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13 de fev de 2013

62º Mundo Cão - Viva o Carnaval, sim!

Eu não sou contra o carnaval. Muito pelo contrário! Em 01 ano, teoricamente, temos que trabalhar quase 05 meses para pagar impostos, temos aproximadamente 12 feriados, 48 finais de semana e 30 dias de férias do trabalho. Se contabilizarmos somente os dias não trabalhados, teremos 138 dias dedicados a algum tipo de folia ou de descanso; todavia, os quase 05 meses que se trabalha para o Estado brasileiro (não na forma de servidor público, sem receber por aquilo que se ganha e sem a regalia da estabilidade no emprego) transformam-se em 150 dias e o restante da conta está naquilo que o trabalhador médio do país ganha para si mesmo.

No Brasil, não se folga 138 dias mais 150 dias (acontece que uma parcela dos jornalistas da grande imprensa manipula erroneamente esta conta). Folga-se no máximo 138 dias. Sim, pois existem aqueles que trabalham aos sábados e ou folgam apenas uma vez por semana, trabalham durante os feriados e sequer consegue tirar 30 dias de férias. Na prática, este número cai para 10 dias, parcelados em duas vezes e meia, ou seja, nos engolem 05 dias de férias. E os mesmos 150 dias continuam lá intactos nas contas a receber do governo.

O carnaval, por exemplo, cai na conta dos doze feriados anuais, mais um final de semana o qual, geralmente, cai para um fim de semana de apenas 01 dia. Nos sábados de carnaval, o expediente nos supermercados, no comércio e na indústria é o mais normal possível, as lojas abrem às 08hs da manhã e fecham suas portas a meia noite. Isto é por que ainda não mencionei os estabelecimentos os quais funcionam nas segundas-feiras e ignoram as quartas-feiras de cinzas...

Criticar negativamente o carnaval é tão clichê quanto usar vestimentas de cor branca no réveillon. Assim como no Brasil o falso moralismo e a falta do que fazer de militantes sociais levaram à proibição de um comercial de uma marca de carros por fazer uso da imagem de um gato preto, falar de quem brinca carnaval e faz uso dos quatro dias inerentes a este feriado para fazer de tudo menos trabalhar cai pior do que concordar com as idéias do bispo evangélico Silas Malafaia.

Entenda, no Brasil, folga-se por no máximo 138 dias (e não em media isto ou pelo menos isso). Em outras palavras, trabalhamos 227 dias em um ano de 367, dentre os quais 150 entregamos sem receber nada em troca para o Estado, nos restando apenas 77. Para ser mais claro, trabalhamos 77 dias para nós mesmos e ainda somos sujeitados às piores críticas e pronomes possíveis quando dedicamos 04 dos nossos 138 de folga para brincar o carnaval...

Sinceramente, o que há de errado com as pessoas? Será que uma massa emergente de brasileiros cheios de moralismos não compreendem que, antes da sem-vergonhice em público, do péssimo gosto musical o qual toma conta dos ambientes e dos alpendres das casas de praia repletas de redes e barracas montadas existe o dogma da cultura? Carnaval, antes de tudo isto e de quatro dias de descanso (que, na verdade, não passam de 01 ou 02) faz parte da cultura latina, muito bem absorvida pela cultura brasileira. O carnaval é mais lembrado como uma festa tipicamente brasileira do que romana, temos a maior que o mundo já presenciou, gera divisas, ganhos com o turismo e até empregos.

Aliás, é merecedor de crítica aquele que fica procurando trabalho justamente nestes 04 dias dedicados à festas e descanso. Quatro dias é muito pouco, é mais do que 5% de tudo o que o trabalhador brasileiro produz para si mesmo. E isto é por que ainda não falei das maravilhas produzidas por aqui, dos desfiles do Rio de Janeiro ao centro multicultural de Olinda / Recife.

Enfim, quem não tem o que fazer, mesmo, é quem perde o seu tempo tecendo críticas negativas a quem faz jus a tudo isto.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 13 / 02 / 2013
Objetivo: www.LigadosFM.com

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 61º Mundo Cão - Desqualificar é preciso
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