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12 de mar de 2013

65º Mundo Cão - Aos 29 do segundo tempo

Isso mesmo! Está correto quem imaginou que esses 29 se trata da idade do presente colunista da Mundo Cão. Justo hoje, 12 de março de 2013, completo 29 anos de muita coisa. A começar pelas últimas e conturbadas semanas, repletas de acontecimentos e fatos os quais foram capazes de transformar água em vinho.

Pela primeira vez, completo idade justo no dia célebre de uma realização cotidiana em minha vida. Todas as terças-feiras, publico, semanalmente, as colunas Mundo Cão, tratando de temas que vão da Cultura à política, sem qualquer agonia ou angústia. Mas, apesar deste breve prefácio, não dedico este espaço apenas para falar ou celebrar conquistas e mudanças da minha vida. Quero fazer uma ponte, como sempre faço, dos temas pessoais de minha vida com fatos da vida cotidiana, comum a todos!

Ganhei um presente (alguns dizem ser de Deus, outros da natureza, mas, prefiro acreditar no acaso e na soma de todas as minhas atitudes e de minha companheira) no penúltimo sábado, Enzo de Luna Cavalcanti, exatamente às 10h04, na cidade de Parnamirim, RN! Quando soube de sua existência, a primeira coisa que me veio à cabeça foi "o quanto estava preparado para colocar no mundo alguém que, desde então, dependerá de mim por longos duráveis anos". Não estava, apesar da idade, das experiências, da renda e das perspectivas de crescimento e realização pessoal, além da estrutura pessoal e familiar. Era certo que eu teria que abrir mão de muita coisa e a boemia era o principal nisto tudo. Sim, ainda nem cheguei aos 30 e já terei que me moldar à vida de um chefe de família e administrador de uma nova geração de boêmios...

Parece até macabro ou infantil, mas, assim como uma mudança de cidade ou de padrão de vida, uma simples mudança como esta é capaz de fazer uma bagunça com a sanidade de uma pessoa. Alguns enlouquecem, desaparecem ou rompem sua relação afetiva com a outra pessoa. Eu resolvi assumir minhas responsabilidades, como qualquer pessoa estruturada e capaz de responder pelos seus atos. Na verdade, nem os mais estáveis ou bem estruturados são capazes de planejar mudanças, ainda que se preparem para elas. A palavra, de agora em diante, é preparo!

Ninguém escolhe data para mudar de vida, todavia, prepara-se para que ela, como mudança, venha e aconteça. Foi o que aconteceu comigo nos últimos meses. Em 30 de maio de 2012, após quase 02 anos de planejamento e preparação, descobri que meu destino estava traçado e, dali para frente, só me caberia esperar chegar a hora. A qualquer momento, partirei para São Luis para fazer morada e deixarei muita conquista obtida aqui em Natal por aqui. Foi justamente neste meio período que o Enzo passou a existir, além dos turbilhões quanto à obtenção de título de mestre e, pouco mais tarde, à consolidação da carreira de professor universitário.

O curso de mestrado foi planejado e muito bem pensando na coisa de 01 ano, lá por 2009, quando estava a coisa de 01 como graduado e exercendo a profissão de Administrador no mercado de trabalho. Não estava contente com muita coisa, contudo, o que estava me ocorrendo justo naquele ano era fruto de muitas ações e conquistas obtidas ao longo de duros anos que antecederam àquele momento. Minha vida acadêmica foi muito movimentada e ativa na faculdade, com numerosas participações em congressos e eventos científicos, colaboração com trabalhos de pesquisa e extensão, manutenção de networks e até atuando no mercado de trabalho, propriamente (trabalho desde os 19 e, de lá para cá, nunca fiquei muito tempo sem ter contato com o mercado). Ou seja, construí dois caminhos os quais me deram maior amplitude de escolha.

Fui ao mercado e voltei para a academia e nada foi por acaso. No início de 2009, me vi desempregado e quase saindo da cidade contra a minha vontade. Minha rede de contatos foi quem me permitiu ficar por aqui por mais tempo (apesar de já saber que a mudança de residencia seria algo inevitável em minha vida).

Ou seja, nada foi acidental ou fora do planejado. Nada, também, foi planejado. Apensa me preparei para o que viesse acontecer. Nos dois primeiros meses de gestação de minha mulher, a grande questão era o preparo estrutural e psicológico de ambas as partes. Meses depois, acordei para o fato de que apenas o preparo psicológico era o que necessitava de atenção de fato, pois, naquele momento, tínhamos a consciência de que não havíamos conversado, ainda, sobre a possibilidade de ter um filho e de ir morar juntos. Minha partida para São Luis estava decidida e a possível ida dela para lá, também, dependeria de sua decisão e de minha capacidade de estruturar as coisas para recebê-la. Logo, um filho, nestas condições, era algo inesperado...

Mas, no que aconteceu, estávamos preparados para isto, do ponto de vista estrutural. Vimos muitos casais, como vimos lá na maternidade onde o Enzo nasceu, os quais os pais e as mães, visivelmente, não estavam preparados para serem pais e responsáveis por uma vida naquele momento ali. Eles também não planejaram a vinda de um filho, acredito eu. Contudo, e sobretudo, não se preparam para o caso disto acontecer e isto é o mais importante. Poucos são os casais que acordam em um certa manhã e decidem tentar ter um filho. Por acaso, alguns conseguem e outros não.

O que quero que seja visto é o fato de que um casal como este, o qual traça planos para ter um filho, geralmente, encontra-se em satisfatória condição para tal. A diferença, entretanto, deste casal para aquele cujo qual o filho não veio na hora marcada é o fator psicológico e comportamental. Os primeiros, provavelmente, haviam abdicado da vida de boemia e intensificado a vida a dois. Conta muito, sim, mas, conheço pessoalmente casais que passaram mais de 02 anos tentando ter um filho sem sucesso e, de repente, tomaram outras decisões que mudaram o seu comportamento e suas perspectivas.

Viagem planejada, mudança de cidade e aquisição de um novo carro ocorreram justamente quando planejavam comprar uma casa de praia no litoral daqui do RN e com a notícia da gravidez, a princípio, indesejada. Porém, eles estavam preparados estruturalmente e foi isto o que contou naquele exato momento. Abriram mão de certas liberdades, todavia, poderiam autoafirmarem-se como uma família estruturada, desde já.

Existe um papo teimoso de que temos que planejar exatamente tudo o que acontece e que acontecerá em nossas vidas. Na verdade, a vida me ensinou, nos últimos 29 anos, que o que realmente temos que fazer é estar preparados para que as coisas aconteçam. Desde para a realização de um exame de vestibular ou concurso público à coisa de ter um filho, ser pai ou mãe. Até por que, a chegada de um novo ente em nossas vidas e na nossa família é tão imprescindível quanto ao fato de ver algum ente querido partir para o plano espiritual e fora deste mundo material.

Isto é o que chamamos de vida.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 12/03/2013
Objetivo: www.LigadosFM.com

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