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29 de nov de 2012

19ª Entrevista Literária - Pipol

José Pires, ou Pipol, como é mais conhecido no meio artístico, além de poeta (autor do e-book “Brinquedos de Palavras”) é também editor-fundador do Cronópios, portal de literatura brasileira que publica textos de autores contemporâneos, além de entrevistas, críticas e podcasts. Paralelamente ao projeto inicial, há ainda a TV Cronópios e o Cronopinhos (que acaba de ganhar um projeto experimental em parceria com o mestre bonequeiro Jorge Miyashiro, chamado Cia. Cronopinhos de Teatro de Bonecos). O referido portal ganhará no próximo ano uma nova interface.

O autor Pipol

Ligados: O seu nome de batismo é José Pires, porém, é mais (ou somente) conhecido no meio literário como Pipol. De onde surgiu esse apelido, e quais as razões que o levaram a adotá-lo também como pseudônimo artístico? 

Pipol: O apelido ficou depois de outro apelido. O título que dei ao meu primeiro livro de poemas foi “Pipoca”, isso lá nos anos 80. Claro que, depois do livro, ganhei o apelido de Pipoca. Durante muitos anos, mesmo não gostando, os amigos me chamavam de Pipoca. Depois de um tempo, eles foram me arrumando um apelido do apelido que virou o tal Pipol. Aí eu já gostei mais, e resolvi adotar o apelido com a grafia “errada” - não é o “people” do inglês. 

Ligados: Qual “estopim” te levou a escrever poesias? 

Pipol: Eu me interessei por literatura e arte e poesia somente na época da faculdade, antes meu interesse sempre foi por ciência e o mundo científico. Meu caminho natural era me tornar um cientista. Mas durante a faculdade, depois das aulas, a gente frequentava muitos barezinhos de estudantes. Numa bela noite eu vi um pessoal chegando ao bar oferecendo uns livros de poemas que eles mesmos editavam e vendiam. Eu fiquei impactado com aquilo. Na hora me deu vontade de ser como eles, de ser amigo deles... O pior foi que eles me aceitaram... (risos) Fui acolhido por pessoas que eram como que de outro mundo para mim. 

Ligados: A difusão dos seus textos começou com a criação do extinto grupo de poetas “Pirataria Poética”, ou já havia rastros de outros movimentos culturais antes? Têm boas lembranças daquele tempo? 

Pipol: Tenho boas lembranças, sim, da época da nossa Pirataria Poética, lá de Bauru – SP. Tiveram outros grupos de poetas na cidade antes do nosso, claro. E devem existir outros hoje por lá. Trabalhar em grupo e criar junto com outros artistas é muito bom. Fazíamos um monte de maluquices e aprendemos um monte de coisas uns com os outros. Mas estávamos numa cidade do interior, na época não existia internet e quase nem telefone. Para mim foi fundamental ser um membro da Pirataria Poética. Até hoje eu tenho lá no escritório do Cronópios a capa original do nosso livro. 

Ligados: Como surgiu o Cronópios, e qual o objetivo do mesmo, além dos planos para o futuro? 

Pipol: Eu ouvi falar de internet pela primeira vez em 1990. Achei interessante tudo, mas na verdade eu não entendi a dimensão daquilo. Depois, em 1996, a internet começou a chegar forte aqui no Brasil. Em 1997 eu quis saber o que era isso e fui fazer um curso de html. Meu primeiro site, feito na unha, programando com código html direto, foi o meu livro de poemas chamado “Brinquedos de Palavras”. Acho que foi um dos primeiros e-books, isso foi no começo de 1997. Esse site-livro começou a ser visto e eu me animei. Tive alguns retornos bem legais. Depois de algum tempo já começaram a aparecer sites de tudo. Apareceram sites de literatura também. Eu mandei o link do meu “Brinquedos de Palavras” para vários destes sites buscando divulgação. Um dos editores de um destes sites acabou sendo meu sócio na montagem do Cronópios (que é um site que surgiu depois de outros sites de literatura). Agora estamos trabalhando muito no Novo Cronópios, que deve chegar em janeiro de 2013. Tudo muda de patamar com essa estreia. 

Ligados: A TV Cronópios veio paralela ao projeto inicial, ou surgiu de uma necessidade maior de atingir o público? 

Pipol: A TV Cronópios surgiu de minha paixão pelo cinema documentário e vontade de fazer projetos diferenciados usando a linguagem televisiva. Eu sempre fui ligado a imagens em movimento. Tive a oportunidade de trabalhar numa emissora de TV. Lá eu dirigi um programa para o público jovem chamado Zapteen. Para mim a TV só não estreou junto com o Cronópios porque na época não havia banda larga e nem as técnicas de edição e computadores mais potentes de hoje. 

Ligados: Há alguma chance do Cronópios chegar também às versões impressas? 

Pipol: Seria como trocar uma nave espacial por uma carroça. Essa é a diferença correta e correlata entre os dois meios. O que podemos fazer é lançar um livro comemorativo ou um álbum ou coisa parecida. Mas isso seria uma parte menor do nosso interesse. 

Ligados: Editar ou escrever te proporciona mais prazer? 

Pipol: Editar o Cronópios e tudo o que isso envolve não me deixa muito tempo para escrever. Escrevo nas sobras de tempo. Como nunca sobra tempo... Mas é um enorme sentimento de satisfação e de dever tocar um projeto de arte como o Cronópios. 

Ligados: Recentemente foi fundada a Companhia de Teatro de Bonecos do Cronopinhos, em parceria com o consagrado mestre bonequeiro Jorge Miyashiro. Poderia nos fornecer mais detalhes a respeito? 

Pipol: Queremos animar o nosso Cronopinhos. Quando o Novo Cronópios ficar pronto, vamos dar uma atenção especial para esse mundo dos que escrevem e editam para crianças. A ideia é aproveitar a experiência do Jorge Miyashiro com os vários trabalhos que ele já desenvolveu para o público infantil e criar a coisa a partir daí. A primeira ideia da nossa parceria foi criar a Cia. Cronopinhos de Teatro de Bonecos. Parece uma boa ideia. Vamos experimentar. 

Ligados: Você disse que não escreverá outro livro solo, apenas irá atualizar e aumentar constantemente o “Brinquedos de Palavras”. Como a obra se encontra hoje? 

Pipol: Como se diz no mundo da web, está em fase BETA. 

Ligados: Gostaria de encerrar com mais algum comentário? 

Pipol: Muito obrigado pela entrevista. O convite foi uma honra.


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 30/11/2012 - Objetivo: www.ligadosfm.com

27 de nov de 2012

51º Mundo Cão – A Marcha da Incoerência

Conheça o nosso novo blog: http://demonstre.com/




Justo na data de ontem, 27 de novembro de 2012, deparei-me com uma situação nada agradável, diria até constrangedora. Os preços praticados por uma grande rede de supermercados de Natal estavam pelo menos 200% mais caros do que a média a qual se vê na cidade.

O quilo da maçã, a R$ 4,99, era um atendado contra os mesmos 01 kg desta fruta, comumente encontrados em outras redes por R$ 2,39; abacaxi sendo vendido a R$ 3,59 a unidade, enquanto que em feiras livres o preço desta fruta não passa da casa dos R$ 1,50; o quilo do presunto de peru light não fatiado por R$ 29,59 (como estampado na foto), quando o preço normal em redes de supermercado de mesmo porte não passa dos R$ 10,00.

O que seria isto? O velho “se colar, colou”? Isto é comum em boa parte do mercado varejista brasileiro. O nosso comércio extorque o consumidor com seus preços abusivos e estes últimos o aceitam dentro de sua naturalidade. É o que acontece com o comércio de veículos (novos e usados), com o mercado imobiliário e com as grandes promoções do varejo de eletro e eletrônicos. Em um país onde o preço médio de um carro popular passa dos R$ 30.000,00 e as pessoas o encaram como a grande graça dos preços baixos não seria de se estranhar que uma grande rede de supermercados não adotasse este tipo de postura.

É a lei dos incentivos, colocada por Steven Levitt e Stephen Dubner. Tanto pessoas como instituições são movidas por incentivos ambientais, impulsivos ou contextuais. O incentivo a uma pessoa comum, que trabalha e recebe como recompensa baixos salários, é a natural motivação a consumir produtos e serviços fora de sua realidade orçamentária quando estes sofrem deflação. As mesmas pessoas sofrem os efeitos deste paradigma quando sua renda sobe.

Ou seja, não é o custo de vida das cidades que sobe primeiro quando a renda média de seus habitantes recebe impulsos da economia e das políticas distributivas dos governos. Antes disto, o padrão de vida das pessoas sofre alterações relativas, na qual elas passam a consumir mais e adquirir mais produtos, contratar novos serviços e ampliar as unidades de manteiga que estarão sobre sua mesa em seu café da manhã ou em seu jantar. Com o aumento do padrão de vida das pessoas, passam estas a aceitar, sem maiores surtos, mudanças drásticas nas políticas de formação de preço das redes varejistas de sua cidade, seja na compra de carros, seja nos supermercados.

O principal fator de formação dos preços dos produtos vendidos no varejo brasileiro não está necessariamente relacionado ao fator oferta ou as políticas de custo. É a demanda e a ganância pelo lucro. No “Canal Otário”, no You Tube, há uma infinidade de vídeos que mostram isto, mas a lógica da formação dos preços dos carros, no país, denuncia esta lógica rapada. Um carro popular, cujo preço em nossas concessionárias gira em torno de R$ 32.000,00, se diluídos os impostos e os custos logísticos, tal qual quando comparado o seu preço com os praticados em países como México e Chile, principais destinos exportadores para onde vão nossos veículos, aqui fabricados, apontam que a sobre alta de seus preços não está na interferência do Estado brasileiro ou no alto custo Brasil. O lucro ultrapassa a casa dos 400%, quando o aceitável está em 50% sobre a soma de todos os custos e gastos – para este ramo.

O Black Friday Brazil foi a gota d’água, mas, ainda não se deu como suficiente. Para algumas pessoas, um carro popular com motor 1.0 e com apenas alguns componentes opcionais vendido pelo preço de 32.000,00 está barato (“está bom, bacana, de graça”, tal qual afirma alguns de peito cheio). As empresas brasileiras têm o costume de superinflacionar seus preços às vésperas de um grande evento promocional e, ainda assim, a grande massa de consumidores brasileiros cai de cara e de boca nesta lógica cara e sínica consumista.

Um Galaxy S3, da Samsung, smartphone comercializado no Brasil pelo preço médio de R$ 1.799,00, estava exposto em algumas vitrines on line pelo preço de R$ 1.749,00, com 70% de desconto; o jogo Halo 4, para Xbox 360, videogame atual da Microsoft, estava sendo comercializado pelo preço de R$ 179,00, também em algumas lojas na Internet, rotulado como produto também com 70% de desconto promocional. Quer dizer então que o Samsung Galaxy S3 é, na verdade, comercializado pelo preço de R$ 2.448,60, assim como o jogo Halo 4 o é vendido pelo preço de R$ 250,60, quando a realidade nua e crua de nosso cruel mercado reafirma os seus preços médios pelas bagatelas de R$ 1.799,00 e R$ 199,00 (preço dos lançamentos mais esperados para o console da Microsoft, aqui tratado)?

Sinceramente, isto não faz sentido. E ainda assim, a nossa Black Friday tupiniquim mais do que dobrou os ganhos das redes varejistas que aqui atuam. Nosso volume de vendas e de transações aumentou em 117%, rendendo ao mercado de compra e venda um total de R$ 217 milhões. Em outras palavras, sob toda esta ordeira extorsão, ainda assim, os brasileiros não mediram esforços em ir às compras.

Enquanto que à minha pessoa, o Black Friday Brazil se resumiu a dois baratíssimos pares de pilhas recarregáveis da Rayovac, os quais não exigiram mais do que R$ 19,00 da minha carteira. Do resto, dos abusivos preços na Rede Extra de Supermercados que me surpreenderam ontem a noite, da falta de coerência da Black Friday Brazil, dos impraticáveis preços do comércio de veículos em nosso país e de, anda assim, as pessoas insistirem em comprar e comprar e comprar, confesso: estou lutando bravamente para poder compreender.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 27/11/2012

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 50º Mundo Cão – Estamos Falando de Vício

23 de nov de 2012

Papo de Gago #15: Papo Zumbi: THE WALKING MORTOS


Olá pessoal, o Papo de Gago de hoje é um papo furado sobre Zumbis, então junte-se a Anderson Ricardo e Gabriel nesse zombie papo.

Nesse podcast: Descubra que The Walkink Dead não é tudo, entenda que zumbis não são modinha, e quem é o Governador na verdade?

Link's referentes ao programa:


Link's comentados nos e-mais:



Deixe o seu comentário no post ou mande os seus xingamentos, elogios ou sugestões para: papodegago@ligadosfm.com



Ouça podcast no player acima ou baixe o mp3 clicando aqui

Por: Anderson Ricardo
Em: 23/11/2012
Objetivo:
LigadosFM  
 


 

20 de nov de 2012

50º Mundo Cão - Estamos Falando de Vício


A Internet vicia e disto ninguém duvida. Li há poucos dias uma curiosidade, publicada na Superinteressante, sobre os males mentais causados pelo acesso exacerbado à rede mundial de computadores. O interessante é que no Brasil o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, a bíblia das associações dos profissionais da área médica e da saúde, contemplará os distúrbios mentais associados ao uso da Internet apenas no próximo ano – diferentemente de países como Coreia do Sul, Japão e Alemanha, os quais lidam com o tema há anos.

Como assim? Quer dizer que a associação médica brasileira ainda não reconheceu, de fato, os males ocasionados pela inteiração entre indivíduos e a mesma rede? Se pararmos para visualizar o comportamento de um usuário de computador nas redes sociais ou nos chats de bate-papo, há muitos anos, é possível verificar posturas tais quais flerte, encantamento e superego, muito comuns de serem vistos na maioria dos indivíduos enquanto presentes em reuniões e encontros presenciais, cara-a-cara, festas ou mesmo nos primeiros dias de aula em uma escola.

Ainda que se possa ofuscar alguns detalhes que podem ser interpretados como defeitos, em uma conversa entre dois interessados por coisas maiores do que uma simples troca de ideias, tal qual o nordestino que chia nas cidades do centro-sul do país para não sofrer qualquer tipo de discriminação ou o jovem de 17 anos que mente a idade para ser aceito em um grupo composto por membros maiores de idade, na Internet, é possível, da mesma forma, inibir qualquer tipo de furor. Os efeitos do Photoshop nas fotos são como a maquiagem, assim como conversar sobre Shakespeare ou Axé music para aquela morena desejada é o “about me” da personalidade ao vivo e a cores. Todo mundo é capaz de adulterar informações de si mesmo, desde que o mundo é mundo.

Somos viciados em conviver com nossos semelhantes. As pessoas gastam mais tempo nas redes sociais e não nos portais de notícia, no You Tube ou escrevendo em seus blogs. O vício, nisto tudo, está na necessidade de autoafirmação de cada pessoa, de formar opinião e de sentir-se importante no seu meio de convívio. Igual na vida real, no P2P do cotidiano, no contado e no convívio ao vivo entre pessoas que querem a mesma coisa. O que há de errado nisto?

Se pararmos para verificar melhor o que tem acontecido no mundo nos últimos anos, veremos que as pessoas passaram a usufruir desta regalia, cada vez mais, sem ter que sair de casa. Antigamente, como nos dias de hoje, sair de casa requeria tempo e disponibilidade. Atualmente, podemos aparecer e gerar influência sobre nossos amigos e seguidores com a ponta dos dedos. O Facebook, o Twitter ou o Instagram estão na palma de nossas mãos! Com um pequeno e insignificante smartphone, fazemos tudo isto com o mínimo de esforço, se comparado com o fato de sair de casa bem vestido, perfumado e com uma pilha de qualquer coisa debaixo do sovaco.

É possível ser quem não se é no escritório, no ambiente de trabalho ou no banheiro; no estádio de futebol, em um concerto de Rock, ou na livraria. Na festa de 15 anos da prima, enquanto vai para o trabalho ou até em uma consulta médica. O agravante está no ambiente e não nos indivíduos... Foi como despertar células cancerosas em certa idade da vida, ou seja, estamos falando de algo inevitável, que necessitava apenas de um empurrão, de um aditivo contextual. E esse aditivo chama-se avanço tecnológico!

As pessoas compartilham nas ‘Timelines’ alheias coisas as quais não necessariamente se associam com seu estilo de vida, sua filosofia, seu pensar ou seus interesses pessoais. Tem gente que não gosta de ler, mas, mostra a todo mundo o seu perfil no Skoob (um site de relacionamentos voltado para leitores), com centenas de livros que, sequer, serviram-se úteis para a leitura breve de uma orelha ou de um prefácio; tem gente que não gosta de Caetano ou de Gil, mas, compartilha trechos de suas poesias e letras de música para parecer culto ou com conteúdo. O mesmo é válido para os falsos defensores dos animais, dos negros ou dos homossexuais. Falamos aqui da necessidade de ser aceito no meio por parte de cada pessoa com um perfil nas redes sociais – tal qual na vizinhança ou entre os colegas de faculdade.

E quanto àqueles que já têm abastecidas as suas necessidades de atenção e autoafirmação, com um perfil ou não nas mesmas redes sociais, o seu uso sobe e desce na medida em que necessita reabastecer essa integração. Há pessoas que passam o dia inteiro postando qualquer coisa, como existem aquelas que dão o ar da sua graça nesses sites esporadicamente ou quase nunca. É tal qual o antissocial que não sai de dentro do seu quarto ou a ‘socialight’ que não perde todas as festas.

O que queremos dizer com isto? Somos vitimas do mesmo vício. O vício de aceitar e ser aceito, de conhecer coisas novas e de ser a novidade, de servir-se de referência e ser reverenciado. Ou de receber um “Há quanto tempo!” em uma janelinha de bate-papo desses sites modernos de hoje em dia. É uma doença, sim, exige tratamento e será tão comum, de agora em diante, como as enfermidades as quais assolam a humanidade, desde que o mundo é mundo.

MARCUM, David; SMITH, Steven. O fator ego: como o ego pode ser seu maior aliado ou seu maior inimigo. Rio de Janeiro: Sextante, 2009.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 20/11/2012

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 49º Mundo Cão – Fé emTudo como Está

15 de nov de 2012

18ª Entrevista Literária - Eduardo Lacerda

Eduardo Lacerda é autor do livro de poemas "Outro Dia de Folia", premiado pelo ProAC 2011 e que será lançado em dezembro. Nasceu em Porto Alegre em 1982, mas reside atualmente em São Paulo. Coeditou a "Revista Metamorfose" e "O Casulo – Jornal de Literatura Contemporânea". Trabalhou como assistente de produção cultural na Casa das Rosas e como produtor cultural no Programa São Paulo: um Estado de Leitores. Atualmente, é coeditor da Editora Patuá, onde acredita que livros são amuletos. Tem poemas publicados em revistas eletrônicas e impressas como Entrelivros, Mirante, Ventos do Sul, Cronópios, Germina e em algumas antologias, como a Antologia Vacamarela e El Vértigo de los Aires (México). 

O autor Eduardo Lacerda

Ligados: Eduardo poeta. Eduardo produtor cultural. Eduardo editor. Em qual deles, e de que forma Lacerda mais se realiza? 

Eduardo Lacerda: A história da literatura é cheia de exemplos de escritores e poetas que também são editores, tradutores, críticos etc. Fazer literatura é muito mais do que escrever e publicar, aliás, escrever e publicar são as menores partes dentro da literatura, acredite. A literatura pede compromisso e engajamento. E penso esse sistema que funciona a poesia como uma guerrilha. É preciso ter coragem para fazer mais, para ousar. E não estou falando de fazer melhor, eu acredito muito no erro e na falha como meios de experiência literária. Como disse o Piva, “não acredito em poeta experimental sem vida experimental”, e a vida experimental contempla mil significados. 

Mas a verdade é que, para mim, estas são atividades que se complementam dentro da minha obra, uma não viveria sem a outra, mas atualmente minha grande paixão é a edição de livros. Sou mais feliz ajudando um jovem escritor a ser reconhecido do que publicando meus próprios poemas, tanto que demorei mais de doze anos para publicar “Outro dia de folia”, meu livro de estreia. 

Ligados: Como surgiu o seu fascínio pela literatura? 

Eduardo Lacerda: Minha mãe sempre teve o hábito de ler para mim, lembro que ela lia algumas histórias infantis e eu adorava, mas o primeiro livro do qual me recordo da leitura, que me impressionou muito, foi, sim, acredite, um livro do Paulo Coelho. Hoje, muito mais experiente como leitor, não conseguiria ler duas frases do ‘mago’, mas em uma família pobre, de pais sem estudo, mas cheios de boa vontade, aquela leitura aos seis anos me colocou em um outro mundo. Essas experiências são bem pessoais, talvez aquela leitura, para outra criança, desperte outras coisas, não um leitor. Provavelmente não desperte mesmo. Mas acredito que para mim, naquele momento, foi decisivo para querer ler outras coisas, conhecer outras coisas. Se não me engano, o segundo livro que me leram e que me leu foi “Dom Casmurro”, um salto incrível, não é? Depois li tudo o que foi possível, principalmente depois de descobrir, já na escola, a poesia e as bibliotecas. 

Hoje meu fascínio pela literatura é o da participação na ‘vida literária’ através dos encontros, das conversas, dos recitais, debates, saraus, publicações etc. 

Ligados: Você publicará em dezembro o tão temido livro de estreia, um projeto que reúne alguns poemas e que foi premiado pelo ProAC, intitulado de “Outro dia de folia”. Está otimista quanto à receptividade da obra? Aproveitando, poderia nos fornecer detalhes a respeito? 

Eduardo Lacerda: Alguns poemas desse livro foram premiados em diversos concursos, outros publicados em revistas e sites; por fim, o conjunto foi premiado pelo ProAC – Programa de Ação Cultural da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. O prêmio, de 10 mil reais, possibilita a produção de mil exemplares do título, sendo que 200 serão distribuídos gratuitamente nas bibliotecas públicas do Estado de São Paulo, o que é ótimo para a recepção da obra. Além disso, pretendo envia-lo para críticos, poetas e professores como forma de divulgação. 

De qualquer forma, eu tenho consciência de que a divulgação de um livro é extremamente difícil, e não será diferente com o meu. Sei, também, que apesar de existirem alguns ótimos poemas dentro do livro, eu tenho inconstâncias, ainda estou desenvolvendo uma linguagem. No meio desses ótimos poemas, muitos medianos, apenas razoáveis e também ruins. Mas é importante ter coragem de acreditar no erro e entrar no debate da poesia contemporânea com a minha proposta poética. 

Ligados: O que te faz escrever poesias? 

Eduardo Lacerda: Os motivos que me fazem escrever um poema são diversos. Gosto de criar personagens, quase sempre ocultos, e também espaços e cenas dentro do poema. Então tento recriar as situações do meu cotidiano e das minhas experiências, mas nunca escrevo nada sobre mim, embora seja tudo muito pessoal. Nada mais subjetivo do que a objetividade. 

Ligados: Quais livros não podem faltar em sua estante e quais autores influenciam o seu estilo de escrever? 

Eduardo Lacerda: Gosto de ler de tudo, mas principalmente poesia. E, dentro da poesia, principalmente a poesia contemporânea, os autores recentes, os jovens, os inéditos. Entre os meus escritores preferidos, cito a Hilda Hilst, Ferreira Gullar, Ana C. César, Leminski, Drummond, João Cabral de Melo Neto, Mário Faustino, Herberto Helder, Borges, Garcia Márquez, Manoel de Barros, entre os consagrados. É impossível citar nomes dos mais jovens, são muitos e correria o risco de esquecer pessoas de quem gosto muito. 

Ligados: Como surgiu a ideia de criação da Editora Patuá? 

Eduardo Lacerda: A Editora Patuá foi criada em setembro de 2010, mas publicamos nosso primeiro título em fevereiro de 2011. Atualmente contamos com quase 70 autores em nosso catálogo e temos outros 40 títulos em preparação. 

Eu já edito publicações há dez anos, desde que publiquei a Revista Metamorfose, uma revista literária que coeditei no curso de Letras da USP; depois coeditei dez números d’ O Casulo – Jornal de Literatura Contemporânea, periódico que contou, por cinco números, com o patrocínio da Prefeitura de São Paulo, através do programa VAI – Valorização de Iniciativas Culturais. 

A Patuá tem dois editores, Aline Rocha e eu.

Ligados: Quais as dificuldades do jovem empreendedor que busca se engajar em um mercado literário cada vez mais competitivo? A editora possui um diferencial que a destaca das demais, ou seja, uma proposta que atrai o público, de maneira geral? 

Eduardo Lacerda: São duas perguntas muito importantes. 

Sobre as dificuldades do jovem empreendedor ou escritor. Quais as dificuldades? Nunca foi tão fácil publicar e divulgar o próprio trabalho. A dificuldade, que não é a do engajamento, mas da falta dele, está no fato de que a imensa maioria dos jovens (e também dos ‘velhos’) escritores brasileiros não gostam de ler, não compram literatura, não se interessam pelo outro, não têm consciência do mercado editorial e literário, desconhecem nossos escritores, estreantes ou consagrados. São preguiçosos e, mesmo assim, quase sempre arrogantes. A literatura deve ser uma festa, a literatura permite encontros, nos traz experiências e amigos. Mas é preciso compromisso, é preciso trabalho. 

O mais bonito é que todos os dias surgem novos grupos de jovens querendo criar uma revista, querendo fazer um sarau, uma leitura pública, um projeto de editora. Eu acredito nesses jovens. E só há dificuldade porque decidiram mesmo fazer alguma coisa. Eu fiz muitas coisas, junto com amigos. Foi difícil? Foi. Mas encontramos a recompensa, que é a da amizade, do encontro com a literatura. Eu acredito muito no que diz o poema “O Artista Inconfessável”, de João Cabral de Melo Neto. 

Já sobre a editora, a Patuá é, provavelmente, a única editora no país que está publicando jovens autores estreantes sem cobrar pela edição e fazendo, além disso, um trabalho de divulgação. Há outras editoras que publicam gratuitamente, como já disse várias vezes, nada mais fácil do que publicar livros. Mas tentamos ir além de publicar um livro. Nós queremos fazer sempre melhor. Utilizamos, para cada livro, um projeto gráfico exclusivo, criamos ilustrações criativas e bonitas, utilizamos apenas os melhores papéis e acabamentos, divulgamos o livro através do envio para jornais, revistas, críticos e professores. Indicamos nossos autores para participação em eventos, debates, cursos. Em menos de dois anos publicamos quase 70 autores, todos ótimos. 

Ligados: Que dica você daria aos novos escritores? 

Eduardo Lacerda: Eu repito esse conselho sempre que é possível: Os escritores deveriam ler mais. Tenho a impressão, quase certeza, de que existem mais escritores no mundo do que leitores – um paradoxo, sim –. Vejo, todos os dias, os escritores reclamando da falta de espaço nos jornais, nas editoras, nas livrarias. Como um autor pode esperar por um espaço nesse mundo se ele mesmo não é um espaço para outros escritores? 

Ligados: Algum outro projeto em mente? 

Eduardo Lacerda: Demorei algum tempo para responder a essa entrevista, mas foi bom, pois recebemos há poucos dias a notícia que a Patuá foi premiada no ProAC – Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura. Ano passado, como dito, tive meu livro pessoal contemplado, com um prêmio de R$ 10.000,00. Este ano recebemos um prêmio para a editora, com um valor bem maior. O projeto, basicamente, contempla a publicação de 12 livros, com tiragem de 1500 exemplares cada, de 12 autores inéditos. Serão, ao todo, 18 mil exemplares, sendo que 20% serão doados para as bibliotecas públicas do Estado de São Paulo. 

Ligados: Considerações finais. 

Eduardo Lacerda: Só quero agradecer a oportunidade e dar os parabéns pelo excelente trabalho. São dos que digo que fazem a diferença.


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 16/11/2012 - Objetivo: www.ligadosfm.com

13 de nov de 2012

49º Mundo Cão – Fé em Tudo como Está


Tenho me deparado nos últimos dias com comentários políticos e discussões em rádios e telejornais falando da total desunião e desarticulação dos principais interessados no desenvolvimento econômico de Natal e do Rio Grande do Norte quanto à busca por recursos federais para a consumação das obras de mobilidade e infraestrutura urbana de Natal para a Copa do Mundo. Natal é uma das 12 sedes brasileiras da Copa de 2014 e ninguém duvida disto; a questão é: ela faz jus ao título?

O principal motivo da torcida dos mais entusiastas, quanto à candidatura de Natal ao posto de Sede para a Copa de 2014, diz respeito ao legado a ser deixado pelo evento. Milhões de reais injetados na cidade, ampliação da infraestrutura urbana, ampliação do poderio econômico da cidade e entornos, divulgação turística nos principais pontos de origem de turistas potenciais e até melhoria na qualidade dos serviços básicos oferecidos à população, sobretudo, saneamento básico, saúde pública e educação. Em Natal, contudo, o caminho tomado tem sido o oposto.

Em virtude das demoras relativas ao início das obras do Arena das Dunas, o eixo central, durante mais da metade do período relativo ao processamento das obras e das ações em prol dessas melhorias, restringiu-se justamente ao cumprimento do prazo estabelecido quanto à construção por total do estádio. Esqueceram-se do restante, ou seja, do principal legado a ser deixado para o natalense e para o potiguar: as obras de infraestrutura urbana, qualificação de pessoal, saneamento básico e manutenção dos hospitais. A propósito, até as penitenciárias as quais se encontram nos entornos da Grande Natal não cumpriram com o seu papel quanto ao resguardo daqueles que, de alguma forma, perturbaram a ordem e o sossego do trabalhador e daqueles que vivem onde quem realmente ganha dinheiro neste país vem passar suas férias!

Na verdade, as obras de mobilidade e de infraestrutura as quais tornariam Natal uma mega cidade no pós Copa não vingaram por dois motivos: um, a incompetência gestora dos governantes e parlamentares, outra, por lobby de um pequeno grupo que domina determinados pontos de confluência econômica da cidade e que têm o menor interesse possível em ver o contexto local sofrendo mudanças e exigindo inovações da parte deles. Se este segundo motivo não viesse à tona tal qual vemos no agora, muito provavelmente abriríamos as portas de nossos mercados para potenciais entrantes, cujos quais exigiriam das unidades econômicas aqui já estabelecidas maior inovação, adequação às novas regras de mercado impostas pela natureza da concorrência, maior volume de investimento e, em decorrência da soma de todos estes eventos, redução da margem de lucro no curto prazo.

A começar pelas empresas de transporte público, a forte influência sobre as decisões tomadas na Secretaria de Mobilidade do município quanto às práticas sobre os preços cobrados aos usuários e ao sistema de integração e de circulação de ônibus, uma quebra no regime oligopolista / monopolista praticado por elas interferiria diretamente e não somente na qualidade do serviço prestado e dos veículos em circulação, mas, nos ganhos dos empresários. Não obstante a isto, temos o comércio local, que movimentam as unidades econômicas de distribuição e revenda... O que vemos (e temos visto há anos) é uma drástica defasagem nos salários pagos pela iniciativa privada e nas compensações aos profissionais mais qualificados.

E ainda agrego as palavras do Prof. Wellington Duarte, do departamento de Ciências Econômicas da UFRN, em coluna há pouco publicada em seu site:

“[...] um olhar mais atento notará que a economia do RN, frágil nas suas estruturas, não consegue dar um salto qualitativo quanto à geração de riqueza, posto que não um impulso real para que as verdadeiras geradoras de riqueza, a indústria de transformação, seja o carro-chefe da nossa economia. [...] Falta de Logística e de um governo que encare essa tarefa como a central para o nosso desenvolvimento, nos aprisiona nas eternas promessas futuras: ZPE’s e o aeroporto de São Gonçalo do Amarante. A primeira vegeta e a segunda, que promete gerar 35 mil empregos, começa a adquirir contornos de uma grande panaceia, já que parece se apostar tudo numa expansão das atividades de todo um espaço econômico a partir de uma atividade geradora de serviço”.

A imensa área reservada ao Parque Industrial de Parnamirim mais se consolida como bairro do que como área industrial; quanto mais se entende que a vocação da economia potiguar é o turismo, menos profissionais com diploma de ensino superior consegue se inserir no mercado dentro de sua área de formação. Isto aprisiona Natal naquela velha sina a qual a identifica como “cidade de funcionário público”.

É necessário rever todas as políticas de mercado da economia potiguar e natalense. Junto com a Coteminas, Alpargatas, Guararapes e outras grandes redes da indústria de transformação têm saído do contexto econômico potiguar para se instalarem no estado vizinho da Paraíba. Ou seja, elas entendem que por aqui existe demanda para a sua oferta! É como coloca o empresário varejista Flávio Rocha, “o ambiente no RN é hostil ao empresariado”. Se ele estivesse a fazer lobby, muito provavelmente não teria reduzido sua unidade produtiva local com mais de 27 mil funcionários para apenas míseros 07 mil e construído uma grande firma na cidade de Fortaleza...

Permitir a desindustrialização e não investir na capacidade estrutural da cidade e do estado é permitir que menos empresários interessem-se pela cidade. Menos industrias e unidades produtivas significa menos postos de trabalho, salários mais baixos e defasagem produtiva. A hostilidade prevalece para quem não usufrui das mesmas benesses políticas dos que se cansam de fazer lobby e conchavo junto ao poder público local.

O resultado, como bem coloca o prof. Wellington, é:

Entre 2002 e 2009, segundo dados do IBGE e IDEMA, a economia potiguar cresceu, em termos de volume acumulado, 24,6%, o pior de todo o Nordeste [...] Essa fragilidade se revela no grau de mortandade das empresas, que chega a 74,1% nos três primeiros anos [...]”.

O que não há de agroexportador em termos econômicos regionais, há de lobista. E, sabe, eu não será a Copa do Mundo, nem o futuro prefeito Carlos Eduardo, nem os “Xôs” e os “Foras”, a Amanda Gurgel ou a Professora Eleika quem mudará o que aí sempre esteve. Tudo isto é muito maior do que se pensa, esta entranhado na câmara municipal e na Assembleia Legislativa, até no Tribunal de Justiça. Está de acordo com o que aceita a cabeça do natalense e do potiguar.

DUARTE, Wellington. Os difíceis caminhos da economia do RN. Disponível em: < http://falariogrande.com.br/2012/11/13/os-dificeis-caminhos-da-economia-do-rn/>. Acesso em: 13 nov. 2012.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 13/11/2012

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 48º Mundo Cão – Troque a sua Sorte pelo Juízo!

12 de nov de 2012

12ª História Mal-Contada: A Corrupção do Incorruptível

           Saudações queridos amigos e amantes de histórias. Como todos tem passado? O meu foi bastante conturbado, afinal, não é todos os dias que vemos pessoas sendo condenadas à morte. Principalmente se a pessoa tiver sido um rei. Mesmo tendo visto todas atrocidades da guerra, tais coisas continuam me surpreendendo, principalmente os rumos que aconteceram depois desse evento foi levado. Portanto, sentem nos banquinhos e vamos ao que tenho para contar hoje.

            Depois de ver a execução do rei, a multidão seguiu numa procissão mórbida pelas ruas. Durante esse período que seguiu, todos os considerados inimigos foram presos e executados. Tinha se instalado um regime que só o nome já causava calafrios em todos que o pronunciavam. Era o Terror. Qualquer calúnia o rancor, poderia fazer a pessoa ter o nome dentro da lista negra do Comitê de Salvação Pública. Devido esses acontecimentos, eu passava maior parte dos dias, numa casa abandonada, perto do Champ de Mars, que achei vazio. Provavelmente, de algum inimigo do regime executado.

            Sai de casa por algumas horas, em busca de saber se algum feirante tinha sido preso, porque, com a inflação exorbitante que estávamos vivendo, era conveniente acusar os feirantes de inimigos, para pegar suas mercadorias. Quando andava pelas ruas, um tumulto estava formado na casa ao lado. Um dos membros importantes do regime tinha sido assassinado em sua banheira, num momento irônico de quando ele escrevia o nome de mais uma serie de pessoas que seriam assassinados. Nesse momento eu sabia que não duraria muito tempo o regime de loucura que tinha se instalado do clamado incorruptível Robespierrer. A corrupção das mortes causadas por ele um dia irá bater na sua porta cobrando por justiça de seus mortos.

        Passando alguns dias, soube que pela noite, tinha prendido o incorruptível. Que tentará, frustradamente, matar-se. Mas com um tiro saindo errado de forma errada, apenas conseguiu ficar preso e sangrando pela mandíbula, enquanto esperava pela sua condenação a morte. Estava de manhã, e eu curioso para saber do final do destino do homem que ordenou a execução de tão grande quantidade de vidas humanas. Lá estava ele, ao lado dos carrascos, os funcionários que provavelmente mais trabalharam durante esse período de governo conturbado. Logo a frente, o objeto que tinha de maior valor para o incorruptível no seu regime de Terror, a guilhotina. Em pouco tempo, que passou pelo lugar da sua execução, Robespierrer quis gritar suas últimas palavras: "A morte é o principio da imortalidade". Talvez queria algo desse tipo para seu epitáfio, mas acho mais justo ser algo como: A Morte é a Salvação do povo perante o incorruptível.

Autor: Douglas Cavalheiro

Criação: 12/11/2012

Objetivo: www.ligadosfm.com

9 de nov de 2012

Papo de Gago #14: Papo Alegria: Give Love


Olá pessoal, o Papo de Gago de hoje é um papo com os Doutores da Graça, então junte-se a Anderson Ricardo e embarque nesse super bate-papo.

Nesse podcast: Descubra o valor de um abraço e entenda que um sorriso e um olhar alegre são a melhor das recompensas e lembre-se que o amor e a alegria são contagiosos.
 
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Ouça podcast no player acima ou baixe o mp3 clicando aqui

Por: Anderson Ricardo
Em: 09/11/2012
Objetivo:
LigadosFM  
 
 


 

6 de nov de 2012

48º Mundo Cão - Troque a sua Sorte pelo Juízo!

É uma recomendação sincera e não cheia de regras. As pessoas costumam apoiarem-se na sua sorte, no seu teço de oração, na crença em Deus e no sobrenatural do universo, do Maktub ou da infame teoria da vida após a morte, mas, relevam que, na verdade, a sorte coincide com a sua competência de arcar com suas responsabilidades e compromissos em determinadas horas.

Tipo, por ventura, escapei de um acidente de automóvel por ter chegado 15 segundos antes ao local onde teria acontecido o acidente e uma das vitimas teria sido eu. Era madrugada de sábado para domingo, creio que quase 04hs da manhã, e dirigindo em uma avenida de velocidade máxima permitida de 60 km, deparo-me com um veículo Hilux, da Toyota, invadindo a avenida sem freio e sem verificar a distância dos veículos que seguiam na avenida. Ele, o motorista do mesmo carro, invadiu a via sem frear, fazendo uma curva de 90º a uns 40 km por hora... O pneu do seu carro simplesmente derrubou o gelo baiano do canteiro central.

Meu veículo era um Fiat Palio na ocasião e eu trafegava a uma velocidade média de 50 km, na faixa da direita, quando percebi no asfalto uma luz forte, possivelmente, de um veículo. Pela velocidade a qual ela crescia, deduzi que ele estava em alta velocidade, logo, reduzi um pouco mais a velocidade do meu carro, sabendo que a frenagem de um carro como o meu, naquela situação, exigiria 14,5 metros de frenagem até que o veículo parasse por completo (como diz o manual de instruções).

Não sei se o proprietário daquela Hilux havia lido o manual do seu carro (acho que não, já que, por ventura, ele entrara de tal modo na avenida, a ponto de parecer um incompreendido a respeito das leis da física, que a sua atitude não somente poderia destruir com seu próprio carro, mas, com vidas e com o patrimônio alheio e público), mas, decerto, por pouco, muito pouco, as consequências de sua falta de juízo não culminaram em consequências irreversíveis.

Não necessariamente o motorista daquele robusto carro da Toyota contou com a forcinha da sorte. Enquanto optei pela prudência naquele momento, pelo modo como ele entrou na avenida, mostrou-se ser um bom motorista e ter domínio sobre a sua máquina a tal ponto de manter a estabilidade da mesma em uma curva de 90º a 40 km por hora. A propósito, a Hilux é um carro de tamanho porte e estrutura, que, se por acaso viesse eu com o meu veículo colidi-los, os estragos sobre a lataria e quem estivesse ali dentro seriam muito pequenos, se comparadas ao que me viria acontecer , tal qual ao meu carro.

Ou seja, ele podia (ainda que desajuizadamente), eu, não. Sabe, prefiro crer que se ele estivesse com um veiculo de mesmo porte que o meu, justo naquela ocasião, teria freado, verificado o trânsito da avenida e entrado. As pessoas tendem a inclinarem-se cada vez mais para o lado o qual remete mais cuidado e prevenção, na medida em que se veem em situações cada vez menos favoráveis a elas.

Esta mesma lógica se aplica ao comércio, ao crédito e à economia doméstica. O grande dilema dos brasileiros da classe C de hoje são as dívidas intermináveis e o comprometimento de mais de 30% de sua renda com contas a pagar. O juízo pede mais pressa do que o desejo pela sorte instantânea. Certa vez, observei pessoas ao meu redor com carros próprios, melhores e mais novos do que o meu, ainda que com uma renda inferior à minha. Em conversas, resolvia eu sempre especular as taxas de juros e as políticas de parcelamento que aquelas pessoas contratavam na compra de seus carros e constatei que nenhuma delas fazia poupança para usar como entrada e amenizar o peso dos juros e das taxas de administração de crédito previsto no contrato das concessionárias.

Trata-se de um fato curioso, haja visto que nenhuma delas tinham casa própria ou alguma aplicação em um fundo de investimento. Não eram funcionários públicos, nem encontravam-se em um contexto cujo qual proporcionasse chances palpáveis de crescimento e realização profissional. Natal é uma cidade pobre, financeira e empresarialmente, as chances de ascensão profissional por aqui são bastante modestas, se comparado com outros territórios da federação (estados e outros centros urbanos, ainda que menores). Veja bem, estamos tratando de um caso extremamente delicado, em que as pessoas, com pouca renda e com baixas possibilidades de angariar estabilidade no seu cargo e na sua profissão, ou seja, renda certa e garantida no fim do mês para poder arcar com este e outros compromissos, comprometem mais do que 30% de sua renda com consumo supérfluo e de curto prazo e não formam nenhum capital reserva ou de investimento – já que elas também usavam o cartão de crédito para pagar suas contas e trajavam roupas de marcas nada baratas.

Pelo cargo que assumiam em seus empregos, funções de analista e assistente administrativo, em Natal, sua média salarial não passaria dos R$ 2.000,00 (há gerente em Natal ganhando nada mais do que R$ 1.000,00), eram pessoas com pouco menos do que 02 anos de empresa e vivendo ainda na casa dos pais. Ainda que se tratassem de funcionários públicos, essas pessoas poderiam reconsiderar seus esforços de consumo e começar a considerar a possibilidade de formar patrimônio. Um deles, por sinal, era proprietário de um veículo cujo preço não se faz possível encontrar no mercado por valores abaixo dos R$ 40.000,00, todos tinham mais do que 25 anos de idade, com parceiros com os mesmos hábitos, segundo relataram, e sem previsão de estabelecer união.

Se pararmos para verificar, em determinados momentos, tanto essas pessoas como o motorista da Hilux deixaram-se contar com a sorte em singelos momentos de suas vidas, fosse na irresponsabilidade de invadir uma avenida com velocidade máxima permitida de 60 km por hora, sem tomar as devidas precauções, fosse na aquisição de um veículo comum à pessoas com renda até 05 vezes maior do que a delas.

Veja bem, isto não se trata de sorte. Ao longo de suas trajetórias de vida, elas adquiriram habilidade para lidar com determinados tipos de hostilidade e adversidade. Um é craque na direção veicular, outro, no modo como multiplicar sua renda usando a política de crédito brasileira. De qualquer forma, eles estão passando, estão levando suas vidas, ainda que daquele modo “como dá para levar”.

Sorte, na verdade, é um fenômeno fruto de nossas habilidades adquiridas em função de algo a fim de atingir algum objetivo. Estas pessoas, as quais fizemos referência aqui, não são sortudas, mas, habilidosas. E ainda que careçam de habilidades em outras áreas, que, por sinal, infiram-lhes futuramente no desejo e na única saída de ter que contar com a sorte, sofrerão as consequências disto.

Do maior desgaste das peças do seu veículo à falta que fará uma poupança, um fundo financeiro de reserva para emergências ou um acidente com graves consequências sobre terceiros, este e outros fatos de mesma meiose são o que caracteriza o fenômeno dos altos e baixos na vida das pessoas.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 06/11/2012

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 47º Mundo Cão - 158 mil

2 de nov de 2012

17ª Entrevista Literária - Bento de Luca

Bento de Luca é o pseudônimo dos autores Gustavo Almeida e Marcelo Siqueira. Nascidos em São Paulo em 1986 e 1987, respectivamente, e formados em Gestão Ambiental (Almeida) e Naturopatia (Siqueira), os primos se interessaram pela literatura desde cedo, e durante nove anos escreveram juntos alguns rascunhos que, posteriormente, se tornariam no livro “O Príncipe Gato e a Ampulheta do Tempo”, o primeiro de uma trilogia, o qual se tornou a segunda obra mais vendida da editora Novo Século.

Os Autores Gustavo e Marcelo

Ligados: Bento de Luca é o pseudônimo dos autores Marcelo Siqueira e Gustavo Almeida. De onde surgiu este nome e a ideia de se criar uma obra a dois? Houve conflito de opiniões em algum momento ou a escrita ocorreu de forma pacífica? 

Bento de Luca: Crescemos juntos e sempre compartilhamos das mesmas ideias! Esse desejo de criar um universo só nosso, de escrever um livro, surgiu na infância. Foi algo que cresceu dentro da gente ao mesmo tempo! Escrevemos juntos, portanto, desde a adolescência. Resolvemos adotar um único pseudônimo, pois utilizamos a ideia de que nosso livro é uma total fusão de nossas mentes, e que seria, portanto, terminantemente impraticável separar isso. Sobre a questão dos conflitos, podemos dizer que todo o processo fluiu de forma muito agradável. Nunca tivemos qualquer tipo de desentendimento, ou conflito de opiniões. No momento em que tivermos algum problema com relação a isso, algo estará errado! É preciso que haja uma “conexão”, e uma busca constante para mantê-la, caso contrário, não fluirá! 

Ligados: Quando surgiu essa paixão pela literatura, e por que se tornar escritores? 

Bento de Luca: Em 2001 fomos ao cinema assistir “Harry Potter e a Pedra Filosofal”. Nessa ocasião é que tivemos o grande estalo do tipo “Vamos bolar uma história só nossa! Vamos criar o nosso mundo!” De lá para cá desenvolvemos vários contos, várias histórias e roteiros; iniciamos alguns livros, mas nunca terminamos... E, sem grande maturidade literária, deixamos o sonho descansar um pouco em nossas almas. Foi no final de 2009 que resolvemos tirá-lo da gaveta. Com esse desejo fortemente digerido em nossas mentes, iniciamos uma nova história... Assim nasce o “O Príncipe Gato”! Posso concluir então dizendo que a J. K. Rowling foi a responsável pelo nosso interesse na Literatura, em especial na Literatura Fantástica, e consequentemente, pela escrita.

Ligados: “O Príncipe Gato e a Ampulheta do Tempo” é o primeiro livro de uma trilogia infantojuvenil que reúne contos e histórias fantásticas. Como funcionou o processo de escrita? Qual o enredo da obra? 

Bento de Luca: Eu diria que o processo de escrita fluiu como as águas de um rio. Temos grande afinidade. Crescemos juntos! Nossas ideias são sempre muito parecidas e complementares. O fenômeno da telepatia às vezes acontece também! (Risos) Mas falando diretamente sobre a mecânica de criação em si, a estruturação do livro, o roteiro, a composição dos personagens, tudo é feito em conjunto. Não existe aquilo de “Ah, você cria um personagem e eu crio outro!”, não, tudo é desenvolvido pelos dois. Com o roteiro bem arquitetado, mergulhamos nos capítulos individualmente, em uma ordem preestabelecida, mas, de todo modo, cada capítulo acaba passando pelas mãos dos dois. No final das contas tudo fica homogêneo; e isso é muito importante! O primeiro volume da trilogia “O Príncipe Gato e a Ampulheta do Tempo” conta a jornada de um viajante felino que veio através de um portal dimensional - um Buraco de Minhoca - do reino de Marshmallow para São Paulo, em busca de uma lendária ampulheta. A relíquia é a única capaz de salvar o reino do nobre Príncipe Gato que está à beira da destruição. Aqui na cidade ele acaba recrutando para a missão um jovem humano e um sábio roedor. Juntos eles iniciam a jornada em busca da Ampulheta do Tempo, mas logo eles percebem que não são os únicos que desejam a relíquia sagrada, o que acaba desencadeando uma série de problemas. 

Ligados: Vocês imaginavam que a recepção do livro seria tão positiva por parte dos leitores, tornando-o uma das obras mais vendidas da Novo Século? 

Bento de Luca: Até o presente momento o feedback que estamos recebendo não poderia ser melhor! Estão surgindo dezenas de resenhas pela internet extremamente positivas. Com frequência recebemos comentários nas redes sociais, como facebook e twitter, além de vários e-mails! Estamos bastante empolgados com essa receptividade calorosa. Estivemos apenas três dias na Bienal do Livro de São Paulo, e foi uma grande felicidade ver o “O Príncipe Gato” como o segundo mais vendido da Novo Século. Só temos a agradecer por todo o carinho dos leitores. 

Ligados: Quais autores influenciam as suas produções literárias? 

Bento de Luca: J. K. Rowling (Harry Potter); C. S. Lewis (Crônicas de Nárnia); J. R. R. Tolkien (O Senhor dos Anéis); Rick Riordan (Percy Jackson); Lewis Carroll (Alice no País das Maravilhas); Philip Pullman (Trilogia Fronteiras do Universo)... São muitos livros e autores literalmente fantásticos! Aqui no Brasil citaria: André Vianco, Eduardo Spohr, Raphael Draccon... Tem muitos autores nacionais de alta qualidade surgindo por aqui. Isso é realmente uma grande vitória! Tem um novo quadro de autores que realmente vale à pena conferir. São eles: Marcel Colombo, Reginaldo Fazio, Khêder Henrique, Ana Macedo, Leandro R. S. Filho, Willian Donadon... Não tenho como citar todos!

Ligados: Sabemos que engajar-se no mercado literário e divulgar a obra satisfatoriamente é um processo bem mais árduo que a própria criação do livro, e isso muitas vezes é desconhecido pelo autor estreante. Foi difícil encontrar uma editora? Quais os maiores empecilhos no caminho? 

Bento de Luca: Esse tema pode render um livro! (Risos) Ser um escritor não é um “caminho” fácil! Encontrar uma editora é uma tarefa, muitas vezes, complicada! Mas é preciso acreditar. Existem muitas editoras aproveitadoras; outras que nem querem saber de você... Seria um milagre, portanto, se disséssemos que foi rápido e fácil! Acredito que pouquíssimos tem essa sorte! Enviamos o nosso livro para mais de 20 editoras. Felizmente, após um ano e meio de muita procura, fechamos contrato com a editora Novo Século, sob o selo “Novos Talentos da Literatura Brasileira”! E assim o Príncipe Gato comemorou a conquista! Publicar um livro é apenas um degrau alcançado de uma longa escada espiralada. Ganhar destaque, se manter na mídia, é uma tarefa árdua que, como bem apontado na pergunta, o autor estreante não costuma ter consciência. A divulgação é a grande ferramenta que definirá quais autores ficarão pelo caminho e quais conseguirão atingir o ponto almejado. 

Ligados: Alguma dica aos próximos escritores? 

Bento de Luca: É uma dica aparentemente muito simples, mas quando se vive de fato nesse universo literário, acaba se tornando quase como um mantra: “Nunca desista dos seus sonhos!” E, como postamos recentemente no facebook “Ao impossível e além”! 

Ligados: Existe algum projeto em andamento, além da trilogia “O Príncipe Gato”? 

Bento de Luca: Já estamos trabalhando em cima do segundo volume da trilogia “O Príncipe Gato e a Flor-Cadáver”! Na realidade já temos o “esqueleto” completo da trilogia, o que é importante para enlaçar toda a trama. Esse segundo volume será um pouco maior com relação ao primeiro! O que posso revelar é que ele será ambientado em Marshmallow, o reino do Príncipe Gato, e que alguns pontos que ficaram “meio sem respostas” serão revelados. Essa é a grande graça de trilogias e séries. Os leitores podem esperar personagens nunca antes imaginados; uma história bem diferente, recheada de aventura e um ritmo alucinado do começo ao fim! 

Ligados: Rascunhos de algum projeto solo? 

Bento de Luca: Nosso foco no momento está voltado para a trilogia “O Príncipe Gato”, em terminar os próximos dois volumes. Mas com certeza não pararemos depois disso, novos projetos com Bento de Luca (Marcelo Siqueira e Gustavo Almeida) surgirão. Mas temos nossos projetos individuais também, que estão guardados, apenas esperando o momento oportuno para a publicação. 

Perguntas rápidas: 
Autor(a): J. K. Rowling;
Ator(Atriz): Johnny Depp;
Site: www.oprincipegato.com.br; 
Banda: 30 Seconds to Mars;
Música: This is War;
Filme: As Crônicas de Nárnia – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa.

Links na internet: 
Twitter: @oprincipegato;

Links dos seus produtos nas lojas onlines: 
Saraiva: Aqui
Submarino: Aqui
Cultura: Aqui
Siciliano: Aqui.

Ligados: Gostariam de encerrar com algum recado? 

Bento de Luca: Em primeiro lugar gostaríamos de agradecer o espaço cedido pelo blog Ligados FM! Para os leitores do blog fica o convite para que permaneçam com o Príncipe Gato e que mergulhem de cabeça nessa lenda! Grande abraço a todos!


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 02/11/2012 - Objetivo: www.ligadosfm.com