61º Mundo Cão - Desqualificar é preciso


Segundo a revista Exame, 55% dos brasileiros querem ter seu próprio negócio. 10% da população brasileira paga sua contas com Marketing de Rede de alguma forma, isto, espelhado na realidade americana, que gira em torno de 20%. De todos os setores afetados pela ultima crise econômica global de 2008, o seguimento de MMN (Marketing Multi Nível) foi um dos poucos não afetados e que apresentou crescimento acima da média da indústria.

Ou seja, não é de se tirar o mérito deste segmento que oferece rentabilidade no curto prazo, altíssimas taxas de retorno e baixo capital para investimento. Melhor dizendo, trata-se de um segmento que está mais acessível às classes mais baixas (ou à tradicional classe média) do que o mercado financeiro ou de venda de produtos de investimento dos bancos. Há programas de relacionamento em rede em que o capital de entrada é menor do que R$ 600,00 e oferece ganhos unitários mensais de que variam entre R$ 60,00 e R$ 100,00 (ou seja, taxa de retorno equivalente a pelo menos 10% do capital investido em apenas 30 dias – maior do que qualquer rendimento da poupança, dos fundos de renda fixa, CDBs e até papeis negociados em bolsa).

Há pessoas que questionam a veracidade desses ganhos e a sustentabilidade deste tipo de negócio. Mas, vem cá! Desde quando o mercado financeiro, a compra e venda de ações ou a aplicação em fundos de renda fixa também são sustentáveis ou verossímeis, do ponto da lógica industrial e do mercado financeiro?

Se pararmos para pensar melhor, a base de sustentação dos negócios multi níveis está na produção, compra e venda de produtos e na aplicação de recursos da parte de uma parcela de investidores disposta a tal. Melhor dizendo, a lógica da sustentabilidade dos negócios em Marketing de Pirâmide (cuidado para não confundir com Pirâmide – ou Ponzi) é quase a mesma do mercado de ações. A diferença, contudo, está na lógica da especulação de um papel que não para de se valorizar enquanto que a escala de ganhos, lucro e de produção das empresas de capital aberto continuam constantes.

No fim das contas, a lógica dos ganhos e das perdas em negócios em rede é diretamente proporcional ao grau de oportunismo e de sapiência dos investidores lá na BOVESPA, em Wall Street ou na Nasdaq. Assim como nas ações e debêntures, ingressar em uma rede de relacionamentos na forma de uma pirâmide exige jogo de cintura e conhecimento de mercado, a fim de que se saiba aproveitar a melhor oportunidade possível, no melhor tempo e com a melhor ótica de ganhos. Uns perdem e outros ganham.

No mercado acionário, a indústria continua produzindo a mesma coisa, os custos continuam os mesmos e às vezes até a receita cai. Mas, a especulação não permite que o preço dos papei sigam na mesma direção e lançam seus esforços para intervir na naturalidade da lei da oferta e da demanda. As chances de ganhar coexistem com as de perder. Isto é o risco, como em qualquer mercado...

O inconveniente nisto tudo é pessoas de negócios correlatos desqualificar esta modalidade de mercado, sobretudo, quando o próprio mercado, nos seus moldes tradicionais, não merece o crédito da nossa lógica. A começar que o mesmo não é para pessoas de baixa renda ou capital para investir; produtos de baixa qualidade com altas margens de lucro, baixo custo e produto da mesma lógica de compra e venda; pouco civilismo na concorrência e desrespeito à qualquer princípio moral ou ético em termos de respeito ao meio ambiente, à vida, à cultura e às pessoas.

Não é que o MMN seja isento disto. Pelo contrário, compartilha da mesma arrogância. Não deixa de lado aquelas amarras oportunistas e cheia de lobby, que, de tanto pregar contra a maior participação do Estado na defesa da cidadania, acaba entrelaçando-se e sendo confundido com ele. Ou seja, é tudo pirâmide, no fim das contas.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 05/02/2013

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