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13 de set de 2013

35ª Entrevista Literária - Adriana Lisboa

Adriana Lisboa nasceu no Rio de Janeiro, viveu na França (onde atuou como cantora de MPB) e reside atualmente no Colorado, Estados Unidos. Graduada em música pela UniRio, possui ainda mestrado em Literatura Brasileira e doutorado em Literatura Comparada. É escritora, autora de onze livros, sendo seis deles romances, uma coletânea de minicontos e quatro infantojuvenis. Ganhou, em 2003, o Prêmio Literário José Saramago pelo romance “Sinfonia em branco”, além do Moinho Santista (2005) pelo conjunto de sua obra, e o de autor revelação (2006) da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) por “Língua de trapos”, entre outros prêmios. Sua produção foi traduzida para oito idiomas e lançada em diversos países.

A autora Adriana Lisboa - Foto Divulgação

Ligados: Adriana Lisboa por Adriana Lisboa?

Adriana Lisboa: Uma pessoa bem pequena, que tenta ser corajosa e navegar por este mundo maluco da melhor forma possível.

Ligados: Aos nove anos de idade você escreveu os primeiros poemas, na escola. À época, já tinha em mente o desejo de tornar-se escritora, como declarou, certa vez, em entrevista. De onde surgiu este fascínio pela literatura? Poderia nos falar um pouco sobre esta fase de sua vida?

Adriana Lisboa: Na verdade eu achava a ideia de ser escritora algo bem exótico, talvez como pensar em ser astronauta. Não pensava nisso seriamente, mas apenas como as crianças pensam. E o fascínio, acho que veio de fábrica, mesmo. Quando li poemas pela primeira vez, me apaixonei, e quando comecei a escrever nunca mais quis parar.

Ligados: Os seus pais eram musicistas informais e, naturalmente, desde muito cedo você demonstrou interesse pela referida arte, chegando a trabalhar como cantora de MPB na França e graduar-se em música, além de lecionar aulas, durante algum tempo, nesta área. De certa forma, você acredita que os conhecimentos que possui relacionados à música te ajudam a compor seus escritos, já que o prosador deve, também, ter a sensibilidade de captar o ritmo e a sonoridade do texto, afim de que se escolha o devido vocábulo para cada ocasião? 

Adriana Lisboa: Acho que me ajudam, sim. Não que eles sejam necessários ao escritor, mas no meu caso, não há dúvidas de que fazem de mim a autora que eu sou (para o bem ou para o mal). Sou muito atenta à musicalidade das palavras e do texto, ao seu ritmo, gosto de ler em voz alta para ver se funciona.

Ligados: Quantos e quais livros solos já publicou? 

Adriana Lisboa: Onze livros. Os romances “Os fios da memória”, 1999 (Rocco), “Sinfonia em branco”, 2001 (Rocco, recém-relançado pela Alfaguara), “Um beijo de colombina”, 2003 (Rocco), “Rakushisha”, 2007 (Rocco), “Azul-corvo”, 2010 (Rocco) e “Hanói”, 2013 (Alfaguara). Os minicontos de “Caligrafias”, 2004 (Rocco), com desenhos originais de Gianguido Bonfanti. E quatro livros infantojuvenis: a novela juvenil “O coração às vezes para de bater”, 2007 (Publifolha, a ser relançada pela Rocco em 2013), “Língua de trapos”, livro em versos para crianças, 2005 (Rocco), “A sereia e o caçador de borboletas”, também para crianças, 2009 (Rocco) - ambos ilustrados por Rui de Oliveira – e, por fim, “Contos populares japoneses”, 2008 (Rocco), ilustrado por Janaína Tokitaka.

Ligados: Em 2003 você recebeu o Prêmio José Saramago, um dos maiores certames literários atribuídos dentro do âmbito da lusofonia, com a obra “Sinfonia em branco” (1ª edição, Rocco, 2001, recém-lançado pela Alfaguara). Esta vitória cravou um marco em sua experiência como escritora profissional, abrindo as portas do mercado editorial, em termos globais? 

Adriana Lisboa: Sem dúvida, ainda que eu saiba que premiações são sempre subjetivas e arbitrárias. Mas o prêmio foi importante por muitos motivos. Foi uma surpresa que me pegou na contramão e graças a ele passei a ter uma agente internacional (a alemã Ray-Güde Mertin, e hoje Nicole Witt, que herdou sua agência). Foi depois disso que comecei a publicar fora do Brasil.

Ligados: Qual o seu comportamento cotidiano? Está sempre escrevendo, ou não segue uma rotina fixa de criação literária?

Adriana Lisboa: Não sigo uma rotina fixa, necessariamente, mas minha cabeça funciona melhor de manhã, então tento reservar essa parte do dia para a escrita. Quando estou no meio de um romance, escrevo praticamente todos os dias, ou faço revisão do que escrevi até ali. Quando não estou, escrevo poemas, rabisco ideias, outras coisas.

Ligados: O que é um bom escritor, em sua opinião? 

Adriana Lisboa: Aquele que consegue encontrar sua própria voz com criatividade e sem arrogância. Há os espontâneos, mas de modo geral penso que a consciência do que se faz e a reflexão sobre isso ajudam muito.

Ligados: Você traduziu para o português autores como Robert Louis Stevenson, Cormac McCarthy, Marilynne Robinson, Jonathan Safran Foer e Maurice Blanchot. Recentemente, no entanto, resolveu abandonar este ofício que te acompanhou por uma década. Quais foram os motivos que te levaram a esta decisão? 

Adriana Lisboa: Eu traduzia basicamente pela necessidade de ganhar dinheiro. É muito difícil viver da própria escrita no Brasil, a menos que se seja também roteirista, jornalista, cronista (mesmo morando nos EUA há quase sete anos, continuo escrevendo em português e sendo uma autora brasileira). A tradução é um trabalho interessante, que nos dá uma consciência das filigranas do texto, e nos permite quase que ouvir o cérebro do autor funcionando por trás das frases. É um grande aprendizado também de humildade. Mas depois de uma década eu já estava exausta desse trabalho, fisicamente exausta (tive dois episódios de lesão por esforço repetitivo) e felizmente hoje com os meus livros e suas traduções já está dando pra prescindir dele.

Ligados: O cineasta argentino Eduardo Montes-Bradley realizou um documentário sobre a sua vida intitulado “Lisboa”, filmado em Denver e Boulder, no Colorado (EUA), onde reside atualmente. Fale-nos um pouco sobre o filme. 

Adriana Lisboa: Eduardo me contatou depois de ter lido meu romance “Azul-corvo” com a ideia de fazer o documentário. Sua ideia era falar da minha vida “normal,” e não de literatura. Achei bastante original. O projeto dele acabou se desdobrando numa série sobre autores brasileiros contemporâneos. Este ano ele finaliza filmes com Luiz Ruffato, Milton Hatoum, Carola Saavedra e Ronaldo Correia de Brito.

Ligados: O que tem lido? 

Adriana Lisboa: Muita, muita poesia contemporânea. Adoro o trabalho da Mariana Ianelli, do Eucanaã Ferraz, dos poetas americanos W.S. Merwin, Philip Levine e Elizabeth Spires, entre muitos outros. Também ficção como “Terra de casas vazias”, do André de Leones, que está cada vez melhor, e “Train Dreams”, uma soberba novela do americano Denis Johnson, acho que ainda sem tradução no Brasil. Além disso, ando sempre com os meus livros sobre budismo na cabeceira. Um mestre tibetano que tenho lido muito é Khenchen Thrangu Rinpoche.

Ligados: Que dica você daria aos futuros escritores?

Adriana Lisboa: A mesma que deu José Saramago em certa ocasião: “Não tenham pressa, mas não percam tempo”.

Ligados: Está trabalhando em algum projeto ficcional no momento? 

Adriana Lisboa: Não. Publiquei meu mais recente romance em junho, “Hanói”, e estou dando um tempo agora. Na verdade, estou organizando os poemas do meu primeiro livro de poesia, por ora intitulado “Parte da paisagem”.

Ligados: Considerações finais. 

Adriana Lisboa: Agradeço o interesse pelo meu trabalho, o convite para a entrevista, e desejo vida longa ao blog “Ligados.” Saudações!



Autor: Thiago Jefferson - Criação: 13/09/2013 - Objetivo: www.ligadosfm.com

23 de ago de 2013

34ª Entrevista Literária - Sacolinha

Ademiro Alves, ou Sacolinha, como é mais conhecido, nasceu em 1983 na cidade de São Paulo, e reside atualmente em Suzano. Formado em Letras pela Universidade de Mogi das Cruzes, é escritor, autor dos livros “Graduado em marginalidade” (Edição independente, 2005. 2ª edição pela Confraria do Vento, 2009); “85 letras e um disparo” (Editora Ilustra, 2006. 2ª edição pela Global, 2007); “Peripécias de minha infância” (Editora Nankin, 2010); “Estação terminal” (Editora Nankin, 2010); “Manteiga de cacau” (Editora Ilustra, 2012) e “Como a água do rio” (Editora Aeroplano, 2013). Trabalhou, por oito anos, na secretaria de cultura do município de Suzano, onde desenvolveu inúmeros projetos de incentivo à leitura e de divulgação de novos escritores, com destaque para o “1º Salão Internacional do Livro de Suzano”. Atualmente tem viajado pelo país fazendo palestras e ministrando oficinas, principalmente em lugares vulneráveis, como cadeias, penitenciárias, favelas, morros e associações de moradores. Desenvolve ainda uma palestra por semana nas escolas públicas do estado de São Paulo.

O autor Sacolinha - Foto Divulgação

Ligados: Quem é o Sacolinha?

Sacolinha: Tenho 29 anos, nasci na cidade de São Paulo e sou formado em Letras pela Universidade de Mogi das Cruzes. Escritor, autor de romances e livros de contos. Em minha trajetória já estive em programas de televisão como o do Jô Soares (TV Globo), Provocações, Metrópolis e Manos e Minas (TV Cultura). Ganhei vários prêmios por meus livros e projetos. Desenvolvo ainda uma palestra por semana nas escolas públicas do estado de São Paulo.

Ligados: O Jornal do Unificados publicou, tempos atrás, uma entrevista contigo intitulada “O homem que roubava livros”. De onde surgiu este título, e qual a relação do mesmo com o início do seu interesse literário? 

Sacolinha: É que no inicio, assim que eu comecei a ler, eu pegava escondidos os livros do meu tio, que não queria me emprestá-los. Mas eu acabava gostando dos livros e não os devolvia. Daí o título de ladrão de livros. Mas, como no Brasil ninguém rouba, desvia, então eu nunca roubei livros, eu desviei.

Ligados: Em 2002 você começou a esboçar suas ideias em papel, tendo lançado, três anos mais tarde, a primeira obra, “Graduado em marginalidade”. Passado pouco mais de uma década, seguiram outros cinco livros, de gêneros variados. Poderia fazer uma síntese a respeito deles? 

Sacolinha: São 6 livros até agora:

GRADUADO EM MARGINALIDADE – Romance Urbano Contemporâneo que narra o amadurecimento precoce do jovem VANDER e toda sua trajetória de vida, até atingir o degrau máximo da marginalidade. No final, como todo graduado recebe um diploma, qual seria, então, o diploma de um graduado na marginalidade?

85 LETRAS E UM DISPARO – Global Editora: Livro de Contos que versam sobre variados temas da sociedade, inclusive aqueles que muitos insistem em não debater.

PERIPÉCIAS DE MINHA INFÂNCIA – Editora Nankin: Romance Infanto-Juvenil que narra a infância e a adolescência de ARTUR, personagem de família pobre, criativo e viciado em felicidade.

ESTAÇÃO TERMINAL - Editora Nankin: Romance Contemporâneo que narra o dia a dia de um terminal de metrô, terminal no sentido em que os personagens encerram a sua vida ora se acomodando, ora morrendo.

MANTEIGA DE CACAU – Editora Ilustra: Livro de contos que tratam das crises e dos conflitos do universo masculino.

COMO A ÁGUA DO RIO – Editora Aeroplano: Biografia que narra a trajetória de vida e literária do escritor Sacolinha até os 28 anos de idade.

Ligados: E quanto ao pseudônimo Sacolinha? 

Sacolinha: Era um apelido que ganhei quando trabalhava como cobrador de lotação. Depois que me tornei escritor acabou que o apelido virou pseudônimo, já que todos me conheciam assim.

Ligados: O tipo de literatura que você vem desenvolvendo, juntamente com autores como Rodrigo Ciríaco e Sérgio Vaz é, por vezes, rotulada de “Marginal” e/ou “Periférica”. Embora você rejeite este estereótipo, concorda que muitos jovens começaram a ler pela identificação com o movimento e o termo que o nomeia? 

Sacolinha: Claro. Não só concordo como sou o entusiasta dessa ideia. Sou um incentivador da leitura, estou e vou a lugares que muitos escritores e acadêmicos não vão nem sob ameaças de morte. Portanto, toda e qualquer ferramenta de incentivo à leitura é válida. Essas vertentes da literatura são uma referência pra molecada da periferia, que veem a literatura como algo chato e disciplinar. Quando ele vê um cara como ele, negro, rapper ou da favela, fazendo uma literatura com um nome familiar, marginal, periférica, maloqueira, negra e etc., a identificação é imediata. Logo ele vira leitor, e muitas vezes escritor.

Não creio que isso seja um estereótipo. Para mim é mais um rótulo, e já tenho rótulos demais. Também não tenho problemas com isso. Só não rotulo o que eu escrevo, mas os leitores, jornalistas e acadêmicos podem rotular como quiserem. Eu é que não saio dizendo que faço literatura A ou B.

Ligados: Como era o seu trabalho na Secretaria de Cultura de Suzano? Foi uma boa experiência, tanto pessoal como profissional? 

Sacolinha: Nos oito anos que passei lá como Coordenador Literário creio que consegui despertar toda uma cidade para os livros e para a literatura. Surgiram leitores e escritores, muitos escritores. Alguns já existiam, mas somente dentro de suas casas. Já outros foram nascendo, através das oficinas de criação literária, dos saraus e das provocações de escritores que eu trouxe para a cidade. Encerrei minha participação naquela secretaria com a realização do 1º Salão Internacional do Livro de Suzano, um grandioso evento em torno do livro, dos escritores e das pessoas.

Ligados: O que anda lendo?

Sacolinha: José Saramago, Guimarães Rosa e José Lins do Rêgo.

Ligados: Que conselho você daria àqueles que estão começando o processo de escrita?

Sacolinha: Leia! A única fonte legítima de ensino e de inspiração para um escritor são os livros que ele lê. Não acredito em autor que não é antes um bom leitor.

Ligados: Quais os seus planos para o futuro? Algum projeto em andamento? 

Sacolinha: Estou tentando me dedicar ao meu novo romance, mas as palestras não deixam.

Ligados: Gostaria de encerrar esta entrevista com algum comentário?

Sacolinha: Se quiserem saber mais sobre meus projetos, acessem: www.sacolagraduado.blogspot.com.



Autor: Thiago Jefferson - Criação: 23/08/2013 - Objetivo: www.ligadosfm.com

9 de ago de 2013

33ª Entrevista Literária - Fabiano Calixto

Fabiano Calixto nasceu em 1973 no município de Garanhuns, Pernambuco, e reside atualmente em São Paulo. Mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada, é ainda escritor, poeta, tradutor e professor, tendo publicado os livros “Algum” (edição do autor, 1998); “Fábrica” (Alpharrabio Edições, 2000); “Um mundo só para cada par” (em parceria com os poetas Kleber Mantovani e Tarso de Melo, pela Alpharrabio Edições, 2001); “Música possível” (CosacNaify/ 7 Letras, 2006); “Sangüínea” (finalista do Prêmio Jabuti de 2008, lançado pela Editora 34, 2007); “Pão com bife” (Edições SM, 2007) e “A canção do vendedor de pipocas” (7 Letras, 2013). Traduz, no momento, uma antologia de Benjamín Prado e outra de Kenneth Rexroth, além de editar a revista digital de arte e política “O almanaque lobisomem”. Sua nova coletânea de poemas, intitulada “Nominata morfina”, sairá em breve.

O autor Fabiano Calixto - Foto Divulgação

Ligados: A título de informação, quem é Fabiano Calixto? 

Fabiano Calixto: Sou um escritor pernambucano criado em Santo André (SP) que vive atualmente em São Paulo. Sou mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP). Escrevi seis livros de poesia – “Algum” (edição do autor, 1998), “Fábrica” (Alpharrabio Edições, 2000), “Um mundo só para cada par” (Alpharrabio Edições, 2001), “Música possível” (CosacNaify/7Letras, 2006), “Sangüínea” (Editora 34, 2007) – este finalista do Prêmio Jabuti de 2008 na Categoria Melhor Livro de Poesia –, e “A canção do vendedor de pipocas” (7Letras, 2013). Um livro de poesia infantil, “Pão com bife” (Edições SM, 2007). Escrevi crítica literária, organizei livros, editei revistas de arte, traduzi poetas que amo. Atualmente edito a revista digital de arte e política “O Almanaque Lobisomem”. Meu novo livro de poemas, intitulado “Nominata morfina”, sairá em breve. Estou terminando meu primeiro romance, intitulado “Meu coração é o fim do mundo”, e um livro de contos. Gosto de rock’n’roll, cachoeira, chuva, cerveja, pizza & prosa com amigos. Sou anarquista. Pretendo ingressar no doutorado e morar em Oslo por alguns anos.

Ligados: Quando surgiu o seu interesse pela poesia, e que relação ela tem com a música, de uma forma generalizada?

Fabiano Calixto: Na verdade, acho que houve momentos diferentes de curtição de poesia em minha vida. Meu pai me ensinou o primeiro poema – a parlenda “hoje é domingo”; minha mãe ouvia Luiz Gonzaga, Raul Seixas, Odair José, Roberto Carlos, Evaldo Braga, Paulo Sérgio, todos muito cheios de poesia. Nesta mesma época, ainda muito criança, eu ouvia a Coleção Disquinho, que foi lançada no Brasil nos anos 60 e cruzou décadas com histórias clássicas e universais, acompanhadas de músicas compostas por João de Barro e arranjos orquestrais de Radamés Gnatalli (sou muito fã de ambos). Aquelas histórias acordaram meus ouvidos para a melodia. Depois, o tempo passando, fui me interessando por outras coisas, como heavy metal, histórias em quadrinho e, claro, futebol. Lia tudo a respeito. Mais adiante, quando fundei uma banda de thrash metal (a mais barulhenta do ABC paulista), fui colecionando a poética dos bares & da noite, a poética da vida. Depois, quando retornei à escola (havia parado e voltado mil vezes), fui descobrindo a poesia dos manuais escolares – os românticos me interessaram logo de cara. Junte isto com audições diárias de compositores como John Lennon, Bob Dylan, Neil Young, Chico Buarque – cujas letras me fascinam até hoje. Pronto, foi aí que comecei a me interessar profundamente por poesia.

Ligados: Em suas poesias notam-se os centros urbanos, bem como seus moradores e a geografia das cidades como características mais presentes, além de abordarem a solidão do homem em meio ao crescimento populacional intenso e posterior surgimento das metrópoles. Por qual motivo você se utiliza deste panorama? 

Fabiano Calixto: A cidade me interessa, a cidade é minha tara. Gosto de falar sobre o espaço urbano. É uma reflexão intensa e também dolorida. A cidade acalenta e dói.

Ligados: Recentemente você lançou, pela editora “7 Letras”, a obra “A canção do vendedor de pipocas”, que reúne parte de seu acervo poético criado entre 1998 e 2012. Qual o significado deste título? Aproveitando, fale-nos um pouco sobre esta produção. 

Fabiano Calixto: O título significa a cidade, o mundano na cidade, a parte que me interessa da cidade, a parte do estouro, da transformação. O livro é uma reunião dos poemas que fiz e ainda gosto muito. Reorganizei tudo e coloquei nesta antologia.

Ligados: Em paralelo às várias manifestações populares por todo o Brasil que, inicialmente, surgiram para contestar os aumentos nas tarifas dos transportes públicos e, em seguida, passaram a abranger uma infinidade de temas, surgiu à coletânea “Vinagre – Antologia de Poetas Neobarracos”. Qual o principal propósito que levou à criação do livro, e em que momento surgiu esta ideia? 

Fabiano Calixto: A antologia surgiu como gesto de solidariedade às manifestações que aconteceram (e continuam acontecendo) pelo Brasil todo em junho passado. A ideia nasceu de uma prosa com os poetas Ana Rüsche e Pedro Tostes. A partir daí, fiz uma convocação pública no facebook e muita gente topou participar. Acho que foi muito legal e cumpriu sua função, participando dos tensos processos de transformação por quais passa o país.

Ligados: Gostaria de deixar alguma mensagem aos aspirantes à poesia? 

Fabiano Calixto: Leia muito. E depois, leia mais. Desconfie de todo e qualquer sujeito que diga que a poesia é isto ou aquilo, porque a poesia não é isto nem aquilo, mas pode ser isto ou aquilo. Desconfiar sempre. E ler o máximo que puder.

Ligados: O que anda lendo na atualidade? 

Fabiano Calixto: Ando lendo teoria literária e anarquista. Poesia sempre, alguma coisa aqui e ali – atualmente Manuel de Freitas e Heriberto Yépez. Lendo também “Los cuatro elementos”, de C.E. Feiling. Relendo “Maus”, de Art Spiegelman.

Ligados: Sobre o seu livro de poemas inédito, “Nominata Morfina”, quais assuntos são abordados? Poderia nos adiantar algo a respeito? Além deste, há outros projetos em andamento? 

Fabiano Calixto: São muitos assuntos no livro novo. No geral, o pasmo diante do mundo mancha todos os poemas. É um livro sobre minhas reflexões sobre a vida. Fora isso, há os projetos de prosa de ficção, que disse acima, mais algumas parcerias de tradução com amigos que amo e com os quais partilho algumas paixões (Benjamín Prado, com Eduarda Rocha; e Kenneth Rexroth, com Reuben da Cunha Rocha), há também uma HQ em preparo com Diego de Sousa. Além disso, “O Almanaque Lobisomem”, que será uma publicação trimestral de arte.

Ligados: Desejar encerrar esta entrevista com mais algum comentário?

Fabiano Calixto: Poesia, meus caros amigos, poesia!



Autor: Thiago Jefferson - Criação: 09/08/2013 - Objetivo: www.ligadosfm.com

26 de jul de 2013

32ª Entrevista Literária - Leila Guenther

Leila Guenther nasceu em Blumenau, Santa Catarina, e reside atualmente em São Paulo. Formada em Letras, publicou em 2006 o livro de contos "O voo noturno das galinhas" (Ateliê Editorial), traduzido posteriormente para espanhol e lançado no Peru pela Borrador Editores; lançou ainda a edição artesanal de "Este lado para cima" (Selo Sereia Ca(n)tadora, Revista Babel, 2011). Participou das antologias "Quartas Histórias: contos baseados em narrativas de Guimarães Rosa" (Garamond, 2006), "Capitu mandou flores: contos para Machado de Assis nos cem anos de sua morte" (Geração Editorial, 2008), "50 versões de amor e prazer: 50 contos eróticos por 13 autoras brasileiras" (Geração Editorial, 2012) e realizou, pela Ateliê Editorial, as edições comentadas de "Iracema", "A cidade e as serras", "Dom Casmurro", e "O Cortiço". Foi selecionada no Programa Petrobras Cultural 2012 com o livro de poemas "Viagem a um deserto interior".

A autora Leila Guenther - Foto Divulgação

Ligados: Leila Guenther por Leila Guenther? 

Leila Guenther: Alguém que tenta viver como quem está escrevendo, ou seja, de modo a fazer cada pequena coisa da vida com atenção total. 

Ligados: Você veio de uma família que, embora simples, sempre prezou pelo hábito da leitura em casa. Consequentemente, o interesse à criação literária em sua vida começou desde muito cedo, ainda na infância. Conte-nos um pouco sobre esta fase. 

Leila Guenther: Para mim, não havia diferença entre livros e brinquedos: eram coisas que me divertiam, que me levavam para outro mundo. Eu ficava tão feliz de entrar em uma livraria quanto algumas crianças numa loja de brinquedos. No princípio, ia decorando histórias que liam para mim; depois aprendi a ler, e já não dependia dos adultos; e, por fim, escrevia minhas próprias e às vezes as ilustrava. E, na escola, lia de uma vez todos os livros que indicavam como leitura obrigatória do ano. 

Ligados: Em 2006 você reuniu alguns contos anteriormente publicados em diversos veículos de comunicação, sob o título “O voo noturno das galinhas”, pela “Ateliê Editorial”. Quais temas são abordados neste seu volume de estreia, e como se deu o processo de seleção do material compilado? 

Leila Guenther: Acho que são basicamente contos sobre o estranhamento e sobre como o cotidiano mais banal pode deflagrá-lo. Tive a sorte de ter o livro lido pelo Décio Pignatari, que, numa conversa, o definiu de um jeito muito bonito: disse que ele não era nem irreal (não se vinculava à fantasia), nem realista (não se preocupava com a realidade), mas “arreal”, porque criava uma espécie de universo paralelo de ficção. Como os primeiros contos que escrevi se passavam em lugares fechados, escuros, de ambiência meio claustrofóbica, e como depois os outros eram ambientados já em lugares abertos, amplos, pareceu-me interessante ordená-los de modo que sugerissem uma trajetória que fosse da opressão à libertação. 

Ligados: A obra acima citada foi, inclusive, publicada tempos depois, no Peru. Como você enxerga esta experiência de atingir também o público de língua espanhola? 

Leila Guenther: Parece que estamos aqui, por conta do idioma, um pouco afastados do que ocorre na América Latina. Ter um livro traduzido para o espanhol significa poder ter um livro lido na língua majoritária da América e isso proporciona, sem dúvida, a troca de experiências com outras culturas, outras literaturas, outros leitores. Além disso, foi incrível descobrir o respeito e o interesse que os peruanos têm pelo que produzimos aqui. 

Ligados: Você necessita de alguma condição para tornar possível a escrita, como horário favorável ou atmosfera propícia à “inspiração”? 

Leila Guenther: Não, nada. Sou amadora, no bom e no mau sentido. Não tenho pressa de publicar. Não tenho método e na maioria das vezes escrevo apenas quando surge uma necessidade interior. 

Ligados: Ainda no campo literário, você participou de três antologias organizadas pelo escritor Rinaldo de Fernandes; são elas “Quartas histórias”, “Capitu mandou flores” e “50 versões de amor e prazer”. Poderia nos fornecer mais detalhes a respeito das mesmas? 

Leila Guenther: Em “Quartas Histórias: contos baseados em narrativas de Guimarães Rosa”, tentei criar a gênese de um dos personagens de “Grande Sertão: Veredas”; para “Capitu mandou flores: contos para Machado de Assis nos cem anos de sua morte”, escrevi “A outra causa”, uma releitura de “A causa secreta”. Era a história do sádico Fortunato contada de outro ponto de vista. Acho que foi o que mais gostei de escrever até hoje! Depois veio o volume “50 versões de amor e prazer: 50 contos eróticos por 13 autoras brasileiras”, com quatro contos meus, três deles inéditos. Por meio do erótico, tratei de questões como os clichês românticos, a literatura decadentista, a complementaridade das relações humanas etc. Escrever sob demanda é um grande desafio e sou grata ao Rinaldo por ter sempre me “desafiado” tanto! 

Ligados: Há cerca de sete anos, em entrevista ao jornalista Ricardo Lima, você disse que se interessava pelos textos prosaicos, mas que talvez não se atrevesse na elaboração de poemas. O que te levou a, de certa forma, mudar a opinião e experimentar da literatura em versos, caso do seu “Viagem a um deserto interior”, projeto contemplado no Programa Petrobras cultural de 2012? 

Leila Guenther: O que aconteceu é que nos últimos tempos senti uma necessidade de me expressar de outras formas, por outros meios. Mas também percebi que o conto, pelo menos o tipo de conto que escrevo, está mais próximo do poema do que do romance. Essa percepção me deu mais coragem de me embrenhar pela poesia. No fundo, o limite entre os gêneros pode ser algo tênue. 

Ligados: Que livro está em sua cabeceira no momento? 

Leila Guenther: “Zen Culture”, de Thomas Hoover, uma história do budismo e da influência de sua versão zen nas artes. 

Ligados: Gostaria de deixar algumas dicas para os novos escritores? 

Leila Guenther: Não sei se estou mais em posição de dar dicas ou de recebê-las, mas eu diria que, antes de ser escritor, é preciso ser leitor. 

Ligados: Possui projetos literários em andamento? 

Leila Guenther: Trabalho no livro de poemas selecionado pelo Programa Petrobras Cultural 2012, “Viagem a um deserto interior”, e num livro de contos. 

Ligados: Considerações finais. 

Leila Guenther: Gostaria de agradecer a Thiago Galdino pelo convite e também parabenizar a Equipe Ligados pela proposta tão bacana que vem desenvolvendo.



Autor: Thiago Jefferson - Criação: 26/07/2013 - Objetivo: www.ligadosfm.com

14 de jul de 2013

Curso de Medicina


A minha atual opinião quanto a apliação dos curso de medicina e porque eu concordo: http://youtu.be/dKFNffOaz9E via @youtube @felipobellini

Comentem por favor!

12 de jul de 2013

31ª Entrevista Literária - Valdeck Almeida de Jesus

Valdeck Almeida de Jesus nasceu em 1966 no município de Jequié, BA, e reside atualmente na capital do estado. É jornalista, escritor, poeta, editor e funcionário público federal. No campo literário, possui dezenas de trabalhos publicados, tanto no Brasil como no exterior, e idealizou, em 2005, um concurso de poesias que carrega o seu nome, certame este que já lançou cerca de 1200 textos de poetas de diversas nacionalidades. 

Preside o Colegiado Setorial de Literatura da Bahia e é Embaixador da Divine Académie Française des Arts, Lettres et Culture; Embaixador Universal da Paz; Membro da Academia de Letras do Brasil; Academia de Letras de Jequié; Academia de Cultura da Bahia; Academia de Letras de Teófilo Otoni; Academia Nevense de Letras; Ciências e Artes ANELCA; Poetas del Mundo; Fala Escritor; Confraria dos Artistas e Poetas pela Paz e da União Brasileira de Escritores.

O autor Valdeck Almeida de Jesus - Foto Divulgação

Ligados: Valdeck escritor. Valdeck poeta. Valdeck cidadão. Valdeck ator social... Em qual destas facetas você se sente mais realizado e próximo da sua essência, como ser humano, se é que é possível esta distinção entre suas atividades cotidianas?

Valdeck Almeida: Bem, no dia a dia não dá para separar os vários “eus”, nem dá para quantificar também quantas facetas posso ter. Sou pai, amigo, irmão, colega de trabalho, leitor, crítico, vendedor de livro, recitador etc. Claro que às vezes uma faceta se sobressai, outras vezes outra ou outras se sobrepõem e por aí vai. Mas eu me sinto realizado, mesmo, quando tenho a sensação de dever cumprido. E isso não tem nada a ver com traçar metas para o dia, para a semana, o mês. Eu procuro estar antenado e me inclino, naturalmente, para aquilo que me atrai, me sensibiliza. No geral sou introspectivo, observador, calado. Minha atividade mental é bem mais intensa quando estou à parte, na lateral. Talvez estar distanciado seja uma utopia, pois de alguma forma estamos envolvidos com o mundo ao redor. Mas eu me sinto confortável observando, refletindo. Não gosto de interferir, a menos que seja solicitado ou que tenha algo de positivo para falar. Quando interfiro, seja a pedido ou por força da circunstância, me sinto reconfortado, pois é nesse momento que coloco à prova o que eu penso e o que defendo na vida. Talvez seja nestas ocasiões em que eu me sinto realizado, talvez.

Ligados: Você disse certa vez que, na adolescência, morou em uma fazenda onde havia muitas revistas em quadrinhos na biblioteca da patroa; sempre que a mulher viajava, você entrava na residência por uma janela defeituosa, pegava dezenas delas e, depois de ler, voltava e as devolvia ao local de origem. Foi daí que surgiu o seu interesse pela criação literária, ou já rabiscava alguns textos na época da tal descoberta? 

Valdeck Almeida: A memória sempre nos trai. Não sei precisar exatamente quando e onde começou meu exercício de criação literária, de escrita propriamente dita. Na verdade, esta citação sobre as revistas em quadrinhos eu faço, também, no meu livro “Memorial do Inferno”. Em minha opinião todos nós escrevemos, sempre, seja no papel ou nos cantinhos da memória, da saudade, do viver diário. Por isso, acho que sempre escrevi, desde os momentos em que tomei consciência do mundo, da existência do meu pai, que sempre trabalhava fora e voltava com os bolsos cheios de doces para mim e para minha irmã Valquíria. Esta imagem, ou página da vida, está escrita em mim, e eu não sei precisar exatamente qual a data. Talvez não haja necessidade de mapear, de localizar no tempo um evento da vida. A vida em si já é um livro e, nesse sentido, estive sempre entre as linhas, palavras, sejam escritas ou faladas, proferidas ou simplesmente ouvidas ou ignoradas. Meu primeiro poema, este, sim, eu me lembro que foi aos doze anos, em homenagem a minha mãe. Mas eu já escrevia imagens na mente, já fantasiava com as estórias que minha mãe me contava, já me divertia inventando ser outra pessoa, sonhava que podia voar, que pedalava bicicleta entre as nuvens.

Aqui o poema:

Minha Mãe

Minha mãe criatura divina
Corpo de mulher, coração de menina
Mulher que ama, brinca e ensina
Menina que ri, chora e ilumina.

Ilumina o filho amado
Não o deixa sofrer
Tem sempre cuidado
Não o deixa morrer.

Sofre muito, se tortura
Para ao filho proteger
Se tem doença, ela cura
Se não tem, não deixa ter.

Dá a vida pelos filhos
Entrega-se para morrer
Se souber que este gesto
Fará o filho viver.

Ligados: Quantos e quais livros solos você já publicou? 

Valdeck Almeida: Já são dezesseis, ao todo. Alguns em coautoria:

1) “Heartache Poems. A Brazilian Gay Man Coming Out from the Closet”, New York, USA: iUniverse, 2004; Este livro reúne poesias de desabafo, muitas delas dedicadas a mulheres e amores secretos;

2) “Feitiço Contra o Feiticeiro”, São Paulo-SP: Scortecci, 2005; Livro de poesias;

3) “Memorial do Inferno. A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, São Paulo-SP: Scortecci, 2005; Conta a história da minha família, que enfrentou a fome e a miséria por mais de vinte anos e venceu. 100% da renda do livro foi doada às Obras Sociais Irmã Dulce;

“Memorial do Inferno. A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, São Paulo-SP: Giz Editorial, 2007; 20% da renda do livro foi doada às Obras Sociais Irmã Dulce;

“Memories from Brazilian Hell: The Saga of Almeida Family in the Garden of Éden”, Nova York (USA): iUniverse, 2008;

4) “Valdeck é Prosa, Vanise é Poesia”, Rio de Janeiro-RJ: Câmara Brasileira do Jovem Escritor, 2007; Parceria com Vanise Vergasta;

5) “30 Anos de Poesia”, Rio de Janeiro-RJ: Câmara Brasileira do Jovem Escritor, 2008; reeditado pela Virtual Books, Pará de Minas-MG, 2009;

6) “Poemas de amor e outros temas”, Nova York (USA): Blurb, 2009;

7) “Poemas Di-Versos”, Corpos, Lisboa, Portugal, 2009; reeditado como “Armadilha – a verdadeira poesia brasileira”, São Paulo-SP: Clube de Autores, 2009;

“30 Anos de Poesia”, Pará de Minas-MG: Virtual Books, 2009;

8) “Minha alma nua” (Série Notáveis Poetas Brasileiros), Porto Alegre-RS: Real Academia de Letras, 2009;

9) “Recortes de uma vida: Reflexões e pensamentos”, São Paulo-SP: Clube de Autores, 2010;

10) “Amor e Paixão”, Coleção Scrivere, São Paulo-SP: Madio Editorial, 2010;

11) “A Kombi de prosa e poesia”, Pará de Minas-MG: Virtual Books, 2010; Parceria com Carlos Conrado;

12) “Yes, I am gay. So, what? – Alice in Wonderland”, New York (USA): iUniverse, 2010;

“30 Anos de Poesia e um mais um pouco”, São Paulo-SP: Delicatta, 2011;

13) “O MST e a Mídia. Uma análise do discurso sobre o Movimento dos Sem Terra na Mídia”, São Paulo-SP: Livrus, 2012; em parceria com Jobson Santana;

14) “Sim, sou gay. E daí? Desabafos do gay Alice no País das Maravilhas”, Lisboa, Portugal: Chiado Editora, 2012;

15) “Como Escrever, Publicar e Divulgar um Livro”, São Paulo-SP: Livrus, 2012;

16) “Brasil e África: laços poéticos”, Luanda (Angola): Editora Letras, 2013, em coautoria com Dya Kassembe, Walter S e Eduardo Quive, com prefácio de Pedro Silva;

Participo, ainda, de 90 antologias de poemas, contos, artigos etc, organizadas no Brasil e no exterior.

Ligados: Dentre tantos, qual deles é o seu favorito e por quê?

Valdeck Almeida: O “Memorial do Inferno” é, sem dúvida, o meu predileto, pois é parte de minha memória, das memórias de minha família e amigos. Nesta obra eu relato tudo o que me lembrei da experiência de nascer e viver numa família pobre, cujo único motivo para se manter unida foi o amor devotado de minha mãe.

Ligados: A sua obra de estreia, “Heartache Poems – A Brazilian Gay Coming Out from the Closet”, narra a história de seus amores (por vezes proibidos aos olhos da sociedade) e externaliza os empecilhos que você enfrentou ao assumir (e defender) sua orientação sexual. Desta forma, você acredita que este volume, embora se tratando de um “livro-confissão”, pode aconselhar e incentivar as pessoas a se libertarem dos seus medos e preconceitos?

Valdeck Almeida: Eu acho que ninguém tem resposta pronta para a vida, mesmo porque cada um tem sua própria existência, com medos, traumas, sonhos e idealizações. Mas, na medida em que as emoções humanas são, essencialmente, sempre as mesmas, um relato de alguém anônimo ou famoso, pode, com certeza, servir de consolo ou de barreira para quem ouvir ou ler este relato. O livro “Heartache Poems” traz textos de minha experiência peculiar, dos meus amores ou desejos, muitos deles vividos apenas no sonho, no desejo, no mundo das ideias. Relatam frustrações, vontades, fugas da realidade, busca por um consolo e um sonho. Foram escritos em minha adolescência e não refletem, necessariamente, conselhos ou indicações para serem seguidos. Mas, como disse anteriormente, por se tratar de espelhos de emoções, pode servir para inspirar até outros poetas ou, mesmo, para aumentar ou para diminuir o preconceito. Vai depender muito do enfoque que o leitor dê à obra.

Ligados: Geralmente o escritor, ao compor seus trabalhos, aborda problemas que muitos calam em silêncio. Assim, revela verdades e denuncia o que enxerga, para que os outros aprendam a lidar com coragem frente às adversidades sociais. Para você, quais circunstâncias motivam a produção literária?

Valdeck Almeida: O que motiva minha produção é a utopia. Vivemos num mundo tão artificial, em que emoções, sorrisos, verdades e mentiras são construídos e reconstruídos a cada instante, ao prazer dos ventos. Tudo é regrado, medido, encaixotado. As coisas precisam ‘fazer sentido’, ter traduções, explicações racionais. É tudo muito chato e neurotizante. Se falarmos em segurança pública, não dá coragem nem de sair de casa. Educação, saúde e tudo o mais, sempre é um caos, as demandas nunca são atendidas. Vivemos, todos, numa luta insana e infrutífera pela satisfação dos sonhos e das divagações. É uma loucura coletiva, alimentada por leis, regulamentos, vigilantes dessas regulações. Até para comer, nascer, morrer há regra a cumprir. Acho que a literatura, como toda arte, no meu caso, é utilizada como válvula de escape, fuga dessa neurose toda. Se eu parar de escrever ou ir a recitais poéticos e lançamentos de livros, por exemplo, o que me resta? Noticiários de TV, comerciais nos outdoors me convidando a ser feliz se comprar um novo modelo de telefone. A renda mundial é concentrada nos bolsos de poucos. Se não posso nem quero sair matando gente nem fazendo ‘justiça’ com as próprias mãos, me refugio na arte, vou ao cinema, assisto a uma peça de teatro, me iludo na carreira literária. Se não for assim, enlouqueço. E, se o tempero da vida for, justamente, este caos que nunca é resolvido, que bom para os artistas, que sempre terão matéria prima para seu trabalho utópico.

Ligados: Em 2005 você lançou o “Prêmio Valdeck Almeida de Jesus de Poesia”, certame este que já conta com mais de dez edições e que dá (e já deu) a muitos poetas inéditos oportunidades para divulgar o seu material. Fale-nos um pouco sobre o concurso, e como surgiu a ideia do mesmo.

Valdeck Almeida: Meu primeiro poema só publiquei em 1984. Para isso, precisei vender o fogão novo que aguardava a compra de um botijão. Nessa época, a prefeitura de Jequié me prometeu publicar um livro solo, de poemas, chamado “Feitiço Contra o Feiticeiro”. Foram anos de espera inútil, até que tomei consciência que o sonho não seria realizado. Em 2005, já morando em Salvador, consegui publicar este livro e já conhecia outros poetas, cujas histórias de vida e sonhos literários eram muito similares aos meus. Para dar oportunidade a estes camaradas das letras, inventei este prêmio literário. Este concurso tem me dado muita felicidade, pois, além de conhecer gente do mundo todo, através dele eu consigo, em paralelo, divulgar meu trabalho e fazer parcerias com pessoas e entidades ligadas à literatura. Já foram catorze livros, com mais de 1200 poetas brasileiros, portugueses, moçambicanos, angolanos, suíços, americanos e de tantas outras nacionalidades. O concurso já me levou a viagens que eu jamais tinha planejado. É um sucesso, graças à equipe que me ajuda na seleção, ao apoio de amigos para os lançamentos e à confiança que os poetas depositam no meu trabalho.

Ligados: Que livro está em sua cabeceira no momento?

Valdeck Almeida: Eu tenho vários livros na cabeceira. Infelizmente o tempo não me permite ler todos, talvez de alguns eu consiga ler apenas poucas páginas. Mas o livro que acabei de ler foi “Os encantos do sol”, de Mayrant Gallo, um romance que se passa em Salvador-BA. Excelente indicação, pelo refinamento e respeito à língua portuguesa, pelas tiradas sarcásticas e humor de primeira linha que o autor imprime ao texto. Uma história envolvente e surpreendente. Estou folheando e lendo, de Kátia Franco, “A sonoridade da surdez”, que narra a experiência de uma mãe cuja filha nasce surda. A surdez de Claudinha revoluciona a vida da mãe e cria uma trajetória de tristeza, aprendizado, renúncias e conquistas para a família.

Ligados: Projetos e planos?

Valdeck Almeida: Sempre alerta (risos). Na verdade estou assentando poeira, me aquietando, me dedicando mais a projetos pessoais e familiares. Presido o Colegiado Setorial de Literatura, da Secretaria Estadual de Cultura da Bahia, bem como participo de recitais, projetos literários e edição de alguns livros meus e de amigos. Enquanto houver sonho permaneço caminhando, rumo ao horizonte da utopia.

Ligados: Gostaria de deixar dicas para aqueles que estão iniciando no campo literário? 

Valdeck Almeida: Bem. Eu sou persistente e insistente. Minha mãe tinha um ditado: “se igreja não quer, cemitério quer”. Pra mim, sempre vai haver um leitor para meu texto, mesmo que apenas um. Não escrevo para o mercado, mas não o desprezo totalmente. Enquanto a independência total não vem, vou construindo meus castelos de sonhos e nuvens. Tenho um livro cujo título é “Como escrever, publicar e divulgar um livro”, com várias dicas. Mas a principal delas é acreditar no que faz e se profissionalizar, se especializar no que gosta. Caminhar, sempre, e nunca desistir. O sucesso pode ou não vir com o tempo.

Ligados: Considerações finais.

Valdeck Almeida: Desejo que as pessoas não parem de sonhar. A realidade é muito dura para se encarar sem olhos de sonhadores.


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 12/07/2013 - Objetivo: www.ligadosfm.com

20 de jun de 2013

Papo de Gago #28: Papo de Protesto: 20 Centavos!


Olá pessoal, no Papo de Gago de hoje é especial para a mudança do nosso Brasil então junte-se a Anderson Ricardo, Felipo Bellini e Ézem Damasceno para esse cast mega especial.

Arte da Vitrine feita pelo Ézem Damasceno

Nesse podcast: Entenda como unidos podemos fazer a diferença, sinta orgulho de ser brasileiro e fazer parte da história e entenda que não é por causa de vinte centavos.

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Em: 20/06/2013
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12 de jun de 2013

Papo de Gago #27: Papo Especial ...


Olá pessoal, no Papo de Gago de hoje é especial de dia dos namorados, então junte-se a Anderson, Renara, Samuel, Anne e Gabriel nesse especial.

Nesse podcast: Descubra que os garotos só querem as mais velhas, aprenda as formas de conquistar aquela pessoa especial e se emocione com um pedido de namoro ou não.

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Por: Anderson Ricardo
Em: 12/06/2013  

Objetivo: LigadosFM   

24 de mai de 2013

Papo de Gago #26: Papo 42: A vida o universo e tudo mais...


Olá pessoal, no Papo de Gago de hoje é um bate papo sobre as série de livros O Guia do Mochileiro da Galáxias.

Nesse podcast: Entenda como usar a sua toalha, descubra como é possível um míssil se transformar em uma baleia e saiba que 42 é a resposta para a vida o universo e tudo mais.

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Por: Anderson Ricardo
Em: 24/05/2013 

Objetivo: LigadosFM   

10 de mai de 2013

Papo de Gago #25: Papo com Geraldo Borges


Olá pessoal, no Papo de Gago de hoje é um bate papo com o quadrinista Geraldo Borges, então junte-se a Anderson Ricardo e curta mais um super (literalmente falando) bate papo .

Nesse podcast: Conheça o Capitão Rapadura, entenda mais um pouco sobre o trabalho de quadrinista e descubra o quanto é bom saber que temos artistas brasileiros na produção de quadrinhos de renome internacional.

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Por: Anderson Ricardo
Em: 10/05/2013 
Objetivo:
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3 de mai de 2013

30ª Entrevista Literária - Henrique Rodrigues

Conheça o nosso novo blog: http://demonstre.com/




Henrique Rodrigues nasceu em 1975 no Rio de Janeiro, cidade em que reside. Doutorando em Literatura pela PUC, escreveu os livros “A musa diluída” (Record, 2006), “Versos para um Rio Antigo” (Pinakotheke, 2007), “Machado de Assis: o Rio de Janeiro de seus personagens” (Pinakotheke, 2008), “O segredo da gravata mágica” e “O segredo da bolsa mágica” (Memória Visual, 2009), “Sofia e o dente de leite” (Memória Visual, 2011), “Alho por alho, dente por dente” (com André Moura. Memória Visual, 2012). É ainda co-autor do livro “Quatro estações: o trevo” (independente, 1999), participou das coletâneas “Prosas Cariocas: uma nova cartografia do Rio de Janeiro” (Casa da Palavra, 2004), “Dicionário amoroso da Língua Portuguesa (Casa da Palavra, 2009), “Escritores escritos” (Flâneur, 2010), “Humor Vermelho vol. 2” (Vermelho Marinho, 2010), “Brasil-Haiti” (Garimpo, 2010), “Amar, verbo atemporal” (Rocco, 2012) e organizou as antologias “Como se não houvesse amanhã: 20 contos inspirados em músicas da Legião Urbana” (Record, 2010) e “O livro branco: 19 contos inspirados em músicas dos Beatles + bônus track” (Record 2012).

O autor Henrique Rodrigues - Foto Divulgação

Ligados: Henrique Rodrigues por Henrique Rodrigues? 

Henrique Rodrigues: Nasci pequeno, cresci pelo meio, mas nunca cheguei aos extremos. (Na verdade essa é uma frase do Millôr Fernandes, mas surrupiei para mim.). É um pouco estranho me definir, um lance meio bumerânguico, espelhoso. Tento só seguir em frente e fazer o melhor possível. Parafraseando a Clarice, eu sou uma resposta com reticências. 

Ligados: Conte-nos um pouco da sua infância, desde as iniciais leituras à desistência do Serviço Militar para estudar Letras, aos dezessete anos de idade. Sua família apoiava a sua decisão de aprofundar-se na literatura? E os primeiros textos, quando surgiram? 

Henrique Rodrigues: A primeira leitura que me impressionou bastante foi “O cachorrinho samba”, da Maria José Dupré. Mais tarde comecei a gostar muito de poesia. Na adolescência eu decorava poemas, como os sonetos (até hoje sei vários de cor) do Vinicius de Moraes e falava para as garotas como se fossem meus. Daí, mesmo se não pegava tanto as garotas, acabei pegando o ritmo do texto. Naquela época ainda se falava que a melhor saída para o pobre era o serviço militar. Eu tinha terminado o Ensino Médio (então Segundo Grau) e trabalhava no McDonald's como todos os garotos mais pobres, e em vez de seguir a orientação familiar, decidi que queria ser escritor e me inscrevi no vestibular de Letras para a UERJ, onde tive contato com boas leituras e bons leitores. Escrevíamos um fanzine literário, escrevíamos no jornal do diretório acadêmico e fui seguindo em frente. 

Ligados: Em sua trajetória literária você publicou seis livros solos, percorrendo tanto o campo da poesia como o da prosa e da ensaística. Dentre os gêneros já trilhados, existe um, em especial, que mais lhe proporciona interesse? Aproveitando o questionamento, qual a sua obra mais relevante, avaliada a partir da preferência pessoal do autor? 

Henrique Rodrigues: Acredito que o meu interesse maior é justamente transitar por vários tipos de textos. Embora não fale muito disso, já escrevi para teatro e fiz letras de músicas por encomenda. Acho que tudo é uma experimentação, cada texto pulsa de forma diferente e controlar essa pulsação é algo bastante agradável. Gosto bastante do livro de poemas "A musa diluída", que foi o meu primeiro solo e saiu pela Record em 2006. Fala-se muito que poesia não vende e tal, mas uma editora grande apostou no meu texto e isso foi bastante representativo para mim. Atualmente, estou fascinado por escrever para crianças e jovens (acabei de entregar um juvenil para a Garamond, que deve sair em outubro), pois gosto muito do contato com leitores, e fazer isso em eventos e escolas é uma troca bem gratificante. 

Ligados: Você é co-autor e organizador da antologia “Como se não houvesse amanhã”, lançada em 2010 pela Editora Record. Como surgiu esta ideia de reunir alguns contos inspirados em letras da banda Legião Urbana? 

Henrique Rodrigues: Em 2008, enquanto dirigia para o trabalho, eu estava ouvindo Legião e pensei em fazer um conto sobre "Acrilic on canvas", música de que gosto 'pacas'. Daí comentei com uns amigos escritores, que acharam a ideia legal e disseram que também iriam fazer. A ideia inicial era jogar tudo num blog, mas a brincadeira acabou crescendo e virou livro. Foi uma coisa bem espontânea, feita por autores que curtem a banda, e acabou chamando a atenção de muitos jovens que também curtem Legião Urbana. Isso foi uma surpresa, pois pensei que o livro fosse atrair os saudosistas e tem sido lido pela geração seguinte. O livro tem sido trabalhado em escolas, o que é muito bom. 

Ligados: “O livro branco” (Record, 2012) segue a mesma linha do seu predecessor citado na pergunta anterior; desta vez, porém, trata-se de uma coletânea de textos baseados em músicas dos Beatles. Você já possui algum projeto similar para homenagear outro grupo musical? 

Henrique Rodrigues: Bom, devido ao certo barulho que o "Como se não houvesse amanhã" fez, muita gente pediu para eu organizar um segundo volume com mais músicas da Legião. Achei melhor mudar de banda, e então veio a ideia dos Beatles, com a mesma premissa: autores que amam a banda pegaram a música preferida e fizeram um conto. Pode não parecer, mas organizar uma antologia com 20 autores dá muito trabalho, e por hora não tenho ideia de fazer um terceiro. Ainda mais porque estou no meio da redação tese de doutorado (em Literatura na PUC-Rio), que me suga todo tempo livre. 

Ligados: Você também tem livros infantis publicados, como “Sofia e o dente de leite” e “O segredo da gravata mágica”. É difícil escrever para crianças? 

Henrique Rodrigues: Escrever para crianças é aparentemente fácil, pois tem menos texto. Mas para mim não foi, tive de amadurecer como autor para escrever livros infantis, pois é uma forma de escrita que requer certas técnicas e flexibilidades de pensamento e abstração maiores do que ao se escrever para adultos. Penso que é até uma responsabilidade maior, pois lidamos com leitores que têm a mente muito mais aberta, nos desafiam mais e são bastante sinceros. Por isso mesmo existe uma energia diferente ao se receber o retorno deles. Tenho aprendido muito escrevendo livros infantis. 

Ligados: Qual livro está lendo no momento? 

Henrique Rodrigues: “Entre sem bater”, de Claudio Figueiredo (Casa da Palavra, 2012). Ótima biografia do Barão de Itararé, uma figura fantástica da cultura brasileira. 

Ligados: Que dica você deixa para quem está começando? 

Henrique Rodrigues: Bom, cada um tem uma trajetória, um tempo para as coisas acontecerem. Percebo que, por ser relativamente mais fácil publicar hoje, alguns autores mais jovens se afobam um pouco por reconhecimento, espaço na mídia, coisas assim. (E que jovem não se afoba?). Acho que ler, estudar literatura e trocar com seus pares é uma boa, daí as coisas vão acontecendo. Talvez seja importante entender que o tempo da arte, da literatura, da poesia é diferente dessa correria em que o mundo se transformou. 

Ligados: Quais os seus planos literários? 

Henrique Rodrigues: Não tenho muitos planos de longo prazo, um Projeto Literário, por assim dizer. Penso em publicar um romance depois do doutorado, mas é algo que vai me demandar algum tempo de pesquisa e escrita. Não tenho pressa em literatura. 

Ligados: Gostaria de encerrar esta entrevista com algum comentário? 

Henrique Rodrigues: Só posso agradecer pelo espaço que vocês me deram aqui. Grande abraço.


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 03/05/2013 - Objetivo: www.ligadosfm.com

26 de abr de 2013

Papo de Gago #24: Papo de cinema: A Marvel nos cinemas


Olá pessoal, no Papo de Gago de hoje é um super bate papo sobre os filmes da Marvel, então junte-se a Anderson, Marcos Guerra, Geraldo Borges e Wagner.

Nesse podcast: Descubra os filmes equivocados baseados em personagens da Marvel, entenda como a Marvel usou um ditado popular para fazer os seus filmes e conte quantas vezes o Wagner tosse no programa.

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Por: Anderson Ricardo
Em: 26/04/2013 
Objetivo:
 LigadosFM  
  

24 de abr de 2013

3º - Poesias da Semana

Mais poesias encantadoras para te fazer feliz! Lembrando que se você tem uma poesia e quer que ela seja declamada, o processo é muito simples, envie para felipobellini@yahoo.com.br - junto com sua foto e link do seu blog ou do livro que deseja divulgar no vídeo. Confira os posts e assine o canal no youtube: http://www.youtube.com/felipobellini

 


20 de abr de 2013

29ª Entrevista Literária - Leonam Cunha

Leonam Cunha nasceu em 1995, em Areia Branca, RN. Estudante de Direito na UFRN, reside atualmente na capital do estado. O prodígio autor lançou, com apenas dezessete anos, o livro de poemas "Gênese", que reúne versos maduros e sonoros que tratam desde o cotidiano nordestino aos problemas sociais. 

O autor Leonam Cunha - Foto Divulgação

Ligados: Quem é Leonam Cunha? 

Leonam Cunha: Um baque, esta pergunta - risos. Vamos lá... Nasci em Areia Branca, a 1º de maio de 1995. Estou, hoje, com 17 anos. Meus pais são Manoel Cunha Neto (Souza), formado em Agronomia, e Joseana da Silva Nogueira Cunha, formada em Letras. Moro em Natal e curso Direito na UFRN. Apesar de minha forte criação cristã, não tenho apegos religiosos: valorizo alguns aspectos das religiões e, outros, desprezo. Como antidireitista, posiciono-me contra a resignação e a consciência antissocial. Escrevo como forma de me “saber no mundo” e ser responsável em relação a ele. 

Ligados: Quando começou a tomar gosto pela literatura e com que idade compôs os seus primeiros escritos, visto que a sua primeira obra foi publicada aos dezessete anos de idade? 

Leonam Cunha: Comecei a me interessar de fato por literatura aos 8 ou 9 anos. No começo, lia muitos contos e romances policiais. Dei-me a escrever mais ou menos aos 11 anos, e passei a colecionar vários escritos, sendo que em prosa - os versos me vieram mais tarde. Esses me alcançaram quando da minha aproximação definitiva da música; então, comecei a ler poesia. 

Ligados: “Gênese”, seu livro de estreia, reúne poesias que vai do cotidiano nordestino aos problemas sociais, dispostas em versos maduros e sonoros. Como surgiu a ideia da obra? Poderia nos dar mais detalhes a respeito da mesma? 

Leonam Cunha: Na verdade, não planejava escrever um livro, então não houve “ideia da obra”. Aos 16 anos, notei que já havia escrito vários poemas e decidi juntar alguns. Aqui veio a explosão do momento: observei que aquela reunião de escritos daria um livro e mostrei aos meus pais. Eles ficaram bastante contentes e decidiram correr atrás do pessoal da área para que conseguíssemos publicar. Eu consenti, e o parto se deu. Escrevia versos quando determinado acontecimento me chamava atenção ou sensações me afloravam, seja num despertar crítico ou sentimental. Posso dizer que escrevi de forma livre, sem me ater a grades ou limitações estéticas. Queria algo um pouco ousado e moderno. 

Ligados: Como se sente com a receptividade dos leitores? 

Leonam Cunha: Fantasticamente bem. Penso que isso seja bastante motivador e gratificante. 

Ligados: Qual o melhor momento para criação das suas poesias? 

Leonam Cunha: Nunca parei para observar isso diretamente. Mas sua pergunta me pôs a matutar... Normalmente, eu escrevo quieto, no meu canto, num estado solitário, sem perturbações ao redor. Contudo, há as poesias barulhentas e agoniadas, que tomam melhor rumo se forem escritas no calor do acontecimento, do agudo sentimento, da agonia... 

Ligados: Você conhece outros jovens da sua geração que têm livros publicados no estado? 

Leonam Cunha: Conheço alguns, mas geralmente são um pouco mais velhos. Naturalmente, estou sendo apresentado aos poucos a esses jovens, até porque a cultura em nosso Estado anda de muletas e está numa fila do Walfredo Gurgel, esperando ser atendida, o que faz com que o número de escritores jovens seja ainda mais roto e reduzido. 

Ligados: Qual livro está na sua cabeceira no momento? 

Leonam Cunha: Estou com três – risos. Um romance: Por quem os sinos dobram, de Ernest Hemingway; um sobre misticismo oriental e física: O Tao da Física, de Fritjof Capra; e um de contos e poemas: Grãos, da amiga pernambucana Patricia Tenório. 

Ligados: Como você enxerga o mercado literário potiguar da atualidade? 

Leonam Cunha: É demente, tem alguma patologia seríssima - risos. As pessoas que se interessam por literatura e que acompanham as novidades literárias potiguares são poucas. Daí nós já vemos: a enorme maioria dos escritores acaba por ter que colocar a literatura meio como algo secundário, já que têm de se arranjar de outra forma para alcançar solidez econômica. 

Ligados: E quais os seus planos literários para o futuro? 

Leonam Cunha: Continuarei escrevendo, tentando fazer arte e levar às pessoas. E no que tange a novidades, estou com uma espécie de pré-projeto de livro, também de poesias. Mas, por enquanto, trata-se de algo bem inicial, bem primário. 

Ligados: Considerações finais. 

Leonam Cunha: Agradeço a Thiago Galdino e à Equipe Ligados por haverem me convidado a conceder esta entrevista. Será sempre um prazer contribuir de alguma forma com a cultura. E um último recado: não se descuidem da poesia, não a ponham distante de vocês, que ela completará a lacuna que quiçá exista em seus olhos e corações. Saudações poéticas, sempre!


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 19/04/2013 - Objetivo: www.ligadosfm.com