33ª Entrevista Literária - Fabiano Calixto

Fabiano Calixto nasceu em 1973 no município de Garanhuns, Pernambuco, e reside atualmente em São Paulo. Mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada, é ainda escritor, poeta, tradutor e professor, tendo publicado os livros “Algum” (edição do autor, 1998); “Fábrica” (Alpharrabio Edições, 2000); “Um mundo só para cada par” (em parceria com os poetas Kleber Mantovani e Tarso de Melo, pela Alpharrabio Edições, 2001); “Música possível” (CosacNaify/ 7 Letras, 2006); “Sangüínea” (finalista do Prêmio Jabuti de 2008, lançado pela Editora 34, 2007); “Pão com bife” (Edições SM, 2007) e “A canção do vendedor de pipocas” (7 Letras, 2013). Traduz, no momento, uma antologia de Benjamín Prado e outra de Kenneth Rexroth, além de editar a revista digital de arte e política “O almanaque lobisomem”. Sua nova coletânea de poemas, intitulada “Nominata morfina”, sairá em breve.

O autor Fabiano Calixto - Foto Divulgação

Ligados: A título de informação, quem é Fabiano Calixto? 

Fabiano Calixto: Sou um escritor pernambucano criado em Santo André (SP) que vive atualmente em São Paulo. Sou mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo (USP). Escrevi seis livros de poesia – “Algum” (edição do autor, 1998), “Fábrica” (Alpharrabio Edições, 2000), “Um mundo só para cada par” (Alpharrabio Edições, 2001), “Música possível” (CosacNaify/7Letras, 2006), “Sangüínea” (Editora 34, 2007) – este finalista do Prêmio Jabuti de 2008 na Categoria Melhor Livro de Poesia –, e “A canção do vendedor de pipocas” (7Letras, 2013). Um livro de poesia infantil, “Pão com bife” (Edições SM, 2007). Escrevi crítica literária, organizei livros, editei revistas de arte, traduzi poetas que amo. Atualmente edito a revista digital de arte e política “O Almanaque Lobisomem”. Meu novo livro de poemas, intitulado “Nominata morfina”, sairá em breve. Estou terminando meu primeiro romance, intitulado “Meu coração é o fim do mundo”, e um livro de contos. Gosto de rock’n’roll, cachoeira, chuva, cerveja, pizza & prosa com amigos. Sou anarquista. Pretendo ingressar no doutorado e morar em Oslo por alguns anos.

Ligados: Quando surgiu o seu interesse pela poesia, e que relação ela tem com a música, de uma forma generalizada?

Fabiano Calixto: Na verdade, acho que houve momentos diferentes de curtição de poesia em minha vida. Meu pai me ensinou o primeiro poema – a parlenda “hoje é domingo”; minha mãe ouvia Luiz Gonzaga, Raul Seixas, Odair José, Roberto Carlos, Evaldo Braga, Paulo Sérgio, todos muito cheios de poesia. Nesta mesma época, ainda muito criança, eu ouvia a Coleção Disquinho, que foi lançada no Brasil nos anos 60 e cruzou décadas com histórias clássicas e universais, acompanhadas de músicas compostas por João de Barro e arranjos orquestrais de Radamés Gnatalli (sou muito fã de ambos). Aquelas histórias acordaram meus ouvidos para a melodia. Depois, o tempo passando, fui me interessando por outras coisas, como heavy metal, histórias em quadrinho e, claro, futebol. Lia tudo a respeito. Mais adiante, quando fundei uma banda de thrash metal (a mais barulhenta do ABC paulista), fui colecionando a poética dos bares & da noite, a poética da vida. Depois, quando retornei à escola (havia parado e voltado mil vezes), fui descobrindo a poesia dos manuais escolares – os românticos me interessaram logo de cara. Junte isto com audições diárias de compositores como John Lennon, Bob Dylan, Neil Young, Chico Buarque – cujas letras me fascinam até hoje. Pronto, foi aí que comecei a me interessar profundamente por poesia.

Ligados: Em suas poesias notam-se os centros urbanos, bem como seus moradores e a geografia das cidades como características mais presentes, além de abordarem a solidão do homem em meio ao crescimento populacional intenso e posterior surgimento das metrópoles. Por qual motivo você se utiliza deste panorama? 

Fabiano Calixto: A cidade me interessa, a cidade é minha tara. Gosto de falar sobre o espaço urbano. É uma reflexão intensa e também dolorida. A cidade acalenta e dói.

Ligados: Recentemente você lançou, pela editora “7 Letras”, a obra “A canção do vendedor de pipocas”, que reúne parte de seu acervo poético criado entre 1998 e 2012. Qual o significado deste título? Aproveitando, fale-nos um pouco sobre esta produção. 

Fabiano Calixto: O título significa a cidade, o mundano na cidade, a parte que me interessa da cidade, a parte do estouro, da transformação. O livro é uma reunião dos poemas que fiz e ainda gosto muito. Reorganizei tudo e coloquei nesta antologia.

Ligados: Em paralelo às várias manifestações populares por todo o Brasil que, inicialmente, surgiram para contestar os aumentos nas tarifas dos transportes públicos e, em seguida, passaram a abranger uma infinidade de temas, surgiu à coletânea “Vinagre – Antologia de Poetas Neobarracos”. Qual o principal propósito que levou à criação do livro, e em que momento surgiu esta ideia? 

Fabiano Calixto: A antologia surgiu como gesto de solidariedade às manifestações que aconteceram (e continuam acontecendo) pelo Brasil todo em junho passado. A ideia nasceu de uma prosa com os poetas Ana Rüsche e Pedro Tostes. A partir daí, fiz uma convocação pública no facebook e muita gente topou participar. Acho que foi muito legal e cumpriu sua função, participando dos tensos processos de transformação por quais passa o país.

Ligados: Gostaria de deixar alguma mensagem aos aspirantes à poesia? 

Fabiano Calixto: Leia muito. E depois, leia mais. Desconfie de todo e qualquer sujeito que diga que a poesia é isto ou aquilo, porque a poesia não é isto nem aquilo, mas pode ser isto ou aquilo. Desconfiar sempre. E ler o máximo que puder.

Ligados: O que anda lendo na atualidade? 

Fabiano Calixto: Ando lendo teoria literária e anarquista. Poesia sempre, alguma coisa aqui e ali – atualmente Manuel de Freitas e Heriberto Yépez. Lendo também “Los cuatro elementos”, de C.E. Feiling. Relendo “Maus”, de Art Spiegelman.

Ligados: Sobre o seu livro de poemas inédito, “Nominata Morfina”, quais assuntos são abordados? Poderia nos adiantar algo a respeito? Além deste, há outros projetos em andamento? 

Fabiano Calixto: São muitos assuntos no livro novo. No geral, o pasmo diante do mundo mancha todos os poemas. É um livro sobre minhas reflexões sobre a vida. Fora isso, há os projetos de prosa de ficção, que disse acima, mais algumas parcerias de tradução com amigos que amo e com os quais partilho algumas paixões (Benjamín Prado, com Eduarda Rocha; e Kenneth Rexroth, com Reuben da Cunha Rocha), há também uma HQ em preparo com Diego de Sousa. Além disso, “O Almanaque Lobisomem”, que será uma publicação trimestral de arte.

Ligados: Desejar encerrar esta entrevista com mais algum comentário?

Fabiano Calixto: Poesia, meus caros amigos, poesia!



Autor: Thiago Jefferson - Criação: 09/08/2013 - Objetivo: www.ligadosfm.com
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