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31 de ago de 2012

Papo de Gago #9: Papo de RPG na Toca do Tarrasque


Olá pessoal, o Papo de Gago de hoje é sobre RPG e do Livro Toca do Tarrasque escrito por Guilherme Neri, então junte-se a Anderson, Felipo Bellini e Guilherme Neri e embarque no mundo do RPG.

Nesse podcast: Descubra a utilidade do RPG na educação, entenda que RPG não tem nada a ver com religião e conte a sua História na Toca do Tarrasque.

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Por: Anderson Ricardo
Em: 31/08/2012
Objetivo: LigadosFM


28 de ago de 2012

38º Mundo Cão - Emprego e Renda são para Poucos...


Um pleito sem qualquer proposta de geração de emprego ou que venha sanar as necessidades imediatas do mercado de trabalho, esta é a cara da campanha eleitoral municipal deste ano. NENHUM candidato a prefeito coloca para seus eleitores propostas inovadoras, ademais, daquelas que todo mundo sabe que não vai mudar muita coisa (talvez, a foto do prefeito nas paredes das repartições públicas dos órgãos municipais); aquelas as quais não trarão qualquer significado para a sua gestão e para a sua cidade.

Serão mais 4 anos de mais do mesmo, desta mesmice que faz da nossa Natal uma bela cidade do litoral nordestino e recolhida à sua insignificância... O agosto da alegria inovou não somente com a sua contraproposta de levar cultura para o público e para quem quiser, porém, se assistidas os detalhes as propagandas que passam na TV (e que divulgam o evento), é possível ver que a AGN e o BNB estão oferecendo crédito para grupos artísticos que necessitam recursos (como acontece com micros ou pequenos empresários).


Não estou dizendo que isto se trata de uma inovação da administração direta estadual, mas, assim como os grandes grupos tornaram-se grandes com inovações históricas nas políticas de crédito e de relacionamento com os bancos e instituições financeiras, um pedacinho da sociedade, da camada mais popular, mesmo, tal qual nossos homens de frente da cultura, poderão finalmente beneficiarem-se de um inovação das nossas instituições e ter seu lugar ao sol.


Na corrida eleitoral municipal deste ano, um ou outro vereador traz uma proposta maior do que uma simples distribuição de botijões de gás para o povão do Passo da Pátria. “Prouni Municipal” e “Incubadora de Cooperativas” são algumas propostas de um dos candidatos os quais buscam atender a uma demanda crescente da cidade por desempenho econômico, mão-de-obra qualificada e estímulos à geração de empregos e ao empreendedorismo. Isto, sim!


Falar em reestruturar a saúde ou ampliar o número de escolas cai tão vago quanto prometer enviar 01 salário mínimo pelos correios para cada família pobre.

A SAMU e o Bolsa Família são programas do governo federal! Cabe às prefeituras única e exclusivamente garantir o funcionamento sadio e pleno destes e de outros programas (nada mais do que o óbvio e obrigação). A propósito, falar em programa social como objetivo central de governo é tratar a população como um coluio de idiotas incapazes de progredirem na escala das (des)igualdades sociais... É como se a grande maioria dos eleitores fizesse parte de uma sociedade de castas, ‘estamentada’ a ter que aceitar o fardo da imobilidade social, sair da pobreza e ir direto para a classe média ou assistir ao desmoronamento completo de sua riqueza e ter que ir parar dentro de um barraco de um morro.

Vivemos em uma democracia, em uma potencia global com moral econômica internacional. O que o povo brasileiro necessita, em cada uma das mais de 5 mil cidades, seja aqui em Natal, seja em Bolpebra, é de emprego e renda; de trabalho; de ter acesso à riqueza que se reproduz aos montes neste Brasil bola da vez do mundo em crise afora; de indústrias, empresas e de um ambiente favorável ao investimento e ao empreendedorismo. De gente disposta a pagar salários e de mais gente ainda preparadas a recebê-los.

O que vemos daqueles que se propõem a administrar nossos interesses nas câmaras municipais é um discurso social de baixo fundamento. A renda do trabalhador aqui em Natal está encolhendo, indústrias e matrizes estão indo embora daqui e o trabalhador está ficando ao “Deus dará”. E ainda por cima, há parlamentares (vereadores da nossa câmara, mesmo) que abrem o bico para culpar, vergonhosamente, o governo do estado com o seus 25% de ICMS (estados vizinhos, como a Paraíba, cobram 12% sobre a atividade econômica lá vigente)... A culpa também é dele, sim! Mas, um bom prefeito não se exime desta obrigação (a de gerar renda e proporcionar ambiente economicamente favorável para seus habitantes).


Um prefeito decente não teria permitido grandes indústrias saírem da cidade e deixarem o legado de mais de 20 mil desempregados. São famílias inteiras sem sustento, ‘oportunados’ quase que única e exclusivamente à violência como saída para matara fome; trabalhadores sujeitos a congelamento salarial e à queda da renda e um exército cada vez mais crescente de desempregados ou descontentes com o mercado de trabalho local. Isto é a Natal de hoje...

Porque nem candidato que se aliou com gente da elite empresarial da cidade desprendeu-se desse discurso pífio de muita solidariedade com pouca economia. Acho que sequer sabe ele o que é economia solidária... Quer saber? Isto está parecendo arrumadinho para manter as coisas do jeito em que estão, ruins, porém, ótimo para poucos.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 28/08/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 37º Mundo Cão - Gosto se discute, sim!

27 de ago de 2012

29ª Resenha Crítica - Como Vencer um Debate Sem Precisar ter Razão

Conheça nosso novo espaço: http://demonstre.com/




Quem gosta de entrar em discussões de boteco ou de Facebook deve conhecer bem aqueles tipos que entram em debates apenas para provar que têm razão, usando sempre truques sujos para saírem como "vencedores", mesmo que nada tragam de relevante sobre o assunto em questão. Isso não é um fenômeno exclusivo dos nossos tempos. Os sofistas - que nem sempre eram debatedores desonestos - ensinavam a retórica como arte de convencimento e não de encontrar a verdade. Nesse exercício valiam deformações de sentido, manipulação de palavras, provocações e apelos. 
 

Como o ser humano não muda em natureza, e a vaidade sobe à cabeça dos intelectuais (e pseudointelectuais), esses ainda permanecem fugindo do essencial quando entram em debate e com isso conseguem "vencer". Por esta razão, é necessário conhecer todos os estratagemas desses debatedores para se prevenir. Mesmo que tal forma de uso da retórica tenha sido criticado por Platão e por Aristóteles já há muitos séculos, Schopenhauer ressuscita essa arte em Dialética erística, publicado em português em edição comentada, anotada e introduzida por Olavo de Carvalho (
autor de Aristóteles sob nova perspectiva, O jardim das aflições, A dialética simbólica e da coleção História essencial da filosofia, entre outros), com o título "Como vencer um debate sem precisar ter razão".

Schopenhauer define no intróito da sua obra a dialética erística como "a arte de discutir, mais precisamente, a arte de discutir de modo a vencer, e isto per fas et per nefas (por meios licitos ou ilícitos)." Na discussão de tal arte, ele primeiro a relaciona com a dialética aristotélica, criticando esta por não ser uma pura e independente da realidade subjetiva, arte de vencer um debate propriamente dita. Assim, Schopenhauer coloca-se como um "realista" no sentido maquiavélico: para atingir determinado fim (vencer um debate), não importa se os meios são corretos moralmente. Olavo de Carvalho comenta os equívoco na interpretação de Schopenhaueriana da dialética aristotélica, como quanto ao objetivo da dialética, que é em Aristóteles um caminho para alcançar a verdade e não uma arte de debater como afirma o pessimista prussiano.



No capítulo seguinte, A base de toda dialética, são delineados os modos (ad rem, ad hominem - esse hoje consagrado como falácia - e ex concessis) e métodos (direto e indireto) de refutação de uma tese, independente de seu conteúdo. 



Depois, esses modos e métodos são mostrados como postos em prática em trinta e oito estratagemas, entre os quais: discurso incompreensível, homonímia sutil,  incompetência irônica, manipulação semântica, uso intencional de premissas falsas. Olavo de Carvalho comenta de que forma estes podem ser legítimos e/ou ilegítimos, além de dar explicações, críticas, exemplificações e se remeter a outras obras, enriquecendo substancialmente a leitura e contribuindo para uma interpretação mais universal do tratado de Schopenhauer. 

Depois dos estratagemas há ainda um adendo do autor de Dialética erística, em que ele argumenta por uma distinção radical entre lógica e dialética, esta que segundo o comentador do livro não é fundamentalmente correta.

Além do texto de Schopenhauer, sobre o qual já falamos, há também anotações do autor de Dialética erística, bem como comentários finais e uma longa e completa introdução por Olavo de Carvalho, que muito acrescentam ao leitor com relação ao tema desenvolvido no livro e promovem sobre ele uma reflexão.

Se em Dialética erística Schopenhauer mistura-se entre verdades e erross, em Como vencer um debate sem ter razão, suas falhas são tratadas de forma devida para que os leitores não comentam os mesmos abusos que o autor pretende com a justificativa de que outros também o farão. 

Há razão o suficiente para considerar que este é um volume de leitura indispensável para filósofos, debatedores, acadêmicos, intelectuais, pseudointelectuais, interessados em polêmicas ou somente alguém que busque um material que lhe enriqueça intelectualmente. Além disto, podemos sem medo de errar afirmar que esta edição do livro é a melhor já lançada em língua portuguesa.

Autor: André Marinho
Criação: 26/08/2012
Objetivo: www.ligadosfm.com

24 de ago de 2012

13ª Criticando Cinema: “A vida de todo mundo é como uma longa calçada. Algumas são bem pavimentadas, outras... Têm fendas, cascas de banana e bitucas de cigarro”.

Olá pessoal o Criticando Cinema de hoje vai falar do filme “Mary e Max: Uma amizade diferente” que é uma Animação Stop motion dirigida por Adam Elliot e com as vozes de Philip Seymour Hoffman, Toni Collette e Eric Bana.


Sinopse: Mary Daisy Dinkle é uma menina solitária de oito anos, que vive em Melbourne, na Austrália. Max Jerry Horovitz tem 44 anos e vive em Nova York. Obeso e também solitário, ele tem Síndrome de Asperger. Mesmo com tamanha distância e a diferença de idade existente entre eles, Mary e Max desenvolvem uma forte amizade, que transcorre de acordo com os altos e baixos da vida.



Enredo: O filme é uma história de amizade entre duas pessoas muito diferentes: Mary Dinkle, uma menina gordinha e solitária, de oito anos, que vive nos subúrbios de Melbourne, e Max Horovitz, um homem de 44 anos, obeso e judeu que vive com Síndrome de Asperger no caos de Nova York. Alcançando 20 anos e 2 continentes, a amizade de Mary e Max sobrevive muito além dos altos e baixos da vida. Mary e Max é viagem que explora a amizade, o autismo, o alcoolismo, de onde vêm os bebês, a obesidade, a cleptomania, a diferença sexual, a confiança, diferenças religiosas e muito mais.



Resenha: Sabe aqueles filmes que você não dá nada e depois ele te surpreende? Pois é, Mary e Max é uma dessas agradáveis surpresas que o cinema nos reserva. Mary e Max é um filme é baseado em fatos reais, sobre a amizade entre uma menina Australiana de 8 anos e um Nova Yorkino de 44. Ela é gordinha, desajeitada, muito curiosa; sua mãe é uma alcoólatra depressiva e seu pai trabalha numa fábrica de pregar cordões nos saquinhos de chá.


Ele é um senhor que sofre da Síndrome de Asperger, recluso em sua casa, seus pensamentos lógicos e seu vício em cachorro quente de chocolate. Ambos são cheios de pensamentos filosóficos sobre a vida, que só diferenciam-se pela diferença etária. Quem nunca fez as perguntas de Mary quando criança? Quem nunca teve pensamentos de tangência com a teoria de Max, em algum momento da vida? Inicialmente, é possível pensar que trata-se de uma animação com histórias engraçadinha e clichê, mas o que se vê é um drama cômico envolto por diversas camadas, que se mostram aos poucos para o público e impressiona pela densidade do roteiro e pelos rumos inesperados que história toma.

Apesar de ser uma animação, o filme é destinado a adultos, ou, no mínimo a adolescentes, já que trata de temas sérios como solidão, preconceito e religião. O próprio assunto da primeira carta enviada por Mary ao desconhecido Max era “De onde vêm os bebês?”. A animação tem como principal fonte de humor a complementação imagem-narração. A graça vém da irônica controvérsia entre o que é mostrado e o que é falado.

O filme critica a falta de contato em que as pessoas vivem, mostrando os vícios e as fobias dos personagens, não só dos protagonistas como também dos coadjuvantes, como a mãe e o vizinho de Mary; a vizinha e os cidadãos que Max observa. Assuntos atuais são abordados no filme, como bullying, aceitação de si mesmo, busca pela perfeição estética, intolerância, fobias, Síndrome de Asperger e privacidade. Embora a história de uma amizade atípica por correspondência possa parecer ultrapassada, está mais presente que nunca nesses tempos em que todos estão conectados o tempo todo, mas, no fundo, continuam sendo tão solitários quanto antes.

Uma coisa que é legal no filme é que a Mary “vê” tudo em tons marrons, enquanto Max “vê” tudo em preto-e-branco. O que acontece quando as duas visões de mundo se encontram é tristonho, mas profundo e muito bonito. Se a animação se mostra muito depressiva ao menos não deixa de mostrar com isto o quanto a força de uma amizade é verdadeira e nos completa até mesmo nas distância e nas maiores adversidades. Então eu recomendo “Mary e Max”, pois ele é simples, sincero e emocionante. E para finalizar o Criticando Cinema de hoje eu deixo o trailer do filme para vocês.



Por: Anderson Ricardo
Em: 24/08/2012
Objetivo: LigadosFM

12ª Entrevista Literária - Henry Bugalho

O fotógrafo e escritor Henry Alfred Bugalho é graduado em Filosofia e Especialista em Literatura e História. Publicou até o momento quatro livros, incluindo o Best-selling “Guia Nova York para mãos de vaca”. Além de colaborar com alguns sites, é editor da revista eletrônica e independente “Samizdat”; é também um dos fundadores da Oficina Editora. Nascido em Curitiba, reside atualmente na Perugia, Itália.

O autor Henry Bugalho

Ligados: Como foi o seu início na Literatura? 

Henry Bugalho: Nem sempre desejei ser escritor, apesar de estar sempre vinculado às artes. Quando criança e adolescente, queria ser desenhista de Histórias em Quadrinhos, depois pianista. 

Tinha uns vinte anos quando comecei a pensar seriamente na escrita. Eu havia me casado, sem grana para transportar o piano para meu apartamento novo e, talvez para compensar, escrevi alguns contos e meu primeiro (e impublicável) romance. Então se tornou um vício, que nunca mais consegui largar. Descobri que eu era um escritor muito melhor do que jamais seria como pianista. 

Ligados: Quais livros não podem faltar em sua biblioteca? Existe algum autor que influencia a sua criação literária? 

Henry Bugalho: Tenho pouquíssimos livros físicos, depois de ter perdido toda a minha biblioteca (com primeiras edições e obras raras) na minha última mudança de Nova York para Buenos Aires, por isto, só leio livros digitais hoje em dia, que são milhares em meu computador. Há alguns autores e obras que leio sempre, como “Ficções” de Borges e “O Livro do Desassossego” de Fernando Pessoa, além de Kafka e Dostoievsky, que são imprescindíveis. 

Já escrevi muito sob influências sazonais. Meu primeiro romance veio na cola da leitura de “Os Buddenbrooks” de Thomas Mann, e já me inspirei em James Joyce, Kazantzakis, Borges e Pessoa. Hoje em dia, creio que já encontrei uma incipiente voz própria, que se parece pouco com o que já li por aí, apesar de ter alguns vestígios de Henry Miller e Milan Kundera. Penso que as minhas influências maiores nem são literárias, mas filosóficas. Schopenhauer, Nietzsche, Bataille e Foucault sempre pairam sobre tudo que escrevo, inevitavelmente fazem parte da minha compreensão do mundo. 

Ligados: Entre os seus quatros livros publicados, há algum mais especial, ou cada um é único de alguma forma? Aproveitando, fale um pouco sobre as obras. 

Henry Bugalho: “O Canto do Peregrino” foi editado, mas nunca publicado ou distribuído, portanto é uma obra inédita. Tenho um enorme orgulho deste meu primeiro livro, um romance histórico sobre os imigrantes europeus no Brasil. É nele que fica evidente a minha paixão pela música e pelo piano, pois são quatro gerações de uma família de músicos e que enfrentam enormes dificuldades para realizarem suas ambições. 

“O Rei dos Judeus” é também um romance histórico, desta vez abordando a figura de Jesus, da maneira mais realista possível. Foi um livro que me tomou quase 10 anos de pesquisa e que mudou muito desde a primeira linha escrita até a versão final. Tive de reescrevê-lo quase completamente, porque sempre que encontrava novas evidências históricas, eu me sentia obrigado a alterá-lo. 

“O Covil dos Inocentes” é um romance de mistério noir, escrito totalmente num blog num intervalo de alguns meses. Fazia parte de uma fase na minha produção literária na qual eu pretendia explorar vários gêneros aos quais não estava habituado a escrever, como ficção científica, terror, mistério, romântico, suspense e assim por diante. 

Por fim, “O Homem Pós-Histórico” é uma novela sobre a própria humanidade, o que nos torna o que somos, e como somos guiados por nossos instintos mais primitivos. 

Posso dizer que todos estes romances pertencem a uma fase de destruição (incluindo o inédito “Cassandra”, sobre a Guerra de Tróia), na qual eu desconstruo tudo aquilo que já acreditei ou admirei, e questiono alguns aspectos de minha própria identidade. Se eu tivesse de escolher o melhor, diria que “O Canto do Peregrino” é o que mais se aproxima à ideia original, o mais bem realizado. 

Ligados: O seu “Guia Nova York para mãos de vaca” tem sido um grande sucesso desde que foi lançado. Esta grande procura, em sua opinião, se dá ao fato de no Brasil existir pouquíssimos Guias de Viagens, ou acontece pelo fato da obra poder ser facilmente conciliada com as dicas existentes no Blog? 

Henry Bugalho: Até que existem bastantes guias de viagens no Brasil. O diferencial do “Guia Nova York para Mãos de Vaca” deve-se a duas características, na minha opinião: 1 - é um guia de viagens escrito por um brasileiro para brasileiros; quando se trata de uma tradução, perde-se muito do contexto no qual a obra foi concebida e redigida e 2 - o guia é informal; trata-se de um bate-papo com o leitor, sem aquele tom de autoridade, são apenas recomendações minhas, um sujeito simples e normal, para outras pessoas como eu. Não sou o dono do conhecimento, nem pretendo ser. 

E também sei, através dos comentários dos próprios leitores, que o sucesso tanto do livro quanto do blog é porque ele é divertido e bem escrito. Neste sentido, há uma grande vantagem em ser um escritor literário, pois sei exatamente o que quero dizer e que sensação gostaria de causar no leitor. Eu não sou um viajante que escreve, sou um escritor que viaja. Isto faz muita diferença. 

Ligados: Ainda na Literatura, você é organizador e editor da Revista eletrônica e independe Samizdat. Qual o objetivo da mesma, além de divulgar novos nomes sem se prender ao capitalismo? A concepção da revista seria possível sem os benefícios da internet nos dias atuais? 

Henry Bugalho: Na Revista SAMIZDAT, não estamos combatendo o capitalismo, pelo menos este nunca foi um dos nossos ideais. 

Tentamos contornar o bloqueio da indústria cultural aos novos talentos, àqueles que tem muito a dizer e pouco espaço de expressão. Há tantos escritores bons escrevendo contos, poemas e crônicas e que jamais serão publicados pelas editoras ou pelos grandes jornais, mas que ainda assim merecem nossa atenção. 

Simplesmente não podemos fechar os olhos ao que está ocorrendo e, pelo que percebo, esta lentidão do mercado literário, esta incapacidade de assimilar o novo e o extraordinário, de se renovar, pode ser também a causa de sua própria ruína. Nos EUA, o negócio anda feio para as grandes editoras, que estão a um passo de serem engolidas pela Amazon e pela legião de autores autopublicados. Nossa época trará grandes mudanças para o cenário literário e a SAMIZDAT, além de outras revistas e portais literários, é parte deste processo de transformação. 

Ela seria possível sem a internet, pois revistas literárias não são um fenômeno contemporâneo, mesmo assim, seria muito diferente do que é hoje. A SAMIZDAT publica autores de língua portuguesa espalhados pelos quatro cantos do mundo, e isto seria muito difícil de ser feito sem a internet. 

Ligados: Tanto o seu livro “O covil dos inocentes” quanto o “Guia Nova York para mãos de vaca” estão disponíveis em versões e-books, porém, o romance pode ser baixado gratuitamente, enquanto que o Guia é comercializado. Por que isto acontece? 

Henry Bugalho: A lógica é muito simples: eu vendo o que pode ser vendido, e distribuo gratuitamente o que não pode ser vendido. 

Partimos do pressuposto que quem viaja ao exterior pode pagar uns 20 reais para comprar um guia de viagens, faz parte de um dos gastos necessários. Não preciso convencer ninguém a comprar meu guia; os leitores vem ao meu blog, leem as dicas, empolgam-se e compram o livro, depois espalham a notícia para seus amigos. O sucesso do www.maosdevaca.com é no boca-a-boca. 

Agora convencer alguém a comprar um romance de um autor desconhecido, isto sim é trabalho duro! Primeiro, porque os brasileiros não dão tanto valor à produção literária nacional, depois, porque eles preferem comprar os livros dos autores já consagrados. Se eu quiser criar um nome e conquistar um público para meus romances, para mim o caminho mais simples e óbvio é dando-lhes gratuitamente parte deste material para que eles possam ler e fazer seu próprio julgamento. 

Como escritor de ficção, meu maior prazer é ser lido. Todavia, o que paga as minhas contas e minhas viagens são os livros de não-ficção.

Ligados: Visitando e morando em outros países, que comparação você faz em relação ao hábito da leitura no exterior e no Brasil? 

Henry Bugalho: Além do Brasil, morei em três outros países, com mercados literários muito distintos. 

Nos EUA, há uma verdadeira indústria do livro, com um público leitor imenso que compra e consome literatura. Americano valoriza a cultura e está disposto a pagar por ela. É comum encontrar nos metrôs, parques e praças muita gente com livro ou leitores digitais. No entanto, é um povo que lê primordialmente autores americanos ou de língua inglesa, com pouquíssima abertura para traduções de autores estrangeiros. Há poucas, mas gigantescas livrarias. 

Na Argentina, também há um grande público leitor, com incontáveis livrarias e sebos espalhados por toda a cidade de Buenos Aires. Os argentinos leem muita ficção e possuem uma rica tradição de escritores de renome. Por outro lado, é um país empobrecido pela crise, em evidente processo de favelização, e não percebo um grande interesse das novas gerações pela Literatura. 

Já na Itália, há um bom público de leitores, com espaço para autores locais e estrangeiros e com um cenário literário de vanguarda em ebulição. Você vê na TV programas específicos sobre leitura e literatura, com recomendações de livros e há muitas livrarias grandes. Os italianos valorizam bastante a cultura e não poderia ser diferente vindo de um país com sua riquíssima História. 

Por fim, no Brasil, é aquilo que já sabemos: um mercado forte de auto-ajuda, esoterismo e religioso, uma idolatria pelos best-sellers internacionais e vendas pífias de autores brasileiros. Uma classe média que só agora está começando a criar hábitos de leituras, mas com livros caros e poucas livrarias. Ao contrário destes três casos anteriores, o Brasil não é um país de leitores, o que afeta diretamente qualquer um com pretensões de tornar-se um escritor profissional. 

Ligados: Descentralizando um pouco o andamento da nossa entrevista, poderia nos fornecer detalhes sobre os seus diversos Blogs? 

Henry Bugalho: Escrevo vários blogs com distintas abordagens: 

Viagens para Mãos de Vaca (www.maosdevaca.com) - com dicas de viagem econômica para vários destinos do mundo, como EUA, Argentina, Chile, Brasil, Itália, Espanha, França etc. 

Cala a Boca e Clica! (www.calabocaeclica.com) - onde ensino várias técnicas para quem deseja aprender a fotografar melhor, inclusive com um curso completo de introdução à fotografia. 

Revista SAMIZDAT (www.revistasamizdat.com) - uma revista literária digital gratuita, trazendo vários autores talentosos da novíssima geração literária em português, além de traduções ou obras de autores canônicos. 

Blog do Escritor (http://blogdoescritor.oficinaeditora.com) - com recomendações e técnicas para novos escritores, além de artigos e observações sobre o mercado literário e publicação independente. 

Há alguns outros, mas sem grande repercussão.

Ligados: Está com algum projeto em andamento? 

Henry Bugalho: Sempre, e vários! 

Estou trabalhando em três romances diferentes, um baseado na minha experiência residindo em Nova York e outro em Buenos Aires, além de um terceiro, experimental, reunindo vários gêneros literários numa mesma obra. 

Além disto, estou trabalhando em guias para mãos de vaca para outros destinos do mundo e preparando a terceira edição do guia de Nova York. 

Ligados: Que dica você deixa aos novos escritores? 

Henry Bugalho: Se ainda houver tempo, desista! 

No entanto, se escrever é o que você ama e não consegue se imaginar fazendo outra coisa, prepare-se, porque você será ignorado, rejeitado e criticado até cansar. 

No mundo da Literatura, não são os melhores que vencem, são aqueles que conseguem suportar as porradas e as rasteiras, os cascas-grossas que aguentam os trancos e barrancos da carreira. São estes que sobrevivem no final. Os muito delicados e sensíveis tombam no meio do caminho. 

Há um mito que os artistas são sentimentais, mas isto é conversa fiada; para ser um artista é preciso trajar suas armas e armaduras e preparar-se para uma guerra sem fim. 

Perguntas rápidas:
Autor(a): Fernando Pessoa;
Ator(Atriz): Harrison Ford;
Site: Wikipedia; 
Banda: The Beatles;
Música: Sonata nº 8 em dó menor, op. 13 “Patética”, de Beethoven;
Filme: “Ladrões de Bicicleta”, de Vittorio de Sica.

Links dos seus produtos nas lojas online:
Guia Nova York para mãos de vaca: Aqui;
Cala a boca e clica: Aqui;
Oficina Editora (Catálogo): Aqui.

Ligados: Considerações Finais. 

Henry Bugalho: Ainda não sei se aplaudo ou devo temer o futuro. Muito está mudando e muito ainda irá se transformar. 

Esta é a hora na qual os visionários se destacarão do rebanho e criarão seus próprios caminhos. É um tempo de incertezas, uma época de revolução. 

Antes, eu desejava ter nascido na Grécia Antiga, durante o Renascimento ou na década de 20, para ver as grandes transformações artísticas e culturais da humanidade, mas hoje tenho orgulho dos nossos tempos, e talvez os escritores que ainda virão nos olharão com inveja por termos podido presenciar todo o rebuliço que a era digital causou. 

Nada será igual, e aqueles que se encolherem diante do desconhecido ficarão para trás ou serão devorados. 

Este é o momento do mergulho no desconhecido.


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 24/08/2012 - Objetivo: www.ligadosfm.com

21 de ago de 2012

37º Mundo Cão - Gosto se discute, sim!


Quem disse que não? Esta talvez seja uma das maiores balelas já ditas. Gosto, preferências e “pontos de vista” têm tudo a ver com educação, com percepção, com discernimento, comportamento e com a influência do meio. As pessoas querem discutir educação, o meio, falar da vida das pessoas, mas, dizem que gosto não se discute. E o interessante é que até de novela falam, julgam, criam clichês...

Recomendo não discutir com quem leva a sério este conselho. Gosto tem que ser discutido, sim. Como não? Como gostar mais de bunda do que de música e isto parecer tão normal? E por que a televisão aos livros ou, melhor, ‘para quê se preocupar com os estudos quando se tem um pai que dá tudo o que se quer’? Esta ultima paráfrase faz parte de uma das muitas ideias vendidas por uma dessas bandas de “forró risca-faca” que tomam conta dos porta-malas automotivos dos dias de hoje, sobretudo, no Nordeste (brasileiro).

De fato, gosto não se discute quando valores não são postos em jogo. Todavia, se pararmos para pensar melhor, gosto está mais para uma estratégia de inclusão no meio, traçada pelo próprio indivíduo, do que sentimento verdadeiro a uma coisa (estilo musical, hobbies, etc.). Não é possível que temas que tratam de sexo e de vagabundagem, de atitudes sem sentido, de pouca moral ou que demonstram baixo valor cultural, associados à danças rítmicas pitorescas, façam tanto sucesso...

Como pode o “Enfica” fazer tanto ou mais sucesso do que verdadeiras obras concebidas por cantores quase líricos da nossa MPB? Quando as pessoas justificam que isto faz parte do gosto das pessoas, esquecem-se de também levar em conta que o público do “Enfica” tem menos anos de escola do que aqueles que buscam o inverso disto – que se importam mais com o poema ali escrito do que com aquele ritmo dançante restrito a dois acordes e nenhuma escala. Os morros cariocas foram, durante muito tempo, as arenas do Furacão 2000, assim como as periferias do Recife são a casa de espetáculo do Mc Metal e Cego.

A ascensão da “Bunda Music” ou da “MPBóca” dos anos de 1990 foi um problema de utilidade pública, sim, a começar pelo falho sistema educacional brasileiro e por esta legislação pífia que permite que homens e mulheres encorpados dancem quase nus na frente das câmeras dos maiores veículos de TV e informação do país e que isto seja transmitido justo nos horários os quais mais o são propícios à audiência dos nossos cidadãos de 10 anos ou menos de idade. A Banheira do Gugú... Melhor, o Domingo Legal, do SBT, programa que revelou pérolas como “É o tchan” e “dança da motinha”, passava às 15hs e não às 3hs da manhã.

Dá para entender a preocupante ruptura de valores que se dá neste fato? Ou será preciso assistir ao Profissão Repórter da Rede Globo para constatar a realidade na casa do Mr. Catra e suas filhas fazendo as mesmas danças, sexuais, por sinal, que as “periguetes” fazem nos bailes Funks da vida? Elas não têm mais do que 13, 15 anos de idade e isto não somente cai como normal nos dias de hoje como o é bonito...

Sabe, não nos posicionamos contra o Funk, o Forró, a Swingueira, Arrocha ou Axé. Em todos os estilos musicais, existem coisas nada apropriadas para menores. Somos contra, sim, à exploração da falta de educação do brasileiro mazelado para ascender algo nada apropriado à educação sadia e à cultura de qualidade. Música é educação, cultura também faz parte da formação do indivíduo e não à toa que nós, com lá nossos 20 e poucos, 30 e poucos anos de idade, estudamos educação artista durante a vida toda no ensino básico.

Gosto não somente se discute como o é de interesse público. A educação e a cidadania, a visão de mundo e o modo como interpretamos os fatos passam por aqui.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 21/08/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 36º Mundo Cão - Ensaio Sobre Responsabilidade

20 de ago de 2012

7ª História Mal Contada: Conversas Arborizadas


             Saudações, queridos e queridas amantes da história e de estórias. Como vocês estão andando? Eu tenho andado muito e muito rápido. Minhas pernas estão muito cansadas, desde que saí correndo desesperadamente para fugir dos tiros que vinham das linhas inimigas e não cair em minas ou arames farpados. Caminhei na direção do mapa que me foi dado por durante um dia. Estava completamente exausto. Para descansar, quando o opúsculo escorria pela abóboda celeste, encontrei uma gigante árvore. Achei que eram os sinais já das florestas que se aproximavam. Comi alguns de seus frutos e nela me escorei, como minha pequena mochila de campanha, com os poucos bens militares que me restavam da trincheira e adoeci. Então queridos amigos, quando acordei tive uma surpresa, por isso agora, vocês devem sentar e ouvir o que eu tenho a dizer.
            -"Já não acha que está na hora de acordar?" - Essa frase vinha no meu ouvido, e me acordava do meu profundo sono.
            -"Hã!? Quem é?" - Eu olhava para os lados procurando quem falava isso para mim.
            "Aqui atrás de você!"- foi a resposta. Me levantei dei a volta em toda a árvore e disse:
            -"Bem.. não tem ninguém atrás de mim... onde você está?"
            -"Na sua frente, onde você estava dormindo... Sou eu!"- Olhei espantando, era a árvore que estava se comunicando comigo. Desde aquela lagosta na praia, eu não tinha visto mais esses tipos de seres falantes. Cada vez mais me sentia uma espécie do romance do Exupéry.
            -"Você dormiu em mim e comeu dos meus frutos. Isso significa que de alguma forma ou outra, estamos unificados a partir desse momento." - Falava a grande árvore.
            -"Como assim?" - Estava ainda meio tonto devido o despertar repentino.
            -"Oras, é algo bem simples. Nesse mundo, ninguém está sozinho. Estamos todos conectados como se a realidade fosse um rede. É  como uma espécie de nó que enlaçam essa rede da realidade fazendo dela uma só, criando o que todos vivem a primeira pessoa do plural: nós. O desatar do nó é a morte. A guerra que fazem vocês humanos, fazem com que os homens se tornem cegos e passem a desatar todos nós da realidade. É preciso que você como soldado não entenda o inimigo para matá-lo. Afinal, você algum momento, pensou que do outro lado da trincheira existiam seres humanos, que sentiam medo, que queriam voltar para casa, que tinha esposas filhos, e estavam na mesma condição que você, lutando para ganhar dinheiro?
            -"Eu pensava isso... mas somente quando não estava lutando, quando passava a lutar, eu só pensava... melhor, eu não pensava... eu não pensava... me nada... era como fosse uma espécie de transe... eu matava e não tinha consciência disso..."
            -"É e ainda existem pessoas como vocês que dizem que seria muito tédio viver como uma árvore como eu. Veja só, quantas árvores eu destruí em toda minha vida? Nenhuma."
            -"É o homem é ruim..." já estava concluindo, ganhando alguns centímetros a mais da minha corcunda pessimista, quando a árvore me interrompeu."
            -"Não fale bobagens; o homem não é ruim. É apenas ignorante, isso é um estágio de vida que pode ser mudado com muita facilidade. E mais, o homem tem capacidade do ato mais belo que nenhuma natureza animal e vegetal é capaz de reproduzir, sabe qual é?"
            -"Não faço ideia..."
            -"O da piedade. Somente o homem é capaz de errar, mas também somente ele é capaz de perdoar. Eu não sou capaz de perdoar nada, mas você é. E primeiramente pare de se condenar pelo seu passado rapaz. Erga-se, perdoar o outro também exige que saibamos perdoar a si mesmo em primeiro momento."
            -"Obrigado pelo ensinamento...." tentei terminar a frase mas a árvore não deixou:
            "Vá! É somente isso que eu tenho dentro de minha arbórea experiência de vida. Agora podemos dizer que somos um, não só porque você só comeu meus frutos e dormiu em mim,mas agora, você carrega em ti um pedaço do meu ensinamento no fundo da sua alma e você terá eternamente em minha memória a sua imagem. Você está em mim e eu em ti. Agora, siga seu destino, você tem uma mensagem do seu amigo para dá e árvores... bem... nem todas elas falam mais..."
            A face da árvore foi sumindo levemente por dentro do tronco e eu assistia como o ensinamento vibrava em meu interior, agora o meu coração batia na frequência da sonoridade das ultimas palavras da árvore. Olhei para o sul, meu destino estava longe, meu caminho era longo, mas agora iria ser mais curto, porque não seguiria sozinho, uma árvore amiga iria comigo.

Autor: Douglas Cavalheiro
Criação: 27/06/2012
objetivo: www.ligadosfm.com

19 de ago de 2012

23º Ensaio Cultural - Transcendendo os contextos e ideologias

Não raras vezes, quando converso tanto com leigos como com intelectuais, percebo uma tendência à leitura de tudo a partir do seu contexto histórico e social - seja arte ou ciência humana. Nesse tipo de leitura, (frequentemente associada ao marxismo ou à análise dos discursos foulcaultiana) que não dá conta do potencial infinito e da essência de qualquer objeto escrito, frequentemente nos é passada a impressão que estamos diante de algo ultrapassado, como se houvesse uma evolução técnica absoluta na arte e nas ciências humanas, que descarta completamente o que foi produzido no passado, ou lê-se com um olhar acusador: "veja como eles eram estúpidos", "veja como essa esse trabalho de arte contém determinada ideologia".

Eu concordo que devamos, sim, conhecer o contexto de uma produção para melhor compreendê-la, seja ela de qualquer natureza. Não podemos, porém, nos limitarmos a isso, ou perderemos todo o potencial de leitura de um riquíssimo trabalho. Beowulf foi um poema que por muito tempo foi muito mal explorado pela crítica, devido a um uso excessivo da obra como leitura da história anglo-saxônica e dos seus valores, excluindo os elementos fantásticos que em muito são importantes para a trama. O famoso linguista, escritor e crítico Tolkien, em resposta a esses, fez a sua palestra Beowulf: the monster and its critics, argumentando a favor dos aspectos literários da obra, tão rejeitados pelos críticos do tempo do escritor de O Senhor dos Anéis.

Em Por que ler os clássicos, Italo Calvino também nos atém aos aspectos universais e atemporais, estes muito mais relevantes para quem busca ler uma obra literária e dela aproveitar ao máximo, não se limitando a questões superficiais que afastam as pessoas das leituras em vez de convidá-las, matando textos e propagando ignorância. Eu vou além do que diz Calvino sobre A Odisseia ser a história de todas as viagens e chamo a atenção para a inspiração que a obra trouxe para toda a cultura ocidental, levando à produção de diversas outras versões?

Como não faço restrição à leitura literária ao histórico, não limito meu argumento aos épicos citados nos parágrafos acima. Em poucas palavras, resumirei como isso se aplica a outros livros: por mais que escrito por um marxista, Of Mice and Men não é sobre marxismo ou luta de classes, assim como não o é Vidas Secas; Monteiro Lobato pode ter alguns elementos racistas (estes que levaram a uma polêmica grande recentemente), mas não é por causa de um sentimento politicamente correto que devemos deixar de ler os livros do Sítio do Picapau Amarelo, grande monumento da literatura infantil nacional, ou reduzi-la a um estudo das forças sociais quando há tantos elementos maravilhosos que permanecem apesar das transformações históricas; Robinson Crusoe serve como ponto de partida para um estudo sobre colonialismo, desenvolvimento do capitalismo e outras coisas relacionadas ao seu contexto histórico, porém não deixa de ser uma história sobre aventuras, relações humanas, isolamento e tantas outras coisas que se deixadas para trás por um crítico assassinam o texto, mesmo que haja uma análise brilhante sobre o discurso da obra.

Pode-se dizer que caímos no risco de termos uma leitura ingênua ao não estudar o contexto histórico de uma produção literária e ficarmos com uma análise que não aborde nada de histórico. Com isso eu concordo parcialmente: ao entendermos onde se desenvolveu o que lemos, temos um ponto de partida absolutamente necessário para um conhecimento mais profundo sobre como a arte transforma a sociedade e vice-versa. Por outro lado, se não estudamos o texto em si, sem demasiadas interferências externas, falamos demais sobre tudo, menos sobre o próprio objeto de estudo. Por consequência, este se torna apenas uma ferramenta para provar uma tese pronta, que nada ou pouco acrescenta aos leitores.

Se abrem a boca, então, para falar que "isso é apenas algo daquela época", eu respondo com a mesma moeda: esse discurso de que isso é coisa daquela época é, na verdade, uma tendência da sua própria época, e que portanto não pode ser aceito por algo que em outra foi produzido. Isso invalidaria qualquer possibilidade de juízo sobre qualquer coisa e é a conclusão óbvia que se chega ao seguir as mesmas premissas dos estudos que simplificam tudo como mero produto histórico, temporal ou ideológico (mas nunca fazem isso com seus próprios discursos).

Autor: André Marinho
Criação: 19/08/2012
Objetivo: www.ligadosfm.com

17 de ago de 2012

Papo de Gago #8: Papo de Cinema: The Dark Knight Rises


Olá pessoal, o Papo de Gago de hoje vai ser sobre The Dark Knight Rises, então junte-se a Anderson e Robson Reis e entrem no mundo criado por Christopher Nolan.

Nesse podcast: Conheça o monstro da expectativa, entenda como realmente o Robin deve ser e ajude o Robson a ser um blogueiro famoso.

ATENÇÃO: SPOILERS DO FILME VIU!!!

Link's relacionados ao programa:


Link's comentados nos e-mails:



Deixe o seu comentário no post ou mande os seus xingamentos, elogios ou sugestões para: papodegago@yahoo.com.br



Ouça podcast no player acima ou baixe o mp3 clicando aqui



Por: Anderson Ricardo
Em: 17/08/2012
Objetivo: LigadosFM

14 de ago de 2012

36º Mundo Cão - Ensaio Sobre Responsabilidade

Estabeleça prioridades. Uma vida sem norte, objetivos e metas não tem o mínimo sentido e isto é possível de ver no dia-a-dia de pessoas comuns às nossas rotinas, pessoas que encontramos casualmente nos corredores dos shoppings centers e que respondem sempre a mesma coisa logo que perguntamos como elas estão.

As pessoas sem prioridades não refletem sobre a vida e sobre o que querem para si; elas vivem um dia de cada vez, sem levar em conta os dias que virão pela frente, que um dia terão responsabilidades sobre si mesmas, que responderão pelos próprios atos e pagarão na mesma moeda os erros cometidos no passado. Falo aqui de pessoas sem compromisso com seu próximo, com seus sócios, seus grupos; tratam-se de cidadãos sem cortejo à cultura do contrato.

É isto o que queres para a sua vida ou são essas as pessoas que queres como sua companhia? Não é tarde para falar de Vigotsky e sua afirmação de que "o meio transforma o indivíduo"! O fato é que, de verdade, nossas companhias interferem diretamente no nosso comportamento, nas nossas escolhas, preferências e, sobretudo, no modo como encaramos a vida.

Cuidado! Temos o direito ao sono, à despertar tarde da manhã alguns dias por semana (por isto, o final de semana), ao merecido passeio das tardes de sábado ou à praia nas manhãs de domingo. Porém, responsabilidade e vida não se limitam à sombra e água fresca.

Para falar a verdade, a responsabilidade deve vir antes de uma rede armada na varanda! A primeira coisa que devemos nos ater é à importância de se acordar cedo durante a semana, pelo menos entre as segundas e sextas-feiras. Para isto, contudo, devemos tomar cuidado com o horário o qual nos deitamos, a nossa dieta noturna e quantas horas por noite de sono dormimos.

Cada hora que desperdiçamos dormindo a mais durante o dia é uma fração de tempo que se transforma em perda irreversível. Aliás, uma noite mal dormida de sono é paga com baixo rendimento no trabalho no dia seguinte, indisposição, imprecisão e desatenção, ou seja, exatamente a receita para que tudo continue a dar errado.

Mas, vem cá! Por que então há pessoas despreocupadas com isto, que aproveitam como querem a noite na balada e trabalham do mesmo jeito que nós no dia seguinte? É bom tomar cuidado e ser um pouco mais observador quanto a isto. Geralmente, as pessoas com este tipo de comportamento contribuem com a alta rotatividade nos postos de trabalho das empresas, exercem funções de baixo valor agregado e especializam-se menos, adotando um perfil reativo quanto ao seu crescimento profissional (e, consequentemente, pessoal).

Há pessoas que trabalham muito, especializam-se muito e dormem pouco, todavia, é bom ter atenção quanto ao emprego do seu sono! Elas deixam de dormir para atender às demandas do seu trabalho e de suas obrigações, ou seja, das suas demandas por crescimento e realização. Ou seja, elas "pegaram o ritmo da coisa", como dizem por aí, e mantiveram o seu foco no sucesso de suas atividades, muito diferentemente da ocasião de largarem tudo e irem para a balada.

Todo esforço é dolorido e não existe sucesso sem sacrifício e dedicação. Não falo aqui das idas ao Domingão do Faustão ou das possíveis tardes de autógrafos na praça do centro da cidade. Falo, sim, da independência, seja ela financeira ou moral (uma, consequência da outra), da capacidade de auto sustentar-se e de poder angariar qualquer que seja a aquisição de valor. Pode ser um carro novo, uma casa ou um pacote de viagens. O que interessa é que todo esforço rumo ao sucesso o é canalizado para a nossa realização pessoal (o mais importante disto tudo)!

Tornar-se uma referência no ramo que decidiu trabalhar, adquirir a confiança e o crédito das pessoas, da família ao superior imediato no trabalho, ser convidado para integrar-se a um grupo, compartilhar experiências ou vender sua força em prol do bem de algo ou de alguém são, sim, objetivos. As metas são números e datas e as formas são os caminhos que se deve percorrer.

Simples! "Diga-me quando, quanto queres e lhes direi como fazer"! Estes dias, estava lendo um livro que fala sobre Tipping Point (Ponto da Virada, bem diferente do vendido Turning Point ou Ponto da Reviravolta) e o modo como ele acontece na vida das pessoas, de grupos, empresas, governos, bandas de Rock, etc. O que ele (o livro) deixa mais claro quanto ao Tipping Point é que se trata de um objetivo lacunal, na verdade, um desejo de realização o qual necessita de metas para ser consumado, ao mesmo tempo em que exige a presença de vários eventos precedentes, interseptos, os quais colaboram diretamente com a sua realização.

O mais interessante é que o Tipping Point necessita inclusivamente da ação do seu maior interessado e que este tem que contar com a colaboração de agentes externos com capacidade de agir e influenciar. Colocando esta ideia no pensamento comum a respeito de pessoas, temos um objetivo que exige metas para tornar-se objetivo; e para que ele se torne verdade, necessitamos da compreensão daqueles que nos rodeiam, até de uma mão amiga, caso o for, e de um comportamento nada interventivo que venha a ocasionar em um resultado negativo.

Em outras palavras, lembra daquela conversa toda que os nossos pais tinham com a gente quando não concordavam com a companhia de um amiguinho da vizinhança ou da escola, do namorado ou da namorada nada adequados ao nosso perfil e dos programas de TV que assistíamos? Pois é, eles tinham razão!

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 14/08/2012
Objetivo: www.LigadosFM.com

12 de ago de 2012

28ª Resenha Crítica - Por que ler os clássicos

Antes de qualquer coisa conheça o nosso novo espaço: http://demonstre.com/




É inegável que com o desenvolvimento das novas tecnologias de imprensa, a quantidade de livros publicados e escritos está cada dia maior e o mercado cada vez mais tem exigido que sejam escritas coisas novas. Nesse cenário, qual é o espaço que têm os clássicos nas estantes das livrarias? O que é um clássico? Por que eles merecem ser lidos? Todas essas perguntas são respondidas por Italo Calvino no seu livro Por que ler os clássicos.

No primeiro capítulo, busca-se a definição de "clássico" para o qual Italo Calvino dá quatorze sugestões, entre as quais  "os clássicos são aqueles livros dos quais, em geral, se ouve dizer: 'estou relendo...' e nunca 'estou lendo...'" e "um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer". Nessa introdução, Italo Calvino chama a atenção para tanto a universalidade dos clássicos como para a sua parte mais restritiva.

Os capítulos seguintes são ensaios literários bastante elucidantes, nos quais Calvino apresenta alguns dos seus clássicos favoritos e explica como eles adquirem um significado universal. O primeiro clássico defendido por Calvino é a Odisseia de Homero, um dos primeiros grandes épicos escritos do Ocidente, mostrado por Calvino como uma Odisseia cheia de diversas outras odisseias, ou, nas palavras do próprio escritor, "o mito de todas as viagens". Assim sendo, além de ser tudo aquilo que já sabemos - exaltação das virtudes pagãs, identidade de povo, etc. - a Odisseia possui significados que mesmo ao leitor contemporâneo não são estranhas: a perda da memória, a persistência nos objetivos, a queda de um herói (posteriormente incorporada ao gênero da tragédia), entre vários outros.

Seguindo esse mesmo padrão, o livro fala de diversos outros clássicos, como Robinson Crusoe, Candide, Doutor Jivago, As Metamorfoses, Our Mutual Friend, além de autores como Jorge Luis Borges e Joseph Conrad.

O livro é de uma escrita simples e reflexiva, recheada de perguntas direcionadas ao leitor, objetivando o seu pensamento sobre as razões apresentadas. "É, ele próprio, um clássico segundo sua própria definição, que merece ser lido e relido sem jamais esgotar o seu potencial. A todos aqueles que valorizam e amam a literatura e querem conhecê-la para dela tirar o melhor, Por que ler os clássicos é leitura obrigatória. 

Ref.: CALVINO, Italo. Por que ler os clássicos. Companhia das Letras. A venda por R$ 37,90 no Submarino.

Autor: André Marinho
Criação: 12/08/2012
Objetivo: www.ligadosfm.com

10 de ago de 2012

12ª Criticando Cinema: O amor e os seus vários pontos de vista.

Olá pessoal o Criticando Cinema de hoje vai falar do filme “Um Beijo Roubado” (My Blueberry Nights) dirigido por Wong Kar-Wai e estrelado por Jude Law, Norah Jones, Rachel Weisz e Natalie Portman.

Sinopse: Jeremy administra um pequeno café e restaurante. Muito irritada, Elizabeth descobre que seu namorado comeu lá com outra mulher. Zangada com a traição dele, ela rompe o namoro e deixa suas chaves com Jeremy, caso seu ex-namorado as queira de volta. Elizabeth retorna ao café várias vezes e ela e Jeremy começam a se sentir bem atraídos um pelo outro.

Enredo: O filme conta a história de Elizabeth, uma jovem que após ter seu coração partido encontra amizade e acolhimento em suas conversas com Jeremy dono de um bar. Sem dizer adeus ela parte em uma viagem pelo país e tenta consertar seu coração, em seu caminho atravessam diversas pessoas, envolvidas nos mais variados tipos de relacionamento que mostram a nós como o amor pode ser indefinível e único a cada pessoa.

Resenha: Um Beijo Roubado em sua primeira metade, fala basicamente de desilusões amorosas e dos caminhos que as pessoas passam a trilhar após separações e perdas. Como fala no enredo a personagem Elizabeth que após ter seu coração partido encontra amizade e acolhimento em suas conversas com Jeremy dono de um bar o que é legal ver a amizade entre esses dois personagens crescer durante o filme, mesmo nos momentos em que ela está longe.

Longe do pieguismo dos romances tradicionais "Um Beijo Roubado" nos traz um coquetel de enredos distintos que acabam sendo iguais no fim das contas, o amor está presente em todas as cenas, mas de maneira tão sutil que chega a ser imperceptível aos mais desatentos. E a fotografia não sei por que me lembra algo doce, e a trilha sonora também ajuda no clima do filme, vale lembrar a excelentes atuações de Jude Law e Norah Jones principalmente na Norah Jones e nas personagens da Rachel Weisz e Natalie Portman. No fim o filme acaba sendo uma reunião de pequenas histórias de amor vividas pelos personagens principais, e cada um com seu ponto de vista.

Um Beijo Roubado é um dos melhores filme de Wong Kar Wai depois de “Amor à Flor da Pele” então, não se engane pelo título em português. Até porque ele não é um filme inesquecível, ele é muito mais e muito menos que um simples beijo roubado: no fundo, o beijo é o menor dos detalhes no decorrer da trama. Não compreendeu? Só assistindo a este delicioso filme para entender. O Criticando Cinema vai ficando por aqui e pra finalizar eu deixo um pensamento da personagem Elizabeth e o trailer do filme.

"Quando partimos dessa vida o que sobram são as memórias criadas nas vidas das pessoas que conhecemos."

- Elizabeth

 

Por: Anderson Ricardo
Em: 10/08/2012
Objetivo: LigadosFM

11ª Entrevista Literária - Lycia Barros

É a primeira vez que uma escritora cede uma entrevista ao Ligados, e para iniciarmos com chave de ouro, convidamos nada mais nada menos que a Lycia Barros. Formada em Letras pela UFRJ, a autora já lançou cinco livros em dois anos de escrita. Com tanta inspiração, criou o canal no Youtube "Papo Literário", onde dá dicas de literatura e entrevista autores nacionais. Além de Palestrante, Lycia também ministra cursos voltados para novos escritores. 

Livros da autora: “A bandeja”; “Entre a mente e o coração”; “Uma herança de amor”; “Tortura cor-de-rosa” e “A garota do outro lado da rua”.

A autora Lycia Barros

Ligados: Quando e como surgiu o interesse em se tornar escritora? 

Lycia Barros: Foi algo espontâneo. Comecei a escrever uma historinha para mim e, em seguida, compartilhei com minhas irmãs que gostaram e me incentivaram a continuar. 

Ligados: Quais autores te influenciam? 

Lycia Barros: Richard Matteson, Nora Roberts, Francine Rivers... e mais alguns que não estou lembrando agora. Em geral, autores de romance. 

Ligados: Você publicou, até o momento, cinco livros. Poderia nos fornecer detalhes sobre as obras? 

Lycia Barros: Os livros “A bandeja”, “Entre a mente e o coração” e “Uma herança de amor” são romances voltados para o público jovem/adulto. Já os livros “Tortura cor-de-rosa” e “A Garota do outro lado da rua” são livros voltados para o público juvenil, e que geralmente são mais finos por serem trabalhados em escolas no ensino fundamental. 

Ligados: Em geral, que mensagem você deseja passar nas estórias dos seus Romances? 

Lycia Barros: Acredito que o escritor, como figura pública, tem uma responsabilidade social de edificar o seu leitor de alguma forma, ao mesmo tempo que entretenha-o. Procuro trabalhar conceitos emocionais, os quais acredito que podem mudar a nossa vida para melhor. 

Ligados: Como tem sido o retorno do público em relação às suas obras? 

Lycia Barros: Excelente. Em sua grande e devastadora maioria não tenho do que me queixar. Achei o meu público e eles me acharam. Nada poderia ser melhor.

Ligados: Qual a sensação de ter sido apresentadora âncora na primeira edição do CODEX DE OURO? 

Lycia Barros: Foi uma grande honra para mim, embora também uma grande responsabilidade. Acredito muito na filosofia do prêmio e nas pessoas que estão por trás dele. Foi uma honra inaugurá-lo. 

Ligados: Atualmente estão surgindo diversos escritores no cenário literário nacional, e o que tenho percebido é que a maioria está mais interessada em publicar do que pela qualidade dos seus textos em si. Como você analisa esses aspectos? 

Lycia Barros: Há muito trabalho duro por trás de um livro. Aqueles que querem escrever somente para se promover fatalmente serão esquecidos antes de andar duas léguas. O escritor precisa se preparar e ter uma consultoria por trás para não naufragar antes mesmo de começar. 

Ligados: Para fins de divulgação, a internet tem te ajudado a atingir novos leitores, ou você acredita que ela torna-se mero objeto de entretenimento para os jovens? 

Lycia Barros: A internet foi, e continua sendo, fundamental para divulgação das minhas obras. Até isso o autor precisa estudar para saber como encontrar o seu leitor na web. Estou caminhando, ainda há muita coisa a ser explorada por mim. 

Ligados: Muitos acreditam que os famosos e-books irão substituir, pouco a pouco, os livros impressos. Você concorda com isso? 

Lycia Barros: Não. Pelo menos, não a curto prazo. O livro impresso ainda tem o seu charme, além da facilidade do manuseio. Acho que ainda estamos há muitas gerações de ele ser substituído, se é que irá mesmo acontecer. 

Ligados: Poderia nos falar um pouco a respeito dos Vlogs? Como surgiu essa idéia de criar um? 

Lycia Barros: Foi pura vontade de ajudar. Passei muitas dificuldades no começo de minha carreira por falta de conhecimento. Por isso, depois que aprendi algumas coisas, resolvi compartilhar minha trajetória. Afinal, o autor é um ser meio solitário, e essa foi uma forma de fazer novos amigos no ramo também. 

Ligados: Você, além de escrever bastante, possui o “Papo Literário” (Canal no Youtube), dá palestras e ainda ministra cursos de escrita. Como gerencia o seu tempo com família, trabalho e vida social? 

Lycia Barros: Só Deus sabe (Risos)... procuro conciliar meu trabalho com a vida pessoal sempre priorizando a família. Graças a Deus tenho o apoio de todos em casa, mesmo assim, todas as minhas viagens são com consentimento e apoio do meu marido. E isso é muito importante para mim. Atualmente, ministro muitos cursos online, o que resolveu em boa parte a questão do meu deslocamento constante. Bendita internet!

Ligados: Possui projetos em pauta? 

Lycia Barros: Sim, mas não posso falar deles agora. Até o final do ano todos irão saber, mas é algo que estou fazendo em parceria com o idealizador do CODEX DE OURO e que vai ajudar muito a literatura nacional. Fora isso, lançarei mais um livro antes do natal e darei cursos em vários estados neste semestre. 

Ligados: Que dica você daria àqueles que desejam se engajar na Literatura? 

Lycia Barros: Estude, crie rotina de escrita, e persista. Não é uma profissão fácil nem no Brasil, nem no mundo, mas para mim, é a mais recompensadora em um sentido global. 

Perguntas rápidas:
Autor(a): Francine Revers;
Ator(Atriz): Henry Cavill;
Site: www.hugobreves.com.br;
Banda: Metronomy;
Música: The bay;
Filme: Tristão e Isolda.

Links na internet:
Site: www.lyciabarros.com.br;
Facebook: facebook.com/lyciabarros;
Twitter: @lyciabarros;
E-mail: lyciabarros@gmail.com;
You-Tube: youtube.com/lyciabarros;
Outros: Você pode encontrar todos os livros da autora nos sites do Submarino, Saraiva, Livraria Cultura, ou pode comprar um exemplar autografado direto na lojinha do site da autora em http://www.lyciabarros.com.br/blog/?p=247.

Ligados: Deseja encerrar com mais algum comentário? 

Lycia Barros: Fico feliz de ver que há um grande movimento na web em prol de autores nacionais, e aplaudo de pé esse tipo de iniciativa. Muito obrigada pela oportunidade.


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 10/08/2012 - Objetivo: www.ligadosfm.com

7 de ago de 2012

35º Mundo Cão - A Falsa Convicção Sobre Ensino Público e Ensino de Qualidade


Insisto em dizer que mais do que 50% dos problemas de uma organização ou de uma instituição, no que dizem respeito ao seu funcionamento, está direta diretamente ligado à esfera executiva. Quem executa tarefas finais tem também suas responsabilidades e sua parcela de culpa no cumprimento do do seu papel, quanto organização. A execução é o problema e não planejamento, necessariamente.

Planejamento é a equação do problema, ainda que, por hora, tudo saia bem diferentemente do planejado, bem diferente do “2 + 2 = 4” como pregam as ciências exatas. Nem tudo termina por sair conforme o planejado ou nem todas as etapas do planejamento o são seguidas ou obedecidas como devem. Por hora, nem tudo o é executado.

É o que acontece na educação. Não é incomum encontrar pessoas que concluíram o ensino básico em uma escola pública e que sejam donas de um perfil pouco condizente com o seu grau de instrução. Ela não capitou suficientemente a mensagem repassada pelos professores nas horas de sala de aula, lá na escola pública onde ela mesma estudou, ou algum revestrés aconteceu no meio do caminho... Pode até parecer que ela própria, inerentemente, o seja incapaz de absorver discursos mais complexos, teses científicas ou colocações as quais orientam um cidadão a compreender e interpretar o mundo à sua volta.

Mas, é falar demais julgar a capacidade de conexão entre os neurônios de um indivíduo...

Vem cá! Alguém parou para pensar que o problema não necessariamente pode estar nesta extremidade da corda, ou seja, no público final (a capacidade de aprendizado do alunado)? Ou mesmo, na ponta da pirâmide administrativa da gestão pública de ensino, tal qual muitos acusam? Quero dizer, será que os professores estão filtrando como devem o produto final do seu trabalho? Sim, pois esse produto final de que falamos aqui chama-se aluno... Mais tarde, um cidadão brasileiro, que terá seu emprego, pagará impostos e elegerá seus líderes talvez não tenha o discernimento adequado para avaliar a conduta de seus governantes (a ponta da pirâmide de que falei há pouco...).

Tive a oportunidade de verificar o modo como os alunos da rede pública de ensino (estadual, aqui no Rio Grande do Norte) são avaliados por parte de alguns professores e, infelizmente, tristeza não é a palavra menos adequada. A começar com a tática adotada pela direção de algumas escolas, de burlar um sistema que visa o utilitarismo, porém, a eficiência do sistema educacional, quanto maior o nível de evasão de alunos em uma determinada unidade de ensino e ou menor a quantidade de matrículas realizadas, maior será a probabilidade de aquela mesma unidade ter suas portas fechadas e o seu funcionamento cessado. Isso mesmo! E, como consequência, seus colaboradores (professores e funcionários) serem remanejados para outra unidade escolar.

Existem interesses peculiares entre esses colaboradores de manter suas unidades em funcionamento e o modo mais eficaz de se conseguir tal é aumentando o número de matrículas ao passo que diminuindo a quantidade de alunos evadidos. Até que se verifique a distribuição de notas e frequências nas cadernetas de modo a viabilizar a aprovação do alunado e de dar motivação para que ele continue os seus estudos e mantenha-se matriculado (muito provavelmente naquela mesma escola onde já estudava desde antes), isto tudo, a fim de manter as metas da educação no que conferem ao crescimento em “n” pontos percentuais no número de alunos alfabetizados, aprovados nas séries do ensino básico e que concluíram todo o ciclo de sua educação primária e secundária, que vai até o terceiro ano do Ensino Médio, essa realidade, que parece mais um conto de fadas que se transformou em verdade absoluta, não passa de uma peneira que se serve de sombrinha para um sol escaldante do meio dia.

Aumentamos, sim, os nossos alfabetizados e compatriotas com o Ensino Médio completo, mas, será que eles têm o mínimo discernimento aceitável para entender que consequência é produto de causa? Dói ver um cidadão com nota “7,0” ou “8,0” no seu boletim de Física, quando o mesmo sequer sabe que Peso = Massa X Aceleração da Gravidade (P = m.a)... Isto, sem falar nos demais que prestam vestibular com o mínimo conhecimento sobre Química Orgânica, Física Quântica, Geometria Analítica e de conjugações verbais no Pretérito Perfeito. Será que esse esforço todo de manter uma unidade escolar aberta e funcionando, ainda que ineficientemente, atende necessariamente o interesse coletivo de levar educação pública e de qualidade para a sociedade?

Sabe, isto não se trata de falta de qualificação ou de boa vontade dos nossos professores. Tal não vem ao caso quando as condições salubres de trabalho a que se submete a classe são desanimadoras ou quando ela se vê diminuída frente à outras classes de servidores com “menor” grau de importância junto à sociedade. Ainda que cada um tenha a sua devida importância, olhar para a educação não significa vislumbrar um paraíso controlado por números ou por profissionais perfeitos.

Como assim? A manobra institucional existe, sim, a começar pelos Diretores das escolas que pedem aos seus professores “aquela forcinha” para aprovar aqueles alunos menos disciplinados e com as mínimas condições possíveis para seguir as séries à frente; a começar pelas secretarias das escolas que empurram aluno a dentro das salas de aula, entupidas, por sinal, sem qualquer critério averiguativo sobre as condições acadêmicas daquele aluno novato. Isto, sem falar da inexistência de acompanhamento adequado junto aos “retardatários” ou com dificuldades...

Não estamos falando, necessariamente, daqueles profissionais que se ausentam do seu posto de trabalho ao bel prazer próprio, beneficiados por uma legislação que torna o funcionário público parte de uma elite crescente neste país. Sim, o sonho do emprego no serviço público, com a estabilidade vitalícia proporcionada pelo modelo burocrático de gestão e com a política da “boa vizinhança” junto aos colegas de repartição, substituiu o de ser um empreendedor de sucesso, milionário e dono de propriedades. Tem uma pesquisa realizada pela FGV que fala sobre isto e o crescimento deste sentimento de realização junto aos jovens de hoje tem crescido na casa dos dois dígitos.

A educação não é o Bataclã da obra Gabriela, Cravo e Canela, do saudoso Jorge Amado, um puteiro de portas abertas para qualquer que passe à sua frente a fim de saciar seus desejos mais instintivos de macheza ou de manda-chuva. Nem os professores são as mucamas que se vendem por qualquer valor aos clientes esvanecidos pela falta de respeito.

E acrescento que são os professores os primeiros os quais devem ser cobrados por tal; a despertar com o som do alarme que diz que sua profissão tem valor e é maior do que essa muita nota e frequência que alguns empurram a qualquer fé caderneta a dentro, para tapar o pouco conhecimento desse público o qual quer muito mais um papel, um atestado de incompetência, do que o real valor que garante o respeito e a honra ao ser humano: o conhecimento.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 07/08/2012

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 34º Mundo Cão – Cultura na Terra de Câmara Cascudo