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26 de mar de 2013

66º Mundo Cão - De Chavez para Chaves

A palavra é Hugo Chavez! Há pouco mais de duas semana, falecia o então presidente e líder da revolução bolivariana venezuelana do final do século XX e início do século XXI em território cubano. E o que isto tem de mais? Bem, revoluções sociais na America Latina por hora cheiram a redução de pobreza e de desigualdades sociais... Na Venezuela, hoje vemos, aliado a isto e mais, aumento da violência, maior hostilidade em se investir no país, maior controle sobre os meios de comunicação e informação e aumento dos gastos na esfera pública.

Por um lado, políticas de cunho sociais são benéficas, ainda que por outro isto incorra em onerações orçamentárias as quais, em uma economia com suas restrições e limites, em termos de impulso econômico e produtivo, gerem maiores transtornos lá na frente, dentro de uma conjuntura econômica incapaz de honrar com todos os deveres firmados junto à sua sociedade. O governo, em uma nação pobre, como a Venezuela, deve atuar como agente facilitador na distribuição e geração de renda, empregos e oportunidades para a sua população e isto tem que estar refletido na atividade econômica.

É a atividade econômica, a propósito, quem remunera os agentes públicos e dá condição dos governos de arcar com seus compromissos, pagar seus salários, alimentar suas políticas de benefícios e praticar suas estratégias fiscais. Sem atividade econômica, uma economia não sobrevive e não será o órgão emissor de moedas quem salvará a pátria de um provável caos. Sentimos isto na pele aqui no Brasil lá na década de 1980 e na mirabolância administrativa da ex-ministra Zélia Cardoso de Melo, durante a gestão do Fernando Collor de Melo.

Por aqui, não é preciso comentar algo mais.

Estamos na America Latina, um continente conturbado, com identidade cultural própria, autêntico e exótico. Acrescento, entretanto, que não somos referência em termos de estabilidade política e econômica. Até 20 e poucos anos, éramos governados por ditaduras repressoras, anti-democráticas e corrosivas, do ponto de vista das liberdades individuais. Atualmente, vivemos em pseudo-democracias econômicas e políticas, em que o rigor pela liberdade de expressão, econômica e de ir e vir concentra-se nas mãos de pequenos grupos e oligopólios. As empresas públicas, debatendo com o discurso teórico-econômico neoclássico e liberal, são os maiores propulsores de liberdade e regulação econômica; a propósito, existem casos em que nossas maiores fontes de arrecadação 'oriundam-se' justamente destas instituições, o que irrita a opinião neoliberal e libertária de boa parte daqueles pensadores que defendem o Estado mínimo e o definitivo domínio da iniciativa privada sobre a conjuntura econômica.

No Brasil, por exemplo, a selvageria capitalista joga os lucros do empresariado para as alturas, colocando nossas margens em patamares maiores do que 1.000%. A nossa industria automobilística e de tecnologia em informática são belos exemplos de relação negativa de custo benefícios para o consumidor final. Pagamos caro por produtos e serviços de baixa qualidade e, por que não, ineficientes, em termos de acompanhamento da inovação e incremento valorativo ao que se deflagra no mundo desenvolvido. Nossos carros populares e pessimamente avaliados por especialistas em segurança automotiva chegam a custar mais de R$ 40.000,00 no mercado; nosso litro de gasolina, álcool ou diesel não o são encontrados por preços finais menores do que R$ 2,50 nas regiões menos desenvolvidas do país.

São apenas alguns exemplos que caracterizam a nossa America Latina mal educada, distribuída e exemplar do ponto de vista das liberdades e da justiça social. E isto se deve ao domínio insistente patrocinado por entidades inteiradas diretamente com a esfera pública...

Onde entra o Hugo Chavez nisto tudo? No pioneirismo contemporâneo de questionar e bater de frente com tudo isto. Logo que ingressei no mestrado em Administração, em 2010, assisti a um documentário promovido pelo Seminário de Pesquisa do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da UFRN, evento científico promovido pelo referido centro, chamado "A revolução não foi televisionada", que trata da liderança Chavista na transição de poder na Venezuela do final do século XX. Assim como o Brasil, Argentina e Chile, a Venezuela também foi vítima de um regime militar ditatorial de governo durante as décadas de 1970 e 1980, de direita e repressor, do ponto de vista das liberdades individuais, e, no momento de sua redemocratização, mal sucedida, por sinal, parlamentares e estadistas de direita assumiram o poder e a administração pública direta. Esses parlamentares não somente mantinha relações com o antigo regime de ditadura, como mantinham atuação a qual levava a crer que o seu foco estava na defesa de interesses de pequenas elites e minorias corporativas - sem o mínimo interesse no desenvolvimento do país.

A pobreza e a concentração de renda excessiva instalaram-se na sociedade venezuelana como uma metástase cancerígena e a democracia como regime de governo transvestia-se de liberdade concentrada e intolerável à questionamentos pró-democracia, em se tratando de transição de poder e pluripartidarismo. Ou seja, a insatisfação tomava conta da classe média, enquanto as classes mais baixas anestesiavam-se com sua pífia educação e cidadania venezuelana.

Hugo Chavez, como oficial das forças armadas venezuelanas, não tardou a consolidar-se líder do movimento anti-direita no país caribenho e, ao levar as primeiras eleições presidenciais de 1997 democraticamente, logo fora vitima de um golpe de Estado, seguido de perseguições e atentados contra o seu partido e aliados. Desapareceu e logo reaparecera em público, em meio a manifestos sociais e exigências de multidões populares.

A história contada nos últimos parágrafos é muito bonita e encantada, da mesma forma como o documentário me pareceu. Questionei tudo aquilo, concluí que se tratava de um material tendencioso, até fazer amigos venezuelanos de classe média. Bem, o que está naquele documentário fora traduzido por estes e acabei mudando minhas concepções e conclusões sobre o regime Chavista. Eu vivo no Brasil e respiro palavras e anseios de latino americanos de outros países, como Chile, Argentina e México e as queixas são bem parecidas. Quando olhamos para a Europa, America do Norte, norte da Ásia ou Oceania, é difícil não perguntar por que danado a política, a economia e a justiça social aqui na América Latina é tão peculiarmente negativa para nós, latino americanos...

O Chavez, como venezuelano, foi um latino americano igual a nós e com a peculiaridade de não somente questionar isto tudo que coloquei aqui, mas, de tomar providências de mudar este contexto desolador e inóspito. Mesmo custando à PDVSA algumas perdas nas Bolsas de valores pelo mundo, aumento das taxas de natalidade entre adolescentes, aumento dos gastos do governo com programas sociais e empobrecimento da classe média, algo havia de ser feito em um grande produtor mundial de petróleo e tão desigual quanto nações africanas e asiáticas.

Claro! Falamos de uma nação pobre, subdesenvolvida e de precária estrutura econômica. A America Latina não pode continuar aceitando discursos anti-latino americanos.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 23/03/2013
Objetivo: www.LigadosFM.com

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 65º Mundo Cão - Aos 29 do segundo tempo
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