Pages - Menu

29 de mar de 2013

Papo de Gago #22: Papo Resenha


Olá pessoal, o Papo de Gago de hoje é um papo com o um dos administradores da página Resenha Potiguar, então junte-se a Anderson Ricardo e vamos conferir esse papo resenha.

Nesse podcast: Descubra as resenhas do estado, porque os pinta estão dominando o espaço do GameStation? E aprenda a como pedir esmola na Prudente sem perder a dignidade.

Arte da Vitrine feita pelo Mat - Administrador da página.

Link's comentados no programa:
Link's comentados nos e-mails:

Deixe o seu comentário no post ou mande os seus xingamentos, elogios ou sugestões para: papodegago@ligadosfm.com



Ouça podcast no player acima ou baixe o mp3 clicando aqui

Por: Anderson Ricardo
Em: 29/03/2013 
Objetivo:
 LigadosFM  

26 de mar de 2013

66º Mundo Cão - De Chavez para Chaves

A palavra é Hugo Chavez! Há pouco mais de duas semana, falecia o então presidente e líder da revolução bolivariana venezuelana do final do século XX e início do século XXI em território cubano. E o que isto tem de mais? Bem, revoluções sociais na America Latina por hora cheiram a redução de pobreza e de desigualdades sociais... Na Venezuela, hoje vemos, aliado a isto e mais, aumento da violência, maior hostilidade em se investir no país, maior controle sobre os meios de comunicação e informação e aumento dos gastos na esfera pública.

Por um lado, políticas de cunho sociais são benéficas, ainda que por outro isto incorra em onerações orçamentárias as quais, em uma economia com suas restrições e limites, em termos de impulso econômico e produtivo, gerem maiores transtornos lá na frente, dentro de uma conjuntura econômica incapaz de honrar com todos os deveres firmados junto à sua sociedade. O governo, em uma nação pobre, como a Venezuela, deve atuar como agente facilitador na distribuição e geração de renda, empregos e oportunidades para a sua população e isto tem que estar refletido na atividade econômica.

É a atividade econômica, a propósito, quem remunera os agentes públicos e dá condição dos governos de arcar com seus compromissos, pagar seus salários, alimentar suas políticas de benefícios e praticar suas estratégias fiscais. Sem atividade econômica, uma economia não sobrevive e não será o órgão emissor de moedas quem salvará a pátria de um provável caos. Sentimos isto na pele aqui no Brasil lá na década de 1980 e na mirabolância administrativa da ex-ministra Zélia Cardoso de Melo, durante a gestão do Fernando Collor de Melo.

Por aqui, não é preciso comentar algo mais.

Estamos na America Latina, um continente conturbado, com identidade cultural própria, autêntico e exótico. Acrescento, entretanto, que não somos referência em termos de estabilidade política e econômica. Até 20 e poucos anos, éramos governados por ditaduras repressoras, anti-democráticas e corrosivas, do ponto de vista das liberdades individuais. Atualmente, vivemos em pseudo-democracias econômicas e políticas, em que o rigor pela liberdade de expressão, econômica e de ir e vir concentra-se nas mãos de pequenos grupos e oligopólios. As empresas públicas, debatendo com o discurso teórico-econômico neoclássico e liberal, são os maiores propulsores de liberdade e regulação econômica; a propósito, existem casos em que nossas maiores fontes de arrecadação 'oriundam-se' justamente destas instituições, o que irrita a opinião neoliberal e libertária de boa parte daqueles pensadores que defendem o Estado mínimo e o definitivo domínio da iniciativa privada sobre a conjuntura econômica.

No Brasil, por exemplo, a selvageria capitalista joga os lucros do empresariado para as alturas, colocando nossas margens em patamares maiores do que 1.000%. A nossa industria automobilística e de tecnologia em informática são belos exemplos de relação negativa de custo benefícios para o consumidor final. Pagamos caro por produtos e serviços de baixa qualidade e, por que não, ineficientes, em termos de acompanhamento da inovação e incremento valorativo ao que se deflagra no mundo desenvolvido. Nossos carros populares e pessimamente avaliados por especialistas em segurança automotiva chegam a custar mais de R$ 40.000,00 no mercado; nosso litro de gasolina, álcool ou diesel não o são encontrados por preços finais menores do que R$ 2,50 nas regiões menos desenvolvidas do país.

São apenas alguns exemplos que caracterizam a nossa America Latina mal educada, distribuída e exemplar do ponto de vista das liberdades e da justiça social. E isto se deve ao domínio insistente patrocinado por entidades inteiradas diretamente com a esfera pública...

Onde entra o Hugo Chavez nisto tudo? No pioneirismo contemporâneo de questionar e bater de frente com tudo isto. Logo que ingressei no mestrado em Administração, em 2010, assisti a um documentário promovido pelo Seminário de Pesquisa do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da UFRN, evento científico promovido pelo referido centro, chamado "A revolução não foi televisionada", que trata da liderança Chavista na transição de poder na Venezuela do final do século XX. Assim como o Brasil, Argentina e Chile, a Venezuela também foi vítima de um regime militar ditatorial de governo durante as décadas de 1970 e 1980, de direita e repressor, do ponto de vista das liberdades individuais, e, no momento de sua redemocratização, mal sucedida, por sinal, parlamentares e estadistas de direita assumiram o poder e a administração pública direta. Esses parlamentares não somente mantinha relações com o antigo regime de ditadura, como mantinham atuação a qual levava a crer que o seu foco estava na defesa de interesses de pequenas elites e minorias corporativas - sem o mínimo interesse no desenvolvimento do país.

A pobreza e a concentração de renda excessiva instalaram-se na sociedade venezuelana como uma metástase cancerígena e a democracia como regime de governo transvestia-se de liberdade concentrada e intolerável à questionamentos pró-democracia, em se tratando de transição de poder e pluripartidarismo. Ou seja, a insatisfação tomava conta da classe média, enquanto as classes mais baixas anestesiavam-se com sua pífia educação e cidadania venezuelana.

Hugo Chavez, como oficial das forças armadas venezuelanas, não tardou a consolidar-se líder do movimento anti-direita no país caribenho e, ao levar as primeiras eleições presidenciais de 1997 democraticamente, logo fora vitima de um golpe de Estado, seguido de perseguições e atentados contra o seu partido e aliados. Desapareceu e logo reaparecera em público, em meio a manifestos sociais e exigências de multidões populares.

A história contada nos últimos parágrafos é muito bonita e encantada, da mesma forma como o documentário me pareceu. Questionei tudo aquilo, concluí que se tratava de um material tendencioso, até fazer amigos venezuelanos de classe média. Bem, o que está naquele documentário fora traduzido por estes e acabei mudando minhas concepções e conclusões sobre o regime Chavista. Eu vivo no Brasil e respiro palavras e anseios de latino americanos de outros países, como Chile, Argentina e México e as queixas são bem parecidas. Quando olhamos para a Europa, America do Norte, norte da Ásia ou Oceania, é difícil não perguntar por que danado a política, a economia e a justiça social aqui na América Latina é tão peculiarmente negativa para nós, latino americanos...

O Chavez, como venezuelano, foi um latino americano igual a nós e com a peculiaridade de não somente questionar isto tudo que coloquei aqui, mas, de tomar providências de mudar este contexto desolador e inóspito. Mesmo custando à PDVSA algumas perdas nas Bolsas de valores pelo mundo, aumento das taxas de natalidade entre adolescentes, aumento dos gastos do governo com programas sociais e empobrecimento da classe média, algo havia de ser feito em um grande produtor mundial de petróleo e tão desigual quanto nações africanas e asiáticas.

Claro! Falamos de uma nação pobre, subdesenvolvida e de precária estrutura econômica. A America Latina não pode continuar aceitando discursos anti-latino americanos.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 23/03/2013
Objetivo: www.LigadosFM.com

Confira a ultima coluna Mundo Cão: 65º Mundo Cão - Aos 29 do segundo tempo

25 de mar de 2013

13º Filósofos - Epicuro


Seja bem vindo a mais um "Filósofos", hoje vamos falar de "Epicuro", o filósofo da "Felicidade", aquele que viveu no período helenístico e que vai debater a "ética" pessoal, discutindo temas como a "Morte", a crença nos "Deuses", a "saúde" e os "Desejos". Sempre na tentativa de mostrar o caminho para a felicidade e o fim do sofrimento.


Confira também nossos outros canais:

Detalhes sobre a promoção do livro: Será sorteado apenas um exemplar do livro "Sofrenildo", do autor Paulo Sampaio, entre as pessoas que comentarem no vídeo. O comentário que mais se destacar ganha. Próximo vídeo revelo o ganhador.

Links:
Documentário "Um Guia para a Felicidade", com Alain de Botton: https://www.youtube.com/watch?v=MrpZ23ldz_A
Artigo do Juvenal Savian Filho sobre Epicurismo e a Ética (Vale muito a pena Ler) (PDF): http://www.saocamilo-sp.br/pdf/bioethikos/68/10a17.pdf
Curta feito por estudantes do 2º ano, excelente: http://www.youtube.com/watch?v=wBK0r8ii8ZY
Questionamento sobre a felicidade (outro trabalho escolar): http://www.youtube.com/watch?v=rr7HP6t8q6Q
Vídeo Vlog sobre Epicuro: http://www.youtube.com/watch?v=bLIM8q3Psww
Artigo de Tária Gomes, A ÉTICA DE EPICURO: UM ESTUDO DA CARTA A MENECEU (PDF): http://www.sel.eesc.usp.br/informatica/graduacao/material/etica/private/a_etica_de_epicuro_um_estudo_da_carta_a_meneceu.pdf
Carta sobre a Felicidade, de Epicuro, traduzida pela Univesp: http://www.blocosonline.com.br/literatura/prosa/cl/cl010815.htm

Autor: Felipo Bellini   Criação: 04/03/2013    Objetivo: ligadosfm.com

24 de mar de 2013

29º Ensaio Cultural - Francis Bacon e o ídolo não mencionado


Sir Francis Bacon, ao lado de Descartes, Galileu e outros grandes gênios da revolução científica, é considerado fundador da ciência moderna. Em sua obra Novum Organum, o inglês minuciosamente explicou em diversos aforismas como deveria ser organizada uma forma de lógica que ele considerava superior à Aristotélica, caráter presente no título de seu tratado, referência ao Organon aristotélico.

Devemos entender, antes de tudo, o Novum Organum de Bacon como oposto ao Discurso do Método cartesiano, sendo este de caráter racionalista e aquele, empirista. Dizia Bacon que "o homem, enquanto servo e intérprete da natureza, pode apenas agir sobre ou entender algo que observou em fato ou pensamento sobre o curso da natureza. Além disso, ele nada sabe e nada pode fazer", isto é, que só podemos aprender pela experiência. Descartes o oposto dizia: "se você busca a verdade, deve ao menos uma vez na vida duvidar, o máximo possível, de todas as coisas", assim submetendo as nossas experiências ao julgamento da razão.

A oposição do filósofo inglês à razão idealizada pelo matemático francês como a forma mais confiável de discernimento se dá sobretudo pela noção baconiana de que o nosso julgamento está contaminado por quatro tipos de ídolos: os Ídolos da Tribo, os Ídolos da Caverna, os Ídolos do Mercado e os Ídolos do Teatro. O primeiro tipo se refere à própria dificuldade da natureza humana em compreender o mundo corretamente. O segundo, referente às experiências individuais e ao tipo de educação que indivíduo recebe. O terceiro, sobre o uso das palavras, ou à comunicação humana num todo. Por último, os dogmas filosóficos e preconceitos.

A pretensa vontade de Bacon em substituir a lógica aristotélica pelo método baconiano mostra-se, no entanto, um fracasso em seu propósito se considerarmos os efeitos dessa ideia hoje. A ciência, entendida pelos leigos - mas certamente não para os cientistas - tornou-se um dos maiores ídolos da modernidade. Não é necessário, àquele contaminado pelo Ídolo da Ciência, examinar se os métodos empregados em uma pesquisa foram adequados. Se "a ciência", representada por uma minúscula fração da comunidade científica, chegou a determinado resultado, nos olhos destes idólatras, então, isso não pode estar errado - por mais que uma pesquisa com muito mais rigor teórico apresente um resultado diferente e não seja tão amplamente divulgada. 

Observa-se que se pensa, hoje, em conhecimento científico como um sinônimo da tal Casa de Salomão apresentada na utopia baconiana da Nova Atlântida, em que existe uma acumulação de conhecimento, sempre como uma síntese de tudo que já foi experimentado e rigorosamente testado, produzindo consequências para a imediata aplicação social. Na Casa de Salomão, ao que me parece claro no livro, não há espaços para grandes contradiçõe: tudo se encaixa perfeitamente, numa Teoria Geral Unificadora que, apesar de todas as tentativas, até hoje não se mostrou possível graças a, entre outros fatores, uma incompatibilidade fundamental entre a mecânica quântica e a relatividade geral, ambas perfeitamente válidas nos seus escopos!

Observemos, por exemplo, o caso da revista de divulgação científica de maior circulação no Brasil, a Superinteressante - à qual não deixo de reconhecer competência e diligência no papel que lhes diz respeito - que, a fim de atrair mais pessoas a ler suas matérias, faz uso de títulos que muitas vezes não condizem em todo com o conteúdo do texto. Por exemplo, numa que diz que beber vinho deixa o casamento mais feliz, quando os dados apresentados mostram outra coisa... Certa vez vi um beberrão usar esta matéria, lida somente no título, ao que parece, como justificativa para beber em excesso com sua parceira, quando o estudo em questão diz que esta mesma felicidade acontece nos casais que fazem uso moderado... 

Entrando num campo mais polêmico, o da maconha - faz mal ou faz bem? - vê-se claro a omissão de informações pelas militâncias tanto proibicionistas quanto anti-proibicionistas, que se cegam a uma verdade muito simples e que sintetiza os estudos científicos conclusivos sobre esse caso: a maconha causa diversos danos à saúde, mas também pode ser usada para auxiliar em alguns tratamentos. Qualquer coisa diferente disso não é o que "a ciência" afirma. Reconhecido esse fato, deve-se usar outros argumentos além do apelo ao científico, considerando o impacto social, as relações dos indivíduos com o uso da droga, entre outros fatores que são objeto das ciências "soft", as quais têm muito maior dificuldade para entrar em acordo.

Tendo observado o acima, vê-se que ao combinar todos esses ídolos do Novum Organum com o novo Ídolo da Ciência, a ignorância científica generalizada nasce, mais do que da falta de acesso à informação, de uma idealização do científico, que, em si mesmo não permite tal coisa, exceto talvez para Francis Bacon e seus discípulos diretos e indiretos... Acredito que o próprio Bacon estaria assustado, hoje, ao observar como mesmo o rigoroso conhecimento científico tem sido mal interpretado e usado para justificar as afirmações mais absurdas. Ele também seria levado a reconhecer o erro de considerar o seu novo instrumento como único método confiável de se alcançar uma verdade, sendo que ele próprio fez uso da demonstração formal aristotélica, e não de seu próprio método, para se justificar. E, se o tivesse feito, seria uma lógica circular sem um mínimo significado. Assim sendo, para termos uma verdadeira alfabetização científica, temos que nos livrar deste ídolo e internalizar aquilo que dizia François Rabelais: "ciência sem consciência arruina a alma".

22 de mar de 2013

27ª Entrevista Literária - Manoel Onofre Jr.

Manoel Onofre Jr. nasceu em Santana do Matos no ano de 1943. Morou ainda em Martins, Mossoró e Natal, esta última, cidade em que reside atualmente. Membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, Onofre é um dos maiores estudiosos da cultura potiguar, tendo lançado quase trinta livros, entre contos, crônicas e ensaios.

O autor Manoel Onofre Jr. - Foto Divulgação

Ligados: Quem é Manoel Onofre Jr.? 

Manoel Onofre Jr.: Sou, antes de tudo, um sertanejo da Serra de Martins. Parece-me que a mim também se aplicaria aquela definição atribuída a Câmara Cascudo: provinciano incurável. 

Ligados: O que te inspira e como acontece o seu processo criativo? 

Manoel Onofre Jr.: Na ficção, o que mais me inspira é a memória da infância. “Chão dos Simples”, livro em que reuni os meus contos, recria o pequeno mundo da minha meninice sertaneja. 

Quanto ao processo criativo, já disse Marques Rebelo, grande escritor, que “escrever é cortar”. Eu escrevo, primeiramente, a mão, depois datilografo, cortando tudo que me parece supérfluo. Deixo o texto na gaveta, por algum tempo, e releio-o, várias vezes, depurando-o. 

Ligados: Quais autores, de maneira geral, não podem faltar em sua estante? 

Manoel Onofre Jr.: Ficcionistas, memorialistas e ensaístas. Dos estrangeiros: Dostoievski, Dickens, Eça de Queiroz; dos brasileiros: Graciliano Ramos, Machado de Assis, Câmara Cascudo... 

Tomando a sua pergunta ao pé da letra, eu diria que os livros que não devem faltar em qualquer estante são as obras de referência. 

Ligados: Até o momento, o senhor publicou quantos livros? Destes, como pai “coruja”, qual o seu favorito? 

Manoel Onofre Jr.: Segundo bibliografia organizada pelo pesquisador Thiago Gonzaga, tenho, publicados, 28 livros e três plaquetes. “Como pai coruja”, gosto mais de “Chão dos Simples” e “Ficcionistas Potiguares”. 

Ligados: O senhor teve o primeiro contato com a literatura potiguar quando foi morar em Natal, ainda na adolescência. No seu livro “Chão dos Simples”, no entanto, existe certo ar de encanto com a natureza e as belezas do sertão que se difere um pouco da Capital provinciana em crescimento. Pode-se dizer que tal fascínio foi fruto da sua infância na paradisíaca Martins? 

Manoel Onofre Jr.: Sim. Martins é a minha Itabira, ou melhor, a minha Pasárgada, como já deixei entrever na resposta à pergunta nº 2. 

Ligados: Tendo o senhor enveredado por diversos gêneros literários, como ensaios, notas de viagem, diário íntimo, memórias, epístolas, conto e crônica, por que não aventurar-se também nos poemas? Aproveitando, pretende voltar a escrever ficções? 

Manoel Onofre Jr.: Infelizmente, não tenho o dom da poesia. Mas, fiquei feliz quando o amigo Thiago me disse que, relendo o meu livro “O Caçador de Jandaíras”, encontrou poesia entranhada na prosa. 

Pretendo, sim, voltar a escrever ficções. No entanto, não quero forçar a barra; espero o fruto amadurecer. 

Ligados: Ao longo dos seus quase cinquenta anos dedicados às letras potiguares, como o senhor enxerga a literatura norte-rio-grandense da atualidade em comparação com a do início da segunda metade do século XX? 

Manoel Onofre Jr.: Nunca se escreveu tanto, no RN, como agora. Lançam livros quase toda semana. É claro que, de toda essa torrente, há de restar algo bom. Note-se que as novas gerações ligam-se, cada vez mais, na literatura. Veja-se o movimento dos Jovens Escribas, o blog “101 Livros do RN (que você precisa ler)”, “Ligados FM” etc. 

Ligados: Em 1992 o senhor tomou posse à cadeira número cinco da Academia Norte-rio-grandense de Letras, cujo patrono é Moreira Brandão e teve, como primeiro ocupante, Edgar Barbosa. Como recebeu esta honraria, à época? 

Manoel Onofre Jr.: Vejo a Academia não como o panteão dos vivos, mas, sim, como casa de cultura, que deve dinamizar a vida literária e preservar a memória cultural. 

Ligados: O seu último livro, “Alguma Prata da Casa”... o que o levou a escrevê-lo? 

Manoel Onofre Jr.: A vontade de contribuir para a divulgação da obra de alguns dos nossos bons escritores, valores incontestes, porém, inteiramente desconhecidos além das divisas do nosso Estado. 

Ligados: O senhor se firmou na literatura antes do advento da informática, que trouxe consigo os famosos e-books, além da grande facilidade de divulgação proporcionada pela internet. O senhor acredita que estes livros digitais podem um dia substituir, por completo, a obra impressa? 

Manoel Onofre Jr.: Substituir, por completo, não. Acho que a obra impressa persistirá, assim como, por exemplo, o teatro não se extinguiu com o advento do cinema. 

Ligados: Tendo publicado quase trinta livros e, por conseguinte, possuindo vasta experiência quando o assunto é literatura, qual a dica que o senhor deixa aos escritores iniciantes? 

Manoel Onofre Jr.: Repito aqui o que disse em outra entrevista, concedida à revista Trapiá: Leiam muito, de preferência, os clássicos; não se apressem em colher o fruto de vez; e ponham rédeas à própria vaidade. 

Ligados: Que projetos o senhor tem para o futuro? Há alguma obra no “prelo”? 

Manoel Onofre Jr.: Estou preparando a terceira edição, revista e ampliada, da obra “Salvados – Livros e Autores Norte-rio-grandenses”. No prelo, tenho a terceira edição, também revista e ampliada, do livro “Espírito de Clã”. 

Ligados: Gostaria de encerrar esta entrevista com algum comentário? 

Manoel Onofre Jr.: Foi uma satisfação contatar com jovens entusiastas da literatura. Ficarei ligado em vocês.



Agradecimentos:
Agradecemos ao escritor e pesquisador da literatura potiguar, Thiago Gonzaga, e ao blog "101 Livros do RN (que você precisa ler)", por mediar esta entrevista e, por conseguinte, tornar possível a criação da atual matéria. 


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 22/03/2013 - Objetivo: www.ligadosfm.com

15 de mar de 2013

Papo de Gago #21: Papo de Cinema


Olá pessoal, o Papo de Gago de hoje é um papo sobre cinema com Anderson Ricardo (O Aluado) e o Cineasta Kaiony Venãncio.

Nesse podcast: Descubra como foi a reação das pessoas quando aconteceu a primeira projeção de cinema, entenda que tudo tem um porque no cinema nacional e tente descobrir quem é o participante oculto do programa.

Link's comentados no programa:

Curtas:

Contato:
  • @KaionyVenancio (Twitter) 
  • kaiony7@gmail.com (E-mail) 
  • Facebook
  • Blog
Link's comentados nos e-mails:

Deixe o seu comentário no post ou mande os seus xingamentos, elogios ou sugestões para: papodegago@ligadosfm.com



Ouça podcast no player acima ou baixe o mp3 clicando aqui 

Por: Anderson Ricardo
Em: 15/03/2013 
Objetivo:
 LigadosFM  
 


 

12 de mar de 2013

65º Mundo Cão - Aos 29 do segundo tempo

Isso mesmo! Está correto quem imaginou que esses 29 se trata da idade do presente colunista da Mundo Cão. Justo hoje, 12 de março de 2013, completo 29 anos de muita coisa. A começar pelas últimas e conturbadas semanas, repletas de acontecimentos e fatos os quais foram capazes de transformar água em vinho.

Pela primeira vez, completo idade justo no dia célebre de uma realização cotidiana em minha vida. Todas as terças-feiras, publico, semanalmente, as colunas Mundo Cão, tratando de temas que vão da Cultura à política, sem qualquer agonia ou angústia. Mas, apesar deste breve prefácio, não dedico este espaço apenas para falar ou celebrar conquistas e mudanças da minha vida. Quero fazer uma ponte, como sempre faço, dos temas pessoais de minha vida com fatos da vida cotidiana, comum a todos!

Ganhei um presente (alguns dizem ser de Deus, outros da natureza, mas, prefiro acreditar no acaso e na soma de todas as minhas atitudes e de minha companheira) no penúltimo sábado, Enzo de Luna Cavalcanti, exatamente às 10h04, na cidade de Parnamirim, RN! Quando soube de sua existência, a primeira coisa que me veio à cabeça foi "o quanto estava preparado para colocar no mundo alguém que, desde então, dependerá de mim por longos duráveis anos". Não estava, apesar da idade, das experiências, da renda e das perspectivas de crescimento e realização pessoal, além da estrutura pessoal e familiar. Era certo que eu teria que abrir mão de muita coisa e a boemia era o principal nisto tudo. Sim, ainda nem cheguei aos 30 e já terei que me moldar à vida de um chefe de família e administrador de uma nova geração de boêmios...

Parece até macabro ou infantil, mas, assim como uma mudança de cidade ou de padrão de vida, uma simples mudança como esta é capaz de fazer uma bagunça com a sanidade de uma pessoa. Alguns enlouquecem, desaparecem ou rompem sua relação afetiva com a outra pessoa. Eu resolvi assumir minhas responsabilidades, como qualquer pessoa estruturada e capaz de responder pelos seus atos. Na verdade, nem os mais estáveis ou bem estruturados são capazes de planejar mudanças, ainda que se preparem para elas. A palavra, de agora em diante, é preparo!

Ninguém escolhe data para mudar de vida, todavia, prepara-se para que ela, como mudança, venha e aconteça. Foi o que aconteceu comigo nos últimos meses. Em 30 de maio de 2012, após quase 02 anos de planejamento e preparação, descobri que meu destino estava traçado e, dali para frente, só me caberia esperar chegar a hora. A qualquer momento, partirei para São Luis para fazer morada e deixarei muita conquista obtida aqui em Natal por aqui. Foi justamente neste meio período que o Enzo passou a existir, além dos turbilhões quanto à obtenção de título de mestre e, pouco mais tarde, à consolidação da carreira de professor universitário.

O curso de mestrado foi planejado e muito bem pensando na coisa de 01 ano, lá por 2009, quando estava a coisa de 01 como graduado e exercendo a profissão de Administrador no mercado de trabalho. Não estava contente com muita coisa, contudo, o que estava me ocorrendo justo naquele ano era fruto de muitas ações e conquistas obtidas ao longo de duros anos que antecederam àquele momento. Minha vida acadêmica foi muito movimentada e ativa na faculdade, com numerosas participações em congressos e eventos científicos, colaboração com trabalhos de pesquisa e extensão, manutenção de networks e até atuando no mercado de trabalho, propriamente (trabalho desde os 19 e, de lá para cá, nunca fiquei muito tempo sem ter contato com o mercado). Ou seja, construí dois caminhos os quais me deram maior amplitude de escolha.

Fui ao mercado e voltei para a academia e nada foi por acaso. No início de 2009, me vi desempregado e quase saindo da cidade contra a minha vontade. Minha rede de contatos foi quem me permitiu ficar por aqui por mais tempo (apesar de já saber que a mudança de residencia seria algo inevitável em minha vida).

Ou seja, nada foi acidental ou fora do planejado. Nada, também, foi planejado. Apensa me preparei para o que viesse acontecer. Nos dois primeiros meses de gestação de minha mulher, a grande questão era o preparo estrutural e psicológico de ambas as partes. Meses depois, acordei para o fato de que apenas o preparo psicológico era o que necessitava de atenção de fato, pois, naquele momento, tínhamos a consciência de que não havíamos conversado, ainda, sobre a possibilidade de ter um filho e de ir morar juntos. Minha partida para São Luis estava decidida e a possível ida dela para lá, também, dependeria de sua decisão e de minha capacidade de estruturar as coisas para recebê-la. Logo, um filho, nestas condições, era algo inesperado...

Mas, no que aconteceu, estávamos preparados para isto, do ponto de vista estrutural. Vimos muitos casais, como vimos lá na maternidade onde o Enzo nasceu, os quais os pais e as mães, visivelmente, não estavam preparados para serem pais e responsáveis por uma vida naquele momento ali. Eles também não planejaram a vinda de um filho, acredito eu. Contudo, e sobretudo, não se preparam para o caso disto acontecer e isto é o mais importante. Poucos são os casais que acordam em um certa manhã e decidem tentar ter um filho. Por acaso, alguns conseguem e outros não.

O que quero que seja visto é o fato de que um casal como este, o qual traça planos para ter um filho, geralmente, encontra-se em satisfatória condição para tal. A diferença, entretanto, deste casal para aquele cujo qual o filho não veio na hora marcada é o fator psicológico e comportamental. Os primeiros, provavelmente, haviam abdicado da vida de boemia e intensificado a vida a dois. Conta muito, sim, mas, conheço pessoalmente casais que passaram mais de 02 anos tentando ter um filho sem sucesso e, de repente, tomaram outras decisões que mudaram o seu comportamento e suas perspectivas.

Viagem planejada, mudança de cidade e aquisição de um novo carro ocorreram justamente quando planejavam comprar uma casa de praia no litoral daqui do RN e com a notícia da gravidez, a princípio, indesejada. Porém, eles estavam preparados estruturalmente e foi isto o que contou naquele exato momento. Abriram mão de certas liberdades, todavia, poderiam autoafirmarem-se como uma família estruturada, desde já.

Existe um papo teimoso de que temos que planejar exatamente tudo o que acontece e que acontecerá em nossas vidas. Na verdade, a vida me ensinou, nos últimos 29 anos, que o que realmente temos que fazer é estar preparados para que as coisas aconteçam. Desde para a realização de um exame de vestibular ou concurso público à coisa de ter um filho, ser pai ou mãe. Até por que, a chegada de um novo ente em nossas vidas e na nossa família é tão imprescindível quanto ao fato de ver algum ente querido partir para o plano espiritual e fora deste mundo material.

Isto é o que chamamos de vida.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 12/03/2013
Objetivo: www.LigadosFM.com

8 de mar de 2013

26ª Entrevista Literária - Wilson Gorj

Wilson Gorj nasceu em Aparecida/SP, em 1977. Publicou o seu primeiro livro em 2007, com o título “Sem contos longos”, composto por cem micronarrativas. Em 2010 lançou o “Prometo ser breve”, pela editora Multifoco, sob o selo 3×4, do qual foi editor durante dois anos. “Histórias para ninar dragões”, o seu terceiro livro, saiu em 2012 pelo mesmo selo de microficções. Atualmente é colunista do “Jornal O Lince” e editor da editora Penalux, fundada pelo próprio autor em parceria com o poeta Tonho França.

O autor Wilson Gorj - Foto Divulgação

Ligados: Quem é Wilson Gorj? 

Wilson Gorj: Um escritor que tem se dedicado predominantemente à produção de micronarrativas. Tanto que já tenho três livros publicados, todos compostos por textos minimalistas. Tenho também participações literárias em dezenas de antologias e revistas, nas quais publiquei não só microcontos, mas poesias, contos e crônicas. Escrevo há 7 anos para dois jornais da minha região: “O Lince” e o “Comunicação Regional”. No primeiro, mantenho uma coluna dedicada a contos e minicontos; no segundo, publico poemas, às vezes aforismos e algumas reflexões. Além de escritor e colunista, há três anos atuo como editor. Recentemente, em sociedade com o poeta e também editor Tonho França, fundamos uma pequena editora, a PENALUX, pela qual publicamos livros de gêneros diversos. Por trás da vestimenta literária, mantém-se o Wilson prosaico, servidor público há alguns anos. 

Ligados: Você disse, certa vez, que a literatura só ganhou espaço em sua vida a partir dos seus dezoito anos. Como se deu este processo de “aproximação”? Lembra qual livro despertou a sua paixão, até então adormecida, pela arte da escrita? 

Wilson Gorj: A bem da verdade, antes dessa idade eu já tinha lido alguns livros, a maioria da Série “Vaga-Lume”. Mas foi a partir daí, quando estava perto dos meus 18 anos, que me liguei de vez à Literatura. O livro que despertou essa paixão que se mantém firme até hoje foi o clássico “O Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde. A obra caiu em minhas mãos por acaso. Foi num dia chuvoso. Eu estava entediado, atrás do balcão de atendimento da loja em que trabalhava à época. O livro já estava ali desde a minha contratação, mas nunca me interessei por lê-lo, embora o movimento da loja fosse convidativo à leitura. Naquela tarde, porém, dei-lhe uma chance. A leitura levou dois dias, entre um cliente e outro. Fechado o livro, já me sentia infectado pela paixão literária. Queria mais. Então, descobri um sebo. Vieram outros livros, outros clássicos. Os primeiros rascunhos meus. Desse momento em diante, não parei mais de ler e escrever. 

Ligados: Você publicou três livros de micronarrativas, o “Sem Contos Longos” (2007), “Prometo Ser Breve” (2010) e “Histórias Para Ninar Dragões” (2012). Poderia nos dar maiores informações sobre as obras? 

Wilson Gorj: O primeiro livro saiu num formato de bolso, edição do autor. Tive o apoio do “Jornal O Lince”, que arcou com a metade das despesas da publicação, haja vista que parte dos minicontos tinha sido publicada na minha coluna dedicada ao gênero. O “SCL” é composto por 100 micronarrativas, dispostas em ordem crescente (o primeiro texto tem duas linhas; o centésimo ocupa a página inteira). Foi o livro que me alavancou no universo das micronarrativas; fiz contatos com outros autores, recebi convites para escrever em sites e blogues, participei de antologias e revistas. A partir dele, me aprofundei no gênero; montei uma biblioteca dedicada às histórias breves; li artigos vários, tornei-me um aficionado pelos minicontos. Em 2009, o segundo livro estava pronto: o “Prometo ser breve”. Quis arriscar a publicação por uma editora. Enviei os originais para várias. Recebi respostas de algumas. Optei por uma pequena editora carioca, que publica cada gênero por meio de um selo específico. Na falta de um selo para a microficção, sugeri à editora a criação de um. O editor não só acatou a ideia, como me convidou para administrar este selo, que batizei de 3x4. O “Prometo ser breve” estreou o selo em 2010. A obra tem 70 páginas e é dividida em três partes: na primeira, os microcontos; na segunda, há muitos trocadilhos, jogos e brincadeiras com as palavras; na última, encerro com poemas minimalistas. Editei o selo por dois anos. Foram mais de 20 títulos de autores de diversas regiões do país. Em 2012, também pelo selo 3x4, publiquei meu terceiro livro, também de minicontos: “Histórias para ninar dragões”. Está dividido em duas partes: a primeira com uma temática diversa; a segunda traz um tema afim: amor, sexo & traição. 

Ligados: Embora não tenha sido ainda reconhecido como um gênero literário, o miniconto não é assim tão recente quanto se pensa. Dalton Trevisan, por exemplo, publicou em 1994 o livro “Ah, é?”, composto por pequenos textos ficcionais. Quais fatores contribuíram para que você se concentrasse neste tipo de narrativa? Atualmente, que autor brasileiro você destaca como um mestre na prática do miniconto? 

Wilson Gorj: A prática das micronarrativas começou meio sem querer. Sempre me ocorreram ideias literárias, as quais eu transformava em sinopses e, mais frequentemente, em episódios e fragmentos, aproveitáveis talvez em algum conto futuro ou num possível, para não dizer improvável, romance. Creio que assim, involuntariamente, ensaiava meus primeiros passos na direção dos minicontos. Depois, com a prática e a confiança em minha escrita, apliquei-me na confecção de contos mais elaborados. Ganhei alguns concursos, mas me sentia muito insatisfeito com a qualidade dos meus textos. Tal insatisfação levou-me a procurar auxílio nos conselhos de escritores renomados: tornei-me um leitor compulsivo de entrevistas literárias; fuçava a internet à cata de possíveis técnicas e recursos que pudessem melhorar o estilo e aprimorar a escrita; adquiri livros sobre a arte de escrever. Dos conselhos dados pelos autores percebi que o mais recorrente era a busca pela clareza e concisão. “É preciso saber cortar”, “corte sempre”, “não tenha dó de extirpar do texto aquilo que não lhe faz falta” – eram essas as dicas com a quais eu mais me deparava. Resolvi seguir o conselho. Amolei meu senso crítico e me pus a cortar as excrescências de alguns contos alongados. Um deles, então, após uma boa podada, chegou a faturar o primeiro lugar num concurso municipal. Com o prêmio, recebi o convite para escrever em um encarte cultural, que depois se transformou no “Jornal O Lince”, para o qual até hoje escrevo (quase sempre, minificção). 

Em relação à outra pergunta, melhor do que destacar apenas um autor, cito três nomes referenciais: Eno Teodoro Wanke, Marina Colassanti e José Eduardo Degrazia. Cada um deles publicou mais de três obras compostas prioritariamente de minicontos. 

Ligados: Como acontece o seu processo criativo? Existe algum “ritual” antes de começar a escrever ou algo que goste de fazer para buscar inspiração (ler poesias, ouvir música, contemplar artes plásticas, etc.)? 

Wilson Gorj: Quase sempre eu parto de uma ideia que me ocorre ao acaso. Antes de externá-la, eu procuro desenvolvê-la mentalmente, a fim de lhe dar coerência e coesão, buscando sempre as palavras que melhor a expressem. Só depois me ponho a escrever. Claro que muitos textos nascem da leitura de outros autores e, algumas vezes, também são, sim, motivados pela música ou pela arte. 

Ligados: Você foi editor e idealizador do selo 3x4, da Editora Multifoco, que trata justamente de publicação de microficções, durante dois anos. Depois da sua saída você fundou, em parceria com o poeta Tonho França, a Editora Penalux. Como surgiu essa ideia e qual a proposta da editora? 

Wilson Gorj: Surgiu da vontade nossa de editar livros com mais autonomia e liberdade de criação. A Penalux é uma editora cuja proposta inicial é de possibilitar aos autores aprovados uma edição de qualidade e sem custos iniciais. Espera-se que o autor utilize o seu público para financiar a publicação, mediante a venda de uma pequena tiragem destinada inicialmente para atender a demanda do lançamento. A editora nasceu em junho de 2012 e agora, em março de 2013, já conta com quase 30 títulos publicados. Para conhecer nossos livros, basta acessar o site da editora: <www.editorapenalux.com.br>. 

Ligados: Pela sua experiência em editoração, qual a dica que você deixa aos novos escritores? 

Wilson Gorj: Leia sempre, de preferência bons livros. Crie o hábito de escrever, se possível, todo dia. Seja crítico com o que escreve; aprenda a reescrever sempre que necessário. Encare sua escrita como um aprendizado constante: procure aprender com autores mais experientes, seja por meio de oficinas literárias ou, simplesmente, investindo nos manuais de escrita. Relacione-se com outros escritores; troquem livros, conhecimentos, experiências. Quando um escritor se posiciona como tal, isto é, quando leva sua literatura a sério, ele acaba alcançando publicação e, quiçá, reconhecimento. 

Ligados: Está escrevendo algum livro no momento? Quais os projetos para este ano? 

Wilson Gorj: Tenho mais um livro de minicontos em processo de conclusão. Espero publicá-lo ainda neste semestre. A Editora Penalux, por sua vez, tem vários projetos em andamento. A meta é de que só neste ano publiquemos 40 títulos. 

Ligados: Pretende aventurar-se, um dia, por outros gêneros, como o romance e a crônica? 

Wilson Gorj: No momento, não sinto nenhum impulso criativo para investir num romance ou para me dedicar a outro gênero mais diverso, como a crônica. Pretendo, sim, publicar logo um livro de poesias, pois venho escrevendo poemas há alguns anos, esporadicamente. 

Ligados: Gostaria de encerrar esta entrevista com alguma colocação ou comentário? 

Wilson Gorj: Quero terminar registrando os meus agradecimentos à equipe do blog Ligados. Sem dúvida, temos aqui uma excelente oportunidade e espaço para nós, autores ou/e profissionais do livro, falarmos de nossas atividades e compartilharmos um pouco do nosso trabalho. Obrigado!


Autor: Thiago Jefferson - Criação: 08/03/2013 - Objetivo: www.ligadosfm.com

7 de mar de 2013

64º Mundo Cão - Chorão, Charlie Brown Jr. e o sol expoente

Ontem, logo no início da manhã, acordei com uma notícia a qual não deixa de ser trágica: morre o vocalista e líder do grupo Charlie Brown Jr., o Chorão. A princípio, não fiquei muito abalado, também, não sentirei lá a sua falta, tal qual aconteceu com a ida de ilustres, como o Michael Jackson, Renato Russo e até do hiato deixado pelo Herbert Vianna, após o acidente sofrido no seu ultraleve em fevereiro de 2001.

Não se trata de uma questão de grau de importância, mas, de identificação, mesmo. Assim como o Chico Buarque não me fará muita falta, o Chorão deixou o seu legado para o Rock Nacional e isto é indiscutível. Sabe, eu não sou lá fã do Charlie Brown Jr., apesar de já ter ido a alguns de seus shows e de gostar da banda. É até ousadia dizer que o próprio Chorão pode ser colocado no mesmo patamar poético de cantores como o Cazuza e o Renato Russo, mas, ouvindo alguns de seus discos, o "Transpiração Contínua Prolongada" e o "Preço Curto, Prazo Longo", por exemplo, já podemos, sim, dizer que a banda conseguiu emplacar não somente álbuns de vendagem atrativa para a indústria fonográfica nacional, mas, público fiel e história em nossa música.

Não se trata de um simples grupo da Axé Music, do Sertanejo Universitário ou uma "One Hit Band". O seu legado discográfico pode ser considerado de grande importância para o nosso Rock desde que a banda emplacou o seu primeiro sucesso. O Transpiração Contínua Prolongada é um disco muito bom, sobretudo, se visto na ótica das transformações as quais a música brasileira vinha passando na época do seu lançamento. Na verdade, o Charlie Brown Jr. veio de uma leva transformadora de nossa música, ao lado de grandes nomes, como Pato Fu, Skank, Jota Quest, O Rappa e Planet Hemp. Surgiam da influência do Rock Nacional 80's, que deixou tamanho legado, mas, infelizmente, havia caído no esquecimento do público.

E misturam o que havia de mais moderno em Rock 80's às inovações as quais ganharam força ainda na década de 90. Enquanto o Pato Fu agregava tecnologia nas suas músicas e em seus concertos, o Planet Hemp somava-se ao Rap, com algumas pitadas de Samba e Funk (não daqueles dos morros cariocas), o Jota Quest (ainda como J. Quest) trazia uma das maiores contribuições para a Soul Music brasileira e o Charlie Brown trazia o que havia de mais explosivo quanto ao legado das tribos e ao Rock misturado ao Reggae e ao Rap.

Na adolescência, o Transpiração Contínua Prolongada era o disco dos skatistas, dos crossistas e de quem curtia espotes radicais. Eu lembro que em cada competição na modalidade cross que participava, os organizadores colocavam as músicas do Charlie Brown Jr. para tocar! O "Preço Curto, Prazo Longo" já era ouvido por várias outras tribos, além de skatistas e crossistas, e os não adeptos acabaram por se aproximarem, de alguma forma, da linha radical esportiva. Lógico, a música e o Charlie Brown Jr. não foram exatamente os motivos, mas, colaborou e intercalou este lado do nosso cenário musical (e social)!

Lembro que quando o "Nadando com os tubarões" foi lançado, o Charlie Brown Jr. tomou conta de todas as expectativas da MTV, do VMB e das rádios que não se limitavam à música baiana, ao pagode ou ao Forró. O disco era novo e a banda havia tomado uma postura mais madura, estava mais politizada e inteirada com o que estava acontecendo com a sociedade brasileira. Não necessariamente da mesma forma, mas dentro de sua própria realidade, bandas como o Planet Hemp, Skank e Pato Fu também atravessaram suas fases de mudança e de amadurecimento (igual ao Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Kid Abelha e, por que não, Caetano, Gil, Gal e todo o restante da MPB).

Ou seja, o Charlie Brown Jr. fez parte de um movimento que tomou significado para a história de nossa música. Um dos três primeiros discos deles (Transpiração Contínua Prolongada, Preço Curto, Prazo Longo e Nadando com os tubarões) merece cadeira cativa na estante dos discos mais importantes do nosso Rock. Não necessariamente por se tratarem de discos muito bons (porque o são), mas, por terem representado todo um movimento o qual fez parte da estrutura do Rock e da música nacional da década de 90 e da virada do milênio.

E quanto ao Chorão, o mesmo fez parte disto tudo, esteve lá e deu o seu gás. E liderou um dos expoentes da nossa música. Merece ser lembrado.

Por: Andesson Amaro Cavalcanti
Em: 07/03/2013
Objetivo: www.LigadosFM.com

3 de mar de 2013

33ª Resenha Crítica - Presságio: O Assassinato da Freira Nua

 Saudações, queridos leitores! Hoje trago para vocês a resenha do livro Presságio – O Assassinato da Freira Nua, quinta obra de ficção do já veterano escritor Leonardo Barros, autor de Amor de Yoni (2008), O Maníaco do Circo (2009), Saúde, Beleza, Prosperidade e Riqueza (2010) e Solteiro em Trinta Dias (2011).



O thriller acompanha Alice, jovem de vinte e seis anos que, atormentada por constantes visões, acredita ter o dom da clarividência. Em um dos seus presságios, lhe foram mostrados fatos reveladores sobre um caso de assassinato, os quais lhe fazem desconfiar que aquele preso como culpado não é o verdadeiro assassino. Buscando revelar a verdade, a garota se envolve na investigação, embora não recebendo muita credibilidade e sendo considerada louca.

Com uma narrativa instigante, conforme vai tendo andamento a solução do mistério, somos forçados a pensar se aquilo que Alice vê é mesmo verdade ou somente um delírio. Em meio a isso, toques de comédia e erotismo vão pintando essa trama de mistério cheia de reviravoltas.

Contando com a sua experiência enquanto escritor, Leonardo Barros mostra uma maestria na arte de contar histórias. A cada capítulo, o leitor se vê cada vez mais envolvido e obcecado pelo final, com um tipo de tensão que faz com que sintamos exatamente aquilo que sente a protagonista e fiquemos tão perturbados quanto ela com as situações com as quais se depara. Podemos sentir na pele o peso de cada descrição psicológica. O mesmo podemos dizer sobre Sócrates, o cético médico que também assume o ponto de vista da narração em alguns momentos.

Mas, nos personagens secundários de Presságio, a sexualidade pode ser dita o seu principal elemento constituinte, o que em certos momentos parece limitar-lhes a identidade a esse aspecto e alguns poucos outros que surgem sem alguma razão justificada. Dessa forma, não se observa grande profundidade e caráter redondo às personalidades de alguns coadjuvantes, fazendo com que se tornem caricaturas vivas. Embora dificulte o processo de identificação do leitor com os personagens, este não é um ponto em todo negativo, uma vez que contribui para o humor (embora este seja um tanto nonsense!) ao mesmo tempo que dispensa explicar detalhes irrelevantes ao enredo.

Mas, apesar dessa relativa superficialidade na caracterização, Presságio um ótimo romance policial, atendendo a tudo que é essencial ao gênero. Recorramos aos princípios que G.K. Chesterton considera de suma importância numa história de detetive: a revelação como motivo da história, a simplicidade como alma da ação, a familiaridade com o fato e o culpado, o direito artístico de o culpado estar em cena e a ideia inicial como anterior à história.

A revelação de fato está como motivo de Presságio, antes de ser este a confusão. Afinal, são as visões de Alice que levam ao desenrolar da trama, não o mistério do assassinato (que é apresentado pela polícia como resolvido. Assim, há desde o início, a revelação como motivo. Porém, antes disso há uma confusão que logo desmorona e perde o poder nos olhos do leitor,

O desenvolvimento da história revela fatos simples, com motivos não tão obscuros quanto aqueles à primeira vista apresentados. Um serial killer de freiras? Oh, não! Há algo muito mais simples por trás de tudo isso, e é nisso que reside o mérito de Presságio enquanto thriller.

Os fatos e os culpados são, desde o início, familiares ao leitor: a protagonista estava na festa, conhecia a vítima e pôde observar através do presságio como tudo aconteceu. E o criminoso? Esteve o tempo todo em primeiro plano, mas não na qualidade de culpado.

Quanto ao quarto princípio, este está mais do que claramente bem utilizado, como acima expliquei: o verdadeiro culpado participa da história, é um velho conhecido sempre ocupado no seu ofício, acima de qualquer suspeita.

Por último, temos, uma ideia que toma forma antes da história, isto é, o dom da clarividência de Alice, que vem como ponto de partida para o desenvolvimento da história. Se fosse Presságio – O Assassinato da Freira Nua a mesma história, mas com uma protagonista sem este dom, certamente não teria o mesmo encanto. O autor conseguiu, portanto, desenvolver com sucesso a trama ao colocar esse elemento fantástico num lugar central e imprescindível como elemento motor.

Tendo, enfim, satisfeitos todos os critérios acima, alguns plenamente e outros parcialmente, podemos afirmar que o livro atinge o seu objetivo enquanto uma narrativa de suspense.

Presságio - O Assassinato da Freira Nua é um livro que merece ser lido por todas aqueles que buscam histórias repletas de mistério, ação e um tanto de sobrenatural. Que tal dar uma conferida?

Para mais informações sobre o livro, visitem:


Autor: André Rodrigues | Criação: 03/03/2013 | Objetivo: www.ligadosfm.com

1 de mar de 2013

Papo de Gago #20: Papo Quadrinhos: Profissão Quadrinista


Olá pessoal, o Papo de Gago de hoje é um papo mega descontraído com o Quadrinista Marcos Guerra, então junte-se a Anderson nesse bate papo.

Nesse podcast: Descubra a função de um Quadrinista e entenda que a arte não está no olhar e sim no sentimento.

Link's comentados no programa:
Link's comentados nos e-mails: 
Deixe o seu comentário no post ou mande os seus xingamentos, elogios ou sugestões para: papodegago@ligadosfm.com



Ouça podcast no player acima ou baixe o mp3 clicando aqui

Por: Anderson Ricardo
Em: 01/03/2013 
Objetivo:
 LigadosFM