhar quase 1/5 do que este recebe por seu trabalho...

Olha, os 10% do PIB para a educação é possível, sim, em um país cuja soma de toda a sua riqueza produzida passa dos 2,5 trilhões de dólares anuais e que gasta 1/3 disto com funcionários fantasmas, parlamentares e ministros, os quais, sequer, honram a própria atribuição dada às suas instituições (sobretudo, as da justiça).

Sou estudante de mestrado e estou há vários anos preparando-me para uma vida regrada de responsabilidades quanto à formação de pessoas aptas a fazer a engrenagem da riqueza deste país continuar girando. Todavia, é exatamente sobre isto que tenho levado, para mim, na forma de questionamentos. Não a respeito do tamanho do salário que vou ganhar ou do padrão de vida que conseguirei ostentar, entretanto e sobretudo, se estou preparado para ser um dos responsáveis pela construção da capacidade de discernimento do certo e do errado de variáveis inseridas em um contexto, o qual, cidadãos, propriamente ditos, acostumaram-se a ver o professor como um mero produto plausível de descarte.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 19/06/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

17 de jun de 2012

19º Ensaio Cultural - Celebrando a Literatura, ou: Onde Está o Dia de Brás Cubas?


Olá, caros leitores. Este é mais um domingo para conversar com vocês sobre literatura. Hoje, sobre celebrações literárias. Este é um tema que pouco discutido, talvez por falta de conhecimento da existência deles ou por excesso de domiciliarização da experiência literária (ou seja: o hábito de deixar a literatura em casa, em uma poltrona na qual se fuma um cachimbo enquanto se lê). Mas é fato: escritores e obras literárias são motivo de festa! Não me refiro de nenhuma noite do solteiros com cantadas à moda Shakespeare ou de raves com as canções de Robert Burns em versão eletrônica, embora não duvide da existência de tais coisas. Eu me refiro a celebrações que mantém a tradição literária viva na memória coletiva. 

Ontem, por exemplo,dia 16 de Junho, foi o Bloomsday, dia no qual a Irlanda e vários outros lugares do mundo celebram a vida e a obra de James Joyce. A literatura de James Joyce se desprendeu das páginas e veio para todo o ocidente, até mesmo para os que nunca o leram, com uma celebração que acontece hoje no mundo inteiro: Hungria, Itália, Austrália... Em Dublin, a comemoração já é uma tradição e toma conta das ruas com leituras dramáticas, pessoas vestidas como personagens do livro entre outras coisas em todo o percurso seguido por Leopold Bloom e Stephen Daedalus no livro Ulisses. Mesmo em Natal, há mais de vinte anos existe o Bloomsday, que atualmente se concentra na UFRN. Isso tudo é fantástico, pois mostra que nem só de poltrona e cachimbo vive a literatura.

É óbvio que não é exclusividade de James Joyce ter um dia em sua homenagem. Da mesma forma que a Irlanda comemora o Bloomsday, na Inglaterra celebra-se a obra shakespeariana no Shakespeare Day, no dia 23 de Abril, dia que se presume ser o da morte do bardo inglês. A cidadezinha inglesa Stratford-upon-Avon de Warwickshire, na qual nasceu Shakespeare, é o local. Desde a Holy Trinity Church segue uma procissão até o túmulo do dramaturgo. Artistas performáticos de vários tipos fazem seu trabalho para homenagear Shakespeare: dançarinos, atores, músicos... Nas escolas da cidade, Shakespeare toma lugar das aulas regulares.

Não podemos nos esquecer ainda de Tolkien Week, Dia da Toalha, Hemingway Days e Tom Sawyer Fence Painting Day, entre várias outras execuções  de festividades locais a ações mundiais. Vocês, leitores e leitoras, podem pesquisar mais sobre estes. Sei que adorarão conhecê-los.

Ao ver tudo isso, eu me regozijo. Ao mesmo tempo, me preocupa que eu não conheça relacionado a autores brasileiros celebrações com a mesma força. Por que não um Dia de Jorge Fernandes ou de Auta de Souza, poetas tão importantes do nosso estado? Nacionalmente, por que não fazemos um Dia de Brás Cubas, homenageando o magnum opus do célebre Machado de Assis, que por Harold Bloom foi colocado como um dos maiores escritores do cânone ocidental? Com uma grande admiração principalmente pelos mais jovens, Álvares de Azevedo poderia ser festejado como símbolo das fortes paixões adolescentes. Ora, seria fantástico que literatos como nós fizéssemos com que esses talentosos escritores que tivemos recebessem hoje esse tratamento. Da minha parte, prefiro que não se recorra ao governo, pois não precisamos de grandes recursos: precisamos de iniciativa. Esse é um fardo que cabe principalmente a nós amantes da literatura, principalmente os professores. Estes poderiam iniciar o processo nas escolas, como algo bem informal em datas relacionadas aos nossos grandes escritores. É importante que seja informal e principalmente animador.  

Agora que já dei as minhas sugestões, amigos leitores, quero que me falem sobre autores e obras nacionais ou locais que vocês creem merecem um dia de homenagem. Juntos, podemos decidir isso hoje mesmo e logo começar a trabalhar para que se realize, mesmo que seja com pequenos grupos. Conto com seus comentários e acima de tudo com a força de vontade daqueles que tenham esse mesmo ideal de formação de uma consciência literária forte no país. 

Autor: André Marinho
Objetivo: www.ligadosfm.com
Criação: 17/06/2012

15 de jun de 2012

8ª Criticando Cinema: As vezes o que se passa na cabeça não é tão louco quanto você pensa.

Olá pessoal, o criticando cinema de hoje vai falar do filme “Se enlouquecer não se apaixone” (It’s kind of a funny story) dirigido por Anna Boden e Ryan Fleck e estrelado por Zach Galifianakis (Se Beber não case 1 e 2), Keir Gilchrist (conhecido por uma série do Disney Channel) e Emma Roberts (conhecida pela série da Nickelodeon Normal demais e outros filmes comédia romântica adolescente).

Sinopse: Craig é um calouro do colegial, num programa talentoso, apaixonado pela namorada de seu melhor amigo. Quando toma consciência que é um potencial suicida, se interna na ala psiquiátrica de um hospital, achando que eles o observarão, o ajudarão e mandá-lo de volta para casa em tempo de começar na escola no dia seguinte. No entanto, enquanto a ala juvenil é renovada, ele terá que ficar por uma semana na ala dos adultos e também com outros mais jovens.

Enredo: O filme é a história de um garoto que está com depressão e pensa em se matar. Sem saber o que fazer, ele mesmo se interna para receber tratamento psiquiátrico num hospital e lá ele conhece o Bobby, um homem com problemas com a filha jovem, Craig também conhece Noelle, da mesma idade que ele. Enquanto tenta evitar que seus amigos descubram onde está, ele segue na terapia, canta e ajuda Bobby com seu problema.

Resenha: Sabe aqueles filmes pelos quais você não dá nada, mas acaba, por fim, se surpreendendo? Então “Se enlouquecer não se apaixone” é um desses filmes, e tinha um tempinho que eu vinha rejeitando ele, pelo simples motivo de que tinha uma proposta piegas demais com atores de produções piegas demais. Mas, o filme me surpreendeu de uma forma singular, eu sei que o filme é clichê em vários pontos e aborda alguns temas que prevemos desde a sinopse. Mas vale a pena e consegue ser original mesmo batendo numa tecla talvez já gasta nos filmes. É divertido e com um nível de reflexão mínimo para você acabar com um sorriso bobo nos créditos (vale dizer um sorriso não resultante das piadas).

A direção é bem original. Vários efeitos são adicionados à gravação efeitos de filme antigo, de desenho, a câmara para, como em pause, e a narração em off surge de fundo em certos momentos, e muitas vezes os acontecimentos são exibidos de um modo particular, como se fossem retirados mesmo da cabeça do personagem. Esses detalhes tornam a produção bem interessante, além de sua história que vai cativando o espectador aos poucos.

Achei legal a mensagem de que temos todos um pouco de loucura dentro de nós, e o filme explora, que é muito importante vermos além da superfície dos que conhecemos. Não só com os meio pirados, nos quais temos de ver as qualidades por trás do estranhamento, mas também com os normais, nos quais a loucura ou a incoerência estão sempre escondidas.

Então se você está procurando um filme para aproveitar no tempo livre “Se enlouquecer não se apaixone” é uma grande pedida de comédia romântica/dramática, ele não é aquilo tudo que certos filmes nos proporcionam. Contudo, mescla muito bem um pouquinho de reflexão com diversão descomprometida. Realmente um tempero bem dosado para uma tarde domingo. E pra finalizar o criticando cinema eu separei alguns diálogos entre as personagens, então até a próxima coluna.

“Concedei-nos Senhor, serenidade necessária, para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguirmos umas das outras.” Reihold Niebuhr

“- Eu não tenho nenhum amigo. 
- É uma descoberta muito triste.” Diálogo entre o Bobby e um louco

“-Se não está ocupado nascendo, está ocupado morrendo.” Bobby

“- Gosta de música? 
- Gosta de respirar?” Diálogo entre o Craig e a Noelle. 




Por: Anderson Ricardo
Em: 15/06/2012
Objetivo: LigadosFM 

7ª Entrevista Literária - David Leite

David de Medeiros leite nasceu em Mossoró-RN, no ano de 1966. Residente atualmente em Natal-RN, é Advogado e Professor. Autor dos livros “Companheiro Góis – Dez Anos de Saudades”; “Os Carmelitas em Mossoró”; “Ombudsman Mossoroense”; “Duarte Filho: Exemplo de Dignidade na Vida e na Política”; “Incerto Caminhar” e “Cartas de Salamanca”, é Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e do Instituto Cultural do Oeste Potiguar, além de pertencer à Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Norte e à Academia Mossoroense de Letras.

O autor David Leite

Ligados: Quando aconteceu o pontapé inicial de David Leite para a literatura? 

David Leite: Sempre ressalto que meu gosto pela literatura possui uma ligação muito estreita com o incentivo à leitura que me foi proporcionado lá no Instituto Alvorada, no ensino elementar, como também, nos colégios Eliseu Viana e Abel Coelho, onde tive bons professores. De leitor interessado aos primeiros passos no caminho da escrita, foi um percurso meio natural... 

Ligados: Em que estilo literário você se baseia para criar os seus textos? 

David Leite: Não procuro fixar-me em um estilo específico. Agora, o gênero “crônica” foi, até agora, o que mais me cativou... Já me aventurei pela poesia, é verdade. Mas, creio, que navego com mais propriedade pela crônica. 

Ligados: Quais os títulos que você já lançou? Poderia nos dar detalhes sobre as suas principais obras? 

David Leite: 1. “Companheiro Góis – Dez Anos de Saudades”, Coleção Mossoroense, 2001. 
Trata-se de uma homenagem a um velho militante comunista, nascido em Caraúbas, mas que teve intensa militância em Mossoró. 

2. “Os Carmelitas em Mossoró”, Coleção Mossoroense, 2002 (em co-autoria com Gildson Souza Bezerra e José Lima Dias Junior). 
Trata-se de uma pesquisa em torno de um tema até agora pouco explorado na historiografia mossoroense, que é a catequização indígena pelos frades Carmelitas, em nossa região. 

3. “Ombudsman Mossoroense”, Sebo Vermelho, 2003; 
Reunião de crônicas sobre fatos e personagens mossoroenses. 

4. “Duarte Filho: Exemplo de Dignidade na Vida e na Política”, Sarau das Letras, 2005 (em co-autoria com Lupércio Luiz de Azevedo); 
Por ocasião das comemorações do centenário de nascimento do senador Duarte Filho, Lupércio Luis e eu consideramos que deveríamos resgatar um pouco da história do saudoso político mossoroense, então organizamos esse trabalho biográfico. 

5. “Incerto Caminhar”, Sarau das Letras, 2009; 
Foi minha “estréia” no gênero poesia... E posso dizer que estreei com o “pé direito”, considerando que, com o referido livro, ganhei um concurso literário. 

6. “Cartas de Salamanca”, Sarau das Letras, 2011. 
Reunião de crônicas que fiz durante o período que estive em Salamanca, Espanha...

Ligados: O seu livro Incerto Caminhar, publicado em 2009, foi premiado no II Concurso de Poesias em Língua Portuguesa, promovido pela Universidade de Salamanca e pela Escola Oficial de Idiomas de Salamanca. Qual foi a sensação de ter sido premiado em terras espanholas?

David Leite: Foi muito bom ganhar esse prêmio... De forma reservada, vinha cometendo alguns versos, mas, confesso, em termos de publicação ainda estava meio reticente. Porém, com o prêmio fiquei bastante estimulado. E, claro, estando em outro país, a alegria pelo reconhecimento ainda é maior. 

Ligados: Você é membro de diversas academias e institutos literários, entre eles à Academia Mossoroense de Letras (AMOL). Acredita que isso é uma espécie de reconhecimento, fruto de muita persistência e trabalho árduo dedicado à Literatura? 

David Leite: Além do reconhecimento, esse tipo de confraria reflete o que o professor Aécio Cândido, atual presidente do Instituto Cultural do Oeste Potiguar, ICOP, comentou recentemente: “A criação também precisa de diálogo para brotar”. 

Ligados: Há alguns anos você fundou, em sociedade com o também escritor Clauder Arcanjo, a editora Sarau das Letras. Qual o objetivo e o foco de atuação da mesma dentro do RN? 

David Leite: Em síntese, desejamos proporcionar mais um meio de incentivo à publicação, pois, em nossa realidade, a editoração e publicação de obras literárias ainda carecem de instrumentos de fomento e incentivo. Se não dispomos de verbas públicas, pelo menos oferecemos uma orientação editorial, que é muito importante para quem está chegando ao mundo das letras, no sentido de publicação. 

Ligados: Já recebeu críticas e elogios a respeito do seu trabalho? 

David Leite: Sim. E em ambos os casos temos que ter humildade para entendermos a mensagem...  

Ligados: Possui algum projeto em pauta? 

David Leite: Desejo viabilizar uma segunda edição do Incerto Caminhar; considerando certa procura que existe, quando não temos mais exemplares disponíveis. 

Ligados: Qual a dica que você daria aos novos escritores? 

David Leite: Apenas que leiam bastante... Leiam tudo, sem preconceitos... Essa leitura será o insumo básico. 

Perguntas rápidas:
Autor(a): Machado de Assis;
Música: Carolina, de Chico Buarque;
Filme: Sociedade dos poetas mortos, de Peter Weir.

Links na internet:
Twitter: https://twitter.com/#!/Davidmleite
E-mail: davidmleite@hotmail.com

Ligados: Deseja encerrar com mais algum comentário? 

David Leite: Agradeço a oportunidade e desejo que vocês entrevistem outros tantos escritores mossoroenses, para que possamos divulgar trabalhos literários e, com isso, despertarmos maior interesse do publico potiguar.


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 15/06/2012 - Objetivo: www.ligadosfm.com

12 de jun de 2012

27º Mundo Cão - Oito Simplicidades Com as quais Podemos Viver Melhor!

Existem 08 coisas que devem ter cadeira cativa no quarto de qualquer pessoa:

1. um espelho na parede;
2. um criado mudo perto da cabeceira da cama;
3. um abajur;
4. um mural de frente para a cama;
5. uma estante de livros com meio palmo de distância entre as orelhas e o pára-peito da bandeja;
6. um filtro dos sonhos;
7. em encosto triangular de 45º;
8. livros que falam de fé.

Mas, por que tantas coisas exóticas, algumas até difíceis de serem encontradas nos dias de hoje?

Primeiramente, é mais do mesmo sugerir uma bancada horizontal ou um conjunto de bandejas embutidas, daquelas que são pregadas na parede, uma hack, uma mesinha e uma televisão. Na verdade, necessitamos muito mais do que essa parafernalha tecnológica de hoje em dia, tomadas para carregar o smartphone, uma extensão de tomadas ou um no-break para o computador.

O Criado Mudo!

Na era dos Tablets superpotentes e dos PCs portáteis de alta performance, o que cai bem, mesmo, em uma cabeceira, é algo do tipo mais versátil e que toma menos espaço sobre a cama. De preferência, que o seja do tamanho de um livro de bolso e que divida perfeitamente o espaço com abajur sobre o criado mudo. O Criado mudo! Sabemos que os Tablets são excelentes armazenadores de grandes quantidades de livros - e-books, para falar ser sincero -, mas, o bom e velho livro de papel nunca deixou de dar o ar da sua graça!

O Abajur!

O abajur, contudo, é servido muito mais do que uma mera fonte de luz noturna; serve-se, sobretudo, de companhia nas horas de insônia ou de pesadelo, um belo acompanhante para um livro, uma leitura de umas 10 páginas por noite ou 20 por cada hora de insônia. E o mundo vem mais fresco no dia seguinte!

Além do mais, melhor do que um quarto escuro ou com a luz acesa em fim de noite é um quarto iluminado por um abajur - igual aos velhos tempos das décadas de 1980 e 1990, nos quartos dos nossos pais!

Livros que falam de fé!

Gosto de dizer que literaturas que tratam da fé são leitura essencial para as horas de cabeceira. O que seria do ser humano sem a fé? Pelo que espera um ser humano sem fé? Acreditar na existência de um deus superior, Deus, dá mais sentido a uma vida limitada que se limita à matéria, ao escuro póstumo ou à mera decomposição da carne morta dentro de um caixão de madeira. Lemos diversas coisas durante o dia, os relatórios do escritório, trabalhos científicos, atividades técnicas e até romances... Mas, é essencial que se tenha na cabeceira algo que saia da rotina material ou de entre seres terrenos!

A propósito, por mais que pareça utópico ou sem sentido, a motivação é tão abstrata quanto à fé no sucesso, em dias melhores, em surpresas agradáveis. Fé nada mais é do que a crença na vinda de dias melhores. Para falar a verdade, o real sentido dos nossos objetivos está no caminho trilhado rumo a uma unidade sempre superior ao que conquistamos. Nossos objetivos são infinitos, ainda que nossas metas sejam finitas ou limitadas. O objetivo central do ser humano em vida é crescer e os limites disto somente se impõem à genética na determinação de nossa estatura.

Espelho na parede do quarto!

Encarar a si mesmo também é outra necessidade para qual pouco damos importância em cada minutos que se passa durante o dia. Encaramos mais às outras pessoas, questionamos o sucesso do próximo, observamos as cagadas do vizinho ou os palavrões da chefia do que importamos com o tamanho do nosso medo de mudança ou de bater de frente com tudo isto.

Nada surte mais efeito motivacional do que ser questionado por si mesmo; ser questionado por terceiros, por hora, cai como uma espécie de atentado à honra e à integridade pessoal, isto, sem falar que, geralmente, as pessoas encaram-se umas às outras perante terceiros, bem no meio da celebração da vida social, e em momentos nada conveniente, nada cabíveis a tal. No fim das contas, tudo termina como uma demonstração de poder ou jogos de ego, que termina por dar em nada...

Se buscamos ser pessoas melhores, o primeiro passo está em não dar brechas à observações alheias quanto à sua postura ou no que nos 'transformamos'. E isto vai da barba bem feita, da maquiagem bem retocada, às olheiras de uma péssima noite de sono. As pessoas não querem companhias cheias de problemas internos em si, mas, repletas de luz a dar e oferecer!

Mural de frente para a cama!

Um mural não se destina somente à finalidade de colar lembretes ou marcar datas de compromissos no calendário. Um mural rico é aquele repleto de fotografias, desenhos, de um guardanapo com recados dos amigos, escritos numa mesa de bar, pedaços de rótulos de garrafas de cerveja e até mensagens escritas por si mesmo.

Dormir e levantar sempre de frente para boas lembranças, daquelas que fizeram diferença e permitiram construir amizades verdadeiras, relações solidas ou fatos inéditos mudam o astral, independente de qualquer ocorrido do dia ou de dias anteriores. Às vezes, até de uma perda em vida! Estar em dia consigo mesmo é tão importante quanto estar em dias com os compromissos.

Estante de livros!

Por incrível que pareça, a real importância de uma estante de livros no quarto não está (somente) no fato de nela guardarmos nada mais, nada menos, do que livros. Aquele palmo de distância entre as orelhas deles e do pára-peito das bandejas dela pode fazer uma diferença inusitada! Uma frase colhida, um panfleto recebido na rua, uma apostila, um texto, um documento, até uma conta para pagar, geralmente, às pressas ou por precaução ao esquecimento, ficam por algumas horas descansando, justo, nesse lugarzinho de meio palmo!

Este pequenino espaço, mais ou menos do tamanho da metade de nossa mão, pode influenciar na decisão do que ler nos próximos meses, estudar na faculdade, com o quê trabalhar e até com quem se relacionar. Uma grande oportunidade pode estar escondida ali, naquele meio palmo!

Minha decisão em fazer mestrado partiu de um panfleto sobre uma especialização em gestão educacional esquecido por minha Mãe no meio palmo de uma das bandejas da minha estante de livros; não foi diferente com a ocasião de outro panfleto sobre uma turma preparatória para certame de banco, também, esquecido no mesmo meio palmo. Em ambos, obtive sucesso!

E, por acaso, ter esquecido um cartão de visita na bandeja de uma estante de uma livraria foi o suficiente para que uma amiga minha recebesse a ligação de um rapaz, atrevido, por sinal, com o qual está casada hoje!

Filtro dos sonhos!

Um Filtro dos sonhos tem duas finalidades, uma estética e outra sobrenatural. Existem diversas energias que trafegam por aí e chegam até onde estamos, sejam elas boas ou ruins. Segundo a crença de tribos indígenas americanas, ainda que se tratem de pesadelos, as boas energias vêm na forma de sonhos trazendo-nos informações as quais nos interessam de alguma forma; segundo esta crença, estes são os sonhos bons!

De qualquer forma, para crédulos e incrédulos, ter um filtro dos sonhos pendurado na janela do quarto ajuda a mudar o clima do ambiente. Não temos um deste pendurado no retrovisor do carro, muito menos em paradas de ônibus ou no interior destes! É do tipo 'assim como brilha confortável aos olhos uma parede verde para quem passa o dia inteiro olhando para uma parede branca, uma escultura feita por um artista para alguém que passa o dia inteiro vendo executivos de gravata ou uma pipa para quem passa o dia inteiro no trânsito'...

Trata-se de algo que não vemos com frequência e é disto que o nosso organismo necessita: estar em contato com coisas diferentes, para além do comum do seu habitat, a fim de produzir mecanismos de defesa e manter, com sucesso, a integridade do seu corpo! E isto, o Filtro dos sonhos, ajuda, de forma bem simples e sutil, na necessidade humana de quebrar a rotina!

Encosto triangular de 45º

É sempre bom lembrar que nossas costas precisam de cuidado. Ler um livro, ver TV ou descansar as pernas com a cabeça encostada no travesseiro ou na parede, é possível sentir, é nada confortável. 15 minutos é tempo suficiente para que os incômodos apareçam...

Além de maltratar menos a coluna, é possível segurar melhor o livro e apoiá-lo sobre a barriga, a cabeça codifica melhor a informação recebida, visto que se está em posição de relaxamento, e tem-se a impressão de que os olhos cansam menos até ao assistir TV, já que não se faz grandes esforços revirando a cabeça na busca da posição ideal para ler legendas ou ver melhor a imagem! Isto, sem prejudicar as costas!

Da mesma forma que o Filtro Solar aconselhava consumir muito cálcio para garantir melhores juntas na velhice, aconselhamos o encosto para quem acredita que é possível bem-estar no dia-a-dia, independente do que aconteça!

POIS as pessoas não necessitam de grandes promessas. Elas precisam, mesmo, é de pequenas soluções. Pois, grandes promessas exigem grandes esforços, enquanto que as pequenas soluções nada mais são do que gestos simples, muitas vezes, pouco observados, que surtem verdadeiro efeito! E o mais impressionante é poder contar com a simplicidade de pequenas ações capazes de mudar o semblante acerca de todo um contexto, isto, sem grandes esforços.

A vida é repleta de coisas por fazer, responsabilidades e compromissos a cumprir e eventos que demandam firmeza. À ninguém é plausível exigir rigidez de postura para que se possa usufruir do seu direito ao descanso ou aos meios que desviem do foco do trabalho e das responsabilidades. Estar de bem consigo mesmo é de direito do direito à vida!

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 12/06/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

11 de jun de 2012

24ª Resenha Crítica - O Livro de Ouro da Mitologia: Histórias de Deuses e Heróis



Olá, leitores. Hoje teremos mais resenhas que crítica, pois meu tempo está curto. Hoje falarei sobre O Livro de Ouro da Mitologia, clássico de Thomas Bullfinch. É uma das mais completas compilações de mitos de tradição oral e escrita. 

Da Grécia, o livro nos traz os mitos de Promoteu, Pandora, Pigmalião, Cupido e Psiquê, entre outros. Da Inglaterra medieval, Beowulf. Viajando pela mitologia nórdica, o roubo do martelo de Thor e a morte de Baldur, entre outras histórias, são engenhosamente recontadas. Criaturas míticas como o Basilisco, o Unicórnio e a Fênix - bem como lugares mitológicos como o Valhalla e episódios épicos como a guerra de Tróia - também estão lá. Contudo, não é só do mundo ocidental que se serve a obra, pois há um capítulo sobre a mitologia oriental.

O livro com sucesso reconta os mitos de diversas origens, instigando-nos a conhecer mais e mais sobre mitologia. Aos já iniciados, é material de rápida consulta muito eficiente, pois contém um índice onomástico. Já o usei diversas vezes como material de consulta enquanto escrevia meus ensaios. Para buscar representações mais antigas de arquétipos ou relembrar heróis, diversas vezes a ele recorri. É um compêndio que merece estar na sua biblioteca. Pode-se reclamar que o livro não é profundo, pois tem muitas informações e trata de muitos mitos, mas nenhum com uma visão acadêmica. Mas, nada disso foi necessário para que se tornasse um dos livros mais recomendados em escolas e universidades do mundo todo como fonte em matéria de mitologia.

Fica aqui a recomendação da edição Martin Claret, à venda no Submarino por R$ 19,90. Clique aqui para ir à página da oferta.

10 de jun de 2012

Mural de Bandas - Regras

Mural de Bandas - Quais as regras?

  
O LigadosFM, blog que antes já criou e promoveu dois programas culturais (LigadosFM com sua Batalha de Bandas e Ligados em Música) que incentivavam a entrada das bandas do RN em Rádios e mídias de massa gratuitamente criou um novo projeto. Dessa vez é o Mural de Bandas que entra para a promoção das imagens destas bandas na internet e na rádio.

Em parceria com o locutor Dymmas Nascimento, dono do programa Show da Tarde, que acontece na 87,7 FM e a rádio difusora em Mossoró, o projeto vai selecionar uma banda a cada quize dias, montar um perfil completo desta banda, onde será possível acompanhar as músicas destas bandas, contatos comerciais, títulos covers que tocam, trabalhos autorais, vídeos e afins, além de, diariamente (do dia de publicação do post até quinze dias após a publicação deste, de segunda a sexta) tocar uma música por dia no programa do Show da Tarde.

Para participar da seleção das bandas, que vai acontecer enquanto durar o projeto e é de total responsabilidade do blog LigadosFM,  as bandas ou artistas devem:

Seguir o blog no twitter: @ligadosfm
Curtir a fã-page do mesmo: https://www.facebook.com/ligadosfm1
Participar do nosso grupo do facebook: https://www.facebook.com/groups/ligadosfm/
Enviar a ficha de inscrição, que pode ser requerida através do e-mail: bandas@ligadosfm.com, para a equipe ligados.
Em conjunto ao link do soundclound de vocês, com as músicas que desejam que sejam linkadas ao site.
Enviar os arquivos mp3 das músicas que desejam ser tocadas na rádio.
Fazer muita propaganda do projeto: Mural de Bandas através das mídias sociais, diariamente durante a exposição da banda ;)
Só bandas do RN serão selecionadas. 

Obs: Todos os estilos são aceitos. Então bandas de rock, pop, metal, forró, pagode, samba, experimental e quaisquer outras podem participar! Enviem suas inscrições e participem!
Obs 2: Outros locutores que desejam participar do projeto, enviar e-mail para: contato@ligadosfm.com, informando programa, horário do programa e contato. 
Obs 3: o Mural de Bandas é um projeto do blog LigadosFM.com, independente de qualquer empresa ou rádio ou vínculo político.

Autor: Felipo Bellini          Criação: 05/06/2012          Objetivo: www.ligadosfm.com 

8 de jun de 2012

Papo de Gago #3: Papo de Cosplay

Olá pessoal, hoje temos a estreia do Papo de Gago aqui no Ligados e o episodio de hoje é sobre o mundo dos Cosplayers. Então embarque junto comigo e com o Vinicios e descubra esse mundo.

Nesse podcast: Descubra a relação entre Star Wars, Star Trek e cosplay, entenda a diferença entre Cosplayer, Cosmaker e Cosplay e testemunhe uma declaração de amor.

Link's comentados no programa:

Cosplayers de Natal:

Lucas Rodrigues(Poke)
Thais Araújo(Sah)
Hilário José(Orphen)
Mariana Saraiva(Mari)
Thiago Rogério
Sasha Lustosa
Cosplayers Brasileiros de Nível Mundial:

Thais Fonseca (Yuki)
Rege Dantas
Irmãos Mauricio e Mônica Somenzari
Apresentações:
Contatos Shoten Cosplay:
Link's comentados nos e-mails:
Deixe o seu comentário no post ou mande os seus xingamentos, elogios ou sugestões para: papodegago@yahoo.com.br



Ouça cast no player acima ou baixe o mp3 clicando aqui (clique com o botão direito do mouse e escolha a opção salvar destino como)!


Por: Anderson Ricardo
Em: 08/06/2012
Objetivo: LigadosFM 


5 de jun de 2012

26º Mundo Cão - Será que Inovar é Preciso, de Verdade? (EDIÇÃO ESPECIAL SOBRE A FEIRA INTERNACIONAL DE GAMES, "E3")

De olho na ultima E3, que começa hoje em Los Angeles, nos EUA, e nos rumores lançados pela grande mídia on line, acerca de novidades e dos resultados alcançados pela indústria de games nos últimos anos, a maior feira do mundo no ramo foi aberta com novidades extraordinárias que polarizaram as opiniões nas redes sociais e nos blogs que tratam do tema "GAMES", espalhados pela net. É como se eu já tivesse assistido a este filme em alguma Sessão da Tarde da vida, mas, parece que os erros do passado vêm à tona como soluções ousadas - e cairão em um elo perdido, a água dos burros n'água -, assim como as soluções ousadas mostraram-se pautadas nos erros do mesmo passado.

A SONY tenta dar vida longa ao quase morto PS Move; a Microsoft surpreende com o seu Smartglass, software o qual, instalado em Smartphones e Tablets de qualquer marca, proporciona conectividade entre eles e o Xbox 360! A SONY com o seu PS Vita, obriga o usuário a comprar o mesmo jogo duas vezes, uma versão para cada plataforma, para que o Vita transforme-se em um joystick touch screen para PS3 ou em uma extensão de hardware, o qual permita ao gamer dar continuidade à sua trajetória no jogo sem ter que estar dentro de casa e na frente da TV. Pode ser no ônibus, indo ao trabalho, no metrô ou em uma viagem, bastando, contudo, ter um PS3, um PS Vita e o mesmo game para ambas as plataformas! A Nintendo traz o Wii U, as inovações de sempre e a exclusividade Nintendo de que todo mundo conhece; a SONY não pensa, de novo, no custo de sua ousadia para o usuário final...

A já adiantada Nintendo, com o seu Wii U e o seu Joystick para lá de Tablet, mais uma vez, puxa o mercado com sua corda. Já a Microsoft, apesar de parecer não ter demandado grandes esforços, trouxe a novidade que torna interativa a relação entre um dispositivo móvel com Windows 8 instalado e o Xbox 360. E quanto à SONY?

Enquanto que as propostas da Microsoft e Nintendo mostram-se suficientemente capazes de peitarem-se entre si, só que menos onerosas para ambas e mais democráticas para o consumidor final, a conferência de abertura da SONY, ontem, pareceu ter esquecido do seu bem sucedido PDA (acessório com parecida proposta de integração na qual se vê entre PS3 e Vita), nos tempos do Tamagotchi, lá nos idos de 1997, e deixou de inovar, mais uma vez...

O mundo, hoje, gira bem mais em torno de tendências do que do próprio sol. Em termos de Hardware, não há o se que esperar da Nintendo: um lançamento mais modesto de uma plataforma capaz de competir em pé de quase igualdade com os gigantes da concorrência. Veja bem, o importante é proporcionar conectividade e inovações de ponta ao usuário e, nisto, a Nintendo esnoba. Uma rede social dedicada aos usuários de sua nova plataforma, uma nova maneira de jogar, copiada por Microsoft (Kinect, em partes...) e SONY (PS Move), como mencionei anteriormente, e uma plataforma (pode ter certeza) de facílima programação - fato muito comum em todos os outros hardwares lançados pela gigante japonesa tempos atrás, o que acelera o processo de construção dos games e reduz o custo de produção dos mesmos. Trajeto bem manjada, que a SONY decidiu pela burrada de seguir pelo caminho inverso...

Estratégia, sobrevivência, o óbvio! Eis o Mundo Cão: a SONY tornou-se líder montada, justamente, nos erros de sua principal concorrente, ainda na década de 1990. Enquanto que o seu PSOne avançava na corrida pela liderança, com baixo custo, economia de escala e hardware que ajudava às produtoras a lançarem uma grande quantidade de títulos aos usuários finais com o mínimo de tempo investido (pois, programar para o Playstation, além de menos custoso, era mais fácil e mais viável do que fazê-lo para plataformas de outras empresas), o segundo colocado desta disputa áurea exigia o dobro do tempo, o dobro dos gastos, além de deter apenas a metade do mercado 'Sonista'; nas prateleiras, o mesmo PSOne conseguia ser 50% mais barato. Poder de processamento não era o forte da SONY, tanto que o seu produto não era o mais sofisticado... E o pior é que continua não sendo...

O PS3 é um videogame de difícil programação, caro para o usuário final e custoso para a própria SONY, assim como para os desenvolvedores das franquias. Além de games graficamente inferiores, repletos de legs e com quebras de polígonos na tela (ou seja, o contrário do que se via quando a SONY, com um hardware inferior, frente à concorrência, consolidava-se como a nova promessa), o PS3 peca em interatividade; não se interage com o mundo on line que está do lado de fora dos muros da PS Network...

Ela (a SONY), agora, na E3, foi que veio tocar no assunto de oferecer aos seus usuários a possibilidade de contratar um serviço que lhes disponibilize atrativos surpreendentes, como a possibilidade de baixar  músicas, traillers de filmes e games exclusivos sem custos adicionais ou com exclusividade. Em outras palavras, orientação para o cliente. O Xbox 360 possibilita isto há anos, conectividade on line e exclusividades para assinantes.

Sabe, resta torcer para que a Playstation Mobile e a parceria com a gigante fabricante de celulares HTC dê certo e a SONY consiga o seu cantinho ao sol na empreitada mobile! Porque, segundo os rumores da grande mídia on line, uma das três grandes fabricantes de hardware da atualidade descontinuará sua participação no ramo e, dentre os motivos, estão a falta de perspectiva de mercado e a insustentabilidade financeira (bem parecido com o que aconteceu com a finada SEGA do ramo de hardwares). Sabe-se que não se trata da Nintendo, já que anunciou o lançamento do seu Wii U e promete mostrá-lo hoje na E3, nem da Microsoft, pois se mantém firme na briga pela liderança do mercado de plataformas.

Ainda há dúvidas de que esta praga já tem o seu destino certo, sobre aquela que, há 03 anos, amarga prejuízos que se acumulam em mais de 01 bilhão de dólares, que mais copia o sucesso da concorrência do que inova e que não proporciona nada além do mais do mesmo que todo mundo já sabe ou, se não sabe, desconfia? Inovação, coerência e originalidade são as qualidades que derrubam, na força, aquele que parece ser mais forte. O Mundo muda a cada instante em que alguém insiste em apertar na mesma tecla!

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 05/06/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

4 de jun de 2012

18º Ensaio Cultural - Heróis Ontem, Hoje e Sempre

"O culto ao herói existe no presente, existiu no passado e sempre existirá universalmente na humanidade." (Thomas Carlyle)

Em meu ensaio "Uma Defesa da Literatura Fantástica" eu rapidamente enalteci o heroísmo. O que escrevi ali, embora breve, deixou-me a pensar. Nesse meio tempo entrei em contato com heróis da ficção em suas diversas formas: o herói épico, o herói romântico, o anti-herói, o super-herói, o herói byroniano, entre outros. O tempo passa, os locais variam, mas há algo que nunca muda nas sociedades: a admiração pelos heróis. Falarei brevemente sobre alguns deles. Talvez muda o tipo de herói exaltado, mas sempre existe um que nos inspirará.  Estão eles em diversas fontes, produzidas em lugares e épocas distintas: Beowulf, Dragon Ball, Ilíada, Legenda Aurea, a Edda Poética, Marvel Comics, DC Comics, O Senhor dos Aneis, entre outros. Quem são os heróis? O que os torna tão admiráveis?

O herói é, acima de tudo, um indivíduo de excelência moral, grande coragem e frequentemente uma habilidade física fora do comum, fatos que os tornam capazes de grandes feitos. Suas admiráveis ações são constantemente uma reação a adversidades e envolvem o auto-sacrifício. Frequentemente são personagens-modelo, e no passado tiveram um forte papel numa educação moral. A este herói clássico correspondem o herói trágico e o épico na classificação aristotélica. O anti-herói, por sua vez, tem sua força  nas suas falhas e corresponde ao herói do cômico. Faz sempre a coisa certa da maneira errado - não raras vezes por acidente.

Na Grécia antiga, os heróis eram papéis-modelos para um cidadão grego. De tão grande a admiração que geravam as histórias sobre heróis, os gregos cultuavam heróis mitológicos como Héracles, Aquiles, Perseu e Odisseu. A imitação das qualidades desses heróis elevados ao status divino era parte da formação dos jovens e estendia-se à vida pública dos adultos. Os políticos gregos, por exemplo, não raras vezes tomavam os heróis dos mitos e dos poemas épicos como referência em situações difíceis. 

Longe do mundo clássico, na Grã-Bretanha entre os séculos VIII e XI, com a força civilizadora cristã batendo nas portas, surgiu Beowulf, um épico em todos os sentidos: três grandes combates e quatro funerais de grandes heróis devidamente relembrados pelas suas qualidades e ações notáveis. Cada uma destas cenas é intimamente ligada à outra e todas se "profetizam" de alguma forma. O repetido fracasso nas adaptações de Beowulf ao cinema é um grande sinal de que a obra tem sido compreendida somente em termos de fatos narrados, não de sua grandiosa estrutura literária - que é em grande parte deixada de lado.

Pouco posterior a Beowulf são os primeiros romances de cavalaria, que já mostram um pré-nascimento do herói romântico ao trazer a relação distante dos cavaleiros com suas admiradas senhoras - em alguns casos, nem tanto distante, como para Lancelot e Guinevere. Mais tarde, será parodiado o cavaleiro dos romances de cavalaria em Dom Quixote, um herói sem qualquer sucesso em suas empreitadas heróicas.

Ao mesmo nível dos heróis da antiguidade clássica chegaram santos católicos, no livro Legenda Aurea (1260). A obra de Jacopo de Varazze chegou a ser um best-seller medieval e até hoje suas lendas habitam o imaginário coletivo dos católicos. A mais famosa delas é a de São Jorge, lenda antiga contada e recontada na qual o santo guerreiro combate um dragão para salvar uma princesa. Essa história ficou de tal forma no inconsciente do povo que logo se repetiu milhares de vezes em outras produções, até os dias de hoje. E o mais impressionante: é difícil cansar-se dessa mesma antiga fórmula!

Ainda na Idade Média, o ideal da cavalaria de Jacques de Longuyon tinha Os Nove Bravos como figuras inspiradoras. Três cavaleiros pagãos (Júlio César, Alexandre Magno e Heitor de Tróia), três cavaleiros judeus (Josué, Davi e Judas Macabeu) e três cavaleiros cristãos (Rei Arthur, Carlos Magno e Godofredo de Bouillon). Estudava-se a vida de cada um dele s como forma de educação para o bom cavaleiro. Essa seleção entrou definitivamente no conhecimento popular e trouxe a vários homens a referência que precisavam.

Em cerca do sécula do século XVIII surge o herói romântico, que tem como zona de conflito a sua existência, os seus desejos e suas necessidades. Um dos primeiros que podemos citar é o do Don Juan de Lord Byron. Logo no primeiro canto, Byron trata de falar da sua busca por um herói e justifica sua escolha por Don Juan no fato de ele não conseguir encontrar nenhum herói tão corajoso e valoroso como aqueles. Na falta de um bom herói, lá vai um que passa a vida a procurar a mulher perfeita e nunca a encontra - merece nossa admiração por pelo menos nunca ter desistido.

Aproximadamente no século XIX, o velho anti-herói da comédia é trazido para o romance. Pessoas imorais vivem em um mundo corrompido e os escritores realistas nada deixam passar. Todo o lado da natureza humana é mostrado para o mundo, sem vergonha alguma. Muda-se, então, o paradigma: os heróis são pessoas comuns, com necessidades e fraquezas muito mais aparentes que os heróis românticos - embora de uma forma menos mórbida que esses. Bentinho e Capitu, que poderiam ser um casal perfeito pelo que entendemos no início do livro, têm uma relação consumida por ciúmes e por um suposto adultério. Brás Cubas passa a vida em busca de qualquer sucesso e somente o fracasso o acompanha. O realismo, então, já não mais busca trazer um ideal a ser perseguido e sim várias falhas humanas a serem denunciadas. Isso é mostrar precisamente aquilo que não queremos ser. Só não deixo de observar que em muitas pessoas esse efeito é contrário.

Com a modernidade e a pós-modernidade, o poder simbólico do herói foi reduzido ainda mais, pois buscava-se questionar todos os valores e, por conseguinte, o valor do heroísmo. Terry Eagleton, crítico literário, afirmou certa vez, falando sobre Beowulf, que aquela obra assim como o heroísmo em geral são irrelevantes para os dias de hoje. Há ainda os críticos obcecados pela realidade, que criticam o heroísmo porque ele é "irreal". Por estas e tantas outras visões que convergem nesse sentido, influenciando também os escritores, identificar o herói tem sido cada vez mais difícil em qualquer obra artística, pois a tensão é representada por um conflito de interesses no qual cada espectador escolhe o lado com o qual mais simpatiza - que pode ser, inclusive, o de um personagem que é explicitamente um vilão de feitos cruéis justificados por uma história triste ou por fins ditos nobres. Ozymandias, antagonista de Watchmen, é por muitos tido como o verdadeiro herói, pois conseguiu trazer a paz mundial ao custo de milhares de mortos. Ledo engano. O herói de Watchmen, se considerarmos a acepção original do termo, é o Rorschach, que dá a sua vida para descobrir e revelar toda a verdade sobre o esquema do inescrupuloso e utilitarista Adrian Veidt, enquanto este segundo sacrifica outros para seu objetivo que, ao que tudo indica o final da graphic noval, vai por água abaixo.

Porém, não podemos dizer de forma alguma que o heroísmo e o gosto pelos heróis morreu. Na minha infância, acompanhei: os Cavaleiros do Zodíaco a defenderem Athena; Son Goku a salvar o mundo centenas de vezes (inclusive com a energia de todas as pessoas da Terra); o Super-Homem fingindo ser um humano qualquer para viver num mundo que ele se dava o dever de defender por encerrar em si todas as boas qualidades que o seu alter-ego (e a humanidade também) não tinha; vi o Homem-Aranha tentar ganhar a vida como fotógrafo enquanto salvava a Nova York de ameaças; vi também, recentemente, os Vingadores darem cabo de Loki! Como eu, muitas outras crianças, jovens e adultos viram heróis e sonharam em ser como eles. Esta é uma coisa natural: tendemos a querer ser como aquilo que admiramos e a não querer ser aquilo que odiamos. 

Na literatura também não é diferente. Só para citar um exemplo recente, Harry Potter foi um herói que sobreviveu à força do tempo sobre uma geração inteira. Voldemort era uma ameaça que não parava de surgir e o pequeno bruxo mantinha seus esforços para impedir os atos sujos d'aquele-que-não-deve-ser-nomeado. As relações de Potter com seus amigos,  pequenos atos admiráveis como a libertação de Dobby, seus esforços para manter Hogwarts segura e sua grande capacidade fizeram dele um personagem inspirador e deu aos jovens certos bons valores. Podemos ainda citar outros personagens como Snape, por muitos considerado o maior de todos os heróis da série.

Podemos ver, então, que o  heroísmo nunca sai de moda, pois é absolutamente necessário. Negar a importância e a necessidade de heróis é negar a própria essência da civilização. Enquanto há civilização, deve haver quem a defenda de qualquer mal que possa levá-la ao colapso. Por isso, enquanto houver humanidade, não cessarão de surgir salvadores. Quando da ficção os heróis desaparecerem, há dois diagnósticos possíveis: ou estamos completamente livres de qualquer mal ou o mundo está acabando e nós já aceitamos isso. Vivemos numa época em que nos falta heróis, nas coisas pequenas e nas coisas grandes. É necessário gente com grande força moral e capacidade para defender o mundo daqueles que o destroem. E é claro: temos de nos lembrar daquilo que diferencia o herói do malfeitor, pois os malfeitores frequentemente se veem como salvadores do mundo. E pior: há gente que também os vê assim. Mas, essa discussão fica para outro momento.

Autor: André Marinho
Criação: 03/06/2012
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