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31 de jul de 2012

34º Mundo Cão - Cultura na Terra de Câmara Cascudo

Uma observação que tenho feito ultimamente circunda o comportamento do natalense quanto á forma como ele encara a Cultura e a vida cultural de sua cidade. É possível encontrar cultura em Natal, boa parte um tanto quanto desvalorizada por parte da grande massa, porém, nada que estigme à falta de opções e lugares para sair e que não se tratem das casas de show de forró e de música baiana ou barezinhos regados de espetinho e Skol em garrafa.

Existem lugares alternativos, o Buraco da Catita e o Beco da Lama; além da rua Chile nas horas mais oportunas, a rua do Salsa em Ponta Negra, a Casa da Ribeira, o TECESOL, na altura da Lagoa do Jiqui, na Avenida Ayrton Senna, o espaço Casa Nova Ecobar e o Peppers Hall com seus colegas de 'pubismo' na Roberto Freire. Isto, sem falar nos cômodos mais alternativos os quais caem na restrição a um público mais seleto de pessoas, porém fiel - um belo exemplo é o Nalva Café, na Ribeira!

Ou seja, Natal não se resume à música baiana, ao Carnatal ou ao risca-faca cearense. Natal tem vida inteligente a qualquer hora do dia. O fato, contudo, está no modo como o natalense lida e dedica suas horas vagas de atenção a vida social à maestria da arte, do evento e da expressividade cultural nas suas formas públicas. O artistas potiguar ainda precisa de atenção... De muita atenção.

A inteligência cultural natalense resiste firme e heroicamente à bravura do "cover'ismo" e do mito da melhor qualidade àquilo que vem de fora. Tem artista da terra que paga suas contas com música, com os rendimentos oriundos do palco e com o pouco que o povo de suas mesmas origens encoraja-se a dar em troca do seu trabalho e das horas de espetáculo presenteadas por aquele a este na forma de som e poesia. É um ato de heroísmo.

O artista natalense merece muito mais do que atenção, merece continência e cartolas ao ar em seu nome. É isto o que ele tem que entender, do mesmo modo o qual o carioca e o paulista compreenderam quanto ao que, de verdade, vieram ao mundo os seus homens de frente da cultura; não à toa, o resto do país os aplaude de pé e segue suas regras de sotaque, poesia e modo de falar como leis e códigos de conduta.

A questão é que a grande mídia não está errada ao dedicar seus olhares aos artistas do Rio e de São Paulo. É, a propósito, de lá oriunda essa mesma grande mídia, e não consigo enxergar isto como argumento que justifique a "fraqueza" dos de cá contra os de lá. As repetidoras das grandes emissoras e as agências de promoção daqui têm total autonomia para fazer a obra dos "seus" (dos nossos) verdadeiras para o público conterrâneo.

O que não faltam são iniciativas e esforços desses agentes a fim de divulgar a nossa cultura e os nossos entes culturais, as pessoas as quais falam a nossa mesma língua, dialogam de igual para igual conosco e respiram o mesmo ar que o nosso todos os dias. O público natalense tem se mostrado indisposto a dar o ar da sua atenção ao que é de seu sangue e raça.

Veja bem, é um problema de público. Não de repressão, de falta de opções, de alternativas, de trabalhos ou de veiculação, como tentam justificar os mais 'céticos'. Vai muito mais à questão do gosto pela coisa da Bahia ou do Ceará do que pela inexistência de riqueza cultural na terra de Câmara Cascudo.

E como este grande autor potiguar já dizia, "Natal não consagra nem desconsagra ninguém". É verdade! A desconsagração parte do próprio público contra ele mesmo, porque é ele (o público da terra do leste potiguar) quem ganha com a Titina Medeiros nas novelas da Rede Globo e com a Roberta Sá lotando casas de espetáculo espalhadas Brasil afora.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 31/07/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 33º Mundo Cão - Quase tudo NÃO é por acaso

29 de jul de 2012

27ª Resenha Crítica - Imposturas Intelectuais





Que a filosofia tem se tornado cada vez mais sem sentido, contraditória, cheia de jargão científico e  categorias vazias não é nenhuma novidade. Nesse cenário, surge o livro Imposturas Intelectuais, no qual Alan Sokal e Jean Bricmont desmascaram o abuso da ciência por pensadores pós-modernos.

O físico Alan Sokal já é conhecido pelo "caso Sokal" de 1996. Nesse episódio que protagonizou, Sokal enviou o artigo-embuste “Transgressing the Boundaries: Towards a Transformative Hermeneutics of Quantum Gravity” (Transgredindo as Fronteiras: em Direção a uma Hermenêutica Transformativa da Gravitação Quântica) para a Social Text, revista acadêmica de estudos culturais de viés "pós-moderno". Em seu artigo nonsense, Sokal ironicamente defendia a tese que a realidade física objetiva é somente mais uma construção social e linguística que reflete ideologias dominantes e relações de poder e portanto precisamos de uma "ciência liberatória" que liberte os seres humanos da tirania da realidade objetiva e da verdade absoluta. Apoiando a sua "tese", pegou as mais tolas citações de acadêmicos sobre física e matemática - todas reais, nenhuma inventada. Com esse artigo absurdo, o físico queria testar se um fashionable nonsense que apoiasse a ideologia dos editores seria o suficiente para uma publicação. Pasmem: foi o suficiente, sim!

O que Sokal deliberadamente fez é o mesmo que vários filósofos reconhecidos cometem diariamente. A única diferença é que aqueles recebem reconhecimento ao publicar o nonsense. Tendo isso em vista, Sokal e Bricmont analisaram alguns abusos da ciência por acadêmicos bem conceituados. O "abuso da ciência" é definido no livro como "1. Falar absurdamente de teorias científicas sobre as quais se tem, na melhor das hipóteses, uma ideia bastante confusa. [...] 2. Importar conceitos próprios das ciências naturais para o interior das ciências sociais ou humanidades, sem dar a menor justificação conceitual ou empírica. [...] 3. Ostentar erudição superficial ao atirar na cara do leitor, aqui e ali, descaradamente, termos técnicos num contexto em que eles são totalmente irrelevantes. [...] 4. Manipular frases e sentenças que são, na verdade, carentes de sentido".

O objetivo de Imposturas Intelectuais não é o de desmerecer a filosofia, as humanidades ou as ciências sociais como um todo, nem a íntegra do trabalho dos acadêmicos analisados; muito pelo contrário, é o de manter estas áreas livres dos embustes pseudocientíficos de quem fala com autoridade de assuntos que não conhece para justificar teorias que não fazem sentido, somente porque estas favorecem determinada ideologia. Portanto, não é uma crítica direcionada pessoas específicas ou a uma classe de pessoas e sim a práticas desonestas comuns nos meios acadêmicos que tanto contribuem para a decadência das ciências humanas e o triunfo do ideologismo e do fashionable nonsense.

O famoso psicanalista Lacan tem uma obra fortemente marcada pelas referências à matemática e à topologia, tão obscuras porque parecem de pequeníssima relevância. As tentativas de matematizar a psicanálise, se é que Lacan objetivava fazer isso, foram em vão, pois tal "matemática" não tem como desempenhar um papel importante numa análise psicológica. Comentam os autores sobre um trecho de uma conferência de Lacan: "Talvez o leitor esteja se perguntando o que estes diferentes objetos topológicos têm a ver com a estrutura da doença mental. Bem, nós também; e o restante do texto de Lacan nada esclarece sobre a matéria".

Seguindo Lacan com a matemática e a topologia para a psicanálise, a feminista Julia Kristeva é criticada no livro pelos seus trabalhos de linguística e semiótica dos anos 70, pertencentes, segundo os autores "aos piores excessos do estruturalismo". O capítulo sobre ela mostra as milhares de contradições, imprecisões e enunciados carentes de sentido nos quais cai a acadêmica ao tentar usar, por exemplo, a teoria dos conjuntos como ponto de partida de uma teoria social.

A dupla dinâmica Deleuze e Guattari também não escapa ao olhar de Sokal e Brickmont. A obra de Deleuze é de fato muito difícil de entender. Alguns defenderão que a dificuldade é uma questão de complexidade e profundidade que poucos conseguem captar. A análise da equipe de Imposturas Intelectuais, no entanto, nos traz diferentes conclusões: "verifica-se que existe uma grande concentração de termos científicos empregados fora do contexto e sem uma lógica aparente, pelo menos se se atribui a eles seu significado científico habitual. [...] Estamos bem conscientes que o objeto de Deleuze e Guattari é a filosofia, não a popularização da ciência. Contudo, que função filosófica pode ser preenchida por esta avalanche de jargão científico (e pseudocientífico) mal digerido?".

Depois de examinar vários casos de impostura intelectual, o último exame tem por objeto o artigo-paródia produzido por Sokal. Qualquer semelhança com os textos dos pensadores que foram observados nos capítulos anteriores não é nada senão uma coincidência proposital, devidamente arquitetada pelo físico ao elaborar o seu pseudoartigo.

Esse manual para desmascarar charlatões acadêmicos foi elogiado por diversos intelectuais, entre os quais Noam Chomsky, que considerou Imposturas Intelectuais "uma contribuição oportuna e substancial". Contudo, esse ousado estudo também sofreu críticas: Kristeva considerou o livro "um produto intelectual e politicamente insignificante", enquanto Derrida disse somente "pobre Sokal". Ambas as citações, que são verdadeiras, figuram a contracapa como uma grande ironia.

É um trabalho sem dúvidas polêmico, divertido e de discurso coerente. Imperdível. Qualquer pessoa que tenha interesse em filosofia e ciências humanas precisa conhecer  Imposturas Intelectuais, pois, se até mesmo autores de renome internacional mostram atitudes assim, é necessário que nos vacinemos contra os males da filosofia pós-moderna que usa e abusa de discursos sem sentido construídos sobre alicerces pseudocientíficos.

Autor: André Marinho
Criação: 29/07/2012
Objetivo: www.ligadosfm.com

27 de jul de 2012

11ª Criticando Cinema: Por que nós caímos, mestre Bruce? Para aprendermos a levantar.

Olá pessoal, o Criticando Cinema de hoje vai aproveitar a estréia de The Dark Knight Rises (Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge) e vai falar de Batman Begins o filme que deu origem a Trilogia criada por Christopher Nolan e que se encerra hoje nos cinemas.

Sinopse: Marcado pelo assassinato de seus pais quando ainda era criança, o milionário Bruce Wayne (Christian Bale) decide viajar pelo mundo em busca de encontrar meios que lhe permitam combater a injustiça e provocar medo em seus adversários. Após retornar a Gotham City, sua cidade-natal, ele idealiza seu alter-ego: Batman, um justiceiro mascarado que usa força, inteligência e um arsenal tecnológico para combater o crime.

Enredo: O filme reconta a história de Bruce Wayne, intercalando o presente do jovem bilionário, então prisioneiro de uma penitenciária no Butão, com seu passado, a infância na mansão Wayne, lar de seus pais, o doutor Thomas e a senhora Martha Wayne, prósperos herdeiros da fortuna da mais tradicional família de Gotham City que usam sua influência e fortuna em nome da filantropia até serem brutalmente assassinados durante um assalto na saída de uma peça de teatro e como esse episódio traumatizou o jovem Bruce a ponto de gerar sua obsessão com a vingança.

Resenha: A primeira vez que eu ouvi falar de que estavam fazendo um reboot do Batman, a primeira coisa que me veio à cabeça foi: “Será que vão acertar dessa vez?” Mas, quando eu soube que o filme estaria a cargo do Christopher Nolan eu meio que respirei aliviado, pois sabia que ele podia fazer algo interessante com o Batman. Confesso que um dos meus medos era o Batmóvel. Quando vi as primeiras fotos, eu achei horrível, afinal, ele estava mais para o tanque de guerra do que um Batmóvel.

Mas, quando aquele carro/tanque entrou em ação (diga-se de passagem, uma das melhores sequências do filme) eu vibrei em casa gritando feito um maluco “ISSO SIM É UM BATMÓVEL” (Minha mãe nessa hora ligando pro Medico), todos os meus temores foram embora depois disso e eu curti o filme. Mas a única coisa que não gostei muito foi como as cenas de lutas foram gravadas, pois foram filmadas usando as câmeras tremidas e em planos fechados, numa edição bem rápida, onde fica difícil saber direito o que está acontecendo.

O filme tem uma fotografia muito bem retratada e ajudando bastante a manter o clima de medo que temos na história, outra coisa que se destaca é a trilha sonora muito bem conduzida pelos mestres Hans Zimmer e James Newton Howard que ditam totalmente esse novo clima proposto nesse novo Batman.

Outra coisa que vale ressaltar é a escolha do elenco que se encaixou perfeitamente nos personagens, temos um Michael Caine que dá uma cara nova ao mordomo Alfred (substituindo Michael Gough, único ator que fora titular nas quatro produções anteriores), temos um novo tenente James Gordon (num futuro próximo comissário Gordon) interpretado por Gary Oldman, vale ressaltar que nesse filme o Gordon tem um papel mais relevante de parceria com o Batman, coisa que nos filmes anteriores não tinha e o Gordon era retratado como um palerma, mas enfim voltando aos atores temos a atriz Katie Holmes que interpreta Rachel Dawes, amiga de infância de Bruce que, adulta, vira promotora e se transforma num pesadelo para os mafiosos de Gotham.

Temos também Morgan Freeman que interpreta Lucius Fox um grande amigo e aliado do Batman, os antagonistas do filme são muito interpretados por Liam Neeson, Ken Watanabe e Cillian Murphy respectivamente nos papeis de Henry Ducard, Rha's Al Ghul e Jonathan Crane, o Espantalho e pra finalizar temos Christian Bale no papel de Bruce Wayne/Batman o que pra mim foi uma escolha perfeita pois o Bale soube interpretar com maestria os aspectos da persona atormentada que é o Bruce.

Então para finalizar o Criticando Cinema de hoje eu deixo uma citação do filme dita pelo personagem Alfred e que dá titulo a coluna de hoje e que por sinal tem uma ponte direta com o tema central de “The Dark Knight Rises

“Por que nós caímos, mestre Bruce? Para aprendermos a levantar.” 

- Alfred  

Por: Anderson Ricardo
Em: 27/07/2012
Objetivo: LigadosFM

10ª Entrevista Literária - Thiago Gonzaga

Thiago Gonzaga nasceu no início dos anos 80 na cidade de Natal, capital do Rio Grande do Norte. Considera como profissão a de pesquisador da Literatura norte-riograndense, embora consiga o seu sustento como Servidor Público Municipal, em prol de uma cidade mais limpa. É considerado um dos primeiros garis graduados em Letras do Brasil, algo bastante paradoxal, de fato. 

Amante da Literatura Potiguar, mantém um Blog chamado “101 Livros do RN”, onde divulga as obras de autores regionais; possui ainda uma biblioteca pessoal que já conta com mais de mil livros locais. É autor da obra “Nei Leandro de Castro - 50 anos de atividades literárias 1961-2011”, lançado em Maio pela Editora Sebo Vermelho, em conjunto com dois outros autores potiguares.

O autor Thiago Gonzaga

Ligados: Fale um pouco sobre você. 

Thiago Gonzaga: Sou um grande fã da Literatura Potiguar, que ama os nossos livros e escritores. Tenho uma biblioteca com mais de mil livros só com autores potiguares e sonho em me tornar um Crítico Literário. 

Ligados: Quando aconteceu o seu encontro com as Letras? 

Thiago Gonzaga: Sou de família muito humilde, filho de pais analfabetos; com cinco anos de idade perdi o meu pai, e minha mãe é empregada domestica, então tive que largar os estudos muito jovem ainda para ajudar na renda familiar. Até meus vinte e um anos de idade, eu era praticamente analfabeto, nunca tinha lido um livro, larguei os estudos no 3° ano do Ensino Fundamental. Só voltei a estudar depois do meu encontro com a Literatura Potiguar. 

Certo dia, já adulto, eu estava procurando emprego na rua e encontrei um jornal velho com uma crônica da Clotilde Tavares, escritora paraibana radicada em Natal. Aquela crônica me chamou a atenção, e ali aconteceu o meu primeiro contato com a Literatura Potiguar. Nesse mesmo período minha mãe, que era empregada domestica, ganhou da patroa alguns livros; trouxe para casa, e no meio deles encontrei alguns de Literatura Potiguar, com nomes como Câmara Cascudo e Manoel Onofre júnior. Ali definitivamente começou o meu amor pela Literatura Potiguar. 

Ligados: Recentemente você publicou o livro “Nei Leandro de Castro - 50 anos de atividades literárias 1961-2011”, em conjunto com dois outros autores. Fale um pouco sobre a obra e o que ela representa para você. 

Thiago Gonzaga: Esse livro é o resultado de um projeto que criamos para anualmente homenagear um escritor potiguar que tenha uma obra literária representativa para as nossas letras. Tenho dois amigos que me ajudam no blog, que é a Fátima Lima, estudante do curso de Letras, e o Luís Pereira, um amigo poeta que usa o pseudônimo de Chumbo Pinheiro. Convidei-os para me ajudar com o livro, já que me ajudam no blog com artigos, correções ortográficas, etc., dividimos as tarefas e o livro nasceu. A obra ficou muito bonita e é muito rica em informações e fotos sobre a obra do Nei Leandro; fiquei feliz com o lançamento, pois foi o meu primeiro livro lançado, porém ficamos mais felizes ainda com a contribuição que foi dada à Literatura Potiguar, pois o Nei Leandro estava comemorando cinquenta anos de atividades literárias e ninguém se lembrou disso, só a gente. Acredito que daqui a 50 ou 100 anos esse livro seja uma boa fonte de pesquisa sobre a obra dele.

Ligados: Como tem sido o reconhecimento do público a respeito do livro? A publicação mudou a sua visão do mercado literário norte-rio-grandense? 

Thiago Gonzaga: A receptividade tem sido muito boa, estou feliz com o resultado do livro, é uma obra que colabora com a Literatura Potiguar no sentido de ser uma fonte de pesquisa em relação à obra de Nei Leandro de Castro, já que até então não existia nenhuma. Quando comecei o trabalho de divulgação da Literatura Potiguar no Blog “101 livros do RN”, comecei a ter noção de como era difícil para um autor local publicar e vender livros aqui no estado. Infelizmente faltam políticas públicas que ajudem na divulgação e distribuição das obras, assim como um apoio maior com concursos e premiações, sem falar que existe um próprio preconceito da sociedade local em relação a nossa literatura, que não deve nada a de outros estados. 

Ligados: Dedica-se a outros gêneros literários? Se sim, em que autores você se inspira para a criação dos textos? 

Thiago Gonzaga: Na verdade eu sempre gostei da pesquisa, não me considero outra coisa a não ser pesquisador de obras locais; escrevo poesia, mas muito raramente. Na área da pesquisa, eu me inspiro no trabalho do Manoel Onofre Júnior, Tarcísio Gurgel, Humberto Hermenegildo e outros autores locais. 

Ligados: Ainda na Literatura, você toca um projeto de divulgação de autores potiguares chamado “101 Livros do RN que você precisa ler”. Quando surgiu essa ideia, e para você, o que falta para que as obras locais sejam mais exploradas? 

Thiago Gonzaga: Quando comecei a ler livros potiguares e frequentar sebos na cidade, senti a necessidade de conhecer mais da literatura potiguar e vi que a realidade do autor local era difícil, então cursei uma faculdade de Letras, e no período de quatro anos li milhares de livros locais. Quando me formei fundei o Blog “101 livros”, a fim de divulgar a literatura local para a nova geração que está surgindo e que usam a internet como fonte de pesquisa e estudos. No blog eu conto toda a história da Literatura Potiguar através de livros, dados de autores, curiosidades, textos, capas... Enfim, toda a literatura do RN em mais de 150 anos de história está sendo postada no blog diariamente. 

O que falta na literatura local são políticas públicas, ou até mesmo que se cumpram as leis que já existem, como a lei do livro, chamada também de Lei Henrique Castriciano, que propõe ao estado distribuir, publicar e apoiar os autores do RN.

Ligados: Você se considera um amante da poesia, fato que te fez vencedor do Prêmio Literário “O Trem da Minha vida” 2011, instituído pelo Curso de Letras da UnP e pelo PET literatura do Rio Grande do Norte. Conte-nos um pouco sobre essa premiação, e em especial, sobre o poema Bilhete de Suicida.

Thiago Gonzaga: Eu gosto de ler poesia, mas não sou poeta (risos). Eu ganhei esse prêmio em 2011 e foi um momento feliz, pois fazia quase cinco anos que eu escrevia este poema “Bilhete de Suicida”, e ele sofreu várias modificações até chegar à forma ideal para concorrer. Mostrei ao meu amigo Chumbo Pinheiro e ele gostou, então escrevemos um livro juntos chamado Avenida Poesia, que pretendemos publicar num futuro próximo. O poema eu fiz em homenagem à escritora Clotilde Tavares, que foi quem me fez ter o primeiro contato com a literatura local, e é o título do primeiro livro lançado por ela. 

Ligados: Está envolvido em outros projetos literários? 

Thiago Gonzaga: Sim, estou já em andamento com o próximo projeto que é em homenagem ao poeta Diógenes da Cunha Lima e seus 45 anos de atividades literárias, além de outro trabalho chamado “Novos Ficcionistas Potiguares”. 

Ligados: Qual a dica que você deixa aos novos escritores? 

Thiago Gonzaga: Leiam bastante, aprimorem a escrita, a técnica, conheçam os clássicos, e se esforcem para fazer uma obra diferenciada. Com certeza terão o valor reconhecido. 

Perguntas rápidas:
Autor (a): Vários do RN;
Ator (Atriz): Lenicio Queiroga;
Site: Substantivo Plural;
Banda: Rosa de Pedra;
Música: Linda Baby, de Pedrinho Mendes;
Filme: A vida é bela.

Links na internet:
Site: 101 Livros do RN (que você precisa ler);
Facebook: Thiago Gonzaga;
E-mail: (thiagokats@hotmail.com);
You-Tube: Canal de vídeos de escritores potiguares.

Ligados: Considerações finais. 

Thiago Gonzaga: Muito obrigado pelo espaço e vamos em frente, sempre em prol da Literatura e Cultura Potiguar. Recomendando que se cumpra o que esta na Lei Estadual: Literatura e Cultura do RN nas escolas já!


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 27/07/2012 - Objetivo: www.ligadosfm.com

24 de jul de 2012

33º Mundo Cão - Quase tudo NÃO é por acaso

Por acaso, "deparei-me com um vazamento no meu banheiro; por acaso, o gás acabou; por acaso, a bateria do meu carro descarregou; por acaso, a pia da cozinha resolveu entupir; por acaso, cheguei atrasado e não consegui entregar o meu trabalho". Por acaso, as coisas não deixam de acontecer, acontecem em função da nossa participação e responsabilidade, direta ou indiretamente.

NADA acontece por acaso. Fatos o são construídos por pessoas e pelo modo como elas fazem o seu cotidiano. E, por bem ou por mal, elas, pelo menos, têm culpa no cartório. Diferentemente do acaso, um mero substantivo que tem servido de justificativa pobre para salvá-las de julgamentos, penalizações e até das consequências dos próprios atos.

Uma oportunidade que passa, uma gastrite ou a conta de luz cara do fim do mês não acometem a vida de um cidadão da noite para o dia, ceteris paribus. Ainda que obstante da obrigação caduca de ter que controlar isto tudo, pois o dia-a-dia é repleto de problemas e obrigações "maiores" do que a mera preocupação com o stand by da TV ou com os minutos a mais debaixo do chuveiro elétrico, a encanação de nossas casas necessita de revisão e manutenção, assim como a bateria de qualquer carro ou moto tem seu prazo de validade.

Não adianta colocar a culpa no 'acaso'. Tudo o que nos acomete, de alguma forma, é culpa nossa ou é fruto, resultado, daquilo que buscamos ou cativamos. Isto, em sua forma, ser e essência.

O que muito se vê por aí são pessoas se lamentando por algum acometido. Pelo desemprego, pelas notas baixas na faculdade, pela falta de oportunidade ou pelo insucesso. Tudo isto requer um esforço contrário, caso o desejo o seja de mudança em sua condição. O melhor desempregado é aquele que acorda cedo no outro dia e sai de casa para distribuir currículos nas empresas; o melhor estudante é aquele que estuda fazendo jus ao peso de sua responsabilidade como tal; o melhor dos que bem se sucedem na vida é aquele que trabalha!

Tem um dito chinês, mencionado por Malcolm Gladwell em seu livro "Outliers", que diz que "Quem levanta antes do amanhecer nunca deixa de enriquecer a família". Talvez, isto deixe de fazer sentido nas famílias ricas de fato, porém, em algum instante de sua consolidação e da formação de sua riqueza, alguém teve que por em prática estas palavras, descritas neste provérbio chinês.

Os fatos acontecem e não se fazem por acaso. Em se tratando de consequências de alguma causa duvidosa ou "fora do eixo", a melhor atitude que um ser humano pode tomar é, primeiramente, entender que a vida não pára nem pede descanso neste exato instante - do contrário, isto pode ser mais uma causa para consequências ainda mais desastrosas lá na frente. Chorar ou amargurar a derrota ou o insucesso é tão comum quanto de direito de qualquer humano que venha passar por isto; viver disto é retrocesso.

Eis o "q" da questão! Sucesso é muito mais do que trabalho. Tem que ter um 'árduo' antes dele e proatividade da parte de quem sofrerá por suas causas (e não consequências, pois quem trabalha usufrui de resultados); e alguém TEM que agir.

Viver de esperanças, de pensamentos positivos e de 'tomaras' somente leva ao destino de ter que crer em alguma coisa, depois da besteira feita (ou que deixara de ser concebida, muito provavelmente), como única saída para o desespero nas horas de sofrimento e remorso. Não adianta apegar-se à livros de autoajuda e à desgraças alheias, compartilhadas, como momento de reflexão ou de motivação para crer que tudo ficará bem, no fim das contas; compartilhar da própria fossa com o próximo faz parte, contudo, não pode se transformar em rotina.

Sucesso e fracasso, quando vindos, não o são obras puramente do acaso, todavia, da falta ou do excesso de ação, visão e responsabilidade.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 24/07/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 32º Mundo Cão - Quanto Custa 1 Erro?

5ª História Mal Contada: Tudo Vai Ficar Bem


           Saudações amantes de histórias e estórias, como todos vocês têm passados esses dias? Como vocês tem dormido esses dias? Eu dormir muito bem. O lugar não era tão confortável como camas; era meio duro, e a carroça balança bastante. Se alguém tiver problema com tonturas, não lhe recomendaria. Mas para mim foi interessante ter esse sono num veículo de tração animal. Bem leitores, já podem deitar-se, se vocês querem que essa história de hoje soe como uma canção de ninar.
            Um sol escaldante de primavera fazia com que o suor dos meus sonhos parecesse ser muito real, como se eu fugisse de uma espécie de gigante onda que me perseguia. Corria o máximo que pude, até que a grande onda me atingiu com uma enorme pancada na cabeça e acordei. Eu estava completamente encharcado, não pela onda, mas pelo suor do calor que a lona que a carroça provocava. Com a súbita parada, bati minha cabeça no chão, fato esse explicava minha pequena do craniana.
            -"Chegamos!" - disse o velho senhor enquanto pulava da carroça.
            -"Já? Como é próximo essa cidade..." - exclamei com total surpresa
            -"Próximo?" - interrompeu o ancião com um tom irônico seguido de pequenos risos que se faziam abrir sua boca que irradiava a falta de alguns dentes.
            -"Viajamos por dois dias e você ainda quer dormir mais?" - disse o ancião erguendo a mão para me ajudar  sair da carroça.
            -"Nossa! Dormir por mais de dois dias seguidos!"- exclamei quase em tom de desespero. Afinal, para mim tinham passado alguns poucos minutos.
            -"Você estava cansado jovem rapaz. E mais, não foram mais de dois dias, nós saímos da cidade costeira no bem na aurora matinal, exatamente como estamos agora, foram dois exatos dias de sono." - Falava enquanto me apoiava em sua mão e conseguia colocar meus primeiros passos na cidade desconhecida.
            -"Nossa... o tempo finalmente sinto-me realmente descansado, antes eu andava quase como se tivesse que carregar uma carapaça de uma lagosta no tórax. Realmente, agora me sinto muito melhor. Muito obrigado pela ajuda senhor..."
            -"Não precisa agradecer jovem rapaz" - me interrompia o velho- "agora tenho assuntos urgentes para tratar. Pode seguir o seu caminho. Pegue essa garrafa d'água e esse outro pão, creio que você vai precisar disso muito mais que eu." - Com um feliz e pacifico sorriso banguela, fui envolvido num abraçado com sabor de carinho paternal.
            Ele se virou, sua mão percorreu como uma última gota de chuva cai por entre as folhas e eu, na minha perplexidade de tamanha solidariedade, esqueci de perguntar- lhe o nome; somente observando enquanto ele desaparecia lentamente por entre a multidão do mercado. Foi como se também algo procurasse.
            Comecei a caminhar pela cidade, seguindo o caminho oposto que o ancião. Era uma cidade grande, com prédios que se elevavam a alturas maiores que três andares. Para mim que tinha vivido numa cidade completamente caótica, onde os prédios já não haviam mais, essa cidade me surpreendia bastante. Pontes com ornamentos, formavam uma espécie de curva oval sobre o rio, que tinha todo percurso de seu leito adunado com belas calçadas, que eu ia percorrendo. Postes, já apagados a essa hora da matina, faziam uma decoração bela pela minha trajetória. Contudo, minha curiosidade era se aproximar de soldados que estavam parados logo perto da entrada da ponte.
            -"Alto Acesso não permitido!" - Exclamou a autoridade de quepe militar, espada e uniforme belamente simétrico de cor cinza.
            -"O que está acontecendo na cidade? Por quê não tenho acesso nessa via pública?"
            -"A autoridade do reino oriental dos povos germânicos, o arquiduque, irá passar aqui, e isso é acesso restrito pois zelamos pela segurança dele, se você puder continuar sua caminhada por outra via, dobre por aquela rua à esquerda. Talvez dê para continuar até seu destino."
            Despedir-me do oficial. E seguir sua ordem. Estava curioso; jamais na minha vida tinha visto uma comitiva real. Dobrei na rua, porém, um sujeito subitamente se deu de cara comigo, nos esbarramos frontalmente de testa um contra o outro, e ele caiu no chão deixando derrubar suas coisas.
            -"Ah! Que dor! Idiota não olha por onde andas?!" -Disse ele tentando rapidamente tentando esconder a arma que cairá do bolso para o chão.
            "-Desculpe, eu não lhe vi, você esta machucado?" - indaguei tentando me agachar para pegar umas pequenas pílulas que ainda permaneciam no chão.
            -"Dê-me isso!" - Ele puxou da minha mão como uma violência animalesca -"Não ouse tocar me nada disso"- dizia já se levantando e limpando a roupa.
            -"Para onde você vai com essas coisas?" -indaguei com vergonha, porém minha curiosidade era maior.
            -"Eu vou fazer algo que vai mudar a história do meu povo; vou libertá-los do maldito domínio germânico. Dias melhores viram para todos nos Eslavos do Sul. Vamos nos unificar em um só reino forte capaz de manter nossa autonomia e autoridade perante as outras potências."
            -"Você vai agir sozinho? O arquiduque possui muitos guardas...."
            -"Existem muitos conosco. Digamos que temos as "mãos negras", várias pessoas esperam que nós sejamos vitoriosos nessa batalha..." - Me surpreendia essa palavra sendo pronunciada de um homem tão franzino, magro e de aparecia meio doente. Ele começou a tossi fortemente, não sei se pelo nervosismo, cuspindo um pouco de catarro com uma cor de verde avermelhado.
            -"Você já lutou em alguma guerra?" -indaguei curioso.
            -"Nunca consegui me alistar, sou pequeno e de estatura fraca, sempre fui negado pelo exército e depois que contrair tuberculose pedir minhas esperanças... Mas agora farei algo que jamais meu povo e minha família irá esquecer!" - Sua afirmação final tinha umas emanava chamas de suas retinas que me intimidaram. Com a mão direita, ele começou a me empurrar:
            -"Sai da frente, não posso perder tempo!"- afirmou já saindo.
            -"Mas você tem certeza que vai fazer isso? e sua vida? Já pensou que você pode morrer nisso, já pensou se você for preso?!"- Ele virou repentinamente e disse.
            -" Eu não sou um criminoso, pois eu vou destruir um homem mau. Eu estou convicto de minha certeza. Não há necessidade de me levar para prisão. Minha vida já está desaparecendo. Eu sugiro que me preguem numa cruz e me queimem vivo. Meu corpo flamejante será uma tocha para iluminar o meu povo em caminho para a liberdade. As minhas sombras estarão no futuro andando por Viena, passeando pelo tribunal e assustando todos senhores germânicos, se alguma guerra explodir não vai ser por culpa do meu ato, os alemães arrumariam outro motivo para isso. Agora saia daqui, as coisas ficaram mais complicadas para você se testemunhar isso."
            Tentei me virar e prosseguir no meu caminho, mas um barulho de carro me chamou a atenção para observar para trás. Era a comitiva do Arquiduque. Tinha entrado na rua errada e o estranho homem retirou rapidamente sua arma do bolso e atirou no Arquiduque e na sua mulher. Enquanto os guardas corriam para prender o terrorista que tentava engolir umas cápsulas para matar-se pude ouvir, ainda alto do seu carro, as últimas palavras do arquiduque para sua mulher:
            -"Calma querida! Eu estou bem, tudo vai ficar bem..."

Autor: Douglas Cavalheiro
Criação: 26/06/2012
objetivo: www.ligadosfm.com

23 de jul de 2012

21º Ensaio Cultural - Invasão Alienígena

Era 30 de Outubro de 1938. Muitos americanos ouviam a rádio CBS. Ouviam a Previsão do tempo e logo depois um especial com Ramon Raquello e Sua Orquestra, que foi interrompido com notícias urgentes sobre explosões em Marte. Um famoso astrônomo, Richard Pierson, descarta a possibilidade de vida no planeta vermelho e pede paciência aos que isso estão especulando.

As razões de pânico, diante do depoimento do especialista, parecem ser mínimas. Porém, segue-se a notícia de que um meteorito de formato cilíndrico caiu na Nova Jersey. Revela-se que este na verdade é um ônibus espacial, dentro do qual há um marciano. Raios de calor desintegraram todos os próximos, inclusos os repórteres da CBS. 
O pânico se espalha. Pessoas ligam para seus vizinhos e familiares discutindo o que ouviram no noticiário. Se os alienígenas chegaram mesmo, o que deve ser feito?

Continuam as notícias, interrompendo-se a programação normal. Os ataques continuam. Há incêndios que obrigam uma ação mais efetiva do corpo de bombeiros. A Guarda Nacional americana entra em ação, mas não consegue controlar o ataque. O especialista que negava a existência de vida em Marte agora está nervoso e faz especulações sobre o funcionamento da tecnologia marciana.

O rádio noticia que pontes, prédios e usinas estão sendo destruídos pelos marcianos. O desespero apenas aumenta. Um ministro americano faz um pronunciamento sobre o caso e dá instruções à nação. Imediatamente, estabelece-se uma conexão direta com o campo de batalha, informando todas as novidades sobre o caso. Inicia-se a invasão dos marcianos em Nova York. Os informantes do rádio logo sucumbem ao gás venenoso liberado pelas máquinas alienígenas.



A essas alturas, muitos já estão procurando abrigo ou ainda a espalhar boatos sobre o que está acontecendo, levando a narração a um outro nível. Já não se sabia da veracidade dos fatos. Duvidava-se de algumas coisas, mas de tudo, seria possível? Afinal, era a própria humanidade cuja existência estava ameaçada. No desespero, acreditamos em tudo porque queremos nos salvar. Talvez não a humanidade e sim os americanos. E talvez não os marcianos e sim os alemães. Que era guerra iminente, não havia dúvidas.

A CBS estava ciente disso, então logo o povo foi informado de que aquilo era um trabalho de ficção. Contudo, muitos já não estavam mais com o rádio ligado para ouvir essa revelação e continuaram em pânico mesmo após o fim da transmissão. Não havia alienígenas. Era tudo obra de Orson Welles numa adaptação para o rádio de A Guerra dos Mundos de H.G. Wells.

Não faltaram processos judiciais para a CBS ou para Orson Welles. Todos foram rejeitados, exceto o de um homem que gastou na fuga dos marcianos o dinheiro que pretendia gastar em um par de novos sapatos. A esse homem, Orson Welles fez questão de pagar os sapatos.

Tudo foi muito bem arranjado com a CBS, como pudemos observar. É impossível não reconhecer Orson Welles como um gênio após esse acontecido. Sua fama decolou. Afinal, não é todos os dias que uma falsa notícia gera uma grande paranoia em mais de um milhão de pessoas e é revelada falsa a seguir. Isso mostrou como há uma confiança quase cega do povo na mídia, mesmo em casos pouco prováveis como uma grande invasão de marcianos que ninguém é capaz de ver.

Três anos depois de Guerra dos Mundos, Welles dirigiu o notório filme Cidadão Kane, um oceano para discussões sobre a mídia de massa e manipulação da opinião popular por meio dela. Sem dúvidas, Orson Welles sabia bem o que fazia e estava consciente de que todos os dias o mesmo era feito sem que ninguém percebesse. Se os meios de comunicação hoje noticiassem uma invasão alienígena, não tenho dúvidas que a histeria se repetiria. Somente alguns conseguiriam honestamente colocar isso em dúvida, quebrando momentaneamente o controle mental do Cidadão Kane. Diante de uma grande ameaça à vida como essa, mesmo quem estudou o caso para escrever essa coluna tremeria diante de uma notícia assim, para só depois começar a averiguar se é verdade.


Autor: André Marinho
Criação: 22/07/2012
Objetivo: www.ligadosfm.com

20 de jul de 2012

Papo de Gago #6: Papo Furado: Animes, Astro Boy e Machado de Assis


Olá pessoal, o Papo de Gago de hoje vai ser um papo furado sobre animes, então junte-se a Anderson Ricardo, Guilherme Neri, Clara, Amanda e Bea Tamashii e embarque no mundo dos Animes.

Nesse podcast: Descubra a relação entre Astro Boy e Machado de Assis, entenda como é revoltante descobrir que Samurai X é na verdade Samurai T e não ligue para as loucuras do Guilherme.

Link's comentados no programa:

Animes comentados no programa:


Link's comentados nos E-mails:

Deixe o seu comentário no post ou mande os seus xingamentos, elogios ou sugestões para: papodegago@yahoo.com.br



Ouça podcast no player acima ou baixe o mp3 clicando aqui 

 Por: Anderson Ricardo
Em: 20/07/2012
Objetivo: LigadosFM

18 de jul de 2012

1º Entreato - Origens

Origens


Olá povo!


Desejo boas-vindas a coluna Entreato. Nesse espaço estarei colocando pra vocês estórias de um ator em formação que, a partir de suas experiências e vivências, descreve diferentes temas do Teatro.


Bem, acredito que o melhor assunto para iniciar é o começo do Teatro. Não o Teatro no mundo, embora eu faça alguma referência para melhor compreensão daqueles que não estão a par desse assunto, mas a minha descoberta do Teatro, e como decidi fazer faculdade de Teatro.


Então, vamos lá! Onde o Teatro começou?


É difícil definir o início do teatro, e diante das divergências de pensamentos, prefiro não dizer onde ele começou, mas é certo que, partindo dos rituais, seu início se deu bem antes das escrituras das famosas tragédias e comédias gregas. Os rituais fazem parte das histórias mais remotas dos seres humanos e já podem ser considerados como o início dessa arte prática feita até hoje, pois mesmo nos processos de criação do chamado ‘Teatro Contemporâneo’ ou ‘pós-moderno’, os rituais são adotados como forma de procedimento, para que estejamos mais concentrados na hora do trabalho. Entretanto nesse momento ainda não surgira a figura do ator.


Muitos e muitos anos depois já na Grécia, segundo os escritos encontrados por estudiosos, em um ritual de adoração a Baco, o Deus das colheitas, do vinho e, mais tarde do teatro, um dos ditirambos se destacou dos demais e interpretou o próprio Deus Baco descendo para participar do bacanal (festa de adoração ao deus Baco) e desde aí surgiu a figura do protagonista, o ator. No teatro grego não era permitido que mulheres atuassem, sendo as figuras masculinas e femininas interpretadas por atores com máscaras. Felizmente para mim, isso mudou, assim como tantas outras coisas relacionadas a essa arte.


O que eu acho muito legal no Teatro, é que mesmo mudando tanto em nenhum momento o que foi feito é negado. O que eu quero dizer com isso é que hoje em dia, se alguém quiser trabalhar o teatro como os gregos trabalhavam, ou como os russos fizeram mais tarde, não há por que não fazer. O Teatro tem raízes muito profundas, mas que ainda podemos ver e utilizar, ainda que como uma breve referência para nossos trabalhos. Passamos da época de utilizar apenas o anfiteatro, ou o palco italiano (o mais comum ainda hoje), ou apenas a formação de roda no teatro de rua. Já rompemos com esses e muitos outros conceitos e alçamos cada vez voos maiores em termos de criação artística. Mas vou deixar pra me aprofundar sobre isso depois, porque senão não falo de mim okay?


Abrem-se as cortinas. Eis que nasce uma criança de pouco mais de quatro quilos estreando na vida sem saber do roteiro que o destino lhe reservava. Mas, por razões que a própria razão desconhece, desde pequena a danada despertou um interesse pelo teatro e começou a praticá-lo. Essa sou eu.


Considero que comecei a ‘fazer teatro’ ainda criança, mas não em escolas ou oficinas. Meu palco era a rua, os atores e atrizes, meus vizinhos, e eu, assumindo a figura diretiva, dizia aos meninos o que fazer e dizer, inventando os textos ao longo da brincadeira. Obviamente nessa época eu não tinha noção de estar ou não ‘fazendo teatro’ e isso tampouco me preocupava, mas hoje quando me perguntam quando eu comecei, com um sorriso de canto respondo que foi no ensino médio, porém sem deixar de pensar (com saudade) nas primeiras ‘apresentações’ que fiz às mães dos colegas de rua.


No ensino médio eu entrei para o primeiro grupo oficial de teatro do qual fiz parte, e foi com tristeza que poucos meses depois recebi a notícia de que o grupo acabaria, antes mesmo de fazermos a primeira apresentação em público, pois o diretor entraria para a vida política. Maldita política!


Enfim, depois disso passei disso passei três anos sem nenhum contato com essa arte, a não ser no posto de espectadora sempre que pude. É lindo! Não há como não prender a respiração e deixar os olhos brilhando quando se assiste a uma boa peça teatral. Você fica encantado, seja com o elemento lúdico, seja com a audácia de estarem lhe tirando de sua zona de conforto, seja com o riso, etc. O Teatro sempre me trouxe experiências grandiosas enquanto espectadora, por que quando saio da caixa cênica ou me afasto da roda – no teatro de rua, eu carrego comigo histórias, personagens e, muitas vezes, lições.


Eu sei que provavelmente você, leitor, está pensando que eu romantizo muito minhas experiências artísticas e de fato o faço, mas o faço por que eu realmente sinto assim dentro de mim e por que esse vírus do teatro correndo em minha veia, apesar de não me tapar os olhos para os problemas de ‘minha área de trabalho’, me faz sentir que vale a pena amar essa arte tanto assim.


Então, eis que depois de três anos sem fazer nada a não ser um curso de enfermagem que realmente me fez perceber como adoro ser atriz (nada contra a enfermagem, acho uma linda profissão!), estou eu desconsolada de minha vida, indo pra casa passar mais uma tarde monótona no sofá, quando encontro um amigo no ônibus pelo qual fui informada que a Universidade Federal do Rio Grande do Norte tinha o curso de Teatro. A princípio pensei que seria um curso técnico (ainda hoje pessoas me perguntam se é mesmo superior), mas corri no site de busca mais próximo e descobri que realmente aqui, bem pertinho de mim havia o curso superior de Teatro. Fiquei feliz demais e, apesar de me saber despreparada pra fazer o vestibular, me inscrevi para a minha primeira tentativa de entrar para a federal.


Por algum motivo eu sentia que eu ia passar, mas na tela azul dos aprovados não chegava nunca o curso de Teatro... de repente minha vizinha vem gritando na rua, eu saio agoniada pensando que alguém morreu, mas ela me abraça parabenizando-me pelo resultado que ela, adiantando-se e olhando no site da comperve, havia comprovado. Foi uma sensação muito boa. Claro que a cada rosto ela diminuía um pouco, por causa do maravilhoso incentivo, pra não dizer o contrário. Com frequência as pessoas perguntavam com um ar descomunalmente feliz: Passou no vestibular?! Pra que curso? E eu via suas expressões de felicidade dissolvendo-se quando eu anunciava ser Teatro. Ouvi muitos ‘É o que você gosta, né?’ e ‘Depois você faz outro curso melhor’, e ainda ‘E se estuda teatro?’, entre outras coisas. Porém não me deixei abalar e foi assim que em 2009 entrei para a terceira turma deste recente curso de Teatro. Uhu!

Continua...


Por: Stephane Vasconcelos
Em: 18/07/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

17 de jul de 2012

32º Mundo Cão - Quanto Custa 1 Erro?

Constrangimento, aflição, a própria razão. Um aprendizado novo, uma vida nova, uma nova experiência. Ou a própria vida. São dois os tipos de erro: os previsíveis e os os imprevisíveis. Falando dos últimos, tratam-se de erros incalculáveis, daqueles que não levam, de certo, à razão imediata. São erros oriundos da inexperiência, cometidos por principiantes, frutos de atitudes normais, comuns do dia-a-dia; geralmente, é cometendo este tipo de erro, o imprevisível, que se aprende e se adquire experiência; é aqui que se amadurece e faz-se possível preparar-se para a vida.

Não é o que se pode dizer, contudo, dos erros previsíveis! Como o próprio nome diz, são erros ilógicos, com precauções racionais e até naturais, um erro que mais destrói do que constrói. Bem como lembra um dito popular sem autoria "Errar é humano, ao passo que insisti-lo é burrice", o erro previsível não se resume ao despreparo ou ao desconhecimento de causa. É à irresponsabilidade, mesmo...

Beber e dirigir, fazer sexo sem camisinha, negligenciar à própria saúde, andar pelas ruas a pé, sozinho e fora de hora ou não estudar para a prova da faculdade prevista para a semana que vem são alguns belos exemplos de 'burrice'. Em todos eles, sabe-se ou imagina-se o resultado (o qual o é nada bom). Porém, ainda assim, existirão sempre pessoas e, cada vez mais, adeptos dessa forma de viver e ideologia de pensar.

Tudo bem que existam erros naturais, até inevitáveis, ou que custem o constrangimento em uma determinada ocasião para que se aprenda ou se adquira experiência em algo. Aprender dói, viver, ainda mais! Fazer sucesso, então, é o ápice do sacrifício da vida. E o erro faz parte disto tudo, como a cruz se fez na vinda de Cristo à Terra! É o custo que paga a construção de um resultado ou de dias melhores, tal qual errar é o caminho mais curto para o acertar.

Geralmente, todavia, boa parte das pessoas confundem a necessidade de errar com a libertinagem de viver cometendo erros. De vez em quando, faz-se necessário errar mais de uma vez para que se possa entender a lógica de alguma coisa - tal qual o 'NÃO ENTENDI' do aluno que está a assistir a uma aula de matemática ou física. O 'NÃO ENTENDI' externado pelo aluno sedento por conhecimento pode ser o mesmo que 'MAS O SENHOR NÃO DISSE QUAL O MELHOR CAMINHO OU O QUE DEVE SER FEITO'; ou seja, é possível entender que qualquer explicação não o fora suficiente para dar luz acerca do certo e do errado.

Isto é erro previsível e está descrito em qualquer livro de metodologia (não necessariamente o "erro imprevisível", porém, a lógica da dúvida). Mas, e quanto ao erro previsível, o que dizer a respeito? Antes de tudo, conhecem-se as consequências, os impactos, a reciprocidade de quem assiste de camarote e, acima de tudo, o lado oposto a ele. Previsível, como o nome já revela, quer dizer conhecimento de causa e de suas consequências; expõe até as orientações para não cometê-lo e os argumentos necessários os quais convencem o sujeito a seguir por outro caminho. Eis a diferença!

E muito além, cometer um erro previsível é retirar de si toda e qualquer razão para lamentações, chororôs e arrependimentos. Nada justifica a opção pelo errado, quando se sabe que os resultados auferidos, se seguido o outro caminho, serão maiores e mais compensadores. Estou falando, sim, do "CRIME NÃO COMPENSA", "HONESTIDADE RENDE MAIS HORAS DE SONO" ou "FAZER O QUE DEVE SER FEITO"! 

Porém, ainda assim, muitos ainda optam pelo contrário, enveredam justo pelo lado que aprenderam a não seguir; fazem o que não deve ser feito e acabam por negligenciarem a si mesmos! A dor mais doida é a da consciência, aquela que dói depois do estrago feito, bem à frente, e que pesa na lembrança de que tudo poder-se-ia ter ter se dado de outro modo; isto nada mais o é do que um ciclo (talvez natural).

E quer saber? Minutos após a publicação desta coluna, haveremos de nos deparar com mais e mais erros previsíveis e com seus autores sem causa...

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 17/07/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 31º Mundo Cão - Negligência como comodismo!

15 de jul de 2012

26ª Resenha Crítica - Como me tornei estúpido



Boa noite, caros leitores ligados em literatura. Eu costumo escrever sobre algo intelectualmente estimulante, mas desta vez eu vou tratar de falar sobre um livro idiotizador. Quando digo "idiotizador", não pense que estou falando mal do livro, pois somente estou resumindo o tema recorrente do bestseller do francês Martin Page, vencedor do prêmio literário Euregional, Como me tornei estúpido. 

Como me tornei estúpido tenta nos responder a seguinte pergunta: "será que a ignorância é mesmo uma bênção?". Para isso, conta a história Antoine, um estudioso de vinte e cinco anos que sofre de depressão desde que se entende por gente devido a seu excesso de autoconhecimento e consciência moral, que o impede até mesmo de enganar a si mesmo ou de tomar uma ação que tenha más consequências, por mais distantes que sejam. Quando vai comprar camisetas, por exemplo, Antoine precisa se certificar que não há escravidão infantil no processo de sua produção. Com sua inteligência somente lhe trazendo sofrimento e nenhum propósito prático na vida, ele decide que tornar-se estúpido é o caminho se encaixar na sociedade e aceitar a vida que ele tanto odeia. Para alcançar este fim, de tudo ele tenta: alcoolismo, suicídio, lobotomia e pílulas da felicidade.

O livro é bem simples e agradável de se ler; tem menos de duzentas páginas e seus capítulos são sucintos. Começa com duas epígrafes: uma citação de Oscar Wilde ("Ele os invejava por tudo que não sabiam") e outra dos Beatles ("Obladi, oblada, life goes on bra"). A primeira nos traz a ideia geral do livro e uma descrição simples de Antoine. A segunda, é ao meu entender, pode ser tanto um puro nonsense como uma aviso de que a vida continua por mais que fiquemos nos remoendo em reflexões pessimistas.

O primeiro capítulo nos apresenta o protagonista frustrado com sua inteligência e decidido a tornar-se estúpido. Cada um dos capítulos seguintes é uma etapa na jornada em direção à estupidez e termina com um gancho para o posterior, podendo este gancho ser uma nova decisão, um novo dilema ou um novo fracasso. Fracassos, aliás, é o que Antoine mais experimenta enquanto tenta ser algo diferente. Quando tudo parece dar certo, ele sempre acaba tendo uma recaída e ganha algum grau de lucidez. Em cada tentativa nova, Antoine pede ajuda a algum dos seus poucos mais fiéis amigos, todos bastante excêntricos, entre os quais um samoano que fala em versos e brilha no escuro.

O livro usa e abusa do humor absurdo, ao estilo de Monty Python e Kurt Vonnegut, o que faz a leitura muito agradável, trazendo situações absurdas como: um coma alcoólico causado por meio copo de cerveja; a ida de Antoine a uma escola para suicidas; a visita do fantasma de alguém que não morreu; e consultas de Antoine (que tem 25 anos) com um pediatra. Esse nonsense culmina no estranho final do livro, no qual o problema de Antoine é resolvido por deus ex machina, sem uma justificação senão a necessidade de salvar o aspirante a imbecil da sua ruína.

Talvez o maior defeito do livro é que, por ser tão curto e pouco objetivo, num geral não serve como um tratado sobre inteligência e estupidez, estas que são apresentadas no livro a partir de estereótipos em vez de categorias universais bem desenvolvidas.


Pode-se interpretar Como me tornei estúpido como o drama das pessoas inteligentes num mundo contemporâneo estúpido e fútil, no qual elas simplesmente não conseguem se encaixar. É a história de vida das pessoas que pensam demais e, por isso, não conseguem ter certezas, não se conformam e não conseguem conceber um sentido na vida. Sem dúvidas muitos se identificarão com o protagonista - isso é algo que pude facilmente constatar entre os meus conhecidos que leram o livro. Seja você estúpido ou inteligente, este é um livro que você não pode deixar de ler.


Clique aqui para comprá-lo no Submarino pelo pequeno preço de R$ 24,90.

Autor: André Marinho
Criação: 15/07/2012
Objetivo: www.ligadosfm.com

13 de jul de 2012

10ª Criticando Cinema: Do presente para o passado, do passado para o presente.

Olá pessoal, o Criticando Cinema de hoje é sobre o filme Alta Frequência (Frequency) dirigido por Gregory Hoblit e estrelado por Jim Caviezel e Denis Quaid.

Sinopse: Um dia John ouve alguém chamando num rádio antigo de seu pai e, no desenrolar da conversa, percebe que o homem com quem falava parecia estar vivendo num passado distante. Para tornar a história ainda mais curiosa, ele percebe que o tal homem é nada mais nada menos que Frank, seu pai que morrera há exatos trinta anos.

Enredo: Numa noite rara de tempestade solar, o jovem policial John Sullivan encontra o aparelho de radioamador de seu falecido pai. Ao colocar o aparelho para funcionar, John é contatado por Frank, um radioamador que, pelas conversas, parece estar vivendo no ano de 1969. O mais incrível acontece quando John percebe que aquele Frank é Frank Sullivan, seu pai. Atônito e emocionado, John tenta mudar o passado avisando seu pai sobre o incidente que o matou. Mas, ao burlar as leis lógicas, John muda outros fatos da história. Um deles é a morte de um homicida, que não acontece, deixando-o vivo para fazer mais vítimas. Agora pai e filho correm contra o tempo para impedir um maníaco de continuar sua carreira de assassinatos.

Resenha: Antes de mais nada o primeiro grande pré-requisito para curtir Alta Frequência em toda a sua essência é: liberte-se do racional e embarque no emocional. Eu sempre gostei de filmes que falam sobre viagem no tempo, adoro filmes com essa temática. Até por que é tão gratificante assistir esse filme, pois o ele nos traz de volta um delicioso sabor de infância, de uma época em que acreditávamos no que víamos na tela e não ficávamos questionando se aquilo poderia ou não ser real. E outra coisa legal no filme é que ele é um vai-e-vem danado, pois você vai do presente para o passado, do passado para o presente. Cheguei até a perder o fôlego assistindo!

O filme tem é o terceiro longa-metragem para cinema do diretor Gregory Hoblit. Após dirigir seriados policiais, Hoblit iniciou uma carreira muito elogiada na tela grande, emplacando dois grandes sucessos em sequência: As Duas Faces de um Crime (com Richard Gere e Edward Norton) e Possuídos (com Denzel Washington). A fotografia em Alta Frequência foi bem usada para diferenciar o passado e o presente e sem falar nas atuações de Jim Caviezel e Denis Quaid que estão perfeitos no filme, a sintonia que eles passam realmente te faz acreditar que são filho e pai ali juntos tentando resolver o problema.

No fim Alta Frequência é um filme que agrada e emociona... Isso se você não ficar se perguntando se tudo aquilo é possível ou não. E pra finalizar deixo o trailer do filme pra vocês ok, então até o próximo Criticando Cinema.




Por: Anderson Ricardo
Em: 06/07/2012
Objetivo: LigadosFM

9ª Entrevista Literária - João Paulo Hergesel

João Paulo Hergesel é o autor do livro de contos “Anilina, Ziguezague e Désirée”, pela Editora Patuá. Nasceu em 1992, no dia 25 de julho, que por coincidência é nacionalmente considerado o Dia do Escritor, em Sorocaba (interior de SP). Reside em Alumínio/SP e atualmente trabalha com revisão gramatical de livros e presta serviços editoriais (redação, tradução e afins), além de ser estudante universitário do último ano de Letras: Habilitação em Português e Inglês, pela Universidade de Sorocaba. Foi colunista de dois jornais locais e participou em diversas antologias, colecionando dezenas de prêmios literários, nacionais e internacionais.

O autor João Paulo Hergesel

Ligados: No momento atual, diversos jovens têm se interessado pela Literatura. Porque decidiu tornar-se escritor? 

JP Hergesel: Não foi bem uma decisão, e sim um acaso. Desde muito novo, sempre gostei de viver em um mundo fantástico, imaginando coisas e acreditando na própria imaginação. Quando aprendi a ler e a escrever, fiquei não só imerso nas páginas dos livros infantojuvenis como também comecei a passar minha criatividade para o papel. Pode parecer até um pouco surpreendente, mas meu primeiro prêmio literário foi aos 9 anos, com um poema que escrevi sobre cidadania. Mesmo assim, até os 15 anos, eu jamais me imaginava na posição de escritor; escrevia apenas para desabafar o que sentia. Depois dessa época é que eu acabei me assumindo contista, cronista, romancista e o que mais se encaixar. 

Ligados: Quais autores influenciam a sua produção literária? 

JP Hergesel: Aprendi um pouquinho com cada autor que já li: desde a simplicidade de Ruth Rocha até a complexidade de Virginia Woolf. Mas os que mais se destacaram foram: Sérgio Klein, que inspirou minha criatividade; Clarice Lispector, que influenciou minha subjetividade; Adriana Lisboa, que me ensinou a tratar as palavras com a delicadeza que elas merecem; e Lygia Bojunga, cujo estilo foi o que mais me incentivou a brincar com a linguagem. 

Ligados: Como foi o processo de criação de "Anilina, Ziguezague e Désirée", a sua primeira coletânea de contos juvenis? 

JP Hergesel: Foi meio do nada. Eu estava com diversos contos voltados ao público infanto-juvenil, todos arquivados quietinhos na minha pasta pessoal do notebook. Resolvi, então, que juntaria todos em um único documento e tentaria a publicação, enviando o original a diversas editoras — na época, enviei não só o livro de contos como também um romance juvenil, para o qual ainda não consegui patrocínio para publicação. "Anilina, Ziguezague e Désirée", no original, chamava-se "Vintium". Tinha esse nome por soar bastante lúdico e porque o livro continha vinte e um contos. A editora, quando aprovou o original, no entanto, sugeriu alguns cortes e o livro passou a ter apenas quatorze contos. Em consequência disso, o livro foi batizado com o nome de um dos contos. 

Ligados: O seu livro foi lançado pela editora paulista Patuá. Como você visa o mercado editorial brasileiro e como foi o processo de ir atrás de uma publicação? 

JP Hergesel: A Patuá foi um presente que caiu do céu. O mercado editorial brasileiro, infelizmente, está mais focado no lucro do que na qualidade. Então, a maioria das editoras já consagradas dá preferência a escritores internacionais e autores de best-sellers, limitando o espaço editorial e impedindo que novos autores se destaquem. A Patuá, em contraponto, está mais preocupada em dar oportunidade a esses jovens talentos da literatura e tem feito um lindo trabalho, publicando livros com alto teor estilístico e literário. A Patuá me ajudou a perceber que muitas das recusas que ouvi de editoras “grandes” não se deram ao fato de que minha escrita era supostamente precária, mas porque meu nome era desconhecido. Pode parecer até absurdo, mas já cheguei a ter o original recusado sem mesmo ter sido lido: utilizaram minha (pouca) idade como critério de avaliação — e não foi uma única vez. Portanto, só tenho a agradecer aos meus queridos editores, Eduardo Lacerda e Aline Rocha, que, mesmo não me conhecendo, acreditaram no meu talento e apostaram no meu trabalho. Se hoje tenho um livro impresso publicado, devo isso ao carinho deles.

Ligados: O que você sentiu ao receber os primeiros exemplares físicos do seu livro? 

JP Hergesel: Foi uma coisa muito louca. Na verdade, a ansiedade maior não foi tanto com relação aos exemplares físicos, e sim com a questão da capa. Todos os dias, meu fígado se corroía de curiosidade para saber como ficaria a capa do livro. Eu não conhecia o Jozz, o designer, mas vi, pelo portfólio dele, que fazia um excelente trabalho. Sabia que meu livro estava em boas mãos, mas ainda assim contava os segundos para ver a capa pronta. Quando o Eduardo e a Aline (editores) me mandaram o resultado, tive o maior encanto da minha vida: o gato anil olhando o novelo que fazia ziguezague se tornou minha imagem preferida. Tive a certeza: o Jozz havia se superado! Depois disso, ainda demorou um tempinho para que todo o resto ficasse pronto (a diagramação, a parte gráfica, etc.), então só recebi os primeiros exemplares no dia do lançamento. E foi de uma maneira bastante inusitada: eu estava passando em frente ao supermercado e, surpreendentemente, esbarrei com o Eduardo e com a Aline por lá; eles haviam acabado de chegar de São Paulo para a noite de lançamento (que seria em Alumínio). No mesmo momento, o Eduardo buscou os exemplares que estavam no carro e deixou em minhas mãos. Foi a primeira vez que carreguei meu filho no colo. 

Ligados: Fale um pouco sobre a sua obra. 

JP Hergesel: São 104 páginas de louqueira e feliversão (loucura com doideira e felicidade com diversão). São 14 contos juvenis que tentam agradar jovens de todas as idades, e não apenas o público adolescente. Há histórias narradas em primeira pessoa, em terceira, em drama, tem histórias de pura fantasia e até de ficção realista. É a mistura de um pouquinho de cada coisa, um verdadeiro ziguezague na imaginação. E o estilo é cheio de bom humor. Mas o que chama mais atenção mesmo é o título: Anilina, Ziguezague e Désirée. Sempre me perguntam o motivo. Aproveito, então, para contar: esse é o título de um dos contos do livro, em que a personagem principal diz que essas três palavras são suas preferidas. Além disso, é possível fazer uma interpretação semiótica do nome: anilina porque os contos servem para colorir a imaginação do leitor; ziguezague porque o tema dos contos segue a linha do vaivém; e Désirée, que em francês significa “o desejado”, para mostrar o livro como objeto de desejo do leitor. Tudo isso pode ser percebido na capa, confeccionada pelo Jozz: o gato tingido de anilina olhando desejosamente para o novelo que faz ziguezague no chão. 

Ligados: Como tem sido o reconhecimento do público a respeito do seu trabalho? 

JP Hergesel: Dizem que gostam, e eu acredito. Mas confesso que, às vezes, recebo tanto elogio que fico até desconfiado. Acho maluquice alguém receber elogios em número tão maior do que críticas. Só sei que o entusiasmo é grande, e a surpresa ocasionada pelas histórias que me contam sobre a influência dos meus textos é ainda maior. Uma amiga disse, poucos dias depois do lançamento do livro, que a irmã dela não dormia antes de ouvir o último conto do livro: A Bússola Mágica. É uma metáfora da vida real, sobre um menino triste que sai em busca da felicidade, mas não consegue encontrá-la em nenhum lugar onde procura. É um dos contos mais aplaudidos, mas sou obrigado a admitir que está longe de ser o meu preferido (tanto que quis até cortar do livro, mas os editores não deixaram). Outra história bacana foi uma contada pela minha professora de literatura inglesa e norte-americana. Segundo ela, estava na fila do teatro quando resolveu começar a leitura do livro e começou a rir sozinha com o primeiro conto: Ted. Este conta a história de um garoto que se sente esquisito por ter um nome diferente e ser zombado com trava línguas até em inglês. Cá entre nós, acho que esse é meu conto preferido do livro. Tenho um carinho enorme por ele, tanto que foi o mais bem trabalhado na hora da produção.

Ligados: Ainda na escrita, você participa frequentemente de concursos literários. Tem ideia de quantos prêmios já ganhou e quais os que possui maior apreço? 

JP Hergesel: Até minha última contagem, foram pouco mais de cinquenta prêmios. Pode parecer um número bem alto, se levarmos em consideração meus 19 anos de idade, mas, como sempre dizem que quantidade não é qualidade, prefiro não me gabar. Sou grato por todos e tenho uma estima muito grande por cada um deles. Mesmo assim, é óbvio que há aqueles com os quais eu gostaria de dormir abraçado todas as noites. Posso destacar como exemplo: o Cancioneiro Poético, realizado pelo Instituto Piaget de Portugal, que foi meu primeiro prêmio internacional; o Mapa Cultural Paulista, realizado pela Secretaria de Cultura de São Paulo, no qual fui selecionado para representar Alumínio e a região sorocabana; o Desafio dos Escritores, realizado pelo Núcleo de Artes da Câmara dos Deputados em Brasília, do qual recebi até convite para ser jurado; e o clássico Concurso Literário da Uniso, em que fui finalista antes mesmo de fazer parte do corpo discente da universidade. 

Ligados: Você foi colunista de dois jornais locais, contribuindo com diversos textos como Crônicas, Contos, Resenhas e Artigos. Como foi essa experiência? 

JP Hergesel: Foi uma experiência bastante válida e, algumas vezes, desafiadora. Em abril de 2009, o Jornal de Alumínio Regional, jornal de maior circulação da cidade, chegou até mim e fez o convite para que eu passasse a escrever quinzenalmente para eles. Adorei a ideia de ser lido por toda a população da cidade e até mesmo das cidades vizinhas por onde o jornal circula. Tive meu trabalho amplamente divulgado e ganhei alguns fãs (risos). Em julho de 2010, a Gazeta de Alumínio, outro jornal do município, também passou a publicar meus textos — foi outra surpresa para mim. Hoje, infelizmente, já não contribuo com o mesmo gás de antes, devido às obrigações universitárias e à monografia de conclusão de curso. Acabo tendo tempo somente para escrever textos acadêmicos e fico sem inspiração literária para manter a periodicidade dos jornais. Mas só tenho a agradecer a ambos os jornais pela excelente oportunidade que me deram e que, com certeza, também foram responsáveis pelo amadurecimento da minha escrita. 

Ligados: Atualmente você trabalha como Revisor Freelance. Em sua opinião, qual a importância desse tipo de profissional na vida de um escritor? 

JP Hergesel: O escritor vive em fluxo de consciência e, por isso, acaba despejando tantas ideias no papel que não sobra tempo para dedicar-se às questões de pontuação, concordância, regência e ortografia. Ainda que o escritor tenha um ótimo conhecimento da gramática, os erros passam despercebidos, mesmo após várias leituras. É então que entra o revisor. O revisor é o responsável pelo acabamento do texto: se o livro fosse um prédio em construção, o revisor seria aquele profissional que passa a massa corrida e tapa os buracos e corrige as imperfeições antes da finalização da obra. Trabalhei como revisor freelance para a Editora Espaço Idea em 2010, mas não tive a oportunidade de dedicar muito tempo a esse ofício, visto que fui contratado pela prefeitura para trabalhar na área da educação. No início deste ano, no entanto, resolvi me aventurar piamente nesse ramo e montei uma empresa prestadora de serviços editoriais: a Jogo de Palavras. Hoje, exerço a função de revisor não apenas para editoras como também para pessoas físicas (autores independentes e outros profissionais que necessitam do trabalho de correção ortográfica) e amo ter a gramática como minha sócia.

Ligados: Como você equilibra o seu tempo, já que tem que dividi-lo entre Vida Social e Profissional? 

JP Hergesel: Acordo e vou para o computador, responder e-mails dos colegas da faculdade e terminar alguma pesquisa ou escrever algum ensaio. Depois saio para almoçar e volto para o computador, fazer contato com editoras e autores e dar continuidade em alguma revisão. Então saio para comer alguma coisa e vou para a faculdade, dedicar um pouco mais de tempo às línguas portuguesa e inglesa. Chego no fim da noite e vou direto para a cama, sonhar que tenho uma vida social. No fundo, agradeço por existir Facebook. 

Ligados: Fale um pouco sobre os seus novos projetos. 

JP Hergesel: Devia ser segredo, mas estou com dois livros infantis prontos. Só não corro atrás de publicação ainda, porque pretendo insistir nos concursos literários. Se até o fim do ano nada der certo, as editoras que aguardem meus originais em 2013. Também estou com intenção de transformar minha monografia sobre estilística cibernética em um livro didático ou acadêmico (ideia do meu orientador), então suponho que levarei até o fim do ano para concluí-la. Quanto à produção literária no momento, só posso dizer que estou em fase de hiato, uma pausa na carreira, para dedicar-me exclusivamente ao contexto acadêmico. Mas pretendo iniciar, logo que as coisas se acalmarem, algum romance juvenil ou até mesmo um livro de crônicas. Fora isso, semestre que vem, estarei em alguma peça de teatro experimental — como já é meu costume em todo semestre (risos). 

Ligados: Você possui dois Blogs literários de maior reconhecimento, o Joaninha Platinada e o Com a Palavra JP. Qual o objetivo dos mesmos e para quais tipos de leitores eles são direcionados? 

JP Hergesel: O Joaninha é um blog dedicado aos amantes da literatura infantojuvenil e informações relacionadas; o Com a Palavra JP, por outro lado, é o blog onde posto meus textos, especialmente os que são publicados nos jornais. Ambos os blogs são abertos a todo tipo de público e são livres para receber quaisquer tipos de comentários. 

Ligados: Por já possuir experiência, qual a dica que você deixa para os novos autores? 

JP Hergesel: Esses dias, escrevi um ensaio sobre novos autores. Nele, ressaltei a existência de inúmeros autores jovens e mencionei a importância da internet para o desenvolvimento cognitivo do escritor. O espaço cibernético permite diversas leituras de diversos mundos em questão de cliques. A dica, então, é esta: continuem navegando, continuem lendo e, consequentemente, aprendendo. Criem blogs, páginas virtuais, divulguem seus escritos, peçam dicas e, principalmente, participem de oficinas literárias. Há várias oficinas de escrita criativa on-line que permitem que o escritor tenha acesso a comentários (sinceros) de profissionais da área de Letras. Eu mesmo não imagino como seria, se não tivesse participado incansavelmente dessas oficinas e, simultaneamente, de concursos literários.

Perguntas rápidas: 
Autor(a): Adriana Lisboa;
Ator(Atriz): Felicity Huffman;
Site: Facebook;
Banda: La Oreja de Van Gogh;
Música: Aquarela (Toquinho);
Filme: Letra e Música.

Links na internet: 

Links dos seus produtos nas lojas online: 
Cultura: Aqui;
Patuá: Aqui.

Ligados: Deseja encerrar com mais algum comentário? 

JP Hergesel: Quero agradecer à Equipe Ligados, em especial ao Thiago Jefferson, que me convidou para esta entrevista tão interessante. E, é claro, não posso deixar de agradecer a você, leitor, por ter acompanhado este bate-papo até o fim e conhecido um pouco mais sobre minha vida. Faço, inclusive, o convite para que todos vocês continuem acompanhando meu trabalho, já que a vida de todo escritor é, coincidentemente, um livro aberto.


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 13/07/2012 - Objetivo: www.ligadosfm.com