30ª Entrevista Literária - Henrique Rodrigues

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Henrique Rodrigues nasceu em 1975 no Rio de Janeiro, cidade em que reside. Doutorando em Literatura pela PUC, escreveu os livros “A musa diluída” (Record, 2006), “Versos para um Rio Antigo” (Pinakotheke, 2007), “Machado de Assis: o Rio de Janeiro de seus personagens” (Pinakotheke, 2008), “O segredo da gravata mágica” e “O segredo da bolsa mágica” (Memória Visual, 2009), “Sofia e o dente de leite” (Memória Visual, 2011), “Alho por alho, dente por dente” (com André Moura. Memória Visual, 2012). É ainda co-autor do livro “Quatro estações: o trevo” (independente, 1999), participou das coletâneas “Prosas Cariocas: uma nova cartografia do Rio de Janeiro” (Casa da Palavra, 2004), “Dicionário amoroso da Língua Portuguesa (Casa da Palavra, 2009), “Escritores escritos” (Flâneur, 2010), “Humor Vermelho vol. 2” (Vermelho Marinho, 2010), “Brasil-Haiti” (Garimpo, 2010), “Amar, verbo atemporal” (Rocco, 2012) e organizou as antologias “Como se não houvesse amanhã: 20 contos inspirados em músicas da Legião Urbana” (Record, 2010) e “O livro branco: 19 contos inspirados em músicas dos Beatles + bônus track” (Record 2012).

O autor Henrique Rodrigues - Foto Divulgação

Ligados: Henrique Rodrigues por Henrique Rodrigues? 

Henrique Rodrigues: Nasci pequeno, cresci pelo meio, mas nunca cheguei aos extremos. (Na verdade essa é uma frase do Millôr Fernandes, mas surrupiei para mim.). É um pouco estranho me definir, um lance meio bumerânguico, espelhoso. Tento só seguir em frente e fazer o melhor possível. Parafraseando a Clarice, eu sou uma resposta com reticências. 

Ligados: Conte-nos um pouco da sua infância, desde as iniciais leituras à desistência do Serviço Militar para estudar Letras, aos dezessete anos de idade. Sua família apoiava a sua decisão de aprofundar-se na literatura? E os primeiros textos, quando surgiram? 

Henrique Rodrigues: A primeira leitura que me impressionou bastante foi “O cachorrinho samba”, da Maria José Dupré. Mais tarde comecei a gostar muito de poesia. Na adolescência eu decorava poemas, como os sonetos (até hoje sei vários de cor) do Vinicius de Moraes e falava para as garotas como se fossem meus. Daí, mesmo se não pegava tanto as garotas, acabei pegando o ritmo do texto. Naquela época ainda se falava que a melhor saída para o pobre era o serviço militar. Eu tinha terminado o Ensino Médio (então Segundo Grau) e trabalhava no McDonald's como todos os garotos mais pobres, e em vez de seguir a orientação familiar, decidi que queria ser escritor e me inscrevi no vestibular de Letras para a UERJ, onde tive contato com boas leituras e bons leitores. Escrevíamos um fanzine literário, escrevíamos no jornal do diretório acadêmico e fui seguindo em frente. 

Ligados: Em sua trajetória literária você publicou seis livros solos, percorrendo tanto o campo da poesia como o da prosa e da ensaística. Dentre os gêneros já trilhados, existe um, em especial, que mais lhe proporciona interesse? Aproveitando o questionamento, qual a sua obra mais relevante, avaliada a partir da preferência pessoal do autor? 

Henrique Rodrigues: Acredito que o meu interesse maior é justamente transitar por vários tipos de textos. Embora não fale muito disso, já escrevi para teatro e fiz letras de músicas por encomenda. Acho que tudo é uma experimentação, cada texto pulsa de forma diferente e controlar essa pulsação é algo bastante agradável. Gosto bastante do livro de poemas "A musa diluída", que foi o meu primeiro solo e saiu pela Record em 2006. Fala-se muito que poesia não vende e tal, mas uma editora grande apostou no meu texto e isso foi bastante representativo para mim. Atualmente, estou fascinado por escrever para crianças e jovens (acabei de entregar um juvenil para a Garamond, que deve sair em outubro), pois gosto muito do contato com leitores, e fazer isso em eventos e escolas é uma troca bem gratificante. 

Ligados: Você é co-autor e organizador da antologia “Como se não houvesse amanhã”, lançada em 2010 pela Editora Record. Como surgiu esta ideia de reunir alguns contos inspirados em letras da banda Legião Urbana? 

Henrique Rodrigues: Em 2008, enquanto dirigia para o trabalho, eu estava ouvindo Legião e pensei em fazer um conto sobre "Acrilic on canvas", música de que gosto 'pacas'. Daí comentei com uns amigos escritores, que acharam a ideia legal e disseram que também iriam fazer. A ideia inicial era jogar tudo num blog, mas a brincadeira acabou crescendo e virou livro. Foi uma coisa bem espontânea, feita por autores que curtem a banda, e acabou chamando a atenção de muitos jovens que também curtem Legião Urbana. Isso foi uma surpresa, pois pensei que o livro fosse atrair os saudosistas e tem sido lido pela geração seguinte. O livro tem sido trabalhado em escolas, o que é muito bom. 

Ligados: “O livro branco” (Record, 2012) segue a mesma linha do seu predecessor citado na pergunta anterior; desta vez, porém, trata-se de uma coletânea de textos baseados em músicas dos Beatles. Você já possui algum projeto similar para homenagear outro grupo musical? 

Henrique Rodrigues: Bom, devido ao certo barulho que o "Como se não houvesse amanhã" fez, muita gente pediu para eu organizar um segundo volume com mais músicas da Legião. Achei melhor mudar de banda, e então veio a ideia dos Beatles, com a mesma premissa: autores que amam a banda pegaram a música preferida e fizeram um conto. Pode não parecer, mas organizar uma antologia com 20 autores dá muito trabalho, e por hora não tenho ideia de fazer um terceiro. Ainda mais porque estou no meio da redação tese de doutorado (em Literatura na PUC-Rio), que me suga todo tempo livre. 

Ligados: Você também tem livros infantis publicados, como “Sofia e o dente de leite” e “O segredo da gravata mágica”. É difícil escrever para crianças? 

Henrique Rodrigues: Escrever para crianças é aparentemente fácil, pois tem menos texto. Mas para mim não foi, tive de amadurecer como autor para escrever livros infantis, pois é uma forma de escrita que requer certas técnicas e flexibilidades de pensamento e abstração maiores do que ao se escrever para adultos. Penso que é até uma responsabilidade maior, pois lidamos com leitores que têm a mente muito mais aberta, nos desafiam mais e são bastante sinceros. Por isso mesmo existe uma energia diferente ao se receber o retorno deles. Tenho aprendido muito escrevendo livros infantis. 

Ligados: Qual livro está lendo no momento? 

Henrique Rodrigues: “Entre sem bater”, de Claudio Figueiredo (Casa da Palavra, 2012). Ótima biografia do Barão de Itararé, uma figura fantástica da cultura brasileira. 

Ligados: Que dica você deixa para quem está começando? 

Henrique Rodrigues: Bom, cada um tem uma trajetória, um tempo para as coisas acontecerem. Percebo que, por ser relativamente mais fácil publicar hoje, alguns autores mais jovens se afobam um pouco por reconhecimento, espaço na mídia, coisas assim. (E que jovem não se afoba?). Acho que ler, estudar literatura e trocar com seus pares é uma boa, daí as coisas vão acontecendo. Talvez seja importante entender que o tempo da arte, da literatura, da poesia é diferente dessa correria em que o mundo se transformou. 

Ligados: Quais os seus planos literários? 

Henrique Rodrigues: Não tenho muitos planos de longo prazo, um Projeto Literário, por assim dizer. Penso em publicar um romance depois do doutorado, mas é algo que vai me demandar algum tempo de pesquisa e escrita. Não tenho pressa em literatura. 

Ligados: Gostaria de encerrar esta entrevista com algum comentário? 

Henrique Rodrigues: Só posso agradecer pelo espaço que vocês me deram aqui. Grande abraço.


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 03/05/2013 - Objetivo: www.ligadosfm.com
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